sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

MILÉSIMO TEXTO

 

 

No alcance deste número,

Vejo-me mero energúmero,

Tão frágil na comunicação,

Com esta forma de redação.

 

Ante os temas acadêmicos,

Assuntos pouco polêmicos,

Os tão minguados leitores,

Desanuviaram os pendores.

 

Como não ficar enfadonho,

Ao cultivar anseio bisonho,

De interação comunicativa,

Com tão pobre perspectiva?

 

Opção de palavras rimadas,

Para mensagens colimadas,

Que despertassem atenção,

Tornou-se a discreta opção.

 

Apesar do alcance modesto,

Movido por intento honesto,

Sem o marketing persuasivo,

Cheguei a resultado efusivo.

 

Em distintas áreas do planeta,

O Blog mediou como avioneta,

Para leitores dos meus temas,

Apreciarem meus morfemas.

 

O grande número de leitores,

Desperta os pobres pendores,

Para persistir achando meios,

Factíveis de encontrar anseios.

 

 

FRUGALIDADE


 

Casada com a simplicidade,

Desfruta da boa sororidade,

E leva a moderar o apetite,

Para nunca sofrer de retite.

 

Gesta prazer na moderação,

E inebria doce consternação,

Na gratidão com anfitriões,

Pelas suas singelas fruições.

 

Aguça toda a sensibilidade,

Para respeitosa afabilidade,

E capta o limite do respeito,

Para não exceder no preito.

 

Leva a perceber o momento,

De encerrar o festivo evento,

E retirar-se sem os disfarces,

Para não denegrir as catarses.

 

Sabe dosar a efusão da alegria,

Para evitar a excessiva euforia,

Que desconforta no ambiente,

E causa reação constrangente.

 

Controla o nível da satisfação,

Para evitar toda malversação,

E contentar-se com o pouco,

Sem produzir ouvido mouco.

 

Move afabilidade enternecida,

Na vasta gentileza esmaecida,

Que se irradia pelas amizades,

E amplia a ação de alteridades.

 

 

 

 

 

GRANDES TENTAÇÕES

 

Velhas e sempre novas,

Movem violentas sovas,

Forjam lados sombrios,

E induzem a escabrios.

 

Levam a muito trabalho,

Proporcionam rebotalho,

Para os interesses egoístas,

De grandiosas conquistas.

 

Alienam com o trabalho,

E deixam em frangalho,

No indivíduo ambicioso,

O seu legado prestimoso.

 

Com garras da obsessão,

De pedras virarem pão,

Só apontam vantagens,

Através das chantagens.

 

Focados apenas no lucro,

Alargam o seu lado xucro,

Para o que daria sentido,

Negando laço enternecido.

 

Então o fascínio do poder,

Torna-se o foco para crer,

Porque satisfaz a vaidade,

E autoriza toda iniquidade.

 

Bendizem fraude e ganância,

Elevam qualquer arrogância,

Para atingir honra e a fama,

Como o auge do fluxograma.

 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

CORAGEM DE MUDAR

 

 

Enquanto a pandemia é categórica,

E obriga a mudar a nossa retórica,

Ante os hábitos e modos de lidar,

Também força a não nos adoidar.

 

No bom-senso para além da peste,

Vemos o estrago no meio agreste,

E a bagunça advinda da ambição,

Como a ameaça à nossa condição.

 

Requer-se sabedoria para mudar,

Com atenção para não defraudar,

O equilíbrio dos sistemas de vida,

Tão distante da visão enternecida.

 

O enfrentar nas situações difíceis,

Para novas condições mais dóceis,

Requer o cultivo das virtualidades,

Para superar a lida de banalidades.

 

Enquanto a outros é difícil mudar,

Temos a capacidade de deslindar,

A própria incoerência e revigorar,

O novo jeito para a vida equilibrar.

 

A expectativa de mudar os outros,

Com nossos conselhos já doutros,

Produz racionalização e resistência,

Que tão só degrada a convivência.

 

Necessárias modificações interiores,

Puxam as atitudes, crenças e valores,

Para não visar e denegrir os sujeitos,

Aos quais debitamos nossos defeitos.

 

A teimosia de querer mudar no outro,

Aquilo que nos parece tão desdoutro,

Impede percepção do próprio limite,

Para reagir ao tão enganoso palpite.

 

 

 

AUTOCRÍTICA


 

Na capacidade analítica,

Simpática leitura crítica,

Induz a ser juiz carrasco,

E um legislador tarasco.

 

A rara riqueza empática,

Cede à relação enfática,

Aplica a dura sentença,

E aumenta a desavença.

 

No referente à autocrítica,

Salienta-se outra política,

Que visa autocondenação,

Com a perfeccionista ação.

 

Reconhecer próprios erros,

Antes de causar desterros,

Diante de defeitos alheios,

Não produzem gestos feios.

 

O poder da destrutividade,

O traço típico da maldade,

Revela fuga da autocrítica,

E deslocada ação política.

 

Autocrítica tão necessária,

Para maturidade ordinária,

Equilibra o nível emocional,

E enleva o estado espiritual.

 

Não somos nada indignos,

Nem inúteis ou malignos,

Ao reconhecer fracassos,

E começar novos passos.

 

Na doença perfeccionista,

A busca de êxito ufanista,

Nunca atinge a satisfação,

Porque se vê insatisfação.

 

Ser um crítico de si mesmo,

Mais do que julgar a esmo,

Constitui virtude humana,

Que respeita e não engana.

 

 

 

 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

MINGUADA TOLERÂNCIA

 


A tão divulgada intolerância,

Ajuda a ocultar a tolerância,

Já tão esvaída nas interações,

E eclode em parcos corações.

 

Sob a destrutiva intolerância,

Age solta a doentia ganância,

Com apoio da lei inquisidora,

Para expandir força inibidora.

 

Ante necessária coexistência,

Que explicita a impertinência,

Cabe reconhecer na diferença,

Marcas do ambiente e crença.

 

Triste é a digladiação religiosa,

Que motiva a postura raivosa,

Contra outras formas de crer,

A fim de em ideologias se ater.

 

Na defesa das grades e muros,

Com tantos juízos prematuros,

Vasto distanciamento forçado,

Alarga muito olhar escarceado.

 

A contradição da democracia,

É que trai o que tanto queria,

Pois, vive da briga partidária,

Com a vil ideologia arbitrária.

 

Assim a tolerância é desejada,

E, simultaneamente ejetada,

Da centralidade da interação,

Sem produzir boa inspiração.

 

 

 

 

 

 

DESCOMPLICAÇÃO DA VIDA

  

Na dura tarefa cotidiana,

A lida pela base mediana,

De um coração satisfeito,

Exige pulso forte no peito.

 

Tanta obsessão neurótica,

Da concorrência osmótica,

Complexifica a existência,

E eleva danosa renitência.

 

Os múltiplos riscos de vida,

Esquecem a riqueza vivida,

E tornam o coração pesado,

Para definir o suave legado.

 

O desejo de muito domínio,

Amplia risco de extermínio,

E desenraiza a convivência,

E alarga muita divergência.

 

Numa opção por singeleza,

A simplicidade vira riqueza,

Da lídima condição humana,

Tão legal e que não engana.

 

Humildade é outra condição,

Para a vida sem complicação,

Porque evita toda precedência,

Que causa tanta aborrecência.

 

Quando se descomplica na vida,

A alma irradia toda enternecida,

A capacidade de larga tolerância,

Que dispensa toda redundância.

 

 

 

 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

CUIDADO SOLÍCITO

  

Quando os sinais de morte,

Revelam a sua cínica sorte,

A reação do clima alterado,

Dá aporte a ar envenenado.

 

A economia cega por lucro,

De olho fito no sobrelucro,

Gera esta enorme pobreza,

E sobrantes de real tristeza.

 

Embora sinais de caridade,

Feitos com solidariedade,

Revelem exitoso cuidado,

Sobra um mundo olvidado.

 

Líderes lacaios escolhidos,

Indiferentes aos preteridos,

Esnobam a insensibilidade,

Ante a relegada sociedade.

 

Conluios de líderes cristãos,

Trocam os pés pelas mãos,

E se enrodilham na proeza,

De furtar com fina destreza.

 

Manipulam todo sentimento,

E crenças para o detrimento,

Da real cordialidade humana,

Com ódio e tensão desumana.

 

Sem cuidadoso olhar solícito,

O afrontoso descaso explícito,

Da degeneração da natureza,

Denigre sua magnífica beleza.

 

Ademais delegar urgente zelo,

Aos interesseiros sem desvelo,

Significa trair sustentabilidade,

E acelerar a morte da lealdade.

 

NATAL ALEGRE

  

Dos sentimentos mais contidos,

E de encontros mais reprimidos,

Emergem as novas motivações,

Para um Natal de ricas efusões.

 

Efusões de alegre clima interior,

E de discreto encontro exterior,

Apelam ao senso de gratuidade,

Com a previsão de cordialidade.

 

Possíveis sinais de bem-querer,

Talvez viabilizem o enternecer,

Com a festa cristã a contento,

Para sentir Deus como alento.

 

Mas algo contradiz nosso natal,

Traz medo e incerteza tão fatal,

Ante decisões governamentais,

E tantas sofrências excomunais.

 

A pandemia espalha com solidão,

O isolamento e tolhe a prontidão,

Para os gestos e atos solidários,

E constrange os afazeres diários.

 

Todavia, Natal não será resignado,

Tampouco tristonho ou frustrado,

Porque enche com grata memória,

A razão de ser para nossa história.

 

O Deus manifesto por Jesus Cristo,

Confirmou o velho sonho previsto,

Para uma humana condição frágil,

Encontrar o sentido de forma ágil.

 

Na expectativa de que a luz da fé,

Não nos condicione na marcha ré,

A memória do nascimento frugal,

Indica uma possibilidade colossal.

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 19 de dezembro de 2020

A ESTRELA NA ESCURIDÃO

 


A memória do natal de Cristo,

Em meio ao pedido imprevisto,

Do soberbo imperador romano,

Lembra o procedimento insano.

 

Os pobres e humildes vitimados,

Por uma astuta lei conclamados,

Tiveram que rumar por estradas,

Com suas beiradas bem cercadas.

 

Cercas protegiam propriedades,

Dos latifúndios das veleidades,

A delimitar no estreito caminho,

A segurança de andejar sozinho.

 

A escuridão do sistema perverso,

Advinda de imperialismo adverso,

Obscureceu o caminho inseguro,

No útero escuro, ante um futuro.

 

Se a luz estelar delineou a gruta,

Numa realidade social tão bruta,

Nesta saída forçada para Belém,

Indicou um lugar sem ninguém.

 

A segurança duma manjedoura,

Precária para a nobreza de Deus,

Serviu, modesta e acolhedora,

À ejeção de uma luz redentora.

 

Qual anseio teria o nascituro,

Do pobre casal tão inseguro?

Sob a estrela indo na frente,

Apontou-lhe o rumo decente.

 

No hodierno caminho difícil,

Os cercados do sonho fácil,

Obnubilam caminhos vitais,

Sem estrela de luzes distais.

 

Muitos humildes acham a luz,

Da estrela da fé que reproduz,

Ânimo para as rotas de Belém,

E dos lumes que de lá advém.

 

 

 

 

 

<center>ERA DIGITAL E DESCARTABILIDADE</center>

    Criativa e super-rápida na inovação, A era digital facilita a vida e a ação, Mas enfraquece relacionamentos, E produz humanos em...