sábado, 15 de setembro de 2018

CANONIZAÇÃO DO SUCESSO




No lugar do antigo ideal de santidade,
Alarga-se uma ideologia na sociedade,
Que adora o sucesso como conquista,
E como apanágio de poder triunfalista.

Nesta diabólica e disfarçada violência,
Dominam-se sujeitos com indecência,
Para que aceitem lídimas inverdades,
Relativas às presumidas celebridades.

Do dinheiro espoliado para persuadir,
Os “bodes expiatórios” precisam iludir,
A sua reta consciência com sacanagem,
Aos tentáculos pífios da falsa imagem.

Ao manipularem as boas motivações,
Em torno das ardilosas elucubrações,
Produzem mitos sobre as inverdades,
Como se fossem divinas sacralidades.

Deixam os prisioneiros bem atrelados,
Aos manipuladores hiper-sofisticados,
Que querem vontades bem obcecadas,
Às suas ambições nada democratizadas.

As imensidões de vítimas feitas reféns,
Alienadas que se entregam por vinténs,
Renunciam às suas intuições profundas,
E se submetem a falácias tão iracundas.

Adoração do sucesso artificial e danoso,
Venerado como a coroa do ser bondoso,
Revela uma patologia doentia do poder,
Que atrela o povo sem levá-lo a crescer.

Os fanatizados apelos aos dependentes,
Antecipam resultados surpreendentes,
Do almejado, como se fosse a verdade,
Para o suposto bem de toda sociedade.


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

ANJINHOS SEM ASAS




Vejo tantas expressões faciais,
Com divinos traços angelicais,
Irradiando mundos indizíveis,
Sob traços humanos incríveis.

Simplesmente encantadoras,
Sem as palavras enganadoras,
Indicam um rumo comovente,
Através dum coração contente.

Irradiando uma riqueza vital,
Como pontos de luz celestial
Mudam com humor e leveza,
Tanto sentimento de tristeza.

Como são anjinhos perfeitos,
E com tão pequenos defeitos,
Porque estas asas angelicais,
A entortar colunas dorsais?

O imagético de seres celestes,
Que ignora traços incontestes,
Teima naquela velha raiz persa,
Que a boa angelologia dispersa.

Querem anjos de outro mundo,
Para enfeitar este tão iracundo,
E esvaziar o divino tão humano,
Explicitado neste mundo insano.

Com menos enfeites românticos,
Poderiam sobressair os cânticos,
Desta espontânea comunicação,
Dos anjos da genuína interação.

Apontam os mundos possíveis,
De mensagens bem inteligíveis,
Sobre o êxito de possibilidades,
Que eclodem sobre fatalidades.



quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A ASTÚCIA DE CORTEJAR




Em tempo de muito cortejo,
Com os entornos de remelejo,
Os aficcionados por atenção,
Desejam máxima admiração.

Seu nobre valor na sociedade,
De supostas obras de caridade,
Longe da admiração merecida,
Não cativam afeição esmaecida.

Sobressai um ego envaidecido,
De ilibadas honras guarnecido,
A iludir com fartas aparências,
E bajuladoras benemerências.

Ao enaltecer o legado edificante,
Dum passado altivo e marcante,
Denigrem a lamúria das vítimas,
Em suas reivindicações legítimas.

Presumem na feliz admiração,
Que no voto de muita sensação,
O ignóbil cidadão aufira poder,
Para que possam se enaltecer.

O desrespeito aos humilhados,
Espalha-se por todos os lados,
Sob a inércia da palavra vaga,
E que ao solto léu se propaga.

Queria tanto sentir admiração,
Por um entusiasta pela nação,
A promover elevação de nível,
Com menos ambição irascível.







quinta-feira, 6 de setembro de 2018

ESTEREÓTIPO PERSEGUIDOR




Das patranhas coletivas,
Que ferem forças vivas,
Salientam-se pretextos,
Dos nocivos contextos.

Os ataques a minorias,
Por razões e ninharias,
Perseguem as vítimas,
Subversivas legítimas.

Nas falsas acusações,
Fluem argumentações,
Para a defesa coletiva,
Contra a ameaça viva.

Réus de condenação,
De aleatória punição,
Devem aceitar o rito,
Para findar o conflito.

O veredito da maioria,
Sob a estranha ironia,
Age em nome divino,
Como justo assassino.

Sacralizam a violência,
Como divina essência,
Que estabelece a paz,
E que ao divino apraz.

Ao “bode expiatório”,
Em fato resignatório,
Resta-lhe a maldição,
E submissa aceitação.

Mimetismo da multidão,
Cria a falsa moralização,
Sobre o réu sacrificado,
Por Deus determinado.

Na persuasão moralista,
A determinação fatalista,
Move a crença da vítima,
Que sua morte é legítima.







sexta-feira, 31 de agosto de 2018

PIEDADES INÓCUAS




Quando as crises abalam,
Fundamentalismos exalam,
Saudades dos tempos idos,
Que já ficaram preteridos.

Sob o foco mágico das leis,
Mira-se a salvação de greis,
Com uma volta ao passado,
Como mais objetivo legado.

A absolutização de detalhes,
Atribuídas a divinos entalhes,
Justifica invenções humanas,
Para ações das mais sacanas.

Assim as idolatradas normas,
Molduradas por belas formas,
Viram armas muito perigosas,
Nas mãos de lideranças ciosas.

No culto da lei erigido centro,
Só é bom quem está dentro,
Do redil dos submissos cegos,
Para vaidade dos afoitos egos.

Nesta religião de aditamentos,
A manipular bons sentimentos,
Mata-se a atitude livre e calma,
Para impingir jugos sem alma.

A arrogância de impor jugos,
Expõe os perversos verdugos,
Com altivez nada libertadora,
A gerir barganha enganadora.





sexta-feira, 24 de agosto de 2018

DESVIO DE FUNÇÃO




Na incumbência de irradiar a beleza,
Da simplicidade de humana inteireza,
Escolhidos para o serviço edificante,
Tornam-se fonte bem decepcionante.

Uns são feitos meros administradores,
Outros se arvoram radicais opositores,
E enquanto nadam na auto-afirmação,
Tornam-se reféns de vulgar contradição.

Longe de alargar a genuína gratuidade,
Produzem arbitrariedades à saciedade,
Presos na observância exterior das leis,
E insensíveis ao abandono de suas greis.

No tirocínio humano-afetivo limitado,
Sobressai primário e elementar legado,
Dos traumas ativos de antigas feridas,
Que lhes absorvem as forças queridas.

Embora movidos por desejo de brilho,
Não dão os passos no projetado trilho,
Que poderiam curar as alheias feridas,
Das tantas vidas humanas denegridas.

O mundo dos humanitários pendores,
Esvaído do consolo dos seus valores,
Enche os arautos dos nobres desejos,
Com fétidos odores sem os bons ejos.

Como já não acham a fonte de Jesus,
Encontram tanta droga que os seduz,
Pois, só sorvem a água contaminada,
Da insinuação vulgar e desencantada.

Impregnados das mesmas violências,
Das banais e degradadas indecências,
Perderam a fala mansa e a humildade,
E berram rezas de conquista e vaidade.



quinta-feira, 16 de agosto de 2018

DECLARAÇÃO DE DIGNIDADE




Na elevação da mãe do Senhor,
A ser recebida pelo seu penhor,
No apanágio da bondade divina,
Aponta-se uma rota peregrina.

A expectativa de uma elevação,
Recria nossa humana condição,
Que as doze estrelas do passado,
Enalteçam o nosso belo legado.

A vida de auto-transcendência,
Sem sucumbir numa sofrência,
Aponta-nos o desejo profundo,
De um mundo menos iracundo.

Por isso a homenagem a Maria,
Prefigura o anelo que se irradia:
Que nosso encontro derradeiro,
Envolva-nos ao Deus verdadeiro.

Nesta esperança tão assuntada,
Irradia-se a parusia encantada,
Que em Maria está prefigurada,
E que, por nós, é tão aguardada.

O caminho humilde encantador,
Na generatividade do salvador,
Interpela-nos por onde o amor,
Eleva ao esplêndido pundonor.

As obras da pedagogia de Deus,
Deixaram ao mundo dos “eus”,
Um itinerário de ação serviçal,
Que eleva à assunção colossal.








<center>CANONIZAÇÃO DO SUCESSO</center>

No lugar do antigo ideal de santidade, Alarga-se uma ideologia na sociedade, Que adora o sucesso como conquista, E como apanágio...