Sentimento parceiro da humanidade,
Feito para o bem viver em sociedade,
Solidão impregna a genuína riqueza,
De alargar interioridade na
inteireza.
Solidão favorece boa espiritualidade,
Que aciona o elã para a cordialidade,
Deixa mundo subjetivo bom e sereno,
Que irradia ambiente para ar ameno.
A solidão dos dias capitalistas de
vida,
Produz os sobrantes solitários de
lida,
Que sentem a experiência subjetiva,
Do seu mundo social, solto na deriva.
Uns se complementam com felinos,
Outros com cachorros pequeninos,
E criam linguagem meiga e intimista,
Para a estranha interação benquista:
Linguagem de forma onomatopaica,
Produz uma linguística toda arcaica,
Rica com gemidos, latidos e miados,
Peculiar de certos mundos isolados.
Específica da gatose ou cachorrice,
Escraviza e subjuga pets na burrice,
A depender integralmente do tutor,
Que lhes dedica seu precípuo amor.
Nesta simbiose de mundo paralelo,
Quebra-se o humano e histórico elo,
E se alarga novo nível de sofrimento,
Advindo da condição de isolamento.
Plataformas sociais entram na
solidão,
E motivam uma inaudita acomodação,
Para preencher o vazio dos
solitários,
Com muitos entretenimentos diários.
Sobra socialização com pets amados,
Que centralizam o colo dos alienados,
E exigem devotamento pio e integral,
Para o mundo sectário do novo social.
Pets já não aturam atenção a outros,
Pois, já ciumentos e feitos amoucos,
Somente bajulam os adorados donos,
E ocupam o centro dos seus tronos.
Os amados absorvem toda conversa,
E não admitem a comunhão adversa,
A seu círculo de linguagem
específica,
Dos nhem-nhens, sem ação prolífica.
Ao se desintegrar o espaço público,
Gesta-se muito homogêneo abúlico,
Que pressiona para a forçada solidão,
Sem rota para a pública participação.
Os espaços digitais criam multidões,
Que só aceitam as mesmas opiniões,
E eliminam ainda mais, pouca chance,
De socializador processo ao alcance.
Sem boas mediações socializadoras,
Somem as inter-relações curadoras,
E a solidão produzida e estimulada,
Já não mais atura pessoa na alçada.
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