Vetusto como o de Caim e Abel,
Em que matar corria como mel,
Pecado ecológico tem um rosto,
Pelo sistema perverso exposto.
Já relegada a noção do chifrudo,
Ambição de apossar-se de tudo,
Além da matança de congênere,
Contamina vitalidade biogênere.
Imagem figurativa de um diabo,
Adquire novo rosto muito brabo,
Das oligárquicas plutocracracias,
Tão neofascistas de nossos dias:
Não matam só os seres humanos,
Pois, nos seus diabólicos planos,
Matam a ecologia para acumular,
Sob a psicótica forma de mandar.
Tal ação diabólica exaure a Terra,
Além do absurdo crime da guerra,
E degrada a tão pródiga natureza,
Dom gratuito para plena inteireza.
Pecado mortal não gerado na alma,
Mas, do sistema social que pasma,
Com insensibilidade diante da vida,
Gera a triste decrepitude combalida.
Já mergulhados nesta perversa sina,
Parece que nada no mundo ensina,
Que o vivenciar a penitência reativa,
Requer ação para a conversão ativa.
Constata-se o pecado da destruição,
E na passiva e mórbida observação,
Nada se efetua para evitar o efeito,
Deste alarmante e coletivo defeito:
Quando até a prática cristã relega,
Reconhecer o pecado que se prega,
Acaba anestesiada e não reconhece,
Conversão ante planeta que fenece.
O crime cometido contra a natureza,
Afeta não apenas humana inteireza,
Do momento histórico da atualidade,
Mas, do futuro da rica
biodiversidade.
Mesmo dando os sinais de ser mortal,
Gravidade do hediondo pecado brutal,
Chega a ser confessado e reconhecido,
Sem a reação eficaz para ser dirimido.
Vislumbra-se pecado mortal que mata,
E já na metamorfose que tudo dilata,
Segue-se no grave pecado destruidor,
Que aceita todo processo aniquilador.
Enquanto diabo do sistema faminto,
Destroça todo e abscôndito recinto,
Não se reconhece pecado ecológico,
E se morre esmorecido no biológico.
A ausência de percepção do pecado,
Aceita e endossa mundo desbravado,
Sob as graves injustiças
ecológicas,
No arroto de superações tecnológicas.