quinta-feira, 7 de maio de 2026

AS DUAS MARIAS

 

 

Entre as tantas, de recordações santas,

Penso em duas, contrárias entre tantas,

Que remetem à mesma pessoa humana,

E uma delas, a tanta boa gente engana.

 

Entre as duas Marias, a dos Evangelhos,

Remete a parcos dados nada francelhos,

Sobre a mãe de Jesus, valiosos e sóbrios,

Sem fantasia oriunda de mórbidos ébrios.

 

Tratou-se duma Maria que soube escutar,

E que ao ficar inquieta, ousou questionar,

Mas, acolheu a Palavra na sua fé profunda,

E transcendeu qualquer vontade iracunda.

 

Nunca foi em sua vida um objeto de culto,

Mas mulher solidária em sensível ausculto,

A participar da alegria de festas de enlace,

Para que culminassem em bom desenlace.

 

Ficou de pé diante do seu filho crucificado,

Sem se colocar de vítima de gesto odiado,

Atuou efetivamente no rol do reino novo,

Irrompido por seu Filho em favor do povo.

 

Esta Maria, modelo de discípula do Filho,

Tornou-se referencial de solidário brilho,

Não em favor de si, nem de sua grandeza,

Mas, do serviço da sua humilde presteza.

 

A outra Maria, a ornar altares e santuários,

Feita rainha poderosa de belos vestuários,

De vistosa coroa de ouro sobre sua cabeça,

É enlevada a poderosa a quem se obedeça.

 

Rainha dos céus e da contingência terrena,

Ela fornece o que se pede, de forma serena,

Atende a todos os desejos sob pias petições,

E abastece imaginário de suplicantes moções.

 

Quer piedades descontextualizadas e rígidas,

Da mesma oração recitada por almas frígidas,

Para obtenção mágica de milagres imediatos,

Dispensando quaisquer mediações e aparatos.

 

Nada importam contextos histórico-culturais,

Mas passivas esperas de atenções individuais,

Pois, sem urgência de construção de um reino,

Tudo depende do vínculo dentro do sub-reino:

 

A observância rubricista da reza e da piedade,

De pressuposto guru portador da divindade,

Assegura as benesses especiais e superiores,

Dos que rezam dentro dos estreitos fervores.

 

Com as inúmeras Marias divinas e virtuosas,

As verdadeiras disputas pelas mais poderosas,

Gera a insinuada e larga mobilidade turística,

Desta tão estranha fé religiosa característica.

 

Na história da minha mãe e de outras tantas,

Vi a mãe de Jesus Cristo, em mulheres santas,

Que deixaram um memorial rico e profundo,

Da fé assumida e vivenciada no seu mundo.

 

Encontraram a santidade na solidariedade,

Sem mínima obtenção mágica de facilidade,

Mas, sua fé no filho de Maria gestou alegria,

Que ainda repercute na memória do seu dia.

 

O estranho das Marias das muitas aparições,

É que pedem sequência de repetidas orações,

Sempre dirigidas a elas e nenhuma para Deus,

Como mediadoras do socorro a devotos seus.

 

Oferta do socorro perpétuo e todas as graças,

Ativam os medos ante comunistas desgraças,

Dispensam qualquer itinerário de discipulado,

E tudo se resolve com a piedade de resignado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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