Entre as tantas, de recordações
santas,
Penso em duas, contrárias entre
tantas,
Que remetem à mesma pessoa humana,
E uma delas, a tanta boa gente
engana.
Entre as duas Marias, a dos
Evangelhos,
Remete a parcos dados nada
francelhos,
Sobre a mãe de Jesus, valiosos e
sóbrios,
Sem fantasia oriunda de mórbidos
ébrios.
Tratou-se duma Maria que soube
escutar,
E que ao ficar inquieta, ousou
questionar,
Mas, acolheu a Palavra na sua fé
profunda,
E transcendeu qualquer vontade
iracunda.
Nunca foi em sua vida um objeto de
culto,
Mas mulher solidária em sensível
ausculto,
A participar da alegria de festas de
enlace,
Para que culminassem em bom
desenlace.
Ficou de pé diante do seu filho
crucificado,
Sem se colocar de vítima de gesto
odiado,
Atuou efetivamente no rol do reino
novo,
Irrompido por seu Filho em favor do
povo.
Esta Maria, modelo de discípula do
Filho,
Tornou-se referencial de solidário
brilho,
Não em favor de si, nem de sua
grandeza,
Mas, do serviço da sua humilde
presteza.
A outra Maria, a ornar altares e
santuários,
Feita rainha poderosa de belos
vestuários,
De vistosa coroa de ouro sobre sua
cabeça,
É enlevada a poderosa a quem se
obedeça.
Rainha dos céus e da contingência
terrena,
Ela fornece o que se pede, de forma
serena,
Atende a todos os desejos sob pias
petições,
E abastece imaginário de suplicantes
moções.
Quer piedades descontextualizadas e
rígidas,
Da mesma oração recitada por almas
frígidas,
Para obtenção mágica de milagres
imediatos,
Dispensando quaisquer mediações e aparatos.
Nada importam contextos
histórico-culturais,
Mas passivas esperas de atenções
individuais,
Pois, sem urgência de construção de
um reino,
Tudo depende do vínculo dentro do
sub-reino:
A observância rubricista da reza e da
piedade,
De pressuposto guru portador da
divindade,
Assegura as benesses especiais e
superiores,
Dos que rezam dentro dos estreitos
fervores.
Com as inúmeras Marias divinas e virtuosas,
As verdadeiras disputas pelas mais
poderosas,
Gera a insinuada e larga mobilidade
turística,
Desta tão estranha fé religiosa
característica.
Na história da minha mãe e de outras
tantas,
Vi a mãe de Jesus Cristo, em mulheres
santas,
Que deixaram um memorial rico e
profundo,
Da fé assumida e vivenciada no seu
mundo.
Encontraram a santidade na solidariedade,
Sem mínima obtenção mágica de
facilidade,
Mas, sua fé no filho de Maria gestou
alegria,
Que ainda repercute na memória do seu
dia.
O estranho das Marias das muitas
aparições,
É que pedem sequência de repetidas
orações,
Sempre dirigidas a elas e nenhuma
para Deus,
Como mediadoras do socorro a devotos
seus.
Oferta do socorro perpétuo e todas as
graças,
Ativam os medos ante comunistas
desgraças,
Dispensam qualquer itinerário de discipulado,
E tudo se resolve com a piedade de
resignado.
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