SINOPSE
Segue mais uma coletânea de causos
veiculados nas conversas de Cunhataí – SC. Trata-se de uma peculiaridade da
cultura oral, ainda muito viva, que, na narrativa de causos, faz catarse diante
das situações difíceis da vida. Longe da Psicologia e da Psiquiatria, o mundo
dos causos ainda oferece terapêuticas muito eficazes.
Agradecimento:
Boa parcela destes Causos do Fritz, que seguem, foi captada de dois exímios contadores
de causos e anedotas: Cláudio Hammes e José Herbert. A eles, o reconhecimento
pelo dote de alegrar ambientes.
ÍNDICE
1 – Volta do namoro...
2 – Confabulação de vizinhos...
3 – Ferrão de abelha...
4 – Conversa exagerada...
5 – Informação confusa...
6 - Confissão mal-entendida...
7 – Mulher no dentista...
8 – Conversa de duas senhoras distintas...
9 – Namorador inexperiente...
10 – Amigos de peito...
11 – O velhinho no consultório médico...
12 – Mulher no ginecologista...
13 – Menino impertinente...
14 – Chimarrão na praça...
15 – Viagem de ônibus...
16 – Vestido de noiva...
17 – Torcedor fanático...
18 – Morte da sogra...
19 – Jogador feio...
20 – Mulher raivosa...
21 – O caçador perigoso...
22 – O homem mulherengo...
23 – Conversa de comadre...
24 – Mulher chateada...
25 – Menino cabeça dura...
27 – Aula sobre o Hino Nacional...
28 – Mulher com problema de bexiga...
29 – Papagaio fofoqueiro...
30 – Homem com dor de barriga no ônibus...
31 – Xixi no ônibus...
32 – Menino complicado na catequese...
33 – Problemas de cidade...
34 – Na hora da garapa de cana...
35 – Fotografia para mamãe...
36 – Briga da patroa com a empregada...
37 – Marido bêbado...
38 – Homem em posturas estranhas...
39 – O pai curioso...
40 – Noivo surpreso...
41 – Desencontro entre o Fritz e a Frida...
42 – Um taxista e a freira ...
43 – Menino conversador...
44 – Catarina gastadeira...
45 – Teste de conhecimentos...
46 – Tombo da professora...
47 – Origem da chuva...
48 – Políticos adversários na barbearia...
49 – Namorada nova...
50 – Pernoite na casa do tio...
Palavras finais....
APRESENTAÇÃO
Segue narrativa de interações
pitorescas, com características divertidas de Causos do FRITZ, nome de fantasia, mas, muito simbólico, para
expressar a capacidade de alguém que se autoriza a gozar de outras pessoas, e, não
acha nada inconveniente que, também, debochem dele.
O intento desta coletânea é o de
preservar e, ao mesmo tempo, divulgar valores da cultura popular oral, - no
caso, do que circula nos causos narrados na região de Cunhataí, SC, portadora de
uma expressão genuína do processo de enculturação entre traços da herança
germânica e do processo cultural brasileiro. Causos desta síntese, poderão
ativar a relevância da imaginação de leitores, com perspectivas favoráveis para
ativar outras recordações hilárias, que, por sua vez, poderão despertar
fantasias para intuir outros modos possíveis de vida, menos tensos e menos conflitivos
nas interações.
O pano de fundo dos causos, também
permite entender como agricultores desta terra lidaram com dificuldades,
através das histórias contadas, que se tornavam remédio psiquiátrico para não
sucumbirem em processos depressivos. Este bom remédio caseiro, de efeitos
terapêuticos, mostrou-se eficaz para uma catarse saudável.
Algumas riquezas da cultura popular
oral tendem a se perder com a morte de seus contadores. Almejou-se, em razão
disso, materializar e registrar alguns destes causos hilários, na expectativa
de que possam ensejar um entretenimento agradável e, simultaneamente, favorecer
a sensibilização diante do que subjaz nas anedotas. Também faz parte da intencionalidade deste conjunto
de causos, a vontade de oferecer uma distração que ajude a desnubilar mágoas renitentes
e superalimentadas pela mente.
Como os “Causos do Fritz” foram
contados na língua alemã, algumas expressões perderam um pouco do seu
significado, devido à inadequação de palavras portuguesas para expressar seu
sentido simbólico.
1
VOLTA DO NAMORO
Depois de passar algumas horas na
casa do possível sogro, em vista de conquistar sua filha para o casamento, o Franz
gostou tanto do vinho oferecido pelo anfitrião, que acabou passando da medida.
Na hora de ir embora, aquela que viria a ser sua futura sogra, fez um mimo e
mandou dois salames para a mãe do Franz.
Como o Franz tinha que atravessar o
rio Barra Grande para retornar à sua casa, em Cunhataí, atrapalhou-se no meio
do rio, caiu do cavalo e, com o tombo na água fria, também perdeu os salames.
Nem tinha como tentar procurá-los na correnteza da água, ainda mais, no meio da
escuridão.
Com muita dificuldade Franz conseguiu
ajeitar-se de novo no lombo do cavalo e foi para casa todo molhado, sem
informar que tinha perdido os salames. Dias depois, a mãe da desejada namorada
do Franz, se encontrou com a mãe dele e lhe perguntou se os salames estavam
gostosos.
A mãe do Franz, retrucou:
Não sei nada de salame e o Franz
nunca me entregou salame! No mesmo dia, ela foi inquirir o Franz:
- Você recebeu salame e não me
entregou?
- É, respondeu o Franz: na hora de ir
embora e como tinha tomado muito vinho, caí no meio do rio Barra Grande e os
salames sumiram nas águas. Estava assim explicado um pequeno incidente que quase
culminou na ruptura do incipiente namoro.
2
CONFABULAÇÃO DE VIZINHOS
O Pedro foi na casa do seu vizinho
Jorge, para uma visita de cortesia. Junto com o chimarrão, rolou aquela
conversa de sempre: sobre o tempo, sobre futebol e sobre a corrupção dos
políticos. De repente, o assunto se direcionou para o campo das afetividades.
Pedro falou que, há bom tempo, está
desconfiado de que sua esposa vem traindo sua fidelidade.
Jorge logo retrucou que devia ser
mera impressão. Na verdade, era ele quem visitava a vizinha para intimidades.
Como Pedro mexeu na sua fragilidade afetiva, Jorge perguntou:
- E pensa em fazer alguma coisa?
- Sim, respondeu Pedro. Já tomei uma
providência. Comprei uma espingarda, cano 12, e uns cartuchos com chumbo grosso
de furar paredes. Esta espingarda está novinha e reluzente. Estou apenas
esperando a hora do momento certo, para adentrar a ponta do cano da doze no “forébis”
do sujeito, quando estiver em cima da mulher, e detonar um tiro que vai encher
as paredes e o forro do quarto com fiapos das tripas dele.
Jorge, todo nervoso e com sinais de gagueira,
já não soube mais como desviar o assunto. No outro dia, foi na mulher do Pedro
e lhe falou:
- Nosso caso de amor está encerrado.
Não quero ser morto, na cama com você, com um tiro de espingarda doze para
dentro do meu “forébis” e ter minhas tripas espalhadas no seu quarto.
Após um tempo de abstinência, Jorge
voltou a ser importunado pela esposa do Pedro, e, caiu na tentação de ir outra
vez para a sua cama. Na hora de iniciar o himeneu da intimidade, entrou um cachorrinho,
subiu na cama e encostou o nariz frio nos glúteos do Jorge, a fim de cheirar seu
“forébis”. Esta sensação ativou a memória de Jorge e ele sentiu que o suposto
tiro fulminante da espingarda doze, estava sendo detonado e ficou instantaneamente
travado.
A mulher de Pedro insistiu:
- Mas como? Já parou?
Jorge retrucou:
- Ao sentir o cano da doze entrar
pelos glúteos e entrar na minha cavidade rugosa sub-lombar, travou tudo! Até as
tripas soltaram todo cocô que nelas se encontrava!
Na verdade, foi o pavor da espingarda
doze, associado ao nariz frio do cachorrinho, que apenas queria dar uma
cheirada no “forébis” daquele bundão.
3
FERRÃO DE ABELHA
A vida agrícola apresenta situações
bem pitorescas. Na casa do seu Zé Furtado, o assunto, na hora do almoço, foi o
de que uma das porcas estava no cio. O Zé falou para sua esposa que, após o
almoço, levaria a porca até a casa do vizinho para que seu cachaço a
fecundasse.
O Joãozinho, todo curioso, queria
saber como que o pai sabia que aquela porca estava em cio. O pai logo retrucou:
- É porque ela levou uma ferroada no
nariz!
O Joãozinho não perguntou mais nada.
O pai saiu com a porca carregada na carroça de bois. Ao retornar, Joãozinho
correu ao encontro da carroça e avisou o pai:
- Só descarrega a porca e já pode carregar
a mãe e leva-la ao vizinho, porque, há pouquinho, ela também levou uma ferroada
no nariz.
4
CONVERSA EXAGERADA
Antigo pároco de São
Carlos, tinha uns amigos que gostavam de jogar baralho com ele. Um sabia mentir
mais e melhor do que o outro. Um deles, toda vez que fazia uma boa jogada,
dizia aos demais: que eu sou muito inteligente e esperto, isso vocês já devem
ter percebido, há muito tempo, nas minhas conversas. O outro amigo, era o
doutor Hundt, que durante décadas era o único médico em São Carlos.
Um dia, no meio da
distribuição de cartas, Doutor Hundt falou aos demais que, naquela semana,
tinha caçado um Quati enorme na sua propriedade. Disse que pesou nove quilos.
Ninguém riu e sequer comentou a proeza de caçar um Quati desse tamanho.
Depois de algumas
jogadas, sob estranho silêncio, o padre Fritz comentou a enchente do Rio
Uruguai do ano de 1965, na qual as águas subiram tanto, que formaram lagos nas
baixadas das lavouras próximas do rio Uruguai, e depois que o rio começou a
baixar, iniciou-se uma disputada pescaria nestes lagos, pois, ali ficaram retidos
muitos peixes grandes. O padre contou que também foi pescar num destes lagos, e,
assim que jogou a linha, ela já foi esticada por algum peixe. Começou a puxar a
linha, com ansiedade, e o peso indicava que era peixe muito grande, - pelo
menos, - bem acima de cinco quilos. De repente, levou um susto, pois, viu que
em vez de visualizar um peixe, relutando para se soltar do anzol, estava
puxando um lampião de gás, ainda aceso, de dentro da água.
O Doutor Hundt bateu a
mão na mesa e falou alto:
- Mas padre, o senhor
contar um caso destes! Isto é totalmente inverídico. Nem seria possível uma
lâmpada ficar acesa por tanto tempo e, ainda mais, debaixo da água!
Foi, então, que o padre
tirou o cachimbo da boca e retrucou:
- Olha Doutor Hundt, se
você baixar uma porção de quilos do Quati que caçou, eu até posso deixar o
lampião da minha história sem luz acesa.
5
INFORMAÇÃO CONFUSA
Ocorreu que, numa casa
da cidade, havia sido roubado uma bicicleta. Alguém foi pedir ao padre para que
fosse até lá, a fim de fazer uma oração e abençoar a casa, com vistas a evitar
que outros roubos viessem a acontecer.
O padre foi para
atender o pedido, mas, entrou na casa anterior à do destino, e foi surpreendido
com um velório. Tinha morrido uma velha senhora, afamada por se prostituir. A
família sequer informou o padre, pois, deduziu que, com certeza, não viria
celebrar a encomendação. O padre, no entanto, estranhou a ausência de olhares
sentidos, ou de choro, e nem parecia ser de velório.
Desconfiado, o padre
resolveu retornar àquela casa para confortar os familiares da velhinha. Começou
a catar alguma informação sobre a falecida e seu filho, então, lhe falou: era
uma peça velha e desgastada. Era animal de montaria do pai, do nosso vizinho e
até eu aprendi a ser macho em cima dela. Com informação tão estranha, o padre
até esqueceu do que queria fazer e foi procurar a outra casa, para fazer uma
oração.
6
CONFISSÃO MAL ENTENDIDA
O padre estava sentado
dentro do confessionário. De repente, foi a vez do menino Carlinhos, de cerca
de dez anos, vir para sua confissão.
Como de praxe, Carlinhos
confessou seus pecados e pediu absolvição. Antes de invocá-la sobre o menino, o
padre, pediu a ele, se não tinha outros pecados a confessar. O menino respondeu
que, confessou tudo, e que não tinha outros pecados a confessar. Então, o padre
lhe pediu:
- Quem é o menino que
sempre entra na casa do padre, vai na geladeira, corta pedaços de linguiça e os
come? E ainda, quem é o menino que não deixa nenhum moranguinho da horta do
padre ficar maduro, porque já os devora antes?
O menino retrucou:
padre, não estou entendendo nada aqui do lado de fora do confessionário, a
respeito do que o senhor fala ali dentro. O padre, ao ouvir esta resposta,
abriu a portinhola e veio para fora do confessionário. Foi, então, que Carlinhos
se antecipou e resolveu fazer uma pergunta ao padre:
- Padre, quem é o homem
que cruza, seguidamente, no fundo da nossa casa, para ir dormir com a vizinha?
O padre respondeu imediatamente:
aqui fora do confessionário, eu, também, não estou escutando coisa alguma! Esta
surdez deixou o menino sem a devida absolvição dos seus pecados.
7
MULHER NO DENTISTA
A senhorita Ana Maria,
casada, há sete anos, com José Pimenta, tinha um filho de cinco anos. Ana Maria
tinha horário agendado para ir no dentista. Como o marido estava lidando com o
gado, ela resolveu levar junto seu menino, a fim de que não ficasse sozinho em
casa.
Ana Maria levou mais de
hora se ajeitando na frente do espelho, antes da saída. No consultório, ficou
uns minutos na sala de espera e, ao ser chamada para o atendimento, na sala
contígua do consultório odontológico, pediu para que o menino ficasse esperando
na sala de espera. Como o atendimento pareceu muito demorado para o menino, já
irrequieto de tanto esperar naquele lugar sem graça, resolveu espiar pelo
buraco da fechadura, a fim de ver se a mãe já viria para fora.
Quando a mãe,
finalmente, saiu do consultório, pegou o menino pela mão, foram ao carro e
rumaram para casa. Assim que saiu do carro, o menino foi caminhando,
rapidamente, na direção do pai, ainda lidando com o gado. Chegou perto e pediu:
- Pai, a mãe tem muito
dente com cárie na sua perereca?
Menino, o que é isto
que você está falando? Onde aprendeu uma besteira dessas?
O menino, então se explicou:
- Olha pai, como a mãe
estava demorando muito para sair do consultório, resolvi espiar pelo buraco da
fechadura, e vi o dentista mexendo nos dentes da perereca da mãe! Será que ela
tem mais dente estragado por lá?
O pai mandou o menino
para dentro de casa, e o que aconteceu, depois desta ordem, ainda está por ser
desvendado.
8
CONVERSA DE DUAS SENHORAS DISTINTAS
A Frida, mulher
beirando os cinquenta anos de idade, simpática, bonita e encantadora, foi
visitar sua amiga Matilde, da mesma idade, muito estimada, e o ritual da
saudação, como era de praxe, consistiu em uma apreciar a beleza da outra, e
rasgar elogios de estufar o ego.
Assim que Frida chegou
e foi recebida com abraços e beijos, foi logo convidada a sentar-se. Nesta
hora, seguiram-se mais uns capítulos de elogios sobre o cabelo, sobre a face
rejuvenescida, sobre a belíssima combinação do vestido com sua cor loira. De
repente, escapou a impressão de Matilde sobre a Frida:
- Frida, você tão encantadora e bem vestida,
mas, eu não entendi porque você está usando uma calça comprida de moletom,
escura e listrada nas laterais, própria de Academia, por baixo deste belo
vestido!
Frida respondeu:
- Matilde, você nem
sabe o que me aconteceu. Eu ainda não entendi como os homens podem ser tão
safados com mulheres nobres, distintas, respeitosas e leais como nós duas.
O que foi que
aconteceu, pediu Matilde?
- Tenho até vergonha de
falar, mas, aconteceu o que eu nunca poderia esperar de um médico psiquiatra. O
médico daqui da cidade me encaminhou para ir num psiquiatra. Assim que entrei
no consultório, ele pediu que me sentasse, e ele, sentado no outro lado da
mesinha, já solicitou, de cara, para que eu me abrisse.
Pense numa provocação
bem desaforada de tarado sexual. Aí já fiquei sem palavras e ele repetiu, de
novo: fique muito à vontade! Abra-se!
Eu só me levantei
rápido, bati a porta em sinal de protesto, e fui embora. Fui para casa e contei
para o marido o que aconteceu.
Foi, então que
combinamos: na próxima vez, ele vai junto, com aquele facão comprido e, assim
que a gente entrar na sala de atendimento, ele vai bater o facão umas três
vezes sobre a mesinha, para não sobrar nem papel e caneta por cima, e vai
perguntar: quer fazer nova proposta para abusar desta mulher fiel e abnegada
que é minha esposa?
Matilde interveio na
conversa e falou: Olhe, Frida! Existe a lei Maria da Penha e você pode
denunciar este médico por insinuação sexual.
Frida retrucou, nem
pensei nisso, mas, como já combinei com o marido, vai ser no facão mesmo.
Um pequeno
mal-entendido foi o responsável pelos estranhos procedimentos de Frida: no
ambiente social, das duas mulheres, “abrir-se” equivalia a dizer, entregue-se
para uma intimidade sexual. Por isso, a calça comprida de moletom, por baixo do
lindo vestido, constituía mais uma proteção contra eventual ataque de tarado
que quisesse aproveitar-se de Frida.
9
NAMORADOR INEXPERIENTE
O adolescente Pedrinho,
rapazinho criado sob excessiva dependência da mãe, começou a sentir-se despertado
por uma paixão sorrateira por uma menina, colega de aula. Ela lhe parecia cada
dia mais bonita, atraente e encantadora.
Um dia falou para a mãe,
que gostaria de começar um namoro, mas, que não tinha jeito e não sabia sequer
como chegar perto dela, e, menos ainda, namorar com ela. A mãe resolveu dar-lhe
algumas dicas: se for com ela de manhã, diga bom dia! Se for de tarde, diga boa
tarde; e, se for de noite, diga boa noite.
- O rapazinho pediu: e
depois?
A mãe retrucou:
- Para começar bem,
você poderia ir primeiro na loja e comprar um presentinho para ela. Ao chegar
na loja, a vendedora insistiu para que comprasse também um presentinho para a
sua mãe, porque no dia seguinte, domingo, seria o dia das mães. Entrou na conversa
e comprou mais um presentinho. Todo atrapalhado, pediu à vendedora: como vou
fazer para não trocar os presentinhos. A vendedora sugeriu:
- Coloque o presente
para a namorada, no bolso da frente da calça, e o presente para a sua mãe, no
bolso de trás. Mais atrapalhado do que cachorro em procissão de Igreja, Pedrinho
chegou na casa da menina e disse: bom dia, boa tarde e boa noite!
Ela olhou-o, com certa
estranheza, e ele já iniciou a fala para dizer que trouxe dois presentes. Um, seria
o presente que queria dar a ela. Falou que este estava na frente; e, o outro,
que seria para a mãe, estava atrás. Esqueceu-se de dizer que estava no bolso da
calça, e a menina, achando a conversa excessivamente insinuante e machista para
um primeiro encontro, mandou-o embora no mesmo instante, sem sequer receber o
presente.
10
AMIGOS DE PEITO
O fim de tarde no Bar
do Gonzaga era, normalmente, bem movimentado. A maioria dos frequentadores ia
tomando seus tragos de pinga e colocando as fofocas em dia. Alguns se animavam
tanto, neste clima de supostos bons amigos, que iam passando do ponto. Tomavam,
conversavam, cada vez mais alto, e mais perto do ouvido de uns para outros.
Numa noite destas, dois
se animaram tanto na conversa, acompanhada de muita cachaça, que passaram da
hora normal de ir para casa. Um mais bêbado do que o outro, deram-se conta de
que deveriam ir embora, pois, já passava da meia noite.
Na hora de sair, um perguntou ao outro, onde
morava. Com muita dificuldade, conseguiu explicar àquele amigo do peito, que
morava perto, na outra esquina do bar, naquela casa verde. O outro retrucou:
que coincidência! Eu também moro na esquina numa casa verde.
Os dois foram andando,
um escorando o outro, e, quando cruzaram a esquina, um deles disse:
- É aqui, nesta casa
verde, que eu moro!
O outro então
respondeu:
- Não, aqui é o lugar
onde eu moro!
Começaram a discutir e
o clima foi se tornando cada vez mais acirrado, até que começaram a brigar e um
derrubava o outro com tapas e empurrões. Entre gritos e palavrões, acordaram a
dona da casa verde. Na verdade, era a esposa de um e mãe do outro. Quando viu
que os dois estavam bêbados, pai e filho, brigando por uma besteira daquelas,
agarrou a vassoura e surrou os dois para ver se criariam juízo para tomar menos
cachaça e para não mais brigarem entre si.
11
O VELHINHO NO CONSULTÓRIO MÉDICO
A fila de espera estava
enorme, mas seu Onofre, de oitenta e cinco anos, aguardou pacientemente a sua
vez, como último da fila. Tinha consigo um envelope com os exames de sangue e de
urina, a fim de submeter-se a uma avaliação de rotina.
Ao ser recebido pelo
médico, que já o conhecia desde muitos anos, após a saudação, o médico pediu os
exames, para verificar o resultado.
Depois de conferir e anotar os índices no computador, falou para o Onofre:
- Parabéns! A qualidade
do seu sangue, com oitenta e cinco anos, é muito superior à qualidade do normal
dos adolescentes. Começou, então, a fazer-lhe algumas perguntas:
- Como estão os olhos?
- Estão muito bons! - respondeu Onofre, - leio bem e nunca usei
óculos.
- E como anda seu
pulmão?
Sem nenhum problema,
nem gripe estou pegando!
O médico perguntou ainda:
- Como anda seu sistema
digestivo e de evacuação?
- Ótimo – respondeu
Onofre – a digestão é boa e a evacuação funciona como um relógio. Um dia, como
outro, pontualmente, às sete horas da manhã, acontece a evacuação!
Que maravilha, retrucou
o médico!
- Onofre retrucou: Nem
tanto, doutor! É que eu me acordo somente depois das oito horas da manhã, e,
então, começa aquela encrenca sem fim.
12
MULHER NO GINECOLOGISTA
Logo depois do
fornecimento dos dados iniciais, o médico perguntou à mulher, a respeito do que
estava acontecendo com ela, no campo ginecológico. Ela falou:
- Doutor, já nem sei
quantos médicos e médicas consultei para que me ajudassem a engravidar e nada
deu certo!
O médico repetiu: nada
deu certo! E já fez alguma simpatia para engravidar? Ela respondeu:
- O senhor, como médico
ginecologista, me sugerir simpatia? Já fiz todas as simpatias, e nenhuma
produziu o resultado esperado. Foi a vez do médico perguntar:
E a simpatia da
berinjela, também a fez?
Ela repetiu:
be...rin...gela, não, desta nunca ouvi falar. Em que consiste?
- Ele falou: pega
berinjela, esfrega e faz carinho todas às noites e vai se repetindo: é hoje que
eu vou engravidar!
A mulher toda encantada
com a sugestão, ainda perguntou: e funciona?
- Sim, disse ele,
garanto que, em um mês, vai estar grávida!
Desmanchando-se de
gratidão, e, encantada pela possibilidade de, enfim, engravidar, a mulher
estendeu a mão, para agradecer e despedir-se do médico, e, ainda perguntou:
Como é mesmo o seu nome?
- Ele respondeu: Dr.
Beringela!
Ela apenas retrucou: seu
safado! Bateu a porta e sumiu.
13
MENINO IMPERTINENTE
Paulinho, menino de
nove anos, era um daqueles “bundões de sofá”, com os olhos sempre focados no
celular ou no televisor, incapaz para qualquer pequeno serviço ou favor. Gordão
de tanto comer doces e produtos multi-processados, um dia resolveu passar o
final de semana na casa do tio, que morava na cidade vizinha a dez quilômetros
de distância.
Assim que chegou lá, na
casa do tio, já começou a manifestar sua chatice. O tio estava lavando seu
carro. O menino, no lado, comentou:
- Meu pai tem dois
carros melhores do que este!
- O tio não deu
importância para a mania de grandeza do sobrinho chato.
Continuou lavando o carro. De repente,
o menino falou:
- Nós lá em casa temos
dois aparelhos lava-jatos desses!
O tio, já no limite da
sua tolerância, não falou nada. O menino, observando o entorno, voltou a falar
para o tio:
- Meu pai tem duas
casas, bem melhores do que a sua casa!
O tio, irritado com o
sobrinho, abriu o fecho da calça, puxou o trabuco e retrucou:
- Teu pai também tem
dois trabucos desses?
O menino impertinente
respondeu:
- Dois, até que não
tem, mas, o dele dá tranquilamente dois desses.
Foi, então que acabou
seu passeio de final de semana no tio. Saiu corrido.
14
CHIMARRÃO NA PRAÇA
Duas jovens amigas
combinaram, entre si, para tomar um chimarrão na praça, no domingo de
tardezinha. Animadas e sentadas num banco, iam conversando sobre tudo. De
repente, uma pediu para a outra:
- Você já teve
namorado?
Não, respondeu ela, e
logo devolveu a pergunta:
- E você, já teve?
Também não, respondeu
ela. Tomadas mais umas cuias de chimarrão, a primeira perguntou:
- Que tipo de namorado
você mais gostaria de encontrar?
Eu acho que preferiria
um rapaz de origem alemã! E você?
- Eu já sinto mais
atração por índio, sujeito forte, saudável, corajoso, sem medo de andar pelos
matos. De repente, ela olhou para o lado, e viu um rapaz olhando para elas,
sentado no banco próximo das duas. Mesmo um tanto atrapalhada, começou a
entabular uma conversa e perguntou seu nome. Ele respondeu:
Sou o cacique indígena
Franz Logermann.
As duas se calaram,
pois, constataram que ele tinha ouvido sua conversa.
15
VIAGEM DE ÔNIBUS
O velho Onório
planejou, longamente, uma viagem para o norte do Mato Grosso, a fim de visitar
três filhos que se mudaram para aquela região. Saiu do Oeste catarinense, num
ônibus bonito e vistoso e com a cabeça cheia de boas perspectivas para a
viagem. No entanto, o azar já foi sentido antes da partida do ônibus: ao lado
dele, sentou-se uma mulher, com seus seis filhos que, também, iria para o norte
do Mato Grosso.
A briga e a choradeira
das crianças tiveram início já na disputa pelos lugares para sentar. Era grito,
choro e falação em volumes altissonantes, que o velho Onório já ficou nervoso
antes da partida.
A balbúrdia continuou,
pois, uns subiam no assento, outros caíam e choravam, outros ainda gritavam por
comida e a mulher, toda estressada, não conseguia apaziguar as crianças.
Onório, já irritado com
o ambiente, percebia que, a cada pouco, o motorista dava freadas bruscas, que
provocavam queda de crianças e uma caiu por cima dele. Puxou a bengala e deu
umas batidas fortes no corredor do ônibus, para mostrar sua insatisfação ao
motorista imprevidente. A cada pouco, estava ele a dar batidas da bengala no
chão.
A mãe das crianças,
irritada com este procedimento, falou:
- Olhe senhor, para
evitar este barulho chato, com sua bengala a bater no chão, mande colar uma
borracha na base desta bengala, a fim de evitar este som irritante no ônibus
inteiro.
Ele retrucou:
- Se a senhora tivesse
colado uma borracha na bengala do seu marido, eu não precisaria estar passando
todo este desconforto para viajar!
A viagem seguiu na
mesma balbúrdia.
16
VESTIDO DE NOIVA
A costureira escolhida
para costurar o vestido da noiva, fez tudo conforme o imaginado pela noiva, na
elaboração do vestido, com ótimo acabamento. No dia do casamento, ao ajudar a
noiva a se vestir, lembrou-se que tinha costurado os botões nas costas do
vestido, sem, contudo, fazer os buracos para prender os botões. Na pressa,
pegou uma linha e agulha e emendou rapidamente as partes.
A festa de casamento
foi magnífica, e todos elogiaram o belo vestido da noiva. Depois da festa, o
casal iria passar a noite na casa da mãe da noiva. Quando se dirigiu ao quarto,
a mãe da noiva já correu para ficar, ao lado da porta, a fim de escutar a
movimentação que iria acontecer lá dentro.
Quando a recém senhora quis
tirar o vestido, pediu para o maridão ajudar a abrir as abotoaduras nas costas.
Ele tentou, mexeu de um jeito e de outro e nada de conseguir abrir o vestido.
Numa altura das tentativas fracassadas, ele falou alto:
- Olha, se agora não
vou conseguir abrir, eu vou pegar o canivete e vou cortar o vestido.
A sogra encostada na
porta, atenta, mais que gato para pegar um ratinho, ao escutá-lo falar que iria
pegar o canivete e cortar, ela já imaginou outra coisa: bateu na porta e disse
que deixou uma travessa com banha, e que a filha a passasse uma mãozada destra
banha na área genital, - assim como ela teve que fazer quando casou, - para
evitar que fosse usado o canivete.
17
TORCEDOR FANÁTICO
Quando o time da
Chapecoense estava no seu auge, pouco antes da tragédia, o Fritz era tão
fanático, que não perdia jogo por motivo nenhum. Com chuva, ou com sol, rodava
mais de cinquenta quilômetros e tinha um lugar fixo no Estádio Índio Condá da
Chape.
Um dia, o estádio já
estava abarrotado de gente, e algo chamou atenção de torcedores. Seu Fritz,
sentado, e com dois assentos de cada lado dele, desocupados. Alguns torcedores,
com vontade de sentar-se, foram até o Fritz e perguntaram a respeito das
cadeiras vazias.
Ele informou que
comprou, com antecedência cinco ingressos: um para si, outro para a esposa, e
mais três para os filhos. Alguém, então perguntou: mas, porque que sua esposa e
seus filhos não vieram?
O Fritz respondeu:
- Minha esposa faleceu!
Um deles, então o
interpelou:
- E porque não trouxe
os filhos?
O Fritz retrucou: eles
preferiram ficar no velório da minha esposa!
18
MORTE DA SOGRA
O engenheiro José
Fernandes era do tipo sistemático e, nada fácil na convivência. Tudo tinha que
ser certo e definido como os cálculos. Para completar as contrariedades, além dos
seguidos ranços com a esposa, tinha que suportar a sogra, na sua casa. Esta
sim, era daquelas bisbilhoteiras, fofoqueiras e futriqueiras, como poucas
sogras neste mundo. Todo dia, arrumava alguma contrariedade.
Um dia, o José estava
em outro Estado, a fim de revisar um prédio em construção. Quando estava lá,
recebeu um telefonema de alguém desesperado, porque a sogra do José tinha
acabado de falecer. Os familiares, sem saber direito o que fazer, queriam saber
o que encaminhar e como fazer: se mandariam anunciar velório, sepultura ou
cremação. Ele respondeu, imediatamente:
- Encaminhem os três
procedimentos, mas, com muito cuidado!
Quem havia feito a
ligação perguntou: mas como, cremação e sepultura?
- Sim, respondeu José,
e não cheguem muito perto dos restos mortais, pois, com o veneno que ela continha,
enquanto estava viva, chegar perto do que restou da cremação, ainda pode matar!
19
O JOGADOR FEIO
No time do Aliança,
tinha um jogador literalmente desprovido de qualquer beleza. Com certeza, Deus
e seus pais devem ter-se distraído, na hora da sua concepção e terem trocado
sua cabeça pela bunda.
Seu corpo também era
todo desengonçado, mas, tinha um detalhe: era um excelente jogador de futebol.
Deixava a torcida boquiaberta com suas jogadas, e, num domingo de tarde, foi o
autor de três gols e colaborou em mais dois outros.
Assim que terminou o
jogo, o repórter foi na entrada do túnel para entrevistá-lo. Primeiramente,
elogiou a extraordinária categoria e a beleza dos seus gols, um mais bonito do
que outro. E depois daquelas falas emocionadas em torno do sucesso, o repórter
perguntou:
- E se você não fosse
jogador de futebol, o que você iria ser?
Ele respondeu:
- Ainda seria virgem!
20
MULHER RAIVOSA
A dona Francisca estava
na beira da rua, arrumando as flores do seu belo jardim. De repente, percebeu
uma batida cadenciada de tacos de sapatos, olhou para a rua, e viu que sua
amiga Josefa estava vindo na sua direção. Vinha com sua bolsa pendurada no
ombro e estava com as duas mãos ocupadas para segurá-la. Parecia que estava com
medo de ser roubada. Quando ainda estava a alguns metros, dona Francisca
perguntou:
- O que é isso, dona
Josefa? Você veio de onde, com este seu vestido encantador? Você está numa
beleza fora do normal!
Josefa retrucou:
- Estou vindo do banco,
pois, fui sacar o dinheiro do leite, vendido durante o último mês. Está tudo
aqui na bolsa, e rendeu muito mais do que esperava. Mesmo assim, estou com
muita raiva!
Mas, raiva do que,
perguntou Dona Francisca? Josefa respondeu:
- Com raiva do gerente
do banco! Quando estava terminando de colocar o dinheiro na bolsa, ele veio, lá
da sua mesa, bateu a mão no meu ombro e pediu se eu tinha o “Êmil” lá em casa.
Fiquei com tanta raiva que quis bater a mão no rosto dele. Imagina, se isto é
pergunta de gerente de banco para uma viúva decente como eu, achando que eu
estava com o Êmil lá em casa.
Na verdade, o gerente
perguntou à dona Josefa, se ela tinha E-mail, mas, com esta entrada massiva de
fala inglesa em nossa língua, falou “Í-meil” e a dona Josefa, focada sobre o
dinheiro da bolsa, entendeu que ele falou “Êmil” (nome masculino abreviado, na
língua alemã, para se referir a Emílio.
Imagina só, falou
Josefa, se correr uma conversa destas, a partir do gerente de banco, de que eu
ando com o Êmil, homem do qual não quero saber coisa alguma. De tarde, vou na
emissora de rádio para soltar o verbo contra aquele gerente, para que aprenda a
ter mais respeito pelas pessoas.
21
O CAÇADOR PERIGOSO
Pedro Borba, criado na
beira do rio Uruguai, aprendeu por osmose do pai a caçar e pescar. Quando
adulto, casou e foi morar no Mato Grosso, lá no município de Planalto da Serra,
lugar bem propício para continuar a caçar muito. Mesmo que a proibição contra
caça era severa, caçava a toda hora.
A conversa entre os
vizinhos, a respeito das caçadas de Pedro Borba, chegou ao Ibama, e um dia uma
equipe se organizou para prender seu Pedro por caça ilegal.
Perto da casa dele, eles
se combinaram: um se disfarçaria de caçador, com espingarda, para ir até a casa
do Pedro e perguntar se poderia dar uma caçada. Pedro logo falou que podia
ficar à vontade. O policial perguntou se existia algum bicho na redondeza.
Pedro disse que tinha
muito e de todo tipo: onça, anta, capivara, veado, cutia, tatú e muitos tipos
de pássaros como mutum que rende bastante carne. O policial, então, pediu se
Pedro não tinha medo de se arriscar a caçar com tanto fiscal na região.
Pedro retrucou: a gente
se cuida. Mato o bicho, aproveito a carne e enterro o couro e as miudezas. A
cabeça eu a seco para servir de troféu, na sala de estar. Foi então, que o
policial perguntou:
- Que tipo de troféu
você já tem?
Ah! Começa com onça!
Chamou seu menino, Joãozinho, e lhe falou: vai lá na sala e me traz a cabeça da
onça para mostrar para o tio. Assim, foi pedindo para o menino trazer mais
troféus de cabeças de anta, de capivara, de veado e, como a prateleira tinha
enorme quantidade de cabeças, o policial perguntou a Pedro:
- Seu Pedro, nunca
bateu fiscalização ali na sua casa?
Respondeu Pedro, sim,
aparece seguidamente! E chamou outra vez o Joãozinho e falou:
-Traga a cabeça do
último policial que eu matei! Assim que o menino se virou, o policial perdeu
até sua espingardinha de pressão para sumir dali em velocidade máxima, a fim de
evitar que sua cabeça também virasse troféu de caça.
22
O HOMEM MULHERENGO
Toda redondeza
conhecia a fama do alemão Fritz, como mulherengo, que gastava todo o seu
dinheiro numa casa de prostituição. Mentia para a mulher e parecia que ela,
toda ingênua, não desconfiava das suas orgias com mulheres.
Um dia, o Fritz chegou
mais cedo em casa, com boa dose de cerveja nos cornos, - como dizem os gaúchos,
- entrou no quarto e viu a mulher, vestindo roupa íntima branca, e pálida como
cera de vela. Ele logo perguntou:
- Você está passando
mal?
- Sim, respondeu ela,
estou desesperada com as dívidas: estamos devendo a conta de energia, de
internet, de gás, de água, dos financiamentos e das compras que fizemos no
cartão.
Fritz, que se dizia
ser homem muito devoto e fervoroso na fé, falou: minha querida, alguém lá do
alto dá um jeito! Ela, ainda mais choramingona, retrucou: falta comida, falta
tudo aqui em casa!
Fritz, na sua
pressuposta fé em Deus, disse: a ajuda lá do alto, vai pagar tudo!
Nesta hora, alguém se
mexeu no alto do guarda-roupa e disse: posso até pagar uma parte destas contas,
mas, a outra, fica por conta dos dois que estão debaixo da cama!
Foi, então, que o
Fritz entendeu a palidez da esposa, e, com gosto amargo, não podia sequer se
meter a brigar contra os três machos concorrentes dentro do seu quarto de
dormir.
23
CONVERSA DE COMADRE
Dona Filomena estava
estendendo roupa no varal e chegou a vizinha Frida para lhe contar um segredo.
Falou: Filomena e vou te contar um segredo, mas, que fique somente entre nós
duas. Você promete não contar adiante?
- Sim, falou
Filomena: minha boca é uma sepultura... e antes de chegar a dizer aberta, a
Frida agradeceu e disse:
- Nossa vizinha, aqui
do lado, brigou com o marido e o mandou embora de casa.
- Mas como, falou
Filomena!
- Coisa simples, mas,
aconteceu. Ele se machucou um pouco no pescoço, num serviço, lá na empresa onde
trabalha, e ainda aparecia uma pequena mancha traumatizada. Assim que a esposa
viu aquilo, já agarrou a vassoura, e aos gritos o mandou embora, e, sabe por quê?
Disse que isso era de uma chupada de outra mulher. Nem deixou o marido dizer
uma única palavra para se explicar que foi acidente no serviço.
- A outra retrucou:
- Coitado do nosso
vizinho! Será que aquele machucado, em vez de ter sido uma chupada de mulher,
não foi um ataque de um vampiro? Só por isso foi parar na rua! Que dó.
- Frida respondeu: na
rua não está, mas, está lá no bar, bebendo cachaça, coisa que ele nunca fazia.
24
MULHER CHATEADA COM O MARIDO
Dona Rosa chegou na
casa da sua amiga e vizinha Tereza. Triste e abatida, falou:
- Olhe minha amiga:
eu estou tão triste que você nem faz ideia. Meu marido está emburrado comigo,
me deixou em casa, não atende celular e isso está me deixando muito tensa e
chateada.
- O que
aconteceu? Falou Tereza!
- Rosa lhe disse que
aconteceu no caminhão. Estava viajando com o marido, que é empregado numa
empresa. Andando e conversando animadamente, eu olhei para o forro do caminhão
e tive a impressão que ali estava à vista o rabo de um rato. E como não gosto
destes bichos por perto, me ergui, agarrei aquele rabo e puxei rápido e com
força, e para mata-lo, joguei-o contra o para-brisa. Resultado: não era um
rato, mas, um barbante para ser puxado para regular e tela protetora do sol
diante do para-brisa. Com minha fúria, veio junto uma pequena peça de ferro e
quebrou o para-brisa.
Pense num homem bravo, que virou este meu
marido! Me xingou, me chamou de burra e me destratou. E, por cima de tudo, me
deixou em casa, e saiu sem dizer uma palavra e nem me atende no celular!
- A comadre,
emocionada, respondeu: pois é, teria sido melhor se tivesse sido um rato!
25
MENINO CABEÇA DURA
Nos tempos mais
antigos, os padres costumavam fazer uma aferição para ver se os encontros
catequéticos das crianças realmente ensinaram bem os necessários passos para a
celebração eucarística.
De repente, o padre
pediu para o Pedrinho que rezasse o Pai Nosso. O menino empacou e não sabia nem
como começar. No encontro da semana seguinte, o padre voltou a verificar se o
Pedrinho sabia rezar o Pai Nosso. Ele continuou a não saber sequer o começo.
O padre, então
perguntou se na casa dele tinha criação de ovelhas. O menino respondeu que
tinha mais de cinquenta. O padre lhe sugeriu que associasse uma ovelha para
cada palavra do Pai Nosso. Aprenderia,
com toda facilidade, a rezar esta oração. No terceiro encontro o padre pediu ao
Pedrinho: tenta agora rezar a oração. O Pedrinho começou:
- Pai Nosso que
estais no ... e já não lembrou a sequência. O padre quis ajudar um pouco:
lembre agora a ovelha, que associou com o céu! O menino retrucou:
- Acontece que esta
ovelha para lembrar o céu, morreu ao ter cria!
26
AULA SOBRE O HINO NACIONAL
A professora estava
toda entusiasmada com o canto do Hino Nacional bem acompanhado pelos alunos.
Cantaram bonito. Foi, então, que pediu se alguém deles sabia algum símbolo do
Hino Nacional. O Joãozinho levantou o dedo e disse que sabia um símbolo.
Chamado para falar do símbolo, foi no quadro e desenhou um berço com um nenê
dentro.
A professora
estranhou e pediu: o que significa isso?
- Joãozinho retrucou:
“deitado eternamente em berço esplêndido”!
- Foi então que
Mariazinha levantou o dedo e disse que também tinha um símbolo. Foi no quadro e
desenhou aquele simbolo de piu-piu, com dois ovos. A professora espantada com
desenho tão estranho, para uma menina, pediu o que significava.
- Ela respondeu:
“Gigante pela própria natureza”!
27
MULHER COM PROBLEMA DE BEXIGA
O casal, Rui e Filomena, moravam no
interior. Ela vivia se queixando de dor de barriga. Foram ao médico, e depois
da consulta e de uma série de exames, o médico falou para o Rui, que
acompanhava a esposa Filomena:
- Filomena está com problema de
bexiga. Sua bexiga está dilatada e fraca. Pode até estourar. Deu uns remédios e
pediu que tivessem cuidado para evitar que a bexiga viesse a estourar.
Lá no interior, onde Rui e Filomena
moravam, ainda não se conhecia vaso de cerâmica para as necessidades
fisiológicas. O avanço tecnológico mais avançado era o do uso da casinha de
madeira para esta finalidade.
Depois da notícia do médico,
Filomena, ao ser dispensada da consulta, falou para o Rui. Eu tenho que fazer
xixi. Rui se informou com a secretária e ela indicou o WC. Como não conhecia
essas coisas, Filomena sentou-se sobre o vaso e, enquanto urinava, olhou para a
cordinha do lado e resolveu puxá-la. Veio aquele jato de água, molhou as partes
baixas e ela, apavorada com o barulho e aquela enorme quantia de água, abriu
uma gritaria desesperada de que tinha estourado a bexiga. Quando foram
socorrê-la, viram que foi apenas água da caixinha para despachar a evacuação,
acionada antes da hora.
28
O PAPAGAIO FOFOQUEIRO
Na casa do seu José Mendes, um
papagaio dos mais fofoqueiros, atrapalhava a vida da empregada. Ali também
trabalhava um empregado e os dois começaram a se gostar, um do outro, e, volta
e meia, se atracavam nas intimidades. Na hora do almoço, o papagaio falava: Os
dois rolaram de novo!
Atrapalhada, e não querendo tornar
público o assunto, a empegada começou a ter raiva do papagaio e resolveu tramar
a sua morte. Para mostrar apreço disfarçado pelo papagaio, falou ao patrão que
iria pintar a gaiola, que andava feia e suja. O patrão, todo gentil, disse que
iria comprar uma gaiola nova e maior. Ao receber a gaiola, a empregada pintou-a
de branco e o papagaio assistiu aquela cena. A gaiola nova ficou vistosa e
bonita.
A empregada colocou o papagaio dentro
da bonita gaiola, e junto com o trato, misturou veneno.
O papagaio comeu, e se escapou da
morte por muito pouco. Ficou todo endurecido e inchado, mas, sobreviveu, e foi
melhorando paulatinamente. Sem demora percebeu que a empregada estava ficando
barriguda e falou na hora do almoço: também comeu coisa envenenada?
29
HOMEM COM DOR DE BARRIGA NO ÔNIBUS
Em tempos mais antigos, uma viagem de
ônibus, não era tão confortável como em nossos dias. Ainda mais, aqueles ônibus
velhos, pequenos, e abarrotados de gente que ia do interior para a cidade. Um
dia, seu Afonso tinha que ir para a cidade a fim de pagar os impostos na
coletoria da cidade. Naquele sufoco de gente apertada de tão cheio que o ônibus
estava, ele começou a sentir uns movimentos peristálticos estranhos e sentiu
que tinha que fazer cocô.
Tentou apertar-se e retorcer-se, mas, a
movimentação ameaçava vir para sujar as calças. Ainda nem se imaginava viajar
de ônibus com banheiro. Se o conteúdo despencasse, como que iria chegar no meio
de tanta gente até a cidade e pagar o imposto na coletoria. Falou para o
motorista que tinha que fazer cocô urgente. O motorista abriu a porta, e Afonso
ao chegar no primeiro degrau, já baixou as calças, e no maior sufoco, soltou o
bum-bum para fora do ônibus e fez aquela irrigação de adubo orgânico na macega
lateral. Enquanto aliviou o desconforto intestinal, duas senhoras de idade
caminhavam na estrada, e, ao verem aquele bundão, uma disse para a outra:
nossa! Tem um homem gordo, de faces protuberantes, com a cabeça para fora da
janelinha! A outra comentou:
- E olhe só, como é grande o nariz
dele!
30
CACHORRO COM CARRAPATO
Nestas costumeiras visitas em que um
morador ia à casa do vizinho para tomar chimarrão e colocar as fofocas em dia,
seu Raimundo comentou com Pedro, seu visitante, que o seu cachorro andava cheio
de carrapato.
Pedro comentou que isso seria muito
fácil de se resolver: bastaria fazer uma injeção de gasolina no cachorro, que
os carrapatos iriam morrer em poucos instantes.
Raimundo providenciou a gasolina e
Pedro ajudou a aplicar a injeção. O cachorro, apavorado com a dor da injeção,
saiu em disparada e correu para o alto do morro. Chegando ali, parou e se
deitou.
Raimundo, todo preocupado, falou a
Pedro:
- Será que ele não morreu com esta
injeção?
Pedro retrucou:
- Não, nem se preocupe! Apenas terminou
a gasolina.
31
XIXI NO ÔNIBUS
Aquele ônibus, do tipo antigo, com
frente parecida com caminhão, abarrotado de gente que ia para a cidade, ainda
não tinha banheiro. O Marcão e sua esposa também iam para a cidade. Como
tomaram muito chimarrão de manhã cedo, antes de embarcar no ônibus, depois que
andaram uns quilômetros, o Marcão falou para sua esposa: estou com a bexiga
apertada e tenho que fazer xixi. A mulher cochichou no ouvido: Segure! O
motorista não faz parada para isso.
Mais um pouco, Marcão disse: preciso
urinar senão vou molhar as calças e então vai ficar este fedor no ônibus. A
mulher tirou seu casaco e disse: fique meio torcido de lado, ponha meu casaco
sobre o piu-piu e urine pela janelinha para fora. Enquanto urinava, o vento
jogou esta urina para dentro do ônibus no assento, atrás dele, com o vidro
aberto e uma velhinha de bengala ao sentir aquele desconforto, puxou a bengala
e bateu com força no piu-piu do homem.
Ele deu um pulo repentino e caiu
sentado. Falou para a mulher:
Ai! Acho que arranquei um poste de
luz quer estava no lado da estrada!
32
MENINO COMPLICADO NA CATEQUESE
O Chiquinho, menino alegre e
brincalhão era muito estimado no meio da gurizada, mas, nos encontros de
catequese, orientados pelo padre, não tinha jeito de acertar o sinal da cruz.
Sempre omitia uma parte e dizia: Pai, Espírito Santo, Amém. Deixava fora a
palavra Filho.
O padre tentou, uma dúzia de vezes,
para que incluísse a palavra Filho no sinal da cruz, mas, não teve jeito e
deduziu que devia ser culpa do pai. Perguntou ao menino quem que lhe tinha
ensinado a fazer o sinal de cruz. Respondeu que foi o pai.
O padre mandou, em razão desta
resposta, um convite ao pai do menino, pois, queria falar com ele. Na hora
proposta para a ida ao padre, o pai convidou o Chiquinho para ir junto e se
lembrou de fazer um mimo ao padre. Foi no porão da casa, pegou um salame enorme
e o deu ao menino para que o entregasse ao padre.
Ao chegar na sala, onde o padre o
esperava, o pai do menino entrou e pediu que o menino esperasse fora da sala. O
padre puxou a razão do menino, não incluir a palavra Filho ao rezar o sinal da
cruz, e o pai logo retrucou:
- Não, ele está ali fora, inclusive
com um salame para entregar ao senhor!
33
PROBLEMAS DE CIDADE
Para alguém que mora na roça, nada é
mais desconfortável do que ir para a cidade e não encontrar lugar para fazer
xixi ou cocô. Além do mais, ainda tem guarda, por todo lado, que impede que se
faça eventual evacuação atrás de alguma floreira na praça.
Pedro Bento, foi para a cidade e teve
pela frente uma porção de compras e atividades. Repentinamente, sentiu que
precisava evacuar. Veio aquela saudade: se fosse na roça, qualquer toco,
touceira, arbusto ou plantação de mandioca ou de milho, já facilitava o alívio.
Na cidade, no entanto, não se pensou nesta providência para que os agricultores
pudessem ter um lugar para as necessidades fisiológicas, e, as poucas cidades que
tem banheiros públicos, os deixam trancados com lembrete: está estragado!
Pedro Bento sentindo a cada instante
que a pressão aumentava, foi se acocorar atrás de uma touceira de Azaléia da
praça, mas, assim que começou a aliviar-se do sufoco, já viu um guarda chegando
em sua direção. Aí já sentiu um suadouro e pensou:
- Além de tudo, vou levar multa e ele vai
mandar-me levar embora da praça este cocô. Na mesma hora, veio uma ideia na
cabeça: ainda acocorado, puxou o chapéu e o colocou na frente de si e o apertava
contra o chão, com uma das mãos. Quando o guarda se aproximou, falou antes
dele: peguei um passarinho que me escapou lá em casa. Seu guarda, você poderia
fazer-me o favor e ir, ali no outro lado da praça, comprar uma gaiola. Vou
engaiolar o passarinho e depois vou lá pagar a gaiola. Enquanto o guarda saiu,
ele pôs o chapéu na cabeça, ajeitou as calças e sumiu da área.
Andou um tempo atrás de diversas
compras e voltou a sentir necessidade de fazer xixi. Foi numa entrada de
garagem, para esvaziar a bexiga, urinando contra a parede. Mal tinha começado,
uma senhora gorda abriu a janela e o destratou pela indecência de urinar ali.
Além dos palavrões, teve que ir adiante sem completar a necessidade básica.
Chegando em casa, Pedro Bento contou
a dificuldade de se achar banheiro na cidade, e, todo pessimista, falou que nem
iria mais para a cidade. A mulher lhe falou:
- Não! Você deve chegar em alguma
loja, e pedir licença para ocupar um pouquinho o banheiro.
Quando foi de novo para a cidade, ao
sentir necessidade de urinar, entrou num corredor entre dois prédios, para
chegar numa loja e pedir licença de ocupar o banheiro. Antes de chegar na loja,
viu uma corda descendo com um balde que continha uma nota de vinte reais.
Pensou, agora já fica melhor ir para a cidade: pegou a nota e urinou no balde.
Deu zebra outra vez, pois, a mulher que morava no segundo piso, tinha descido o
balde não para ele, mas, para o leiteiro, que tinha buzinado e queria colocar o
leite no balde. Mais uma vez Pedro Bento se deu mal e teve que devolver o
dinheiro e ainda pagar uma multa de cinquenta reais.
34
NA HORA DA GARAPA DE CANA
Na casa da dona Florinda, estava toda
a família envolvida na moagem de cana para fazer melado. Uns já cozinhando a
garapa e outros ainda moendo cana. Ao passar na estrada e vendo essa lida, seu
Juvêncio entrou e pediu se não lhe dariam um pouco dessa garapa, pois, adorava
tomar garapa. Encheu um canecão e, enquanto ia sorvendo este líquido doce, um
filho da doma Florinda, para fazer gracinha, disse que, de noite, tinha caído
um gambá no tacho da garapa. O homem parou e cuspindo para o lado, ficou
exaltado e queria explicações.
O rapaz, ao ver que tinha dado um
fora, resolveu corrigir sua afirmação para não levar uma surra e disse: Não,
não foi um gambá, foi apenas o pinico da mamãe!
35
FOTOGRAFIA PARA MAMÃE
Nos tempos da ditadura militar, na
década de 1960, quase tudo era proibido e mesmo assim, na surdina, contava-se
um episódio de Castelo Branco. Dizia-se que ele quando foi prestar serviço
militar, já passado um bom tempo, bem na hora em que estava tomando banho,
recebeu uma carta da sua mãe. Mesmo molhado, leu a carta e viu que ela estava
com saudades dele e lhe pedia uma fotografia.
Querendo ser gentil, saiu pelado e pediu para
um colega tirar uma fotografia da cintura para cima, mas, a foto saiu inteira.
Depois de revelada, resolveu, então, cortar a fotografia pelo meio e mandar a
parte de cima para sua querida mamãe. Na pressa, acabou se enganando e mandou a
parte de baixo.
A mãe ao receber a carta, estava sem óculos
e não conseguiu identificar a fotografia. Foi pegar os óculos, olhou e disse:
- Nossa, é o menino de sempre: rosto
largo, com pômulos faciais proeminentes, agora de barba, e, com aquele nariz
enorme!
Bem que a mãe do Castelo Branco
merecia óculos novos!
36
BRIGA DA PATROA COM A EMPREGADA
Quando seu Tonhão estava chegando
perto de casa, depois de retornar do seu serviço, ouviu um alvoroço e percebeu
que se tratava de uma briga ferrenha entre sua esposa e a empregada. Foi
ouvindo: você é isso e porque você é aquilo...
Ao entrar dentro de casa, falou alto,
que parassem de brigar e que ficava muito feio duas mulheres de destratando
mutuamente, daquele jeito. No entanto, não conseguiu acalmar os ânimos. Sua
esposa, mais enfurecida, começou a gritar:
- Você é uma burra! Não sabe fazer
nada! Tudo o que faz, sai pela metade: cozinha mal, não limpa bem o chão, não
arruma a casa, não lava direito a roupa.
A empregada, aparentemente resignada,
foi escutando a ladainha de ofensas da patroa, e, repentinamente, também
levantou a voz e gritou mais alto:
- Só que, na cama, o meu desempenho é
muito superior ao seu!
A patroa retrucou:
- Na cama, com quem?
Respondeu a empregada: Ué, com seu
maridão! Ele sempre me diz que eu sou muitíssimo melhor do que você!
Naquele instante, o furacão da
tempestade envolveu até o Tonhão, que precisou correr rápido, para não apanhar
da sua esposa furibunda.
37
MARIDO BÊBADO
Seu Jorge, depois do horário de
serviço, passou no bar, e, como a companhia estava boa, estendeu-se para além
do seu costume e tomou alguns tragos em excesso. Foi para casa com certa
dificuldade.
A moradia do seu Jorge, era como a
dos demais vizinhos: Um galpão, que integrava moradia, chiqueiro de porco,
estrebaria e lugar para guardar os mantimentos. Como ainda não tinha energia
elétrica, ele, ao chegar quando já estava escuro, nem percebeu que, ao invés de
ir para seu quarto, entrou na repartição da porca grande, que, por sinal,
estava deitada e dormindo. Deitou-se ao lado da porca, achando que era sua
esposa. A uma certa altura da noite, o álcool já estava um pouco mais diluído,
e ele reclamou da porca, porque roncava muito alto, o que não era da sua praxe
normal. Querendo acordá-la, para parar de roncar, passou a mão no lado e ao
apalpar as protuberâncias das mamicas da porca, percebeu que tinha duas
carreiras, e então falou:
- Veja só! Minha bela flor comprou
casaco novo, e com duas carreiras de botão! Resolveu surpreender-me, e deitou-se
na cama com este casaco.
38
HOMEM EM POSTURAS ESTRANHAS
Na avenida principal da cidade, caiu
na vista geral, um homem de meia idade, agarrado num poste de luz, no meio da
avenida. Rodeava o poste, puxava o corpo de um lado para outro, forçava com os
braços como se quisesse derrubá-lo, embora o poste estivesse firme e bem
concretado. Grande porção de pessoas ficou parado na calçada, do outro lado, com
olhar fixo no homem, invocada com sua atitude de fazer força, retorcer-se, e a
contorcer-se, pois, parecia pretender derrubar aquele poste. Agarrava-o como se quisesse arrancá-lo do
chão. Um dos curiosos, chegou perto dele, e assim que se aproximou do canteiro
da avenida, o homem deu mais uma forcejada, e soltou um pufe quilométrico,
floreado de tonalidades e volumes variados, e falou, todo contente, para aquele
homem. Até que enfim consegui!
Conseguiu o que, disse o outro?
- Consegui soltar um pufe indefinido
que há horas estava na dúvida se subiria para a cabeça ou se desceria para o
pum-pum. Com meus movimentos, ele se definiu a descer e vazou pelo mundo. Os
curiosos, ficaram pasmados com a técnica sofisticada para livrar-se de um pufe.
39
O PAI CURIOSO
O Paulão, pai de três jovens adultas,
serenas e bonitas, estranhava que nenhuma falava qualquer palavrinha a respeito
de rapazes ou possíveis namorados. No afã de ter genros para ajudar a assar uma
carne nos domingos, e, um monte de netos para brincar, Paulão desconfiava das
filhas, pois, nenhuma falava de casamento.
Um dia, num momento de conversa bem
descontraída, pediu para a filha mais velha:
- O que cresce mais rápido?
A filha respondeu:
- Acho que é baraço de chuchu.
Depois disso, perguntou à segunda
filha a respeito do que crescia mais rápido. Ela respondeu:
- Eu acho que é aquela grama chamada
de “Encrenca de Vizinho”. A gente quase enxerga como ela cresce.
Sem maiores comentários, o pai
perguntou para a terceira filha: o que você acha que cresce mais rápido? Ela
respondeu:
- É aquele trem de homem. Nestes dias,
sentei no colo do namorado, e, em questão de segundos, ergueu-se uma barraca
alta na calça dele.
Para o Paulão, sem comentários,
pareceu que a última resposta foi animadora.
40
NOIVO SURPRESO
O alemão Hans apaixonou-se por um
mulherão. Era uma loira de cabelos cacheados, alta, sorridente e fechava o
painel do que Hans mais apreciava. Namorou um tempo e resolveram casar-se. No
dia do casamento, tudo foi maravilhoso e a festa foi empolgante. De noite,
quando foram para a cama, veio a surpresa:
Primeiramente ela tirou o vestido.
Ele sentado na cama, só olhava. Daqui a pouco ela tirou a peruca. Hans já ficou
espantado, pois, seu lindo cabelo, o que mais o encantava, na verdade, era
peruca e ela estava com poucos fios de cabelos naturais na cabeça. Na sequência,
ela tirou o olho esquerdo, que era de vidro, e o colocou num copo. Depois
disso, tirou a dentadura e a colocou em outro copo de água. Foi, então, que
abriu o sutiã e tirou um seio postiço. Ele, com o olhar cada vez mais
arregalado, viu que ela desatou uma perna mecânica e, então, já foi acometido
de desespero. Falou para sua encantada esposa:
- Afinal, aquela parte, mais abaixo,
também é postiça?
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DESENCONTRO ENTRE O FRITZ E A FRIDA
O respeito entre os dois foi se
degradando e, cada dia mais, as respostas diante de eventuais perguntas tornavam-se
secas e ásperas. Até na cama, o clima já não era mais o do casal exemplar e
harmonioso.
O Fritz resolveu vingar-se da Frida,
porque lhe negava intimidade na cama. Mesmo sabendo que não era o correto o seu
procedimento, convidou uma jovem e foi com ela para o motel. Ao chegar, já na
entrada do motel, viu o carro do sogro, aquele moralista que ditava tudo quanto
era regra para os outros. Achou que era muito desaforo o velho estar ali no
motel. Abriu o porta-malas do seu carro, pegou a chave de fenda e o cabo do
macaco, e riscou o carro por todos os lados e afundou a lataria. Para completar
a vingança, bateu o ferro contra o para-brisa que virou em migalhas.
Em seguida, o Fritz foi para o quarto
com a amante. Uns dias depois, todo metido a curioso, Fritz foi na casa do
sogro, fazendo-se de inocente, e ao chegar lá, viu o carro todo riscado, batido
e sem para-brisa. Com aparente curiosidade, pediu ao sogro como que foi
possível acontecer uma maldade dessas!
O sogro então lhe respondeu:
- Pois é, a tua esposa me pediu o
carro emprestado, para ir numa celebração religiosa e o devolveu neste estado
deplorável. Não vou sequer ter o dinheiro necessário para o conserto.
O Fritz entendeu mais um gesto do seu
sogro.
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UM TAXISTA E A FREIRA
O taxista, com aquela cara de
sonâmbulo, aguardava no ponto dos taxistas, ao lado do estacionamento dos
ônibus da rodoviária. Encostou um ônibus, vindo de Chapecó, e desceu uma
freira, daquelas tradicionais de hábito, véu a mostrar apenas parcialmente seus
pômulos faciais, levemente ruborizados, e com aquela imagem angelical das
divinas canduras.
Ela chegou e pediu para fazer uma
corrida. Enquanto andavam, a freira notou que o taxista não deixava de olhar
para ela. Olhava mais para o retrovisor do que para frente. A freira perguntou:
- Porque olha tanto para o
retrovisor?
- Ele respondeu:
- Tenho curiosidade e, há muitos anos,
sonho imaginando como deveria ser bom receber um beijo de freira. Certamente
seria bem outra coisa do que receber o beijo da esposa.
A freira, toda cheirosa, pediu se ele
era católico.
- Sim, disse ele, e, muito
praticante!
Neste caso, até posso dar-lhe um
beijo, se quiser!
O taxista retrucou, imediatamente,
sim, e já freou o carro para encostar no acostamento e receber o beijo. Ele se
inclinou para trás, e ela se ergueu para frente e lhe aplicou um amplexo com um
beijo que ele sequer poderia esperar de uma freira. Sua língua comprida quase o
sufocou, pois, foi até a descida da garganta. Seguiram andando e o taxista
entrou numa crise de choro. A freira queria saber o porquê.
Ele respondeu:
- Olhe freira, depois do beijo,
fiquei num sentimento de culpa tão grande, que jamais deveria ter feito isso
para uma pessoa de Deus, como a senhora. E o pior, é que eu menti, porque nem
sou católico e sou descasado!
A freira o acalmou:
- Não, nem se preocupe! Eu também não
sou freira! Sou um homo-afetivo, indo para um evento festivo e, me fantasiei de
freira, para conseguir pegar uns homens, bem no capricho!
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MENINO CONVERSADOR
O motorista de ônibus, naquela
agitação da vida urbana, já estressado com as necessárias freadas bruscas para
não bater em outros carros, parou o ônibus na guarita para subida e descida de
passageiros. Subiram diversas pessoas. Estava junto uma senhora, com um menino
de poucos anos de idade. Este, em vez de subir na porta do fundo do ônibus,
junto com sua mãe, correu, entrou pela porta da frente, e se sentou sobre o
capô do motor.
Assim que o ônibus avançou, o menino
começou a falar com o motorista:
- Você sabia que se meu pai fosse um
touro e a mãe uma vaca, eu seria um terneiro?
Sim, respondeu o motorista!
O menino retornou com as elucubrações
das suas descobertas:
- Sabia que se meu pai fosse um
gatão, e minha mãe uma gata, eu seria um gatinho?
Sim, falou o motorista, já inquieto
com a possibilidade de virem mais perguntas que roubavam sua atenção para
dirigir o ônibus.
O menino veio com outra pergunta:
- Oi, tio! Sabia que se meu pai fosse
um potro e minha mãe uma égua, eu seria um cavalinho?
O motorista, para encerrar essa
ladainha de perguntas chatas, e dispersivas para sua lida, adiantou-se e
perguntou ao menino, antes que ele formulasse mais uma pergunta:
E o que você seria, se teu pai fosse
um putão e tua mãe uma quenga?
O menino fez um meneio de cabeça e
respondeu:
- Ah! Eu seria um motorista de
ônibus!
Foi, então, que o motorista agarrou
aquele martelo de madeira, precípuo para bater nos pneus, e ameaçou bater no
menino se não sumisse imediatamente dali para ir junto com sua mãe.
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CATARINA GASTADEIRA
Mesmo que a propriedade da Catarina e
do Hans estava indo bem, a Catarina tinha um vício incontrolável. Toda vez que
ia para a cidade, por alguma razão, dava uma passada em alguma loja e comprava
algo novo. Um dia, voltou com geladeira nova e mais bonita do que aquela da
cozinha.
O marido ficou invocado e falou: mas,
como você faz uma compra dessas, quando nem havia necessidade?
Ela respondeu: sem problema, comprei
no cartão!
Poucos dias depois, voltou com
máquina de lavar roupa, muito maior e mais potente do que a que estava em uso.
O marido, chateado, mostrou sua
insatisfação pelo gasto excessivo e desnecessário. Ela voltou com a mesma
justificativa:
- Comprei no cartão!
Na semana seguinte, eis que Catarina
teve que ir, outra vez, para a cidade. Desta vez, retornou esnobando um celular
de ponta, mas, elevadíssimo no preço.
O Hans só meneou a cabeça e a
Catarina já falou: uai! Fiz no cartão!
Como a conversa ficou sem assunto, Catarina
disse que ia tomar um banho, para depois tomarem chimarrão. Quando estava toda
ensaboada, terminou a água do chuveiro, e ela gritou para o Hans:
- Traga, rápido, um baldo de água
para par que possa enxaguar-me!
O Hans foi pegou uma xicrinha de café,
daquelas bem pequeninhas, encheu-a de água e a levou para Catarina. Ao perceber
o recipiente da água, com estranheza, ela disse: o que posso fazer com um gole
de água, para enxaguar-me!
O Hans retrucou: dá, e sobra água,
para lavar o cartão de crédito!
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TESTE DE CONHECIMENTOS
A professora resolveu fazer uma
aferição oral para avaliar o nível dos conhecimentos gerais dos alunos.
Perguntou: o que é mais rápido neste mundo?
Mariazinha, logo levantou o dedo e
disse: é o raio!
Em seguida, Pedrinho levantou o dedo
e disse que o mais rápido neste mundo é o pensamento.
De repente, lá no fundo da sala, o
Juquinha levantou o dedo e disse:
- Eu sei o que é mais rápido que o
pensamento!
O que é, disse a professora. Ele
respondeu que era a diarreia! Todos riram e a professora quis saber o porquê do
seu argumento. Ele, então se explicou:
- Nesta semana meu pai teve diarreia
e fez cocô nas calças, antes mesmo de pensar no assunto!
Estava alargado o entendimento da
rapidez.
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TOMBO DA PROFESSORA
Estava para iniciar a primeira aula
da manhã, e a diretora veio avisar os alunos que a professora iria chegar
dentro de uns dez minutos. A criançada, aproveitou o tempo para umas
brincadeiras na sala. A certa altura, Joãozinho, antecipou o ataque ao seu
lanche e descascou uma banana, a fim de aproveitar a casca e atirá-la num
coleguinha. Errou o alvo e a casca ficou caída no chão, ali na entrada da porta.
Quando ia ajuntá-la, a professora entrou, sem olhar para o chão, e pisou
precisamente em cima desta casca, caiu, segurando os livros no peito, e, no
tombo, abriu as pernas para o ar.
A criançada, ao invés de ter dó, soltou-se
numa gargalhada e demorou a parar. Como a professora não gostou da recepção,
levantou-se, pôs os livros sobre a mesa e olhou sério para as crianças da
primeira fila da sala, que mais gozaram do seu tombo.
Pediu para o Joãozinho:
- O que você viu no meu tombo?
Ele respondeu:
- Vi seus joelhos!
Ela falou severamente: pode arrumar a
sacola e está dispensado da aula por um dia!
Em seguida, pediu para a Aninha, o
que ela tinha visto?
- Aninha respondeu que viu as pernas
da professora.
A professora já proferiu a sentença:
dispensada da aula por dois dias!
A professora, na sua supremacia,
pediu para o Pedrinho, o que ele tinha visto.
Ele respondeu:
- Vi suas coxas!
A professora, só falou:
- Dispensado por três dias! Viu,
então, que na outra escrivaninha, um menino se levantou, ajeitou os cadernos, e
foi caminhando porta afora. A professora pediu porque ele estava saindo. Ele
respondeu:
- Viche! Pelo que eu vi, vou ser
expulso da escola, e se mandou.
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ORIGEM DA CHUVA
A certa altura da aula, a professora
formulou uma pergunta aos alunos: De onde vem a chuva?
O Juquinha levantou a mão e falou: eu
sei: vem do céu! A Mariazinha, também ergueu o dedo, e disse que achava que a
chuva vinha das nuvens. A professora olhou, então, para o Chiquinho no fundo da
sala, aparentemente distraído, e pediu: de onde vem a chuva?
- Ele respondeu: dos ossos da minha
vovó!
Como dos ossos, pediu a professora! Ele
explicou: sempre, - antes que chove, - a minha avó diz que já está sentindo a
chuva nos ossos. Ao ouvir essa explicação, outro menino se lembrou do seu avô,
e disse: gozado, meu avô sempre fala, antes da chuva, que já sente a
proximidade da chuva ao fazer xixi. Depois dessa explicação, ninguém formulou
mais perguntas, nem mesmo para saber algum detalhe.
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POLÍTICOS ADVERSÁRIOS NA BARBEARIA
Os dois candidatos com mais chances
de serem eleitos para prefeito da cidade, nos dias que antecederam a eleição,
resolveram dar uma aprumada nos cabelos, para aparecerem bem nas imagens do dia
da consagração e festa de vitória.
Por coincidência, os dois
interromperam brevemente seus ataques e ofensas um contra o outro, com aquele
discurso de derrotar o inimigo e vir a ser a ser agraciado com maior número de
votos. Por pouco teriam se encontrado na entrada da barbearia. Um deles, o
coronel, metido no poder do seu autoritarismo extremista, chegou um pouquinho
antes e, já sentado numa cadeira, viu pelo espelho, que entrou seu rival, que
ficou sentado a menos de um metro de distância ao lado dele. Nem os dois se
conversaram, e nem os dois barbeiros ousaram puxar alguma conversa.
Quando os barbeiros encerravam os
serviços, o do coronel que estava um pouquinho mais adiantado, pediu se o
coronel aceitava passar uma água de cheiro na nuca e no rosto.
- Nada disso! Respondeu o coronel.
Pode a mulher suspeitar que andei com outra e então vai sair briga.
Tudo bem, respondeu o barbeiro, sem
problema. Nesta mesma hora, o outro barbeiro também encerrou os detalhes do
corte e perguntou ao seu cliente, se aceitaria passar uma água de cheiro. Este
falou, todo animado:
- Sim, pode passar bastante e daquela
bem cheirosa!
Ao coronel a resposta pareceu ser
compra de voto e a briga foi tanta que a barbearia fechou e não abriu mais.
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NAMORADA NOVA
Num baile animado e movimentado nas
danças, o jovem Felipe se encantou com uma jovem, chamada de Mariana, e os dois
começaram a conversar e dançar muito. No final do baile, combinaram continuar o
namoro e o Felipe acompanhou Mariana até na sua casa.
A mãe de Mariana logo convidou Felipe
para vir passar alguns dias na casa deles, a fim de ver se o jeito de ser deles
seria do seu agrado. Passadas algumas semanas, Felipe foi para ficar uma semana
na casa dos possíveis sogros. Ficou encantado com tudo quanto vivenciou e viu.
Apenas um pequeno detalhe o assustou um pouco. Ele se encontrava a alguns
metros da casa, sob uma árvore de sombra e Mariana, sentada da escadaria que
dava acesso à cozinha, se repuxou um pouco, e soltou um pufe impressionante,
tanto pelo volume quanto pela extensão.
Ao regressar à sua casa, a mãe, toda
curiosa, queria saber se ele gostou de ficar na casa da namorada. Ele falou que
estava ótimo e que foi mais do que bem acolhido. Apenas percebeu que Mariana
lhe pareceu ser pouco parcimoniosa e econômica, pois, soltou um pufe tão
volumoso e demorado, que ele poderia ter sido distribuído em pelo menos seis
outros momentos especiais, e, ainda bem caprichados.
50
PERNOITE NA CASA DO TIO
Dois irmãos se combinaram e
negociaram com os pais para passear na casa do tio e pernoitar na casa dele.
Tudo bonito e acolhedor. Foram dormir, e foi no tempo em que ainda não existia
luz elétrica. Só um pequeno lampião iluminou o quarto a fim de se aprumarem
para dormir. Um deles, apagou o lampião e numa altura da noite, o outro sentiu
necessidade de sair da casa para fazer xixi. Tateou por todo lado, e não achou
fósforo e nem sinal do lampião. Como tinha pressa, foi tateando pela parede,
entrou na cozinha, abriu a porta que esperava ser a da saída para o pátio e,
assim que a abriu, e não via nada naquela escuridão, fez o xixi e voltou
tateando no escuro para achar de novo o quarto e dormir. Nesta hora, o outro
irmão falou que também tinha que ir urinar e pediu se lá fora estava muito
escuro.
Foi então que lhe falou:
- É uma escuridão total e ainda
estranhei o cheiro azedo de requeijão. Na verdade, tinha errado a porta de
saída da cozinha e entrou na despensa e urinou por cima do pão, da travessa de
doce e de requeijão para passar no pão, que estavam na prateleira. Acabou
estragando o café do dia seguinte.
PALAVRAS FINAIS
Com a satisfação de escutar muitos
casos, mesmo outros além destes aqui apresentados, alguns foram relegados para
esta coletânea, - não pela razão de não serem hilários, - mas, porque foram
considerados demasiadamente chulos e com palavrões não muito apreciáveis no
quadro geral de conversações de causos.
Por outro lado, certamente existem
pessoas que gostam deste tipo de causos, chamados de “sujos”. Achou-se,
entretanto, que o excesso de baixaria não acrescenta qualidade às boas
motivações de interação, porque induz à perda do respeito.
Quando o desrespeito desponta nos causos
narrados, pode estar sumindo sua dinâmica terapêutica caseira antiga, e pode
ativar-se, em seu lugar, o nível da animalidade violenta e bruta, e descambar
em estímulo ao desregramento de valores culturais edificantes.
Para encerrar, mais um causo: Uma
mulher, enorme e gordona para mais de metro, era a mais animada do salão.
Dançava, ria, comia, bebia e ocupava um espaço razoável para dançar. Parecia
que balançava o salão só com seus remelexos. Muita gente ficou de olho na
gordona e apreciava sua euforia. Cada pouco ia ao balcão, comia salame, bebia
cerveja, pedia pastel e assim ia. Já de madrugada e, em animada dança, começou
a sentir-se repentinamente mal e acabou vomitando. Olhou para aquele volume de
alimento ejetado, e nisso um cachorrinho estava cheirando aquele “trem”. Foi
então que a gordona falou: lembro de ter comido bastante salame, pastel e
cachorro-quente, mas, não lembro que tinha comido este cachorrinho! Enquanto
outros fizeram a limpeza, ela voltou a dançar.