Traço peculiar da humanidade,
Permeia indivíduo na sociedade,
Afeta todo sentir afetivo básico,
E acompanha todo ciclo fásico.
Age contra ameaças e perigos,
De doenças graves a castigos,
E contra o declínio das forças,
Sob atitudes adversas e boças.
Reativa-se com interpretação,
De fato, ideia ou imaginação,
Como o mecanismo protetor,
Para procedimento cuidador.
Leva à introjeção de bloqueios,
Sob ameaça e simples meneios,
Que sugerem perigos evidentes,
Para variados riscos candentes.
Pode transtornar boas mentes,
Para os riscos reais inexistentes,
E aumentar as suas ansiedades,
Com as angustiadas veleidades.
Arma poderosa para submeter,
Ameaça com possível acontecer,
Mediante autoridade ambiciosa,
Para obter uma submissão ditosa.
Como efeito natural que paralisa,
O vasto estímulo ao medo precisa,
Atingir âmago do mundo interior,
E ali produzir o estado de torpor.
Diluído o medo do compromisso,
Cria-se o vasto mundo submisso,
Do analgésico da fé sob político,
De civil e religioso senso acrítico.
Acuadas pela difusão dos medos,
De supostos e suspeitos segredos,
Tantas comunidades estagnadas,
Poderiam ser mais dinamizadas.
Faltam pessoas de fé e confiança,
Para o amor agir na desconfiança,
Abrir bom caminho na fragilidade,
E visar elevar segurança e bondade.
Libertar a comunidade do medo,
Na frágil teia do falso arremedo,
Requer coragem ante a ameaça,
De ação para possível desgraça.
Se medo é mecanismo protetor,
Não pode inibir ação ante terror,
Dos que ameaçam para intimidar,
Afoitos para mais poder alastrar.