Uma vetusta intuição bíblica,
Diante duma situação cínica,
Do povo de Israel destroçado,
Aponta para o jeito inusitado:
Cancelar todo armamentismo,
E optar por modo de pacifismo,
Para produção em abundância,
Sem acumuladores da ganância.
Um banquete acessível a todos,
E não só para elite de engodos,
Permitiria festas de gratuidade,
E lídima ação de solidariedade.
Sem ódio e ranço de vingança,
O centro da guerra e matança,
Viraria o lugar de convivência,
Para festas de boa existência.
O banquete gratuito de iguaria,
Fruto da mãe Terra, na alegria,
Ensejaria fartura sem dinheiro,
Para todos em todo ano inteiro.
Muito mais do que sede e fome,
Ser humano, mais do que come,
Anela por justiça, respeito e paz,
Bens que a guerra nunca satisfaz.
Com tanta escravidão moderna,
Agradável para elite de baderna,
Incontáveis anseios não saciados,
Expressam rostos desorientados.
Grandes ansiedades não saciadas,
Revelam as injustiças praticadas,
Da velha patranha colonizadora,
A boicotar toda ação libertadora.
Com iguarias ricas e propaladas,
Dos super-ricos em suas baladas,
Produzem-se sonhos para pobres,
Para que pensem como os nobres.
Na vasta distância que os separa,
Não existe acesso que os ampara,
Para chegarem aos dominadores,
E viverem com os seus pendores.
Se uns morrem com boas iguarias,
E embriagados com as suas orgias,
Outros relegados na sede e fome,
Morrem desiludidos e sem nome.
Tanta ocorrência triste de morte,
É ocultada para mostrar a sorte,
Da elite mandante e dominadora,
Causando destruição devastadora.