terça-feira, 18 de agosto de 2026

MILÉSIMO QUINHENTÉSIMO TEXTO

 

 

Sob limite territorial da asma,

Tive que lidar com o fantasma,

De falar pouco para contornar,

Incômodo sufoco da falta de ar.

 

Alguém me engendrou o sítio,

Para treinar-me em novo átrio,

Do redigir para nova interação,

No vai-e-vem de boa emoção.

 

Postagens de textos acadêmicos,

Produziram resultados anêmicos,

De pouquíssimos e pífios acessos,

O que levou à tentativa dos versos.

 

Sem nunca ter lido livro de poesia,

O caminho da pouca logomaquia,

Talvez seria o possível mediador,

Para algo informar a algum leitor.

 

Ocorreu dali o incauto percurso,

De escrever com pouco recurso,

Mantendo ativo o ar que respiro,

E redigindo assunto que admiro.

 

Nas duas sensações contrárias,

Das minhas ousadias literárias,

Estão a minha frágil condição,

De quem escreve por intuição:

 

Nasci cedo, ou tarde demais,

Pois, a interação em seus ais,

Pouco valoriza palavra escrita,

Que sutilmente fica proscrita.

 

Diante da fala, com a imagem,

Como nova fonte de miragem,

Meu modo de escrita racional,

É do saudoso tempo não atual.

 

Nele, modo de pensar depende,

Da mão que a raciocínio atende,

E explicitar em palavras escritas,

Aproximação das falas adstritos.

 

Encanto do colorido da imagem,

Em sinóptica e curta mensagem,

Alcança bem mais interlocutores,

Do que textos dos escrevedores.

 

Ultrapassado pela tática escrita,

Incauto na interação imagética,

Sobrevivo sem clara identidade,

Vinculado ao tempo de saudade.

 

Se poucos leem textos extensos,

Oferecer meio de velhos sensos,

Ainda chega aos parcos leitores,

E aos eventuais novos captores.

 

Razão da fidelidade a acessos,

A estes textos, quase versos,

Mesmo deturpados da poesia,

Ativam minha suposta fantasia:

 

Não conheço nenhum clicador,

Nem perfil de agrado do leitor,

Mas, ante os temas acessados,

Sigo a redigir para conectados.

 

Assim, chego a este 1.500º texto,

E ainda tateio por algum pretexto,

De teimar na velha forma escrita,

Mesmo com interação mui restrita.

 

 

 

 

 

 

CASAMENTO DE INTERESSES

 


Em duas antigas famílias rivais,

De posturas distintas e radicais,

Sob um velho jogo de interesse,

Cada uma queria mais benesse.

 

Ranços, ódios e desencontros,

Cederam aos bons reencontros,

E agregaram a família religiosa,

À entidade política toda ansiosa.

 

Despertou-se himeneu do amor,

Da paixão para além do rancor,

Para enlace de casamento feliz,

E cada um encontrou o que quis.

 

Bela e simpática noiva religiosa,

Instrumentalizou ação vigorosa,

Para atrair político exuberante;

E com ele gerar reino mandante.

 

Interesseiros em levar vantagem,

Cada lado valeu-se de chantagem,

Para assegurar casamento perene,

A durar por um momento solene.

 

Rebanhos religiosos bem espertos,

Visualizaram vastos canais abertos,

Para promover seus bons pastores,

E herdar alguns políticos penhores.

 

Os bem aliados políticos do noivo,

Na corrida simpática do belo loivo,

Mimetizaram-se, como religiosos,

A serem vistos, em atos piedosos.

 

Assim, currais políticos e religiosos,

Movidos pelos intentos ambiciosos,

Instrumentalizam todo seu passado,

Para alcançar um poderoso legado.

 

Sob religião a direcionar fim político,

Político a imitar modo de ser mítico,

Eles asseguram casamento de lucro,

E alçam boa riqueza no poder xucro.

 

Evangelho não pede discernimento,

Nem Constituição oferece o alento,

Mas, para obter votos tudo importa,

Como produto que aliena e conforta.

 

Dois lados ambiciosos por mais bens,

Seduzem cativas multidões de reféns,

Fora da Constituição, e do Evangelho,

Para amealhar segundo o jeito velho:

 

Enganar muito, iludir e entusiasmar,

Para largas faixas humanas encantar,

Justificam ativos interesses pessoais,

De olho fixo em acumular ainda mais.

 

Alguém partilharia alguns dos milhões,

Dos capitais com cheiro de pobretões,

Para uma política genuinamente social,

Do valor evangélico coerente e radical?

 

Se a virtude religiosa é vencer disputa,

Do forte a mover derrota em sua luta,

E que não leva desaforo de adversário,

Deve não seguir evangélico itinerário.

 

Discurso bonito: Deus-pátria-família,

Reduz Deus como objeto de quezília,

Para uma retórica falsa e arrogante,

De quem quer ser da elite mandante.

 

O Evangelho de Jesus não dá suporte,

Para conquistas de Estado rico e forte,

Que atiça contra os inimigos culturais,

E só reafirma as acumulações pessoais.

 

Assim, eleição vai e outra eleição vem,

E os rituais miméticos aparentam bem,

Um casamento arranjado de aparência,

Sem uma devida e necessária decência.

 

 

sábado, 15 de agosto de 2026

BOA FERRAMENTA POLÍTICA

 


Como um instrumento prodigioso,

Reativa-se odiado campo religioso,

Para assegurar conquistas políticas:

Recorrer a Deus para ações táticas.

 

Tantas lutas de motivação religiosa,

Geraram séculos de guerra raivosa,

Dos proclamados amigos de Deus,

Contra o diabo e dos inimigos seus.

 

Justificava-se que Deus convocava,

Para luta armada ao que discordava,

Visto como um adorador de ídolos,

Movido apenas por valores frívolos.

 

A religião do rei impingida ao povo,

Implacável a causar muito corcovo,

Combatia insubmissos e revoltados,

E exigia procedimentos devotados.

 

Vista como um retrocesso humano,

Guerra religiosa de motivo insano,

Apontou para inusitada motivação:

Vida civil regida pela secularização.

 

Separação entre Religião e Estado,

Sinônimo para progresso ilimitado,

Seria superação da religião arcaica,

Para uma sociedade menos prosaica.

 

A religião insinuada como atraso,

Símbolo do retrocesso e do ocaso,

Freava belo progresso civilizatório,

Para um mundo mais satisfatório.

 

Secularização justificava boicote,

A todo e qualquer religioso dote,

Símbolo de um conservadorismo,

Que freava possível progressismo.

 

A contradição dos fatos históricos,

Leva política aos dados categóricos,

Com sua sutil finalidade eleitoreira,

Para utilizar Deus na sua bandeira.

 

Já não se trata de Deus libertador,

Mas, tradicionalismo conservador,

Pré-moderno, e muito combatido,

Inusitado neste tempo combalido.

 

Novo casamento que nada separa,

Une religião com a ideologia clara,

Em cooptação de pessoas religiosas,

Para ações sorrateiras e enganosas.

 

O apelo ao velho Deus dos exércitos,

A pedir combate a inimigos explícitos,

Estabelece toda e qualquer oposição,

Foco de merecida e fulcral destruição.

 

Sob ideologia do avanço civilizatório,

Regride-se a tempo arcaico notório,

Da perseguição, em nome de Deus,

Para locupletar egos de afoitos eus.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

EVANGELHO NAS AGENDAS AUTORITÁRIAS

 


Ante pequeno resto de discípulos,

Aparecem políticos condiscípulos,

A emitir belos discursos enfáticos,

Por plenos poderes democráticos.

 

Conseguem conciliar o impossível,

Ostentam de forma clara e visível,

Vínculo de Bíblia e metralhadora,

Para sociedade de paz redentora.

 

Elevam a Bíblia e a arma brilhante,

No clímax do discursar arrogante,

Para instrumentalizar o Evangelho,

A favor do autoritarismo bandalho.

 

Alegam devolver vínculo religioso,

Que uma vez era muito vigoroso,

E com Deus no centro do governo,

Focar democrático jeito moderno.

 

Sob aparente conversão religiosa,

Que tornou a sua vida prodigiosa,

Querem, em nome de Deus vago,

Efetuar o político gesto de afago.

 

Fitos na espiritualidade utilitarista,

Que não engendra vida benquista,

Explicitam o neofundamentalismo,

Que favorece o seu autoritarismo.

 

Nome de Deus do poder absoluto,

Justifica um desejo nada impoluto,

Do agir violento contra adversário,

Não submetido ao seu itinerário.

 

Evangelho ostentado nesta esfera,

Significa uma prepotência austera,

Que não combina com Jesus Cristo,

Nem com desejado poder previsto.

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

FASCÍNIO PELO VERBO BOMBARDEAR

 



Sonhar com mais humanidade,

Respeito e cordial afabilidade,

É apostar no que é improvável,

Sob um capitalismo execrável.

 

Se a grande bandidagem reina,

E para saquear muito se treina,

O absurdo papel dos exércitos,

Aufere os militarescos méritos.

 

Condecora-se o exímio matador,

Insensível a afeto e humana dor,

E, toda justificativa para guerra,

Ignora defesa da vida que berra.

 

Neste agir perverso no planeta,

Não escapa sequer a borboleta,

Nem se calcula toxidade do ar,

Ou o prejuízo ao solo e ao mar.

 

Para os mui exímios matadores,

Contam farto alimento e vigores;

Sem perceber fome em famintos,

E comemoram os mortos extintos.

 

Não desejam moderar alimentos,

Nem alargar os humanos alentos;

E educados para matar e destruir,

Adoram guerra para tudo deglutir.

 

Efeitos da bandidagem no poder,

Ignorados pela ordem do querer,

Justificam a quebra de fronteiras,

E invasão livre em todas as eiras:

 

Destroça-se ambiente geográfico,

Justifica-se todo perverso tráfico,

Desde que facilite a acumulação,

Honra e poder de transformação.

 

Não importa todo nível de terror,

E rosto sisudo em doentio fervor,

Desde que libere ordens de matar,

Eleva toda paranoia de se exaltar.

 

Lucros bilionários com a produção,

Das armas para vasta a destruição,

Indica gosto mórbido por ecocídio,

Que dizima por estúpido etnocídio.

 

As bombas com projéteis de urânio,

Valem mais do que juízo no crânio,

E muito mais simpático que rostos,

Causam tantos humanos desgostos.

 

Nada se diz de efeitos imprevisíveis,

Das fumaças tóxicas e irrespiráveis,

E do veneno de bombas explosivas,

Para as pessoas que seguem vivas.

 

Os milhões de toneladas de gases,

Respiradas em químicas mordazes,

Sequer desviam a desejada guerra,

Que, cada dia mais, destrói a Terra.

 

 

 

 

sábado, 8 de agosto de 2026

FANTASMAS DA MADRUGADA

 


Sem os meandros da fantasmagoria,

Ou das almas a atrapalhar a euforia,

Em imagens tênues de vultos visíveis,

Aparecem aqueles dos ares terríveis.

 

Na crença popular, almas e espíritos,

Retornam com seus jeitos explícitos,

Para solicitar rezas de intercessões,

A fim de alcançarem suas redenções.

 

Bruxos e mágicos apreciam o tema,

E despertam culpa com o problema,

De que necessitam dos mediadores,

Para libertá-los dos seus devedores.

 

Falar sobre fantasmas impressiona,

Assusta e muitos medos direciona,

Para o pânico do que pode ocorrer,

Se o dito falecido voltar a aparecer.

 

A narrativa evangélica de Mateus,

Destaca o medo de discípulos seus,

Navegando na noite escura do mar,

Vendo Jesus sobre águas caminhar.

 

No primeiro envio para o outro lado,

Sem Jesus ir na frente do discipulado,

Eles apavorados com as dificuldades,

Logo sucumbem ante adversidades.

 

Simbologia do navegar no mar agitado,

Constituía imagem de seguir o legado,

Do jeito de Cristo que os encarregou,

A testemunharem o que fez e falou.

 

Adversidade religiosa e imperialista,

Como mar com seus perigos à vista,

Ativava velhos pavores do seu agir,

Com ondas de fazer tudo submergir.

 

Nas ondas e nos ventos contrários,

Expressavam-se ações de corsários,

Ativas contra incautos navegantes,

Inexperientes nas lidas itinerantes.

 

A memória de Jesus sobre as ondas,

Ativou suas seguranças de rondas,

Para não fugirem das adversidades,

E, das provocações com maldades.

 

Pedro como Jesus quis andar seguro,

Mas, afundou no caminho inseguro,

Careceu da mão estendida de Jesus,

Para andar sobre as ondas com a luz.

                                                                                 

Mesmo pescador exímio e experiente,

Nesta madrugada lúcida do consciente,

Pedro viu que não tinha a serenidade,

Para conduzir a Igreja na idoneidade.

 

Primeira viagem sem Jesus no barco,

Faltou a Pedro, o necessário marco,

Que Cristo, vivo nesta adversidade,

Não era um fantasma na dificuldade.

 

Perturbações e perseguição externa,

Abalavam a fé e a segurança interna,

Da comunidade em seu discipulado,

Sem a dianteira do Cristo crucificado.

 

Ele seguia a animá-los contra o mal,

De tantos medos de pavor infernal,

Porque prossegue vivo no seu lado,

E aponta para reino de novo legado.

 

A imagem do domínio sobre o mar,

Lembra o amor de Deus a erradicar,

Medos que engolem ondas da vida,

E atrapalham a boa e ordinária lida.

 

 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

COLONIZAÇÃO DE CÉREBROS

 

 

Ao lado dos colonialismos territoriais,

Ousadias, agressivas e mais radicais,

Dominam cérebros para dependência,

Com a invasão de descabida violência.

 

Espolia-se todo direito e a liberdade,

Abre-se caminho liberado à maldade,

Para alargar muitos cérebros podres,

E submeter, calmamente, os pobres.

 

Nas melhores táticas dominadoras,

A de alargar mediações alienadoras,

Está a de impor religião imperialista,

Como única viabilidade salvacionista.

 

Viola-se com milagre sensacionalista,

A lídima história cultural e benquista,

Memória forjada de grupos humanos,

Obrigados a engolir os novos enganos.

 

Obriga-se uma crença de ignorância,

Na agressiva invasão com ingerência,

Que anula duramente valores locais,

Impõe aqueles de regimes imperiais.

 

Que feição de Deus ainda revelam?

Somente aquela que eles modelam,

Para assegurar a ação colonizadora,

Sem deixar perspectiva libertadora.

 

Nenhuma proximidade com o amor,

De Deus que lhes apontou o penhor,

 De viverem com boa interatividade,

E a grata pertença à sua sociedade.

 

Visão reencarnacionista é oportuna,

Para justificar produção de fortuna,

Porque pode voltar ao estágio rico,

E poder livrar-se de ser um burrico.

 

Só que, dia com chance não aparece,

Fome e doença cada dia mais adoece,

Sem que os acumuladores partilhem,

Ou que, parte dos roubos, devolvem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

<center>MILÉSIMO QUINHENTÉSIMO TEXTO</center>

    Sob limite territorial da asma, Tive que lidar com o fantasma, De falar pouco para contornar, Incômodo sufoco da falta de ar. ...