quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A PULSÃO DA MORTE

 

 

Mergulhados na capitalista sorte,

Do consciente coletivo de morte,

E movidos pela pulsão prazerosa,

Não desejamos a lida desastrosa.

 

Mesmo vendo efeitos do colapso,

E informados sobre efeito relapso,

Segue-se a rígida lógica capitalista,

Para insatisfação contínua à vista:

 

Elã motriz da insatisfação contínua,

Aponta consumo a objeto que aflua,

Para com ele sentir um vasto prazer,

E preencher toda razão do que fazer:

 

Trabalho exaustivo para enricar-se,

E aumentar consumo do deliciar-se,

Em novo objeto do desejo adquirido,

Por instantes, plenifica todo sentido.

 

Neste mapeamento psíquico mental,

Já não se freia a vontade intelectual,

De buscar o que amplia a satisfação,

Na obsessão do consumo à exaustão.

 

No beco sem saída para outra ação,

Não se age na avançada destruição,

Pois exigiria uma renúncia ao prazer,

Da lógica destruidora do bel-prazer.

 

Nada aciona o freio capitalista pifado,

E ele segue, todo solto e endeusado,

Protelando agir, ante sinais de morte,

Que apontam para a sua tétrica sorte.

 

O consumo gera tanto lixo poluente,

Que anestesia a consciência decente,

Ante o sistema salvador apregoado,

Internalizado por consumo ilimitado.

 

Tão viciados pela sutil ótica capitalista,

Na ampla catástrofe climática à vista,

Todos protelam efetiva ação restritiva,

Mesmo com um pé na cova definitiva.

 

Informes diários de eventos climáticos,

Aos ouvidos bem surdos dos fanáticos,

Não interferem na política devastadora,

Dos grupos fortes na ação exploradora.

 

Na vulnerabilidade psíquica e mental,

Mapeou-se um falso projeto crucial:

Exaurir a Terra a fim de ser mais feliz,

E morrer na mórbida obstinação altriz.

 

 

Eventual ousadia de alertar o perigo,

É vista como crítica besta de inimigo,

Pois, a produção não pode diminuir,

Porque anula a felicidade de existir.

 

Resta morte de cérebros adoidados,

Que já não pensam em atos sagrados,

De prolongar a vida de ecossistemas,

E para cantar a lida, como as seriemas.

 

Muito trabalho, sexo e muito dinheiro,

Continua a mostrar horizonte altaneiro,

Da estendida pulsão de morte a rondar,

Avanço sobre tudo para mais acumular.

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

CAÇADORES DA ATENÇÃO

 


Da diária caça de animais selvagens,

À caça de minérios para vantagens,

Colonização escrava para explorar,

Veio caça da atenção para espoliar.

 

O novo filão da economia próspera,

Já se move como indústria de cólera,

Para captar muita atenção humana,

E direcioná-la ao modo que engana.

 

O designer no centro da plataforma,

Um motor tecno-político que informa,

Estetiza comportamento de usuários,

Com a publicidade para bons erários.

 

Precisa captar o máximo de atenção,

Sobre fato social para uma interação,

A fim de datificar o seu envolvimento,

Para algorritmizar o seu rendimento.

 

As plataformas, nas mãos de poucos,

Conseguem motivar muitos amoucos,

Com narrativa muito bem controlada,

Para deixá-los numa redoma atrelada.

 

Já não importa a diversidade peculiar,

De cada cultura, ou de distinto lugar,

Mas, todos ligados à mesma atenção,

Da plataforma em sua manipulação.

 

Os negócios, processos e economias,

Nem aí com as sonhadas democracias,

Desviam atenção às novas narrativas,

E dominam as mentes nada criativas.

 

Democracia é ocupada pela liberdade,

De expressar o desejado na sociedade,

Sob um pensamento único canalizado,

Para vasto domínio a ser conquistado.

 

Poucos elaboram o discurso midiático,

Orientam as mentes de modo enfático,

E capturam o máximo viável de atenção,

Para instaurar líderes da sua percepção.

 

Nos atrelados às plataformas digitais,

As escolhas livres parecem ser vitais,

Mas já estão mapeadas na definição,

Em quem votar na simulacra eleição.

 

Assim designer no meio publicitário,

Gera um tipo de processo utilitário,

Que necessita capturar todo cliente,

Para economia de grande mandante.

 

 

 

 

 

 

 

 

PESTES E GUERRAS

 


Enquanto pestes geram resiliência,

E indicam mudança na convivência,

Com expectativa mais humanizada,

A guerra procede de ditadura afilada.

 

Emerge do ódio e do totalitarismo,

Gera terror com estúpido cinismo,

E propicia ascensão dos ditadores,

A prometer bons dias promissores.

 

A história humana tão bem ilustra,

Que a aposta na ditadura frustra,

E assim, reinventada se recupera,

E leva a sonhar com próspera era.

 

Como entender motivação coletiva,

A delegar com sua condição eletiva,

Que ditador proporcione segurança,

Quando sua natureza é de matança?

 

O efeito calmante esperado na vida,

Com apego feliz a ambiente de lida,

Jamais será encontrado da ditadura,

Ou sob autoritarismo de linha dura.

 

Movendo-se em convicção absoluta,

Assimila o discordante como idiota,

E, obstinado pelo controle de poder,

Reage, todo violento no seu proceder.

 

Não abre um espaço para discussão,

Porque quer controlar toda direção,

Sob seu fanatismo rígido e errático,

Para manter o suposto rol estático.

 

Sabe-se à exaustão que tal proceder,

Não acalma nem leva a transcender,

As polarizações fanáticas por reino,

Que sequer alcançam um sub-reino.

 

Sem proposta política de resiliência,

Fala com a sua polida conveniência,

A medrosos que suspiram e anelam,

Vendo que direitos se desmantelam.

 

Expectativa do que pós-Covid ensejaria,

Não trouxe pacífica e anelada calmaria,

E faz renascer suspeita de que ditador,

Propicia a paz e segurança com fervor.

 

Se ele, no entanto, sob autoritarismo,

É violento com impulsivo mandonismo,

Apenas produzirá estímulo à violência,

E desvia eventual e cordial convivência.

  

Um estranho círculo vicioso implantado,

Leva ao poder um candidato fascinado,

Que, ao implantar a perversa ditadura,

Leva décadas para apagar sua aventura.

 

 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

MILÉSIMO QUINHENTÉSIMO TEXTO

 

 

Sob limite territorial da asma,

Tive que lidar com o fantasma,

De falar pouco para contornar,

Incômodo sufoco da falta de ar.

 

Alguém me engendrou o sítio,

Para treinar-me em novo átrio,

Do redigir para nova interação,

No vai-e-vem de boa emoção.

 

Postagens de textos acadêmicos,

Produziram resultados anêmicos,

De pouquíssimos e pífios acessos,

O que levou à tentativa dos versos.

 

Sem nunca ter lido livro de poesia,

O caminho da pouca logomaquia,

Talvez seria o possível mediador,

Para algo informar a algum leitor.

 

Ocorreu dali o incauto percurso,

De escrever com pouco recurso,

Mantendo ativo o ar que respiro,

E redigindo assunto que admiro.

 

Nas duas sensações contrárias,

Das minhas ousadias literárias,

Estão a minha frágil condição,

De quem escreve por intuição:

 

Nasci cedo, ou tarde demais,

Pois, a interação em seus ais,

Pouco valoriza palavra escrita,

Que sutilmente fica proscrita.

 

Diante da fala, com a imagem,

Como nova fonte de miragem,

Meu modo de escrita racional,

É do saudoso tempo não atual.

 

Nele, modo de pensar depende,

Da mão que a raciocínio atende,

E explicitar em palavras escritas,

Aproximação das falas adstritos.

 

Encanto do colorido da imagem,

Em sinóptica e curta mensagem,

Alcança bem mais interlocutores,

Do que textos dos escrevedores.

 

Ultrapassado pela tática escrita,

Incauto na interação imagética,

Sobrevivo sem clara identidade,

Vinculado ao tempo de saudade.

 

Se poucos leem textos extensos,

Oferecer meio de velhos sensos,

Ainda chega aos parcos leitores,

E aos eventuais novos captores.

 

Razão da fidelidade a acessos,

A estes textos, quase versos,

Mesmo deturpados da poesia,

Ativam minha suposta fantasia:

 

Não conheço nenhum clicador,

Nem perfil de agrado do leitor,

Mas, ante os temas acessados,

Sigo a redigir para conectados.

 

Assim, chego a este 1.500º texto,

E ainda tateio por algum pretexto,

De teimar na velha forma escrita,

Mesmo com interação mui restrita.

 

 

 

 

 

 

CASAMENTO DE INTERESSES

 


Em duas antigas famílias rivais,

De posturas distintas e radicais,

Sob um velho jogo de interesse,

Cada uma queria mais benesse.

 

Ranços, ódios e desencontros,

Cederam aos bons reencontros,

E agregaram a família religiosa,

À entidade política toda ansiosa.

 

Despertou-se himeneu do amor,

Da paixão para além do rancor,

Para enlace de casamento feliz,

E cada um encontrou o que quis.

 

Bela e simpática noiva religiosa,

Instrumentalizou ação vigorosa,

Para atrair político exuberante;

E com ele gerar reino mandante.

 

Interesseiros em levar vantagem,

Cada lado valeu-se de chantagem,

Para assegurar casamento perene,

A durar por um momento solene.

 

Rebanhos religiosos bem espertos,

Visualizaram vastos canais abertos,

Para promover seus bons pastores,

E herdar alguns políticos penhores.

 

Os bem aliados políticos do noivo,

Na corrida simpática do belo loivo,

Mimetizaram-se, como religiosos,

A serem vistos, em atos piedosos.

 

Assim, currais políticos e religiosos,

Movidos pelos intentos ambiciosos,

Instrumentalizam todo seu passado,

Para alcançar um poderoso legado.

 

Sob religião a direcionar fim político,

Político a imitar modo de ser mítico,

Eles asseguram casamento de lucro,

E alçam boa riqueza no poder xucro.

 

Evangelho não pede discernimento,

Nem Constituição oferece o alento,

Mas, para obter votos tudo importa,

Como produto que aliena e conforta.

 

Dois lados ambiciosos por mais bens,

Seduzem cativas multidões de reféns,

Fora da Constituição, e do Evangelho,

Para amealhar segundo o jeito velho:

 

Enganar muito, iludir e entusiasmar,

Para largas faixas humanas encantar,

Justificam ativos interesses pessoais,

De olho fixo em acumular ainda mais.

 

Alguém partilharia alguns dos milhões,

Dos capitais com cheiro de pobretões,

Para uma política genuinamente social,

Do valor evangélico coerente e radical?

 

Se a virtude religiosa é vencer disputa,

Do forte a mover derrota em sua luta,

E que não leva desaforo de adversário,

Deve não seguir evangélico itinerário.

 

Discurso bonito: Deus-pátria-família,

Reduz Deus como objeto de quezília,

Para uma retórica falsa e arrogante,

De quem quer ser da elite mandante.

 

O Evangelho de Jesus não dá suporte,

Para conquistas de Estado rico e forte,

Que atiça contra os inimigos culturais,

E só reafirma as acumulações pessoais.

 

Assim, eleição vai e outra eleição vem,

E os rituais miméticos aparentam bem,

Um casamento arranjado de aparência,

Sem uma devida e necessária decência.

 

 

sábado, 15 de agosto de 2026

BOA FERRAMENTA POLÍTICA

 


Como um instrumento prodigioso,

Reativa-se odiado campo religioso,

Para assegurar conquistas políticas:

Recorrer a Deus para ações táticas.

 

Tantas lutas de motivação religiosa,

Geraram séculos de guerra raivosa,

Dos proclamados amigos de Deus,

Contra o diabo e dos inimigos seus.

 

Justificava-se que Deus convocava,

Para luta armada ao que discordava,

Visto como um adorador de ídolos,

Movido apenas por valores frívolos.

 

A religião do rei impingida ao povo,

Implacável a causar muito corcovo,

Combatia insubmissos e revoltados,

E exigia procedimentos devotados.

 

Vista como um retrocesso humano,

Guerra religiosa de motivo insano,

Apontou para inusitada motivação:

Vida civil regida pela secularização.

 

Separação entre Religião e Estado,

Sinônimo para progresso ilimitado,

Seria superação da religião arcaica,

Para uma sociedade menos prosaica.

 

A religião insinuada como atraso,

Símbolo do retrocesso e do ocaso,

Freava belo progresso civilizatório,

Para um mundo mais satisfatório.

 

Secularização justificava boicote,

A todo e qualquer religioso dote,

Símbolo de um conservadorismo,

Que freava possível progressismo.

 

A contradição dos fatos históricos,

Leva política aos dados categóricos,

Com sua sutil finalidade eleitoreira,

Para utilizar Deus na sua bandeira.

 

Já não se trata de Deus libertador,

Mas, tradicionalismo conservador,

Pré-moderno, e muito combatido,

Inusitado neste tempo combalido.

 

Novo casamento que nada separa,

Une religião com a ideologia clara,

Em cooptação de pessoas religiosas,

Para ações sorrateiras e enganosas.

 

O apelo ao velho Deus dos exércitos,

A pedir combate a inimigos explícitos,

Estabelece toda e qualquer oposição,

Foco de merecida e fulcral destruição.

 

Sob ideologia do avanço civilizatório,

Regride-se a tempo arcaico notório,

Da perseguição, em nome de Deus,

Para locupletar egos de afoitos eus.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

EVANGELHO NAS AGENDAS AUTORITÁRIAS

 


Ante pequeno resto de discípulos,

Aparecem políticos condiscípulos,

A emitir belos discursos enfáticos,

Por plenos poderes democráticos.

 

Conseguem conciliar o impossível,

Ostentam de forma clara e visível,

Vínculo de Bíblia e metralhadora,

Para sociedade de paz redentora.

 

Elevam a Bíblia e a arma brilhante,

No clímax do discursar arrogante,

Para instrumentalizar o Evangelho,

A favor do autoritarismo bandalho.

 

Alegam devolver vínculo religioso,

Que uma vez era muito vigoroso,

E com Deus no centro do governo,

Focar democrático jeito moderno.

 

Sob aparente conversão religiosa,

Que tornou a sua vida prodigiosa,

Querem, em nome de Deus vago,

Efetuar o político gesto de afago.

 

Fitos na espiritualidade utilitarista,

Que não engendra vida benquista,

Explicitam o neofundamentalismo,

Que favorece o seu autoritarismo.

 

Nome de Deus do poder absoluto,

Justifica um desejo nada impoluto,

Do agir violento contra adversário,

Não submetido ao seu itinerário.

 

Evangelho ostentado nesta esfera,

Significa uma prepotência austera,

Que não combina com Jesus Cristo,

Nem com desejado poder previsto.

 

 

 

 

 

 

 

 

<center>A PULSÃO DA MORTE</center>

    Mergulhados na capitalista sorte, Do consciente coletivo de morte, E movidos pela pulsão prazerosa, Não desejamos a lida desas...