Israel antigo seguiu praxe social,
E propugnava a lei obrigacional,
Perante catástrofes e fatalidades,
Para mortificação com piedades.
Tragédia, vista como ira de Deus,
Movia os jejuns de ricos a plebeus,
Para aplacar o vistoso furor divino,
Sem sumir sob um trágico destino.
A aparente negociação insinuava,
Que sofrimento coletivo atenuava,
A ira de Deus perante o seu povo,
E reatava seu bom auxílio de novo.
Persistência nos pecados coletivos,
Nada modificava hábitos injustos;
Apesar das amplas mortificações,
Tudo continuava nas velhas ações.
Teria Deus prazer em ver humanos,
Na penúria de sofrimentos insanos,
Para mover seu sentimento sádico,
A humilhar um povo todo errático?
Deus, bem longe desta mesquinhez,
Deve alegrar-se, não com a altivez,
Mas, com a mudança do jejuador,
Benéfico para processo libertador.
Um jejum eficaz como conversão,
Não atrelado à mera mortificação,
Fita para algo a ser transformado,
Num interagir tão desencontrado.
Mais que luto por perda e ausência,
Jejum deverá ajuizar com decência,
O procedimento desonesto e injusto,
Para revelar um coração reto e justo.