quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O MANECO PROPÍCIO


Índice

Prólogo...

1 – Maneco político...

2 – Maneco arrogante...

3 – Maneco impertinente...

4 – Maneco pedante...

5 – Maneco politiqueiro...

6 – Maneco piedoso...

7 – Maneco airoso...

8 – Maneco como poderoso mequetrefe...

9 – Maneco no ódio com poder...

10 – Maneco como paranóico sádico...

11 – Maneco como voz da justiça...

12 – Maneco das vozes estranhas...

13 – Maneco da democracia do crime organizado...

14 – Maneco diante dos deslocados...

15 – Maneco dos discursos legitimadores...

16 – Maneco e sua fábrica de medo...

17 – Maneco na feição de indiferença...

18 – Maneco e o filofascismo da fama...

19 – Maneco da guerra para a paz...

20 – Maneco da justificação dos bons...

21 – Maneco semeador do ódio...

22 – Maneco como mucufa portentoso...

Palavras finais...

 

Prólogo

 

Velho amigo e colega de décadas,

Assimilou as posturas renegadas,

Desta visão estranha das coisas,

E fez-se o pendor das paranoias.

 

Aluno modelar da visão fascista,

Sob propugnada visão direitista,

Fanático do pífio imperialismo,

Fala com impiedade e cinismo.

 

Na conversão, o bom parceiro,

Virou ser raivoso e trapaceiro,

Profeta da ideologia autoritária,

Que manda da forma temerária.

 

Tornou-se agourento condenador,

Que só elogia seu próprio pendor,

Adorador inveterado da ditadura,

E da sua crueldade de linha dura.

 

Categórico e absolutista na fala,

Em tudo quanto xinga e propala,

Vê a trama comunista do diabo,

Merecendo o amargoso quiabo.

 

Chafurda a sua própria história,

Em favor da choldra e da glória,

E pondera tudo pelo fanatismo,

Do seu surdo e cego nepotismo.

 

1

MANECO POLÍTICO

 

Homem afeiçoado a bulício,

Sinaliza sintomático indício,

Dum declínio da sua função,

Por favorecer sua interseção.

 

Símbolo do homem público,

Desempenha papel cômico,

Na lida moral da sua razão,

Mas, feito o dono da função.

 

Manda e vota na noite escura,

Na hora avançada da diabrura,

Para anistiar colegas infratores,

E agradar grupos exploradores.

 

Fruto da intimidade solipsista,

Longe da consciência altruísta,

Situa-se entre seus similares,

A desfrutar dos mesmos ares.

 

Empreendedorismo autoritário,

Preenche o seu gosto salafrário,

Pois, a democracia estabelecida,

Não enseja a vantajosa guarida.

 

Propício para a ampla corrupção,

Não liga para honesta reputação,

Porque atual queda ético-moral,

Oferece larga liberdade cultural.

 

Sabe justificar os males públicos,

Fenômenos impessoais abúlicos,

Para focar desejo de condomínio,

Alinhado ao seu mórbido fascínio.

 

Mesmo representando o Estado,

Fita seus olhos para o outro lado:

Salvar o investimento particular,

E com ele, muito dinheiro lucrar.

 

Homem de fé no seu condomínio,

Domestica apelo ao seu raciocínio,

De não dar espaço para estranhos,

E nem ver seus visados arreganhos.

 

Pouco lhe importa a fraternidade,

Muito agrada fratricídio à vontade,

No cultivo da aversão à aporofobia,

Da sua rígida e neoliberal filosofia.

 

Muito mais que ampliar cidadania,

Protege seu grupo com a maestria,

Para que os muros de condomínios,

Protejam os ricos e seus domínios.

 

Fascinado com o poder autoritário,

Do compadrio do serviço ordinário,

Importa-se essencialmente consigo,

Para ficar muito distante de inimigo.

 

Manipula os fatos para a persuasão,

De que seu serviço constitui solução,

Com um reacionarismo de ditadura,

Contra o atual estado de amargura.

 

Aprendeu a dissimular sua covardia,

E vê violência armada com nostalgia,

Para estabelecer progresso e ordem,

Num pressuposto caos da desordem.

 

Alegre com cadáveres amontoados,

Justifica violência de bons soldados,

Como ato de proteção a indefesos,

Para deixá-los bem seguros e ilesos.

 

O empreendedorismo do particular,

Para acumulação egóica e singular,

Sem nada para o Estado e o pobre,

Porém, tudo quer para elite nobre.

 

Uma identidade comum e coletiva,

Abriria risco para a dura invectiva,

De socialização dos lucros obtidos,

Para incontáveis vadios e excluídos.

 

Os meios, para bulimia de poucos,

Requerem anorexia de amoucos,

Que oferendem votos preciosos,

Para ficarem distantes e ociosos.

 

Almeja apenas grandes negócios,

E proeminência dos agronegócios,

Neste limbo sem arbitrariedades,

Das protegidas e ricas sociedades.

 

Longe de favorecer a diversidade,

Deseja só monocrática sociedade,

Norteada por avanço tecnológico,

E aquele jeitinho todo fisiológico.

 

Toda barbárie no meio do povão,

Difundida e propalada à exaustão,

Justifica utilização de arma bélica,

Ante a comunista ação psicodélica.

 

Adora usar a palavra “terrorista”,

Como o pior inimigo anarquista,

A ser perseguido e, destroçado,

Sem deixar rastro do seu legado.

 

2

MANECO ARROGANTE

 

No seu arroubo auto-estufante,

Ele se move a vapor diletante,

Diz que outros querem chegar,

De onde ele já está a retornar.

 

Interpreta-se um sábio esperto,

Que encontra o caminho certo,

Em suas falas engrandecedoras,

Lúcidas indicações promissoras.

 

Escuta muito pouco a fala alheia,

Porque a enrola na própria teia,

Para seguir falando todo tempo,

Do seu primoroso passa-tempo.

 

Indicar o que necessita ser feito,

É o que considera ser seu preito,

Pois, nasceu para ser o superior,

Na função de ensinar o inferior.

 

Planta melhor do que os outros,

Verifica todo erro de desdoutros,

Colhe largamente mais e melhor,

E, seu produto tem melhor teor.

 

É dotado por um raciocínio rápido,

Que transforma argumento vápido,

Num saboroso trunfo da maestria,

Da sua nobre e provecta sabedoria.

 

Não espera elogio do interlocutor,

Porque antecipa ar perscrutador,

Favorável a autoelogio do que fez,

Pois com ele nem esperto tem vez.

 

O único analista que intui o certo,

De toda mediocridade, já liberto,

Maneco frui só de alguns amigos,

Os demais desejam ser inimigos.

 

 

3

MANECO IMPERTINENTE

 

É um belo espantalho de alegrias,

 E, suas antenas anti-alvoroçarias,

Veem manifestações comunistas,

Passíveis de se tornarem realistas.

 

Foi formatado para o pensamento,

De que no societário ordenamento,

Ocorre uma batalha dura e intensa,

De inimigo e pessoa de boa crença.

 

Todo inimigo associado ao demônio,

Não pode ser mais que um necronio,

Por isso deve ser rechaçado e morto,

Sem ajuda de Deus, para o conforto.

 

Nesta visão, Maneco impertinente,

Expressa ar irradiante de contente,

Ao falar da contribuição patriótica,

De afugentar uma tentação caótica.

 

Um iminente caos do comunismo,

Apenas vencível no determinismo,

Requer ação divina sobre este mal,

Com humana luta para vitória final.

 

A sua política de mera politicagem,

Enleva interesseira camaradagem,

Que ignora as legislações vigentes,

Para favorecer os grupos potentes.

 

Todo airoso por estar no lado bom,

Costuma focar conversa neste tom,

De estar no campo correto de lidas,

Para uma plena felicidade das vidas.

 

Sem nunca ter lido sequer um livro,

Consegue ser apenas um mero birlo,

Para tecer os fios da visão direitista,

Única focagem existente na sua vista.

 

Se pelo menos escutasse a diferença,

E respeitasse qualquer outra crença,

Poderia causar menos despropósito,

De pregar incômodo e desconforto.

 

5

MANECO PEDANTE

 

Falta remédio para suportar um sujeito,

Todo metido a sabidão que, sem defeito,

Alardeia freneticamente o que não sabe,

E ousa ser pedante no que não lhe cabe.

 

Vangloria-se da esperteza e sabedoria,

Com a análise de sofisticada artilharia,

Para desmascarar vasta burrice alheia,

Apesar de estaqueado na própria peia.

 

Arrogante, sabe rir muito de si mesmo,

Para narrar como deixou outros a esmo,

Com sua perspicácia para captar a falha,

De algum vivente que caiu na sua malha.

 

Atrevido na falação sobre lidas alheias,

Sempre muito superior às frágeis teias,

De fracos analisados com farta minúcia,

Na sua esperta e extraordinária astúcia.

 

Gaba-se a si mesmo, da rara sabedoria,

Pela qual flagra erro e deslize de mania,

Dos que se proclamam muito espertos,

E sobre o como os deixa boquiabertos.

 

Só não percebe o quanto a sua chatice,

Vive parolando de uma vulgar mesmice,

Que irrita por ar ostentoso e exagerado,

Ao se achar condescendente estimado.

 

Acha-se sabe-tudo com a opinião única,

De um analista de visão unilateral cínica,

Duma visão ultra-direitista conservadora,

Sem tolerar uma hipótese questionadora.

 

A pomposidade da sua erudição de trela,

Apenas esconde o umbigo sob sua fivela,

Porque tudo gira em torno do que sabe,

Sem desconfiar que a sua lisura desabe.

 

É fausto que se considera feliz e ditoso,

Mas patina como indigesto presunçoso,

Vitimado pela sua imprópria vanglória,

Que não lhe aufere esmilingüida glória.

 

5

MANECO POLITIQUEIRO

 

Fausto é homem de sabedoria infusa,

Certamente inspirada por uma musa,

Distante do senso crítico e analítico,

Para evidenciar-se como um político.

 

É assecla de canalizadas informações,

Do pensamento único de orientações,

Sob as quais, não existe meio-termo,

Mas somente a solidez de estafermo.

 

Bom correligionário do lado do bem,

Sabe tudo o que aos outros convém,

Porque sua visão superior e dilatada,

É ser universal para qualquer alçada.

 

É sequaz defensor do autoritarismo,

Colocado bem acima do patriotismo,

E contra a democracia participativa,

Eivada de presença esquerda lasciva.

 

Sectário fanático do estado mafioso,

Sabe demonstrar seu poder raivoso,

Com os que não concordam com ele,

Porque são asquerosos inimigos dele.

 

Para Maneco não existe negociação,

Nem mesmo proposta para refutação,

Porque é hiper-cínico contra inimigos,

E um defensor implacável dos amigos.

 

Venera outro país mafioso e valente,

Atroz contra toda opinião diferente,

Que explora a fragilidade dos fracos,

Mas promove a astúcia de velhacos.

 

É defensor da caça aos insubmissos,

Para que se sumam em seus enliços,

E encontrem o asilo em outro lugar,

Para não poderem vir a importunar.

 

Maneco se acha democrata versátil,

Sob a escuderia de uma mente fútil,

Que é a ostensiva e cínica matadora,

E que produz difamação demolidora.

 

Defende atrocidade aos adversários,

Armamento pesado contra corsários,

Para afirmar o controle hegemônico,

Sobre o eventual regime antagônico.

 

Seu entusiasmo pela guerra armada,

Engole seu pouco senso de camarada,

Porque no ciclo do seu ódio cultivado,

Nem vê fome e miséria em algum lado.

 

Maneco herdou o velho preconceito,

Que não apoiar a direita é um defeito,

E que pobre insatisfeito merece ódio,

Sem recurso para deixar de ser ímpio.

 

Assim, Maneco defende poder tirânico,

Porque vê, em tudo, o poder satânico,

Que mediante graça do deus guerreiro,

Deve ser eliminado pelo poder ordeiro.

 

Fausto não percebe tragédia da guerra,

Quer a luta pelo que uma paz emperra,

Pois a pressupõe como a “pax romana”,

Silêncio forçado por uma mente insana.

 

6

MANECO PIEDOSO

 

Sem nunca ter lido livro de teologia,

É especialista em fanática apologia,

Da prática conservadora de Igreja,

Com solução categórica na bandeja.

 

Acha que sabe mais do que Deus,

Opina acerca de humanos corifeus,

E muito fiel na prática de piedades,

Sem afetar as suas arbitrariedades.

 

Para ele, Igreja é somente a antiga,

Ação de Deus contra a ação inimiga,

A firmar na Terra o seu modo de ser,

Para um reino de Deus engrandecer.

 

Trata-se não do reino de Jesus Cristo,

De gestar relacionamento benquisto,

Mas dominação da sociedade perfeita,

No autoritarismo de refinada espreita.

 

Move-se a combater o diabo maligno,

Que atormenta todo piedoso benigno,

E o tenta na raiz da sua subjetividade,

Par seguir mau caminho da leviandade.

 

No homem determinado e categórico,

Fausto sente-se conversador retórico,

Que sabe orientar as atividades certas,

Para ninguém incidir nas lidas incertas.

 

Vale muito o que avós lhe ensinaram,

E que no caminho certo enveredaram,

Para rigor cotidiano de rezas piedosas,

Garantias para intercessões vigorosas.

 

Sabe explicar os graves erros do Papa,

E daqueles que estudam sem as capas,

Da honraria dos nobres de um tempo,

Porque estão vivendo no contratempo.

 

Feito um bundão protuberante de sofá,

Seleciona programa televisivo de Jeová,

Para saber tudo quanto pode ser feito,

E contornar todo e qualquer mau jeito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não espera elogio do interlocutor,

Porque antecipa ar perscrutador,

Favorável a autoelogio do que fez,

Pois com ele nem esperto tem vez.

 

O único analista que intui o certo,

De toda mediocridade, já liberto,

Maneco frui só de alguns amigos,

Os demais preferem ser inimigos.

 

7

MANECO AIROSO

 

Sob o topete ostensivo e alaranjado,

Sustenta-se um vivente desprezado,

Tido por fraco, largamente covarde,

Embora faça muito barulho e alarde.

 

Tudo o que faz decorre pela metade,

E seu rabo preso anula a majestade,

Porque, procedimentos desonestos,

Apontam lida de constantes doestos.

 

Quer ser ordeiro contra baderneiros,

Mas não oculta os traços flibusteiros,

Que maculam a imagem de estadista,

E deixam a fala em descolorida crista.

 

Muito aproximado da condição idiota,

Não admite a possibilidade de derrota,

Pois autossuficiência de ser onisciente,

Situa-o no além do mundo consciente.

 

Sente-se como único líder autoritário,

Capaz de reger o mundo arrendatário,

Pois a mão divina guia os seus passos,

Para resolver planetários embaraços.

 

Mesmo inseguro, disfarça-se seguro,

Para apontar o dedo indicador duro,

E emitir ordens pessoais categóricas,

Com rompante e agressivas retóricas.

 

Seu autoritarismo, com traço original,

Distinto dos demais, no fundamental,

Pois não segue um sistema autoritário,

Mas, segue sua percepção de solitário.

 

Defensor férreo do direito à liberdade,

Nega-o aos demais, na larga saciedade,

Sobretudo aos cientistas e acadêmicos,

Para efetivar os seus planos endêmicos.

 

Exagerado e falso numa igual similitude,

Delira contra o protecionismo da atitude,

Praticado pelas outras nações soberanas,

Porque visa impor as suas leis doidivanas.

 

A ação de suplantar a democracia liberal,

Aufere-lhe um vastíssimo poder triunfal,

De ser o mais autoritário dos poderosos,

Para agir conforme os humores raivosos.

 

Remove e, intrometido em tudo demite,

Porquanto vive só do seu pessoal palpite,

E quer que tudo esteja sob a larga tutela,

Que amplia adorada e conquistada trela.

 

Cria com os imensos muros alfandegários,

A fome, crise e prejuízo nos proprietários,

A fim de que todos fiquem bem atrelados,

Ao adorado dólar, e seus amplos legados.

 

Quer acumular vasta fortuna de dinheiro,

Para engrandecer seu próprio candeeiro,

Iluminando o mundo com soberba regra,

Da sua peculiar e narcizista contra-regra.

 

Seu olhar possessivo e muito ambicioso,

Apenas vislumbra um fascínio auspicioso,

Na polarização única por extrema-direita,

Sem empatia ou dó na morbidez maleita.

 

 

8

MANECO COMO

 PODEROSO MEQUETREFE

 

Anda de olho inchado por ser xereta,

Sem largar sua megalomaníaca treta,

Intromete-se na organização alheia,

Como sendo da sua particular aldeia.

 

As veias de suas mãos, bem dilatadas,

De tanto catar as fontes afortunadas,

Já não conseguem fazer algum afago,

E menos ainda, reparar algum estrago.

 

Vive da paixão furiosa e descontrolada,

Que solta ódio duma emoção malcriada,

E estimula todo dia, potencial agressivo,

Doutrinado para largo poder destrutivo.

 

Entende que sua violência é necessária,

Pois precisa dormir na cama pecuniária,

Antevendo que vai servir como augusta,

Para a sua paranoia honorífica e vetusta.

 

Como o velho e conhecido bisbilhoteiro,

Anda metido em suruba, feito flibusteiro,

E todo dia soma encrenca por ser xereta,

E o deixa carrancudo com a feição careta.

 

Enxerido em tudo que é feito no entorno,

Fita os olhos inchados, por mais suborno,

Do quanto que não pertence à sua conta,

Com a arrogante e intempestiva afronta.

 

Em tudo quanto lhe renda larga vantagem,

Da sua interesseira e desleal traquinagem,

Vê que poderia ter sido largamente maior,

Mas que evitou que viesse a ocorrer o pior.

 

Assim o mequetrefe se pensa acima de Zeus,

E quer ter todos os humanos submissos seus,

Para aquilatar o seu poder infinito e eterno,

Mesmo que já viva o mais legítimo inferno.

 

 

9

MANECO NO

ÓDIO COM PODER

 

Mérito do rancor produzido e alargado,

Eleva patamar de mídias por todo lado,

Para atiçar quem segue influenciadores,

A incitá-los para os ataques vingadores.

 

Parece nada interessante ser generoso,

Ou valer-se da simpatia pelo grandioso,

De alargar a bondade, com cordialidade,

Para engrandecer o valor da sociedade.

 

Se até pouco, prevalecia maniqueísmo,

De quem se pensava, até com cinismo,

De colaborar a favor do supremo bem,

Até bom Deus explorava como refém:

 

Em nome dele queria combater o mal,

Para obter a vitória numa luta triunfal,

Contra inimigo imaginário e declarado,

A fim de deixa-lo sem nenhum legado.

 

Vive-se, assim, luta diária de um ódio,

A exaurir energias contra outro pódio,

Em que perverso será o forte vitorioso,

A descarregar raiva de domínio glorioso.

 

Ainda dá para prever tons moderados,

Com ódio cultivado por todos os lados?

Quando vencedores exigem prostração,

Sobra só o joelho dobrado sem reação.

 

Maneco se afortuna incitando ódios,

Neste vale-tudo de raiva a adversários,

E espalha seu cocô, jogado no mundo,

Sob o ventilador midiático de iracundo.

 

Ao confundir a liberdade de expressão,

Com a larga difusão de ódio à exaustão,

Adora apenas quem é extremista e feroz,

E que esnoba sobre a vítima, como algoz.

 

Se notícia de ódio, de público garantido,

Vira sucesso para um mundo denegrido,

Resta ficar mais desconectado da mídia,

Para não sucumbir pelo rumo da acídia.

 

Menos elogio e reverência a vencedores,

Poderia ensejar os novos e bons alvores,

Para amenizar tons raivosos e agressivos,

E permitir fruição dos graciosos lenitivos.

 

10

MANECO COMO

PARANÓICO SÁDICO

 

Como não engolir bombardeio de mídia,

Que enaltece paranoia sádica de insídia,

A exaltar o ódio como plena liberdade,

Ferindo a consciência e toda sociedade?

 

Morbidez humana a enaltecer o sádico,

Deixa o mundo inteiro em clima fadigo,

Que precisa apreciar a orgia paranoica,

Como sendo uma governança heroica.

 

O explícito desprezo à moralidade social,

E sua crassa insensibilidade ao racional,

Fazem de Maneco, comedor de cultura,

Que exalta poder autoritário da ventura.

 

Desrespeito da lei e códigos estabelecidos,

Leva-o a descartar os humanos preteridos,

Pois nada acrescentam à sua megalomania,

Para uma pretendida e crescente capitania.

 

Olhares expansionistas assumidos por leis,

Imputam insegurança e migração às greis,

Simplesmente para afirmar todo seu poder,

De aterrorizar, para fruir sob seu bel-prazer.

 

O descarte das levas humanas dependentes,

Espoliadas no colonialismo sem precedentes,

Revela submissão forçada à ordem tirânica,

Da ambição paranoica, perversa e satânica.

 

Sabe que suas declarações contundentes,

Deixam o séquito de amoucos contentes,

Para esnobação cruel à política adversária,

E confirmar sua reinança pirata e corsária.

 

No aparato dos que o sustentam no poder,

Estão outros afoitos que não visam perder,

Os privilégios obtidos com lucros abusivos,

E já insensíveis com os vitimados aflitivos.

 

 

11

MANECO COMO VOZ DA JUSTIÇA

 

Velho ditado de que voz da justiça,

É a voz de Deus contra toda cobiça,

Caducou a sua força de persuasão,

E valoriza ironia na argumentação.

 

A interioridade de cada indivíduo,

Vive a briga de estranho resíduo:

Da indefesa pessoa desamparada,

E do juiz corrupto em desandada.

 

E quando se aborda a reta justiça,

Omite-se fonte de toda lei postiça:

Lei do forte contra o fraco indefeso,

Ou da vítima do juiz fautor de leso?

 

É a regra duma representação ética,

Ou, uma oficializada força fanática?

Se os juízes até vendem sentenças,

Querem obter fartas recompensas.

 

E como saber, se um Maneco da lei,

Não age contrário à lei ética da grei,

Para inocentar fautores da injustiça,

Somente para ampliar a sua cobiça?

 

Quando o apelo à legislação divina,

Espera a imediata vingança sovina,

Certamente se amplia mecanismo,

Para a cega vingança com cinismo.

 

Mais do que pedir Deus, na justiça,

Requer-se ação contra o que atiça,

Toda espoliação dos poderes fortes,

Frente aos vitimados sem suportes.

 

Se pobreza amplia vulnerabilidade,

Ecoa clamoroso grito por lealdade,

Para que o modo de viver a justiça,

Ultrapasse as leis caducas da cobiça.

 

Os juízes perversos da consciência,

Precisam ouvir a forte insistência,

Dos clamores do humano coração,

Em favor de justiça com o perdão.

 

Do contrário, o mecanismo de ódio,

Alargado pela fantasia do episódio,

Torna-se um iníquo com a maldade,

Instaurada na hodierna sociedade.

 

12

MANECO DAS

VOZES ESTRANHAS

 

Não procedentes do além,

E nem da alma de alguém,

Mas, do Maneco mandante,

Que delira como governante.

 

Promessa de bom desvelo,

Acaba em tanto desmazelo,

E deixa de ser hospitaleira,

Para ser flor que não cheira.

 

Não escuta a voz do âmago,

Mas esta que vem do afago,

Dos ricos bem interesseiros,

Para ampliar seus carreiros.

 

Segue a velha noção bíblica,

E age na repartição pública,

Não para orientar as ovelhas,

Mas guiá-las às suas quelhas.

 

Vibra ao desunir e dispersar,

Para mais e melhor devassar,

A favor de si e do seu grupo,

E esperar o lisonjeado apupo.

 

Concepção de ovelha e pastor,

Eleva-o num traço de impostor,

Para manipular as consciências,

E relegá-las nas subserviências.

 

Ele infantiliza para submissão,

Induz para uma passiva reação,

E atrofia genuína autonomia,

Para evitar crítica à sua mania.

 

Longe de auscultar as ovelhas,

E de escutar suas vozes tralhas,

Ouve só a voz de conveniência,

Muito favorável à sua leniência.

 

 

13

MANECO DA DEMOCRACIA

DO CRIME ORGANIZADO

 

Celebraram um festivo enlace,

Com a ação subliminar rapace;

Perambula no Estado e crime,

Na rota de aparência sublime.

 

Sob a ênfase do crime visível,

Transita um mundo invisível,

De cartel em nível horizontal,

Com uma organização vertical.

 

Muita trela sobre narcotráfico,

Do nefasto terrorismo clássico,

Deixa passar a subliminaridade,

De outros cartéis na sociedade:

 

Agem cartéis do tráfico sexual,

Espoliam no trabalho manual;

Ladrões de produtos primários,

E dos ricos ramos imobiliários.

 

É silenciada extorsão na terra,

A fábrica absurda para guerra;

Um bandidismo nos contratos,

E ação disfarçada de sindicatos.

 

Mais do que droga na periferia,

E as investidas de maquinaria,

A superfaturação em negócios,

Causa inúmeros crimes néscios.

 

A lavagem de dinheiro ilegal,

Com renda polpuda e triunfal,

Gesta oligarquias de interesse,

A locupletar próprio benesse.

 

A virose do crime organizado,

Interage suave, por todo lado,

Mesclada com a lei do Estado,

E astúcia de brique disfarçado.

 

Nas fendas da vasta legislação,

Captam evasiva de justificação,

Para ato ilícito, tido por normal,

E praticam a corrupção oficial.

 

Nos meandros das fragilidades,

Vivem as suas arbitrariedades,

Em que a política legal e ilegal,

Aufere um rendimento colossal.

 

Toleram os ritos de corrupção,

E se aproveitam da informação,

Para super-salário bombástico,

Longe do elogio encomiástico.

 

Atores criminais multifacetados,

Encontráveis por todos os lados,

Incorporam a sua ação política,

Na ação da polícia, sem crítica.

 

Maneco no populismo punitivo,

Para matar todo ladrão fugitivo,

Deseja o comando de mão dura,

Para necessária e justa ditadura.

 

O próprio discurso democrático,

Bem eivado de interesse errático,

Enseja aporte a crime organizado,

No mimetismo do bem propalado.

 

Quando narco é só um dos crimes,

Outros, ocultos parecem sublimes,

Na legitimação de ação benfazeja,

Que a mídia tanto elogia e corteja.

 

14

MANECO DIANTE

DOS DESLOCADOS

 

No coração de bela cidade,

Escuto vozes na saciedade,

Língua, de outro ambiente,

Sob tolerância indiferente.

 

Deslocados de sua cultura,

Vivem em teimosa agrura,

Para sobreviver adaptados,

Nos espaços aglomerados.

 

Deixaram história para trás,

Solução dum contexto fugaz,

Sem dia prevista de retorno,

Ante a violência do entorno.

 

Sem o espaço humanizador,

Da origem do seu pundonor,

Tentam captar luz e direção,

A apontar efetiva redenção.

 

Ação do Maneco, prossegue,

Força deslocamento da plebe,

Insensível a morto e fugitivo,

Deixa esperança sem lenitivo.

 

Facilidade de negar direitos,

Para acumular ricos preitos,

Leva Maneco à contradição,

De legislar para exploração.

 

Se nem Herodes e Jerusalém,

Acolheram o pobre de Belém,

A sua mensagem hospitaleira,

Continua a ser jogada na eira.

 

Maneco adora violência diária,

Pautada pela ação temerária,

E visa muitos bens acumular,

Sem a obrigação de partilhar.

 

Com tanto solo no planeta,

Sob tanto cano de baioneta,

O deslocado fica amontoado,

Em espaço bem inadequado.

 

Resiste com a fala da origem,

Para sobreviver sem vertigem,

Sem o ambiente hospitaleiro,

E sem um horizonte altaneiro.

 

Como a velha história violenta,

A sua genuína espera sedenta,

Faz dele arredio a compromisso,

Para eivar-se de seguido enguiço.

 

Acantonado numa camada rica,

Vive da grandiloquência futrica,

Insensível com pobre existência,

Que assegura a farta opulência.

 

É deste lugar que brota clamor,

Por condição humana de fervor,

Onde a vida é bem mais valiosa,

Que etiqueta da riqueza gloriosa.

 

 

 

15

MANECO DOS DISCURSOS

LEGITIMADORES

 

Planos, projetos e execuções,

Requerem largas motivações,

Para haurir respaldo de apoio,

E arregimentar largo comboio.

 

Antes, durante, e após a ação,

Largo discurso de justificação,

Pervaga o Maneco midiático,

Para justificar o ato errático.

 

Junto com lavagem cerebral,

Para uma impunidade capital,

O Estado, ante pérfido crime,

Deve efetuar missão sublime:

 

Agir para que o bandido bom,

Seja morto para valioso dom,

E deve proteger cidadão reto,

Contra todo o inimigo abjeto.

 

Esquece que o crime nasce,

Se desenvolve, rejuvenesce,

Com apoio e suporte sólido,

De político em ato bucólico.

 

Vícios no capitalista Estado,

A justificar o impune afiado,

Que visa lucro exponencial,

Facilita toda violência brutal.

 

Brutalidade na confrontação,

Justifica toda a violenta ação,

Como ato bom e necessário,

Para instaurar paz no ideário.

 

Repete-se jogo da violência,

Que fecunda nova insolência,

Dos revides de vingança cega,

E alastra ódio, e não sossega.

 

Espetacularização de tragédias,

Com farta pesquisa de misérias,

Afoita por legitimar aprovação,

Ratifica uma efetuada agressão.

 

Assim como um rival capitalista,

Representa muito perigo à vista,

Elimina-se o rival para agir livre,

E abocanhar na ambição de tigre.

 

Longas e repetidas explicações,

Escudam o bem ante más ações,

E produzem o frio conformismo,

A procrastinar no mandonismo.

 

A morte, banalizada como lixo,

Da vítima não estatal sem nicho,

Acaba num limbo de inexistência,

Sob grandes cirandas financeiras,

A encobrir patranhas trapaceiras.

 

Basta observar desvios de verbas,

Do paternalista Estado de acerbas,

Que produz uma tentação similar,

Para um anelante bolso particular.

 

Nos crimes de duas faces iguais,

Um, aplaudido nas redes sociais,

Acaba legitimado como o herói,

Enquanto o outro se reconstrói.

 

Pior é este genocídio silencioso,

Ante indígenas, crime pavoroso,

Que mata cultura e a sabedoria,

Sob uma sutil e perversa ousadia.

 

 

16

MANECO E SUA

FÁBRICA DE MEDO

 

Maneco na produção de enredo,

Cultiva, no seu original segredo,

A produção de grandes medos,

Para garantir visados arremedos.

 

Prestaria o medo para negócio?

Seu retorno garante bom sócio,

Para eliminar todo o adversário,

Visto como o perigoso corsário.

 

Na lógica de eliminar o inimigo,

Aprova-se todo e amplo fustigo,

Ao possível adversário político,

Pelo potencial efeito apodítico.

 

Um medo jogado na sociedade,

Que ameaça protegida lealdade,

Deve ser combatido com armas,

A garantir as protetoras carmas.

 

O medo do inimigo imaginado,

Acua para esperar auxílio dado,

Dos que, pela paz e a proteção,

Se movem na sumária execução.

 

Assim, massacres são aplaudidos,

E, heróis matadores promovidos,

Para que uma eficácia de medos,

Permita outros similares enredos.

 

Com a consciência larga e diluída,

O medroso tolera toda bruta lida,

Contra os declarados terroristas,

Sob as transgressões aprioristas.

 

O inimigo, refém de uma lógica,

Requer acima de tudo, retórica,

Com as características peculiares:

Esquerdista desde os seus pilares;

 

Depravado traficante e terrorista,

E no rol do arquétipo triunfalista,

Usa-se a linguagem empolgante,

Para justificar perseguição gigante.

 

Exalta-se todo o cidadão do bem,

Que deixa de se sentir um refém,

Do vasto exercício da impunidade,

Para tolerar tácita arbitrariedade.

 

Na ditadura sutil de impor medos,

Subjazem táticas vis, com os dedos,

Bem mais propensos para o gatilho,

Do que para um humanitário brilho.

 

A eficácia desta exitosa indústria,

Sem perdoar, nem aliviar angústia,

Agrega pífia paz romana de armas,

Nas falas, com ameaças bisarmas.

 

É a violência silenciosa e simpática,

Que legitima qualquer ação errática,

Em nome duma suposta segurança,

Não das pessoas, mas da lambança.

 

17

MANECO NA FEIÇÃO

DE INDIFERENÇA

 

A indução massiva à adoração cega,

De influenciadores de exibição frega,

Que ostentam fortunas apreciáveis,

Cria relações mórbidas e detestáveis.

 

Seres conduzidos no cego consumo,

Não se perguntam pelo elã do rumo,

Só anseiam o domínio e acumulação,

Para serem meritórios na ostentação.

 

Crescente frieza ante a vida humana,

De milícias, gangues e guerra insana,

Reflete, cada dia mais, o pífio modo,

De tratar ser humano como um lodo.

 

Mero objeto de moldagem submissa,

Decide-se sobre ele na clara injustiça,

E nada importam os seres eliminados,

Nem atrocidade de mandantes irados.

 

Tanto olhar impregnado de rejeição,

Traço estranho da humana condição,

Entre os incontáveis apelos de amor,

Não protagoniza gesto de pundonor.

 

Interagir contrário ao gesto de amar,

Para Maneco, anularia o seu alamar;

Assim expressa recusa de empenho,

E manifesta ar antipático e ferrenho.

 

Na indiferença não importa verdade,

Mas, um estereótipo da banalidade,

Sobreposto à educação socializadora,

E à paz e justiça, para rota redentora.

 

Situada na eira dos limites do horror,

Indiferença, surda ao humano clamor,

Torna-se chave para a vasta maldade,

E um fermento para a insensibilidade.

 

O desdém com frieza no trato alheio,

Gesta tanto desconforto e saracoteio,

Que todo cuidado pela consideração,

Não desencadeia empatia e atenção.

 

Indiferença castra todo bom humor,

O senso necessário ao grato pendor,

E torna a vida vazia de bom cuidado,

Enchendo-a de rígido ar enferrujado.

 

Ocupa o belo lugar da cordialidade,

E achata o indivíduo e a sociedade,

Pois, sem o senso de consideração,

Vive do descaso na injusta solução.

 

18

MANECO E O

 FILOFASCISMO DE FAMA

 

Farta argumentação produzida,

Gerenciou esta luta aguerrida,

Para que todo patriótico cidadão,

Aderisse ao contágio de emoção.

 

Maneco quer obter superioridade,

E embate à comunista sociedade,

Sequer admite socialista proposta,

Como a eventual contraproposta.

 

O fabricante da teoria do medo,

Sabe irradiar tática do segredo:

Mover o máximo ódio possível,

Contra um inimigo presumível.

 

Fábrica da modificação genética,

Criou a cultura de lida sem ética,

E aliada com ditaduras militares,

Gestou fascismos sem similares.

 

Tudo focado contra um inimigo,

Excesso de divulgação do perigo,

Estufou sociedade democrática,

Para engolir a autoritária tática.

 

Virose contagiante sem controle,

O autoritarismo virou rocambole,

Intragável para convivência social,

E frustrante na política estrutural.

 

Autoritarismo aclamado como bom,

Criou nas multidões da contra-mão,

Uma presunção categórica e fascista,

Sequer suportável na visão direitista.

 

Mentes geneticamente formatadas,

Agora se apresentam descontroladas,

E fazem da política campo de guerra,

Sem o neutralizador do que os ferra.

 

Sobrou um monstro ódio de espírito,

Como diploma superior de demérito,

Que extermina e mata na pífia razão,

De eliminar inimigo de má reputação.

 

19

MANECO DA GUERRA

PARA A PAZ

 

Como na antiga educação espartana,

Motivação de guerra a todos irmana,

Desde narrativas sobre chefes fortes,

A treino para os militarescos aportes.

 

Na vasta literatura sobre super-heróis,

E apologética de seus luminosos faróis,

Induz-se à escolha pelo lado vitorioso,

Para esperar a ação do seu elã brioso.

 

Volumoso repicar de cascos de cavalos,

Indicava o régio domínio sobre vassalos,

Do rei afoito pela tirania conquistadora,

A obrigar jovens por guerra exploradora.

 

Hoje, a exaltação de drones e foquetes,

Substitui jovens humanos mandaletes,

Mas, forja-os para o ódio aos inimigos,

E educa para os militarescos fustigos.

 

Maneco exalta superioridade de armas,

Endeusa heróis de destruidoras carmas,

E os condecora com seu nome em ruas,

Praças e prédios, como luminosas luas.

 

Neste mundo de solitários anti-sociais,

Jovens para romperem as lidas banais,

Encontram na educação para matança,

Razão de heroísmo para autoconfiança.

 

Nesta violência universal que se alarga,

Estimulada por insinuação tão amarga,

Espalha-se uma pífia estupidez humana,

Incapaz de viver sem uma guerra insana.

 

Quando máquinas de erradicar humanos,

Enlevam os países prepotentes e tiranos,

Então as narrativas sobre poderes bélicos,

Já apontam fracasso dos atos antibélicos.

 

Se as cavalarias espartanas ágeis e fortes,

Contavam com narração para tais aportes,

Nosso mundo, movido por ódios mortais,

Somente inova com narrativas nada letais.

 

Pensar em guerra pela obtenção de paz,

É a argumentação balofa que não apraz,

E que até apela a um deus que concorda,

Com a apelação de que ele não discorda.

 

Pensar rol do pensamento hegemônico,

Significa continuar no viver anacrônico,

De que matar muitos supostos inimigos,

Gera humanidade entrelaçada de amigos.

 

 

20

MANECO JUSTIFICADOR

DOS BONS

 

Velha tentação humana racionalizadora,

Justifica toda e qualquer ação vingadora,

Para ratificar e reafirmar toda desculpa,

De vítimas agredidas sem um mea-culpa.

 

Fácil condição de situar-se no lado bom,

Permite soltar a trela com negativo tom,

Contra toda a imperfeição na lida alheia,

E Maneco divulga glória de boca cheia.

 

Ao se pensarem como bons e melhores,

Críticos felinos e perspicazes dos piores,

São os exigentes, injustos e intolerantes,

E se arrostam pelos direitos mandantes.

 

Autossuficientes e longe da compaixão,

Esmeram-se na vistosa e altiva oração,

Para inflar seu ego da imagem erudita,

E agradar a Deus com a língua maldita.

 

Acostumados a oprimir e outros espoliar,

Nada possuem para doar, nem empatizar,

Porque centram seu ego aureolado e bom,

Como graça e suporte de um divino dom.

 

Com sua falsa imagem de bons e devotos,

Sequer sabem ativar os controles remotos,

Para desconfiar do modo de viver e fazer,

Sem ver a ninguém para se compadecer.

 

Como se arrogam parcela do grupo bom,

Falam da vida alheia como o divino dom,

Que oferece os modelos do agrado divino,

Ao pobre humano, pecador e bem cretino.

 

Como não se sentem omissos, nem falhos,

Não carecem de perdão, como frangalhos,

E se tornam imutáveis no tradicionalismo,

A assegurar-lhes o status do fisiologismo.

 

Atrapalham convivência pelo que pensam,

Pois desferem a humilhação com ofensas,

E esperam condecoração de dádiva divina,

Na sua atitude nada altruísta, mas cretina.

 

21

MANECO SEMEADOR

DE ÓDIO

 

Escandalosa mobilização do Congresso,

De privilegiados em seu ativo processo,

E movidos por um velho ranço de ódio,

Tornaram público lamentável episódio.

 

Escândalo feio dos lutadores carrascos,

Já acostumados à ocultação de fiascos,

Seguros no cargo público proeminente,

Agem sob um tendencioso precedente;

 

Afrontam e desrespeitam supremas leis,

Certos de anistiar os infratores das greis,

A fim de permitir que possam continuar,

Na bandalheira golpista de procrastinar.

 

Velha tradição histórica de manipulação,

Subjaz no fundamento na contravenção,

Age-se muito acima e contra lei vigente,

E depois se recupera cargo precedente.

 

Encantado por regimes totalitários,

Maneco vota projetos temerários,

Amparado pela segurança armada,

E a polpuda vantagem conquistada.

 

Blinda-se com regras e fartos direitos,

E, em nada, lhe importam os preceitos,

Do agir a favor do bem comum coletivo,

Bem imobilizado e sem nenhum lenitivo.

 

O bem comum, refém do agir carrasco,

Ficou indefeso na politicagem de asco,

Com agentes definidores das decisões,

A definir regras para as suas provisões.

 

Como não surge voz a dizer que basta,

A primavera, deste ano, reagiu à casta,

Aglutinou de esquerdistas a direitistas,

Contra blindagem de anistia a golpistas.

 

A voz da insatisfação expressa nas ruas,

Exigindo respeito com menos falcatruas,

E que potência estrangeira não obedeça,

Para vingar com ódio, que tudo esvaeça.

 

Insatisfação elevada contra a delinquência,

Mesclada com uma política de indecência,

Não serve para legislar em favor do povo,

Sem apontar para o democrático renovo.

 

22

MANECO COMO

MUCUFA PORTENTOSO

 

Sob o topete ostensivo e alaranjado,

O Maneco, um vivente desprezado,

Tido por fraco, largamente covarde,

Embora faça muito barulho e alarde.

 

Tudo o que faz decorre pela metade,

E seu rabo preso anula a majestade,

Porque, procedimentos desonestos,

Apontam lida de constantes doestos.

 

Quer ser ordeiro contra baderneiros,

Mas não oculta os traços flibusteiros,

Que maculam a imagem de estadista,

E deixam a fala em descolorida crista.

 

Muito aproximado da condição idiota,

Não admite a possibilidade de derrota,

Pois autossuficiência de ser onisciente,

Situa-o no além do mundo consciente.

 

Sente-se como único líder autoritário,

Capaz de reger o mundo arrendatário,

Pois a mão divina guia os seus passos,

Para resolver planetários embaraços.

 

Mesmo inseguro, disfarça-se seguro,

Para apontar o dedo indicador duro,

E emitir ordens pessoais categóricas,

Com rompante e agressivas retóricas.

 

Seu autoritarismo, com traço original,

Distinto dos demais, no fundamental,

Pois não segue um sistema autoritário,

Mas, segue sua percepção de solitário.

 

Defensor férreo do direito à liberdade,

Nega-o aos demais, na larga saciedade,

Sobretudo aos cientistas e acadêmicos,

Para efetivar os seus planos endêmicos.

 

Exagerado e falso numa igual similitude,

Delira contra o protecionismo da atitude,

Praticado pelas outras nações soberanas,

Porque visa impor as suas leis doidivanas.

 

A ação de suplantar a democracia liberal,

Aufere-lhe um vastíssimo poder triunfal,

De ser o mais autoritário dos poderosos,

Para agir conforme os humores raivosos.

 

Remove e intrometido em tudo, demite,

Porquanto vive só do seu pessoal palpite,

E quer que tudo esteja sob a larga tutela,

Que amplia adorada e conquistada trela.

 

Cria com os imensos muros alfandegários,

A fome, crise e prejuízo nos proprietários,

A fim de que todos fiquem bem atrelados,

Ao adorado dólar, e seus amplos legados.

 

Quer acumular vasta fortuna de dinheiro,

Para engrandecer seu próprio candeeiro,

Iluminando o mundo com soberba regra,

Da sua peculiar e narcizista contra-regra.

 

Seu olhar possessivo e muito ambicioso,

Apenas vislumbra um fascínio auspicioso,

Na polarização única por extrema-direita,

Sem empatia ou dó na morbidez maleita.

 

 

PALAVRAS FINAIS

 

MANECO PROPÍCIO

ENCANTADO COM O SISTEMA

 

No clima de esplendor e glória,

Não gosta do valor da memória,

Mas, adora pesado compressor,

A triturar com sistema opressor.

 

Encaixa a política com ideologia,

Para militarizar com tecnologia,

E espoliar, segundo os desejos,

Para alcançar afamados ensejos.

 

Já insensível aos bilhões de anos,

Que a Terra ofereceu a humanos,

Endossa a sua destruição rápida,

Na voracidade doentia e insápida.

 

Até sob a suicida rota destruidora,

Da hiper-colonização devastadora,

Maneco só vê a razão e progresso,

Fora dum democratizado processo.

 

Avalia Estado pelo olho neoliberal,

Empenha-se em dedicação integral,

Para a desconsideração do Estado,

Pois, intervêm para seu desagrado.

 

Deveria deixar a riqueza fluir solta,

À iniciativa privada na reviravolta,

Sem democracia de bons direitos,

Para os ingratos e frouxos sujeitos.

 

Importa mais tecno-autoritarismo,

Escorado por eficiente militarismo,

Para sugar o resto dos bens do solo,

E com eles morrer no bom consolo.

 

Como a morte inevitável e iminente,

Poderá deixar pouco remanescente,

Evade-se quem é esperto e rápido,

Para iludir com um projeto estúpido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

<center>O MANECO PROPÍCIO</center>

Índice Prólogo... 1 – Maneco político... 2 – Maneco arrogante... 3 – Maneco impertinente... 4 – Maneco pedante... 5 – Maneco p...