quinta-feira, 9 de julho de 2026

PROPOSTAS DE ORDEM

 


Esperta proposta de campanha,

Com uma sutil ação de patranha,

Aponta a desordem implantada,

E propõe nova ordem inusitada.

 

Apresentar ordem como a saída,

É um atraente ponto de partida:

Cai no agrado do valioso eleitor,

Para votar num eficiente gestor.

 

No entanto, proposta de ordem,

Não se exime de nova desordem,

Perante a condição estabelecida,

E produz conflitividade renhida.

 

Como na vetusta contraposição,

De caos-cosmos na organização,

Almeja-se um cosmos de ordem,

Que gere a inovada contraordem.

 

Quando se supõe que o mundo,

Iniciado pelo equilíbrio fecundo,

Da idônea ordem com harmonia,

Então somos frutos duma ironia:

 

A queda irrecuperável do paraíso,

Nos relega neste diabólico guizo,

De sempre produzir a desordem,

Ante os bons fautores da ordem.

 

Pressupõe-se a ordem absoluta,

Recuperável na forma impoluta,

Na separação do que degenera,

Sob oposição, feita a quimera.

 

Como a finitude é inescapável,

Toda a ordem radical é inviável,

Porque é inerente à desordem,

E a ordem cai na contraordem.

 

Presunção totalitária de ordem,

Que quer que todos concordem,

É crassa ambição pelo domínio,

Para estabelecer o predomínio.

 

É imaginário poder de controlar,

Todo mal a agir de modo vulgar,

E unificar o ambiente desunido,

Para erradicar mal estabelecido.

 

Esquece-se a fronteira dialética,

Que não separa desejada ética,

Na busca implacável de política,

Sem uma necessária auto-crítica.

 

Ordem e desordem se mesclam,

E em todo indivíduo se afalcoam,

Porque a ordem agrega desordem,

E desordem também é uma ordem.

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

FALSOS CÃES PEDIGREE

 


Bem aqui, no reino do Morocó,

Lugar encarado como cafundó,

Mundo dos cães, estratificado,

Produz o estranho maranhado:

 

Tem lobete e cachorro do mato,

Tem pedigree que parece gato,

Mas, o que mais tem é vira-lata,

A fazer da rua a área aristocrata.

 

Ali, festa e folia ocupa todo dia,

E o que prevalece, é galhardia,

Vida agitada e amizade coletiva,

Sob interação ruidosa e efusiva.

 

As raízes sem pedigree europeu,

Ou dum norte-americano liceu,

Revelam sua genética derivada,

Como mistura pouco valorizada.

 

Nos cercados super-protegidos,

Latem os cães de fortes rugidos;

O som ecoa como ordem dada,

Para subserviência equivocada.

 

Eles mandam e são superiores,

Ditam regras, como ditadores,

E promovem poucos vira-latas,

 Para serem as suas gentis tatas.

 

Elitizadas sob um pedigree falso,

Movem-se no elitizado impulso,

De serem raça de lugar superior,

Ante mundo de vira-lata inferior.

 

Já descontextualizadas da rua,

E indiferentes à realidade crua,

Correm em superiores estádios,

Mandaletes de pífios presságios.

 

Transfiguradas em reais mitos,

E sob os constrangedores ritos,

Induzem os vira-latas ao delírio,

De adorá-las qual sábio Porfírio.

 

Tais genuínos parasitas sociais,

Desprezam cachorradas banais,

E seguros no poder dominante,

Pintam-se como ideal alienante.

 

O seu modo de ser como molde,

Não esconde um real desmolde,

Do falso pedigree da cachorrada,

Movido pela cultura disparatada.

 

Desapropriam o mundo popular,

Porque só sabem muito explorar,

E apenas deixam as parcas sobras,

Com as suas alienantes manobras.

 

Nada acrescentam aos vira-latas,

Tiram cor e sabor a ruas pacatas,

Como falsos pedigrees exteriores,

A facilitar processos espoliadores.

 

 

 

 

terça-feira, 7 de julho de 2026

GLADIADORES DE ENTRETENIMENTO

 


Um estranho gosto humano,

Aparentemente todo insano,

De apreciar o embate brutal,

Proporciona fantasia triunfal.

 

Já sem ludicidade interativa,

Conta toda força destrutiva,

Vale dominar e vencer rival,

E fruir a glória excepcional.

 

Mais do que personalidade,

Pesa músculo e sagacidade,

Para dominar o adversário,

E deixa-lo sem comentário.

 

O respeito e a cordialidade,

São ineptos para atrocidade,

Porque somente vira herói,

Um musculoso que destrói.

 

Quando um gladiador vence,

Publicidade a todos convence,

De que é mito reverenciável,

Que propicia euforia inefável.

 

Como os coliseus nos impérios,

Erguem-se os estádios etéreos,

Para as pias emoções coletivas,

Com fortes fanatizações reativas.

 

Sob o ânimo do herói vencedor,

Reproduz-se preito a pundonor,

De quem derrota o adversário,

Feito um pobre amouco sicário.

 

Briga-se tenazmente pelo herói,

Que sob a mídia, se reconstrói,

E as rivalidades com inimizades,

Minam as pacíficas sociedades.

 

Similitude ao Espártaco romano,

Ativa a rebeldia de trato insano,

Move até os exércitos rebeldes,

Com as agitações nada humildes.

 

Quando interesse do espetáculo,

Vira sutil e subliminar tentáculo,

De inaudito acúmulo e consumo,

Pouco sobra ao humano aprumo.

 

Como antigo gladiador Flamma,

Muito mito produzido inflama,

Aversão crescente à liberdade,

Para fruir adoração da vaidade.

 

Toda força bruta do gladiador,

Reativa as multidões no ardor,

De ascender ao poder triunfal,

Sob a heroica fantasia colossal.

 

Dura internalização do fracasso,

Vomita mágoa do frustrado laço,

Porque o mito do herói gladiador,

É pobre escravo de manipulador.

 

 

 

 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

STATUS DO PODER

 

 

Desde os vetustos imperialismos,

Poder tirânico com mecanismos,

Dobra nações, povos e culturas,

Sob as arrogâncias de bravuras.

 

Interpretam-se bem perspicazes,

E anunciam por meios loquazes,

O empenho ágil pela libertação,

Do povo refém duma escravidão.

 

Logo baixam regras e exigências,

Para espoliar sob as indecências,

Povo já definhado pela opressão,

E o roubam com nova legislação.

 

Persistem desde muitos milênios,

Os similares processos de gênios,

Paranóicos a perpetrar um hábito,

De subjugar com força de exército.

 

Humanos especialistas para matar,

Intimidam para os poderes dilatar,

Sob um silêncio vigiado e forçado,

Para nenhuma ação de desagrado.

 

Assim dobram-se vastas multidões,

Com belas e estapafúrdias ilusões,

E prossegue velha tática espoliadora,

A rígida e bárbara ação exploradora.

 

Antigo personagem bíblico, Zacarias,

Já desejava a pobres, melhores dias,

Desde que reis a serem empossados,

Se curvassem a pobres necessitados.

 

Só poderiam entrar em suas cidades,

Sem os desfiles das forças militares,

E suas armas deveriam ser fundidas,

Para as múltiplas obras enternecidas.

 

Sob a entrada humilde e desarmada,

Deveriam honrar a palavra divulgada,

E não manipular o povo tão sofrido,

E locupletar seu núcleo enriquecido.

 

Jesus Cristo ratificaria tal proposta,

E se dobrou ante multidão exposta,

Sem chance de algo digno esperar,

E apontou um jeito para se renovar.

 

A razão do reino seria o de serviço,

Sem explorar um povo já submisso,

E atrelado ao conformismo passivo,

Sem a menor chance dum lenitivo.

 

Ele ergueu fraqueza toda decaída,

E lhe apresentou uma solidária saída,

Contra investida cruel e imperialista,

Como arrogante besta materialista.

 

Se o poder é desprovido de serviço,

Vira o belo imbróglio de desserviço,

Que suga raça, o país e a população,

Apenas para alargar auto-afirmação.

 

Jugos mais leves e suaves do poder,

Requerem novo modo de proceder,

Sem tantas hierarquias privilegiadas,

Para suas vantagens não justificadas.

 

 

 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

O PESO DOS JUGOS

 


Agir sobre humanas consciências,

Pode produzir as benemerências,

E também pesado fardo e jugos,

Com as crueldades de verdugos.

 

Tantos seres captam arrogância,

Agem sob o guizo da dissonância,

E desorientados nos seus rumos,

Sequer atinam possíveis aprumos.

 

Já psiquicamente colonializadas,

E por autoritarismos subjugadas,

Vivem na dependência espoliada,

Sem a menor iniciativa para nada.

 

Dominados por estado de guerra,

De quem manda e a todos ferra,

A humana sorte requer o sonho,

De ver interagir menos bisonho.

 

Pior jugo humano pesa na nuca,

Deste estado de guerra maluca,

A crer no bruto armamentismo,

Produz o desengano e cinismo:

 

 

Aposta nos algoritmos de armas,

Que matam com suas bisarmas,

Negam um direito de existência,

A pessoa indefesa, na demência.

 

Matar pouco armado e pacífico,

Revela modo violento específico,

Produzido pela visão militarista,

De firmar domínio de conquista.

 

O repúdio a este poder violento,

Básico para pensar novo alento,

Não deve ouvir sábios mestres,

A espoliar humanos terrestres.

 

Felizes, confortáveis, tranquilos,

Escondem os ambiciosos sigilos,

De ampliar jugos aos indefesos,

Com lei de pífios menosprezos.

 

Sob o lume do discipulado cristão,

Um outro sentimento no coração,

Indica o respeito e a cordialidade,

Um jugo que suprime a letalidade.

 

A caduca noção de arma para paz,

Um ledo engano que nada apraz,

Merece novo agir na consciência,

Para conviver com mais decência.

 

Bem distante do deus dos fortes,

Carecemos de inusitados aportes,

De substituição do jugo da guerra,

Para intuir algo novo que prospera.

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

CÉREBRO CARENTE E TELINHA INTELIGENTE

 


A partir de percepção inteligente,

Viu-se o agrado a cérebro carente,

Para captar toda a sua dopamina,

Orientando-o para segura rotina.

 

A exploração da atenção natural,

A qualquer movimento corporal,

Manifesta fragilidade do cérebro,

Capaz de deixa-lo em descalabro.

 

Pode ser viciado para movimento,

Dum algorítmico contentamento,

Que faz liberar preciosa dopamina,

Para o largo prazer que o ensina:

 

Quanto maior, atrativa percepção,

Mais libera a agradável sensação,

Que apenas requer a assistência,

Sem definição para a desistência.

 

Não se precisa ver outra imagem,

Pois esta produz a serena aragem,

De ocupar toda energia cerebral,

Para o extasiar-se no prazer viral.

 

Ele vicia como tanta outra droga,

E apresenta uma irradiante toga,

A quem merece atenção precípua,

Merecedora da focagem conspícua.

 

Vídeos curtos e imagens atraentes,

Deixam tantos cérebros contentes,

Que se tornaram o moderno ópio,

A alucinar o psíquico caleidoscópio.

 

A euforia de perpetuar muita graça,

Leva o cérebro à rotina da chalaça,

Que dispensa as mediações afetivas,

E todas as proximidades interativas.

 

Feita a insensibilização a estímulos,

Com agitadas imagens para êmulos,

Os viciados acabam presas seguras,

Do midiático agir para uma doçura.

 

Doçura diante da imagem atraente,

Deixa a pessoa dominada contente,

Com hipnótico colorido da imagem,

E bem feliz na manipulada miragem.

 

Sem a dopamina para a convivência,

Ela se torna foco de ampla violência,

E nem libera a dopamina prazerosa,

Para interação edificante e graciosa.

 

 

 

 

O BEM COMUM

 


Visto como um tesouro acessível,

Para garimpar de modo incrível,

É a tentação do enriquecimento,

Para o particular e rico fomento.

 

Declarar direitos de propriedade,

Produz legislação e arbitrariedade,

Favoráveis aos benefícios pessoais,

E apatia ante as aspirações sociais.

 

Subsidiariedade importa tão pouco,

Diante do clamor insistente e rouco,

Dos que defendem o bem-comum,

Frente ao particularismo incomum.

 

Impõe-se direito de posse particular,

Sem as condições sociais melhorar,

E o valor da dignidade das pessoas,

É desconsiderado ante posses boas.

 

Engole a dignidade do ser humano,

Ele vira refém de ambicioso insano,

Já alienado da virtude colaboradora,

Que visa a sociabilidade animadora.

 

Ambição particular sem bem-comum,

Vira narcisismo do cheiro de bodum,

Que dispersa toda a subsidiariedade,

A capaz de engrandecer a sociedade.

 

Uma consciência de bela identidade,

De quem colaborou com a sociedade,

Não decorre da usurpação de direitos,

Para locupletar os individuais preitos.

 

O direito de controlar a própria vida,

Na colaboração cordial e enternecida,

Como membro da organização social,

Não combina com a ambição pessoal.

 

Cultivo da responsabilidade cultivada,

Transcende toda acumulação privada,

Tão venerada pelo perverso sistema,

Pois fita a partilha do bom emblema.

 

Uma subsidiariedade bem arraigada,

Com a solidariedade, de mão dada,

Mina a absolutização dos interesses,

De tantas apatias a sociais benesses.

 

O planeta e os direitos de igualdade,

Não autorizam a induzida maldade,

De explorar pessoas e bem coletivo,

Para um acumulante status efetivo.

 

 

 

 

 

 

 

<center>PROPOSTAS DE ORDEM</center>

  Esperta proposta de campanha, Com uma sutil ação de patranha, Aponta a desordem implantada, E propõe nova ordem inusitada.   A...