terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

GUERRA POR PODER

 

 

Desejo de exercer influência,

Sobre uma vasta congruência,

Transforma relações afetivas,

Em odiosa luta de invectivas.

 

Não existe leal companheiro,

Mas, só um jogo interesseiro,

Em que alguém vale pelo útil,

E depois passa a ser lixo fútil.

 

Aliança e pacto de fidelidade,

Vive da frágil provisoriedade,

Enquanto favorece ascensão,

Para assegurar nobre posição.

 

O aparente amor das alianças,

Revela logo, as desconfianças,

Em que prevalece a acusação,

Contra quem mudou a posição.

 

Na guerra contra o adversário,

A mentira rege todo itinerário,

Para denegrir imagem do rival,

E obter um largo êxito triunfal.

  

A tentação de manter o cargo,

E adequar regras de embargo,

Ajudam a prosperar no poder,

E impedir outros de ascender.

 

Na guerra, além da ideologia,

Vale todo tipo de demagogia,

Para produzir o perfil heroico,

Malabarista versátil e egoico.

 

Velha história bíblica de Israel,

Revela preço de teimosia cruel,

Do seu primeiro rei constituído,

Jovem guerrilheiro destemido.

 

Davi, um rei absolutista do povo,

Mesmo velho e sem espírito novo,

Enfrentou guerrilha de seus filhos,

Que lhe apresentavam empecilhos.

 

Em guerra do seu exército armado,

Contra Absalão, o seu filho amado,

Venceu a batalha mas matou o filho,

Efeito e preço pelo reinado caudilho.

 

Depressão e dor pela morte do filho,

Não o moveram no jeito afogadilho,

De se sentir o rei absoluto no cargo,

Supondo que fosse o divino encargo.

 

Humano, no lugar de Deus colocado,

Produz demônio solto por todo lado,

Mesmo na máscara de líder religioso,

Causa espoliação e o conflito danoso.

 

Poder desatrelado de humilde serviço,

Arruma diuturnamente novo enguiço,

E guerras, mesmo aquelas de palavras,

Matam vida com crueldades macabras.

 

 

 

 

 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

HOSTILIDADES GRATUITAS

 


Ofensas divulgadas em noticiários,

Oferecem os estimulantes ideários,

Para reagir de forma bem ofensiva,

Ante qualquer suspeita de invectiva.

 

Mesmo pessoas tidas como piedosas,

Emitem repentinas ofensas raivosas,

E nos seus desproporcionais revides,

Caluniam pelos mais ínfimos envides.

 

Hostilizam com a facilidade inaudita,

E até por alguma razão bem gratuita,

Acusam e interpretam erroneamente,

Pelo tribunal supremo da sua mente.

 

Se a hostilidade envolve pouca pedra,

Em contrapartida, até ânsias de medra,

Ensejam esbravejantes falas agressivas,

E reação de agressivas formas vingativas.

 

Como abrandar as palavras de aspereza,

De quem só pensa em muita malvadeza,

Cuja mente apenas produz mau espírito,

Sem os básicos gestos para ser solícito?

 

O crescente número de seres alienados,

Aumenta cada dia mais os tratos irados,

E faz leva humana sentir-se orgulhosa,

Com exteriorização de ofensa raivosa.

 

A reação primária diante do diferente,

Sem nenhuma reação compadecente,

Reflete socialização bem atormentada,

Do ambiente de reciprocidade esvaída.

 

Reagir a tais bandos de espíritos maus,

Requer boa ação sem queimar as naus,

Para que brabeza nefasta e explosiva,

Não se imponha na educação diretiva.

sábado, 31 de janeiro de 2026

DUAS CONSTITUÇÕES

 

 

A articulação do povo de Israel,

Promulgada para que fosse fiel,

Ocorreu, no alto da montanha,

Como ordem da divina façanha.

 

Monte a denotar aproximação,

Sinal da humano-divina relação,

Anunciou sobre o povo uma Lei,

Para ser seguida por aquela grei.

 

Um apurado código ético-moral,

Apontava vida sem oposição rival,

Com observância das dez regras,

Para vidas abençoadas e íntegras.

 

Erro cultural eivou o bom código,

E o mesclou de interesse pródigo,

Para inverter noção do bom Deus,

A favor de interesses bem fariseus.

 

A sutil malandragem e esperteza,

Dizia que Deus gostava da riqueza,

Sob teologização da prosperidade,

Que justificava toda arbitrariedade.

 

Muitos filhos e riqueza abundante,

Sinais da bênção do deus elegante,

Permitia julgar e condenar o pobre,

Como um castigado do Deus nobre.

 

Instaurou-se corrupção espoliadora,

Com propalada falácia enganadora,

Para afirmar a pobreza, causa divina,

Como uma prática pecadora e sovina.

 

Ocultada usurpação empobrecedora,

Humilhava de forma constrangedora,

Porquanto, toda a retribuição divina,

Abençoava bons de forma cristalina.

 

Jesus Cristo também subiu no monte,

Chamou o povo para novo vergonte,

E promulgou uma nova constituição,

Para aquela empobrecida multidão.

 

Não estavam ali lideranças israelitas,

Mas os rejeitados sem vestes bonitas,

Vítimas das pessoas ricas abençoadas,

Classistas por expropriações causadas.

 

Jesus felicitou aquela grande multidão,

Resto sobrante da famigerada ambição,

Disse ser feliz por ser pobre de espírito,

Pois queria ardentemente sair do aflito.

 

 

Poderiam ser valiosos artesãos de paz,

Portadores de misericórdia que apraz,

E seu senso de muito sofrer por justiça,

Os levaria a Reino sem doentia cobiça.

 

Bem-aventuranças, a nova constituição,

Sem autoridades na pobre promulgação,

Era um programa edificante para a vida,

De quem vivia sem religião enternecida.

 

Pobres de espírito, admitiam algo novo,

Eram portadores humildes do renovo,

Seres piedosos, íntegros e respeitosos,

Perante o sistema perverso de raivosos.

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

POBRES E POBRES

 

 

Nas atribuições de suas causas,

E as inércias de suas diapausas,

Tendem a ser sempre culpados,

Por serem vadios e malcriados.

 

O que ninguém gosta de ouvir,

Relativo ao seu modo de existir:

Que são um reverso da moeda,

Com a cara do rico da alameda.

 

A herança bíblica muito antiga,

Via a Deus como pessoa amiga,

Da pessoa rica, bem afortunada,

Com muitos filhos em disparada.

 

Significava bênção e larga graça,

Para o ideal humano de trapaça,

Que desprezava e culpava pobre,

Já incriminado por não ser nobre.

 

Toda suposta bênção da riqueza,

Constituía uma ardilosa sutileza,

Para espoliar e oprimir os pobres,

Como meros e precários alfobres.

 

Malfadados pela visível impiedade,

Dependiam da bondosa sociedade,

Tornada rica por uma bênção divina,

Para ser exemplo à pobreza cretina.

 

Os profetas inverteram sua análise,

E viram na riqueza uma metanálise,

De operários iludidos e explorados,

Vítimas dos ricos mal intencionados.

 

A coorte com os seus enriquecidos,

Seria derrotada e, os ricos, vencidos,

Convidados para urgente conversão,

Pois seriam escravos em outra nação.

 

Este povo humilde, um resto de Israel,

Que ainda estava aberto ao Deus fiel,

Portava um sentimento comunitário,

Reto e justo, longe do rico temerário.

 

O pobre, na sua crassa insegurança,

Apostava em Deus a sua confiança,

No humilde senso religioso interior,

Para nível de coexistência superior.

 

Uma preferência de Deus pelo pobre,

Não soava como apelo contra nobre,

Mas, preconizava necessária justiça,

Contra farsa da mal-explicada cobiça.

 

CAPETA CATEGÓRICO

 


Com tantas e variadas atribuições,

Ao desagregador de boas relações,

Acrescento-lhes mais outro indício,

Da sua ação que causa o estrupício.

 

O lugar privilegiado da sua estadia,

Fica na mente religiosa toda vazia,

De quem amplia poder na rigidez,

Apesar da incoerência na sensatez.

 

O poder de ditar coisas categóricas,

Nada simbólicas e nem metafóricas,

Mas, objetivas, verídicas e absolutas,

Agrada muito a pias almas recolutas.

 

Dizer-lhes o único, totalmente certo,

Sobre Deus, ante mundo tão incerto,

Acalma e sereniza, na alma inquieta,

Toda e qualquer dúvida que a afeta.

 

A voz capeta, confortável e cômoda,

Veiculada pela sabedoria omnímoda,

De lideranças religiosas neofascistas,

Indica submissão a ditames classistas.

  

Bons do falso essencialismo religioso,

Captam o miolo do deus prodigioso,

Em seu nome antecipam todo gozo,

Isento de qualquer efeito tenebroso.

 

A rigidez para cumprir a ordem certa,

Assegura a segurança na hora incerta,

Para ficar toda vida atrelado ao guru,

Do pressuposto iluminado, um jururu.

 

No mandonismo de leis categóricas,

Procedente de meras falas retóricas,

De um suposto guia das multidões,

Segue atuando o capeta das ilusões.

 

Age como o calmante instantâneo,

Para aliviar um medo consentâneo,

De ter que buscar nos tateios da fé,

E oferta solução do metido a pagé.

 

O capeta categórico exerce a magia,

De constituir-se no mais seguro guia,

Que deixa pessoa acuada e espoliada,

Em nome duma regra muito sagrada.

 

Assim um teólogo auto-proclamado,

Alarga seu poder e um vasto legado,

Como o capeta de ordens estúpidas,

E, especialista nas enleações lépidas.

 

Consegue levas de fiéis seguidores,

E aumenta fanáticos proclamadores,

De regras rígidas, exatas e imutáveis,

Dos fiéis, seus seguidores inabaláveis.

 

 

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

ASSOMBRO SOB LUZES DESCONVERGENTES

 

 

Longe de apostar no genuíno humano,

Para reanimar seres vítimas do insano,

Luzes mais brilhantes são de assombro,

Diante da iminência de muito escombro.

 

O efeito político da luz desconvergente,

Gera ampliação de gente descontente,

Que já não vê mais o amparo do Estado,

Nem papel de aliviar mundo atribulado.

 

O Estado tornou-se frágil subserviente,

Dum ambicioso e poderoso presidente,

Que fanatizado pelo seu nacionalismo,

Quer mundializar o caduco liberalismo.

 

Sabe teologizar a sua política de poder,

Como se Deus admirasse seu proceder,

A criar classes de imensa desigualdade,

Para o pleno êxito da sua nacionalidade.

 

Sob crença da sua força sobre-humana,

Deus do exército lhe dá força soberana,

Para instaurar vasta violência planetária,

Por simples razão ambiciosa e temerária.

 

Quer juntar o maior acúmulo financeiro,

Com rapinagem do processo trapaceiro,

E poder firmar domínio total e absoluto,

Neste planeta do seu desejado atributo.

 

Com procedimento todo destrambelhado,

Quer reverência do Deus de bom legado,

E crê que sua única limitação é seu limite,

Para impor como lei absoluta seu palpite.

 

Ao sentir a redução dos seus adoradores,

Que relegam o dólar e seus altos alvores,

Vê que desejam um Deus de humanidade,

Para derrotar a sua egóica arbitrariedade.

 

Ao pensar mundo pela sua subjetividade,

Torna-se um ícone de péssima qualidade,

Um dragão simbólico que degrada a vida,

E a cada dia mais deixa-a toda escafedida.

 

Se a humanidade evolui a lentos passos,

Seus procedimentos tão vis e devassos,

Focam retrocesso na humana pluralidade,

Sem luzes de amparo para a humanidade.

 

Tanto cego fanatizado por nacionalismo,

Da fachada do superado neofeudalismo,

Ainda fica fascinado pelo poderoso chefe,

Que adaptou ação do estado a seu blefe.

 

Com tantos clarões de desejos gloriosos,

Veiculados como os credíveis e airosos,

Esconde-se na sombra dos fachos de luz,

Toda a ideologia traiçoeira que os seduz.

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PESCA DE PESSOAS, OU DE HUMANIDADE?

 

 

Os primeiros convidados de Jesus,

Na beira da praia, sentiram a luz,

De um convite para mudar a lida,

Da sua perigosa e arriscada vida.

 

Convidados a pescar o humano,

Virtualidade no meio do insano,

Acolheram o treino para captar,

O que rostos poderiam denotar.

 

Percepção da essência humana,

No grito da atenção que irmana,

Reavivava o ardor nas pessoas,

E as deixava acolhedoras e boas.

 

Se rotineira pesca do pão diário,

Não acalentava um bom ideário,

A saída deste rotineiro cotidiano,

Apontava para agir menos tirano.

 

Deixar-se eivar pelos bons alentos,

De encontrar além dos sofrimentos,

A sublimidade da bondade humana,

Entusiasmava mais que pesca afana.

 

Um cotidiano sem sonhos maiores,

Da pesca no mar de poucos alvores,

Indicava objetiva pobreza existencial,

Naquela sociedade injusta e desigual.

 

Convocação à nova forma de pescar,

Consistia na ação de fazer despertar,

O melhor que existia em cada sujeito,

Para enriquecer o convívio satisfeito.

 

Convocação para esta nova pescaria,

Visava libertação da humana tirania,

Dum poder insensível e explorador,

Do mais genuíno e humano pendor.

 

Captar o humano no coração ferido,

Sem submetê-lo a um ódio bandido,

Aponta para a luz forte e irradiante,

Para convivência sem arma acirrante.

 

 

 

<center>GUERRA POR PODER</center>

    Desejo de exercer influência, Sobre uma vasta congruência, Transforma relações afetivas, Em odiosa luta de invectivas.   N...