quinta-feira, 29 de outubro de 2026

JUNTO AOS DISCÍPULOS DO SENHOR

 


Se padre é formado para gostar mais da chave do cofre do que a do sacrário; e, mais dos meios de administração do que do cultivo da fé em Jesus Cristo, produz um anacrônico encargo de poder e autoridade, que, no entanto, passa distante do serviço proposto por Jesus Cristo.

A tentação de sentir-se dono do espaço administrado, produz o vício de muito direito e privilégio, com ínfimos frutos de Evangelho.

Surge, então, o argumento categórico do pensamento único, de normas e regras, que sufocam qualquer emergência da Boa Notícia do Reino.

         

Índice

Apresentação

Preâmbulo

I – INSTITUÍDOS PARA A SACRALIDADE

1.1  – Sacralizados

1.2  – Em espaço confortável

1.3  – Com um Deus de coisas e loisas

1.4  – Frente às disputas por deuses

1.5  – Rodeados de adoradores de pano

1.6  – Ante o fervor excessivo

1.7  – Sob o amparo dos energúmenos

1.8  – No pastiche sem pistache

1.9  – Frente ao enlace esvaziado

 

II – HOMENS DO SAGRADO

 

2.1- Com um hiper-sacramento

2.2 – Sob Religião do mérito

2.3 – No consumo do sagrado

2.4 - Sob fascínio por penduricalhos da fé

2.5 – Em específica forma pregadora

2.6 – Abuso do poder espiritual

2.7 – Apreço à moralização

2.8 – Ladeado de fanáticos e fundamentalistas

 

          III – PODER HIPERFECUNDADO

 

3.1 – Destaque do convite superior

3.2 – Homem todo sacralizado

3.3 – Bajulações desmesuradas

3.4 – O excepcional da mídia

3.5 – Um santo temido

3.6 – Vaidoso ególatra

3.7 – Botõezinhos vermelhos

3.8 – No fervor excessivo

3.9 – Na pajelança monárquica

3.10 - Dignidade de cargos

3.11 – Sob evangelização do aplauso

3.12 – Com o ego inflado

 

          EPÍLOGO

 

A – Simplesmente humano

B – Exemplaridade ética e poder

C- Renúncia ao ego pretensioso

 

Apresentação

 

 

Entre os discípulos do senhor,

Vasto legado de bom penhor,

Afeta-se na crise complicada,

De uma tradição estratificada.

 

Nestas curtas linhas rimadas,

Com impressões aquilatadas,

Em meio à condição que vivo,

Está a busca de bom lenitivo.

 

A alusão à antiga convocação,

Renovada com boa disposição,

Parece requerer um novo perfil,

   Com a feição de inovado caril.

 

Modelo medieval gestou crença,

De especial e superior provença,

Auferida ao padre como redentor,

De um povo altamente sofredor.

 

Na estratificação do clericalismo,

Elevou-se a um extremo cinismo,

De ampla organização poderosa,

Sem testemunho de fé vigorosa.

 

Com tantos seguidores de Cristo,

Torço e rezo por padre bem-visto,

Sem o imagético do ser superior,

Mas humilde aprendiz do Senhor.

 

 

 

PREÂMBULO

 

Apelação a chamamento divino,

 Captado por um abençoado tino,

Eleva pobre menino ao sagrado,

Para um excelso e nobre legado.

 

Sob a aparência piedosa e santa,

Veicula-se imagem sacrossanta,

Da sua atribuição muito especial,

Para ser reverenciado e imparcial.

 

Mágico salto para poder superior,

Aufere-lhe ar de grandeza interior,

E o induz a classificar-se diferente,

Por estar além da pecadora gente.

 

Idealizado num projeto fantasioso,

Cresce num caminho pretensioso,

De administrar, controlar e salvar,

Embora somente queira passivar.

 

Longe do legado da serviçalidade,

Quer ser o discípulo de majestade,

Que o eleve no visado carreirismo,

Para meritório e vistoso heroísmo.

 

Disfarça a contradição ético-moral,

E oculta sob a batina nada moral,

Perversidades com fartos abusos,

Iguais aos deslizes tão abstrusos.

 

Os simples, retos e bem honestos,

Rotulados pelos irônicos doestos,

São assimilados como perigosos,

Que representam riscos danosos.

 

Assim a crise para o novo aporte,

Que dê ao presbitério outra sorte,

Terá que tatear inusitada agenda,

Para dar ao padre outra legenda.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I – INSTITUÍDOS PARA SACRALIDADE

 

Despertados e selecionados,

Inúmeros jovens aficciondos,

Forjados sob dura depuração,

Viram funcionários da religião.

 

Prestam-se, então, ao avesso,

Para exercer o papel travesso,

Proposto por Jesus Nazareno,

Com vistas ao conviver sereno.

 

Passam a viver na contradição,

Do convite para vigorosa ação,

De construção do novo Reino,

Sem pratica de rigoroso treino.

 

O grande obstáculo da religião,

Estratificada em seguro bastião,

Firmava o seu poder no capital,

Para engendrar segurança vital.

 

Um deus da sua representação,

Favorecia o controle da nação,

E assegurava uma vida segura,

Para a dependente conjuntura.

 

Jesus, muito avesso da religião,

Moveu um plano de libertação,

Para desatrelar a vida do templo,

Porque dali vinha mau exemplo.

 

Conflito de Jesus com sacerdotes,

Sob a alteza de visíveis holofotes,

Revelou com seu novo Evangelho,

A incompatibilidade do rito velho.

 

Ao enfrentar homens da religião,

Jesus apontou para nova direção:

O sofrimento dos empobrecidos,

E muitos doentes desassistidos.

 

Sob título de discipulado a Jesus,

O Evangelho que deveria ser luz,

Funde-se na ratificação legalista,

De uma controladoria integrista.

 

Pretensos salvadores da tradição,

Asseguram a sua procrastinação,

Para centralizar o poder do pano,

Com seu status airoso e chapano.

 

Sob língua que ninguém entende,

E sob imagético que subentende,

Ufanam-se como bem superiores,

Aos pobres e humanos estertores.

 

As caudas coloridas e apavonadas,

Com suas diatribes concatenadas,

Manipulam com variados adornos,

Ocultação de vaidosos transtornos.

 

 

 

 

1.1  – SACRALIZADOS

 

A afirmação da rara alteza,

Não cai do céu com certeza;

É exaustivamente afirmada,

Sob a catequese renovada.

 

Monopolização da verdade,

Afirma uma divina lealdade,

Auferida à pessoa do padre,

Para ser o santo compadre.

 

Com o privilégio de acesso,

Ao divino e santo processo,

Pode exercer a autoridade,

Sobre espalhada iniquidade.

 

Ele dispensa bens salvíficos,

Aos carentes não miríficos,

E sabe treatralizar a liturgia,

Como se fosse o divino guia.

 

Ao rezar sacraliza seu poder,

E afirma pureza do proceder,

Como Alter Christus na ação,

Que quer oferecer a salvação.

 

Com o seu corpo sacralizado,

Justifica-se como divinizado,

Para exercer a pureza ritual,

Como lídimo ser exponencial.

 

A construção hierarquizada,

Vem da praxe estigmatizada,

Com apresentação simbólica,

Que define elevação católica.

 

Pelo tipo de veste e de cargo,

Mais o poder de desembargo,

Assegura o ar de sacralidade,

Uma patologia de autoridade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1.2 – EM ESPAÇO CONFORTÁVEL

 

A fácil pressuposição,

Do Deus da boa ação,

A presentear amigos,

Leva a fitar embigos.

 

Com apelo vingativo,

Ele se torna lenitivo,

Para lesar o inimigo,

Como arqui-inimigo.

 

Sob Deus castigador,

Discurso ameaçador,

Apregoa a conversão,

Para receber perdão.

 

Mas sem a mudança,

A vida de lambança,

Destroça a natureza,

E a humana inteireza.

 

Idolatria do mercado,

Polui o ar e o relvado,

Louco pela produção,

Sem humana afeição.

 

Religião conformista,

Sugere a fé integrista,

Enquadrada de divino,

Do passivismo cretino.

 

Assim, não surpreende,

A fácil certeza de Deus,

Sem sombra e silêncio,

Nem profético anúncio.

 

Sem apelos superiores,

Os totalitários pendores,

Cessam de uniformizar,

E com Deus equalizar.

 

Identificação com Deus,

Que legitima os corifeus,

Vive dum poder fictício,

De totalitário malefício.

 

 

 

 

 

1.3 – COM UM DEUS DE COISAS E LOISAS

 

Como deus cananeu adorado,

Em majestoso touro dourado,

Em reino de prazer e vaidade,

Cultua-se o corpo à saciedade.

 

O poder superior da divindade,

Aponta para toda a sociedade,

Que altar do capital absorvido,

É auge do herói bem-sucedido.

 

Sob a prosperidade do dinheiro,

Todo negócio ilícito aventureiro,

Na graça do oligopólio da mídia,

Constitui a abençoada perfídia.

 

Profetas disputam e negociam,

Com dinheiro que reverenciam,

A felicidade plena do consumo,

E o entretenimento sem rumo.

 

O imagético do sagrado superior,

Não requer a qualidade interior,

Mas a astúcia para bom negócio,

Que permita máximo lazer e ócio.

 

Indiferença atinente à vida alheia,

Oferece um segredo de divina teia:

Fazer sonhar no incrível consumo,

E levar todos no idolátrico aprumo.

 

A santidade máxima do automóvel,

Se alarga no contínuo sonho móvel,

De um carro novo mais sofisticado,

Para graduação no âmbito sagrado.

 

Por isso o planeta morre entulhado,

De carro novo e velho por todo lado,

Mas, que prenuncia um fim fatídico,

Da ilusão infeliz de sonho inverídico.

 

Restam loisas sobre vidas alienadas,

Que frias pedras deixam soterradas,

Que o deus adorado e tão dourado,

Deixou a sina da morte sem legado.

 

 

 

 

 

1.4 – FRENTE ÀS DISPUTAS POR DEUSES

 

O avanço do fundamentalismo,

Revela o inusitado mecanismo,

De governo político e religioso,

Com apelo de plano audacioso.

 

Importa práxis de subordinação,

Do neoliberalismo de obsessão,

Que visa lucro com crescimento,

Sob um religioso arrefecimento.

 

Pautado em duro autoritarismo,

Faz-se necropolítica do cinismo,

Vociferador de ódio ao diferente,

Em nome do excelso onipotente.

 

Apegados ao antigo testamento,

Suporte eficaz para o argumento,

Insistem num imaginário de luta,

Que envolve a Deus na disputa.

 

Deus se curva ante o fiel vigoroso,

Que não sossega no fito ardoroso,

De alcançar tudo o quanto deseja,

Para abarrotar-se pelo que almeja.

 

Uniformização do ódio convergente,

Contra qualquer postura divergente,

Nega o basilar princípio cristológico,

Dum ecumênico respeito dialógico.

 

Sob a teologia do poder autoritário,

Encampa-se, com modo arbitrário,

Um controle sob a tutela do Divino,

Para manter súditos no agir cretino.

 

Não percebem as diferenças sociais,

Nem os injustos parâmetros legais,

Porque seu cego foco conquistador,

Não questiona seu agir molestador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1.5 – RODEADOS DE ADORADORES DE PANO

 

Uma nudez ocultada sob panos,

Revela muitos sinais chapanos,

De obsessão teimosa e fluente,

Duma postura nada congruente.

 

A visão direitista conservadora,

Tão pouco católica e inovadora,

Fixa a eclesiologia pré-conciliar,

E vive no apego cego e ingiliar.

 

A postura próxima da cismática,

Engalana-se para ser simpática,

Mas apenas agrega saudosistas,

Propensos a mundos narcisistas.

 

Ainda que alcancem certo nicho,

Para coçar seu próprio capricho,

Vivem alheios ao despojamento,

Peculiar dum cristológico intento.

 

Na auto-proclamada sacralidade,

Exploram numa larga saciedade,

O rubricismo detalhista de atos,

Com múltiplos rituais e artefatos.

 

No latim veiculam a simbologia,

Da sua função de divina magia,

Endeusando vestimenta brega,

Que pouco cristianismo agrega.

 

No aparente limbo de santidade,

O seu imagético de ambiguidade,

Valoriza veste mais que missão,

Do agir para mover a boa ação.

 

Como figurinos de palco clerical,

Insensíveis à moda comum geral,

Enchem-se de velhas bricolagens,

Para brilharem com as roupagens.

 

Nos aparatos brilhantes e vistosos,

Afiguram-se a papagaios fastosos,

Que repetem algumas gracinhas,

E distraem com suas garochinhas.

 

 

 

 

 

1.6 – ANTE O FERVOR EXCESSIVO

 

Quando rumores assustam,

Os paladinos que degustam,

Seus únicos meneios éticos,

Repercutem efeitos patéticos.

 

No trato zeloso e veemente,

O autoritarismo prevalente,

Exalta extremismo acrítico,

Sem assimilar ponto crítico.

 

Nas verdades de um grupo,

O resto não recebe apupo,

Porque ignora sua verdade,

De presumida superioridade.

 

Na fé do fim justificar meios,

Fitam presumidos permeios,

Para perseguição a inimigos,

Sem tréguas, nem chamigos.

 

Sem lugar para o bom humor,

Vivem o constante pundonor,

De assegurar a plena verdade,

A aplica-la na frágil sociedade.

 

A doutrina da sua concepção,

Sequer tolera a contraposição,

Porque se pensa salvacionista,

Para a redenção universalista.

 

Encanto pela ambição e poder,

Apenas admite apoio e aceder,

A largo crescimento fanatizado,

Como único rumo ao acoimado.

 

Onde cura ao fervor exagerado,

Poderia levar a jeito moderado,

Para reduzir fortes opositores,

E aproveitar os seus pendores?

 

Conhecer o lado do adversário,

Não apenas pelo rol temerário,

Oportunizaria menos exaltação,

E maior potencial de boa ação.

 

 

 

 

 

 

1.7 – SOB O AMPARO DOS ENERGÚMENOS

 

Surpreende a irracionalidade,

Na atual e refinada sociedade,

Sob os ditames do culto saber,

Dum primarismo de estarrecer.

 

Ódios superiores aos das feras,

Pervagam as elevadas esferas,

Dos que pretendem conduzir,

Elevadas condições de aduzir.

 

Com as táticas escancaradas,

E as astúcias mais escaradas,

Ditam na exaltação mórbida,

A vantagem pessoal e sórdida.

 

Exaltam-se na fala abestada,

Sob emoção desequilibrada,

E revelam estulta arrogância,

Pela defesa da sua instância.

 

No apelo a falas desatinadas,

Apontam magias encantadas,

Para justificar atos simplistas,

Com vagas noções moralistas.

 

O avançado grau de paranoia,

Com a presunção de metanóia,

Leva-os à exaltação onipotente,

De deixar todo o país contente.

 

Ineptos diante dos problemas,

Apelam a sutis estratagemas,

Para salvaguardar a ideologia,

Que autoriza sua demagogia.

 

 

 

 

1.8 – NO PASTICHE SEM PISTACHE

 

Humanos amoucos e paranoicos,

De planos loucos, nada heroicos,

Atrelados a pastiche de imitação,

Arrumam sofrida procrastinação.

 

Fanatizados por metidos doutos,

E relegados a miseráveis coutos,

Agridem e ameaçam opositores,

Não favoráveis a seus pendores.

 

Arregimentam-se para a guerra,

E com o pior do que ela encerra,

Para defender o seu imperador,

Sem nenhum senso moderador.

 

Não percebem que é pastiche,

De outro interesseiro trapiche,

Que lesa a vasta humanidade,

Com sua mórbida insanidade.

 

No lugar do enojado pastiche,

Prefiro um saboroso pistache,

Oleaginosa rica em proteínas,

E das mais valiosas vitaminas.

 

Sob uma casca dura e áspera,

Revela virtualidade próspera,

Para alargar a funcionalidade,

De benéfica e ativa saciedade.

 

A saúde social carece do pendor,

De síntese política de pundonor,

Que pense o bem comum geral,

Com o básico respeito colateral.

 

Quando alguém briga por ideia,

Sem noção da condição plebeia,

Anula sua própria auto-estima,

E torna-se monstro que vitima.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1.9 – FRENTE AO ENLACE ESVAZIADO

 

 

Nem amplexo,

Nem olhar de nexo,

Ou algo que seja convexo.

 

O olhar não cruza,

Sequer pela Medusa,

E acha caminho pela abduza.

 

Sem um assunto,

O silêncio de defunto,

Cria dispersivo conjunto.

 

A fala de não-ditos,

Prenhe de interditos,

Reforça rígidos vereditos.

 

A renitência da emoção,

Não solta nada do coração,

Nem libera qualquer atração.

 

Perdão tão embargado,

Boicota eventual postulado,

Para aceitar o estado acoimado.

 

No aguardo da calmaria,

Atrai a bem distante romaria,

Para reencontrar algo que inebria.

 

 

 

 

 

 

 

 

II – HOMENS DO SAGRADO

 

 

 

2.1 – COM UM HIPER-SACRAMENTO

 

Incomparavelmente promovido,

Com publicidade de muito ruído,

Fervilham nos rituais da Ordem,

Espetacularizações que aturdem.

 

Amplas preparações ostensivas,

Com as insinuações persuasivas,

Elevam a Ordem acima da Terra,

Sob o verdadeiro grito de guerra.

 

Exalta-se o ordenando ao divino,

Mesmo se é mesquinho e cretino,

Para afirmar seu poder sacerdotal,

Colocado numa fantasia angelical.

 

Em cerimônias eivadas de teatro,

Com muitos panos do solene atro,

Gera-se delírio em torno do herói,

Metido a vistoso e valente caubói.

 

Rituais que necessitam de horas,

Impregnados de fartas demoras,

Enaltecem os papéis secundários,

De ostensivos atos cerimoniários.

 

Detalhismo de ritos bajulatórios,

Reafirma nuances contraditórios,

De que o sacramento da Ordem,

É o antídoto de toda desordem.

 

Colocado em parâmetro angelical,

O ordenando se exibe excomunal,

E fala como autoridade superior,

Para promover o quadro inferior.

 

Mitizado como um raro sucesso,

Sequer percebe o pífio regresso,

Da objetiva tarefa da sua função,

Para o vistoso poder de injunção.

 

Exaltação sacramental da Ordem,

Reafirma que todos concordem,

Que ato dos demais sacramentos,

É menor no alcance dos intentos.

 

Apesar do fictício papel superior,

O sacerdócio não exala um valor,

A encantar ao suposto ministério,

E agregar-se a mundo deletério.

 

Vasta ênfase ao rito de ordenação,

Diminui significado e consideração,

Dos demais sacramentos cristãos,

E de suas funções de concidadãos.

 

 

 

 

 

2.2 – SOB RELIGIÃO DO MÉRITO

 

Solidificada nas motivações,

Leva a discursos com razões,

Para a conquista da salvação,

Pelos méritos de boas ações.

 

Embora elas sejam indicadas,

Como mediações destacadas,

Para propagar atos indizíveis,

Não auferem direitos factíveis.

 

Avaliação de gestos efetuados,

Até os edificantes e devotados,

Induzem à suposição de direito,

Dum merecido e especial preito.

 

Como em articulações políticas,

Oradores de falas apologéticas,

Indicam os méritos que salvam,

Desde que para eles se volvam.

 

Esquecidos de que Deus é bom,

Enquadram todo humano dom,

Como servilidade ao mandante,

Mais rigoroso que comandante.

 

Esperam bênção de merecimento,

Para receber o gratificante alento,

De muito trabalho com dedicação,

Para merecer honrada promoção.

 

Ao pressupor Deus bem distante,

Do servo ante o patrão diletante,

Que remunera méritos próprios,

Associam-lhe modos impróprios.

 

No pressuposto da ação heroica,

A observação de prática egoica,

Leva a escrúpulo de obrigações,

Esperando retorno pelas ações.

 

Some toda fidelidade ao Senhor,

Porque se espera muito penhor,

Como bom salário promocional,

Merecedor dum cargo especial.

 

 

 

 

 

2.3 – NO CONSUMO DO SAGRADO

 

Sagrado consumido fora do templo,

Constitui farto e relevante exemplo,

Da vendagem moralista do sagrado,

Sob um devocionismo consagrado.

 

Entre as muitas estruturas profanas,

Desde as nobres às mais doidivanas,

Veiculam-se objetos como sagrados,

Para os distintos e variados agrados.

 

Muitos slogans e gritos identidários,

Aliam-se aos interesses partidários,

Para alcance de sectários privilégios,

Que lhes auferem os foros egrégios.

 

Doentio contexto armamentário,

Ignora todo sofrimento proletário,

Mas arrefece sagrado de ocasião,

Capaz de elevar medos para ação.

 

Encantamento pela tecnociência,

Justifica a escusada procedência,

De medos consagrados e ilibados,

Como únicos para todos os lados.

 

A fé indolor e sem compromisso,

Toma conta de contágio maciço,

Favorável à salvação egolátrica,

Da propalada ação democrática.

 

Vinda fora do ambiente religioso,

Concepção de milagre prodigioso,

Sacraliza camisetas de ideologia,

E as diviniza sob densa apologia.

 

No ritual sacralizador da direita,

O complexo messiânico rejeita,

Como símbolo endemoninhado,

Toda dissidência ao seu legado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2.4 – SOB FASCÍNIO POR PENDURICALHOS DA FÉ

 

A ação evangelizadora,

Deveria ser promissora,

Mas refém desvirtuada,

Entrou na porta errada.

 

Atrelada a organizações,

Que visam as multidões,

Vira objeto de consumo,

De um vistoso emplumo.

 

Sob os favores da mídia,

Que lhe armou a insídia,

A evangelização encanta,

Somente como percanta.

 

A motivação do dinheiro,

É um discurso altaneiro,

Com o apelo ao aparato,

Para um encanto cordato.

 

O desejo de hegemonia,

E o avanço de sintonia,

Gestam pífia bajulação,

De insinuante adulação.

 

A barganha pelo topo,

Revela o cego escopo,

Dum grupo poderoso,

Pelo apanágio vistoso.

 

Ação evangelizadora,

Na meta enganadora,

Vira mercado de bens,

Que coopta os reféns.

 

Com oferta de objetos,

Apelos nada discretos,

Insinuam o fetichismo,

Do cego consumismo.

 

Jóias e muitas viagens,

Permeiam as aragens,

Do deslinde religioso,

Para a bênção e gozo.

 

A compra do sagrado,

Sob o preço facilitado,

Escanteia a Boa Nova,

E obstrui o que inova.

 

Sem urdiduras vitais,

Os religiosos visuais,

Insinuam imbróglios,

Atraentes aos olhos.

 

Para o reino de Deus,

Dá-se um frio adeus,

Já que penduricalhos,

São os quebra-galhos.

 

 

 

 

 

 

 

2.5 -  EM ESPECÍFICA FORMA PREGADORA

 

Sonho com atmosfera religiosa,

Nada empolgante e prodigiosa,

Que abre e inova na confiança,

Qual olhar de pequena criança.

 

Queria tanto escutar pregação,

Advinda de idônea motivação,

Não sobre o que deve ser feito,

E sem moralismo sobre defeito.

 

Tantos pesos do sofrido coração,

Almejam não ouvir condenação,

Ou apelos a sentimento de culpa,

Mas uma reatância que desculpa.

 

O outro traço que muito aborrece,

Na pregação que se ensoberbece,

Sustenta os ditos fora de contexto,

Do que Deus quer como pretexto.

 

Irritante é o apelo à demonização,

Que reduz a vida à total afetação,

Do poderio sedutor do demônio,

E que corrói humano patrimônio.

 

Outro apelo aturdina a audição,

E desvia o alcance da pregação,

Pelas bajulantes generalidades,

E reduzem Deus a banalidades.

 

Na memória das táticas de Jesus,

Emerge diante do limite uma luz,

Que não avalia e sequer condena,

Pois, a autocrítica já é uma pena.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     

 

 

 

2.6 - ABUSO DO PODER ESPIRITUAL

 

Filha da capacidade manipuladora,

Está a pretensão da fé promissora,

A manipular a dimensão espiritual,

Para perpetrar controle preceitual.

 

Instrumentalizando as convicções,

Dobra-se consciência para ações,

Que a afastam da sua busca de fé,

Para assumir conselhos de má-fé.

 

Desperta a impotência da vítima,

Para atrelar a sua fé tão legítima,

À direção da prestimosa tutoria,

Na tergiversação da sua fantasia.

 

Metido a dono do conteúdo da fé,

O abusador assegura ser o que é,

Como o melhor interprete divino,

Para aconselhar com lídimo atino.

 

Quando o guia espiritual quer ser,

A exclusiva fonte para arrefecer,

Com soluções que ele interpreta,

Foge da ética saudável e discreta.

 

O caminho para Deus que aponta,

É pífia manipulação que afronta,

A sincera abertura para liberdade,

E fere a vítima com arbitrariedade.

 

Na autoproclamada ação salvadora,

Subjaz a farsa da fé nada redentora,

A induzir perverso abuso espiritual,

Espoliando pessoas de modo banal.

 

Constitui prelúdio do abuso sexual,

Que avança pela noção consensual,

Com direito de satisfazer carências,

Propensas às suas benemerências.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2.7 - APREÇO À MORALIZAÇÃO

 

Autoridades políticas e religiosas,

Afoitas em sugestões prodigiosas,

Apontam o quanto deve ser feito,

Para corrigir todo humano defeito.

 

Longe da informação do que fazem,

Adoram o dinheiro e auto-refazem,

Os planos de vasto poder ampliado,

Que permite deixar honroso legado.

 

Nos discursos moralistas de apelos,

Insinuam mais a culpa que modelos,

Para despertar sentimento devedor,

A atrofiar toda a força do pundonor.

 

Longe de levantar o ânimo para agir,

Inculcam o mecanismo de retroagir,

E frustram os clamores dos desejos,

Com culpados que boicotam os ejos.

 

Apelos moralizadores e prostrantes,

Eximem os inúmeros atos frustrantes,

Para justificar a inoperância do cargo,

E reafirmar o duro e pesado embargo.

 

Apelo a divinas instâncias superiores,

Banalizam os tão humanos pendores,

Já frouxos na crença de atendimento,

Porque perderam o denodo do alento.

 

Sobra uma fé fechada no subjetivismo,

Que só acata raciocínios de iluminismo,

Delimitados na imanência da sua razão,

Donde já não brota dinamismo de ação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2.8 – AO LADO DE FANÁTICOS E FUNDAMENTALISTAS

 

Dois extremos de arrebatadores,

Causam os desconfortos e dores,

Advindos de linguagem violenta,

Que nem mesmo diabo aguenta.

 

Na violência em nome de Deus,

E na aparência de atos fariseus,

Arrogam-se, no único caminho,

O segredo do humor alegrinho.

 

O deus do entusiasmo doente,

Os eleva ao êxtase renitente,

Que ignora a realidade alheia,

E os aciona para a dura peleia.

 

Valem os seus mandamentos,

De projetados encantamentos,

Que sequer cobram conversão,

Nem mudanças na conspiração.

 

Os atos violentos de dominação,

Feitos em nome da divina ação,

Refletem agressividade interior,

Arrebatada à instância superior.

 

No apelo ao fundamento divino,

Escancara-se seu modo cretino,

Que defende o seu argumento,

E o remete ao superior intento.

 

Defendem tradição interesseira,

Para a sua reafirmação fagueira,

Que vê inimigos em todo distinto,

E perseguem no vigoroso absinto.

 

Farejam diabo nas ações alheias,

Razões das suas sombrias teias,

E liberam-se para luta ferrenha,

Contra o que do diabo provenha.

 

Escondem a própria insegurança,

Projetada na alheia desconfiança,

Porque desprovidos da humildade,

Não avaliam sua própria verdade.

 

 

 

 

 

 

III – PODER HIPERFECUNDADO

 

 

3.1 – DESTAQUE DO CONVITE SUPERIOR

 

Os raros casos de superfetação,

De vários óvulos na fecundação,

Ocorrem na vocação sacerdotal,

Com aumento de poder colossal.

 

À pressuposta convocação divina,

Amplia-se no imagético da batina,

A largueza do seu dote já superior,

Para humano status nada inferior.

 

Com títulos e bajulação de méritos,

Privilégios se tornam beneméritos,

E as honrarias auferem veneração,

Como direito da especial condição.

 

Ao se identificar com o papel social,

Sua realeza é vista como manancial,

Diretamente condecorado por Deus,

Para gestar delírios de um semideus.

 

Longe da reta humildade do serviço,

Vive do vistoso badulaque postiço,

Para colar olhares de charmoso galã,

E ampliar o séquito de um mundo fã.

 

Não precisa dobrar os seus joelhos,

Mas dobra os alheios com conselhos,

Da visão essencialista do seminário,

Que o configurou como reacionário.

 

Herdou da mentalidade clericalista,

Que seu patamar está acima da lista,

Daqueles pobres carentes da graça,

Pois ele está isento como boa praça.

 

Não importa o lado da comunidade,

Já que ele lhe anuncia à saciedade,

O que necessita efetuar e obedecer,

Para algum mérito de Deus merecer.

 

Esqueceu que no chamado da Igreja,

Foi convocado para a valiosa peleja,

De serviço para reduzir na sociedade,

Efeito cruel da falta de solidariedade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.2- HOMEM TODO SACRALIZADO

 

Sem referencial a Cristo,

É para muitos malquisto,

Porque não segue gosto,

De um específico arrosto.

 

Bajula-se quem justifica,

Modo que nada edifica,

Mas agrado a um grupo,

Que deseja muito apupo.

 

Cooptado por interesse,

É fadado a desinteresse,

Caso questiona denodos,

Dos fanatizados apodos.

 

Feito um ser separado,

Estranho por todo lado,

Sem pertença a gênero,

Pode apenas ser vênero.

 

Deve ser dessexualizado,

E pregar todo acoimado,

O discurso heteroafetivo,

Como agradável lenitivo.

 

O perfil bem delineado,

Vindo de longo legado,

Esconde-o no armário,

Do gosto mui sectário.

 

Ao camuflar-se na batina,

Aparenta condição divina,

E disfarça conduta sexual,

Como o dote sobrenatural.

 

Ante pedocriminalidade,

Equivale a cumplicidade,

Que escandaliza e oculta,

E assimila atitude estulta.

 

Sem inovada identidade,

A sua suposta santidade,

Aufere poderes e honra,

Sem esconder a desonra.

 

Hipervalorizado na posse,

Como o sucesso precoce,

Sem a discreta humildade,

Exibe-se em rara vaidade.

 

Adoração à personalidade,

Eleva com fina publicidade,

A apoteose do sacerdócio,

Como um adorável negócio.

 

Na falsa imagem poderosa,

Some serviçalidade bondosa,

Idolatra-se o patamar clerical,

Sem anúncio profético radical.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.3 – BAJULAÇÕES DESMESURADAS

 

No silêncio da pandemia,

O gato valente que mia,

Com miados estridentes,

Forja rezas fanatizantes.

 

No bombardeio das lives,

Chatos e irritantes clives,

Insistem com a piedade,

De inócua precariedade.

 

Dogmáticos e perdulários,

Divinizam com os rosários,

Os poderes de insinuação,

Para produzir iluminação.

 

Longe de tudo que aflige,

Imputam magia que exige,

Mera idolatria materialista,

Da poderosa espiritualista.

 

Já não se referem a Maria,

Ou aos lugares da romaria,

Mas só à santíssima virgem,

A divina deusa extravirgem.

 

Utilitarismo fundamentalista,

Duma recitação mecanicista,

É apregoada como milagreira,

Que supera qualquer barreira.

 

Distante de Maria da origem,

Vivem as ondas de vertigem,

Sobre minúcias da recitação,

Sem gerar elã para uma ação.

 

Transformam uma devoção,

No consumismo de emoção,

Para ostentação bajuladora,

Da divina deusa redentora.

 

Neste fascínio tão perigoso,

De aparente e sublime gozo,

Maria, aquela mãe de Jesus,

Não importa e sequer seduz.

 

Importa apenas a produzida,

A rica fantasia ensandecida,

Que não remete à lealdade,

Para a solícita cordialidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.4 – O EXCEPCIONAL DA MÍDIA

 

Nem o comum do cotidiano,

Mas a notoriedade do ufano,

Tornam célebre o espetáculo,

E o divulgam como tentáculo.

 

Mundo de troféus e medalhas,

De ralas bajulações e bedalhas,

Auferem títulos e as honrarias,

Com sobejas e falsas cortesias.

 

Importam modas e músculos,

Até sob os valores minúsculos,

Desde que produzam sucesso,

Para amplo e devotado acesso.

 

Fato avesso do mundo injusto,

Torna-se argumento robusto,

Para iludir senso justo e reto,

E seduzir ao consumo abjeto.

 

Informes de crimes e assaltos,

Enfatizam fartos sobressaltos,

Que comovem espectadores,

E alargam seus fartos pavores.

 

O anúncio do fato excepcional,

Protelado sob tática passional,

Prende sob espera frustrante,

O possível fato emocionante.

 

Sobra a dependência atrelada,

A uma veiculação controlada,

Para um conformismo passivo,

E um largo processo imitativo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.5 – UM SANTO TEMIDO

 

Antiga roupagem sacralizada,

Avivou a noção disparatada,

Que fez desandar a imagem,

Da bem cultivada miragem.

 

Debaixo da veste identidária,

A nobre função missionária,

Envolvia a figura sacerdotal,

Com a sacralidade magistral.

 

Sob excessiva sacralização,

Abriu-se pérfida contradição,

A revelar efeitos clericalistas,

De pífias imagens integristas.

 

Movidos na conduta agressiva,

A conquista bem intempestiva,

Apontava ascensão de carreira,

Sob intelectualização guerreira.

 

Mais que equilíbrio emocional,

Pesava a conquista intelectual,

E a imagem do bom celibatário,

Num límpido e ilibado itinerário.

 

O escancaramento dos abusos,

Revelou ocultamentos escusos,

Duma figura e imagem intocável,

Para a fraqueza nada confiável.

 

O “Alter Christus” da erudição,

Totalmente aquém da condição,

Revela-se um ser contraditório,

De esmilingüido nível meritório.

 

Refratário da condição comum,

A sua peculiaridade incomum,

Associa-se à queda do andaime,

Com rosto escondido no açaime.

 

Sem o poder da pregação moral,

Sua vulnerabilidade tão normal,

Requer outro perfil de proteção,

Para parar com a estranha ação.

 

Abusos sob batina de aparência,

Não podem ocultar a indecência,

Da doentia patologia clericalista,

Com o simulacro sensacionalista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.6 - VAIDOSO EGOLATRA

 

Pautado pela teologia do pano,

Vive metido a viciado chapano,

Que adora sua própria imagem,

E vive desta delirante miragem.

 

Impecável com os paramentos,

Dos tresloucados ornamentos,

Ostenta-se o delirante e airoso,

Para enaltecer seu ar garboso.

 

Na sua requintada eloquência,

Dilatada na soberba eminência,

Desmancha-se nas afirmações,

Para as categóricas insinuações.

 

A vaidade sobressai evidente,

Em todo e distinto ambiente,

E sempre se coloca no centro,

Para aparecer como epicentro.

 

Com um sorriso escancarado,

Remete olhar para todo lado,

Almejando granjear simpatia,

E aparentar refinada empatia.

 

Muito rubricista e minucioso,

Exibe-se perfeccionista cioso;

Vive cobrando falhas alheias,

Como se as visse de açoteias.

 

Reclama das pequenas gafes,

Que atrapalham seus estafes,

E diminuem a sua imagética,

Da rara grandeza hipotética.

 

Carece, todavia, de humildade,

E da noção de sua faculdade,

Para ser um discípulo servidor,

E não um egolatra inquisidor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.7- BOTÕEZINHOS VERMELHOS

 

Abaixo das vistosas mitras,

Similares a famintas clitras,

Seguem botões vermelhos,

Feitos movediços artelhos.

 

Identificam a precedência,

De elevada benemerência,

Da airosidade e admiração,

Decorrente da sua função.

 

O ornamento do seu visual,

De um vetusto referencial,

Parece insinuar a novidade,

De inusitada religiosidade.

 

Como os figurinos teatrais,

Dos multicoloridos visuais,

Sob seu aparato religioso,

Supõem ser dom dadivoso.

 

A lídima hipocrisia funcional,

Simula um clima exponencial,

Do ornamento dos adereços,

Para os aguardados apreços.

 

Almejam notícia e comentário,

Como aparência de signatário,

E num fashion na moda brega,

Para a sua suposta palabrega.

 

Sob os paramentos litúrgicos,

Revestidos de ares telúrgicos,

E nos vistosos panos e fumaça,

Enaltecem sua própria chalaça.

 

Presumidos exemplares em tudo,

Oferecem o bom alento topetudo,

Ao repetir nas velhas orientações,

Como preciosidades a borbotões.

 

Na volta aos botões vermelhos,

Falam mais que bons conselhos,

A obstinados jovens carreiristas,

Já fixos nas insígnias integristas.

 

Sob a fixidez na colorida roupa,

Enrijecem a aguerrida choupa,

Deste clericalismo decadente,

Que se move pelo precedente.

 

Numa falsa moral de obrigações,

Denigrem as suas reais funções,

E na pompa da veste glamorosa,

Ostentam uma vida melindrosa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.8 – NO FERVOR EXCESSIVO

 

Quando rumores assustam,

Os paladinos que degustam,

Seus únicos meneios éticos,

Emergem efeitos patéticos.

 

No trato zeloso e veemente,

O autoritarismo prevalente,

Exalta extremismo acrítico,

Sem assimilar ponto crítico.

 

Nas verdades de um grupo,

O resto não recebe apupo,

Porque ignora sua verdade,

De presumida superioridade.

 

Na fé do fim justificar meios,

Fitam presumidos permeios,

Para perseguição de inimigos,

Sem tréguas e nem chamigos.

 

Sem lugar para o bom humor,

Vivem o constante pundonor,

De assegurar a plena verdade,

E aplica-la na frágil sociedade.

 

A doutrina da sua concepção,

Sequer tolera a contraposição,

Porque se pensa salvacionista,

Para a redenção universalista.

 

Encanto pela ambição e poder,

Apenas admite apoio e aceder,

A largo crescimento fanatizado,

Como único rumo ao acoimado.

 

Onde cura ao fervor exagerado,

Poderia levar a jeito moderado,

Para reduzir fortes opositores,

E recuperar os seus pendores?

 

Conhecer o lado do adversário,

Não apenas pelo rol temerário,

Oportunizaria menos exaltação,

E maior potencial de boa ação.

 

 

 

 

 

 

3.9 – NA PAJELANÇA MONÁRQUICA

 

 

A ideologia do seu saber,

Requer governar e afazer,

Para propugnar um reino,

A depender do seu treino.

 

Colocado acima das culpas,

Efetua no clero as escalpas,

Para que assimile o projeto,

Do seu parâmetro predileto.

 

Sem a dimensão de parceiro,

Governa com ar de pioneiro,

Na apologia da sua plenitude,

Sempre ativado na solicitude.

 

Na sua majestade discursiva,

Com argumentação incisiva,

Afirma-se como um general,

Laureado pelo saber genial.

 

Enfatiza as alegrias da vida,

E está onipresente na lida,

Sem ver e ouvir os calados,

Pelos sentimentos arfados.

 

Mostra o esmerado serviço,

Para resolver todo enguiço,

Com a exuberante maestria,

Similar a amorosa sinastria.

 

Na ostentação principesca,

Duma iminência pitoresca,

Reluz no afã pela carreira,

Elevar sua função cabreira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.10 - DIGNIDADE DE CARGOS

 

Vasta adoração dos cargos,

E reverência sem embargos,

A mandatários feitos chefes,

Os eleva com honra e blefes.

 

Peculiaridade na esfera social,

Sobretudo na política-cultural,

Atinge área da Igreja católica,

Numa injunção nada bucólica.

 

Se o batismo equipara a todos,

E deveria leva-los aos sínodos,

Vê-se a delimitação da função,

Para uns regerem a obrigação.

 

Mais que dignidade da pessoa,

Importa autoridade que ressoa,

Vinda de cargos estabelecidos,

E com seus poderes auferidos.

 

No preconceito do mais digno,

Muito ser é visto como indigno,

Porque não desfruta da realeza,

Dignificada por ampla grandeza.

 

Aceitas e reverenciadas no cargo,

Autoridades prescrevem embargo,

A respeito dos que podem atuar,

Em alguma tarefa para executar.

 

A colegialidade fica restringida,

A poucos encarregados da lida,

Que movem a missionariedade,

Sob gosto da sua arbitrariedade.

 

Se a roupa cheirosa de incenso,

Simboliza o poder do consenso,

A dignidade dos outros fenece,

E a missionariedade entorpece.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.11- SOB EVANGELIZAÇÃO DO APLAUSO

 

Seguindo programas midiáticos,

Para recurso de atos didáticos,

Evangelizadores relegam atos,

Para propugnar atrativos fatos.

 

Não importam atos edificantes,

Mas os prestigiados rompantes,

Que despertem surto de euforia,

E o entusiasmo de larga disforia.

 

Prestígio daqueles já afamados,

Requer belos auditórios lotados,

Para conferir o status a oradores,

Envaidecidos com seus pendores.

 

Sem ênfase no elã do evangelho,

Fazem um papel de escaravelho,

Removendo honra do seu legado,

Como exemplo de modelo ilibado.

 

Numa argumentação moralizante,

Ditam normas de apelo constante,

Para serem seguidos nos detalhes,

E para não incidir em achincalhes.

 

Como gurus, querem seguidores,

Que enalteçam os seus pendores,

Com a religião de efusiva alegria,

Esvaziada duma lídima sabedoria.

 

Importam as emoções vibrantes,

Que desviem tensões frustrantes,

E aquilatem objetivas pretensões,

No rol de fantasiosas dimensões.

 

Dominação sobre as consciências,

Corrompe as legítimas sapiências,

Para o consumo de informações,

Sem subverter perversas decisões.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.12 – COM O EGO INFLADO

 

 

Cada dia mais evidentes,

Sob os atritos estridentes,

Ascendem egos movidos,

Por interesses aturdidos.

 

Querem a superioridade,

Para estufar notoriedade,

Para um Eu reconhecido,

E largamente obedecido.

 

Caminho que mais infla,

E o que melhor arrufla,

É o de esnobar o poder,

Para as massas intender.

 

Importa título e imagem,

E aparência de coragem,

No mecanismo de medo,

Sob o submisso remedo.

 

Arma do poder centraliza,

Grande EU que se diviniza,

Em torno da superioridade,

Ainda que sem autoridade.

 

Autoridade desloca o foco,

E faz do outro um “in loco”,

Para manifestar reputação,

E apreço sem a ostentação.

 

Poder defende regra caduca,

E justifica a ambição maluca,

Para a acumulação própria,

Com a dominação imprópria.

 

Corrói os relacionamentos,

Disfarça com bons intentos,

Sem produzir cordialidade,

Com o respeito à alteridade.

 

 

 

 

 

 

 

 

EPÍLOGO

 

 

 

 

A - SIMPLESMENTE HUMANO

 

Ante a gana de anseios infinitos,

Por vitórias e domínios benditos,

Para acumular bens aos montes,

Somem os humanos horizontes.

 

Colocar-se a serviço é desumano,

Pois significa viver um desengano,

Que não mergulha na ostentação,

Do ideal duma larga capitalização.

 

Aparente fracasso da compaixão,

E sua desconsiderada aceitação,

Eleva o ar que odeia clemência,

E despreza básica complacência.

 

O humilhar-se para poder servir,

Ultrapassaria o desvio do porvir,

Porque abriria um rumo possível,

Para condição humana indizível.

 

Quando tanta trela enganadora,

Desvia a providência redentora,

Ainda resta nesga esperançosa,

De dedicação mais prestimosa.

 

À vereda do Estado endeusado,

Cabe a ocasião de novo legado,

De confirmar-se como serviço,

E de redimir-se do seu enguiço.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

B – EXEMPLARIDADE ÉTICA E PODER

 

Muitas figuras destacadas,

Despertam paixões iradas,

Ou envolvimentos radicais,

Com motivações especiais.

 

Uns manipulam pelo poder,

Para ampliar seu preceder,

Como digníssimos senhores,

Comandantes de penhores.

 

Outros, pela exemplaridade,

Reverenciados na sociedade,

Dispensam solene honraria,

E protocolos para confraria.

 

Despertam grande entusiasmo,

Sem polemizar com marasmo,

Perante repúdio à sua posição,

Pois admitem a contraposição.

 

Sensíveis às vítimas espoliadas,

Bem atenciosos às maltratadas,

Revelam a coerência com Jesus,

Nas ações que o levaram à cruz.

 

Seus gestos e frutos solidários,

Acima dos ataques temerários,

Constituem boa exemplaridade,

Ante um poder sem autoridade.

 

Seus atos ensejam um desejo,

Dum inusitado e bom lampejo,

De vida sensível e democrática,

Sem a aspereza psicossomática.

 

Baixa credibilidade do acusador,

Todo metido a tirano imperador,

Não intimida com sua detração,

A quem gesta profética correção.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

C - RENÚNCIA AO EGO PRETENSIOSO

 

Cultivo do espírito guerreiro,

E luta pelo poder derradeiro,

Absorvem as energias vitais,

E produzem inimizades rivais.

 

O alto cultivo de pretensões,

Alarga espaço de presunções,

Para uma imagem irreal de si,

Com agressiva postura frenesi.

 

Se o ego tomar o lugar do eu,

Na dupla conduta de fariseu,

Deixa de produzir comunhão,

E afasta com ares de canhão.

 

Leva ao controle das pessoas,

E as falsas elucubrações boas,

Apenas dominam e expoliam,

E o pior de tudo: discriminam.

 

Suas maquinações escondem,

E as suas ações desprendem,

Os laços afetivos de pertença,

Para alargar muita desavença.

 

Neste ego livre e desandado,

Sem o lugar para discipulado,

Sobram apenas as ambições,

E disparatadas contradições.

 

Assim carregar a cruz da vida,

Significa compromisso e lida,

Para mobilização humanitária,

E uma preocupação solidária.

 

Desfazer o ego pretensioso,

Constitui um projeto valioso,

Para uma disposição interior,

Que irradia apreciado fervor.

 

 

 

 

<center>JUNTO AOS DISCÍPULOS DO SENHOR</center>

  Se padre é formado para gostar mais da chave do cofre do que a do sacrário; e, mais dos meios de administração do que do cultivo da fé e...