terça-feira, 24 de março de 2026

DESFORMATAÇÃO DE CÉREBROS

 


Violados pelo pensamento único,

Visto como o salvador mediúnico,

Da cultura de conquista e domínio,

Sobrou um processo de extermínio.

 

A cultura moderna exauriu subsolo,

E se tornou voz de poderoso Apolo,

A enriqueceu o mito da dominação,

Para conquistas em nossa condição.

 

Introjetou-se no psiquismo juvenil,

Que todo indivíduo audaz e varonil,

Conquista a segurança e felicidade,

Sem carecer de biológica lealdade.

 

No falso antropocentrismo egoísta,

Dispensou-se ajuda boa e altruísta,

E colonizou-se tudo para a posse,

E submissão para um êxito atroce.

 

Resultaram catástrofes e ecocídios,

Com estúpidas guerras e genocídios,

Por razão dum epistemicídio vulgar,

Decorrente da visão de ótica linear.

  

Romper a cerca mental cerceadora,

E captar a razão cultural inovadora,

Requer visão altruísta de colaborar,

No lugar de egoístas fortes a reinar.

 

Filho da riqueza rendosa do subsolo,

Vive a falsa independência de tolo,

Que esqueceu a simbiose bacteriana,

Imprescindível para uma mente sana.

 

Ao se pensar acima dos holobiontes,

E cego em seus fechados horizontes,

Não acha a chave da sobrevivência,

Sem uma simbiose na sua existência.

 

Ainda não intuiu o imenso desleixo,

Do investimento do quebra-queixo,

De pensar só o humano dominador,

Distante de cultura do colaborador.

 

Fortuna astronômica para dominar,

Poderia render e a vida a melhorar,

Sem a tolice de ampliar os controles,

Para tantos planetários descontroles.

segunda-feira, 23 de março de 2026

MOROSIDADE

 


Envolvidos pela rapidez digital,

Tudo é informado pelo virtual,

E intelecção de muitas coisas,

Não ilumina subjetivas loisas.

 

Demora-se muito para reagir,

Ante o clamor para interagir,

E ativar ínfimo gesto cordial,

Para uma manifestação leal.

 

Custa chegar o auto-controle,

Diante da determinação mole,

Para uma auto-transcendência,

Tão necessária à boa sapiência.

 

Aprende-se a fixar informação,

Sem vínculo à cultural boa ação,

E com isso, passado sem legado,

Só produz efeito mal-humorado.

 

O tédio diante do novo possível,

Produz na acomodação sofrível,

Indisposição ao que requer ação,

E acomodação à estática posição.

 

O sofá e celular formam novo lar,

Sem a responsabilidade de amar,

Mas de alta exigência dos direitos,

Sem deveres nos familiares jeitos.

 

Ninfomania de ficar dependente,

Já distante da vontade resiliente,

Produz o prolongamento juvenil,

Dependente, sem energia varonil.

 

O moroso caminho de agir adulto,

Faz perecer num processo estulto,

A obsessão voraz para o consumo,

Sem discernir na vida outro aprumo.

 

Mais que o rol de muitas gestações,

Não entusiasma deitados corações,

Obcecados em visualizar ação rápida,

Na telinha colorida de ação insápida.

 

Surpreendente demora para colaborar,

Já decorre das acomodações ao celular,

Que produz muita inteligência abstrata,

Mas, capacidade de colaborar insensata.

domingo, 22 de março de 2026

O PERDIGÃO SOLITÁRIO

 

 

Seu canto melancólico por encontro,

Coloca-o no alvo para o desencontro,

Pois, no ermo das moitas e macegas,

É alvejado para as violentas refregas.

 

Seu canto lembra sua carne saborosa,

E por isso, cai na vista sem polvorosa,

Para ser espantado pelos cachorros,

E abatido pelos indivíduos mazorros.

 

Discreto, inofensivo e nada predador,

Vive bem escondido e cheio de pavor,

Mas, traído pelo seu canto interativo,

Morre sem socialização dum lenitivo.

 

Viveu solitário e morreu por um gosto,

De fruição vistosa do seu corpo exposto;

Alguém pergunta pela liberdade tolhida,

Que ceifou a sua discreta e ilibada vida?

 

O olho ambicioso do sistema utilitarista,

Cuida gato e cachorro de modo ufanista,

Mas mata com o requinte de crueldade,

O que deseja para sua exótica saciedade.

 

Teria o perdigão anelado por felicidade,

Assim como os humanos por saciedade?

Paradoxais humanos sugam e exaurem,

Insensíveis a que animais se assegurem.

 

Na mesma lida possessiva e espoliadora,

Humanos, cachorros de caça predadora,

Armados até os dentes perseguem pistas,

Para matar similares em suas conquistas.

 

Perversa e anacrônica educação guerreira,

Para muitos e letais cartuchos na algibeira,

Esvazia a mente do jovem de valor da vida,

Para ser herói no altar da pátria denegrida.

 

Recebe honra póstuma de triste memória,

E sua idealizada grandeza de muita glória,

Subsome no humus da terra engolidora,

Sem somar qualidade à vida renovadora.

 

A domesticação entrópica para a morte,

Leva incontáveis seres humanos à sorte,

De vida estúpida com morte sem sentido,

Sem transcendência no humano decaído.

sábado, 21 de março de 2026

RESSURREIÇÃO E REAVIVAMENTO

 


Com tanta dor diante das mortes,

Causadas por perversos suportes,

O valor sagrado da vida humana,

Vira mera falácia da ação profana.

 

Ação mortal a atentar contra vida,

De estúpido armamentismo na lida,

Desacredita a humana ressurreição,

E foca como essencial a destruição.

 

O sonho de eternização da finitude,

Para aumentar posses na amplitude,

Enseja que desumanos envelheçam,

E sofridos seres inocentes pereçam.

 

O duro itinerário fadado à desgraça,

Da vida roubada em violenta pirraça,

Move agressividade da auto-defesa,

E sobrevivência perde sua grandeza.

 

Agressores querem o reavivamento,

Para locupletar o possessivo alento,

Mas, representam a morte indireta,

No fogo das armas de certeira seta.

 

As mortes precoces e prematuras,

Clamam aos altos céus das agruras,

Contra falta de juízo de mandantes,

Que se fazem poderosos arrogantes.

 

Reavivar vida tão desumana e cruel,

Não representa esperança para fiel,

Que visa o ressurgir antes da morte,

E que não abrevia sua genuína sorte.

 

Mais que metamorfose para retorno,

Ao cruel vitimalismo de transtorno,

Deseja-se ressurreição de paranoicos,

Que mandam matar por fitos egóicos.

 

O mundo do ódio cultivado a deglutir,

Molda mentes humanas para destruir,

Tudo que foge do domínio e controle,

Porque ameaça psíquico descontrole.

 

Crescer no juízo e elementar bondade,

É ressurreição para a perfectibilidade,

A culminar na obra do amor de Deus,

Contra o diabólico inferno dos “Eus”.

 

Se Cristo assegurou seu modo de ser,

A experiência humana de enternecer,

Produz ressurreição e abundante vida,

Distante da hedionda guerra fratricida.

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 19 de março de 2026

O PODER DE INFORMAR

 


Passado o status da sabedoria,

Eis outra novidade de euforia:

Poder de quem pode mandar,

E dar ordens para subordinar.

 

Poder de mandar fez aliança,

Por meio de devotada fiança:

Pacto com mídia veiculadora,

Para informar a ação redentora.

 

Informação mobiliza as mentes,

Até para as opiniões dementes,

De seguir mandante paranoico,

E vê-lo como salvador heroico.

 

Assimila-se o mais informado,

Pelo agente bem dissimulado,

Num tom seguro e categórico,

Como lídimo anúncio retórico.

 

Mentira repetida fica verdade,

Ante suposta ação de maldade,

Leva a tolerar o ato mandante,

E aceita sua razão demandante.

 

A guerra escancara a mentira,

Que justifica os motivos de ira,

Esconde toda a ação hedionda,

Fanatiza para manipulada onda.

 

Néscios desinformados engolem,

E fazem que os ouvintes rebolem,

Com o veiculado com interesses,

Para locupletar as suas benesses.

 

Manchete burilada e manipulada,

Produz passiva inércia acomodada,

De aceitar sem capacidade crítica,

Toda a ideologia ocultada na tática.

 

Na tática de produzir larga adesão,

Pesa toda maldade da malversação,

Que insinua como real e verdadeiro,

Para alcançar outro fim interesseiro.

 

Falso misticismo estimula a paixão,

E desperta emotivismo na exaustão,

Para eliminar todo suposto inimigo,

Acusado por representar um perigo.

 

Na involução da sabedoria humana,

Manifesta-se a perfídia toda insana,

De quem se coloca no lugar errado,

E se pensa um psicótico abençoado.

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 16 de março de 2026

ENTRE NOSTÁLGICO PASSADO E FUTURO ESPERANÇOSO

 

 

A guerra instalada ali no meio,

Revela seu deplorável meneio,

Para anular tanto um e outro,

E deixar o planeta com doutro.

 

A grave doença não controlada,

Da rápida ação mercantilizada,

Vende tudo como mercadoria,

Sob uma destrutiva economia.

 

A doentia ambição pela posse,

Espalha uma desordem atroce,

Em todo o sistema do planeta,

E o destrói mamando sua teta.

 

Quando ambição por controle,

No discurso de conversa-mole,

Centraliza poder de arma letal,

Não vive passado e futuro vital.

 

A ação atrópica da doida guerra,

Indica o fim trágico para a Terra,

Pois, mando de chefe paranoico,

Apenas satisfaz interesse egóico.

 

Já um quarto da massa terrestre,

Lesada sem sabedoria de mestre,

Não acorda o largo sono alienado,

Produzido no arsenal militarizado.

 

Enquanto que produzir arma mortal,

Constitui renda e lucro sensacional,

A demência humana fica poderosa,

E anelada segurança menos radiosa.

 

Nostálgico mundo de poder diluído,

Espalha a morte com muito prurido,

Mediado pelas hediondas guerras,

Que desequilibram com as armas.

 

A vastidão da inteligência aplicada,

Poderia produzir bem outra alçada,

Para um convívio humano cordial,

Sem os exércitos e sem arma letal.

 

 

domingo, 15 de março de 2026

ENTRE EVA E PANDORA

 


Herdou-se da cultura helênica,

A estranha noção patogênica,

De Eva primeira mulher frágil,

A cair na astúcia da cobra ágil.

 

Pandora, primeira mãe grega,

Recebeu uma bela caixa brega,

Como presente de casamento,

Sem poder ver o seu portento.

 

Curiosa abriu a caixa; dela saiu,

A imensa maldade que existiu:

Ganâncias, doenças e discórdias,

A estragar humanas concórdias.

 

Fechou imediatamente a caixa,

Só ficou a esperança cabisbaixa,

Para o consolo frente à maldade,

Que denigre toda a humanidade.

 

Na fragilidade atribuída às mães,

Eva, Pandora e demais mamães,

A noção indo-européia machista,

Espalha elã do ódio monopolista.

 

A pior promiscuidade masculina,

Atenta com perversa ação felina,

Pela destruição da vida na Terra,

Ao centralizar o poder da guerra.

 

Nasce duma promiscuidade suja,

Cresce nas mentiras de garatuja,

Desagrega, destrói, na demência,

Para alargar suposta onipotência.

 

Alimenta esperança de muita paz,

Com a guerra feroz que lhe apraz,

E estabelece a ordem do ódio pífio,

Sem sinal de amor no falso colífio.

 

As maldades evaporadas da mente,

Do lastro hominídeo improcedente,

Que coloca a guerra no auge da fé,

Move âmago de religiões na má-fé.

 

Altamente intolerantes e dementes,

Priorizam ações armadas indecentes,

Na lógica de paz silenciada por medo,

Diante de alguém poderoso e temido.

 

Além da ineficácia como desarmante,

Ante a guerra pelo poder mandante,

Na lida religiosa, desviada a mansidão,

Centraliza-se mais o ódio que correção.

 

Ódio carcome a esperança encaixada,

Na mente guerreira, tão mal ajustada,

Que predomina sobre amor e paz,

E deixa sair a maldade que desfaz.

 

Árvore do bem e do mal no paraíso,

Dos atuais dias de tão pouco juízo,

Apelo à não pretensão de ser dono,

Mas fruição do paraíso de bom tono.

 

<center>DESFORMATAÇÃO DE CÉREBROS</center>

  Violados pelo pensamento único, Visto como o salvador mediúnico, Da cultura de conquista e domínio, Sobrou um processo de extermín...