Sob limite territorial da asma,
Tive que lidar com o fantasma,
De falar pouco para contornar,
Incômodo sufoco da falta de ar.
Alguém me engendrou o sítio,
Para treinar-me em novo átrio,
Do redigir para nova interação,
No vai-e-vem de boa emoção.
Postagens de textos acadêmicos,
Produziram resultados anêmicos,
De pouquíssimos e pífios acessos,
O que levou à tentativa dos versos.
Sem nunca ter lido livro de poesia,
O caminho da pouca logomaquia,
Talvez seria o possível mediador,
Para algo informar a algum leitor.
Ocorreu dali o incauto percurso,
De escrever com pouco recurso,
Mantendo ativo o ar que respiro,
E redigindo assunto que admiro.
Nas duas sensações contrárias,
Das minhas ousadias literárias,
Estão a minha frágil condição,
De quem escreve por intuição:
Nasci cedo, ou tarde demais,
Pois, a interação em seus ais,
Pouco valoriza palavra escrita,
Que sutilmente fica proscrita.
Diante da fala, com a imagem,
Como nova fonte de miragem,
Meu modo de escrita racional,
É do saudoso tempo não atual.
Nele, modo de pensar depende,
Da mão que a raciocínio atende,
E explicitar em palavras escritas,
Aproximação das falas adstritos.
Encanto do colorido da imagem,
Em sinóptica e curta mensagem,
Alcança bem mais interlocutores,
Do que textos dos escrevedores.
Ultrapassado pela tática escrita,
Incauto na interação imagética,
Sobrevivo sem clara identidade,
Vinculado ao tempo de saudade.
Se poucos leem textos extensos,
Oferecer meio de velhos sensos,
Ainda chega aos parcos leitores,
E aos eventuais novos captores.
Razão da fidelidade a acessos,
A estes textos, quase versos,
Mesmo deturpados da poesia,
Ativam minha suposta fantasia:
Não conheço nenhum clicador,
Nem perfil de agrado do leitor,
Mas, ante os temas acessados,
Sigo a redigir para conectados.
Assim, chego a este 1.500º texto,
E ainda tateio por algum pretexto,
De teimar na velha forma escrita,
Mesmo com interação mui restrita.