Tantos discursos insinuantes,
Para as multidões anelantes,
Com gestos bem autoritários,
Emitem os juízos temerários.
Como na velha sofística grega,
Intenção de domínio escorrega,
Rumo à passividade dependente,
Que facilita comando arrogante.
Os gritos e palavras de ordem,
Supõem eliminar a desordem,
Para deixar todos muito felizes,
Sob seus governos e diretrizes.
Por isso apraz lembrar discurso,
De Jesus Cristo em seu percurso,
Que recorria a lídimas parábolas,
E, às enriquecedoras metáforas.
Diante de multidão empobrecida,
Já refém da espoliação aguerrida,
Jesus, sem a ofender, nem lograr,
Incitava a novo rumo programar:
Sair da passividade dependente,
Acomodada sem novo horizonte,
E dinamizar sua vida manipulada,
Para uma solidariedade dilatada.
Falou de um estranho semeador,
Que jogou semente no seu redor,
Sobre os espaços ermos e áridos,
Os fecundos, pedregosos e cálidos.
Alguém semearia desta maneira,
Desperdiçando semente fagueira,
Para colher os abundantes frutos,
Com a precária chance de lucros?
Dava a entender que o semeador,
Era Deus, no seu profundo amor,
Que apostava semente preciosa,
Em toda a interioridade raivosa.
Se alguns corações de espinhos,
Sufocam de modos mesquinhos,
Ante as boas palavras semeadas,
Outros frutificam em disparadas.
Terra pisada dos corações duros,
Criam fortes couraças e escudos,
Que não deixam Palavra de Deus,
Produzir efeitos nos seus “eus”.
Os muitos corações inconstantes,
Aceitam e esquecem em instantes,
Para retornarem à sua velha rotina,
Conformando-se na habituada sina.
Há corações inquietos e agitados,
Para bons êxitos e lucros dilatados,
Mas são espinheiras que sufocam,
Os bons sentimentos que os tocam.
Entretanto, alguns corações bons,
Como terra boa de múltiplos dons,
Produzem gestos de humanidade,
A render interação com bondade.
Os diferentes estados de coração,
Como os momentos de disposição,
Se alternam no cotidiano comum,
Do agir que não leva a lugar algum.
Se existem terrenos improdutivos,
Em momentos áridos e agressivos,
Outros se disponibilizam fecundos,
E desmobilizam modos iracundos.
Outra acepção da parábola de Cristo,
No testemunho dum jeito benquisto,
Encontra secura, espinho e a aridez,
Mas, poucos abrem brecha na avidez.
Na síntese das resistências efetivas,
Intuem-se boas e novas alternativas,
Para, como Jesus, que muito semeia,
Colher poucos resultados na plateia.