Esperta proposta de campanha,
Com uma sutil ação de patranha,
Aponta a desordem implantada,
E propõe nova ordem inusitada.
Apresentar ordem como a saída,
É um atraente ponto de partida:
Cai no agrado do valioso eleitor,
Para votar num eficiente gestor.
No entanto, proposta de ordem,
Não se exime de nova desordem,
Perante a condição estabelecida,
E produz conflitividade renhida.
Como na vetusta contraposição,
De caos-cosmos na organização,
Almeja-se um cosmos de ordem,
Que gere a inovada contraordem.
Quando se supõe que o mundo,
Iniciado pelo equilíbrio fecundo,
Da idônea ordem com harmonia,
Então somos frutos duma ironia:
A queda irrecuperável do paraíso,
Nos relega neste diabólico guizo,
De sempre produzir a desordem,
Ante os bons fautores da ordem.
Pressupõe-se a ordem absoluta,
Recuperável na forma impoluta,
Na separação do que degenera,
Sob oposição, feita a quimera.
Como a finitude é inescapável,
Toda a ordem radical é inviável,
Porque é inerente à desordem,
E a ordem cai na contraordem.
Presunção totalitária de ordem,
Que quer que todos concordem,
É crassa ambição pelo domínio,
Para estabelecer o predomínio.
É imaginário poder de controlar,
Todo mal a agir de modo vulgar,
E unificar o ambiente desunido,
Para erradicar mal estabelecido.
Esquece-se a fronteira dialética,
Que não separa desejada ética,
Na busca implacável de política,
Sem uma necessária auto-crítica.
Ordem e desordem se mesclam,
E em todo indivíduo se afalcoam,
Porque a ordem agrega desordem,
E desordem também é uma ordem.