Espetáculo é bom e faz bem à vida;
Pastoral age contra vida combalida:
Cada dimensão, com seu histórico,
Apresenta um rico campo retórico.
Quando a pastoral vira espetáculo,
Ela se move por atraente tentáculo,
Que desloca o serviço humanitário,
Para veicular um estranho cenário.
A ênfase em testemunhar o Reino,
Cede lugar à exibição de sub-reino,
Não mais o do serviço humanitário,
Mas, do estrelismo extraordinário.
Importa ser protagonista afamado,
E a mensagem do religioso legado,
Desaparece na imagem simpática,
Da egolatria narcisista e dramática.
Diuturnas vinculações de imagem,
Na lógica chamativa de roupagem,
Amenizam propostas evangélicas,
E fitam coisas vulgares e babélicas.
A dimensão simbólica do sagrado,
Fica de lado com o seu rico legado,
E depende só do parâmetro digital,
Para o deleite sob a imagem banal.
O pastoreio sem cheiro de ovelhas,
Cede para veicular imagens acelhas,
Do manejador de filtros imagéticos,
Para ser reverenciado por ecléticos.
Nenhuma simpatia por ser discreto,
Ou, por uma postura de perfil reto,
Pois, conta auto-promoção vistosa,
Sob a espetacularização estrondosa.
Com o conteúdo fútil e irrelevante,
Como mostrar o seu gato diletante,
Arrebanha muito mais visualizações,
Que mensagens bíblicas para ações.
As fotos com amigos e autoridades,
As viagens turísticas das
facilidades,
E refeições abundantes e saborosas,
Espetacularizam devoções piedosas.
Para correspondência às redes
sociais,
Necessitam todo dia razões especiais,
Para publicar banalidades de
cenários,
Em que encenam ser heróis
visionários.