Tempos tão difíceis e conturbados,
Gestam incontáveis desanimados,
E tantos relegados e perseguidos,
A povoar submundos denegridos.
Clássico e visível poder dominante,
Para manter-se vistoso e elegante,
Promove a egolatria dos seus atos,
Distante dos reais e objetivos fatos.
Falácia do agir em favor dos
sofridos,
Vinda dos raciocínios empedernidos,
Centraliza sob o poder de comandar,
Ações pífias sem aos pobres ajudar.
Seu modo de sentir mundo humano,
Leva-os a focar um poder doidivano,
Para implantar um reino onipotente,
No qual se sinta poderoso e contente.
Sob o antigo símbolo de cruxificação,
Dispõe de armas de rara sofisticação,
Para eliminar os insubmissos e
rivais,
Que ameaçarem os poderes oficiais.
Pedro e colegas que seguiam Jesus,
Não gostaram da referência à cruz,
Quando já sonhavam com o triunfo,
Do poder político, sob novo trunfo.
Jesus, o messias poderia promover,
Virada de mesa no obcecado poder,
E, como o rei Davi, entrar vitorioso,
Para assumir o comando vigoroso.
Um arquétipo de outro messianismo,
A implicar, distante do
charlatanismo,
No serviço difícil ante poder
corrupto,
Causou-lhes um desencanto abrupto.
Ainda mais, porque Jesus intuiu o
fim,
Que teria diante do poder oficial
ruim,
Com risco de ser pregado numa cruz:
Seria um descalabro de estranho truz.
No terrível instrumento da maldade,
Explicitou-se o amor à humanidade,
Que assumiu últimas consequências,
Para uma lógica de outras vivências.
Nos valores por Jesus demonstrados,
A cruz aglutinou estes ricos legados,
Passou a conotar seu modo de vida,
Como a referência para ser seguida.
Assim, sem cega adoração da cruz,
Reporta-se a aquele que nela reluz,
E os milhões de sofridos e excluídos,
Desçam da cruz sem serem relegados.
O sugestivo convite de tomar a cruz,
Não foi para restaurar a sonhada luz,
Desta reinança, hegemônica e forte,
Sem construir relação de outra sorte.
Na imagem do velho servo sofredor,
Abria-se um novo caminho redentor,
Sem guerras, armas ou dominações,
Mas, o de muitos solidários corações.