Pentecostes, mais que Páscoa e Natal,
Virou grande festa de direito
autoral,
Dos enlevados dum dialeto estranho,
Para certo autorreferencial patranho.
Privilégio de falar a língua
inteligível,
Advinda dum fonte pouco acessível,
Do exoterismo carismático afônico,
Gera status no discurso radiofônico.
Sentir que o Espírito diz o que
falar,
Para a própria orientação legitimar,
Vira poder para mapear o cotidiano,
De passivos ouvintes para seu plano:
Conquistar multidão de seguidores,
Airosos pelos mais divinos pendores,
Promove fama no pensamento único,
De afirmar lídimo recurso mediúnico.
Fala do ressuscitado e sua proposta,
Parece irrelevante na firme aposta,
De virar o eco da língua do espírito,
Para o caminho de acesso restrito.
Como esta língua pertence a dono,
E promove seguidores a um trono,
Percebe a ronda de espíritos maus,
Contra suas mui guarnecidas naus.
O sectarismo de instância superior,
Aufere um poder rígido e condutor,
Ao modo de rezar, cantar e louvar,
Para Espírito Santo de Deus captar.
Com tal motivação tão separadora,
Posterga-se a proposta salvadora,
De Jesus Cristo na língua do amor,
Para o humano processo redentor.
Discernir este espírito ante outros,
Requer acuidade de captar noutros,
Mais que falas inspiradas de poder,
E ambição de sobre eles ascender.
Se o Espírito não foi um separador,
Que não seja o meio desagregador,
De quem supõe estar impregnado,
Do seu poder superior propugnado.