Noção comum do senso popular,
Torna todo o conselho impopular,
Pela ineficácia de sua gratuidade,
Inútil de prestar-se para caridade.
Alega-se que, se fosse mui eficaz,
Não seria oferecido tão pertinaz,
Pois seria vendido por alto preço,
Por rivalizado e disputado apreço.
Abundam conselhos bem balofos,
Com traços de indicativos mofos,
Que atrapalham ou nada ajudam,
E nem os problemas desmiudam.
Existem conselheiros dominadores,
Que ditam com os ares superiores,
O que precisa ser feito e efetuado,
Para solução de um efetivo agrado.
Outros visam ser bons conselheiros,
Nada empáticos de ares pregoeiros,
E moralizam com larga ingenuidade,
Ferindo pessoas na sua integridade.
Já insensíveis ao sentimento alheio,
Produzem uma reação de bloqueio,
E não persuadem pelo bom-senso,
Nem clareiam no seu contra-senso.
Ocorrem, todavia, bons conselhos,
Não diretivos e metidos a bedelhos,
Que auscultam anseios partilhados,
E apontam para possíveis resultados.
Salientam eventuais possibilidades,
Ou indicam possíveis virtualidades,
Capazes de mover transcendência,
Como síntese nova na consciência.
Tesouros de bom aconselhamento,
De pessoas idôneas com bom alento,
São fundamentais para um discernir,
Sob lampejos de intuição para o agir.
Sobretudo as pessoas de mais idade,
Ajudam no despojamento da vaidade,
Sem atrelar à dependência submissa,
Mas para eficaz interatuação remissa.
Ajudam a desbloquear os obstáculos,
E delinear os necessários tentáculos,
Para que a interação seja partilhada,
Razão duma existência mais amada.
Aliviar tantos males que perturbam,
Longe de ordens que tanto chafurdam,
Enseja uma recriação de novo desejo,
Com o animado e confiante busquejo.