terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

CARNAVAL E CORREÇÃO FRATERNA

 

 

Carnaval magnífico das fantasias,

Lembra a expansão das alegrias,

Sob as máscaras e ornamentos,

Para comentar acontecimentos.

 

Exerce função social grandiosa,

De uma crítica social primorosa,

Em que tantas vozes relegadas,

Desvelam as ações postergadas.

 

Crítica objetiva e sutil a erráticos,

A tão honrados retos e fanáticos,

Faz ecoar debaixo das máscaras,

Denúncias do efeito das cáscaras.

 

Muito sujeito arrogante deve ouvir,

Aquilo que disfarça no seu mentir,

E como não se vê culpado de nada,

Precisa engolir sua ação condenada.

 

A consciência sem o erro e pecado,

Permite acobertar o ilícito legado,

E o argumento sempre automático,

Nega todo e qualquer ato errático.

 

Êxito da tática de negar o evidente,

Enseja culpar adversário incoerente,

E dizer que tudo é maldade inimiga,

Alegre com divulgação duma intriga.

 

Sem a consciência de pecado social,

E sem o limite de regra ético-moral,

Sobra apenas a voz bem disfarçada,

Ecoando alto contra traição aplicada.

 

Junto aos outros méritos do carnaval,

O de apontar traços do pecado social,

Mais do que catarse ante mandantes,

Põe o dedo em seus jogos alienantes.

 

Ouvir a acusação pública de pecado,

Constitui o insinuante e bom recado,

Aos aficionados pelo poder público,

Que apenas aguardam o agir abúlico.

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

TERMPO DOS DÉSPOTAS

 


Se 70% da humanidade vive sob déspotas,

As falas democráticas passam por idiotas,

Pois, aprovam-se candidatos autoritários,

Das formas arcaicas e modos totalitários.

 

Velha e simbólica imagem de um bom pai,

Que amplia a identidade como nosso-pai,

Já foi substituída pela imagem agressiva,

Do chefão da horda, altamente ofensiva.

 

Impulso integrista dos tempos de antanho,

Encanta como bela novidade de arreganho,

E permite a ascendência do autoritarismo,

Que se efetiva todo absolutista de cinismo.

 

Os antigos anseios de um pai de segurança,

Cederam aos figurões de rara insegurança,

Que aparecem como fantasmas de hordas,

Escorados por fortes e violentas calhordas.

 

Ao invés de indignação e reação popular,

Recebem o simpático apoio espetacular,

E se configuram no parâmetro da ordem,

Para assegurar combate a toda desordem.

 

Não contam denodadas conquistas sociais,

Mas, uma ampliação das milícias radicais,

Que se interpõem sobre lacunas políticas,

E fortalecem as arenas de brigas acríticas.

 

Ao invés dos projetos públicos e sociais,

Cativam bem mais as arenas sensacionais,

De ataques e verberações aos adversários,

Com deliberações destrutivas de corsários.

 

A ainda propalada e simpática democracia,

Exausta e sem avançar para doce melodia,

Vê seus músculos corroídos pelos tiranos,

Com abundantes cristãos feitos suseranos.

 

Conciliam cruz e espada para luta armada,

Para que a ação adversa seja desbaratada,

E autoritários protejam seu farto acúmulo,

E que qualquer discordante, vá ao túmulo.

 

 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

JUSTIÇA CONDESCENDENTE

 


Imensa tolerância para justificar atos,

Na moralidade religiosa ante os fatos,

Produz uma justiça sempre tolerante,

Para alguém justificar seu ato errante.

 

Apelos como “o pecado é inevitável”,

“A carne é fraca” diante do inegável,

E que Deus não liga para tais coisas,

Veneram uma lei apagável de loisas.

 

Assim, o preceito religioso vira falaz,

Sem abrir caminho ante o que apraz,

E a lei serve apenas para a barganha,

Para justificar a sua própria façanha.

 

A Lei, bom instrumento para dominar,

Mesmo religiosa, e longe de orientar,

Vira legalismo farisaico de aparência,

Como simulacro de íntegra decência.

 

Assim tem gente que não é assassina,

Mas mata de forma perversa e sovina,

Com sufocamento psíquico e agressivo,

E boicota, aos outros, qualquer lenitivo.

 

Outros caçam novos amantes afetivos,

E justificam repúdios a amores antigos,

Para denegrir a sua objetiva identidade,

E fazem juramentos falsos à saciedade.

 

Na casuística de leis, cria-se a couraça,

De uma auto-defesa que tudo rechaça,

E afirmar que nada acusa a consciência,

Evita a necessidade dum amor radical.

 

Bifurcação abre dois caminhos na vida:

O do legalismo, sem ação compadecida,

E o de apontar escolhas para novo agir,

A fim de reconciliar-se para se redimir.

 

Ante as muitas leis, é tão fácil mentir,

E julgar outros, para se auto-imiscuir,

Sob juramentos duma idônea retidão,

Enquanto a maldade age no coração.

 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O OSSO DO PITOCO

 


Síntese de longa ancestralidade,

Da raça nórdica com indianidade,

Este viralata europeu catou osso,

E elevou-se no poder sobreosso.

 

Argumentou ser o dono do osso,

Com poder de afirmar o colosso,

De não ter cachorro a ameaça-lo,

Devido ao seu rosnar de gargalo.

 

Metido a estar acima do mundo,

Supôs dominá-lo no jeito imundo,

E apareceu um cachorro Valente,

De raça maior e todo imponente.

 

Valente roubou o osso do Pitoco,

Deixou-o rosnando um ruído oco,

Quis roer sozinho o osso furtado,

Mas, viu outros cães ao seu lado.

 

Apareceram os de outra raça forte,

E lhe tiraram sereno e bom aporte,

De ser o cachorro forte no mundo,

Que ameaçava com olhar iracundo.

 

Mesmo sentindo-se dono do osso,

Não teve paz para um bom almoço,

Pois, entorno de cachorros maiores,

Ameaçam todo dia os seus pendores.

 

Para não perder o osso, Pitoco caduco,

Rosna e corre ao redor, em rol maluco,

Para afugentar grandes cachorros rivais,

E já sabe que não dão mordidas triviais.

 

Juntos são mais poderosos do que ele,

E além do osso podem comer sua pele,

Destroçá-lo a todo e qualquer instante,

E silenciar o seu latido todo causticante.

 

A envergadura do seu suposto poder,

É apenas rosnar de paranoico proceder,

Que já não lhe permite roer o seu osso,

Nem urinar alto para estragar o almoço.

 

Pitoco sapateia e rosna ao lado do osso,

Definhando perante um rosnar grosso,

Dos cachorros mais fortes e mordazes,

Com forças e táticas mais perspicazes.

 

 

 

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

LEGALISMO VAZIO

 


Dez regras do judaísmo primitivo,

Como o código ético-moral ativo,

Fixavam parâmetro na vida social,

Para respeito profundo e crucial:

 

Legisladores ampliaram o leque,

Acrescentaram-lhe salamaleque,

E com 613 regras acrescentadas,

Tornavam as lidas muito pesadas.

 

A falsidade dos inventores de leis,

Aumentava a espoliação das greis,

Caducou essência das dez normas,

E nada melhorou com as reformas.

 

A única utilidade das múltiplas leis,

Foi a de favorecer governos e reis,

Para subjugar povo pobre no rigor,

E dominá-lo com ordem de terror.

 

Nas abluções e ritos estabelecidos,

Os pobres permaneciam esvaídos,

Por não seguir rituais purificadores,

Para as benesses de divinos favores.

 

Quase tudo produziria a impureza,

E uma ausência da exigida limpeza,

Isolava duma participação religiosa,

Quem não praticasse leis impostas,

E as normativas oficiais interpostas.

 

Jesus Cristo alertou seus seguidores,

Contra os contraditórios impostores,

Que em tudo viam capeta e impureza,

Com a vazia e balofa regra de pureza.

 

A impureza estaria no que sai da boca,

Como expressão da interioridade oca,

Mas movida por inveja e maledicência,

Devassidão, insensatez e a arrogância.

 

Os separados da minuciosa purificação,

Só alimentavam a maldade no coração;

Por isso, muito piores do que os sujos,

Colocavam-se como superiores sabujos.

 

As abluções da milenar regra mosaica,

Só favorecia a pequena elite arcaica,

Que, sob o zelo pela rigidez rubricista,

Gestava uma fé falsa e sensacionalista.

 

 

 

 

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

SAL E GOSTO

 

 

Rico símbolo do bom sabor,

Que conota gesto de amor,

Sugere bem-estar pessoal,

Para a boa osmose cordial.

 

Agrega outro valor antigo,

De conservar contra perigo,

Que deteriora os produtos,

E causa mórbidos atributos.

 

Pacto antigo, sem cartórios,

Tinha teores conservatórios,

De quebrar pedrinha de sal,

Como condição de um ritual.

 

Cada lado comia uma parte,

Uma validação sem descarte,

A confirmar uma palavra dita,

Como se fosse aliança escrita.

 

Nascimento de bebê tinha rito:

Enrolado em sal, um requisito,

Para expressar a conservação,

Da vida frágil em preservação.

 

Falava-se em “cabeça de sal”:

A pessoa com humor colossal,

Que irradiava contágio alegre,

Sem a arrogância pinta-alegre.

 

No bom senso com sabedoria,

Com bom humor que contagia,

O sal constituía o rico símbolo,

Da amizade de afável consolo.

 

Jesus apontou aos discípulos,

O sal dos sentidos múltiplos,

Para conservarem os valores,

Do Evangelho de bons alvores.

 

Dele deveria emergir um jeito,

Do sabor como santo preceito,

Da alegre serenidade de vida,

Na sociedade toda denegrida.

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

JEJUM PARA QUÊ?

 


Os escrúpulos em torno do jejuar,

Tendem a prolongar noção vulgar,

De velha e adaptada noção bíblica,

Para uma contrita prática pública.

 

Suposição de que Deus está irado,

Com desencontro humano eivado,

Conclama uma população inteira,

Para jejum de perdão por besteira.

 

Vestes de estopa como sinal coletivo,

Com cinzas na cabeça para o lenitivo,

Desejavam aplacar toda a fúria divina,

Contra a convivência humana sovina.

 

Após o retorno do exílio babilônico,

Sem a paz serena, o oposto irônico,

Ostentava fome, miséria, exploração,

Mortes, brigas sem pública proteção.

 

Os mais espertos exploravam pobres,

Sob omissão das autoridades nobres;

Desconfiava-se da intervenção divina,

Sem ação ante desorganização cretina.

 

Esperava-se, entretanto, complacência,

Da divindade misericordiosa a anuência,

Para diminuir sofrimento e insegurança,

De vida social sem regras na lambança.

 

Foi então que Isaías soltou dura crítica,

Contra o jejum sem mínima autocrítica,

Enfatizou que não era Deus o problema,

Mas, este jejum, sem um justo sistema.

 

Um jejum que Deus poderia valorizar,

Envolveria uma outra forma de jejuar:

Seria este de repartir o pão a famintos,

E acolher pobres dos amargos absintos.

 

Vestir os tantos que careciam de roupa,

Permitiria ao povo recuperar a choupa,

Da imagem de luz a brilhar entre povos,

No código ético-moral de bons corcovos.

 

Os israelitas se pensavam luz do mundo,

Mas a vida real do seu universo iracundo,

Não iluminava nem ambiente doméstico,

E menos ainda seu consciente intrínseco.

 

Tantas calamidades, pestes e doenças,

Interpelam ainda hoje, nossas crenças,

E mais difícil do que não comer carne,

É agir para que a solicitude se encarne.

 

<center>CARNAVAL E CORREÇÃO FRATERNA</center>

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