Nas muralhas de antigas cidades,
Os vigias, longe das ociosidades,
Tinham que alertar a população,
Sobre vinda de inimigo e ladrão.
Displicência ou rotineira distração,
Implicava em primária eliminação,
Se sentinela não alertasse perigo,
Era o primeiro a receber o castigo.
Em nossos dias, guardiões do povo,
Revelam-se acrobáticos no corcovo,
Para esquecer a segurança da nação,
E captar dinheiro ilícito em
profusão.
Mesmo vendo quem vem para roubo,
Tocam trombeta com solene arroubo,
Já não mais para alertar a população,
Mas, para locupletar-se na exaustão.
Sabem que seus atos ilícitos e
ilegais,
Já não implicarão em mortes fulcrais,
E com boas defesas obtém inocência,
Para prosperarem na sua incoerência.
Crer que a contravenção compensa,
Induz a pagar polpuda recompensa,
A quem evita condenação evidente,
E prossegue no vício, todo contente.
As afamadas sentinelas deste aporte,
Encontráveis desde o Sul até o Norte,
Rondam, espertos mais que raposas,
Sobre muros para andar em gaiosas.
Esnobam em cima dos trabalhadores,
Que sonham em não ser gladiadores,
A servir para os interesses
malandros,
Dos elevados “bunkers” de meandros.
Pífia corresponsabilidade pelo
coletivo,
Leva-os ao doce e confortável
lenitivo,
De que sua vigilância é apenas
egóica,
Sem uma dimensão altruísta e heroica.
Todo o silêncio ocultador das
bravatas,
Conivente das velhas falcatruas
piratas,
Legitima roubo livre e ainda
debocham,
Dos que sem avanços se esborracham.
A difícil correção fraterna na
sociedade,
Nada avança sem a
corresponsabilidade,
No rumo básico de dignidade e respeito,
Para coordenar cargo de merecido
preito.