terça-feira, 7 de abril de 2026

DEUS DEMENTE

 


Mistério insondável de um povo,

Que elege um líder sem corcovo,

Para controlar a compulsividade,

Quer ser um dono da sociedade.

 

Visível queda da função mental,

Alucinado com a obsessão letal,

De matar para ser o super-herói,

Reina como se fosse um caubói.

 

Em sinais de irresponsabilidade,

Encontra, escorado por lealdade,

Um séquito de outros dementes,

Satisfeito pelos atos indecentes.

 

O largo suporte das alucinações,

Dá ao mandante as pífias razões,

De vivenciar o delírio e a loucura,

E que afirma sua excelsa diabrura.

 

Seus bajuladores sabem difundir,

E por toda mídia, muito espargir,

Variações obsessivo-compulsivas,

De suas esbravejantes invectivas.

 

Pensa-se num rol sobre-humano,

Em seu delírio mórbido e insano,

Sem respeito e sem sentimentos,

Para alcançar estúpidos intentos.

 

Faz alianças e acordos unilaterais,

Para forçar nas submissões leais,

Raças, povos e culturas originais,

A engolir suas loucuras pessoais.

 

Somente vê o que pode ajuntar,

E domínios que pode deslindar,

Para delirar na obsessão de fruir,

Mania de grandeza por destruir.

 

No pensamento e juízo alterado,

Vomita muito ódio por todo lado,

E, com a demência da sua ordem,

Alarga muito caos e a desordem.

 

Mais que suposto deus demente,

Inquieta o humano contingente,

O largo suporte servil e corsário,

Que o adora como um arbitrário.

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

PASTO PARA OS OLHOS

 

 

O momento religioso pascal,

Revelou saudosismo triunfal,

De muita veste e detalhismo,

Do imagético de romantismo.

 

Retorno do traço triunfalista,

Do ornamento espiritualista,

Com encenação impactante,

Moveu muito olhar diletante.

 

A estética indica novo lugar,

Patamar da escuta, ao olhar,

E sem o memorial da fonte,

Adora-se o outro horizonte:

 

Estetização hipermidiatizada,

A ser visualizada e aquilatada,

Bem consumida na tela digital,

Com performática sensacional.

 

Com pouco apelo comunitário,

Importa um majestoso cenário,

Onde ego ecoa para consumo,

De suposta felicidade no rumo.

 

Rito dá lugar a entretenimento,

E droga química do bom alento,

Dilui memória e ato de síntese,

De comunitária núcleo-síntese.

 

Muito selfie para hiperconsumo,

Banaliza o rito para um resumo,

Sem filtrar uma imagem teatral,

Para decidir ante mundo virtual.

 

A farta manipulação de desejos,

Sem contemplação de lampejos,

Faz do memorial o mero teatro,

E a dimensão da fé fica no atro.

terça-feira, 31 de março de 2026

CADÊ O JUDAS?

 

 

O que trocou Cristo por trocado,

Terminou a sua vida, enforcado;

Os traidores da fidelidade atuais,

Trocam carinho e amizades leais.

 

Por coisas e por desfrutes banais.

Jogam-se fora os cultivados ideais,

E sob a economia da acumulação,

Inúmeros Judas ludibriam a nação.

 

Tanta amizade virada em decepção,

Indica desfrute sem amor e atenção,

A coisificar toda grandeza humana,

Num produto para egolatria insana.

 

Já sem o enforcamento pela traição,

Os protótipos da antiga banalização,

Trocam qualquer coisa pelo poder,

E deixam a fidelidade se escafeder.

 

Como Judas fez Jesus sofrer muito,

Os traidores, no aparente fortuito,

Destroem mais que a bela aliança,

Porque enganam efetiva confiança.

 

Quanto mais intensa a fidelidade,

Tanto mais dói ruptura de lealdade,

E engendra sensação de abandono,

No largo sofrimento de tirar o sono.

 

Traição fere o círculo de amizade,

Bloqueia largamente a afetividade,

A ponto de produzir ódio profundo,

E proporcionar o entorno iracundo.

 

Por pouca coisa, estraga-se mundo,

De longa história de amor fecundo,

Para decepcionar a confiança dada,

E ficar numa falsidade desandada.

 

Auto-engano na hora de persuadir,

Amplia lento processo do denegrir,

Na conquista de afirmação de poder,

Sem abrir caminho para outro porvir.

 

Solução de tudo através do dinheiro,

Leva a perder noção de companheiro,

E peste humana da cultura de morte,

Segue descarte do desumano aporte.

terça-feira, 24 de março de 2026

DESFORMATAÇÃO DE CÉREBROS

 


Violados pelo pensamento único,

Visto como o salvador mediúnico,

Da cultura de conquista e domínio,

Sobrou um processo de extermínio.

 

A cultura moderna exauriu subsolo,

E se tornou voz de poderoso Apolo,

A enriqueceu o mito da dominação,

Para conquistas em nossa condição.

 

Introjetou-se no psiquismo juvenil,

Que todo indivíduo audaz e varonil,

Conquista a segurança e felicidade,

Sem carecer de biológica lealdade.

 

No falso antropocentrismo egoísta,

Dispensou-se ajuda boa e altruísta,

E colonizou-se tudo para a posse,

E submissão para um êxito atroce.

 

Resultaram catástrofes e ecocídios,

Com estúpidas guerras e genocídios,

Por razão dum epistemicídio vulgar,

Decorrente da visão de ótica linear.

  

Romper a cerca mental cerceadora,

E captar a razão cultural inovadora,

Requer visão altruísta de colaborar,

No lugar de egoístas fortes a reinar.

 

Filho da riqueza rendosa do subsolo,

Vive a falsa independência de tolo,

Que esqueceu a simbiose bacteriana,

Imprescindível para uma mente sana.

 

Ao se pensar acima dos holobiontes,

E cego em seus fechados horizontes,

Não acha a chave da sobrevivência,

Sem uma simbiose na sua existência.

 

Ainda não intuiu o imenso desleixo,

Do investimento do quebra-queixo,

De pensar só o humano dominador,

Distante de cultura do colaborador.

 

Fortuna astronômica para dominar,

Poderia render e a vida a melhorar,

Sem a tolice de ampliar os controles,

Para tantos planetários descontroles.

segunda-feira, 23 de março de 2026

MOROSIDADE

 


Envolvidos pela rapidez digital,

Tudo é informado pelo virtual,

E intelecção de muitas coisas,

Não ilumina subjetivas loisas.

 

Demora-se muito para reagir,

Ante o clamor para interagir,

E ativar ínfimo gesto cordial,

Para uma manifestação leal.

 

Custa chegar o auto-controle,

Diante da determinação mole,

Para uma auto-transcendência,

Tão necessária à boa sapiência.

 

Aprende-se a fixar informação,

Sem vínculo à cultural boa ação,

E com isso, passado sem legado,

Só produz efeito mal-humorado.

 

O tédio diante do novo possível,

Produz na acomodação sofrível,

Indisposição ao que requer ação,

E acomodação à estática posição.

 

O sofá e celular formam novo lar,

Sem a responsabilidade de amar,

Mas de alta exigência dos direitos,

Sem deveres nos familiares jeitos.

 

Ninfomania de ficar dependente,

Já distante da vontade resiliente,

Produz o prolongamento juvenil,

Dependente, sem energia varonil.

 

O moroso caminho de agir adulto,

Faz perecer num processo estulto,

A obsessão voraz para o consumo,

Sem discernir na vida outro aprumo.

 

Mais que o rol de muitas gestações,

Não entusiasma deitados corações,

Obcecados em visualizar ação rápida,

Na telinha colorida de ação insápida.

 

Surpreendente demora para colaborar,

Já decorre das acomodações ao celular,

Que produz muita inteligência abstrata,

Mas, capacidade de colaborar insensata.

domingo, 22 de março de 2026

O PERDIGÃO SOLITÁRIO

 

 

Seu canto melancólico por encontro,

Coloca-o no alvo para o desencontro,

Pois, no ermo das moitas e macegas,

É alvejado para as violentas refregas.

 

Seu canto lembra sua carne saborosa,

E por isso, cai na vista sem polvorosa,

Para ser espantado pelos cachorros,

E abatido pelos indivíduos mazorros.

 

Discreto, inofensivo e nada predador,

Vive bem escondido e cheio de pavor,

Mas, traído pelo seu canto interativo,

Morre sem socialização dum lenitivo.

 

Viveu solitário e morreu por um gosto,

De fruição vistosa do seu corpo exposto;

Alguém pergunta pela liberdade tolhida,

Que ceifou a sua discreta e ilibada vida?

 

O olho ambicioso do sistema utilitarista,

Cuida gato e cachorro de modo ufanista,

Mas mata com o requinte de crueldade,

O que deseja para sua exótica saciedade.

 

Teria o perdigão anelado por felicidade,

Assim como os humanos por saciedade?

Paradoxais humanos sugam e exaurem,

Insensíveis a que animais se assegurem.

 

Na mesma lida possessiva e espoliadora,

Humanos, cachorros de caça predadora,

Armados até os dentes perseguem pistas,

Para matar similares em suas conquistas.

 

Perversa e anacrônica educação guerreira,

Para muitos e letais cartuchos na algibeira,

Esvazia a mente do jovem de valor da vida,

Para ser herói no altar da pátria denegrida.

 

Recebe honra póstuma de triste memória,

E sua idealizada grandeza de muita glória,

Subsome no humus da terra engolidora,

Sem somar qualidade à vida renovadora.

 

A domesticação entrópica para a morte,

Leva incontáveis seres humanos à sorte,

De vida estúpida com morte sem sentido,

Sem transcendência no humano decaído.

sábado, 21 de março de 2026

RESSURREIÇÃO E REAVIVAMENTO

 


Com tanta dor diante das mortes,

Causadas por perversos suportes,

O valor sagrado da vida humana,

Vira mera falácia da ação profana.

 

Ação mortal a atentar contra vida,

De estúpido armamentismo na lida,

Desacredita a humana ressurreição,

E foca como essencial a destruição.

 

O sonho de eternização da finitude,

Para aumentar posses na amplitude,

Enseja que desumanos envelheçam,

E sofridos seres inocentes pereçam.

 

O duro itinerário fadado à desgraça,

Da vida roubada em violenta pirraça,

Move agressividade da auto-defesa,

E sobrevivência perde sua grandeza.

 

Agressores querem o reavivamento,

Para locupletar o possessivo alento,

Mas, representam a morte indireta,

No fogo das armas de certeira seta.

 

As mortes precoces e prematuras,

Clamam aos altos céus das agruras,

Contra falta de juízo de mandantes,

Que se fazem poderosos arrogantes.

 

Reavivar vida tão desumana e cruel,

Não representa esperança para fiel,

Que visa o ressurgir antes da morte,

E que não abrevia sua genuína sorte.

 

Mais que metamorfose para retorno,

Ao cruel vitimalismo de transtorno,

Deseja-se ressurreição de paranoicos,

Que mandam matar por fitos egóicos.

 

O mundo do ódio cultivado a deglutir,

Molda mentes humanas para destruir,

Tudo que foge do domínio e controle,

Porque ameaça psíquico descontrole.

 

Crescer no juízo e elementar bondade,

É ressurreição para a perfectibilidade,

A culminar na obra do amor de Deus,

Contra o diabólico inferno dos “Eus”.

 

Se Cristo assegurou seu modo de ser,

A experiência humana de enternecer,

Produz ressurreição e abundante vida,

Distante da hedionda guerra fratricida.

 

 

 

 

 

 

 

<center>DEUS DEMENTE</center>

  Mistério insondável de um povo, Que elege um líder sem corcovo, Para controlar a compulsividade, Quer ser um dono da sociedade. ...