segunda-feira, 29 de junho de 2026

HIPNOTISMO DO IRRACIONAL

 


Poder de neutralizar as mentes,

Deixa-as amplamente contentes,

Ante a irracionalidade presente,

Para sugerir a ação convincente.

 

Nada é melhor que o ódio letal,

Para justificar a mudança cabal,

Apontada por superego doente,

Para deixar cabeça oca contente.

 

Tantos superegos que colonizam,

E a vida social tanto infernizam,

Apossam-se sob poder hipnótico,

Da ascensão do poder despótico.

 

Hipnotizam para modo irracional,

Que justifica a violência nacional,

Para impreterível ação agressiva,

Que contenha a reação impulsiva.

 

Com planos de direitos aparentes,

Para modos pacíficos e decentes,

Quebram identidades populares,

E afirmam os ambicionados ares:

 

Valendo-se do ódio ao combater,

Consagram o meio de emudecer,

Quem discorda e pensa diferente,

Para propiciar vida social coerente.

 

Superegos querem quebra de leis,

E de tribunais de defesa das greis,

Para aplicarem os planos fascistas,

Propícios a interesseiras conquistas.

 

Poder de persuadir com mentiras,

Gesta violentas ações agressivas,

Para sustentar no ódio cultivado,

Contra o suposto insubordinado.

 

Na tática do domínio absoluto,

Induz-se ao fetichismo resoluto,

Dum fascínio pelo hipnotizador,

Como único e possível salvador.

 

Mostrar a realidade fantasiosa,

Impregnada pela ação maldosa,

Induz à tolerância da violência,

Como o único meio de decência.

 

Violência da mentira insinuada,

Manipula a reação disparatada,

Para utilizar toda forma radical,

Meio de impor um fascismo legal.

 

Fetiche ocupa estrutura psíquica,

E desmantela capacidade crítica,

Para viver com menos letalidade,

E, com a necessária fraternidade.

 

 

 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

VIOLÊNCIA VERBAL

 


Exaltação da ofensiva verbal,

Ante o adversário feito rival,

Eleva o nível da exacerbação,

De ampliar nível da agressão.

 

Uns agridem para defender,

Outros, para algo esconder;

Alguns agridem o diferente,

Sem a intenção desarmante.

 

Tanta gente prefere a guerra,

E alimenta o que dela espera,

Todavia, sem alimentar fome,

Nem para fruir do que come.

 

Espoliação do pão de cada dia,

Agride com a triste melancolia,

Do doentio poder acumulador,

Sem o humanitário pundonor.

 

Até Estado estimula a violência,

Institucionaliza medo, arrogância,

Com vistas a certo tipo de ordem,

Para não corrigir a sua desordem.

 

Aponta para sensacionais desejos,

Que pressupõem os violentos ejos,

Na direção da política maniqueísta,

Que afasta inimigos da conquista.

 

Aparente empenho por associação,

Visa uma larga e ampla dissociação,

Com os atos violentos por controle,

Para coibir um suposto descontrole.

 

Púlpito também pode ser violento,

E abafar todo ar novo dum alento,

Que, ao contrário de ser sinodal,

Exclui de uma forma nada cordial.

 

Somente os padres podem pregar,

Para todo jeito de Jesus apresentar,

E impede a mulheres anunciadoras,

O púlpito para palavras redentoras.

 

Quando o poder aberto da homilia,

Cabe somente ao padre como guia,

Contradiz a condição da igualdade,

De todo batizado para tal realidade.

 

Uma criatura no direito de pregação,

E a outra é descartada desta função,

Produz uma sutil violência simbólica,

E mimetiza agressão nada apostólica.

 

Se a primitiva difusão do Evangelho,

Se valia de leigos ante modo velho,

As Homilias, ainda em nossos dias,

Devem ressoar para melhores vias.

 

Parte de ato litúrgico comunitário,

Homilia não é o status honorário,

Precípuo de um solteiro pessoal,

Mas ato eminentemente eclesial.

 

Se homilia visa uma comunidade,

Não deveria visar a exclusividade,

Advinda da formação seminarística,

Mas, comunidade na visão crística.

 

 

 

 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

SIMULACRO DO AMOR HUMANO

 


 

Impressionante interação humana,

Com Pets na convivência cotidiana,

Produz, na imitação do senso filial,

A reprodução de um amor fulcral.

 

Conversa de horas com queridos,

Naquela fala repleta de pruridos,

Do intimismo do signo amoroso,

Produz o novo linguajar dengoso.

 

Os ditos Pets compram atenção,

E repetem todo dia à exaustão,

Os latidos e miados de carência,

Esperando exclusiva preferência.

 

Querem colo, atenção precípua,

Na dedicação integral conspícua:

Serem agraciados com os gestos,

Sem expressar sinais de doestos.

 

Escutam cinquenta vezes ao dia,

Uma mesma dissonante melodia:

Se já fizeram o cocozinho e xixi,

Naquele “tapetinho” que fica ali.

 

Eles, tanto para receber atenção,

Ou teimar na sua procrastinação,

Urinam e defecam por todo lado,

No aguardo de receber o agrado.

 

Aguardam pelos sinais renitentes,

Dos miados ou latidos insistentes,

Que sejam agraciados na atenção:

Como centro do humano coração.

 

Mesmo que não assimilem a fala,

Captam com a sua sensitiva trela,

Que na dependência do desfrute,

Carecem dum “tu” que os escute.

 

Acostumados no topo do centro,

Preenchem o humano epicentro,

E substituem o espaço dos filhos,

Exigentes, irrequietos, andarilhos.

 

Com os Pets se firma o simulacro,

Lugar hegemônico do filho sacro,

E trato como entes das entranhas,

Os ocupam em cotidianas manhas.

 

Sobra o paradoxo de Pets cuidados,

E tantos filhos humanos relegados,

A sentirem ciúmes das preferências,

De Pets nas meigas benemerências.

 

O simulacro do amor com bichinhos,

Desvia pelos humanos descaminhos,

Tanta frustração com o imprevisível,

Do carente humano, tão desprezível.

 

Como é inconstante e tanto muda,

A preferência por animal desnuda,

Toda conflitiva interação humana,

Frustrante e que tanto desengana.

 

A adoção de Pet é mais atraente,

Que criatura humana feita gente,

E indica humano amor deslocado,

Como sinal de mundo derrocado.

 

Resta saber se inusitada simbiose,

Vai se tornar ascendente meiose,

Da auto-transcendência humana,

Para inovada filiação que irmana.

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 23 de junho de 2026

REFÉM DFO IDEALISMO

 


Andança histórica do cristianismo,

Produziu um imaginário idealismo,

Que arraigou um serviço ambíguo,

E que produz um resultado exíguo.

 

Na lógica do desempenho eficaz,

Todo padre precisa ser perspicaz,

Estável para elevados resultados,

A deixar marcas de bons legados.

 

Formado na lógica moralizadora,

Sua função altamente redentora,

Requer papéis sociais e máscaras,

Para uma idoneidade sem máculas.

 

Tirocínio de discursos normativos,

Enrijeceram os religiosos motivos,

Para nobres sobrecargas pastorais,

Com incontáveis atividades gerais.

 

Deve dominar funções litúrgicas,

E rezar de formas dramatúrgicas,

E ainda ser exímio administrador,

E um extraordinário organizador.

 

Precisa suportar rotina sem folga,

Com bom argumento na rasmolga,

Com estoque de fala encantadora,

Para eficiente ação conquistadora.

 

Necessita ser fascinante e solícito,

E exemplar contra todo ato ilícito,

Pressionado pela competitividade,

De efeito empolgante à saciedade.

 

Precisa ser hiperativo e onisciente,

Mostrar-se sempre muito contente,

Sem jamais contrariar ou discordar,

Nem, tampouco, mostrar-se vulgar.

 

Necessita sorrir e ser irrepreensível,

Ficar vinte e quatro horas disponível,

Para tudo o que a demanda requerer,

Em favor dum benfazejo bem-querer.

 

Lógica consumista cobra eficiência,

Para que revele plena competência,

De resolver incontáveis problemas,

Sem revelar seus pessoais dilemas.

 

Jamais pode mostrar a sua afeição,

Mas sempre revelar o bom coração,

De quem cumpre a sagrada ordem,

De avivar fé no meio da desordem.

 

 

Ao ser simpático com as crianças,

É visualizado sob as desconfianças,

De ser sujeito pederasta disfarçado,

Caçando vítimas para o seu agrado.

 

Se anda com os jovens adolescentes,

Representa, pelos perigos crescentes,

A potencialidade de atos indecorosos,

Sob os mórbidos interesses maldosos.

 

Caso se aproxime mais das mulheres,

 Já se suspeita de obsessivos afazeres,

Com vistas a atrair alguém para cama,

Para confirmar a sua libidinosa fama.

 

Ao estar muito no meio de homens,

Olhares veem seus traços lobisomens,

E o rotulam de homo-afetivo doente,

A viver em procedimento indecente.

 

Longe de receber o solidário cuidado,

É dissecado por todo e qualquer lado,

E adoece na fragilidade internalizada,

Sob uma cobrança rígida e ilimitada.

 

Isolado e sobrecarregado de tarefas,

Vê-se obrigado a fazer mil sinalefas,

Para ligar cobranças da comunidade,

E corresponder com boa afabilidade.

 

Sua solidão clerical de vínculo frágil,

Carcome todo seu dedicado elã ágil,

E vulnerável na sua rígida resiliência,

Entra na doída crise de inconstância.

 

Sem o “tu” para partilhar mundo real,

Dilui-se vínculo e convívio presbiteral,

E sucumbe numa fragilidade subjetiva,

De um modelo que o deixa na deriva.

 

O que experimenta ante o idealizado,

Não o sustenta no imaginário legado,

E vê na sua interioridade anacrônica,

Estranha e enrustida dor histriônica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 20 de junho de 2026

MEDO PARALIZANTE

 


Traço peculiar da humanidade,

Permeia indivíduo na sociedade,

Afeta todo sentir afetivo básico,

E acompanha todo ciclo fásico.

 

Age contra ameaças e perigos,

De doenças graves a castigos,

E contra o declínio das forças,

Sob atitudes adversas e boças.

 

Reativa-se com interpretação,

De fato, ideia ou imaginação,

Como o mecanismo protetor,

Para procedimento cuidador.

 

Leva à introjeção de bloqueios,

Sob ameaça e simples meneios,

Que sugerem perigos evidentes,

Para variados riscos candentes.

 

Pode transtornar boas mentes,

Para os riscos reais inexistentes,

E aumentar as suas ansiedades,

Com as angustiadas veleidades.

 

Arma poderosa para submeter,

Ameaça com possível acontecer,

Mediante autoridade ambiciosa,

Para obter uma submissão ditosa.

 

Como efeito natural que paralisa,

O vasto estímulo ao medo precisa,

Atingir âmago do mundo interior,

E ali produzir o estado de torpor.

 

Diluído o medo do compromisso,

Cria-se o vasto mundo submisso,

Do analgésico da fé sob político,

De civil e religioso senso acrítico.

 

Acuadas pela difusão dos medos,

De supostos e suspeitos segredos,

Tantas comunidades estagnadas,

Poderiam ser mais dinamizadas.

 

Faltam pessoas de fé e confiança,

Para o amor agir na desconfiança,

Abrir bom caminho na fragilidade,

E visar elevar segurança e bondade.

 

Libertar a comunidade do medo,

Na frágil teia do falso arremedo,

Requer coragem ante a ameaça,

De ação para possível desgraça.

 

Se medo é mecanismo protetor,

Não pode inibir ação ante terror,

Dos que ameaçam para intimidar,

Afoitos para mais poder alastrar.

 

 

 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

ENGENHARIAS MANIPULADORAS

 

 

Com tanta máquina processadora,

De produção altamente inovadora,

Atinge-se a algorítmica da conduta,

Para conduzir toda humana labuta.

 

Entraram até nas políticas sociais,

E capturam as boas forças vitais,

Para desviar o elementar direito,

Da relação amigável e bom jeito.

 

Estabelecem política do privilégio,

De poucos no precípuo sortilégio,

De manipular toda a informação,

Propensa para subjetiva aspiração.

 

Longe de convergência e consenso,

Importa produzir um largo dissenso,

Favorável ao individualismo egóico,

De um cargo político nada heroico.

 

Distantes de visar vida comunitária,

Agem para sua ambição voluntária,

Sem um desvelo pelo bem-comum,

Só propenso ao oligárquico bondum.

                                                          

Produzem a falsa imagem do amigo,

Que mobiliza ação contra o inimigo,

E engendram política da inimizade,

Para os interesses de arbitrariedade.

 

Fito na apropriação e lucro ilimitado,

Leva à captura dum vasto eleitorado,

Que assegure interesse corporativo,

Sobre qualquer comunitário objetivo.

 

As posturas adversas e discordantes,

Tão pouco submissas e concordantes,

Precisam concordar com a persuasão,

De eleger o bom candidato da retidão.

 

Insinuado como merecedor de adesão,

Ele representa interesseira concepção,

Que manipula todo afeto para repulsa,

Contra todo o distinto da elitista mulsa.

 

Envolvem a pessoa no agir induzido,

Para ser mero e submisso conduzido,

Que já não se vende com o seu voto,

Mas é capturado pelo pensar devoto:

 

Fraudado no elã do saber cognitivo,

Ali se mapeia todo seu voto decisivo,

Para o poder, não emanado do povo,

Mas de sutil e algorítmico jogo novo.

 

A mente afoita por ideia manipulada,

Não questiona a indicação insinuada,

Legitima uma categoria manipuladora,

Como a única de mediação salvadora.

 

Congresso dos amigos contra inimigos,

Esquece anseios para imputar castigos,

Aos que reivindicam ações favoráveis,

Para coletivas necessidades inevitáveis.

 

Se razão da política é ação para o povo,

Do qual emana um poder para renovo,

Cabe ainda escolher quem foi sensível,

Antes de aspirar político poder indizível.

 

 

 

 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

REBULIÇO NO TERREIRO

 


No mundo galináceo do terreiro,

Estabeleceu-se clima arruaceiro,

Pois o velho cacique galo Crispim,

Já perdeu o seu controle chinfrim.

 

Causou a turbulência no aviário,

Pela insubmissão ao seu ideário,

De vistosa política de espetáculo,

Visando aumentar seu tentáculo.

 

Sob conhecida política do medo,

Ameaça com o poderoso segredo,

Das sofisticadas armas de morte,

Para a coletiva paz do seu aporte.

 

Na “pax” de cacique do terreiro,

Aufere-se trono do galo altaneiro,

A dizer a última palavra de ordem,

Para contornar renhida desordem.

 

Outros galos velhos, com esporas,

Arrastam as asas pelas melhoras,

E contradizem velho galo Crispim,

Numa aposta do seu iminente fim.

 

Muitos competem com o cacique,

Franguinhos novos em jeito chique,

Também desejam muito ascender,

Neste idolatrado e atraente poder.

 

Velho Crispim, paranoico e no fim,

Faz a guerra fria por todo confim,

Para ameaçar com armas mortais,

Com os seus escudos excomunais.

 

Os franguinhos novos e espertos,

Com seus drones de tiros certos,

Confrontam potência de Crispim,

Sem se intimidar em seu confim.

 

A assimetria do poder de enredo,

Entre a sofisticação de torpedo,

E esperta astúcia dos frangotes,

Gera tombos e dor nos cangotes.

 

Aliados de Crispim, sem confiança,

Já não almejam a pacífica bonança,

Da “pax” em processo de declínio,

Que ameaça o humano extermínio.

 

O velho Crispim arranhado na briga,

Não perdeu e nem ganhou a intriga,

Mas, o outro galo grande e esperto,

Mira espora afiada para pulo certo.

 

 

 

 

<center>HIPNOTISMO DO IRRACIONAL</center>

  Poder de neutralizar as mentes, Deixa-as amplamente contentes, Ante a irracionalidade presente, Para sugerir a ação convincente. ...