quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O OSSO DO PITOCO

 


Síntese de longa ancestralidade,

Da raça nórdica com indianidade,

Este viralata europeu catou osso,

E elevou-se no poder sobreosso.

 

Argumentou ser o dono do osso,

Com poder de afirmar o colosso,

De não ter cachorro a ameaça-lo,

Devido ao seu rosnar de gargalo.

 

Metido a estar acima do mundo,

Supôs dominá-lo no jeito imundo,

E apareceu um cachorro Valente,

De raça maior e todo imponente.

 

Valente roubou o osso do Pitoco,

Deixou-o rosnando um ruído oco,

Quis roer sozinho o osso furtado,

Mas, viu outros cães ao seu lado.

 

Apareceram os de outra raça forte,

E lhe tiraram sereno e bom aporte,

De ser o cachorro forte no mundo,

Que ameaçava com olhar iracundo.

 

Mesmo sentindo-se dono do osso,

Não teve paz para um bom almoço,

Pois, entorno de cachorros maiores,

Ameaçam todo dia os seus pendores.

 

Para não perder o osso, Pitoco caduco,

Rosna e corre ao redor, em rol maluco,

Para afugentar grandes cachorros rivais,

E já sabe que não dão mordidas triviais.

 

Juntos são mais poderosos do que ele,

E além do osso podem comer sua pele,

Destroçá-lo a todo e qualquer instante,

E silenciar o seu latido todo causticante.

 

A envergadura do seu suposto poder,

É apenas rosnar de paranoico proceder,

Que já não lhe permite roer o seu osso,

Nem urinar alto para estragar o almoço.

 

Pitoco sapateia e rosna ao lado do osso,

Definhando perante um rosnar grosso,

Dos cachorros mais fortes e mordazes,

Com forças e táticas mais perspicazes.

 

 

 

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

LEGALISMO VAZIO

 


Dez regras do judaísmo primitivo,

Como o código ético-moral ativo,

Fixavam parâmetro na vida social,

Para respeito profundo e crucial:

 

Legisladores ampliaram o leque,

Acrescentaram-lhe salamaleque,

E com 613 regras acrescentadas,

Tornavam as lidas muito pesadas.

 

A falsidade dos inventores de leis,

Aumentava a espoliação das greis,

Caducou essência das dez normas,

E nada melhorou com as reformas.

 

A única utilidade das múltiplas leis,

Foi a de favorecer governos e reis,

Para subjugar povo pobre no rigor,

E dominá-lo com ordem de terror.

 

Nas abluções e ritos estabelecidos,

Os pobres permaneciam esvaídos,

Por não seguir rituais purificadores,

Para as benesses de divinos favores.

 

Quase tudo produziria a impureza,

E uma ausência da exigida limpeza,

Isolava duma participação religiosa,

Quem não praticasse leis impostas,

E as normativas oficiais interpostas.

 

Jesus Cristo alertou seus seguidores,

Contra os contraditórios impostores,

Que em tudo viam capeta e impureza,

Com a vazia e balofa regra de pureza.

 

A impureza estaria no que sai da boca,

Como expressão da interioridade oca,

Mas movida por inveja e maledicência,

Devassidão, insensatez e a arrogância.

 

Os separados da minuciosa purificação,

Só alimentavam a maldade no coração;

Por isso, muito piores do que os sujos,

Colocavam-se como superiores sabujos.

 

As abluções da milenar regra mosaica,

Só favorecia a pequena elite arcaica,

Que, sob o zelo pela rigidez rubricista,

Gestava uma fé falsa e sensacionalista.

 

 

 

 

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

SAL E GOSTO

 

 

Rico símbolo do bom sabor,

Que conota gesto de amor,

Sugere bem-estar pessoal,

Para a boa osmose cordial.

 

Agrega outro valor antigo,

De conservar contra perigo,

Que deteriora os produtos,

E causa mórbidos atributos.

 

Pacto antigo, sem cartórios,

Tinha teores conservatórios,

De quebrar pedrinha de sal,

Como condição de um ritual.

 

Cada lado comia uma parte,

Uma validação sem descarte,

A confirmar uma palavra dita,

Como se fosse aliança escrita.

 

Nascimento de bebê tinha rito:

Enrolado em sal, um requisito,

Para expressar a conservação,

Da vida frágil em preservação.

 

Falava-se em “cabeça de sal”:

A pessoa com humor colossal,

Que irradiava contágio alegre,

Sem a arrogância pinta-alegre.

 

No bom senso com sabedoria,

Com bom humor que contagia,

O sal constituía o rico símbolo,

Da amizade de afável consolo.

 

Jesus apontou aos discípulos,

O sal dos sentidos múltiplos,

Para conservarem os valores,

Do Evangelho de bons alvores.

 

Dele deveria emergir um jeito,

Do sabor como santo preceito,

Da alegre serenidade de vida,

Na sociedade toda denegrida.

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

JEJUM PARA QUÊ?

 


Os escrúpulos em torno do jejuar,

Tendem a prolongar noção vulgar,

De velha e adaptada noção bíblica,

Para uma contrita prática pública.

 

Suposição de que Deus está irado,

Com desencontro humano eivado,

Conclama uma população inteira,

Para jejum de perdão por besteira.

 

Vestes de estopa como sinal coletivo,

Com cinzas na cabeça para o lenitivo,

Desejavam aplacar toda a fúria divina,

Contra a convivência humana sovina.

 

Após o retorno do exílio babilônico,

Sem a paz serena, o oposto irônico,

Ostentava fome, miséria, exploração,

Mortes, brigas sem pública proteção.

 

Os mais espertos exploravam pobres,

Sob omissão das autoridades nobres;

Desconfiava-se da intervenção divina,

Sem ação ante desorganização cretina.

 

Esperava-se, entretanto, complacência,

Da divindade misericordiosa a anuência,

Para diminuir sofrimento e insegurança,

De vida social sem regras na lambança.

 

Foi então que Isaías soltou dura crítica,

Contra o jejum sem mínima autocrítica,

Enfatizou que não era Deus o problema,

Mas, este jejum, sem um justo sistema.

 

Um jejum que Deus poderia valorizar,

Envolveria uma outra forma de jejuar:

Seria este de repartir o pão a famintos,

E acolher pobres dos amargos absintos.

 

Vestir os tantos que careciam de roupa,

Permitiria ao povo recuperar a choupa,

Da imagem de luz a brilhar entre povos,

No código ético-moral de bons corcovos.

 

Os israelitas se pensavam luz do mundo,

Mas a vida real do seu universo iracundo,

Não iluminava nem ambiente doméstico,

E menos ainda seu consciente intrínseco.

 

Tantas calamidades, pestes e doenças,

Interpelam ainda hoje, nossas crenças,

E mais difícil do que não comer carne,

É agir para que a solicitude se encarne.

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

CONSELHOS

 


Noção comum do senso popular,

Torna todo o conselho impopular,

Pela ineficácia de sua gratuidade,

Inútil de prestar-se para caridade.

 

Alega-se que, se fosse mui eficaz,

Não seria oferecido tão pertinaz,

Pois seria vendido por alto preço,

Por rivalizado e disputado apreço.

 

Abundam conselhos bem balofos,

Com traços de indicativos mofos,

Que atrapalham ou nada ajudam,

E nem os problemas desmiudam.

 

Existem conselheiros dominadores,

Que ditam com os ares superiores,

O que precisa ser feito e efetuado,

Para solução de um efetivo agrado.

 

Outros visam ser bons conselheiros,

Nada empáticos de ares pregoeiros,

E moralizam com larga ingenuidade,

Ferindo pessoas na sua integridade.

 

Já insensíveis ao sentimento alheio,

Produzem uma reação de bloqueio,

E não persuadem pelo bom-senso,

Nem clareiam no seu contra-senso.

 

Ocorrem, todavia, bons conselhos,

Não diretivos e metidos a bedelhos,

Que auscultam anseios partilhados,

E apontam para possíveis resultados.

 

Salientam eventuais possibilidades,

Ou indicam possíveis virtualidades,

Capazes de mover transcendência,

Como síntese nova na consciência.

 

Tesouros de bom aconselhamento,

De pessoas idôneas com bom alento,

São fundamentais para um discernir,

Sob lampejos de intuição para o agir.

 

Sobretudo as pessoas de mais idade,

Ajudam no despojamento da vaidade,

Sem atrelar à dependência submissa,

Mas para eficaz interatuação remissa.

 

Ajudam a desbloquear os obstáculos,

E delinear os necessários tentáculos,

Para que a interação seja partilhada,

Razão duma existência mais amada.

 

Aliviar tantos males que perturbam,

Longe de ordens que tanto chafurdam,

Enseja uma recriação de novo desejo,

Com o animado e confiante busquejo.

 

 

 

 

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

GUERRA POR PODER

 

 

Desejo de exercer influência,

Sobre uma vasta congruência,

Transforma relações afetivas,

Em odiosa luta de invectivas.

 

Não existe leal companheiro,

Mas, só um jogo interesseiro,

Em que alguém vale pelo útil,

E depois passa a ser lixo fútil.

 

Aliança e pacto de fidelidade,

Vive da frágil provisoriedade,

Enquanto favorece ascensão,

Para assegurar nobre posição.

 

O aparente amor das alianças,

Revela logo, as desconfianças,

Em que prevalece a acusação,

Contra quem mudou a posição.

 

Na guerra contra o adversário,

A mentira rege todo itinerário,

Para denegrir imagem do rival,

E obter um largo êxito triunfal.

  

A tentação de manter o cargo,

E adequar regras de embargo,

Ajudam a prosperar no poder,

E impedir outros de ascender.

 

Na guerra, além da ideologia,

Vale todo tipo de demagogia,

Para produzir o perfil heroico,

Malabarista versátil e egoico.

 

Velha história bíblica de Israel,

Revela preço de teimosia cruel,

Do seu primeiro rei constituído,

Jovem guerrilheiro destemido.

 

Davi, um rei absolutista do povo,

Mesmo velho e sem espírito novo,

Enfrentou guerrilha de seus filhos,

Que lhe apresentavam empecilhos.

 

Em guerra do seu exército armado,

Contra Absalão, o seu filho amado,

Venceu a batalha mas matou o filho,

Efeito e preço pelo reinado caudilho.

 

Depressão e dor pela morte do filho,

Não o moveram no jeito afogadilho,

De se sentir o rei absoluto no cargo,

Supondo que fosse o divino encargo.

 

Humano, no lugar de Deus colocado,

Produz demônio solto por todo lado,

Mesmo na máscara de líder religioso,

Causa espoliação e o conflito danoso.

 

Poder desatrelado de humilde serviço,

Arruma diuturnamente novo enguiço,

E guerras, mesmo aquelas de palavras,

Matam vida com crueldades macabras.

 

 

 

 

 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

HOSTILIDADES GRATUITAS

 


Ofensas divulgadas em noticiários,

Oferecem os estimulantes ideários,

Para reagir de forma bem ofensiva,

Ante qualquer suspeita de invectiva.

 

Mesmo pessoas tidas como piedosas,

Emitem repentinas ofensas raivosas,

E nos seus desproporcionais revides,

Caluniam pelos mais ínfimos envides.

 

Hostilizam com a facilidade inaudita,

E até por alguma razão bem gratuita,

Acusam e interpretam erroneamente,

Pelo tribunal supremo da sua mente.

 

Se a hostilidade envolve pouca pedra,

Em contrapartida, até ânsias de medra,

Ensejam esbravejantes falas agressivas,

E reação de agressivas formas vingativas.

 

Como abrandar as palavras de aspereza,

De quem só pensa em muita malvadeza,

Cuja mente apenas produz mau espírito,

Sem os básicos gestos para ser solícito?

 

O crescente número de seres alienados,

Aumenta cada dia mais os tratos irados,

E faz leva humana sentir-se orgulhosa,

Com exteriorização de ofensa raivosa.

 

A reação primária diante do diferente,

Sem nenhuma reação compadecente,

Reflete socialização bem atormentada,

Do ambiente de reciprocidade esvaída.

 

Reagir a tais bandos de espíritos maus,

Requer boa ação sem queimar as naus,

Para que brabeza nefasta e explosiva,

Não se imponha na educação diretiva.

<center>O OSSO DO PITOCO</center>

  Síntese de longa ancestralidade, Da raça nórdica com indianidade, Este viralata europeu catou osso, E elevou-se no poder sobreosso...