quinta-feira, 16 de abril de 2026

O NARCIZISTA EUSTÁQUIO

 

 

Estabelecido como autoridade relevante,

Não esconde o vazio interior estonteante,

E compensa-o na fachada de arrogância,

Com uma inflada e suposta importância.

 

Ao se sentir o único potente do mundo,

Exparge o autoritarismo todo iracundo,

E seu largo egocentrismo manipulador,

Leva-o a supor que é excelso salvador.

 

Sua notável incapacidade de empatia,

Torna a personalidade arrogante e fria,

Pois se pensa superior a tudo e a todos,

E esmera-se com os mórbidos denodos.

 

É o carente que quer muita admiração,

E faz tudo para chamar alheia atenção,

Para auto-engrandecer a sua imagem,

Como único sinal de força e coragem.

 

Por viver delírio da sua grandiosidade,

Precisa sempre mostrar superioridade,

Que põe ordem na desordem mundial,

Embora seja gestor de destruição fatal.

 

Move-se nas narrativas de onipotência,

E perlustra sua inconfundível arrogância,

Com autoritarismo ultrajante e ofensivo,

Explicitado no histórico itinerário lascivo.

 

Já incapaz de admitir alguma autoridade,

Seja de ética-religiosa ou de moralidade,

Vocifera o ódio cego contra insubmissos,

E quer que prestem devotados serviços.

 

Imagem salvadora que faz de si mesmo,

Leva-o a relativizar a desordem ao esmo,

Que produz sob o complexo messiânico,

Com o terror do procedimento vulcânico.

 

Já irremovível no seu instinto onipotente,

Conta com um séquito todo dependente,

Que o sustenta no desvario da grandeza,

E, por isso, só procura trato de aspereza.

 

Ao se pressupor o magnífico Eustáquio,

Não carece de algum mínimo obséquio,

Pois, seu poder não requer afabilidade,

Mas, humilde subserviência à saciedade.

 

 

 

terça-feira, 14 de abril de 2026

PODER DA ONIPOTÊNCIA

 

 

Nascido na estranha gestação democrática,

Sob arquétipo cultural da tirania dogmática,

Nero foi educado para ser rico e poderoso,

Sem eiras ético-morais para ser prodigioso.

 

Amadureceu em longo tirocínio da vontade,

Para sentir-se poderoso na fraca sociedade;

Deduzir que seu poder era forte e supremo,

Para interagir e dissuadir no rigor extremo.

 

Mandar fazer o que logicamente é possível,

Dá a Nero direito amplo e o poder indizível,

De se achar no direito de ser reverenciado,

Similar a Cristo, para ser piamente adorado.

 

Arma, guerra e morte aquecem a alucinação,

De que é onipotente sobre humana condição,

Que se encontra bem além do bem e do mal,

Para soltar a sua genética de monstro brutal.

 

Mesmo ante a expressiva perda de crédito,

Não avalia vasto descontentamento inédito,

E, com sua retórica de dissuasão de guerra,

Dilacera e ameaça a tudo quanto o emperra.

 

Sua noção democrática é submissão tirânica,

Escorada nas paranoias duma ação satânica,

De outros governantes similares que o apoiam,

E que da mórbida obsessão em nada o desviam.

 

Na voz objetiva do Papa contra delírio doentio,

Revelou-se ao mundo o Nero de causar arrepio,

Que de fato só admite a submissão bajuladora,

Sem nenhuma voz moral crítica e contestadora.

 

Incapaz de pensar paz desarmada, contra guerra,

Nero se descontrola e com todo seu ódio vocifera,

Contra quem ousa não aprovar a falsa onipotência,

De se sentir acima de toda religião, sem clemência.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

ESPÍRITO BELIGERANTE

 

 

Altamente sórdido e discrepante,

O anelo do guerreiro beligerante,

Incutido e socado teimosamente,

Ocupa centro da humana mente.

 

Contra tese da teoria evolucionista,

Da ascensão da humana conquista,

O cérebro ampliado em capacidade,

Centraliza só guerra de barbaridade.

 

A pífia evolução na convivialidade,

Segue a forçar para marginalidade,

Tanto o diferente, e o insubmisso,

E o persegue ao indesejado sumiço.

 

Tanta inteligência e diuturna ação,

Para produzir arma de destruição,

E a indômita lida de tramar morte,

Indica triste tara na humana sorte.

 

Distante de qualquer justiça social,

Sob cultivo da cobiça exponencial,

O apelo a Deus e à religião católica,

Justifica a espúria guerra diabólica.

 

Se os sinais catastróficos da Terra,

Apontam tanta vida que se encerra,

Não poderia o bom-senso humano,

Elevar-se acima do proceder insano?

 

Cruel tragédia do pensamento único,

Que governa como mandante cínico,

Faz os psicopatas não respeitar leis,

E nem ouvir a voz de pacíficas greis.

 

Nesta condição da política favorável,

A líder dominante que é deplorável,

Inúmeras levas humanas excluídas,

São ignoradas, sequer reconhecidas.

 

Afinal, a quem cabe decretar guerra,

E desviar sofrida renda que se gera,

Para produzir o horror de destruição,

Sem elevar grau da nossa condição?

 

Com a suposição do Deus da guerra,

Sofrimento e morte apenas emperra,

Possibilidade de novos céus e terras,

Quando fito central é o de quimeras.

 

 

 

 

EM NOME DE DEUS

 


Em seu nome, muito pronome,

Sem reconhecer valor do nome,

Impõe desejo e ambição pessoal,

Como sendo uma ordem divinal.

 

Irônico é o sentir efusão de ódio,

Em arrogância de triste episódio,

No apelo a bom Deus para matar,

Sem elementar direito respeitar.

 

Sob poderosos mandantes cegos,

O terror vira a lei dos não meigos,

Para exercer pela tirania genocida,

Afirmação do triste poder suicida.

 

Na blasfêmia da auto-justificação,

Alega-se cristológica comparação,

De vencer violência na compaixão,

Como Jesus na salvadora redenção.

 

Pai Nosso rezado para muito matar,

Numa razão estúpida de desacatar,

Produz clima de aprovação do ódio,

Alargado para gloriar o egóico pódio.

 

Se uma força de arma é mais eficaz,

Do que todo almejado senso de paz,

Esta dor dos milhões de deslocados,

É estúpida perante os já silenciados.

 

Ódio propenso ao poder das armas,

Sequer supõe as relaxantes karmas,

Ou o nível elevado de sensibilização,

Mas, som triste do tiro de destruição.

 

Guerra feita na justificação religiosa,

Como a ação preventiva e bondosa,

Contra inimigo que ameaçava a paz,

Mostra um absurdo de ação ineficaz.

 

Seria do gosto de Deus, porventura,

Sobrepor-se a ética em tanta agrura,

E seguir doentio humor momentâneo,

Para eliminar ser humano coetâneo?

 

Existiria ainda coletiva voz e consenso,

Para eleger mandantes de bom-senso,

Sem o ascensão de doente paranoico,

Que vê na matança o poder heroico?

 

 

 

 

 

terça-feira, 7 de abril de 2026

DEUS DEMENTE

 


Mistério insondável de um povo,

Que elege um líder sem corcovo,

Para controlar a compulsividade,

Quer ser um dono da sociedade.

 

Visível queda da função mental,

Alucinado com a obsessão letal,

De matar para ser o super-herói,

Reina como se fosse um caubói.

 

Em sinais de irresponsabilidade,

Encontra, escorado por lealdade,

Um séquito de outros dementes,

Satisfeito pelos atos indecentes.

 

O largo suporte das alucinações,

Dá ao mandante as pífias razões,

De vivenciar o delírio e a loucura,

E que afirma sua excelsa diabrura.

 

Seus bajuladores sabem difundir,

E por toda mídia, muito espargir,

Variações obsessivo-compulsivas,

De suas esbravejantes invectivas.

 

Pensa-se num rol sobre-humano,

Em seu delírio mórbido e insano,

Sem respeito e sem sentimentos,

Para alcançar estúpidos intentos.

 

Faz alianças e acordos unilaterais,

Para forçar nas submissões leais,

Raças, povos e culturas originais,

A engolir suas loucuras pessoais.

 

Somente vê o que pode ajuntar,

E domínios que pode deslindar,

Para delirar na obsessão de fruir,

Mania de grandeza por destruir.

 

No pensamento e juízo alterado,

Vomita muito ódio por todo lado,

E, com a demência da sua ordem,

Alarga muito caos e a desordem.

 

Mais que suposto deus demente,

Inquieta o humano contingente,

O largo suporte servil e corsário,

Que o adora como um arbitrário.

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

PASTO PARA OS OLHOS

 

 

O momento religioso pascal,

Revelou saudosismo triunfal,

De muita veste e detalhismo,

Do imagético de romantismo.

 

Retorno do traço triunfalista,

Do ornamento espiritualista,

Com encenação impactante,

Moveu muito olhar diletante.

 

A estética indica novo lugar,

Patamar da escuta, ao olhar,

E sem o memorial da fonte,

Adora-se o outro horizonte:

 

Estetização hipermidiatizada,

A ser visualizada e aquilatada,

Bem consumida na tela digital,

Com performática sensacional.

 

Com pouco apelo comunitário,

Importa um majestoso cenário,

Onde ego ecoa para consumo,

De suposta felicidade no rumo.

 

Rito dá lugar a entretenimento,

E droga química do bom alento,

Dilui memória e ato de síntese,

De comunitária núcleo-síntese.

 

Muito selfie para hiperconsumo,

Banaliza o rito para um resumo,

Sem filtrar uma imagem teatral,

Para decidir ante mundo virtual.

 

A farta manipulação de desejos,

Sem contemplação de lampejos,

Faz do memorial o mero teatro,

E a dimensão da fé fica no atro.

terça-feira, 31 de março de 2026

CADÊ O JUDAS?

 

 

O que trocou Cristo por trocado,

Terminou a sua vida, enforcado;

Os traidores da fidelidade atuais,

Trocam carinho e amizades leais.

 

Por coisas e por desfrutes banais.

Jogam-se fora os cultivados ideais,

E sob a economia da acumulação,

Inúmeros Judas ludibriam a nação.

 

Tanta amizade virada em decepção,

Indica desfrute sem amor e atenção,

A coisificar toda grandeza humana,

Num produto para egolatria insana.

 

Já sem o enforcamento pela traição,

Os protótipos da antiga banalização,

Trocam qualquer coisa pelo poder,

E deixam a fidelidade se escafeder.

 

Como Judas fez Jesus sofrer muito,

Os traidores, no aparente fortuito,

Destroem mais que a bela aliança,

Porque enganam efetiva confiança.

 

Quanto mais intensa a fidelidade,

Tanto mais dói ruptura de lealdade,

E engendra sensação de abandono,

No largo sofrimento de tirar o sono.

 

Traição fere o círculo de amizade,

Bloqueia largamente a afetividade,

A ponto de produzir ódio profundo,

E proporcionar o entorno iracundo.

 

Por pouca coisa, estraga-se mundo,

De longa história de amor fecundo,

Para decepcionar a confiança dada,

E ficar numa falsidade desandada.

 

Auto-engano na hora de persuadir,

Amplia lento processo do denegrir,

Na conquista de afirmação de poder,

Sem abrir caminho para outro porvir.

 

Solução de tudo através do dinheiro,

Leva a perder noção de companheiro,

E peste humana da cultura de morte,

Segue descarte do desumano aporte.

<center>O NARCIZISTA EUSTÁQUIO</center>

    Estabelecido como autoridade relevante, Não esconde o vazio interior estonteante, E compensa-o na fachada de arrogância, Com uma...