O que trocou Cristo por trocado,
Terminou a sua vida, enforcado;
Os traidores da fidelidade atuais,
Trocam carinho e amizades leais.
Por coisas e por desfrutes banais.
Jogam-se fora os cultivados ideais,
E sob a economia da acumulação,
Inúmeros Judas ludibriam a nação.
Tanta amizade virada em decepção,
Indica desfrute sem amor e atenção,
A coisificar toda grandeza humana,
Num produto para egolatria insana.
Já sem o enforcamento pela traição,
Os protótipos da antiga banalização,
Trocam qualquer coisa pelo poder,
E deixam a fidelidade se escafeder.
Como Judas fez Jesus sofrer muito,
Os traidores, no aparente fortuito,
Destroem mais que a bela aliança,
Porque enganam efetiva confiança.
Quanto mais intensa a fidelidade,
Tanto mais dói ruptura de lealdade,
E engendra sensação de abandono,
No largo sofrimento de tirar o sono.
Traição fere o círculo de amizade,
Bloqueia largamente a afetividade,
A ponto de produzir ódio profundo,
E proporcionar o entorno iracundo.
Por pouca coisa, estraga-se mundo,
De longa história de amor fecundo,
Para decepcionar a confiança dada,
E ficar numa falsidade desandada.
Auto-engano na hora de persuadir,
Amplia lento processo do denegrir,
Na conquista de afirmação de poder,
Sem abrir caminho para outro porvir.
Solução de tudo através do dinheiro,
Leva a perder noção de companheiro,
E peste humana da cultura de morte,
Segue descarte do desumano aporte.