Um estranho gosto humano,
Aparentemente todo insano,
De apreciar o embate brutal,
Proporciona fantasia triunfal.
Já sem ludicidade interativa,
Conta toda força destrutiva,
Vale dominar e vencer rival,
E fruir a glória excepcional.
Mais do que personalidade,
Pesa músculo e sagacidade,
Para dominar o adversário,
E deixa-lo sem comentário.
O respeito e a cordialidade,
São ineptos para atrocidade,
Porque somente vira herói,
Um musculoso que destrói.
Quando um gladiador vence,
Publicidade a todos convence,
De que é mito reverenciável,
Que propicia euforia inefável.
Como os coliseus nos impérios,
Erguem-se os estádios etéreos,
Para as pias emoções coletivas,
Com fortes fanatizações reativas.
Sob o ânimo do herói vencedor,
Reproduz-se preito a pundonor,
De quem derrota o adversário,
Feito um pobre amouco sicário.
Briga-se tenazmente pelo herói,
Que sob a mídia, se reconstrói,
E as rivalidades com inimizades,
Minam as pacíficas sociedades.
Similitude ao Espártaco romano,
Ativa a rebeldia de trato insano,
Move até os exércitos rebeldes,
Com as agitações nada humildes.
Quando interesse do espetáculo,
Vira sutil e subliminar tentáculo,
De inaudito acúmulo e consumo,
Pouco sobra ao humano aprumo.
Como antigo gladiador Flamma,
Muito mito produzido inflama,
Aversão crescente à liberdade,
Para fruir adoração da vaidade.
Toda força bruta do gladiador,
Reativa as multidões no ardor,
De ascender ao poder triunfal,
Sob a heroica fantasia colossal.
Dura internalização do fracasso,
Vomita mágoa do frustrado laço,
Porque o mito do herói gladiador,
É pobre escravo de manipulador.