Condição da maioria dos seres
humanos,
Sob mandantes autoritários e
doidivanos,
Sofre desrespeito total e morte
absurda,
De tirano mandante que a todos
chafurda.
Nesta ambiguidade entre ótimo e
péssimo,
Clamam anseios humanos por um acréscimo,
Que respeite a diferença cultural e religiosa,
Sem tanta aposta em arma letal e perigosa.
Índice:
Apresentação...
1
– Sob a nova lei da selva...
2
– Fascínio pelo caudilhismo...
3
– O bandalheiro valente...
4
– Na tática conspiradora...
5
– Carnificinas humanas...
6
– A nova verdade...
7
– A pobreza calada...
8
– Deslocados...
9
– Mecanismo de expansão...
10
– Ódio com poder...
11
– Poder disfarçado...
12
– Relação tirânica...
13
– Força bruta...
14
– Estratégia para superioridade...
15
– Assombro sob luzes divergentes...
16
– Palavras finais...
APRESENTAÇÃO
No auge do delírio doidivano,
Já sem freio no trato leviano,
Volta animalidade selvagem,
E substitui humana aragem.
Extraordinário na capacidade,
E profícuo na generatividade,
O humano torna-se ambíguo,
E demonstra seu juízo exíguo.
Sob vontade não temperada,
Para convivência respeitada,
Age com o ambicioso desejo,
E move-se para muito pelejo.
Sentir-se forte sobre o rival,
Faz engolir lei institucional:
Sem freio a travar agressão,
Na ação movida por paixão.
Leis só para os dominados,
Alargam povos subjugados,
Para a mórbida convicção,
De culpa por sua condição.
Na acusação de terroristas,
Com os planos comunistas,
Mereceram morte violenta,
Ante poder que a fomenta.
Cínica culpa de resistência,
Justifica toda a indecência,
Que alega furtado direito,
De impetrar o desrespeito.
Se o morto nada importa,
Seu sumiço pouco conforta,
Porque elogio ao matador,
Bajula o heroico pundonor.
Todo morto desqualificado,
Fica rapidamente relegado,
Sem luto e sem a memória,
De reta e lídima trajetória.
Morte gerada sem lamento,
No luto sem nenhum alento,
Desloca adoração ao poder,
E deixa outros se escafeder.
Ao não se cultivar antígeno,
Ante imperialista morbígeno,
Falta voz de que enfim basta,
Matança que, tanto devasta.
O gângster venerou a guerra,
Bem define o que ela encerra,
Mas, sem a básica compaixão,
Para amenizar doida confusão.
Ao normalizar pífia matança,
Fruto duma doentia reinança,
Desumaniza convívio humano:
Morte, só o espetáculo insano.
1
SOB A NOVA LEI DA SELVA
Esquecido o orgulho evolucionista,
Rege o vetusto modo de conquista,
No qual, qualquer fantasia justifica,
A ordem radical a partir de rubrica.
Nenhuma eventual defesa a acusado,
Mas, todo direito sobre o condenado,
Com o seu referencial de leis e
regras,
Até o mundial, como as meras jegras.
Os alaridos dos super-heróis
canibais,
Veiculados como vozes excepcionais,
Viram vistosas manchetes diuturnas,
Apesar das informações tão soturnas.
Embora todo discurso fala em salvar,
Nada importa o quanto deva matar,
Para que estúpido sucesso desejado,
Alargue um poder para todo o lado.
Qualquer pretexto vira pressuposto,
Para abocanhar o que alarga o gosto,
Do avanço científico das armas
letais,
Contra os humanos, nas sinas fatais.
A conquista visa mais que o petróleo,
E do que paira sob belo céu cerúleo,
Mas, quer um totalitarismo político,
Cultural, emocional, e todo acrítico.
Roedores agressivos como castores,
Deglutem como ferozes predadores,
Valores da boa convivência humana,
E fazem da guerra uma deusa insana.
Não esperam por eventuais ataques,
Pois, antecipam violentos achaques,
Invadem para esnobar superioridade,
E criam povo submisso na sociedade.
Adoram armas com venerado fervor,
E nada lhes importa o efeito
sofredor,
Dos que perdem seus entes queridos,
Ficam, já escravos, a eles
submetidos.
No uso indiscriminado da violência,
Avançam sobre países sem decência,
Para espoliar e sugar até a exaustão,
O quanto cai na vista da sua ambição.
Já feitos bárbaros frívolos e
brutais,
Somente falam de inimigos e rivais;
Locupletam com sua rala destruição,
Uma vitória do seu ego em expansão.
2
FASCÍNIO PELO
CAUDILHISMO
Longa história latino-americana,
Marcada pela caudilhista gana,
Perpetuou mando de militares,
Com apoio dos parlamentares.
Grupos oligárquicos no entorno,
Produziam o séquito de adorno,
Para ostentar a alta hegemonia,
Da ordeira e política autonomia.
No fascínio caudilhista hodierno,
Reina um outro ideal de governo,
Sem o itinerário político definido,
Mas, carismático e bem-sucedido.
Ele desperta um discurso atrevido,
E com dinheiro na mídia investido,
Compra empatia e voto denodado,
Que assegura seu precioso reinado.
No caudilhismo novo, sem Estado,
E sem Nação e soberano agregado,
Importa ouro do capital financeiro,
Que tudo compra com o dinheiro.
Política é somente a hiper-imagem,
Para aparecer bem na reportagem,
Com informações hilárias ou pífias,
Misturadas com suaves blandícias.
Não se requer a vocação política,
Nem capacidade de visão pública,
Ou apelo de demandas nacionais,
Pois, só importam fitos pessoais.
Qualquer desvirtuado espalhafato,
Mais importante que o político ato,
Ajuda a granjear apoio oligárquico,
Para o mandonismo vil e anárquico.
A mentira bem burilada e repetida,
Delibera para militarizada investida,
E auto-elogio do sucesso fantástico,
Alarga rapinagem no ar bombástico.
Nem os limites de leis
internacionais,
Estão acima dos interesses pessoais,
Pois protestos, mortes e
insatisfeito,
Nada afetam o Ego de amor-perfeito.
Se os atos não confirmam mentiras,
Inventam-se quaisquer macambiras,
E muda-se o pressuposto do motivo,
Com nova mentira para um lenitivo.
Dissolvência de limites
estabelecidos,
Não leva a assumir crimes cometidos,
E se não surge alguma contraposição,
Autorizada fica qualquer intromissão.
3
O BANDALHEIRO VALENTE
Afamado por ser prepotente,
Fica a cada dia mais contente,
Eufórico no sucesso absoluto,
Como bandalheiro impoluto.
Sem restrição séria a seu agir,
Valida o seu jeito de interferir,
E se homenageia pelo sucesso,
Do seu amplo poder expresso.
Sente suporte do seu partido,
E adora o resto todo dividido,
Pois, saquear recursos alheios,
Depende só dos seus meneios.
Laureado por afoitos similares,
Venera espertos atos militares,
Para justificar êxito da sua sina,
Mesmo sob a invasão assassina.
Como o velho império romano,
Exerce incólume o poder tirano,
De estabelecer a paz pela força,
Que o seu ávido poder remoça.
Sente-se um augusto na Terra,
Quer possuir tudo até finisterra,
Como um excelso rei mandante,
Sem eventual desafiador gigante.
Proclama-se MAGA do planeta,
Só não vê, nem sente a muleta,
Do seu porte elevado e vistoso,
Ceifá-lo em tombo estrondoso.
Humanos declarados augustos,
Longe dos sentimentos justos,
Não duram tempo prolongado,
E, fracos assumem seu legado.
Como tanto outro bandalheiro,
No seu ar superior e altaneiro,
Elimina humanos na frivolidade,
Mas, vai morrer sem majestade.
4
NA TÁTICA CONSPIRADORA
Acima da arte de negociação política,
Firma-se apreciada ordem impolítica,
Na qual o largo caminho conspirador,
Deixa andar, livre e solto, o
impostor.
Poder, Estado, nação e bem-comum,
Só para legitimar êxito super-comum,
Da elevação pessoal de conservação,
De um poder livre para a intimidação.
O poder carismático acima das leis,
Faz a política do desejo sobre greis,
Na qual a família e suas vantagens,
Ficam além das políticas bandagens.
Desejo do mandante todo soberano,
Requer só exército forte e suserano,
Para autoridade da vivência mafiosa,
Que expanda sua pujança ambiciosa.
Amparo de autoridade pública eleita,
Aufere-lhe o privilégio para
desfeita,
Para desfazer o declarado numa hora,
E mandar o declarado amigo embora.
Sabe que o seu vasto rol conspirador,
Para arrecadar lucros ao ego
salvador,
Permite pressionar uma aparente paz,
Mas, com submissão do que lhe apraz.
Para ratificar os interessados
negócios,
Não se satisfaz com minguados rócios,
E requer a vigência da regra
particular,
Para seu domínio direto mais alargar.
Sob o Estado de exceção no controle,
Subjaz toda a ação da conversa mole,
Pratica airoso caudilhismo
excêntrico,
Como Maga do reino antropocêntrico.
Com as contumazes praticas
extorsivas,
Arbitra e tutela com ameaças
explosivas,
Sobre rivais e chantageia os seus
aliados,
Para que sempre continuem devotados.
Deixa o central da sua função à
anarquia,
E, como o gangster, decide tudo à
revelia,
Para outros, depois, justificarem o
feito,
Mesmo que tenha gerido perverso
efeito.
Com o seu poder, situado acima de
tudo,
Reforça com armas seu exército
topetudo,
Para espionar e futricar o mundo
inteiro,
E conservar-se como um chefe
altaneiro.
Terrorismo do seu exército sem
piedade,
Mata com pérfido requinte de
crueldade,
Insensível a todo tipo de
vulnerabilidade,
Sabe que nada decorre da
arbitrariedade.
5
CARNIFICINAS HUMANAS
Um prazer sádico de mandantes,
Brilha nos airosos comandantes;
Educa e forma exército poderoso,
Para fruir afamado poder de gozo.
Suposto desvelo pelos cidadãos,
Bela falácia de argumentos vãos,
Faz dos exércitos causa de morte,
Para auferir a ditadores o aporte:
Treinar juventude para a guerra,
Que sobre adverrsário se aferra,
Gera matança para haurir honras,
Numa ilibação de reais desonras.
Nascer e ser educado para matar,
Como ato edificante do humilhar,
Não pode apontar ideal humano,
Merecedor de acalantado abano.
Crias de ditaduras civis-militares,
Vociferam o ódio sem patamares,
Para justificar seletos privilégios,
Para seus nobres cargos egrégios.
Como entender os altos escalões,
A tramar morte para seus colhões,
Contra leis e regras estabelecidas,
E elogiar as torturas imerecidas?
Desmando ante ritos democráticos,
Com apelo de anistia para erráticos,
Revela interesse do jogo pelo poder,
Que deixa uma nação a se escafeder.
Se para alçar o poder, morte é
válida,
Aceitariam eles uma proposta gélida,
Duma eliminação pelo bem do povo,
E respeitar seu desejo de algo novo?
Uma verdade do pensamento único,
Não pode supor o poder mediúnico,
De prognósticos para o bem coletivo,
Sob ideológico interesse agressivo.
Ditaduras subliminares e seletivas,
Extrapolam expectativas coletivas,
E precisam eliminar mito exclusivo,
Da primazia do ódio como lenitivo.
6
A NOVA VERDADE
Passa longe da linguagem mítica
grega,
E da larga narrativa bíblica que agrega,
E, até da verdade científica moderna,
A nova verdade que nem se consterna.
A nova verdade é a da auto-afirmação,
De quem se sente mito da admiração,
E nega tudo o que os outros afirmam,
Para que a seu desejo se conformam.
Sua mórbida excentricidade é
engolida,
Mesmo sem processo de ser deglutida,
Pois, como deus absoluto de si mesmo,
Divulga as pífias extavagâncias ao
esmo.
Como o visionário cioso e
interesseiro,
Usurpa com seu esmerilho serralheiro,
Uma fala do que deseja como verdade,
E do quanto aspira com a sua
acuidade.
Na roupagem de mito visionário e
cruel,
Atua para adaptar geopolítica em
cartel,
Que lhe permite desorganizar o
vigente,
Para dizer que subjaz a seu
contingente.
Sentindo-se um deus monstro e
heroico,
Sente-se no real direito do desejo
egoico,
De que tudo quanto ambiciona como
mito,
Deve ser piamente aceito como
sobredito.
Desenfreado e cínico diante de
espoliados,
Imputa-lhes culpa de serem
negligenciados,
E sem escrúpulos, consolida a sua
verdade,
Como única a salvação para a
humanidade.
Sabe que as grandes big techs tem
poder,
Para inventar e facilitar seu cioso
querer,
E falam muito mais alto que regras e
leis,
Para superabundar seu poder sobre
greis.
7
A POBREZA CALADA
O indigesto assunto da pobreza,
Reflete decorrência da avareza,
Desloca culpabilidade no pobre,
Para procedência do seu alfobre.
É pobre por não aspirar nobreza,
Da adorada idolatria da riqueza,
E, por isso, merece ser ignorado,
Por ser culpado pelo seu legado.
Olha-se pobre pela apresentação,
Fruto duma econômica condição,
A merecer os tratos de desprezo,
Por sua situação de menosprezo.
Por ser declarado ente culpado,
Sem avançar no rol afortunado,
Não é digno de ajuda solidária,
Pois, poderia haurir boa diária.
Restrição do conceito de pobre,
Confronta seu estado ao nobre,
Para ratificação da culpabilidade,
E, efetiva exclusão da sociedade.
Ostentação das cidades e favelas,
Ilustra bem estas tristes querelas,
Sob sensor do estado econômico,
Que rejeita pobre como anômico.
Vasta negação de outra pobreza,
Mostra miséria oculta da riqueza,
Que é pobreza de senso humano,
E de elã para sair do autoengano.
Bem miserável na gratuita alegria,
Da sensibilidade que gera empatia,
Ele é o pobre que compra etiqueta,
Para destacar-se sobre sua muleta.
Pobre de caridade de foco cordial,
No ar sisudo e de gesto intelectual,
Ostenta airoso sua pobreza vistosa,
E tem só dinheiro e vida ostentosa.
Sem tempo para uma escuta alheia,
Precisa ser esperto e ágil na peleia,
Para o negócio que amplia o poder,
Para barganha de sempre ascender.
Justifica-se então qualquer pobreza,
Como um defeito da divina destreza,
Pois, engendrou a condição humana,
Com parcela em condição subumana.
Atribuir pobreza a um erro de Deus,
Faculta explorá-la e dar-lhe adeus,
Sem pagamento justo e merecido,
Sob ar de pouco serviço produzido.
Pobreza oculta do enriquecimento,
Vista como graça do divino alento,
Percebe apenas um lado da moeda,
E seu avesso é do pobre em queda.
8
DESLOCADOS
No coração de bela cidade,
Escuta-se voz na saciedade,
Língua, de outro ambiente,
Sob tolerância indiferente.
Deslocados de sua cultura,
Vivem em teimosa agrura,
Para sobreviver adaptados,
Nos espaços aglomerados.
Deixaram história para trás,
Solução dum contexto fugaz,
Sem dia prevista de retorno,
Ante a violência do entorno.
Sem o espaço humanizador,
Da origem do seu pundonor,
Tentam captar luz e direção,
A apontar efetiva redenção.
Enquanto natal de ricos reis,
Força deslocamento de greis,
Insensível a morto e fugitivo,
Deixa esperança sem lenitivo.
Facilidade de negar direitos,
Para acumular ricos preitos,
Faz do Natal a contradição,
Da lei da humana condição.
Se nem Herodes e Jerusalém,
Acolheram o pobre de Belém,
A sua mensagem hospitaleira,
Continua a ser jogada na eira.
Prefere-se a violência diária,
Pautada por ação temerária,
Para amplos bens acumular,
Sem a obrigação de partilhar.
Com tanto solo no planeta,
Sob tanto cano de baioneta,
O deslocado fica amontoado,
Em espaço bem inadequado.
Resiste com a fala da origem,
Sem ampliar a sua vantagem,
Para o ambiente hospitaleiro,
Neste lugar apenas passageiro.
Como a velha história violenta,
A sua genuína espera sedenta,
Faz dele fugitivo perambulante,
Neste rico centro mirabolante.
Acantonado na pobre margem,
Vai a centro da contramargem,
Para manifestar sua existência,
De pobre no meio da opulência.
É deste lugar que brota clamor,
Por condição humana de fervor,
Onde a vida é bem mais valiosa,
Que etiqueta da riqueza gloriosa.
9
MECANISMO DE EXPANSÃO
Na onda do suposto big-bang,
Todo o mundo quer dar bang,
E o humano, feixe insatisfeito,
Foca alcançar o mais perfeito.
Pouco falado e muito desejado,
Ato de expandir-se para o lado,
Impregna as nuvens de desejos,
Sob as chuvas de possíveis ejos.
Nesta frágil condição humana,
Virtualidade cedo se promana,
Para o novo, inusitado, bonito,
Na ânsia pelo que seja infinito.
No contínuo mecanismo vital,
Humanóide, desde início fetal,
Se move rumo a amplo espaço,
Mesmo que lhe crie embaraço.
Quer crescer e quer dilatar-se,
Quer mais volume, e inflar-se,
Anseia expansão e a profusão,
Mais que cosmos na expansão.
Vontade de espalhar doutrina,
Torna-o complicado numa sina,
De interferir na decisão alheia,
Para avantajar a própria peia.
Quer ensinar a melhor religião,
E, para tanto gesta a agressão,
Por desejar modificar crenças,
Sem eliminar suas desavenças.
Quer aumentar sua força bélica,
Com atrevida ação maquiavélica,
Para alargar sob controle militar,
Imensas multidões a subordinar.
Anseia por reservas econômicas,
E faz as gastanças astronômicas,
Para ter as necessidades supridas,
E com muitas riquezas absorvidas.
Tudo envolve ideais de grandeza,
E leva a agir com toda a destreza,
Para expandir seu próprio espaço,
Que a toda hora propicia cansaço:
Luta pelo que pertence a outros,
Confronta divisa com destoutros,
Sequer se ajusta no seu entorno,
Porque vive obsessivo transtorno:
Não sossega, e não se conforma,
Pelo que a curta vida enforma,
Porque é bem limitada e finita,
Apesar de sua ambição infinita.
Nesta doença congênita e vital,
O ser humano confronta o rival,
Porque deseja similar expansão,
A configurar ameaça à ambição.
No limite que o planeta suporta,
Nada muda tanta vida já morta,
E lida humana, tão complicada,
Aponta para sinistra derrocada.
10
ÓDIO COM PODER
Mérito do rancor produzido e
alargado,
Eleva patamar de mídias por todo
lado,
Para atiçar quem segue
influenciadores,
E incitá-los para os ataques
vingadores.
Parece nada interessante ser
generoso,
Ou valer-se da simpatia pelo
grandioso,
De alargar bonança, com cordialidade,
Para engrandecer o valor da
sociedade.
Se até pouco, prevalecia maniqueísmo,
De quem se pensava, até com cinismo,
De colaborar a favor do supremo bem,
Até bom Deus explorava como refém:
Em nome dele queria combater o mal,
Para obter a vitória numa luta
triunfal,
Contra inimigo imaginário e
declarado,
A fim de não lhe deixar nenhum
legado.
Vive-se, assim, a luta diária de um
ódio,
A exaurir as energias contra outro
ódio,
E o mais perverso será o forte
vitorioso,
A descarregar ódio de domínio
glorioso.
Ainda dá para prever tons moderados,
Com ódio cultivado por todos os
lados?
Quando vencedores exigem prostração,
Sobra só o joelho dobrado sem reação.
Se redes se afortunam incitando
ódios,
Neste vale-tudo de raiva a
adversários,
Espalha-se todo cocô jogado no mundo,
Sob o ventilador midiático do
iracundo.
Ao se confundir liberdade de
expressão,
Com a larga difusão de ódio à
exaustão,
Adora-se quem é o extremista e feroz,
Que esnoba sobre a vítima, como
algoz.
Se notícia de ódio, de público
garantido,
Vira sucesso para um mundo denegrido,
Resta ficar mais desconectado da
mídia,
Para não sucumbir pelo rumo da
acídia.
Menos elogio e reverência a
vencedores,
Poderia ensejar os novos e bons
alvores,
Para amenizar tons raivosos e
agressivos,
E permitir fruição dos graciosos
lenitivos.
11
PODER DISFARÇADO
Sem o Estado de bem-estar do povo,
Impõe-se com bela sutileza algo novo:
A ideologia esquerdista ou
capitalista,
Sucumbem ante nova forma terrorista.
Algo mais que capitalismo selvagem,
Pervaga a nossa humana abordagem,
Sem aceitar competir para equilibrar,
Mas, quer o que é possível apropriar.
Poucos empresários da comunicação,
Tem controle de toda desinformação,
Sem topar competir para o equilíbrio,
Porquanto se mobilizam por ludíbrio.
Abuso do termo mágico da liberdade,
Que encanta e mobiliza à saciedade,
Enseja a alguns psicopatas poderosos,
Poder absoluto e planos gananciosos.
Banalizam leis e soberanias
nacionais,
Com apelos autoritários descomunais,
E a riqueza que deveria ser de todos,
Acaba como posse dos seus engodos.
Nem a democracia e nem socialismo,
Encaixam-se no seu patrimonialismo,
De aumentar impérios de informação,
Para o alcance de dilatada aprovação.
Qualquer discordância é tida como
vil,
Ante seu mirabolante delírio varonil,
E com a sua imagem de publicidade,
Visam agir do seu jeito na sociedade.
Em nada lhes importa o planeta
ferido,
Pois aproveitam o seu estado sofrido,
Para roubar minérios como barganha,
Da sua paranoica e obsessiva façanha.
Na relação não importa o sentimento,
Pois seu mundo busca o valioso
alento,
De relações com coisas para acumular,
Sem o genuíno humano do colaborar.
12
RELAÇÃO TIRÂNICA
Midiática guerra messiânica,
Veicula uma tirania ufânica,
De quem já não quer servir,
Só agir como deus do porvir.
Na sua doentia onipotência,
Insensível a toda clemência,
Alimenta vontade de poder,
Para continuamente crescer.
Sem ver chance de bondade,
Fala e age com cega maldade,
Pois sabe que o poder cresce,
Quando submissão o enaltece.
O instinto de domínio absoluto,
Torna-o um fascínora impoluto,
Por aquilatar o seu ego doente,
Que o deixa eufórico e contente.
Demonstração do excelso poder,
Ajunta os bilionários para aceder,
Na larga aspiração dominadora,
Sem mínima ação humanizadora.
As ordens e gestos contundentes,
Ilustram os seus ares onipotentes,
A banalizar sua pérfida maldade,
Para impor o desejo à sociedade.
Neste espírito primitivo de domínio,
Transparece o seu mórbido fascínio,
Sem memória do absurdo hitleriano,
Para repetir o mesmo modo insano.
Nada importam os anelos humanos,
Ante gana de patamares doidivanos,
Que ignoram as relações respeitosas,
E nem valorizam afeições amistosas.
Na iminência de novos holocaustos,
Preconizam-se os tempos infaustos,
No lugar do projetado paraíso feliz,
Do neoliberalismo de falsa motriz.
13
FORÇA BRUTA
Delírios paranoicos viram desejos,
E se tornam insinuantes cortejos,
Do chefão que se pensa ser dono,
Para agir no despeito e abandono.
Interpreta tudo à luz das ambições,
E sente-se muito acima das nações,
Para ignorar as regras estabelecidas,
E, abocanhar benesses imerecidas.
Mortal tanto quanto outros mortais,
Age sobre pessoas de formas brutais,
E antecipa hora natural de suas
vidas,
Para sumirem da Terra com suas lidas.
Torna-os iguais pelo silêncio
imposto,
Porque mortos não causam desgosto,
E só tolera súditos para
imortalizar-se,
Acreditando, com armas, perpetuar-se.
Adora e endeusa sua própria coragem,
E pressupõe que a liberdade selvagem,
Das suas leis férreas de força e
poder,
Assegurem seu governo de superpoder.
Explicita possessivo e mórbido
desejo,
Afetando os humanos em seu bom ejo,
E, ameaça, domina, destrói e
aterroriza,
Tudo o que em sua tagarelice
demoniza.
Deixa no ar séria questão
desafiadora:
Poderia a força de amar ser
redentora,
Perante a lei de ato bruto e
destruidor,
De governante que se acha superior?
14
ESTRATÉGIA PARA
SUPERIORIDADE
Sonho de integrar a elite superior,
Ajuda esquecer a pobreza inferior,
E a fome de acumulação fantástica,
Alarga força de atuação na política.
Tentação de intervir na lida
política,
Faz bancar o político na geopolítica,
Para sempre beneficiar o interesse,
Do sujeito rico no status de finesse.
Do efeito da comunicação midiática,
Mentaliza a aceitação de sua tática,
E amplia seu poder sobre as mídias,
Para a defesa e elogio das perfídias.
Nada importa o disparo do abismo,
Das multidões pobres, no cinismo,
Mas, riqueza ascendente e vistosa,
Assegura a força política poderosa.
Desconsidera ordem internacional,
E sobre ela faz cocô do seu tribunal,
Porque a sua ação intervencionista,
Não permite uma reação pessimista.
Seu poder delimitado à moralidade,
Fornece-lhe a subjetiva autoridade,
Para ser, a cada dia, mais coercitivo,
Sob a diplomacia mafiosa de lenitivo.
A prática de extorsões e chantagens,
E de acordos pessoais para miragens,
Faz dele genocida perverso e abusivo,
O neofascista estratégico e
corrosivo.
Nada lhe importa desastre econômico,
Mas pega no intervencionismo cômico,
Tudo o que representa ouro e
petróleo,
Para seu processo acumulador miróleo.
Consegue o efeito de
transnacionalizar,
A rede criminosa de tudo
comercializar,
Na inusitada megacorrupção do Estado,
Para sentir-se onipotente por todo
lado.
Distorce fatos, e, manipula seus
dados,
Facilita a ampliação dos vastos
legados,
Na força bruta e destruidora do
exército,
Com ações ilícitas de julgamento
tácito.
Impede a rebeldia contra sua
corrupção,
E tal recurso legitima e garante a
gestão,
Para ser, todo dia, apreciado e
lembrado,
Como o magnata do globalizado
reinado.
15
ASSOMBRO SOB LUZES
DESCONVERGENTES
Longe de apostar no genuíno humano,
Para reanimar seres vítimas do
insano,
Luzes mais brilhantes são de
assombro,
Diante da iminência de muito escombro.
O efeito político da luz
desconvergente,
Gera ampliação de gente descontente,
Que já não vê mais o amparo do
Estado,
Nem papel de aliviar mundo
atribulado.
O Estado tornou-se frágil
subserviente,
Dum ambicioso e poderoso presidente,
Que fanatizado pelo seu nacionalismo,
Quer mundializar o caduco
liberalismo.
Sabe teologizar a sua política de
poder,
Como se Deus admirasse seu proceder,
A criar classes de imensa
desigualdade,
Para o pleno êxito da sua
nacionalidade.
Sob crença da sua força sobre-humana,
Deus do exército lhe dá força
soberana,
Para instaurar vasta violência
planetária,
Por simples razão ambiciosa e
temerária.
Quer juntar o maior acúmulo
financeiro,
Com rapinagem do processo trapaceiro,
E poder firmar domínio total e absoluto,
Neste planeta do seu desejado
atributo.
Com procedimento todo destrambelhado,
Quer reverência do Deus de bom
legado,
E crê que sua única limitação é seu
limite,
Para impor como lei absoluta seu
palpite.
Ao sentir a redução dos seus
adoradores,
Que relegam o dólar e seus altos
alvores,
Vê que desejam um Deus de humanidade,
Para derrotar a sua egóica
arbitrariedade.
Ao pensar mundo pela sua
subjetividade,
Torna-se um ícone de péssima
qualidade,
Um dragão simbólico que degrada a
vida,
E a cada dia mais deixa-a toda
escafedida.
Se a humanidade evolui a lentos
passos,
Seus procedimentos tão vis e
devassos,
Focam retrocesso na humana
pluralidade,
Sem luzes de amparo para a
humanidade.
Tanto cego fanatizado por
nacionalismo,
Da fachada do superado neofeudalismo,
Ainda fica fascinado pelo poderoso
chefe,
Que adaptou ação do estado a seu
blefe.
Com tantos clarões de desejos
gloriosos,
Veiculados como os credíveis e
airosos,
Esconde-se na sombra dos fachos de
luz,
Toda a ideologia traiçoeira que os
seduz.
16
PALAVRAS FINAIS:
NAS GARRAS DO
INSACIÁVEL
Impacta pela valentia contumaz,
E envolve tudo o que lhe apraz,
Para enaltecer sua ação tóxica,
E deixa todos em lida hipóxica.
Ameaça derrotar todo mundo,
Bater duro em sujeito iracundo,
Resistente à regra do seu jogo,
Insubmisso à sua boca-de-fogo.
Engole toda regra democrática,
E submete à autoritária prática,
Do seu extremismo anarquista,
Todo infiel à sua característica.
Quer configurar ordem mundial,
Segundo o seu subjetivado ideal,
Do macho de ação dominadora,
E só aceita condição vencedora.
Sobra o sofrimento devastador,
Da indignação, com muita dor,
De espoliados com suas dívidas,
Deglutindo as grandes dúvidas.