terça-feira, 14 de julho de 2026

GUERRA NO ÂMBITO ESPIRITUAL

 


A austeridade para a santidade,

Moveu regra pessoal e piedade,

E lhe aponta a luta contra o mal,

No campo duma política radical.

 

Sem ascética da transcendência,

Toda luta divina é na imanência,

E as Igrejas mudam sua função,

Para conduzida política de ação.

 

Importa uma política santificada,

Ativa ante a maldade diabolizada,

Aliada ao divino e poderoso Deus,

Para defender os fiéis amigos seus.

 

O argumento da batalha espiritual,

Já Cristofascista, como referencial,

Legitima, com narrativas favoráveis,

Falsos méritos de sujeitos elegíveis.

 

Líderes religiosos na ação coletiva,

Empreendem sistemática invectiva,

A favor de um legitimado salvador,

Apontado como genuíno redentor.

 

Os fiéis induzidos a uma conduta,

Movem-se em fanatizada labuta,

Para derrotar do inimigo do mal,

Adversário forte, o suposto rival.

 

A insistência na ética da vigilância,

Amplia largo poder da arrogância,

Para não tolerar a ação do diabo,

E eliminá-lo no pífio menoscabo.

 

Caráter sagrado atribuído a líder,

Como temente a Deus, o colíder,

Induz a manipular frases bíblicas,

E despertar similaridades idílicas.

 

Legitimar único sujeito mandante,

Contra todo o vasto agir errante,

Permite santificar escolha política,

Ao iluminado da imagem acrítica.

 

Narrativas pessoais do candidato,

Como o sujeito piedoso e cordato,

Apelam à escolha divina do serviço,

Aceito na humildade para seu viço.

 

Sutileza de explorar perseguição,

Do adversário em diabólica ação,

Oposto a Deus, o fautor do bem,

Não age como a cristão convém.

 

O bom candidato fita no sublime,

Sob escora de Deus tudo redime,

Pois, força do poder espiritual,

É homem que elimina todo mal.

 

Sob a religiosa validação política,

Desvia-se eventual análise crítica,

Da vida perpassada por conluios,

Não lubrificados pelos mucudaios.

 

 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

PALAVRAS A MULTIDÕES

 


Tantos discursos insinuantes,

Para as multidões anelantes,

Com gestos bem autoritários,

Emitem os juízos temerários.

 

Como na velha sofística grega,

Intenção de domínio escorrega,

Rumo à passividade dependente,

Que facilita comando arrogante.

 

Os gritos e palavras de ordem,

Supõem eliminar a desordem,

Para deixar todos muito felizes,

Sob seus governos e diretrizes.

 

Por isso apraz lembrar discurso,

De Jesus Cristo em seu percurso,

Que recorria a lídimas parábolas,

E, às enriquecedoras metáforas.

 

Diante de multidão empobrecida,

Já refém da espoliação aguerrida,

Jesus, sem a ofender, nem lograr,

Incitava a novo rumo programar:

 

Sair da passividade dependente,

Acomodada sem novo horizonte,

E dinamizar sua vida manipulada,

Para uma solidariedade dilatada.

 

Falou de um estranho semeador,

Que jogou semente no seu redor,

Sobre os espaços ermos e áridos,

Os fecundos, pedregosos e cálidos.

 

Alguém semearia desta maneira,

Desperdiçando semente fagueira,

Para colher os abundantes frutos,

Com a precária chance de lucros?

 

Dava a entender que o semeador,

Era Deus, no seu profundo amor,

Que apostava semente preciosa,

Em toda a interioridade raivosa.

 

Se alguns corações de espinhos,

Sufocam de modos mesquinhos,

Ante as boas palavras semeadas,

Outros frutificam em disparadas.

 

Terra pisada dos corações duros,

Criam fortes couraças e escudos,

Que não deixam Palavra de Deus,

Produzir efeitos nos seus “eus”.

 

Os muitos corações inconstantes,

Aceitam e esquecem em instantes,

Para retornarem à sua velha rotina,

Conformando-se na habituada sina.

 

Há corações inquietos e agitados,

Para bons êxitos e lucros dilatados,

Mas são espinheiras que sufocam,

Os bons sentimentos que os tocam.

 

Entretanto, alguns corações bons,

Como terra boa de múltiplos dons,

Produzem gestos de humanidade,

A render interação com bondade.

 

Os diferentes estados de coração,

Como os momentos de disposição,

Se alternam no cotidiano comum,

Do agir que não leva a lugar algum.

 

Se existem terrenos improdutivos,

Em momentos áridos e agressivos,

Outros se disponibilizam fecundos,

E desmobilizam modos iracundos.

 

Outra acepção da parábola de Cristo,

No testemunho dum jeito benquisto,

Encontra secura, espinho e a aridez,

Mas, poucos abrem brecha na avidez.

 

Na síntese das resistências efetivas,

Intuem-se boas e novas alternativas,

Para, como Jesus, que muito semeia,

Colher poucos resultados na plateia.

 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

ASCENÇÃO DO DESPOTISMO

 


Os despóticos procedimentos,

Inibem parcos e bons alentos,

Desde sofrida gênese humana,

E alargam dor que desengana.

 

Ativo estímulo à transgressão,

Amplia na infâmia à exaustão,

Que atos grosseiros e vulgares,

Facilitam elevados patamares.

 

Arrogância esperta e atrevida,

Fascina mais que honesta lida,

E o centro da lógica capitalista,

Estimula toda ambição egoísta.

 

O auge da lógica inescrupulosa,

Libera toda ganância ambiciosa,

E faz dela o sucesso de domínio,

De um bem tolerado raciocínio:

 

Apontar o terror na sociedade,

Explora os medos à saciedade,

Para naturalizar trato ríspido,

E causar muito pavor híspido.

 

Astuto apelo ao sobrenatural,

Induz mentes para o infernal,

Que facilita apetite agressivo,

Como o melhor reagente ativo.

 

Diviniza-se misoginia e cinismo,

Atributo exclusivo do machismo,

Para mandar, conquistar leitores,

E fingir pios e piedosos fervores.

 

Seria sucesso só para exagerados,

A ofender com modos malcriados,

Através de insultos e desrespeitos,

Para alcançar muitos bons preitos?

 

Estranho fascínio pelos arrogantes,

Egoístas imorais e pífios mandantes,

Leva-os a altas conquistas eleitorais,

Suporte os para lucros excepcionais.

 

Candidato ético, reto e responsável,

A visar bem-comum de modo afável,

Já nem conquista supostos eleitores,

Porque adoram-se os provocadores.

 

O candidato forte e todo vingativo,

Mesmo que seja altamente nocivo,

Leva a vantagem no resultado final,

Ante concorrente empático e social.

 

Sob vasta agressividade introjetada,

Resulta efetiva consciência dilatada,

A se encantar pelo forte e agressivo,

Que se orienta pelo modo vingativo.

 

O traço todo mórbido da sociedade,

Já merece terapia ante insanidade,

Que desloque fortes e vingativos,

Do comando de grupos coletivos.

 

Se infâmia é a baliza para ascender,

E para o exercício do tirano poder,

Então a lógica da motivação social,

Necessita de uma UTI emergencial.

 

 

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

PROPOSTAS DE ORDEM

 


Esperta proposta de campanha,

Com uma sutil ação de patranha,

Aponta a desordem implantada,

E propõe nova ordem inusitada.

 

Apresentar ordem como a saída,

É um atraente ponto de partida:

Cai no agrado do valioso eleitor,

Para votar num eficiente gestor.

 

No entanto, proposta de ordem,

Não se exime de nova desordem,

Perante a condição estabelecida,

E produz conflitividade renhida.

 

Como na vetusta contraposição,

De caos-cosmos na organização,

Almeja-se um cosmos de ordem,

Que gere a inovada contraordem.

 

Quando se supõe que o mundo,

Iniciado pelo equilíbrio fecundo,

Da idônea ordem com harmonia,

Então somos frutos duma ironia:

 

A queda irrecuperável do paraíso,

Nos relega neste diabólico guizo,

De sempre produzir a desordem,

Ante os bons fautores da ordem.

 

Pressupõe-se a ordem absoluta,

Recuperável na forma impoluta,

Na separação do que degenera,

Sob oposição, feita a quimera.

 

Como a finitude é inescapável,

Toda a ordem radical é inviável,

Porque é inerente à desordem,

E a ordem cai na contraordem.

 

Presunção totalitária de ordem,

Que quer que todos concordem,

É crassa ambição pelo domínio,

Para estabelecer o predomínio.

 

É imaginário poder de controlar,

Todo mal a agir de modo vulgar,

E unificar o ambiente desunido,

Para erradicar mal estabelecido.

 

Esquece-se a fronteira dialética,

Que não separa desejada ética,

Na busca implacável de política,

Sem uma necessária auto-crítica.

 

Ordem e desordem se mesclam,

E em todo indivíduo se afalcoam,

Porque a ordem agrega desordem,

E desordem também é uma ordem.

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

FALSOS CÃES PEDIGREE

 


Bem aqui, no reino do Morocó,

Lugar encarado como cafundó,

Mundo dos cães, estratificado,

Produz o estranho maranhado:

 

Tem lobete e cachorro do mato,

Tem pedigree que parece gato,

Mas, o que mais tem é vira-lata,

A fazer da rua a área aristocrata.

 

Ali, festa e folia ocupa todo dia,

E o que prevalece, é galhardia,

Vida agitada e amizade coletiva,

Sob interação ruidosa e efusiva.

 

As raízes sem pedigree europeu,

Ou dum norte-americano liceu,

Revelam sua genética derivada,

Como mistura pouco valorizada.

 

Nos cercados super-protegidos,

Latem os cães de fortes rugidos;

O som ecoa como ordem dada,

Para subserviência equivocada.

 

Eles mandam e são superiores,

Ditam regras, como ditadores,

E promovem poucos vira-latas,

 Para serem as suas gentis tatas.

 

Elitizadas sob um pedigree falso,

Movem-se no elitizado impulso,

De serem raça de lugar superior,

Ante mundo de vira-lata inferior.

 

Já descontextualizadas da rua,

E indiferentes à realidade crua,

Correm em superiores estádios,

Mandaletes de pífios presságios.

 

Transfiguradas em reais mitos,

E sob os constrangedores ritos,

Induzem os vira-latas ao delírio,

De adorá-las qual sábio Porfírio.

 

Tais genuínos parasitas sociais,

Desprezam cachorradas banais,

E seguros no poder dominante,

Pintam-se como ideal alienante.

 

O seu modo de ser como molde,

Não esconde um real desmolde,

Do falso pedigree da cachorrada,

Movido pela cultura disparatada.

 

Desapropriam o mundo popular,

Porque só sabem muito explorar,

E apenas deixam as parcas sobras,

Com as suas alienantes manobras.

 

Nada acrescentam aos vira-latas,

Tiram cor e sabor a ruas pacatas,

Como falsos pedigrees exteriores,

A facilitar processos espoliadores.

 

 

 

 

terça-feira, 7 de julho de 2026

GLADIADORES DE ENTRETENIMENTO

 


Um estranho gosto humano,

Aparentemente todo insano,

De apreciar o embate brutal,

Proporciona fantasia triunfal.

 

Já sem ludicidade interativa,

Conta toda força destrutiva,

Vale dominar e vencer rival,

E fruir a glória excepcional.

 

Mais do que personalidade,

Pesa músculo e sagacidade,

Para dominar o adversário,

E deixa-lo sem comentário.

 

O respeito e a cordialidade,

São ineptos para atrocidade,

Porque somente vira herói,

Um musculoso que destrói.

 

Quando um gladiador vence,

Publicidade a todos convence,

De que é mito reverenciável,

Que propicia euforia inefável.

 

Como os coliseus nos impérios,

Erguem-se os estádios etéreos,

Para as pias emoções coletivas,

Com fortes fanatizações reativas.

 

Sob o ânimo do herói vencedor,

Reproduz-se preito a pundonor,

De quem derrota o adversário,

Feito um pobre amouco sicário.

 

Briga-se tenazmente pelo herói,

Que sob a mídia, se reconstrói,

E as rivalidades com inimizades,

Minam as pacíficas sociedades.

 

Similitude ao Espártaco romano,

Ativa a rebeldia de trato insano,

Move até os exércitos rebeldes,

Com as agitações nada humildes.

 

Quando interesse do espetáculo,

Vira sutil e subliminar tentáculo,

De inaudito acúmulo e consumo,

Pouco sobra ao humano aprumo.

 

Como antigo gladiador Flamma,

Muito mito produzido inflama,

Aversão crescente à liberdade,

Para fruir adoração da vaidade.

 

Toda força bruta do gladiador,

Reativa as multidões no ardor,

De ascender ao poder triunfal,

Sob a heroica fantasia colossal.

 

Dura internalização do fracasso,

Vomita mágoa do frustrado laço,

Porque o mito do herói gladiador,

É pobre escravo de manipulador.

 

 

 

 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

STATUS DO PODER

 

 

Desde os vetustos imperialismos,

Poder tirânico com mecanismos,

Dobra nações, povos e culturas,

Sob as arrogâncias de bravuras.

 

Interpretam-se bem perspicazes,

E anunciam por meios loquazes,

O empenho ágil pela libertação,

Do povo refém duma escravidão.

 

Logo baixam regras e exigências,

Para espoliar sob as indecências,

Povo já definhado pela opressão,

E o roubam com nova legislação.

 

Persistem desde muitos milênios,

Os similares processos de gênios,

Paranóicos a perpetrar um hábito,

De subjugar com força de exército.

 

Humanos especialistas para matar,

Intimidam para os poderes dilatar,

Sob um silêncio vigiado e forçado,

Para nenhuma ação de desagrado.

 

Assim dobram-se vastas multidões,

Com belas e estapafúrdias ilusões,

E prossegue velha tática espoliadora,

A rígida e bárbara ação exploradora.

 

Antigo personagem bíblico, Zacarias,

Já desejava a pobres, melhores dias,

Desde que reis a serem empossados,

Se curvassem a pobres necessitados.

 

Só poderiam entrar em suas cidades,

Sem os desfiles das forças militares,

E suas armas deveriam ser fundidas,

Para as múltiplas obras enternecidas.

 

Sob a entrada humilde e desarmada,

Deveriam honrar a palavra divulgada,

E não manipular o povo tão sofrido,

E locupletar seu núcleo enriquecido.

 

Jesus Cristo ratificaria tal proposta,

E se dobrou ante multidão exposta,

Sem chance de algo digno esperar,

E apontou um jeito para se renovar.

 

A razão do reino seria o de serviço,

Sem explorar um povo já submisso,

E atrelado ao conformismo passivo,

Sem a menor chance dum lenitivo.

 

Ele ergueu fraqueza toda decaída,

E lhe apresentou uma solidária saída,

Contra investida cruel e imperialista,

Como arrogante besta materialista.

 

Se o poder é desprovido de serviço,

Vira o belo imbróglio de desserviço,

Que suga raça, o país e a população,

Apenas para alargar auto-afirmação.

 

Jugos mais leves e suaves do poder,

Requerem novo modo de proceder,

Sem tantas hierarquias privilegiadas,

Para suas vantagens não justificadas.

 

 

 

<center>GUERRA NO ÂMBITO ESPIRITUAL</center>

  A austeridade para a santidade, Moveu regra pessoal e piedade, E lhe aponta a luta contra o mal, No campo duma política radical. ...