sábado, 5 de setembro de 2026

SENTINELAS DESPRECAVIDOS

 


Nas muralhas de antigas cidades,

Os vigias, longe das ociosidades,

Tinham que alertar a população,

Sobre vinda de inimigo e ladrão.

 

Displicência ou rotineira distração,

Implicava em primária eliminação,

Se sentinela não alertasse perigo,

Era o primeiro a receber o castigo.

 

Em nossos dias, guardiões do povo,

Revelam-se acrobáticos no corcovo,

Para esquecer a segurança da nação,

E captar dinheiro ilícito em profusão.

 

Mesmo vendo quem vem para roubo,

Tocam trombeta com solene arroubo,

Já não mais para alertar a população,

Mas, para locupletar-se na exaustão.

 

Sabem que seus atos ilícitos e ilegais,

Já não implicarão em mortes fulcrais,

E com boas defesas obtém inocência,

Para prosperarem na sua incoerência.

 

Crer que a contravenção compensa,

Induz a pagar polpuda recompensa,

A quem evita condenação evidente,

E prossegue no vício, todo contente.

 

As afamadas sentinelas deste aporte,

Encontráveis desde o Sul até o Norte,

Rondam, espertos mais que raposas,

Sobre muros para andar em gaiosas.

 

Esnobam em cima dos trabalhadores,

Que sonham em não ser gladiadores,

A servir para os interesses malandros,

Dos elevados “bunkers” de meandros.

 

Pífia corresponsabilidade pelo coletivo,

Leva-os ao doce e confortável lenitivo,

De que sua vigilância é apenas egóica,

Sem uma dimensão altruísta e heroica.

 

Todo o silêncio ocultador das bravatas,

Conivente das velhas falcatruas piratas,

Legitima roubo livre e ainda debocham,

Dos que sem avanços se esborracham.

 

A difícil correção fraterna na sociedade,

Nada avança sem a corresponsabilidade,

No rumo básico de dignidade e respeito,

Para coordenar cargo de merecido preito.

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

NAS PROMISCUIDADES ÉTICAS

 


Progressivo avanço das desigualdades,

Com a devastação das ricas lealdades,

Da atinência humana com a natureza,

Promove todo o astuto na malvadeza.

 

A mesma promiscuidade no Governo,

Vale-se da ética diabólica de inferno,

Para dividir, confundir, e convencer,

Que existe inimigo que deve perecer.

 

A relação corrupta entre governantes,

E instituições com desejos brilhantes,

Leva cada lado aos ataques mordazes,

Acusando o outro, por erros sequazes.

 

Um se vale do outro para corrupção,

Para que lhe traga uma vasta fruição,

De polpudas vantagens econômicas,

E barganhas de rendas astronômicas.

 

Parece o estrondoso latir num canil,

Em que cachorros latem por pernil,

E não o alcançam sob o rabo preso,

Mas querem desviar cachorro ileso.

 

Seus latidos com embustes ferozes,

Tentam ocultar escândalos atrozes,

Sob alegação de que são inocentes,

Sentinelas dos lídimos antecedentes.

 

Conseguem repetir as belas mentiras,

E creem nelas, como verdades puras,

Para que os saracoteios explicativos,

Produzam abrandamentos lenitivos.

 

Uns querem que outros renunciem,

Para ocultar alvos que denunciem,

As negociatas dos polpudos lucros,

Em parâmetros ilegais, bem xucros.

 

Movem passeatas contra corsários,

Para salvar os pios e bons ideários,

A serem proclamados e defendidos,

Com firmes e bons atos destemidos.

 

Mais que vultosas somas desviadas,

Importam falas e vozes embargadas,

Para defender retidão dos acusados,

Ante os inimigos mal-intencionados.

 

Com tanto rabo preso em negociata,

O que sobra para uma ética pacata,

Em que o sim é sim e, o não é não,

Para o bem coletivo de uma nação?

 

Ataques dos que tem o rabo preso,

Simulam na intuição de desejo leso,

Que são idôneos, retos e o seu rabo,

Nunca abana para os rumos do diabo.

 

 

 

 

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

RENHIDAS DISPUTAS RELIGIOSAS

 

 

Não são guerras de exércitos religiosos,

Porque tradicionais confrontos raivosos,

Tornaram-se fragmentados por interesse,

De ambição genuína de alguma benesse:

 

Quer-se ampliar poder e muito dinheiro,

Para a conquista de um status altaneiro,

Ou reserva de recursos para acumulação,

Que assegure uma privilegiada situação.

 

Como anteparo para violentos combates,

Criam-se medos para alinhar os embates,

E pânicos sobre os avanços dos inimigos,

Plenos de táticas de mui elevados perigos.

 

Cria-se, então clima e estado de guerra,

Que mobiliza canhão de voz que berra,

E os guerreiros fortes são os pregoeiros,

Que sequer necessitam ser cavalheiros:

 

Em nome de Deus, tudo contra inimigo,

E a política, como melhor aliado amigo,

É constituída na ação missionária ativa,

Para uma vitoriosa e fulcral invectiva.

 

Nem menção sobre questões urgentes,

Ou o descalabro nos meio-ambientes,

Atrai tanto quanto o discurso sagrado,

Para candidaturas a um cargo elevado.

 

Ajuda largamente todo apelo moralista,

Fundamentado no viés sensacionalista,

Fora de básica contextualização bíblica,

Mas, aberto à milícia para ação acrítica.

 

Doações dos influenciadores e Igrejas,

Obras solidárias de até causar invejas,

São enaltecidas por eminentes gurus,

De cabeças encolerizadas como perus.

 

Deus, como a mera estratégia de voto,

Anda solto na falácia de tanto devoto,

A rotular pessoas a serem perseguidas,

Pelas condutas diabólicas e denegridas.

 

Assim as bancadas, na sua diversidade,

Estão unidas numa mesma ansiedade:

Imputar a teologia cristã conservadora,

Como o meio de política restauradora.

 

Ampliam-se os bons cristãos do bem,

Os guerreiros armados que convêm,

Como lobistas do bom reino de Deus,

E violentos pelo alcance de himineus.

 

Mais que Deus, importa a persuasão,

Para salvar elite que perde ascensão,

E garantir suas vantagens conquistadas,

Sem gestar tessituras sociais sagradas.

 

 

 

 

 

FRONTEIRAS DOS MEDOS

 

 

Enquanto valentes cruzam fronteiras,

Medrosos erguem muralhas de eiras,

Para estabelecer os limites às insídias,

E evitar perdas em humanas tragédias.

 

Tantos casos com manifestas invídias,

A revelarem, nas traiçoeiras perfídias,

Ativam as vulnerabilidades humanas,

Pelas defesas ante ações doidivanas.

 

Identificar algo ou alguém como hostil,

Neste tão disputado mundo mercantil,

Perturba o sensível campo emocional,

E leva a estabelecer proteção racional.

 

Contingência humana ante fronteiras,

Nem sempre as considera altaneiras,

E ao se demonstrar o medo na defesa,

Estimula-se o invasor na sua afoiteza.

 

Na exacerbação desta ambiguidade,

Cresce a auto-defesa e agressividade,

Que produz fantasmas ameaçadores,

Para os seguros e desejados fulgores.

 

Proteger demais delineadas fronteiras,

Inviabiliza as aprendizagens fagueiras,

Viáveis na ousadia de romper limites,

Perante quadros dos seguros palpites.

 

Erguer barricadas e fechar fronteiras,

Contra as outras exteriores barreiras,

Quebra o natural dote da socialização,

E ativa um medo contra outra nação.

 

Evidência clara do medo alimentado,

Vira recurso para desejo ambicionado,

E ativa coragem do romper a muralha,

Para invadir e explorar a lídima falha.

 

Ações demasiadamente protecionistas,

Atiçam as alternativas de novas pistas,

E levam à invasão do espaço protegido,

Para, nele, fixar-se de modo aguerrido.

 

Entre os medos e impulsos agressivos,

Que produzem os fanatismos abusivos,

Circula um ar de liberdade e segurança,

Que não carece de arma para vingança.

 

É contraditória a rejeição de pertença,

Para escudar-se na interesseira crença,

De que o protecionismo salva na cerca,

Contra caótica ronda de eventual perca.

 

Quando globalidade requer sítio único,

Soa como mórbido o sectarismo irônico,

De proteger-se contra supostos inimigos,

Que não integram interesseiros amigos.

 

Se os medos fazem parte da contingência,

Moderar a desleal e agressiva ingerência,

Será menos odiosa do que protecionismo,

Que se enclausura no falso isolacionismo.

 

Absurdo senso de formar uma raça pura,

Na história da miscigenação sem candura,

Nega as múltiplas genéticas disseminadas,

Que constituem as ancestralidades dadas.

 

Já não é na guerra que se elimina o medo,

Nem se consagra a valentia como segredo,

Porque, lados envolvidos sempre perdem,

E nada elevam entre os vivos, sua ordem.

 

 

 

 

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

RAZÃO ÚLTIMA

 


O atual sistema dado e implantado,

Arraigou nas consciências um dado:

Vivenciar fé única no lucro sagrado,

Requer uma ação forte por todo lado.

 

Como o deus fenício e babilônico,

O do sistema, é belo deus icônico,

Que sugere a guerra e o genocídio,

Como a arma secreta do subsídio:

 

O ponto vital desta espiritualidade,

O da relação desigual na sociedade,

Como o sistema de religião política,

Facilita a bem controlada geopolítica.

 

Adora a santa propriedade privada,

Com a máxima acumulação somada,

Como milagres oriundos da riqueza,

Bênção auferida à astuta esperteza.

 

Existe somente um campo sagrado,

Outro, o diabólico comunista errado,

Deve ser acuado a inferno do capeta,

E não ultrapassar a rigorosa carapeta.

 

Adora-se lucro, razão última da vida,

O poder excelso nesta humana lida,

Que já não requer uma democracia,

Para proteger a sua bela supremacia.

 

Estado, já associado a arma do capeta,

O que mais atrapalha o céu capitalista,

Deve ser roubado, e, na condecoração,

Receber ainda mais, para acumulação.

 

Inimigo, o que ainda quer Estado forte,

Deve ser abafado na autoritária morte,

Por não adorar o único deus contente,

Com totalitarismo autoritário reinante.

 

A virtude que este deus mais aprecia,

É aquela mentira sedutora que alicia,

E que dissemina o ódio por todo lado,

Para justificar o autoritário mandado.

 

O serviço da mídia vira missionário,

Deste admirável fascismo totalitário,

Que apresenta os profetas modelares,

Para os encargos políticos populares.

 

O deus da pátria, família e mentira,

Ecoa suave como a atraente catira,

Para dançar, na melodia do embalo,

Expectativa dum abençoado regalo.

 

Simpática espiritualidade da riqueza,

Embala prognósticos da pura leveza,

Que o deus das vantagens oferece,

Já que, sangue, guerra e espoliação,

Soam bem num ambicioso coração.

 

 

sábado, 29 de agosto de 2026

SÍMBOLO DA CRUZ E VIOLÊNCIA

 


Tempos tão difíceis e conturbados,

Gestam incontáveis desanimados,

E tantos relegados e perseguidos,

A povoar submundos denegridos.

 

Clássico e visível poder dominante,

Para manter-se vistoso e elegante,

Promove a egolatria dos seus atos,

Distante dos reais e objetivos fatos.

 

Falácia do agir em favor dos sofridos,

Vinda dos raciocínios empedernidos,

Centraliza sob o poder de comandar,

Ações pífias sem aos pobres ajudar.

 

Seu modo de sentir mundo humano,

Leva-os a focar um poder doidivano,

Para implantar um reino onipotente,

No qual se sinta poderoso e contente.

 

Sob o antigo símbolo de cruxificação,

Dispõe de armas de rara sofisticação,

Para eliminar os insubmissos e rivais,

Que ameaçarem os poderes oficiais.

 

Pedro e colegas que seguiam Jesus,

Não gostaram da referência à cruz,

Quando já sonhavam com o triunfo,

Do poder político, sob novo trunfo.

 

Jesus, o messias poderia promover,

Virada de mesa no obcecado poder,

E, como o rei Davi, entrar vitorioso,

Para assumir o comando vigoroso.

 

Um arquétipo de outro messianismo,

A implicar, distante do charlatanismo,

No serviço difícil ante poder corrupto,

Causou-lhes um desencanto abrupto.

 

Ainda mais, porque Jesus intuiu o fim,

Que teria diante do poder oficial ruim,

Com risco de ser pregado numa cruz:

Seria um descalabro de estranho truz.

 

No terrível instrumento da maldade,

 Explicitou-se o amor à humanidade,

Que assumiu últimas consequências,

Para uma lógica de outras vivências.

 

Nos valores por Jesus demonstrados,

A cruz aglutinou estes ricos legados,

Passou a conotar seu modo de vida,

Como a referência para ser seguida.

 

Assim, sem cega adoração da cruz,

Reporta-se a aquele que nela reluz,

E os milhões de sofridos e excluídos,

Desçam da cruz sem serem relegados.

 

O sugestivo convite de tomar a cruz,

Não foi para restaurar a sonhada luz,

Desta reinança, hegemônica e forte,

Sem construir relação de outra sorte.

 

Na imagem do velho servo sofredor,

Abria-se um novo caminho redentor,

Sem guerras, armas ou dominações,

Mas, o de muitos solidários corações.

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

FRACASSO E SOFRIMENTO

 


Na pulsão da vida pela felicidade,

Age o obstáculo da contrariedade,

A boicotar anelos mais profundos,

Que gestam sentimentos iracundos.

 

Apontar o dedo contra a corrupção,

Ainda não representa êxito na ação,

Pois, implica num revide difamador,

Que prostra bom-senso de pundonor.

 

Orgias, com festanças escancaradas,

Com lucro e renda não escoimadas,

Dos que se enriquecem ilicitamente,

Clamam aos céus, por algo decente.

 

Proposta de convívio mais solidário,

Para o mundo menos desigualitário,

Implica no revide de cínico escárnio,

Que a associa a deboche de licórnio.

 

O pior é quando um senso religioso,

Justifica o formalismo como virtuoso,

Para insinuá-lo como exímio redentor,

De todo pobre ser humano e sofredor.

 

Dupla direção da alienação debochada,

Repete mentiras com feição deslavada,

Prometendo coisas vagas e imprecisas,

Para assegurar as suas elitistas divisas.

 

O fracasso acaba se tornando bifurcado:

Coisa alguma avança no desejo almejado,

Menos ainda, volta do prometido e dito,

Pois, pouco se efetiva no rol do interdito.

 

Sobra desconfortável sentimento ferido,

Que até diante de Deus parece preterido,

E, para que a lida não se torne ainda pior,

Precisa assumir o estrago como o fiador.

 

Resta, então, catar o último alento viável,

Para sobreviver num mundo intolerável,

Que faz todos sonhar com muita riqueza,

Mas, poucos a acumulam com safadeza.

 

Como não se tornar fatalista desanimado,

E cultivar paciência contra cultural legado,

Que aponta as mediações para felicidade,

Mas as protela com a sorrateira maldade?

 

Resta admitir que remoção deste legado,

Implica em dolorosa cruz ante falso afago,

Que sabe seduzir e enganar as multidões,

Para submetê-las às suas procrastinações.

 

 

 

 

<center>SENTINELAS DESPRECAVIDOS</center>

  Nas muralhas de antigas cidades, Os vigias, longe das ociosidades, Tinham que alertar a população, Sobre vinda de inimigo e ladrão...