Nesse mundão todo aturdido,
Encontrar tesouro escondido,
Move as ambições humanas,
Para muitas coisas doidivanas.
Saltar com o negócio da vida,
Para a opulência enriquecida,
Anseio que lateja em coração,
Da bem acalantada motivação.
Nascidos e inatos buscadores,
Induzidos aos focos exteriores,
Anelamos pelas coisas valiosas,
De algumas mágicas preciosas.
Por acaso ou por persistência,
Muitos encontram existência,
De tesouros mui fascinantes,
Para obter lucros alucinantes.
Pela praxe coletiva de buscar,
Fita-se algo valioso encontrar,
Sem reparar tesouro genuíno,
Reluzindo no mais íntimo sino:
É um tesouro do que já somos,
Precioso neste grande cosmos,
Essência peculiar do nosso eu,
Que no belo mundo apareceu.
Em rotas de busca já preterido,
Aponta-se só exterior querido,
Objeto do amor maior da vida,
O fascínio que exaure toda lida.
O entorno de tanta frustração,
Interpela para a outra direção:
Voltar à genuína interioridade,
Relativizar falsa exterioridade.
Amor maior que nos engendrou,
Revela o tesouro que se poupou,
Dos buscadores de acumulação,
Localizado no fundo do coração.
Ao ser encontrado este tesouro,
Relativiza todo metal, qual ouro,
Centraliza a pérola da existência,
E a coloca como nova referência.
O foco das referências anteriores,
Perde o brilho e os seus fulgores,
E passa a ser menos prestigiado,
Que a plenitude do novo achado.
Tantos anseios do eu profundo,
Não alcançam o desejo fecundo,
Do sentir alegria na existência,
Acima da busca de precedência.