Índice
Prólogo...
1 – Maneco político...
2 – Maneco arrogante...
3 – Maneco impertinente...
4 – Maneco pedante...
5 – Maneco politiqueiro...
6 – Maneco piedoso...
7 – Maneco airoso...
8 – Maneco como poderoso mequetrefe...
9 – Maneco no ódio com poder...
10 – Maneco como paranóico sádico...
11 – Maneco como voz da justiça...
12 – Maneco das vozes estranhas...
13 – Maneco da democracia do crime organizado...
14 – Maneco diante dos deslocados...
15 – Maneco dos discursos legitimadores...
16 – Maneco e sua fábrica de medo...
17 – Maneco na feição de indiferença...
18 – Maneco e o filofascismo da fama...
19 – Maneco da guerra para a paz...
20 – Maneco da justificação dos bons...
21 – Maneco semeador do ódio...
22 – Maneco como mucufa portentoso...
Palavras finais...
Prólogo
Velho amigo e colega de décadas,
Assimilou as posturas renegadas,
Desta visão estranha das coisas,
E fez-se o pendor das paranoias.
Aluno modelar da visão fascista,
Sob propugnada visão direitista,
Fanático do pífio imperialismo,
Fala com impiedade e cinismo.
Na conversão, o bom parceiro,
Virou ser raivoso e trapaceiro,
Profeta da ideologia autoritária,
Que manda da forma temerária.
Tornou-se agourento condenador,
Que só elogia seu próprio pendor,
Adorador inveterado da ditadura,
E da sua crueldade de linha dura.
Categórico e absolutista na fala,
Em tudo quanto xinga e propala,
Vê a trama comunista do diabo,
Merecendo o amargoso quiabo.
Chafurda a sua própria história,
Em favor da choldra e da glória,
E pondera tudo pelo fanatismo,
Do seu surdo e cego nepotismo.
1
MANECO POLÍTICO
Homem afeiçoado a bulício,
Sinaliza sintomático indício,
Dum declínio da sua função,
Por favorecer sua interseção.
Símbolo do homem público,
Desempenha papel cômico,
Na lida moral da sua razão,
Mas, feito o dono da função.
Manda e vota na noite escura,
Na hora avançada da diabrura,
Para anistiar colegas infratores,
E agradar grupos exploradores.
Fruto da intimidade solipsista,
Longe da consciência altruísta,
Situa-se entre seus similares,
A desfrutar dos mesmos ares.
Empreendedorismo autoritário,
Preenche o seu gosto salafrário,
Pois, a democracia estabelecida,
Não enseja a vantajosa guarida.
Propício para a ampla corrupção,
Não liga para honesta reputação,
Porque atual queda ético-moral,
Oferece larga liberdade cultural.
Sabe justificar os males públicos,
Fenômenos impessoais abúlicos,
Para focar desejo de condomínio,
Alinhado ao seu mórbido fascínio.
Mesmo representando o Estado,
Fita seus olhos para o outro lado:
Salvar o investimento particular,
E com ele, muito dinheiro lucrar.
Homem de fé no seu condomínio,
Domestica apelo ao seu raciocínio,
De não dar espaço para estranhos,
E nem ver seus visados arreganhos.
Pouco lhe importa a fraternidade,
Muito agrada fratricídio à vontade,
No cultivo da aversão à aporofobia,
Da sua rígida e neoliberal filosofia.
Muito mais que ampliar cidadania,
Protege seu grupo com a maestria,
Para que os muros de condomínios,
Protejam os ricos e seus domínios.
Fascinado com o poder autoritário,
Do compadrio do serviço ordinário,
Importa-se essencialmente consigo,
Para ficar muito distante de inimigo.
Manipula os fatos para a persuasão,
De que seu serviço constitui solução,
Com um reacionarismo de ditadura,
Contra o atual estado de amargura.
Aprendeu a dissimular sua covardia,
E vê violência armada com nostalgia,
Para estabelecer progresso e ordem,
Num pressuposto caos da desordem.
Alegre com cadáveres amontoados,
Justifica violência de bons soldados,
Como ato de proteção a indefesos,
Para deixá-los bem seguros e ilesos.
O empreendedorismo do particular,
Para acumulação egóica e singular,
Sem nada para o Estado e o pobre,
Porém, tudo quer para elite nobre.
Uma identidade comum e coletiva,
Abriria risco para a dura invectiva,
De socialização dos lucros obtidos,
Para incontáveis vadios e excluídos.
Os meios, para bulimia de poucos,
Requerem anorexia de amoucos,
Que oferendem votos preciosos,
Para ficarem distantes e ociosos.
Almeja apenas grandes negócios,
E proeminência dos agronegócios,
Neste limbo sem arbitrariedades,
Das protegidas e ricas sociedades.
Longe de favorecer a diversidade,
Deseja só monocrática sociedade,
Norteada por avanço tecnológico,
E aquele jeitinho todo fisiológico.
Toda barbárie no meio do povão,
Difundida e propalada à exaustão,
Justifica utilização de arma bélica,
Ante a comunista ação psicodélica.
Adora usar a palavra “terrorista”,
Como o pior inimigo anarquista,
A ser perseguido e, destroçado,
Sem deixar rastro do seu legado.
2
MANECO ARROGANTE
No seu arroubo auto-estufante,
Ele se move a vapor diletante,
Diz que outros querem chegar,
De onde ele já está a retornar.
Interpreta-se um sábio esperto,
Que encontra o caminho certo,
Em suas falas engrandecedoras,
Lúcidas indicações promissoras.
Escuta muito pouco a fala alheia,
Porque a enrola na própria teia,
Para seguir falando todo tempo,
Do seu primoroso passa-tempo.
Indicar o que necessita ser feito,
É o que considera ser seu preito,
Pois, nasceu para ser o superior,
Na função de ensinar o inferior.
Planta melhor do que os outros,
Verifica todo erro de desdoutros,
Colhe largamente mais e melhor,
E, seu produto tem melhor teor.
É dotado por um raciocínio rápido,
Que transforma argumento vápido,
Num saboroso trunfo da maestria,
Da sua nobre e provecta sabedoria.
Não espera elogio do interlocutor,
Porque antecipa ar perscrutador,
Favorável a autoelogio do que fez,
Pois com ele nem esperto tem vez.
O único analista que intui o certo,
De toda mediocridade, já liberto,
Maneco frui só de alguns amigos,
Os demais desejam ser inimigos.
3
MANECO IMPERTINENTE
É um belo espantalho de alegrias,
E, suas antenas anti-alvoroçarias,
Veem manifestações comunistas,
Passíveis de se tornarem realistas.
Foi formatado para o pensamento,
De que no societário ordenamento,
Ocorre uma batalha dura e intensa,
De inimigo e pessoa de boa crença.
Todo inimigo associado ao demônio,
Não pode ser mais que um necronio,
Por isso deve ser rechaçado e morto,
Sem ajuda de Deus, para o conforto.
Nesta visão, Maneco impertinente,
Expressa ar irradiante de contente,
Ao falar da contribuição patriótica,
De afugentar uma tentação caótica.
Um iminente caos do comunismo,
Apenas vencível no determinismo,
Requer ação divina sobre este mal,
Com humana luta para vitória final.
A sua política de mera politicagem,
Enleva interesseira camaradagem,
Que ignora as legislações vigentes,
Para favorecer os grupos potentes.
Todo airoso por estar no lado bom,
Costuma focar conversa neste tom,
De estar no campo correto de lidas,
Para uma plena felicidade das vidas.
Sem nunca ter lido sequer um livro,
Consegue ser apenas um mero birlo,
Para tecer os fios da visão
direitista,
Única focagem existente na sua vista.
Se pelo menos escutasse a diferença,
E respeitasse qualquer outra crença,
Poderia causar menos despropósito,
De pregar incômodo e desconforto.
5
MANECO PEDANTE
Falta remédio para suportar um
sujeito,
Todo metido a sabidão que, sem
defeito,
Alardeia freneticamente o que não
sabe,
E ousa ser pedante no que não lhe
cabe.
Vangloria-se da esperteza e
sabedoria,
Com a análise de sofisticada
artilharia,
Para desmascarar vasta burrice
alheia,
Apesar de estaqueado na própria peia.
Arrogante, sabe rir muito de si
mesmo,
Para narrar como deixou outros a
esmo,
Com sua perspicácia para captar a
falha,
De algum vivente que caiu na sua
malha.
Atrevido na falação sobre lidas
alheias,
Sempre muito superior às frágeis
teias,
De fracos analisados com farta
minúcia,
Na sua esperta e extraordinária
astúcia.
Gaba-se a si mesmo, da rara sabedoria,
Pela qual flagra erro e deslize de
mania,
Dos que se proclamam muito espertos,
E sobre o como os deixa boquiabertos.
Só não percebe o quanto a sua
chatice,
Vive parolando de uma vulgar mesmice,
Que irrita por ar ostentoso e
exagerado,
Ao se achar condescendente estimado.
Acha-se sabe-tudo com a opinião
única,
De um analista de visão unilateral
cínica,
Duma visão ultra-direitista
conservadora,
Sem tolerar uma hipótese
questionadora.
A pomposidade da sua erudição de
trela,
Apenas esconde o umbigo sob sua
fivela,
Porque tudo gira em torno do que
sabe,
Sem desconfiar que a sua lisura
desabe.
É fausto que se considera feliz e
ditoso,
Mas patina como indigesto presunçoso,
Vitimado pela sua imprópria
vanglória,
Que não lhe aufere esmilingüida
glória.
5
MANECO POLITIQUEIRO
Fausto é homem de sabedoria infusa,
Certamente inspirada por uma musa,
Distante do senso crítico e
analítico,
Para evidenciar-se como um político.
É assecla de canalizadas informações,
Do pensamento único de orientações,
Sob as quais, não existe meio-termo,
Mas somente a solidez de estafermo.
Bom correligionário do lado do bem,
Sabe tudo o que aos outros convém,
Porque sua visão superior e dilatada,
É ser universal para qualquer alçada.
É sequaz defensor do autoritarismo,
Colocado bem acima do patriotismo,
E contra a democracia participativa,
Eivada de presença esquerda lasciva.
Sectário fanático do estado mafioso,
Sabe demonstrar seu poder raivoso,
Com os que não concordam com ele,
Porque são asquerosos inimigos dele.
Para Maneco não existe negociação,
Nem mesmo proposta para refutação,
Porque é hiper-cínico contra
inimigos,
E um defensor implacável dos amigos.
Venera outro país mafioso e valente,
Atroz contra toda opinião diferente,
Que explora a fragilidade dos fracos,
Mas promove a astúcia de velhacos.
É defensor da caça aos insubmissos,
Para que se sumam em seus enliços,
E encontrem o asilo em outro lugar,
Para não poderem vir a importunar.
Maneco se acha democrata versátil,
Sob a escuderia de uma mente fútil,
Que é a ostensiva e cínica matadora,
E que produz difamação demolidora.
Defende atrocidade aos adversários,
Armamento pesado contra corsários,
Para afirmar o controle hegemônico,
Sobre o eventual regime antagônico.
Seu entusiasmo pela guerra armada,
Engole seu pouco senso de camarada,
Porque no ciclo do seu ódio
cultivado,
Nem vê fome e miséria em algum lado.
Maneco herdou o velho preconceito,
Que não apoiar a direita é um
defeito,
E que pobre insatisfeito merece ódio,
Sem recurso para deixar de ser ímpio.
Assim, Maneco defende poder tirânico,
Porque vê, em tudo, o poder satânico,
Que mediante graça do deus guerreiro,
Deve ser eliminado pelo poder
ordeiro.
Fausto não percebe tragédia da
guerra,
Quer a luta pelo que uma paz emperra,
Pois a pressupõe como a “pax romana”,
Silêncio forçado por uma mente
insana.
6
MANECO PIEDOSO
Sem nunca ter lido livro de teologia,
É especialista em fanática apologia,
Da prática conservadora de Igreja,
Com solução categórica na bandeja.
Acha que sabe mais do que Deus,
Opina acerca de humanos corifeus,
E muito fiel na prática de piedades,
Sem afetar as suas arbitrariedades.
Para ele, Igreja é somente a antiga,
Ação de Deus contra a ação inimiga,
A firmar na Terra o seu modo de ser,
Para um reino de Deus engrandecer.
Trata-se não do reino de Jesus
Cristo,
De gestar relacionamento benquisto,
Mas dominação da sociedade perfeita,
No autoritarismo de refinada
espreita.
Move-se a combater o diabo maligno,
Que atormenta todo piedoso benigno,
E o tenta na raiz da sua
subjetividade,
Par seguir mau caminho da leviandade.
No homem determinado e categórico,
Fausto sente-se conversador retórico,
Que sabe orientar as atividades
certas,
Para ninguém incidir nas lidas
incertas.
Vale muito o que avós lhe ensinaram,
E que no caminho certo enveredaram,
Para rigor cotidiano de rezas
piedosas,
Garantias para intercessões
vigorosas.
Sabe explicar os graves erros do
Papa,
E daqueles que estudam sem as capas,
Da honraria dos nobres de um tempo,
Porque estão vivendo no contratempo.
Feito um bundão protuberante de sofá,
Seleciona programa televisivo de
Jeová,
Para saber tudo quanto pode ser
feito,
E contornar todo e qualquer mau
jeito.
Não espera elogio do interlocutor,
Porque antecipa ar perscrutador,
Favorável a autoelogio do que fez,
Pois com ele nem esperto tem vez.
O único analista que intui o certo,
De toda mediocridade, já liberto,
Maneco frui só de alguns amigos,
Os demais preferem ser inimigos.
7
MANECO AIROSO
Sob o topete ostensivo e alaranjado,
Sustenta-se um vivente desprezado,
Tido por fraco, largamente covarde,
Embora faça muito barulho e alarde.
Tudo o que faz decorre pela metade,
E seu rabo preso anula a majestade,
Porque, procedimentos desonestos,
Apontam lida de constantes doestos.
Quer ser ordeiro contra baderneiros,
Mas não oculta os traços
flibusteiros,
Que maculam a imagem de estadista,
E deixam a fala em descolorida
crista.
Muito aproximado da condição idiota,
Não admite a possibilidade de
derrota,
Pois autossuficiência de ser
onisciente,
Situa-o no além do mundo consciente.
Sente-se como único líder
autoritário,
Capaz de reger o mundo arrendatário,
Pois a mão divina guia os seus
passos,
Para resolver planetários embaraços.
Mesmo inseguro, disfarça-se seguro,
Para apontar o dedo indicador duro,
E emitir ordens pessoais categóricas,
Com rompante e agressivas retóricas.
Seu autoritarismo, com traço
original,
Distinto dos demais, no fundamental,
Pois não segue um sistema
autoritário,
Mas, segue sua percepção de
solitário.
Defensor férreo do direito à liberdade,
Nega-o aos demais, na larga
saciedade,
Sobretudo aos cientistas e
acadêmicos,
Para efetivar os seus planos
endêmicos.
Exagerado e falso numa igual
similitude,
Delira contra o protecionismo da
atitude,
Praticado pelas outras nações
soberanas,
Porque visa impor as suas leis
doidivanas.
A ação de suplantar a democracia
liberal,
Aufere-lhe um vastíssimo poder
triunfal,
De ser o mais autoritário dos
poderosos,
Para agir conforme os humores
raivosos.
Remove e, intrometido em tudo demite,
Porquanto vive só do seu pessoal
palpite,
E quer que tudo esteja sob a larga
tutela,
Que amplia adorada e conquistada
trela.
Cria com os imensos muros
alfandegários,
A fome, crise e prejuízo nos
proprietários,
A fim de que todos fiquem bem
atrelados,
Ao adorado dólar, e seus amplos
legados.
Quer acumular vasta fortuna de
dinheiro,
Para engrandecer seu próprio
candeeiro,
Iluminando o mundo com soberba regra,
Da sua peculiar e narcizista
contra-regra.
Seu olhar possessivo e muito
ambicioso,
Apenas vislumbra um fascínio
auspicioso,
Na polarização única por
extrema-direita,
Sem empatia ou dó na morbidez
maleita.
8
MANECO COMO
PODEROSO MEQUETREFE
Anda de olho inchado por ser xereta,
Sem largar sua megalomaníaca treta,
Intromete-se na organização alheia,
Como sendo da sua particular aldeia.
As veias de suas mãos, bem dilatadas,
De tanto catar as fontes afortunadas,
Já não conseguem fazer algum afago,
E menos ainda, reparar algum estrago.
Vive da paixão furiosa e
descontrolada,
Que solta ódio duma emoção malcriada,
E estimula todo dia, potencial
agressivo,
Doutrinado para largo poder
destrutivo.
Entende que sua violência é
necessária,
Pois precisa dormir na cama
pecuniária,
Antevendo que vai servir como
augusta,
Para a sua paranoia honorífica e
vetusta.
Como o velho e conhecido
bisbilhoteiro,
Anda metido em suruba, feito
flibusteiro,
E todo dia soma encrenca por ser
xereta,
E o deixa carrancudo com a feição
careta.
Enxerido em tudo que é feito no
entorno,
Fita os olhos inchados, por mais
suborno,
Do quanto que não pertence à sua
conta,
Com a arrogante e intempestiva
afronta.
Em tudo quanto lhe renda larga
vantagem,
Da sua interesseira e desleal
traquinagem,
Vê que poderia ter sido largamente
maior,
Mas que evitou que viesse a ocorrer o
pior.
Assim o mequetrefe se pensa acima de
Zeus,
E quer ter todos os humanos submissos
seus,
Para aquilatar o seu poder infinito e
eterno,
Mesmo que já viva o mais legítimo
inferno.
9
MANECO NO
ÓDIO COM PODER
Mérito do rancor produzido e
alargado,
Eleva patamar de mídias por todo
lado,
Para atiçar quem segue
influenciadores,
A incitá-los para os ataques
vingadores.
Parece nada interessante ser
generoso,
Ou valer-se da simpatia pelo
grandioso,
De alargar a bondade, com
cordialidade,
Para engrandecer o valor da
sociedade.
Se até pouco, prevalecia maniqueísmo,
De quem se pensava, até com cinismo,
De colaborar a favor do supremo bem,
Até bom Deus explorava como refém:
Em nome dele queria combater o mal,
Para obter a vitória numa luta
triunfal,
Contra inimigo imaginário e declarado,
A fim de deixa-lo sem nenhum legado.
Vive-se, assim, luta diária de um
ódio,
A exaurir energias contra outro pódio,
Em que perverso será o forte
vitorioso,
A descarregar raiva de domínio
glorioso.
Ainda dá para prever tons moderados,
Com ódio cultivado por todos os
lados?
Quando vencedores exigem prostração,
Sobra só o joelho dobrado sem reação.
Maneco se afortuna incitando ódios,
Neste vale-tudo de raiva a
adversários,
E espalha seu cocô, jogado no mundo,
Sob o ventilador midiático de
iracundo.
Ao confundir a liberdade de
expressão,
Com a larga difusão de ódio à
exaustão,
Adora apenas quem é extremista e
feroz,
E que esnoba sobre a vítima, como
algoz.
Se notícia de ódio, de público
garantido,
Vira sucesso para um mundo denegrido,
Resta ficar mais desconectado da
mídia,
Para não sucumbir pelo rumo da
acídia.
Menos elogio e reverência a
vencedores,
Poderia ensejar os novos e bons
alvores,
Para amenizar tons raivosos e
agressivos,
E permitir fruição dos graciosos
lenitivos.
10
MANECO COMO
PARANÓICO SÁDICO
Como não engolir bombardeio de mídia,
Que enaltece paranoia sádica de
insídia,
A exaltar o ódio como plena
liberdade,
Ferindo a consciência e toda
sociedade?
Morbidez humana a enaltecer o sádico,
Deixa o mundo inteiro em clima
fadigo,
Que precisa apreciar a orgia
paranoica,
Como sendo uma governança heroica.
O explícito desprezo à moralidade
social,
E sua crassa insensibilidade ao
racional,
Fazem de Maneco, comedor de cultura,
Que exalta poder autoritário da
ventura.
Desrespeito da lei e códigos
estabelecidos,
Leva-o a descartar os humanos
preteridos,
Pois nada acrescentam à sua
megalomania,
Para uma pretendida e crescente
capitania.
Olhares expansionistas assumidos por
leis,
Imputam insegurança e migração às
greis,
Simplesmente para afirmar todo seu
poder,
De aterrorizar, para fruir sob seu
bel-prazer.
O descarte das levas humanas
dependentes,
Espoliadas no colonialismo sem
precedentes,
Revela submissão forçada à ordem
tirânica,
Da ambição paranoica, perversa e
satânica.
Sabe que suas declarações
contundentes,
Deixam o séquito de amoucos
contentes,
Para esnobação cruel à política
adversária,
E confirmar sua reinança pirata e
corsária.
No aparato dos que o sustentam no
poder,
Estão outros afoitos que não visam
perder,
Os privilégios obtidos com lucros
abusivos,
E já insensíveis com os vitimados
aflitivos.
11
MANECO COMO VOZ DA
JUSTIÇA
Velho ditado de que voz da justiça,
É a voz de Deus contra toda cobiça,
Caducou a sua força de persuasão,
E valoriza ironia na argumentação.
A interioridade de cada indivíduo,
Vive a briga de estranho resíduo:
Da indefesa pessoa desamparada,
E do juiz corrupto em desandada.
E quando se aborda a reta justiça,
Omite-se fonte de toda lei postiça:
Lei do forte contra o fraco indefeso,
Ou da vítima do juiz fautor de leso?
É a regra duma representação ética,
Ou, uma oficializada força fanática?
Se os juízes até vendem sentenças,
Querem obter fartas recompensas.
E como saber, se um Maneco da lei,
Não age contrário à lei ética da
grei,
Para inocentar fautores da injustiça,
Somente para ampliar a sua cobiça?
Quando o apelo à legislação divina,
Espera a imediata vingança sovina,
Certamente se amplia mecanismo,
Para a cega vingança com cinismo.
Mais do que pedir Deus, na justiça,
Requer-se ação contra o que atiça,
Toda espoliação dos poderes fortes,
Frente aos vitimados sem suportes.
Se pobreza amplia vulnerabilidade,
Ecoa clamoroso grito por lealdade,
Para que o modo de viver a justiça,
Ultrapasse as leis caducas da cobiça.
Os juízes perversos da consciência,
Precisam ouvir a forte insistência,
Dos clamores do humano coração,
Em favor de justiça com o perdão.
Do contrário, o mecanismo de ódio,
Alargado pela fantasia do episódio,
Torna-se um iníquo com a maldade,
Instaurada na hodierna sociedade.
12
MANECO DAS
VOZES ESTRANHAS
Não procedentes do além,
E nem da alma de alguém,
Mas, do Maneco mandante,
Que delira como governante.
Promessa de bom desvelo,
Acaba em tanto desmazelo,
E deixa de ser hospitaleira,
Para ser flor que não cheira.
Não escuta a voz do âmago,
Mas esta que vem do afago,
Dos ricos bem interesseiros,
Para ampliar seus carreiros.
Segue a velha noção bíblica,
E age na repartição pública,
Não para orientar as ovelhas,
Mas guiá-las às suas quelhas.
Vibra ao desunir e dispersar,
Para mais e melhor devassar,
A favor de si e do seu grupo,
E esperar o lisonjeado apupo.
Concepção de ovelha e pastor,
Eleva-o num traço de impostor,
Para manipular as consciências,
E relegá-las nas subserviências.
Ele infantiliza para submissão,
Induz para uma passiva reação,
E atrofia genuína autonomia,
Para evitar crítica à sua mania.
Longe de auscultar as ovelhas,
E de escutar suas vozes tralhas,
Ouve só a voz de conveniência,
Muito favorável à sua leniência.
13
MANECO DA DEMOCRACIA
DO CRIME ORGANIZADO
Celebraram um festivo enlace,
Com a ação subliminar rapace;
Perambula no Estado e crime,
Na rota de aparência sublime.
Sob a ênfase do crime visível,
Transita um mundo invisível,
De cartel em nível horizontal,
Com uma organização vertical.
Muita trela sobre narcotráfico,
Do nefasto terrorismo clássico,
Deixa passar a subliminaridade,
De outros cartéis na sociedade:
Agem cartéis do tráfico sexual,
Espoliam no trabalho manual;
Ladrões de produtos primários,
E dos ricos ramos imobiliários.
É silenciada extorsão na terra,
A fábrica absurda para guerra;
Um bandidismo nos contratos,
E ação disfarçada de sindicatos.
Mais do que droga na periferia,
E as investidas de maquinaria,
A superfaturação em negócios,
Causa inúmeros crimes néscios.
A lavagem de dinheiro ilegal,
Com renda polpuda e triunfal,
Gesta oligarquias de interesse,
A locupletar próprio benesse.
A virose do crime organizado,
Interage suave, por todo lado,
Mesclada com a lei do Estado,
E astúcia de brique disfarçado.
Nas fendas da vasta legislação,
Captam evasiva de justificação,
Para ato ilícito, tido por normal,
E praticam a corrupção oficial.
Nos meandros das fragilidades,
Vivem as suas arbitrariedades,
Em que a política legal e ilegal,
Aufere um rendimento colossal.
Toleram os ritos de corrupção,
E se aproveitam da informação,
Para super-salário bombástico,
Longe do elogio encomiástico.
Atores criminais multifacetados,
Encontráveis por todos os lados,
Incorporam a sua ação política,
Na ação da polícia, sem crítica.
Maneco no populismo punitivo,
Para matar todo ladrão fugitivo,
Deseja o comando de mão dura,
Para necessária e justa ditadura.
O próprio discurso democrático,
Bem eivado de interesse errático,
Enseja aporte a crime organizado,
No mimetismo do bem propalado.
Quando narco é só um dos crimes,
Outros, ocultos parecem sublimes,
Na legitimação de ação benfazeja,
Que a mídia tanto elogia e corteja.
14
MANECO DIANTE
DOS DESLOCADOS
No coração de bela cidade,
Escuto vozes na saciedade,
Língua, de outro ambiente,
Sob tolerância indiferente.
Deslocados de sua cultura,
Vivem em teimosa agrura,
Para sobreviver adaptados,
Nos espaços aglomerados.
Deixaram história para trás,
Solução dum contexto fugaz,
Sem dia prevista de retorno,
Ante a violência do entorno.
Sem o espaço humanizador,
Da origem do seu pundonor,
Tentam captar luz e direção,
A apontar efetiva redenção.
Ação do Maneco, prossegue,
Força deslocamento da plebe,
Insensível a morto e fugitivo,
Deixa esperança sem lenitivo.
Facilidade de negar direitos,
Para acumular ricos preitos,
Leva Maneco à contradição,
De legislar para exploração.
Se nem Herodes e Jerusalém,
Acolheram o pobre de Belém,
A sua mensagem hospitaleira,
Continua a ser jogada na eira.
Maneco adora violência diária,
Pautada pela ação temerária,
E visa muitos bens acumular,
Sem a obrigação de partilhar.
Com tanto solo no planeta,
Sob tanto cano de baioneta,
O deslocado fica amontoado,
Em espaço bem inadequado.
Resiste com a fala da origem,
Para sobreviver sem vertigem,
Sem o ambiente hospitaleiro,
E sem um horizonte altaneiro.
Como a velha história violenta,
A sua genuína espera sedenta,
Faz dele arredio a compromisso,
Para eivar-se de seguido enguiço.
Acantonado numa camada rica,
Vive da grandiloquência futrica,
Insensível com pobre existência,
Que assegura a farta opulência.
É deste lugar que brota clamor,
Por condição humana de fervor,
Onde a vida é bem mais valiosa,
Que etiqueta da riqueza gloriosa.
15
MANECO DOS DISCURSOS
LEGITIMADORES
Planos, projetos e execuções,
Requerem largas motivações,
Para haurir respaldo de apoio,
E arregimentar largo comboio.
Antes, durante, e após a ação,
Largo discurso de justificação,
Pervaga o Maneco midiático,
Para justificar o ato errático.
Junto com lavagem cerebral,
Para uma impunidade capital,
O Estado, ante pérfido crime,
Deve efetuar missão sublime:
Agir para que o bandido bom,
Seja morto para valioso dom,
E deve proteger cidadão reto,
Contra todo o inimigo abjeto.
Esquece que o crime nasce,
Se desenvolve, rejuvenesce,
Com apoio e suporte sólido,
De político em ato bucólico.
Vícios no capitalista Estado,
A justificar o impune afiado,
Que visa lucro exponencial,
Facilita toda violência brutal.
Brutalidade na confrontação,
Justifica toda a violenta ação,
Como ato bom e necessário,
Para instaurar paz no ideário.
Repete-se jogo da violência,
Que fecunda nova insolência,
Dos revides de vingança cega,
E alastra ódio, e não sossega.
Espetacularização de tragédias,
Com farta pesquisa de misérias,
Afoita por legitimar aprovação,
Ratifica uma efetuada agressão.
Assim como um rival capitalista,
Representa muito perigo à vista,
Elimina-se o rival para agir livre,
E abocanhar na ambição de tigre.
Longas e repetidas explicações,
Escudam o bem ante más ações,
E produzem o frio conformismo,
A procrastinar no mandonismo.
A morte, banalizada como lixo,
Da vítima não estatal sem nicho,
Acaba num limbo de inexistência,
Sob grandes cirandas financeiras,
A encobrir patranhas trapaceiras.
Basta observar desvios de verbas,
Do paternalista Estado de acerbas,
Que produz uma tentação similar,
Para um anelante bolso particular.
Nos crimes de duas faces iguais,
Um, aplaudido nas redes sociais,
Acaba legitimado como o herói,
Enquanto o outro se reconstrói.
Pior é este genocídio silencioso,
Ante indígenas, crime pavoroso,
Que mata cultura e a sabedoria,
Sob uma sutil e perversa ousadia.
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MANECO E SUA
FÁBRICA DE MEDO
Maneco na produção de enredo,
Cultiva, no seu original segredo,
A produção de grandes medos,
Para garantir visados arremedos.
Prestaria o medo para negócio?
Seu retorno garante bom sócio,
Para eliminar todo o adversário,
Visto como o perigoso corsário.
Na lógica de eliminar o inimigo,
Aprova-se todo e amplo fustigo,
Ao possível adversário político,
Pelo potencial efeito apodítico.
Um medo jogado na sociedade,
Que ameaça protegida lealdade,
Deve ser combatido com armas,
A garantir as protetoras carmas.
O medo do inimigo imaginado,
Acua para esperar auxílio dado,
Dos que, pela paz e a proteção,
Se movem na sumária execução.
Assim, massacres são aplaudidos,
E, heróis matadores promovidos,
Para que uma eficácia de medos,
Permita outros similares enredos.
Com a consciência larga e diluída,
O medroso tolera toda bruta lida,
Contra os declarados terroristas,
Sob as transgressões aprioristas.
O inimigo, refém de uma lógica,
Requer acima de tudo, retórica,
Com as características peculiares:
Esquerdista desde os seus pilares;
Depravado traficante e terrorista,
E no rol do arquétipo triunfalista,
Usa-se a linguagem empolgante,
Para justificar perseguição gigante.
Exalta-se todo o cidadão do bem,
Que deixa de se sentir um refém,
Do vasto exercício da impunidade,
Para tolerar tácita arbitrariedade.
Na ditadura sutil de impor medos,
Subjazem táticas vis, com os dedos,
Bem mais propensos para o gatilho,
Do que para um humanitário brilho.
A eficácia desta exitosa indústria,
Sem perdoar, nem aliviar angústia,
Agrega pífia paz romana de armas,
Nas falas, com ameaças bisarmas.
É a violência silenciosa e simpática,
Que legitima qualquer ação errática,
Em nome duma suposta segurança,
Não das pessoas, mas da lambança.
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MANECO NA FEIÇÃO
DE INDIFERENÇA
A indução massiva à adoração cega,
De influenciadores de exibição frega,
Que ostentam fortunas apreciáveis,
Cria relações mórbidas e detestáveis.
Seres conduzidos no cego consumo,
Não se perguntam pelo elã do rumo,
Só anseiam o domínio e acumulação,
Para serem meritórios na ostentação.
Crescente frieza ante a vida humana,
De milícias, gangues e guerra insana,
Reflete, cada dia mais, o pífio modo,
De tratar ser humano como um lodo.
Mero objeto de moldagem submissa,
Decide-se sobre ele na clara
injustiça,
E nada importam os seres eliminados,
Nem atrocidade de mandantes irados.
Tanto olhar impregnado de rejeição,
Traço estranho da humana condição,
Entre os incontáveis apelos de amor,
Não protagoniza gesto de pundonor.
Interagir contrário ao gesto de amar,
Para Maneco, anularia o seu alamar;
Assim expressa recusa de empenho,
E manifesta ar antipático e ferrenho.
Na indiferença não importa verdade,
Mas, um estereótipo da banalidade,
Sobreposto à educação socializadora,
E à paz e justiça, para rota
redentora.
Situada na eira dos limites do
horror,
Indiferença, surda ao humano clamor,
Torna-se chave para a vasta maldade,
E um fermento para a insensibilidade.
O desdém com frieza no trato alheio,
Gesta tanto desconforto e saracoteio,
Que todo cuidado pela consideração,
Não desencadeia empatia e atenção.
Indiferença castra todo bom humor,
O senso necessário ao grato pendor,
E torna a vida vazia de bom cuidado,
Enchendo-a de rígido ar enferrujado.
Ocupa o belo lugar da cordialidade,
E achata o indivíduo e a sociedade,
Pois, sem o senso de consideração,
Vive do descaso na injusta solução.
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MANECO E O
FILOFASCISMO DE FAMA
Farta argumentação produzida,
Gerenciou esta luta aguerrida,
Para que todo patriótico cidadão,
Aderisse ao contágio de emoção.
Maneco quer obter superioridade,
E embate à comunista sociedade,
Sequer admite socialista proposta,
Como a eventual contraproposta.
O fabricante da teoria do medo,
Sabe irradiar tática do segredo:
Mover o máximo ódio possível,
Contra um inimigo presumível.
Fábrica da modificação genética,
Criou a cultura de lida sem ética,
E aliada com ditaduras militares,
Gestou fascismos sem similares.
Tudo focado contra um inimigo,
Excesso de divulgação do perigo,
Estufou sociedade democrática,
Para engolir a autoritária tática.
Virose contagiante sem controle,
O autoritarismo virou rocambole,
Intragável para convivência social,
E frustrante na política estrutural.
Autoritarismo aclamado como bom,
Criou nas multidões da contra-mão,
Uma presunção categórica e fascista,
Sequer suportável na visão
direitista.
Mentes geneticamente formatadas,
Agora se apresentam descontroladas,
E fazem da política campo de guerra,
Sem o neutralizador do que os ferra.
Sobrou um monstro ódio de espírito,
Como diploma superior de demérito,
Que extermina e mata na pífia razão,
De eliminar inimigo de má reputação.
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MANECO DA GUERRA
PARA A PAZ
Como na antiga educação espartana,
Motivação de guerra a todos irmana,
Desde narrativas sobre chefes fortes,
A treino para os militarescos
aportes.
Na vasta literatura sobre
super-heróis,
E apologética de seus luminosos
faróis,
Induz-se à escolha pelo lado
vitorioso,
Para esperar a ação do seu elã
brioso.
Volumoso repicar de cascos de
cavalos,
Indicava o régio domínio sobre
vassalos,
Do rei afoito pela tirania
conquistadora,
A obrigar jovens por guerra
exploradora.
Hoje, a exaltação de drones e
foquetes,
Substitui jovens humanos mandaletes,
Mas, forja-os para o ódio aos
inimigos,
E educa para os militarescos
fustigos.
Maneco exalta superioridade de armas,
Endeusa heróis de destruidoras
carmas,
E os condecora com seu nome em ruas,
Praças e prédios, como luminosas
luas.
Neste mundo de solitários
anti-sociais,
Jovens para romperem as lidas banais,
Encontram na educação para matança,
Razão de heroísmo para autoconfiança.
Nesta violência universal que se
alarga,
Estimulada por insinuação tão amarga,
Espalha-se uma pífia estupidez
humana,
Incapaz de viver sem uma guerra
insana.
Quando máquinas de erradicar humanos,
Enlevam os países prepotentes e
tiranos,
Então as narrativas sobre poderes
bélicos,
Já apontam fracasso dos atos
antibélicos.
Se as cavalarias espartanas ágeis e
fortes,
Contavam com narração para tais
aportes,
Nosso mundo, movido por ódios
mortais,
Somente inova com narrativas nada
letais.
Pensar em guerra pela obtenção de
paz,
É a argumentação balofa que não
apraz,
E que até apela a um deus que
concorda,
Com a apelação de que ele não
discorda.
Pensar rol do pensamento hegemônico,
Significa continuar no viver
anacrônico,
De que matar muitos supostos
inimigos,
Gera humanidade entrelaçada de
amigos.
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MANECO JUSTIFICADOR
DOS BONS
Velha tentação humana racionalizadora,
Justifica toda e qualquer ação
vingadora,
Para ratificar e reafirmar toda
desculpa,
De vítimas agredidas sem um
mea-culpa.
Fácil condição de situar-se no lado
bom,
Permite soltar a trela com negativo
tom,
Contra toda a imperfeição na lida
alheia,
E Maneco divulga glória de boca
cheia.
Ao se pensarem como bons e melhores,
Críticos felinos e perspicazes dos
piores,
São os exigentes, injustos e
intolerantes,
E se arrostam pelos direitos
mandantes.
Autossuficientes e longe da
compaixão,
Esmeram-se na vistosa e altiva
oração,
Para inflar seu ego da imagem
erudita,
E agradar a Deus com a língua
maldita.
Acostumados a oprimir e outros
espoliar,
Nada possuem para doar, nem
empatizar,
Porque centram seu ego aureolado e
bom,
Como graça e suporte de um divino
dom.
Com sua falsa imagem de bons e
devotos,
Sequer sabem ativar os controles
remotos,
Para desconfiar do modo de viver e
fazer,
Sem ver a ninguém para se compadecer.
Como se arrogam parcela do grupo bom,
Falam da vida alheia como o divino
dom,
Que oferece os modelos do agrado
divino,
Ao pobre humano, pecador e bem
cretino.
Como não se sentem omissos, nem
falhos,
Não carecem de perdão, como
frangalhos,
E se tornam imutáveis no
tradicionalismo,
A assegurar-lhes o status do
fisiologismo.
Atrapalham convivência pelo que
pensam,
Pois desferem a humilhação com
ofensas,
E esperam condecoração de dádiva
divina,
Na sua atitude nada altruísta, mas
cretina.
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MANECO SEMEADOR
DE ÓDIO
Escandalosa mobilização do Congresso,
De privilegiados em seu ativo
processo,
E movidos por um velho ranço de ódio,
Tornaram público lamentável episódio.
Escândalo feio dos lutadores
carrascos,
Já acostumados à ocultação de
fiascos,
Seguros no cargo público proeminente,
Agem sob um tendencioso precedente;
Afrontam e desrespeitam supremas
leis,
Certos de anistiar os infratores das
greis,
A fim de permitir que possam
continuar,
Na bandalheira golpista de
procrastinar.
Velha tradição histórica de
manipulação,
Subjaz no fundamento na contravenção,
Age-se muito acima e contra lei
vigente,
E depois se recupera cargo
precedente.
Encantado por regimes totalitários,
Maneco vota projetos temerários,
Amparado pela segurança armada,
E a polpuda vantagem conquistada.
Blinda-se com regras e fartos
direitos,
E, em nada, lhe importam os
preceitos,
Do agir a favor do bem comum
coletivo,
Bem imobilizado e sem nenhum
lenitivo.
O bem comum, refém do agir carrasco,
Ficou indefeso na politicagem de
asco,
Com agentes definidores das decisões,
A definir regras para as suas provisões.
Como não surge voz a dizer que basta,
A primavera, deste ano, reagiu à
casta,
Aglutinou de esquerdistas a
direitistas,
Contra blindagem de anistia a
golpistas.
A voz da insatisfação expressa nas
ruas,
Exigindo respeito com menos
falcatruas,
E que potência estrangeira não
obedeça,
Para vingar com ódio, que tudo
esvaeça.
Insatisfação elevada contra a
delinquência,
Mesclada com uma política de
indecência,
Não serve para legislar em favor do
povo,
Sem apontar para o democrático
renovo.
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MANECO COMO
MUCUFA PORTENTOSO
Sob o topete ostensivo e alaranjado,
O Maneco, um vivente desprezado,
Tido por fraco, largamente covarde,
Embora faça muito barulho e alarde.
Tudo o que faz decorre pela metade,
E seu rabo preso anula a majestade,
Porque, procedimentos desonestos,
Apontam lida de constantes doestos.
Quer ser ordeiro contra baderneiros,
Mas não oculta os traços
flibusteiros,
Que maculam a imagem de estadista,
E deixam a fala em descolorida
crista.
Muito aproximado da condição idiota,
Não admite a possibilidade de
derrota,
Pois autossuficiência de ser
onisciente,
Situa-o no além do mundo consciente.
Sente-se como único líder
autoritário,
Capaz de reger o mundo arrendatário,
Pois a mão divina guia os seus
passos,
Para resolver planetários embaraços.
Mesmo inseguro, disfarça-se seguro,
Para apontar o dedo indicador duro,
E emitir ordens pessoais categóricas,
Com rompante e agressivas retóricas.
Seu autoritarismo, com traço
original,
Distinto dos demais, no fundamental,
Pois não segue um sistema
autoritário,
Mas, segue sua percepção de
solitário.
Defensor férreo do direito à
liberdade,
Nega-o aos demais, na larga
saciedade,
Sobretudo aos cientistas e
acadêmicos,
Para efetivar os seus planos
endêmicos.
Exagerado e falso numa igual similitude,
Delira contra o protecionismo da
atitude,
Praticado pelas outras nações
soberanas,
Porque visa impor as suas leis
doidivanas.
A ação de suplantar a democracia
liberal,
Aufere-lhe um vastíssimo poder
triunfal,
De ser o mais autoritário dos poderosos,
Para agir conforme os humores
raivosos.
Remove e intrometido em tudo, demite,
Porquanto vive só do seu pessoal
palpite,
E quer que tudo esteja sob a larga
tutela,
Que amplia adorada e conquistada
trela.
Cria com os imensos muros
alfandegários,
A fome, crise e prejuízo nos
proprietários,
A fim de que todos fiquem bem
atrelados,
Ao adorado dólar, e seus amplos
legados.
Quer acumular vasta fortuna de
dinheiro,
Para engrandecer seu próprio
candeeiro,
Iluminando o mundo com soberba regra,
Da sua peculiar e narcizista
contra-regra.
Seu olhar possessivo e muito
ambicioso,
Apenas vislumbra um fascínio
auspicioso,
Na polarização única por
extrema-direita,
Sem empatia ou dó na morbidez
maleita.
PALAVRAS FINAIS
MANECO PROPÍCIO
ENCANTADO COM O SISTEMA
No clima de esplendor e glória,
Não gosta do valor da memória,
Mas, adora pesado compressor,
A triturar com sistema opressor.
Encaixa a política com ideologia,
Para militarizar com tecnologia,
E espoliar, segundo os desejos,
Para alcançar afamados ensejos.
Já insensível aos bilhões de anos,
Que a Terra ofereceu a humanos,
Endossa a sua destruição rápida,
Na voracidade doentia e insápida.
Até sob a suicida rota destruidora,
Da hiper-colonização devastadora,
Maneco só vê a razão e progresso,
Fora dum democratizado processo.
Avalia Estado pelo olho neoliberal,
Empenha-se em dedicação integral,
Para a desconsideração do Estado,
Pois, intervêm para seu desagrado.
Deveria deixar a riqueza fluir solta,
À iniciativa privada na reviravolta,
Sem democracia de bons direitos,
Para os ingratos e frouxos sujeitos.
Importa mais tecno-autoritarismo,
Escorado por eficiente militarismo,
Para sugar o resto dos bens do solo,
E com eles morrer no bom consolo.
Como a morte inevitável e iminente,
Poderá deixar pouco remanescente,
Evade-se quem é esperto e rápido,
Para iludir com um projeto estúpido.