Sem os meandros da fantasmagoria,
Ou das almas a atrapalhar a euforia,
Em imagens tênues de vultos visíveis,
Aparecem aqueles dos ares terríveis.
Na crença popular, almas e espíritos,
Retornam com seus jeitos explícitos,
Para solicitar rezas de intercessões,
A fim de alcançarem suas redenções.
Bruxos e mágicos apreciam o tema,
E despertam culpa com o problema,
De que necessitam dos mediadores,
Para libertá-los dos seus devedores.
Falar sobre fantasmas impressiona,
Assusta e muitos medos direciona,
Para o pânico do que pode ocorrer,
Se o dito falecido voltar a aparecer.
A narrativa evangélica de Mateus,
Destaca o medo de discípulos seus,
Navegando na noite escura do mar,
Vendo Jesus sobre águas caminhar.
No primeiro envio para o outro lado,
Sem Jesus ir na frente do
discipulado,
Eles apavorados com as dificuldades,
Logo sucumbem ante adversidades.
Simbologia do navegar no mar agitado,
Constituía imagem de seguir o legado,
Do jeito de Cristo que os encarregou,
A testemunharem o que fez e falou.
Adversidade religiosa e imperialista,
Como mar com seus perigos à vista,
Ativava velhos pavores do seu agir,
Com ondas de fazer tudo submergir.
Nas ondas e nos ventos contrários,
Expressavam-se ações de corsários,
Ativas contra incautos navegantes,
Inexperientes nas lidas itinerantes.
A memória de Jesus sobre as ondas,
Ativou suas seguranças de rondas,
Para não fugirem das adversidades,
E, das provocações com maldades.
Pedro como Jesus quis andar seguro,
Mas, afundou no caminho inseguro,
Careceu da mão estendida de Jesus,
Para andar sobre as ondas com a luz.
Mesmo pescador exímio e experiente,
Nesta madrugada lúcida do consciente,
Pedro viu que não tinha a serenidade,
Para conduzir a Igreja na idoneidade.
Primeira viagem sem Jesus no barco,
Faltou a Pedro, o necessário marco,
Que Cristo, vivo nesta adversidade,
Não era um fantasma na dificuldade.
Perturbações e perseguição externa,
Abalavam a fé e a segurança interna,
Da comunidade em seu discipulado,
Sem a dianteira do Cristo
crucificado.
Ele seguia a animá-los contra o mal,
De tantos medos de pavor infernal,
Porque prossegue vivo no seu lado,
E aponta para reino de novo legado.
A imagem do domínio sobre o mar,
Lembra o amor de Deus a erradicar,
Medos que engolem ondas da vida,
E atrapalham a boa e ordinária lida.