quinta-feira, 25 de junho de 2026

VIOLÊNCIA VERBAL

 


Exaltação da ofensiva verbal,

Ante o adversário feito rival,

Eleva o nível da exacerbação,

De ampliar nível da agressão.

 

Uns agridem para defender,

Outros, para algo esconder;

Alguns agridem o diferente,

Sem a intenção desarmante.

 

Tanta gente prefere a guerra,

E alimenta o que dela espera,

Todavia, sem alimentar fome,

Nem para fruir do que come.

 

Espoliação do pão de cada dia,

Agride com a triste melancolia,

Do doentio poder acumulador,

Sem o humanitário pundonor.

 

Até Estado estimula a violência,

Institucionaliza medo, arrogância,

Com vistas a certo tipo de ordem,

Para não corrigir a sua desordem.

 

Aponta para sensacionais desejos,

Que pressupõem os violentos ejos,

Na direção da política maniqueísta,

Que afasta inimigos da conquista.

 

Aparente empenho por associação,

Visa uma larga e ampla dissociação,

Com os atos violentos por controle,

Para coibir um suposto descontrole.

 

Púlpito também pode ser violento,

E abafar todo ar novo dum alento,

Que, ao contrário de ser sinodal,

Exclui de uma forma nada cordial.

 

Somente os padres podem pregar,

Para todo jeito de Jesus apresentar,

E impede a mulheres anunciadoras,

O púlpito para palavras redentoras.

 

Quando o poder aberto da homilia,

Cabe somente ao padre como guia,

Contradiz a condição da igualdade,

De todo batizado para tal realidade.

 

Uma criatura no direito de pregação,

E a outra é descartada desta função,

Produz uma sutil violência simbólica,

E mimetiza agressão nada apostólica.

 

Se a primitiva difusão do Evangelho,

Se valia de leigos ante modo velho,

As Homilias, ainda em nossos dias,

Devem ressoar para melhores vias.

 

Parte de ato litúrgico comunitário,

Homilia não é o status honorário,

Precípuo de um solteiro pessoal,

Mas ato eminentemente eclesial.

 

Se homilia visa uma comunidade,

Não deveria visar a exclusividade,

Advinda da formação seminarística,

Mas, comunidade na visão crística.

 

 

 

 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

SIMULACRO DO AMOR HUMANO

 


 

Impressionante interação humana,

Com Pets na convivência cotidiana,

Produz, na imitação do senso filial,

A reprodução de um amor fulcral.

 

Conversa de horas com queridos,

Naquela fala repleta de pruridos,

Do intimismo do signo amoroso,

Produz o novo linguajar dengoso.

 

Os ditos Pets compram atenção,

E repetem todo dia à exaustão,

Os latidos e miados de carência,

Esperando exclusiva preferência.

 

Querem colo, atenção precípua,

Na dedicação integral conspícua:

Serem agraciados com os gestos,

Sem expressar sinais de doestos.

 

Escutam cinquenta vezes ao dia,

Uma mesma dissonante melodia:

Se já fizeram o cocozinho e xixi,

Naquele “tapetinho” que fica ali.

 

Eles, tanto para receber atenção,

Ou teimar na sua procrastinação,

Urinam e defecam por todo lado,

No aguardo de receber o agrado.

 

Aguardam pelos sinais renitentes,

Dos miados ou latidos insistentes,

Que sejam agraciados na atenção:

Como centro do humano coração.

 

Mesmo que não assimilem a fala,

Captam com a sua sensitiva trela,

Que na dependência do desfrute,

Carecem dum “tu” que os escute.

 

Acostumados no topo do centro,

Preenchem o humano epicentro,

E substituem o espaço dos filhos,

Exigentes, irrequietos, andarilhos.

 

Com os Pets se firma o simulacro,

Lugar hegemônico do filho sacro,

E trato como entes das entranhas,

Os ocupam em cotidianas manhas.

 

Sobra o paradoxo de Pets cuidados,

E tantos filhos humanos relegados,

A sentirem ciúmes das preferências,

De Pets nas meigas benemerências.

 

O simulacro do amor com bichinhos,

Desvia pelos humanos descaminhos,

Tanta frustração com o imprevisível,

Do carente humano, tão desprezível.

 

Como é inconstante e tanto muda,

A preferência por animal desnuda,

Toda conflitiva interação humana,

Frustrante e que tanto desengana.

 

A adoção de Pet é mais atraente,

Que criatura humana feita gente,

E indica humano amor deslocado,

Como sinal de mundo derrocado.

 

Resta saber se inusitada simbiose,

Vai se tornar ascendente meiose,

Da auto-transcendência humana,

Para inovada filiação que irmana.

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 23 de junho de 2026

REFÉM DFO IDEALISMO

 


Andança histórica do cristianismo,

Produziu um imaginário idealismo,

Que arraigou um serviço ambíguo,

E que produz um resultado exíguo.

 

Na lógica do desempenho eficaz,

Todo padre precisa ser perspicaz,

Estável para elevados resultados,

A deixar marcas de bons legados.

 

Formado na lógica moralizadora,

Sua função altamente redentora,

Requer papéis sociais e máscaras,

Para uma idoneidade sem máculas.

 

Tirocínio de discursos normativos,

Enrijeceram os religiosos motivos,

Para nobres sobrecargas pastorais,

Com incontáveis atividades gerais.

 

Deve dominar funções litúrgicas,

E rezar de formas dramatúrgicas,

E ainda ser exímio administrador,

E um extraordinário organizador.

 

Precisa suportar rotina sem folga,

Com bom argumento na rasmolga,

Com estoque de fala encantadora,

Para eficiente ação conquistadora.

 

Necessita ser fascinante e solícito,

E exemplar contra todo ato ilícito,

Pressionado pela competitividade,

De efeito empolgante à saciedade.

 

Precisa ser hiperativo e onisciente,

Mostrar-se sempre muito contente,

Sem jamais contrariar ou discordar,

Nem, tampouco, mostrar-se vulgar.

 

Necessita sorrir e ser irrepreensível,

Ficar vinte e quatro horas disponível,

Para tudo o que a demanda requerer,

Em favor dum benfazejo bem-querer.

 

Lógica consumista cobra eficiência,

Para que revele plena competência,

De resolver incontáveis problemas,

Sem revelar seus pessoais dilemas.

 

Jamais pode mostrar a sua afeição,

Mas sempre revelar o bom coração,

De quem cumpre a sagrada ordem,

De avivar fé no meio da desordem.

 

 

Ao ser simpático com as crianças,

É visualizado sob as desconfianças,

De ser sujeito pederasta disfarçado,

Caçando vítimas para o seu agrado.

 

Se anda com os jovens adolescentes,

Representa, pelos perigos crescentes,

A potencialidade de atos indecorosos,

Sob os mórbidos interesses maldosos.

 

Caso se aproxime mais das mulheres,

 Já se suspeita de obsessivos afazeres,

Com vistas a atrair alguém para cama,

Para confirmar a sua libidinosa fama.

 

Ao estar muito no meio de homens,

Olhares veem seus traços lobisomens,

E o rotulam de homo-afetivo doente,

A viver em procedimento indecente.

 

Longe de receber o solidário cuidado,

É dissecado por todo e qualquer lado,

E adoece na fragilidade internalizada,

Sob uma cobrança rígida e ilimitada.

 

Isolado e sobrecarregado de tarefas,

Vê-se obrigado a fazer mil sinalefas,

Para ligar cobranças da comunidade,

E corresponder com boa afabilidade.

 

Sua solidão clerical de vínculo frágil,

Carcome todo seu dedicado elã ágil,

E vulnerável na sua rígida resiliência,

Entra na doída crise de inconstância.

 

Sem o “tu” para partilhar mundo real,

Dilui-se vínculo e convívio presbiteral,

E sucumbe numa fragilidade subjetiva,

De um modelo que o deixa na deriva.

 

O que experimenta ante o idealizado,

Não o sustenta no imaginário legado,

E vê na sua interioridade anacrônica,

Estranha e enrustida dor histriônica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 20 de junho de 2026

MEDO PARALIZANTE

 


Traço peculiar da humanidade,

Permeia indivíduo na sociedade,

Afeta todo sentir afetivo básico,

E acompanha todo ciclo fásico.

 

Age contra ameaças e perigos,

De doenças graves a castigos,

E contra o declínio das forças,

Sob atitudes adversas e boças.

 

Reativa-se com interpretação,

De fato, ideia ou imaginação,

Como o mecanismo protetor,

Para procedimento cuidador.

 

Leva à introjeção de bloqueios,

Sob ameaça e simples meneios,

Que sugerem perigos evidentes,

Para variados riscos candentes.

 

Pode transtornar boas mentes,

Para os riscos reais inexistentes,

E aumentar as suas ansiedades,

Com as angustiadas veleidades.

 

Arma poderosa para submeter,

Ameaça com possível acontecer,

Mediante autoridade ambiciosa,

Para obter uma submissão ditosa.

 

Como efeito natural que paralisa,

O vasto estímulo ao medo precisa,

Atingir âmago do mundo interior,

E ali produzir o estado de torpor.

 

Diluído o medo do compromisso,

Cria-se o vasto mundo submisso,

Do analgésico da fé sob político,

De civil e religioso senso acrítico.

 

Acuadas pela difusão dos medos,

De supostos e suspeitos segredos,

Tantas comunidades estagnadas,

Poderiam ser mais dinamizadas.

 

Faltam pessoas de fé e confiança,

Para o amor agir na desconfiança,

Abrir bom caminho na fragilidade,

E visar elevar segurança e bondade.

 

Libertar a comunidade do medo,

Na frágil teia do falso arremedo,

Requer coragem ante a ameaça,

De ação para possível desgraça.

 

Se medo é mecanismo protetor,

Não pode inibir ação ante terror,

Dos que ameaçam para intimidar,

Afoitos para mais poder alastrar.

 

 

 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

ENGENHARIAS MANIPULADORAS

 

 

Com tanta máquina processadora,

De produção altamente inovadora,

Atinge-se a algorítmica da conduta,

Para conduzir toda humana labuta.

 

Entraram até nas políticas sociais,

E capturam as boas forças vitais,

Para desviar o elementar direito,

Da relação amigável e bom jeito.

 

Estabelecem política do privilégio,

De poucos no precípuo sortilégio,

De manipular toda a informação,

Propensa para subjetiva aspiração.

 

Longe de convergência e consenso,

Importa produzir um largo dissenso,

Favorável ao individualismo egóico,

De um cargo político nada heroico.

 

Distantes de visar vida comunitária,

Agem para sua ambição voluntária,

Sem um desvelo pelo bem-comum,

Só propenso ao oligárquico bondum.

                                                          

Produzem a falsa imagem do amigo,

Que mobiliza ação contra o inimigo,

E engendram política da inimizade,

Para os interesses de arbitrariedade.

 

Fito na apropriação e lucro ilimitado,

Leva à captura dum vasto eleitorado,

Que assegure interesse corporativo,

Sobre qualquer comunitário objetivo.

 

As posturas adversas e discordantes,

Tão pouco submissas e concordantes,

Precisam concordar com a persuasão,

De eleger o bom candidato da retidão.

 

Insinuado como merecedor de adesão,

Ele representa interesseira concepção,

Que manipula todo afeto para repulsa,

Contra todo o distinto da elitista mulsa.

 

Envolvem a pessoa no agir induzido,

Para ser mero e submisso conduzido,

Que já não se vende com o seu voto,

Mas é capturado pelo pensar devoto:

 

Fraudado no elã do saber cognitivo,

Ali se mapeia todo seu voto decisivo,

Para o poder, não emanado do povo,

Mas de sutil e algorítmico jogo novo.

 

A mente afoita por ideia manipulada,

Não questiona a indicação insinuada,

Legitima uma categoria manipuladora,

Como a única de mediação salvadora.

 

Congresso dos amigos contra inimigos,

Esquece anseios para imputar castigos,

Aos que reivindicam ações favoráveis,

Para coletivas necessidades inevitáveis.

 

Se razão da política é ação para o povo,

Do qual emana um poder para renovo,

Cabe ainda escolher quem foi sensível,

Antes de aspirar político poder indizível.

 

 

 

 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

REBULIÇO NO TERREIRO

 


No mundo galináceo do terreiro,

Estabeleceu-se clima arruaceiro,

Pois o velho cacique galo Crispim,

Já perdeu o seu controle chinfrim.

 

Causou a turbulência no aviário,

Pela insubmissão ao seu ideário,

De vistosa política de espetáculo,

Visando aumentar seu tentáculo.

 

Sob conhecida política do medo,

Ameaça com o poderoso segredo,

Das sofisticadas armas de morte,

Para a coletiva paz do seu aporte.

 

Na “pax” de cacique do terreiro,

Aufere-se trono do galo altaneiro,

A dizer a última palavra de ordem,

Para contornar renhida desordem.

 

Outros galos velhos, com esporas,

Arrastam as asas pelas melhoras,

E contradizem velho galo Crispim,

Numa aposta do seu iminente fim.

 

Muitos competem com o cacique,

Franguinhos novos em jeito chique,

Também desejam muito ascender,

Neste idolatrado e atraente poder.

 

Velho Crispim, paranoico e no fim,

Faz a guerra fria por todo confim,

Para ameaçar com armas mortais,

Com os seus escudos excomunais.

 

Os franguinhos novos e espertos,

Com seus drones de tiros certos,

Confrontam potência de Crispim,

Sem se intimidar em seu confim.

 

A assimetria do poder de enredo,

Entre a sofisticação de torpedo,

E esperta astúcia dos frangotes,

Gera tombos e dor nos cangotes.

 

Aliados de Crispim, sem confiança,

Já não almejam a pacífica bonança,

Da “pax” em processo de declínio,

Que ameaça o humano extermínio.

 

O velho Crispim arranhado na briga,

Não perdeu e nem ganhou a intriga,

Mas, o outro galo grande e esperto,

Mira espora afiada para pulo certo.

 

 

 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

SENSIBILIDADE DEPURADORA

 


Traço peculiar da condição humana,

Sensibilidade apreende e promana,

Modo de relacionamento humano,

Para compaixão ou ao agir insano.

 

Manifestada ante dor e sofrimento,

Pode gestar indiferença ou o alento,

Sem dogmas sagrados ou culturais,

E produzir os distintos modos rivais.

 

Mais curativa que política e religião,

Quando eclode de empático coração,

Produz uma terapêutica integradora,

Que abre uma perspectiva inovadora.

 

Muitos veem e sentem a fragilidade,

Das inúmeras pessoas da sociedade,

E induzidos por postura indiferente,

Emitem juízo negativo e displicente.

 

Do precioso traço da sensibilidade,

Pode eclodir grandeza de bondade,

Capaz de mudar modo e convicção,

Para a mais humanitária comoção:

 

Sentir a compaixão das entranhas,

Com sentimentos sem patranhas,

Para reagir diante da dor e fome,

Que a tanto ser humano consome.

 

Os evangelhos plenos de narrativas,

Descrevem cristológicas iniciativas,

Da sensibilidade focada na direção,

De mudança diante da prostração.

 

Para não perpetuar desgraça alheia,

Diante da exterioridade que permeia,

Aparências de julgamento denegrido,

Jesus lidou no interagir compungido:

 

Demonstrou que toda a indiferença,

A causar muita dor e irônica ofensa,

Constituía pecado grave contra Deus,

Porque desvirtuava orgulhosos “eus”.

 

Amenizou dor, miséria e sofrimento,

De multidões relegadas sem alento,

De perturbados e de marginalizados,

Produzidos pelos domínios rotulados.

 

 

 

<center>VIOLÊNCIA VERBAL</center>

  Exaltação da ofensiva verbal, Ante o adversário feito rival, Eleva o nível da exacerbação, De ampliar nível da agressão.   Uns...