quinta-feira, 2 de julho de 2026

O PESO DOS JUGOS

 


Agir sobre humanas consciências,

Pode produzir as benemerências,

E também pesado fardo e jugos,

Com as crueldades de verdugos.

 

Tantos seres captam arrogância,

Agem sob o guizo da dissonância,

E desorientados nos seus rumos,

Sequer atinam possíveis aprumos.

 

Já psiquicamente colonializadas,

E por autoritarismos subjugadas,

Vivem na dependência espoliada,

Sem a menor iniciativa para nada.

 

Dominados por estado de guerra,

De quem manda e a todos ferra,

A humana sorte requer o sonho,

De ver interagir menos bisonho.

 

Pior jugo humano pesa na nuca,

Deste estado de guerra maluca,

A crer no bruto armamentismo,

Produz o desengano e cinismo:

 

 

Aposta nos algoritmos de armas,

Que matam com suas bisarmas,

Negam um direito de existência,

A pessoa indefesa, na demência.

 

Matar pouco armado e pacífico,

Revela modo violento específico,

Produzido pela visão militarista,

De firmar domínio de conquista.

 

O repúdio a este poder violento,

Básico para pensar novo alento,

Não deve ouvir sábios mestres,

A espoliar humanos terrestres.

 

Felizes, confortáveis, tranquilos,

Escondem os ambiciosos sigilos,

De ampliar jugos aos indefesos,

Com lei de pífios menosprezos.

 

Sob o lume do discipulado cristão,

Um outro sentimento no coração,

Indica o respeito e a cordialidade,

Um jugo que suprime a letalidade.

 

A caduca noção de arma para paz,

Um ledo engano que nada apraz,

Merece novo agir na consciência,

Para conviver com mais decência.

 

Bem distante do deus dos fortes,

Carecemos de inusitados aportes,

De substituição do jugo da guerra,

Para intuir algo novo que prospera.

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

CÉREBRO CARENTE E TELINHA INTELIGENTE

 


A partir de percepção inteligente,

Viu-se o agrado a cérebro carente,

Para captar toda a sua dopamina,

Orientando-o para segura rotina.

 

A exploração da atenção natural,

A qualquer movimento corporal,

Manifesta fragilidade do cérebro,

Capaz de deixa-lo em descalabro.

 

Pode ser viciado para movimento,

Dum algorítmico contentamento,

Que faz liberar preciosa dopamina,

Para o largo prazer que o ensina:

 

Quanto maior, atrativa percepção,

Mais libera a agradável sensação,

Que apenas requer a assistência,

Sem definição para a desistência.

 

Não se precisa ver outra imagem,

Pois esta produz a serena aragem,

De ocupar toda energia cerebral,

Para o extasiar-se no prazer viral.

 

Ele vicia como tanta outra droga,

E apresenta uma irradiante toga,

A quem merece atenção precípua,

Merecedora da focagem conspícua.

 

Vídeos curtos e imagens atraentes,

Deixam tantos cérebros contentes,

Que se tornaram o moderno ópio,

A alucinar o psíquico caleidoscópio.

 

A euforia de perpetuar muita graça,

Leva o cérebro à rotina da chalaça,

Que dispensa as mediações afetivas,

E todas as proximidades interativas.

 

Feita a insensibilização a estímulos,

Com agitadas imagens para êmulos,

Os viciados acabam presas seguras,

Do midiático agir para uma doçura.

 

Doçura diante da imagem atraente,

Deixa a pessoa dominada contente,

Com hipnótico colorido da imagem,

E bem feliz na manipulada miragem.

 

Sem a dopamina para a convivência,

Ela se torna foco de ampla violência,

E nem libera a dopamina prazerosa,

Para interação edificante e graciosa.

 

 

 

 

O BEM COMUM

 


Visto como um tesouro acessível,

Para garimpar de modo incrível,

É a tentação do enriquecimento,

Para o particular e rico fomento.

 

Declarar direitos de propriedade,

Produz legislação e arbitrariedade,

Favoráveis aos benefícios pessoais,

E apatia ante as aspirações sociais.

 

Subsidiariedade importa tão pouco,

Diante do clamor insistente e rouco,

Dos que defendem o bem-comum,

Frente ao particularismo incomum.

 

Impõe-se direito de posse particular,

Sem as condições sociais melhorar,

E o valor da dignidade das pessoas,

É desconsiderado ante posses boas.

 

Engole a dignidade do ser humano,

Ele vira refém de ambicioso insano,

Já alienado da virtude colaboradora,

Que visa a sociabilidade animadora.

 

Ambição particular sem bem-comum,

Vira narcisismo do cheiro de bodum,

Que dispersa toda a subsidiariedade,

A capaz de engrandecer a sociedade.

 

Uma consciência de bela identidade,

De quem colaborou com a sociedade,

Não decorre da usurpação de direitos,

Para locupletar os individuais preitos.

 

O direito de controlar a própria vida,

Na colaboração cordial e enternecida,

Como membro da organização social,

Não combina com a ambição pessoal.

 

Cultivo da responsabilidade cultivada,

Transcende toda acumulação privada,

Tão venerada pelo perverso sistema,

Pois fita a partilha do bom emblema.

 

Uma subsidiariedade bem arraigada,

Com a solidariedade, de mão dada,

Mina a absolutização dos interesses,

De tantas apatias a sociais benesses.

 

O planeta e os direitos de igualdade,

Não autorizam a induzida maldade,

De explorar pessoas e bem coletivo,

Para um acumulante status efetivo.

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

HUMANIDADE ECOSSOCIAL

 


Mais que sonho e ardente desejo,

Torna-se necessário um lampejo,

De pensar para além da ideia fixa,

De crescer e ampliar a diária rixa.

 

A perversa noção liberal de ação,

Mapeou a mente pela obsessão,

Dum crescimento linear infinito,

Sem perceber condição do finito.

 

Ante inúmeros sinais de colapso,

Da humana lida cheia de relapso,

Sinais de morte de ecossistemas,

Apontam ameaçadores dilemas:

 

Obsessão pelo crescimento linear,

Que devasta tudo para consumar,

Por mais posses, com acumulação,

Exaure efetiva e terrena condição.

 

A ecologia em estado agonizante,

Revela o desequilíbrio constante,

Do cego e mórbido crescimento,

Do tipo de mercado de fomento.

 

Se uma produção destrói ecologia,

Aumenta os colapsos de cada dia,

E afeta com dor a ecossocialidade,

Que ameaça a vida da humanidade.

 

Farto bem-estar para alguns poucos,

Sob a exploração de tantos amoucos,

Elimina pessoas e recursos naturais,

Por ambições de direitos especiais.

 

Nas governanças mais autoritárias,

Com as autocracias mais temerárias,

São favorecidas as pequenas elites,

Insaciáveis, e com vorazes apetites.

 

Não admitem o bom discernimento,

Para reorientar todo abastecimento,

Para a real diminuição de produção,

E um decrescimento na acumulação.

 

Para a frente do sistema de mercado,

Precisam os oligopólios dum recado,

Pois os seus poderes de corporação,

Deixam vida do planeta na inanição.

 

Menos crescimento e mais fruição,

Para mais justa e respeitosa ação,

Configura-se como plano redentor,

A obstinado crescimento explorador.

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

HIPNOTISMO DO IRRACIONAL

 


Poder de neutralizar as mentes,

Deixa-as amplamente contentes,

Ante a irracionalidade presente,

Para sugerir a ação convincente.

 

Nada é melhor que o ódio letal,

Para justificar a mudança cabal,

Apontada por superego doente,

Para deixar cabeça oca contente.

 

Tantos superegos que colonizam,

E a vida social tanto infernizam,

Apossam-se sob poder hipnótico,

Da ascensão do poder despótico.

 

Hipnotizam para modo irracional,

Que justifica a violência nacional,

Para impreterível ação agressiva,

Que contenha a reação impulsiva.

 

Com planos de direitos aparentes,

Para modos pacíficos e decentes,

Quebram identidades populares,

E afirmam os ambicionados ares:

 

Valendo-se do ódio ao combater,

Consagram o meio de emudecer,

Quem discorda e pensa diferente,

Para propiciar vida social coerente.

 

Superegos querem quebra de leis,

E de tribunais de defesa das greis,

Para aplicarem os planos fascistas,

Propícios a interesseiras conquistas.

 

Poder de persuadir com mentiras,

Gesta violentas ações agressivas,

Para sustentar no ódio cultivado,

Contra o suposto insubordinado.

 

Na tática do domínio absoluto,

Induz-se ao fetichismo resoluto,

Dum fascínio pelo hipnotizador,

Como único e possível salvador.

 

Mostrar a realidade fantasiosa,

Impregnada pela ação maldosa,

Induz à tolerância da violência,

Como o único meio de decência.

 

Violência da mentira insinuada,

Manipula a reação disparatada,

Para utilizar toda forma radical,

Meio de impor um fascismo legal.

 

Fetiche ocupa estrutura psíquica,

E desmantela capacidade crítica,

Para viver com menos letalidade,

E, com a necessária fraternidade.

 

 

 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

VIOLÊNCIA VERBAL

 


Exaltação da ofensiva verbal,

Ante o adversário feito rival,

Eleva o nível da exacerbação,

De ampliar nível da agressão.

 

Uns agridem para defender,

Outros, para algo esconder;

Alguns agridem o diferente,

Sem a intenção desarmante.

 

Tanta gente prefere a guerra,

E alimenta o que dela espera,

Todavia, sem alimentar fome,

Nem para fruir do que come.

 

Espoliação do pão de cada dia,

Agride com a triste melancolia,

Do doentio poder acumulador,

Sem o humanitário pundonor.

 

Até Estado estimula a violência,

Institucionaliza medo, arrogância,

Com vistas a certo tipo de ordem,

Para não corrigir a sua desordem.

 

Aponta para sensacionais desejos,

Que pressupõem os violentos ejos,

Na direção da política maniqueísta,

Que afasta inimigos da conquista.

 

Aparente empenho por associação,

Visa uma larga e ampla dissociação,

Com os atos violentos por controle,

Para coibir um suposto descontrole.

 

Púlpito também pode ser violento,

E abafar todo ar novo dum alento,

Que, ao contrário de ser sinodal,

Exclui de uma forma nada cordial.

 

Somente os padres podem pregar,

Para todo jeito de Jesus apresentar,

E impede a mulheres anunciadoras,

O púlpito para palavras redentoras.

 

Quando o poder aberto da homilia,

Cabe somente ao padre como guia,

Contradiz a condição da igualdade,

De todo batizado para tal realidade.

 

Uma criatura no direito de pregação,

E a outra é descartada desta função,

Produz uma sutil violência simbólica,

E mimetiza agressão nada apostólica.

 

Se a primitiva difusão do Evangelho,

Se valia de leigos ante modo velho,

As Homilias, ainda em nossos dias,

Devem ressoar para melhores vias.

 

Parte de ato litúrgico comunitário,

Homilia não é o status honorário,

Precípuo de um solteiro pessoal,

Mas ato eminentemente eclesial.

 

Se homilia visa uma comunidade,

Não deveria visar a exclusividade,

Advinda da formação seminarística,

Mas, comunidade na visão crística.

 

 

 

 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

SIMULACRO DO AMOR HUMANO

 


 

Impressionante interação humana,

Com Pets na convivência cotidiana,

Produz, na imitação do senso filial,

A reprodução de um amor fulcral.

 

Conversa de horas com queridos,

Naquela fala repleta de pruridos,

Do intimismo do signo amoroso,

Produz o novo linguajar dengoso.

 

Os ditos Pets compram atenção,

E repetem todo dia à exaustão,

Os latidos e miados de carência,

Esperando exclusiva preferência.

 

Querem colo, atenção precípua,

Na dedicação integral conspícua:

Serem agraciados com os gestos,

Sem expressar sinais de doestos.

 

Escutam cinquenta vezes ao dia,

Uma mesma dissonante melodia:

Se já fizeram o cocozinho e xixi,

Naquele “tapetinho” que fica ali.

 

Eles, tanto para receber atenção,

Ou teimar na sua procrastinação,

Urinam e defecam por todo lado,

No aguardo de receber o agrado.

 

Aguardam pelos sinais renitentes,

Dos miados ou latidos insistentes,

Que sejam agraciados na atenção:

Como centro do humano coração.

 

Mesmo que não assimilem a fala,

Captam com a sua sensitiva trela,

Que na dependência do desfrute,

Carecem dum “tu” que os escute.

 

Acostumados no topo do centro,

Preenchem o humano epicentro,

E substituem o espaço dos filhos,

Exigentes, irrequietos, andarilhos.

 

Com os Pets se firma o simulacro,

Lugar hegemônico do filho sacro,

E trato como entes das entranhas,

Os ocupam em cotidianas manhas.

 

Sobra o paradoxo de Pets cuidados,

E tantos filhos humanos relegados,

A sentirem ciúmes das preferências,

De Pets nas meigas benemerências.

 

O simulacro do amor com bichinhos,

Desvia pelos humanos descaminhos,

Tanta frustração com o imprevisível,

Do carente humano, tão desprezível.

 

Como é inconstante e tanto muda,

A preferência por animal desnuda,

Toda conflitiva interação humana,

Frustrante e que tanto desengana.

 

A adoção de Pet é mais atraente,

Que criatura humana feita gente,

E indica humano amor deslocado,

Como sinal de mundo derrocado.

 

Resta saber se inusitada simbiose,

Vai se tornar ascendente meiose,

Da auto-transcendência humana,

Para inovada filiação que irmana.

 

 

 

 

 

 

 

<center>O PESO DOS JUGOS</center>

  Agir sobre humanas consciências, Pode produzir as benemerências, E também pesado fardo e jugos, Com as crueldades de verdugos.  ...