quarta-feira, 14 de outubro de 2026

CAUSOS DO FRITZ


SINOPSE

Segue mais uma coletânea de causos veiculados nas conversas de Cunhataí – SC. Trata-se de uma peculiaridade da cultura oral, ainda muito viva, que, na narrativa de causos, faz catarse diante das situações difíceis da vida. Longe da Psicologia e da Psiquiatria, o mundo dos causos ainda oferece terapêuticas muito eficazes.

 

Agradecimento:

Boa parcela destes Causos do Fritz, que seguem, foi captada de dois exímios contadores de causos e anedotas: Cláudio Hammes e José Herbert. A eles, o reconhecimento pelo dote de alegrar ambientes.

 

 

ÍNDICE

 

1 – Volta do namoro...

2 – Confabulação de vizinhos...

3 – Ferrão de abelha...

4 – Conversa exagerada...

5 – Informação confusa...

6 - Confissão mal-entendida...

7 – Mulher no dentista...

8 – Conversa de duas senhoras distintas...

9 – Namorador inexperiente...

10 – Amigos de peito...

11 – O velhinho no consultório médico...

12 – Mulher no ginecologista...

13 – Menino impertinente...

14 – Chimarrão na praça...

15 – Viagem de ônibus...

16 – Vestido de noiva...

17 – Torcedor fanático...

18 – Morte da sogra...

19 – Jogador feio...

20 – Mulher raivosa...

21 – O caçador perigoso...

22 – O homem mulherengo...

23 – Conversa de comadre...

24 – Mulher chateada...

25 – Menino cabeça dura...

27 – Aula sobre o Hino Nacional...

28 – Mulher com problema de bexiga...

29 – Papagaio fofoqueiro...

30 – Homem com dor de barriga no ônibus...

31 – Xixi no ônibus...

32 – Menino complicado na catequese...

33 – Problemas de cidade...

34 – Na hora da garapa de cana...

35 – Fotografia para mamãe...

36 – Briga da patroa com a empregada...

37 – Marido bêbado...

38 – Homem em posturas estranhas...

39 – O pai curioso...

40 – Noivo surpreso...

41 – Desencontro entre o Fritz e a Frida...

42 – Um taxista e a freira ...

43 – Menino conversador...

44 – Catarina gastadeira...

45 – Teste de conhecimentos...

46 – Tombo da professora...

47 – Origem da chuva...

48 – Políticos adversários na barbearia...

49 – Namorada nova...

50 – Pernoite na casa do tio...

Palavras finais....

 

 

 

APRESENTAÇÃO

 

Segue narrativa de interações pitorescas, com características divertidas de Causos do FRITZ, nome de fantasia, mas, muito simbólico, para expressar a capacidade de alguém que se autoriza a gozar de outras pessoas, e, não acha nada inconveniente que, também, debochem dele.

O intento desta coletânea é o de preservar e, ao mesmo tempo, divulgar valores da cultura popular oral, - no caso, do que circula nos causos narrados na região de Cunhataí, SC, portadora de uma expressão genuína do processo de enculturação entre traços da herança germânica e do processo cultural brasileiro. Causos desta síntese, poderão ativar a relevância da imaginação de leitores, com perspectivas favoráveis para ativar outras recordações hilárias, que, por sua vez, poderão despertar fantasias para intuir outros modos possíveis de vida, menos tensos e menos conflitivos nas interações.

O pano de fundo dos causos, também permite entender como agricultores desta terra lidaram com dificuldades, através das histórias contadas, que se tornavam remédio psiquiátrico para não sucumbirem em processos depressivos. Este bom remédio caseiro, de efeitos terapêuticos, mostrou-se eficaz para uma catarse saudável.

Algumas riquezas da cultura popular oral tendem a se perder com a morte de seus contadores. Almejou-se, em razão disso, materializar e registrar alguns destes causos hilários, na expectativa de que possam ensejar um entretenimento agradável e, simultaneamente, favorecer a sensibilização diante do que subjaz nas anedotas.  Também faz parte da intencionalidade deste conjunto de causos, a vontade de oferecer uma distração que ajude a desnubilar mágoas renitentes e superalimentadas pela mente.

Como os “Causos do Fritz” foram contados na língua alemã, algumas expressões perderam um pouco do seu significado, devido à inadequação de palavras portuguesas para expressar seu sentido simbólico.

 

1

VOLTA DO NAMORO

 

Depois de passar algumas horas na casa do possível sogro, em vista de conquistar sua filha para o casamento, o Franz gostou tanto do vinho oferecido pelo anfitrião, que acabou passando da medida. Na hora de ir embora, aquela que viria a ser sua futura sogra, fez um mimo e mandou dois salames para a mãe do Franz.

Como o Franz tinha que atravessar o rio Barra Grande para retornar à sua casa, em Cunhataí, atrapalhou-se no meio do rio, caiu do cavalo e, com o tombo na água fria, também perdeu os salames. Nem tinha como tentar procurá-los na correnteza da água, ainda mais, no meio da escuridão.

Com muita dificuldade Franz conseguiu ajeitar-se de novo no lombo do cavalo e foi para casa todo molhado, sem informar que tinha perdido os salames. Dias depois, a mãe da desejada namorada do Franz, se encontrou com a mãe dele e lhe perguntou se os salames estavam gostosos.

A mãe do Franz, retrucou:

Não sei nada de salame e o Franz nunca me entregou salame! No mesmo dia, ela foi inquirir o Franz:

- Você recebeu salame e não me entregou?

- É, respondeu o Franz: na hora de ir embora e como tinha tomado muito vinho, caí no meio do rio Barra Grande e os salames sumiram nas águas. Estava assim explicado um pequeno incidente que quase culminou na ruptura do incipiente namoro.

 

2

CONFABULAÇÃO DE VIZINHOS

 

O Pedro foi na casa do seu vizinho Jorge, para uma visita de cortesia. Junto com o chimarrão, rolou aquela conversa de sempre: sobre o tempo, sobre futebol e sobre a corrupção dos políticos. De repente, o assunto se direcionou para o campo das afetividades.

Pedro falou que, há bom tempo, está desconfiado de que sua esposa vem traindo sua fidelidade.

Jorge logo retrucou que devia ser mera impressão. Na verdade, era ele quem visitava a vizinha para intimidades. Como Pedro mexeu na sua fragilidade afetiva, Jorge perguntou:

- E pensa em fazer alguma coisa?

- Sim, respondeu Pedro. Já tomei uma providência. Comprei uma espingarda, cano 12, e uns cartuchos com chumbo grosso de furar paredes. Esta espingarda está novinha e reluzente. Estou apenas esperando a hora do momento certo, para adentrar a ponta do cano da doze no “forébis” do sujeito, quando estiver em cima da mulher, e detonar um tiro que vai encher as paredes e o forro do quarto com fiapos das tripas dele.

Jorge, todo nervoso e com sinais de gagueira, já não soube mais como desviar o assunto. No outro dia, foi na mulher do Pedro e lhe falou:

- Nosso caso de amor está encerrado. Não quero ser morto, na cama com você, com um tiro de espingarda doze para dentro do meu “forébis” e ter minhas tripas espalhadas no seu quarto.

Após um tempo de abstinência, Jorge voltou a ser importunado pela esposa do Pedro, e, caiu na tentação de ir outra vez para a sua cama. Na hora de iniciar o himeneu da intimidade, entrou um cachorrinho, subiu na cama e encostou o nariz frio nos glúteos do Jorge, a fim de cheirar seu “forébis”. Esta sensação ativou a memória de Jorge e ele sentiu que o suposto tiro fulminante da espingarda doze, estava sendo detonado e ficou instantaneamente travado.

A mulher de Pedro insistiu:

- Mas como? Já parou?

Jorge retrucou:

- Ao sentir o cano da doze entrar pelos glúteos e entrar na minha cavidade rugosa sub-lombar, travou tudo! Até as tripas soltaram todo cocô que nelas se encontrava!

Na verdade, foi o pavor da espingarda doze, associado ao nariz frio do cachorrinho, que apenas queria dar uma cheirada no “forébis” daquele bundão.

 

3

FERRÃO DE ABELHA

 

A vida agrícola apresenta situações bem pitorescas. Na casa do seu Zé Furtado, o assunto, na hora do almoço, foi o de que uma das porcas estava no cio. O Zé falou para sua esposa que, após o almoço, levaria a porca até a casa do vizinho para que seu cachaço a fecundasse.

O Joãozinho, todo curioso, queria saber como que o pai sabia que aquela porca estava em cio. O pai logo retrucou:

- É porque ela levou uma ferroada no nariz!

O Joãozinho não perguntou mais nada. O pai saiu com a porca carregada na carroça de bois. Ao retornar, Joãozinho correu ao encontro da carroça e avisou o pai:

- Só descarrega a porca e já pode carregar a mãe e leva-la ao vizinho, porque, há pouquinho, ela também levou uma ferroada no nariz.

 

4

CONVERSA EXAGERADA

 

Antigo pároco de São Carlos, tinha uns amigos que gostavam de jogar baralho com ele. Um sabia mentir mais e melhor do que o outro. Um deles, toda vez que fazia uma boa jogada, dizia aos demais: que eu sou muito inteligente e esperto, isso vocês já devem ter percebido, há muito tempo, nas minhas conversas. O outro amigo, era o doutor Hundt, que durante décadas era o único médico em São Carlos.

Um dia, no meio da distribuição de cartas, Doutor Hundt falou aos demais que, naquela semana, tinha caçado um Quati enorme na sua propriedade. Disse que pesou nove quilos. Ninguém riu e sequer comentou a proeza de caçar um Quati desse tamanho.

Depois de algumas jogadas, sob estranho silêncio, o padre Fritz comentou a enchente do Rio Uruguai do ano de 1965, na qual as águas subiram tanto, que formaram lagos nas baixadas das lavouras próximas do rio Uruguai, e depois que o rio começou a baixar, iniciou-se uma disputada pescaria nestes lagos, pois, ali ficaram retidos muitos peixes grandes. O padre contou que também foi pescar num destes lagos, e, assim que jogou a linha, ela já foi esticada por algum peixe. Começou a puxar a linha, com ansiedade, e o peso indicava que era peixe muito grande, - pelo menos, - bem acima de cinco quilos. De repente, levou um susto, pois, viu que em vez de visualizar um peixe, relutando para se soltar do anzol, estava puxando um lampião de gás, ainda aceso, de dentro da água.

O Doutor Hundt bateu a mão na mesa e falou alto:

- Mas padre, o senhor contar um caso destes! Isto é totalmente inverídico. Nem seria possível uma lâmpada ficar acesa por tanto tempo e, ainda mais, debaixo da água!

Foi, então, que o padre tirou o cachimbo da boca e retrucou:

- Olha Doutor Hundt, se você baixar uma porção de quilos do Quati que caçou, eu até posso deixar o lampião da minha história sem luz acesa.

 

5

INFORMAÇÃO CONFUSA

 

Ocorreu que, numa casa da cidade, havia sido roubado uma bicicleta. Alguém foi pedir ao padre para que fosse até lá, a fim de fazer uma oração e abençoar a casa, com vistas a evitar que outros roubos viessem a acontecer.

O padre foi para atender o pedido, mas, entrou na casa anterior à do destino, e foi surpreendido com um velório. Tinha morrido uma velha senhora, afamada por se prostituir. A família sequer informou o padre, pois, deduziu que, com certeza, não viria celebrar a encomendação. O padre, no entanto, estranhou a ausência de olhares sentidos, ou de choro, e nem parecia ser de velório.

Desconfiado, o padre resolveu retornar àquela casa para confortar os familiares da velhinha. Começou a catar alguma informação sobre a falecida e seu filho, então, lhe falou: era uma peça velha e desgastada. Era animal de montaria do pai, do nosso vizinho e até eu aprendi a ser macho em cima dela. Com informação tão estranha, o padre até esqueceu do que queria fazer e foi procurar a outra casa, para fazer uma oração.

 

6

CONFISSÃO MAL ENTENDIDA

 

O padre estava sentado dentro do confessionário. De repente, foi a vez do menino Carlinhos, de cerca de dez anos, vir para sua confissão.

Como de praxe, Carlinhos confessou seus pecados e pediu absolvição. Antes de invocá-la sobre o menino, o padre, pediu a ele, se não tinha outros pecados a confessar. O menino respondeu que, confessou tudo, e que não tinha outros pecados a confessar. Então, o padre lhe pediu:

- Quem é o menino que sempre entra na casa do padre, vai na geladeira, corta pedaços de linguiça e os come? E ainda, quem é o menino que não deixa nenhum moranguinho da horta do padre ficar maduro, porque já os devora antes?

O menino retrucou: padre, não estou entendendo nada aqui do lado de fora do confessionário, a respeito do que o senhor fala ali dentro. O padre, ao ouvir esta resposta, abriu a portinhola e veio para fora do confessionário. Foi, então, que Carlinhos se antecipou e resolveu fazer uma pergunta ao padre:

- Padre, quem é o homem que cruza, seguidamente, no fundo da nossa casa, para ir dormir com a vizinha?

O padre respondeu imediatamente: aqui fora do confessionário, eu, também, não estou escutando coisa alguma! Esta surdez deixou o menino sem a devida absolvição dos seus pecados.

 

7

MULHER NO DENTISTA

 

A senhorita Ana Maria, casada, há sete anos, com José Pimenta, tinha um filho de cinco anos. Ana Maria tinha horário agendado para ir no dentista. Como o marido estava lidando com o gado, ela resolveu levar junto seu menino, a fim de que não ficasse sozinho em casa.

Ana Maria levou mais de hora se ajeitando na frente do espelho, antes da saída. No consultório, ficou uns minutos na sala de espera e, ao ser chamada para o atendimento, na sala contígua do consultório odontológico, pediu para que o menino ficasse esperando na sala de espera. Como o atendimento pareceu muito demorado para o menino, já irrequieto de tanto esperar naquele lugar sem graça, resolveu espiar pelo buraco da fechadura, a fim de ver se a mãe já viria para fora.

Quando a mãe, finalmente, saiu do consultório, pegou o menino pela mão, foram ao carro e rumaram para casa. Assim que saiu do carro, o menino foi caminhando, rapidamente, na direção do pai, ainda lidando com o gado. Chegou perto e pediu:

- Pai, a mãe tem muito dente com cárie na sua perereca?

Menino, o que é isto que você está falando? Onde aprendeu uma besteira dessas?

 O menino, então se explicou:

- Olha pai, como a mãe estava demorando muito para sair do consultório, resolvi espiar pelo buraco da fechadura, e vi o dentista mexendo nos dentes da perereca da mãe! Será que ela tem mais dente estragado por lá?

O pai mandou o menino para dentro de casa, e o que aconteceu, depois desta ordem, ainda está por ser desvendado.

 

8

CONVERSA DE DUAS SENHORAS DISTINTAS

 

A Frida, mulher beirando os cinquenta anos de idade, simpática, bonita e encantadora, foi visitar sua amiga Matilde, da mesma idade, muito estimada, e o ritual da saudação, como era de praxe, consistiu em uma apreciar a beleza da outra, e rasgar elogios de estufar o ego.

Assim que Frida chegou e foi recebida com abraços e beijos, foi logo convidada a sentar-se. Nesta hora, seguiram-se mais uns capítulos de elogios sobre o cabelo, sobre a face rejuvenescida, sobre a belíssima combinação do vestido com sua cor loira. De repente, escapou a impressão de Matilde sobre a Frida:

-  Frida, você tão encantadora e bem vestida, mas, eu não entendi porque você está usando uma calça comprida de moletom, escura e listrada nas laterais, própria de Academia, por baixo deste belo vestido!

Frida respondeu:

- Matilde, você nem sabe o que me aconteceu. Eu ainda não entendi como os homens podem ser tão safados com mulheres nobres, distintas, respeitosas e leais como nós duas.

O que foi que aconteceu, pediu Matilde?

- Tenho até vergonha de falar, mas, aconteceu o que eu nunca poderia esperar de um médico psiquiatra. O médico daqui da cidade me encaminhou para ir num psiquiatra. Assim que entrei no consultório, ele pediu que me sentasse, e ele, sentado no outro lado da mesinha, já solicitou, de cara, para que eu me abrisse.

Pense numa provocação bem desaforada de tarado sexual. Aí já fiquei sem palavras e ele repetiu, de novo: fique muito à vontade! Abra-se!

Eu só me levantei rápido, bati a porta em sinal de protesto, e fui embora. Fui para casa e contei para o marido o que aconteceu.

Foi, então que combinamos: na próxima vez, ele vai junto, com aquele facão comprido e, assim que a gente entrar na sala de atendimento, ele vai bater o facão umas três vezes sobre a mesinha, para não sobrar nem papel e caneta por cima, e vai perguntar: quer fazer nova proposta para abusar desta mulher fiel e abnegada que é minha esposa?

Matilde interveio na conversa e falou: Olhe, Frida! Existe a lei Maria da Penha e você pode denunciar este médico por insinuação sexual.

Frida retrucou, nem pensei nisso, mas, como já combinei com o marido, vai ser no facão mesmo.

Um pequeno mal-entendido foi o responsável pelos estranhos procedimentos de Frida: no ambiente social, das duas mulheres, “abrir-se” equivalia a dizer, entregue-se para uma intimidade sexual. Por isso, a calça comprida de moletom, por baixo do lindo vestido, constituía mais uma proteção contra eventual ataque de tarado que quisesse aproveitar-se de Frida.

 

9

NAMORADOR INEXPERIENTE

 

O adolescente Pedrinho, rapazinho criado sob excessiva dependência da mãe, começou a sentir-se despertado por uma paixão sorrateira por uma menina, colega de aula. Ela lhe parecia cada dia mais bonita, atraente e encantadora.

Um dia falou para a mãe, que gostaria de começar um namoro, mas, que não tinha jeito e não sabia sequer como chegar perto dela, e, menos ainda, namorar com ela. A mãe resolveu dar-lhe algumas dicas: se for com ela de manhã, diga bom dia! Se for de tarde, diga boa tarde; e, se for de noite, diga boa noite.

- O rapazinho pediu: e depois?

A mãe retrucou:

- Para começar bem, você poderia ir primeiro na loja e comprar um presentinho para ela. Ao chegar na loja, a vendedora insistiu para que comprasse também um presentinho para a sua mãe, porque no dia seguinte, domingo, seria o dia das mães. Entrou na conversa e comprou mais um presentinho. Todo atrapalhado, pediu à vendedora: como vou fazer para não trocar os presentinhos. A vendedora sugeriu:

- Coloque o presente para a namorada, no bolso da frente da calça, e o presente para a sua mãe, no bolso de trás. Mais atrapalhado do que cachorro em procissão de Igreja, Pedrinho chegou na casa da menina e disse: bom dia, boa tarde e boa noite!

Ela olhou-o, com certa estranheza, e ele já iniciou a fala para dizer que trouxe dois presentes. Um, seria o presente que queria dar a ela. Falou que este estava na frente; e, o outro, que seria para a mãe, estava atrás. Esqueceu-se de dizer que estava no bolso da calça, e a menina, achando a conversa excessivamente insinuante e machista para um primeiro encontro, mandou-o embora no mesmo instante, sem sequer receber o presente.

 

10

AMIGOS DE PEITO

 

O fim de tarde no Bar do Gonzaga era, normalmente, bem movimentado. A maioria dos frequentadores ia tomando seus tragos de pinga e colocando as fofocas em dia. Alguns se animavam tanto, neste clima de supostos bons amigos, que iam passando do ponto. Tomavam, conversavam, cada vez mais alto, e mais perto do ouvido de uns para outros.

Numa noite destas, dois se animaram tanto na conversa, acompanhada de muita cachaça, que passaram da hora normal de ir para casa. Um mais bêbado do que o outro, deram-se conta de que deveriam ir embora, pois, já passava da meia noite.

 Na hora de sair, um perguntou ao outro, onde morava. Com muita dificuldade, conseguiu explicar àquele amigo do peito, que morava perto, na outra esquina do bar, naquela casa verde. O outro retrucou: que coincidência! Eu também moro na esquina numa casa verde.

Os dois foram andando, um escorando o outro, e, quando cruzaram a esquina, um deles disse:

- É aqui, nesta casa verde, que eu moro!

O outro então respondeu:

- Não, aqui é o lugar onde eu moro!

Começaram a discutir e o clima foi se tornando cada vez mais acirrado, até que começaram a brigar e um derrubava o outro com tapas e empurrões. Entre gritos e palavrões, acordaram a dona da casa verde. Na verdade, era a esposa de um e mãe do outro. Quando viu que os dois estavam bêbados, pai e filho, brigando por uma besteira daquelas, agarrou a vassoura e surrou os dois para ver se criariam juízo para tomar menos cachaça e para não mais brigarem entre si.

 

11

 

O VELHINHO NO CONSULTÓRIO MÉDICO

 

A fila de espera estava enorme, mas seu Onofre, de oitenta e cinco anos, aguardou pacientemente a sua vez, como último da fila. Tinha consigo um envelope com os exames de sangue e de urina, a fim de submeter-se a uma avaliação de rotina.

Ao ser recebido pelo médico, que já o conhecia desde muitos anos, após a saudação, o médico pediu os exames, para verificar o resultado.  Depois de conferir e anotar os índices no computador, falou para o Onofre:

- Parabéns! A qualidade do seu sangue, com oitenta e cinco anos, é muito superior à qualidade do normal dos adolescentes. Começou, então, a fazer-lhe algumas perguntas:

- Como estão os olhos?

- Estão muito bons! -  respondeu Onofre, - leio bem e nunca usei óculos.

- E como anda seu pulmão?

Sem nenhum problema, nem gripe estou pegando!

O médico perguntou ainda:

- Como anda seu sistema digestivo e de evacuação?

- Ótimo – respondeu Onofre – a digestão é boa e a evacuação funciona como um relógio. Um dia, como outro, pontualmente, às sete horas da manhã, acontece a evacuação!

Que maravilha, retrucou o médico!

- Onofre retrucou: Nem tanto, doutor! É que eu me acordo somente depois das oito horas da manhã, e, então, começa aquela encrenca sem fim.

 

12

MULHER NO GINECOLOGISTA

 

Logo depois do fornecimento dos dados iniciais, o médico perguntou à mulher, a respeito do que estava acontecendo com ela, no campo ginecológico. Ela falou:

- Doutor, já nem sei quantos médicos e médicas consultei para que me ajudassem a engravidar e nada deu certo!

O médico repetiu: nada deu certo! E já fez alguma simpatia para engravidar? Ela respondeu:

- O senhor, como médico ginecologista, me sugerir simpatia? Já fiz todas as simpatias, e nenhuma produziu o resultado esperado. Foi a vez do médico perguntar:

E a simpatia da berinjela, também a fez?

Ela repetiu: be...rin...gela, não, desta nunca ouvi falar. Em que consiste?

- Ele falou: pega berinjela, esfrega e faz carinho todas às noites e vai se repetindo: é hoje que eu vou engravidar!

A mulher toda encantada com a sugestão, ainda perguntou: e funciona?

- Sim, disse ele, garanto que, em um mês, vai estar grávida!

Desmanchando-se de gratidão, e, encantada pela possibilidade de, enfim, engravidar, a mulher estendeu a mão, para agradecer e despedir-se do médico, e, ainda perguntou:

 Como é mesmo o seu nome?

- Ele respondeu: Dr. Beringela!

Ela apenas retrucou: seu safado! Bateu a porta e sumiu.

 

13

MENINO IMPERTINENTE

 

Paulinho, menino de nove anos, era um daqueles “bundões de sofá”, com os olhos sempre focados no celular ou no televisor, incapaz para qualquer pequeno serviço ou favor. Gordão de tanto comer doces e produtos multi-processados, um dia resolveu passar o final de semana na casa do tio, que morava na cidade vizinha a dez quilômetros de distância.

Assim que chegou lá, na casa do tio, já começou a manifestar sua chatice. O tio estava lavando seu carro. O menino, no lado, comentou:

- Meu pai tem dois carros melhores do que este!

- O tio não deu importância para a mania de grandeza do sobrinho chato.

Continuou lavando o carro. De repente, o menino falou:

- Nós lá em casa temos dois aparelhos lava-jatos desses!

O tio, já no limite da sua tolerância, não falou nada. O menino, observando o entorno, voltou a falar para o tio:

- Meu pai tem duas casas, bem melhores do que a sua casa!

O tio, irritado com o sobrinho, abriu o fecho da calça, puxou o trabuco e retrucou:

- Teu pai também tem dois trabucos desses?

O menino impertinente respondeu:

- Dois, até que não tem, mas, o dele dá tranquilamente dois desses.

Foi, então que acabou seu passeio de final de semana no tio. Saiu corrido.

 

14

CHIMARRÃO NA PRAÇA

 

Duas jovens amigas combinaram, entre si, para tomar um chimarrão na praça, no domingo de tardezinha. Animadas e sentadas num banco, iam conversando sobre tudo. De repente, uma pediu para a outra:

- Você já teve namorado?

Não, respondeu ela, e logo devolveu a pergunta:

- E você, já teve?

Também não, respondeu ela. Tomadas mais umas cuias de chimarrão, a primeira perguntou:

- Que tipo de namorado você mais gostaria de encontrar?

Eu acho que preferiria um rapaz de origem alemã! E você?

- Eu já sinto mais atração por índio, sujeito forte, saudável, corajoso, sem medo de andar pelos matos. De repente, ela olhou para o lado, e viu um rapaz olhando para elas, sentado no banco próximo das duas. Mesmo um tanto atrapalhada, começou a entabular uma conversa e perguntou seu nome. Ele respondeu:

Sou o cacique indígena Franz Logermann.

As duas se calaram, pois, constataram que ele tinha ouvido sua conversa.

 

15

VIAGEM DE ÔNIBUS

 

O velho Onório planejou, longamente, uma viagem para o norte do Mato Grosso, a fim de visitar três filhos que se mudaram para aquela região. Saiu do Oeste catarinense, num ônibus bonito e vistoso e com a cabeça cheia de boas perspectivas para a viagem. No entanto, o azar já foi sentido antes da partida do ônibus: ao lado dele, sentou-se uma mulher, com seus seis filhos que, também, iria para o norte do Mato Grosso.

A briga e a choradeira das crianças tiveram início já na disputa pelos lugares para sentar. Era grito, choro e falação em volumes altissonantes, que o velho Onório já ficou nervoso antes da partida.

A balbúrdia continuou, pois, uns subiam no assento, outros caíam e choravam, outros ainda gritavam por comida e a mulher, toda estressada, não conseguia apaziguar as crianças.

Onório, já irritado com o ambiente, percebia que, a cada pouco, o motorista dava freadas bruscas, que provocavam queda de crianças e uma caiu por cima dele. Puxou a bengala e deu umas batidas fortes no corredor do ônibus, para mostrar sua insatisfação ao motorista imprevidente. A cada pouco, estava ele a dar batidas da bengala no chão.

A mãe das crianças, irritada com este procedimento, falou:

- Olhe senhor, para evitar este barulho chato, com sua bengala a bater no chão, mande colar uma borracha na base desta bengala, a fim de evitar este som irritante no ônibus inteiro.

Ele retrucou:

- Se a senhora tivesse colado uma borracha na bengala do seu marido, eu não precisaria estar passando todo este desconforto para viajar!

A viagem seguiu na mesma balbúrdia.

 

16

VESTIDO DE NOIVA

 

A costureira escolhida para costurar o vestido da noiva, fez tudo conforme o imaginado pela noiva, na elaboração do vestido, com ótimo acabamento. No dia do casamento, ao ajudar a noiva a se vestir, lembrou-se que tinha costurado os botões nas costas do vestido, sem, contudo, fazer os buracos para prender os botões. Na pressa, pegou uma linha e agulha e emendou rapidamente as partes.

A festa de casamento foi magnífica, e todos elogiaram o belo vestido da noiva. Depois da festa, o casal iria passar a noite na casa da mãe da noiva. Quando se dirigiu ao quarto, a mãe da noiva já correu para ficar, ao lado da porta, a fim de escutar a movimentação que iria acontecer lá dentro.

Quando a recém senhora quis tirar o vestido, pediu para o maridão ajudar a abrir as abotoaduras nas costas. Ele tentou, mexeu de um jeito e de outro e nada de conseguir abrir o vestido. Numa altura das tentativas fracassadas, ele falou alto:

- Olha, se agora não vou conseguir abrir, eu vou pegar o canivete e vou cortar o vestido.

A sogra encostada na porta, atenta, mais que gato para pegar um ratinho, ao escutá-lo falar que iria pegar o canivete e cortar, ela já imaginou outra coisa: bateu na porta e disse que deixou uma travessa com banha, e que a filha a passasse uma mãozada destra banha na área genital, - assim como ela teve que fazer quando casou, - para evitar que fosse usado o canivete.

 

17

TORCEDOR FANÁTICO

 

Quando o time da Chapecoense estava no seu auge, pouco antes da tragédia, o Fritz era tão fanático, que não perdia jogo por motivo nenhum. Com chuva, ou com sol, rodava mais de cinquenta quilômetros e tinha um lugar fixo no Estádio Índio Condá da Chape.

Um dia, o estádio já estava abarrotado de gente, e algo chamou atenção de torcedores. Seu Fritz, sentado, e com dois assentos de cada lado dele, desocupados. Alguns torcedores, com vontade de sentar-se, foram até o Fritz e perguntaram a respeito das cadeiras vazias.

Ele informou que comprou, com antecedência cinco ingressos: um para si, outro para a esposa, e mais três para os filhos. Alguém, então perguntou: mas, porque que sua esposa e seus filhos não vieram?

O Fritz respondeu:

- Minha esposa faleceu!

Um deles, então o interpelou:

- E porque não trouxe os filhos?

O Fritz retrucou: eles preferiram ficar no velório da minha esposa!

 

18

MORTE DA SOGRA

 

O engenheiro José Fernandes era do tipo sistemático e, nada fácil na convivência. Tudo tinha que ser certo e definido como os cálculos. Para completar as contrariedades, além dos seguidos ranços com a esposa, tinha que suportar a sogra, na sua casa. Esta sim, era daquelas bisbilhoteiras, fofoqueiras e futriqueiras, como poucas sogras neste mundo. Todo dia, arrumava alguma contrariedade.

Um dia, o José estava em outro Estado, a fim de revisar um prédio em construção. Quando estava lá, recebeu um telefonema de alguém desesperado, porque a sogra do José tinha acabado de falecer. Os familiares, sem saber direito o que fazer, queriam saber o que encaminhar e como fazer: se mandariam anunciar velório, sepultura ou cremação. Ele respondeu, imediatamente:

- Encaminhem os três procedimentos, mas, com muito cuidado!

Quem havia feito a ligação perguntou: mas como, cremação e sepultura?

- Sim, respondeu José, e não cheguem muito perto dos restos mortais, pois, com o veneno que ela continha, enquanto estava viva, chegar perto do que restou da cremação, ainda pode matar!

 

 

19

O JOGADOR FEIO

 

No time do Aliança, tinha um jogador literalmente desprovido de qualquer beleza. Com certeza, Deus e seus pais devem ter-se distraído, na hora da sua concepção e terem trocado sua cabeça pela bunda.

Seu corpo também era todo desengonçado, mas, tinha um detalhe: era um excelente jogador de futebol. Deixava a torcida boquiaberta com suas jogadas, e, num domingo de tarde, foi o autor de três gols e colaborou em mais dois outros.

Assim que terminou o jogo, o repórter foi na entrada do túnel para entrevistá-lo. Primeiramente, elogiou a extraordinária categoria e a beleza dos seus gols, um mais bonito do que outro. E depois daquelas falas emocionadas em torno do sucesso, o repórter perguntou:

- E se você não fosse jogador de futebol, o que você iria ser?

Ele respondeu:

- Ainda seria virgem!

 

20

MULHER RAIVOSA

 

A dona Francisca estava na beira da rua, arrumando as flores do seu belo jardim. De repente, percebeu uma batida cadenciada de tacos de sapatos, olhou para a rua, e viu que sua amiga Josefa estava vindo na sua direção. Vinha com sua bolsa pendurada no ombro e estava com as duas mãos ocupadas para segurá-la. Parecia que estava com medo de ser roubada. Quando ainda estava a alguns metros, dona Francisca perguntou:

- O que é isso, dona Josefa? Você veio de onde, com este seu vestido encantador? Você está numa beleza fora do normal!

Josefa retrucou:

- Estou vindo do banco, pois, fui sacar o dinheiro do leite, vendido durante o último mês. Está tudo aqui na bolsa, e rendeu muito mais do que esperava. Mesmo assim, estou com muita raiva!

Mas, raiva do que, perguntou Dona Francisca? Josefa respondeu:

- Com raiva do gerente do banco! Quando estava terminando de colocar o dinheiro na bolsa, ele veio, lá da sua mesa, bateu a mão no meu ombro e pediu se eu tinha o “Êmil” lá em casa. Fiquei com tanta raiva que quis bater a mão no rosto dele. Imagina, se isto é pergunta de gerente de banco para uma viúva decente como eu, achando que eu estava com o Êmil lá em casa.

Na verdade, o gerente perguntou à dona Josefa, se ela tinha E-mail, mas, com esta entrada massiva de fala inglesa em nossa língua, falou “Í-meil” e a dona Josefa, focada sobre o dinheiro da bolsa, entendeu que ele falou “Êmil” (nome masculino abreviado, na língua alemã, para se referir a Emílio.

Imagina só, falou Josefa, se correr uma conversa destas, a partir do gerente de banco, de que eu ando com o Êmil, homem do qual não quero saber coisa alguma. De tarde, vou na emissora de rádio para soltar o verbo contra aquele gerente, para que aprenda a ter mais respeito pelas pessoas.

 

21

O CAÇADOR PERIGOSO

 

Pedro Borba, criado na beira do rio Uruguai, aprendeu por osmose do pai a caçar e pescar. Quando adulto, casou e foi morar no Mato Grosso, lá no município de Planalto da Serra, lugar bem propício para continuar a caçar muito. Mesmo que a proibição contra caça era severa, caçava a toda hora.

A conversa entre os vizinhos, a respeito das caçadas de Pedro Borba, chegou ao Ibama, e um dia uma equipe se organizou para prender seu Pedro por caça ilegal.

Perto da casa dele, eles se combinaram: um se disfarçaria de caçador, com espingarda, para ir até a casa do Pedro e perguntar se poderia dar uma caçada. Pedro logo falou que podia ficar à vontade. O policial perguntou se existia algum bicho na redondeza.

Pedro disse que tinha muito e de todo tipo: onça, anta, capivara, veado, cutia, tatú e muitos tipos de pássaros como mutum que rende bastante carne. O policial, então, pediu se Pedro não tinha medo de se arriscar a caçar com tanto fiscal na região.

Pedro retrucou: a gente se cuida. Mato o bicho, aproveito a carne e enterro o couro e as miudezas. A cabeça eu a seco para servir de troféu, na sala de estar. Foi então, que o policial perguntou:

- Que tipo de troféu você já tem?

Ah! Começa com onça! Chamou seu menino, Joãozinho, e lhe falou: vai lá na sala e me traz a cabeça da onça para mostrar para o tio. Assim, foi pedindo para o menino trazer mais troféus de cabeças de anta, de capivara, de veado e, como a prateleira tinha enorme quantidade de cabeças, o policial perguntou a Pedro:

- Seu Pedro, nunca bateu fiscalização ali na sua casa?

Respondeu Pedro, sim, aparece seguidamente! E chamou outra vez o Joãozinho e falou:

-Traga a cabeça do último policial que eu matei! Assim que o menino se virou, o policial perdeu até sua espingardinha de pressão para sumir dali em velocidade máxima, a fim de evitar que sua cabeça também virasse troféu de caça.

 

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O HOMEM MULHERENGO

 

Toda redondeza conhecia a fama do alemão Fritz, como mulherengo, que gastava todo o seu dinheiro numa casa de prostituição. Mentia para a mulher e parecia que ela, toda ingênua, não desconfiava das suas orgias com mulheres.

Um dia, o Fritz chegou mais cedo em casa, com boa dose de cerveja nos cornos, - como dizem os gaúchos, - entrou no quarto e viu a mulher, vestindo roupa íntima branca, e pálida como cera de vela. Ele logo perguntou:

- Você está passando mal?

- Sim, respondeu ela, estou desesperada com as dívidas: estamos devendo a conta de energia, de internet, de gás, de água, dos financiamentos e das compras que fizemos no cartão.

Fritz, que se dizia ser homem muito devoto e fervoroso na fé, falou: minha querida, alguém lá do alto dá um jeito! Ela, ainda mais choramingona, retrucou: falta comida, falta tudo aqui em casa!

Fritz, na sua pressuposta fé em Deus, disse: a ajuda lá do alto, vai pagar tudo!

Nesta hora, alguém se mexeu no alto do guarda-roupa e disse: posso até pagar uma parte destas contas, mas, a outra, fica por conta dos dois que estão debaixo da cama!

Foi, então, que o Fritz entendeu a palidez da esposa, e, com gosto amargo, não podia sequer se meter a brigar contra os três machos concorrentes dentro do seu quarto de dormir.

 

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CONVERSA DE COMADRE

 

Dona Filomena estava estendendo roupa no varal e chegou a vizinha Frida para lhe contar um segredo. Falou: Filomena e vou te contar um segredo, mas, que fique somente entre nós duas. Você promete não contar adiante?

- Sim, falou Filomena: minha boca é uma sepultura... e antes de chegar a dizer aberta, a Frida agradeceu e disse:

- Nossa vizinha, aqui do lado, brigou com o marido e o mandou embora de casa.

- Mas como, falou Filomena!

- Coisa simples, mas, aconteceu. Ele se machucou um pouco no pescoço, num serviço, lá na empresa onde trabalha, e ainda aparecia uma pequena mancha traumatizada. Assim que a esposa viu aquilo, já agarrou a vassoura, e aos gritos o mandou embora, e, sabe por quê? Disse que isso era de uma chupada de outra mulher. Nem deixou o marido dizer uma única palavra para se explicar que foi acidente no serviço.

- A outra retrucou:

- Coitado do nosso vizinho! Será que aquele machucado, em vez de ter sido uma chupada de mulher, não foi um ataque de um vampiro? Só por isso foi parar na rua! Que dó.

- Frida respondeu: na rua não está, mas, está lá no bar, bebendo cachaça, coisa que ele nunca fazia.

 

24

MULHER CHATEADA COM O MARIDO

 

Dona Rosa chegou na casa da sua amiga e vizinha Tereza. Triste e abatida, falou:

- Olhe minha amiga: eu estou tão triste que você nem faz ideia. Meu marido está emburrado comigo, me deixou em casa, não atende celular e isso está me deixando muito tensa e chateada.

- O que aconteceu?  Falou Tereza!

- Rosa lhe disse que aconteceu no caminhão. Estava viajando com o marido, que é empregado numa empresa. Andando e conversando animadamente, eu olhei para o forro do caminhão e tive a impressão que ali estava à vista o rabo de um rato. E como não gosto destes bichos por perto, me ergui, agarrei aquele rabo e puxei rápido e com força, e para mata-lo, joguei-o contra o para-brisa. Resultado: não era um rato, mas, um barbante para ser puxado para regular e tela protetora do sol diante do para-brisa. Com minha fúria, veio junto uma pequena peça de ferro e quebrou o para-brisa.

 Pense num homem bravo, que virou este meu marido! Me xingou, me chamou de burra e me destratou. E, por cima de tudo, me deixou em casa, e saiu sem dizer uma palavra e nem me atende no celular!

- A comadre, emocionada, respondeu: pois é, teria sido melhor se tivesse sido um rato!

 

25

MENINO CABEÇA DURA

 

Nos tempos mais antigos, os padres costumavam fazer uma aferição para ver se os encontros catequéticos das crianças realmente ensinaram bem os necessários passos para a celebração eucarística.

De repente, o padre pediu para o Pedrinho que rezasse o Pai Nosso. O menino empacou e não sabia nem como começar. No encontro da semana seguinte, o padre voltou a verificar se o Pedrinho sabia rezar o Pai Nosso. Ele continuou a não saber sequer o começo.

O padre, então perguntou se na casa dele tinha criação de ovelhas. O menino respondeu que tinha mais de cinquenta. O padre lhe sugeriu que associasse uma ovelha para cada palavra do Pai Nosso.  Aprenderia, com toda facilidade, a rezar esta oração. No terceiro encontro o padre pediu ao Pedrinho: tenta agora rezar a oração. O Pedrinho começou:

- Pai Nosso que estais no ... e já não lembrou a sequência. O padre quis ajudar um pouco: lembre agora a ovelha, que associou com o céu! O menino retrucou:

- Acontece que esta ovelha para lembrar o céu, morreu ao ter cria!

 

26

AULA SOBRE O HINO NACIONAL

 

A professora estava toda entusiasmada com o canto do Hino Nacional bem acompanhado pelos alunos. Cantaram bonito. Foi, então, que pediu se alguém deles sabia algum símbolo do Hino Nacional. O Joãozinho levantou o dedo e disse que sabia um símbolo. Chamado para falar do símbolo, foi no quadro e desenhou um berço com um nenê dentro.

A professora estranhou e pediu: o que significa isso?

- Joãozinho retrucou: “deitado eternamente em berço esplêndido”!

- Foi então que Mariazinha levantou o dedo e disse que também tinha um símbolo. Foi no quadro e desenhou aquele simbolo de piu-piu, com dois ovos. A professora espantada com desenho tão estranho, para uma menina, pediu o que significava.

- Ela respondeu: “Gigante pela própria natureza”!

 

27

MULHER COM PROBLEMA DE BEXIGA

 

O casal, Rui e Filomena, moravam no interior. Ela vivia se queixando de dor de barriga. Foram ao médico, e depois da consulta e de uma série de exames, o médico falou para o Rui, que acompanhava a esposa Filomena:

- Filomena está com problema de bexiga. Sua bexiga está dilatada e fraca. Pode até estourar. Deu uns remédios e pediu que tivessem cuidado para evitar que a bexiga viesse a estourar.

Lá no interior, onde Rui e Filomena moravam, ainda não se conhecia vaso de cerâmica para as necessidades fisiológicas. O avanço tecnológico mais avançado era o do uso da casinha de madeira para esta finalidade.

Depois da notícia do médico, Filomena, ao ser dispensada da consulta, falou para o Rui. Eu tenho que fazer xixi. Rui se informou com a secretária e ela indicou o WC. Como não conhecia essas coisas, Filomena sentou-se sobre o vaso e, enquanto urinava, olhou para a cordinha do lado e resolveu puxá-la. Veio aquele jato de água, molhou as partes baixas e ela, apavorada com o barulho e aquela enorme quantia de água, abriu uma gritaria desesperada de que tinha estourado a bexiga. Quando foram socorrê-la, viram que foi apenas água da caixinha para despachar a evacuação, acionada antes da hora.

 

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O PAPAGAIO FOFOQUEIRO

 

Na casa do seu José Mendes, um papagaio dos mais fofoqueiros, atrapalhava a vida da empregada. Ali também trabalhava um empregado e os dois começaram a se gostar, um do outro, e, volta e meia, se atracavam nas intimidades. Na hora do almoço, o papagaio falava: Os dois rolaram de novo!

Atrapalhada, e não querendo tornar público o assunto, a empegada começou a ter raiva do papagaio e resolveu tramar a sua morte. Para mostrar apreço disfarçado pelo papagaio, falou ao patrão que iria pintar a gaiola, que andava feia e suja. O patrão, todo gentil, disse que iria comprar uma gaiola nova e maior. Ao receber a gaiola, a empregada pintou-a de branco e o papagaio assistiu aquela cena. A gaiola nova ficou vistosa e bonita.

A empregada colocou o papagaio dentro da bonita gaiola, e junto com o trato, misturou veneno.

O papagaio comeu, e se escapou da morte por muito pouco. Ficou todo endurecido e inchado, mas, sobreviveu, e foi melhorando paulatinamente. Sem demora percebeu que a empregada estava ficando barriguda e falou na hora do almoço: também comeu coisa envenenada?

 

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HOMEM COM DOR DE BARRIGA NO ÔNIBUS

 

Em tempos mais antigos, uma viagem de ônibus, não era tão confortável como em nossos dias. Ainda mais, aqueles ônibus velhos, pequenos, e abarrotados de gente que ia do interior para a cidade. Um dia, seu Afonso tinha que ir para a cidade a fim de pagar os impostos na coletoria da cidade. Naquele sufoco de gente apertada de tão cheio que o ônibus estava, ele começou a sentir uns movimentos peristálticos estranhos e sentiu que tinha que fazer cocô.

 Tentou apertar-se e retorcer-se, mas, a movimentação ameaçava vir para sujar as calças. Ainda nem se imaginava viajar de ônibus com banheiro. Se o conteúdo despencasse, como que iria chegar no meio de tanta gente até a cidade e pagar o imposto na coletoria. Falou para o motorista que tinha que fazer cocô urgente. O motorista abriu a porta, e Afonso ao chegar no primeiro degrau, já baixou as calças, e no maior sufoco, soltou o bum-bum para fora do ônibus e fez aquela irrigação de adubo orgânico na macega lateral. Enquanto aliviou o desconforto intestinal, duas senhoras de idade caminhavam na estrada, e, ao verem aquele bundão, uma disse para a outra: nossa! Tem um homem gordo, de faces protuberantes, com a cabeça para fora da janelinha! A outra comentou:

- E olhe só, como é grande o nariz dele!

 

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CACHORRO COM CARRAPATO

 

Nestas costumeiras visitas em que um morador ia à casa do vizinho para tomar chimarrão e colocar as fofocas em dia, seu Raimundo comentou com Pedro, seu visitante, que o seu cachorro andava cheio de carrapato.

Pedro comentou que isso seria muito fácil de se resolver: bastaria fazer uma injeção de gasolina no cachorro, que os carrapatos iriam morrer em poucos instantes.

Raimundo providenciou a gasolina e Pedro ajudou a aplicar a injeção. O cachorro, apavorado com a dor da injeção, saiu em disparada e correu para o alto do morro. Chegando ali, parou e se deitou.

Raimundo, todo preocupado, falou a Pedro:

- Será que ele não morreu com esta injeção?

Pedro retrucou:

- Não, nem se preocupe! Apenas terminou a gasolina.

 

31

XIXI NO ÔNIBUS

 

Aquele ônibus, do tipo antigo, com frente parecida com caminhão, abarrotado de gente que ia para a cidade, ainda não tinha banheiro. O Marcão e sua esposa também iam para a cidade. Como tomaram muito chimarrão de manhã cedo, antes de embarcar no ônibus, depois que andaram uns quilômetros, o Marcão falou para sua esposa: estou com a bexiga apertada e tenho que fazer xixi. A mulher cochichou no ouvido: Segure! O motorista não faz parada para isso.

Mais um pouco, Marcão disse: preciso urinar senão vou molhar as calças e então vai ficar este fedor no ônibus. A mulher tirou seu casaco e disse: fique meio torcido de lado, ponha meu casaco sobre o piu-piu e urine pela janelinha para fora. Enquanto urinava, o vento jogou esta urina para dentro do ônibus no assento, atrás dele, com o vidro aberto e uma velhinha de bengala ao sentir aquele desconforto, puxou a bengala e bateu com força no piu-piu do homem.

Ele deu um pulo repentino e caiu sentado. Falou para a mulher:

Ai! Acho que arranquei um poste de luz quer estava no lado da estrada!

 

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MENINO COMPLICADO NA CATEQUESE

 

O Chiquinho, menino alegre e brincalhão era muito estimado no meio da gurizada, mas, nos encontros de catequese, orientados pelo padre, não tinha jeito de acertar o sinal da cruz. Sempre omitia uma parte e dizia: Pai, Espírito Santo, Amém. Deixava fora a palavra Filho.

O padre tentou, uma dúzia de vezes, para que incluísse a palavra Filho no sinal da cruz, mas, não teve jeito e deduziu que devia ser culpa do pai. Perguntou ao menino quem que lhe tinha ensinado a fazer o sinal de cruz. Respondeu que foi o pai.

O padre mandou, em razão desta resposta, um convite ao pai do menino, pois, queria falar com ele. Na hora proposta para a ida ao padre, o pai convidou o Chiquinho para ir junto e se lembrou de fazer um mimo ao padre. Foi no porão da casa, pegou um salame enorme e o deu ao menino para que o entregasse ao padre.

Ao chegar na sala, onde o padre o esperava, o pai do menino entrou e pediu que o menino esperasse fora da sala. O padre puxou a razão do menino, não incluir a palavra Filho ao rezar o sinal da cruz, e o pai logo retrucou:

- Não, ele está ali fora, inclusive com um salame para entregar ao senhor!

 

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PROBLEMAS DE CIDADE

 

Para alguém que mora na roça, nada é mais desconfortável do que ir para a cidade e não encontrar lugar para fazer xixi ou cocô. Além do mais, ainda tem guarda, por todo lado, que impede que se faça eventual evacuação atrás de alguma floreira na praça.

Pedro Bento, foi para a cidade e teve pela frente uma porção de compras e atividades. Repentinamente, sentiu que precisava evacuar. Veio aquela saudade: se fosse na roça, qualquer toco, touceira, arbusto ou plantação de mandioca ou de milho, já facilitava o alívio. Na cidade, no entanto, não se pensou nesta providência para que os agricultores pudessem ter um lugar para as necessidades fisiológicas, e, as poucas cidades que tem banheiros públicos, os deixam trancados com lembrete: está estragado!

Pedro Bento sentindo a cada instante que a pressão aumentava, foi se acocorar atrás de uma touceira de Azaléia da praça, mas, assim que começou a aliviar-se do sufoco, já viu um guarda chegando em sua direção. Aí já sentiu um suadouro e pensou:

 - Além de tudo, vou levar multa e ele vai mandar-me levar embora da praça este cocô. Na mesma hora, veio uma ideia na cabeça: ainda acocorado, puxou o chapéu e o colocou na frente de si e o apertava contra o chão, com uma das mãos. Quando o guarda se aproximou, falou antes dele: peguei um passarinho que me escapou lá em casa. Seu guarda, você poderia fazer-me o favor e ir, ali no outro lado da praça, comprar uma gaiola. Vou engaiolar o passarinho e depois vou lá pagar a gaiola. Enquanto o guarda saiu, ele pôs o chapéu na cabeça, ajeitou as calças e sumiu da área.

Andou um tempo atrás de diversas compras e voltou a sentir necessidade de fazer xixi. Foi numa entrada de garagem, para esvaziar a bexiga, urinando contra a parede. Mal tinha começado, uma senhora gorda abriu a janela e o destratou pela indecência de urinar ali. Além dos palavrões, teve que ir adiante sem completar a necessidade básica.

Chegando em casa, Pedro Bento contou a dificuldade de se achar banheiro na cidade, e, todo pessimista, falou que nem iria mais para a cidade. A mulher lhe falou:

- Não! Você deve chegar em alguma loja, e pedir licença para ocupar um pouquinho o banheiro.

Quando foi de novo para a cidade, ao sentir necessidade de urinar, entrou num corredor entre dois prédios, para chegar numa loja e pedir licença de ocupar o banheiro. Antes de chegar na loja, viu uma corda descendo com um balde que continha uma nota de vinte reais. Pensou, agora já fica melhor ir para a cidade: pegou a nota e urinou no balde. Deu zebra outra vez, pois, a mulher que morava no segundo piso, tinha descido o balde não para ele, mas, para o leiteiro, que tinha buzinado e queria colocar o leite no balde. Mais uma vez Pedro Bento se deu mal e teve que devolver o dinheiro e ainda pagar uma multa de cinquenta reais.

 

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NA HORA DA GARAPA DE CANA

 

Na casa da dona Florinda, estava toda a família envolvida na moagem de cana para fazer melado. Uns já cozinhando a garapa e outros ainda moendo cana. Ao passar na estrada e vendo essa lida, seu Juvêncio entrou e pediu se não lhe dariam um pouco dessa garapa, pois, adorava tomar garapa. Encheu um canecão e, enquanto ia sorvendo este líquido doce, um filho da doma Florinda, para fazer gracinha, disse que, de noite, tinha caído um gambá no tacho da garapa. O homem parou e cuspindo para o lado, ficou exaltado e queria explicações.

O rapaz, ao ver que tinha dado um fora, resolveu corrigir sua afirmação para não levar uma surra e disse: Não, não foi um gambá, foi apenas o pinico da mamãe!

 

35

FOTOGRAFIA PARA MAMÃE

 

Nos tempos da ditadura militar, na década de 1960, quase tudo era proibido e mesmo assim, na surdina, contava-se um episódio de Castelo Branco. Dizia-se que ele quando foi prestar serviço militar, já passado um bom tempo, bem na hora em que estava tomando banho, recebeu uma carta da sua mãe. Mesmo molhado, leu a carta e viu que ela estava com saudades dele e lhe pedia uma fotografia.

 Querendo ser gentil, saiu pelado e pediu para um colega tirar uma fotografia da cintura para cima, mas, a foto saiu inteira. Depois de revelada, resolveu, então, cortar a fotografia pelo meio e mandar a parte de cima para sua querida mamãe. Na pressa, acabou se enganando e mandou a parte de baixo.

A mãe ao receber a carta, estava sem óculos e não conseguiu identificar a fotografia. Foi pegar os óculos, olhou e disse:

- Nossa, é o menino de sempre: rosto largo, com pômulos faciais proeminentes, agora de barba, e, com aquele nariz enorme!

Bem que a mãe do Castelo Branco merecia óculos novos!

 

36

BRIGA DA PATROA COM A EMPREGADA

 

Quando seu Tonhão estava chegando perto de casa, depois de retornar do seu serviço, ouviu um alvoroço e percebeu que se tratava de uma briga ferrenha entre sua esposa e a empregada. Foi ouvindo: você é isso e porque você é aquilo...

Ao entrar dentro de casa, falou alto, que parassem de brigar e que ficava muito feio duas mulheres de destratando mutuamente, daquele jeito. No entanto, não conseguiu acalmar os ânimos. Sua esposa, mais enfurecida, começou a gritar:

- Você é uma burra! Não sabe fazer nada! Tudo o que faz, sai pela metade: cozinha mal, não limpa bem o chão, não arruma a casa, não lava direito a roupa.

A empregada, aparentemente resignada, foi escutando a ladainha de ofensas da patroa, e, repentinamente, também levantou a voz e gritou mais alto:

- Só que, na cama, o meu desempenho é muito superior ao seu!

A patroa retrucou:

- Na cama, com quem?

Respondeu a empregada: Ué, com seu maridão! Ele sempre me diz que eu sou muitíssimo melhor do que você!

Naquele instante, o furacão da tempestade envolveu até o Tonhão, que precisou correr rápido, para não apanhar da sua esposa furibunda.

 

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MARIDO BÊBADO

 

Seu Jorge, depois do horário de serviço, passou no bar, e, como a companhia estava boa, estendeu-se para além do seu costume e tomou alguns tragos em excesso. Foi para casa com certa dificuldade.

A moradia do seu Jorge, era como a dos demais vizinhos: Um galpão, que integrava moradia, chiqueiro de porco, estrebaria e lugar para guardar os mantimentos. Como ainda não tinha energia elétrica, ele, ao chegar quando já estava escuro, nem percebeu que, ao invés de ir para seu quarto, entrou na repartição da porca grande, que, por sinal, estava deitada e dormindo. Deitou-se ao lado da porca, achando que era sua esposa. A uma certa altura da noite, o álcool já estava um pouco mais diluído, e ele reclamou da porca, porque roncava muito alto, o que não era da sua praxe normal. Querendo acordá-la, para parar de roncar, passou a mão no lado e ao apalpar as protuberâncias das mamicas da porca, percebeu que tinha duas carreiras, e então falou:

- Veja só! Minha bela flor comprou casaco novo, e com duas carreiras de botão! Resolveu surpreender-me, e deitou-se na cama com este casaco.

 

38

HOMEM EM POSTURAS ESTRANHAS

 

Na avenida principal da cidade, caiu na vista geral, um homem de meia idade, agarrado num poste de luz, no meio da avenida. Rodeava o poste, puxava o corpo de um lado para outro, forçava com os braços como se quisesse derrubá-lo, embora o poste estivesse firme e bem concretado. Grande porção de pessoas ficou parado na calçada, do outro lado, com olhar fixo no homem, invocada com sua atitude de fazer força, retorcer-se, e a contorcer-se, pois, parecia pretender derrubar aquele poste.  Agarrava-o como se quisesse arrancá-lo do chão. Um dos curiosos, chegou perto dele, e assim que se aproximou do canteiro da avenida, o homem deu mais uma forcejada, e soltou um pufe quilométrico, floreado de tonalidades e volumes variados, e falou, todo contente, para aquele homem. Até que enfim consegui!

Conseguiu o que, disse o outro?

- Consegui soltar um pufe indefinido que há horas estava na dúvida se subiria para a cabeça ou se desceria para o pum-pum. Com meus movimentos, ele se definiu a descer e vazou pelo mundo. Os curiosos, ficaram pasmados com a técnica sofisticada para livrar-se de um pufe.

 

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O PAI CURIOSO

 

O Paulão, pai de três jovens adultas, serenas e bonitas, estranhava que nenhuma falava qualquer palavrinha a respeito de rapazes ou possíveis namorados. No afã de ter genros para ajudar a assar uma carne nos domingos, e, um monte de netos para brincar, Paulão desconfiava das filhas, pois, nenhuma falava de casamento.

Um dia, num momento de conversa bem descontraída, pediu para a filha mais velha:

- O que cresce mais rápido?

A filha respondeu:

- Acho que é baraço de chuchu.

Depois disso, perguntou à segunda filha a respeito do que crescia mais rápido. Ela respondeu:

- Eu acho que é aquela grama chamada de “Encrenca de Vizinho”. A gente quase enxerga como ela cresce.

Sem maiores comentários, o pai perguntou para a terceira filha: o que você acha que cresce mais rápido? Ela respondeu:

- É aquele trem de homem. Nestes dias, sentei no colo do namorado, e, em questão de segundos, ergueu-se uma barraca alta na calça dele.

Para o Paulão, sem comentários, pareceu que a última resposta foi animadora.

 

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NOIVO SURPRESO

 

O alemão Hans apaixonou-se por um mulherão. Era uma loira de cabelos cacheados, alta, sorridente e fechava o painel do que Hans mais apreciava. Namorou um tempo e resolveram casar-se. No dia do casamento, tudo foi maravilhoso e a festa foi empolgante. De noite, quando foram para a cama, veio a surpresa:

Primeiramente ela tirou o vestido. Ele sentado na cama, só olhava. Daqui a pouco ela tirou a peruca. Hans já ficou espantado, pois, seu lindo cabelo, o que mais o encantava, na verdade, era peruca e ela estava com poucos fios de cabelos naturais na cabeça. Na sequência, ela tirou o olho esquerdo, que era de vidro, e o colocou num copo. Depois disso, tirou a dentadura e a colocou em outro copo de água. Foi, então, que abriu o sutiã e tirou um seio postiço. Ele, com o olhar cada vez mais arregalado, viu que ela desatou uma perna mecânica e, então, já foi acometido de desespero. Falou para sua encantada esposa:

- Afinal, aquela parte, mais abaixo, também é postiça?

 

41

DESENCONTRO ENTRE O FRITZ E A FRIDA

 

O respeito entre os dois foi se degradando e, cada dia mais, as respostas diante de eventuais perguntas tornavam-se secas e ásperas. Até na cama, o clima já não era mais o do casal exemplar e harmonioso.

O Fritz resolveu vingar-se da Frida, porque lhe negava intimidade na cama. Mesmo sabendo que não era o correto o seu procedimento, convidou uma jovem e foi com ela para o motel. Ao chegar, já na entrada do motel, viu o carro do sogro, aquele moralista que ditava tudo quanto era regra para os outros. Achou que era muito desaforo o velho estar ali no motel. Abriu o porta-malas do seu carro, pegou a chave de fenda e o cabo do macaco, e riscou o carro por todos os lados e afundou a lataria. Para completar a vingança, bateu o ferro contra o para-brisa que virou em migalhas.

Em seguida, o Fritz foi para o quarto com a amante. Uns dias depois, todo metido a curioso, Fritz foi na casa do sogro, fazendo-se de inocente, e ao chegar lá, viu o carro todo riscado, batido e sem para-brisa. Com aparente curiosidade, pediu ao sogro como que foi possível acontecer uma maldade dessas!

O sogro então lhe respondeu:

- Pois é, a tua esposa me pediu o carro emprestado, para ir numa celebração religiosa e o devolveu neste estado deplorável. Não vou sequer ter o dinheiro necessário para o conserto.

O Fritz entendeu mais um gesto do seu sogro.

 

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UM TAXISTA E A FREIRA

 

O taxista, com aquela cara de sonâmbulo, aguardava no ponto dos taxistas, ao lado do estacionamento dos ônibus da rodoviária. Encostou um ônibus, vindo de Chapecó, e desceu uma freira, daquelas tradicionais de hábito, véu a mostrar apenas parcialmente seus pômulos faciais, levemente ruborizados, e com aquela imagem angelical das divinas canduras.

Ela chegou e pediu para fazer uma corrida. Enquanto andavam, a freira notou que o taxista não deixava de olhar para ela. Olhava mais para o retrovisor do que para frente. A freira perguntou:

- Porque olha tanto para o retrovisor?

- Ele respondeu:

- Tenho curiosidade e, há muitos anos, sonho imaginando como deveria ser bom receber um beijo de freira. Certamente seria bem outra coisa do que receber o beijo da esposa.

A freira, toda cheirosa, pediu se ele era católico.

- Sim, disse ele, e, muito praticante!

Neste caso, até posso dar-lhe um beijo, se quiser!

O taxista retrucou, imediatamente, sim, e já freou o carro para encostar no acostamento e receber o beijo. Ele se inclinou para trás, e ela se ergueu para frente e lhe aplicou um amplexo com um beijo que ele sequer poderia esperar de uma freira. Sua língua comprida quase o sufocou, pois, foi até a descida da garganta. Seguiram andando e o taxista entrou numa crise de choro. A freira queria saber o porquê.

Ele respondeu:

- Olhe freira, depois do beijo, fiquei num sentimento de culpa tão grande, que jamais deveria ter feito isso para uma pessoa de Deus, como a senhora. E o pior, é que eu menti, porque nem sou católico e sou descasado!

A freira o acalmou:

- Não, nem se preocupe! Eu também não sou freira! Sou um homo-afetivo, indo para um evento festivo e, me fantasiei de freira, para conseguir pegar uns homens, bem no capricho!

 

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MENINO CONVERSADOR

 

O motorista de ônibus, naquela agitação da vida urbana, já estressado com as necessárias freadas bruscas para não bater em outros carros, parou o ônibus na guarita para subida e descida de passageiros. Subiram diversas pessoas. Estava junto uma senhora, com um menino de poucos anos de idade. Este, em vez de subir na porta do fundo do ônibus, junto com sua mãe, correu, entrou pela porta da frente, e se sentou sobre o capô do motor.

Assim que o ônibus avançou, o menino começou a falar com o motorista:

- Você sabia que se meu pai fosse um touro e a mãe uma vaca, eu seria um terneiro?

Sim, respondeu o motorista!

O menino retornou com as elucubrações das suas descobertas:

- Sabia que se meu pai fosse um gatão, e minha mãe uma gata, eu seria um gatinho?

Sim, falou o motorista, já inquieto com a possibilidade de virem mais perguntas que roubavam sua atenção para dirigir o ônibus.

O menino veio com outra pergunta:

- Oi, tio! Sabia que se meu pai fosse um potro e minha mãe uma égua, eu seria um cavalinho?

O motorista, para encerrar essa ladainha de perguntas chatas, e dispersivas para sua lida, adiantou-se e perguntou ao menino, antes que ele formulasse mais uma pergunta:

E o que você seria, se teu pai fosse um putão e tua mãe uma quenga?

O menino fez um meneio de cabeça e respondeu:

- Ah! Eu seria um motorista de ônibus!

Foi, então, que o motorista agarrou aquele martelo de madeira, precípuo para bater nos pneus, e ameaçou bater no menino se não sumisse imediatamente dali para ir junto com sua mãe.

 

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CATARINA GASTADEIRA

 

Mesmo que a propriedade da Catarina e do Hans estava indo bem, a Catarina tinha um vício incontrolável. Toda vez que ia para a cidade, por alguma razão, dava uma passada em alguma loja e comprava algo novo. Um dia, voltou com geladeira nova e mais bonita do que aquela da cozinha.

O marido ficou invocado e falou: mas, como você faz uma compra dessas, quando nem havia necessidade?

Ela respondeu: sem problema, comprei no cartão!

Poucos dias depois, voltou com máquina de lavar roupa, muito maior e mais potente do que a que estava em uso.

O marido, chateado, mostrou sua insatisfação pelo gasto excessivo e desnecessário. Ela voltou com a mesma justificativa:

- Comprei no cartão!

Na semana seguinte, eis que Catarina teve que ir, outra vez, para a cidade. Desta vez, retornou esnobando um celular de ponta, mas, elevadíssimo no preço.

O Hans só meneou a cabeça e a Catarina já falou: uai! Fiz no cartão!

 Como a conversa ficou sem assunto, Catarina disse que ia tomar um banho, para depois tomarem chimarrão. Quando estava toda ensaboada, terminou a água do chuveiro, e ela gritou para o Hans:

- Traga, rápido, um baldo de água para par que possa enxaguar-me!

O Hans foi pegou uma xicrinha de café, daquelas bem pequeninhas, encheu-a de água e a levou para Catarina. Ao perceber o recipiente da água, com estranheza, ela disse: o que posso fazer com um gole de água, para enxaguar-me!

O Hans retrucou: dá, e sobra água, para lavar o cartão de crédito!

 

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TESTE DE CONHECIMENTOS

 

A professora resolveu fazer uma aferição oral para avaliar o nível dos conhecimentos gerais dos alunos. Perguntou: o que é mais rápido neste mundo?

Mariazinha, logo levantou o dedo e disse: é o raio!

Em seguida, Pedrinho levantou o dedo e disse que o mais rápido neste mundo é o pensamento.

De repente, lá no fundo da sala, o Juquinha levantou o dedo e disse:

- Eu sei o que é mais rápido que o pensamento!

O que é, disse a professora. Ele respondeu que era a diarreia! Todos riram e a professora quis saber o porquê do seu argumento. Ele, então se explicou:

- Nesta semana meu pai teve diarreia e fez cocô nas calças, antes mesmo de pensar no assunto!

Estava alargado o entendimento da rapidez.

 

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TOMBO DA PROFESSORA

 

Estava para iniciar a primeira aula da manhã, e a diretora veio avisar os alunos que a professora iria chegar dentro de uns dez minutos. A criançada, aproveitou o tempo para umas brincadeiras na sala. A certa altura, Joãozinho, antecipou o ataque ao seu lanche e descascou uma banana, a fim de aproveitar a casca e atirá-la num coleguinha. Errou o alvo e a casca ficou caída no chão, ali na entrada da porta. Quando ia ajuntá-la, a professora entrou, sem olhar para o chão, e pisou precisamente em cima desta casca, caiu, segurando os livros no peito, e, no tombo, abriu as pernas para o ar.

A criançada, ao invés de ter dó, soltou-se numa gargalhada e demorou a parar. Como a professora não gostou da recepção, levantou-se, pôs os livros sobre a mesa e olhou sério para as crianças da primeira fila da sala, que mais gozaram do seu tombo.

Pediu para o Joãozinho:

- O que você viu no meu tombo?

Ele respondeu:

- Vi seus joelhos!

Ela falou severamente: pode arrumar a sacola e está dispensado da aula por um dia!

Em seguida, pediu para a Aninha, o que ela tinha visto?

- Aninha respondeu que viu as pernas da professora.

A professora já proferiu a sentença: dispensada da aula por dois dias!

A professora, na sua supremacia, pediu para o Pedrinho, o que ele tinha visto.  Ele respondeu:

- Vi suas coxas!

A professora, só falou:

- Dispensado por três dias! Viu, então, que na outra escrivaninha, um menino se levantou, ajeitou os cadernos, e foi caminhando porta afora. A professora pediu porque ele estava saindo. Ele respondeu:

- Viche! Pelo que eu vi, vou ser expulso da escola, e se mandou.

 

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ORIGEM DA CHUVA

 

A certa altura da aula, a professora formulou uma pergunta aos alunos: De onde vem a chuva?

O Juquinha levantou a mão e falou: eu sei: vem do céu! A Mariazinha, também ergueu o dedo, e disse que achava que a chuva vinha das nuvens. A professora olhou, então, para o Chiquinho no fundo da sala, aparentemente distraído, e pediu: de onde vem a chuva?

- Ele respondeu: dos ossos da minha vovó!

Como dos ossos, pediu a professora! Ele explicou: sempre, - antes que chove, - a minha avó diz que já está sentindo a chuva nos ossos. Ao ouvir essa explicação, outro menino se lembrou do seu avô, e disse: gozado, meu avô sempre fala, antes da chuva, que já sente a proximidade da chuva ao fazer xixi. Depois dessa explicação, ninguém formulou mais perguntas, nem mesmo para saber algum detalhe.

 

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POLÍTICOS ADVERSÁRIOS NA BARBEARIA

 

Os dois candidatos com mais chances de serem eleitos para prefeito da cidade, nos dias que antecederam a eleição, resolveram dar uma aprumada nos cabelos, para aparecerem bem nas imagens do dia da consagração e festa de vitória.

Por coincidência, os dois interromperam brevemente seus ataques e ofensas um contra o outro, com aquele discurso de derrotar o inimigo e vir a ser a ser agraciado com maior número de votos. Por pouco teriam se encontrado na entrada da barbearia. Um deles, o coronel, metido no poder do seu autoritarismo extremista, chegou um pouquinho antes e, já sentado numa cadeira, viu pelo espelho, que entrou seu rival, que ficou sentado a menos de um metro de distância ao lado dele. Nem os dois se conversaram, e nem os dois barbeiros ousaram puxar alguma conversa.

Quando os barbeiros encerravam os serviços, o do coronel que estava um pouquinho mais adiantado, pediu se o coronel aceitava passar uma água de cheiro na nuca e no rosto.

- Nada disso! Respondeu o coronel. Pode a mulher suspeitar que andei com outra e então vai sair briga.

Tudo bem, respondeu o barbeiro, sem problema. Nesta mesma hora, o outro barbeiro também encerrou os detalhes do corte e perguntou ao seu cliente, se aceitaria passar uma água de cheiro. Este falou, todo animado:

- Sim, pode passar bastante e daquela bem cheirosa!

Ao coronel a resposta pareceu ser compra de voto e a briga foi tanta que a barbearia fechou e não abriu mais.

 

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NAMORADA NOVA

 

Num baile animado e movimentado nas danças, o jovem Felipe se encantou com uma jovem, chamada de Mariana, e os dois começaram a conversar e dançar muito. No final do baile, combinaram continuar o namoro e o Felipe acompanhou Mariana até na sua casa.

A mãe de Mariana logo convidou Felipe para vir passar alguns dias na casa deles, a fim de ver se o jeito de ser deles seria do seu agrado. Passadas algumas semanas, Felipe foi para ficar uma semana na casa dos possíveis sogros. Ficou encantado com tudo quanto vivenciou e viu. Apenas um pequeno detalhe o assustou um pouco. Ele se encontrava a alguns metros da casa, sob uma árvore de sombra e Mariana, sentada da escadaria que dava acesso à cozinha, se repuxou um pouco, e soltou um pufe impressionante, tanto pelo volume quanto pela extensão.

Ao regressar à sua casa, a mãe, toda curiosa, queria saber se ele gostou de ficar na casa da namorada. Ele falou que estava ótimo e que foi mais do que bem acolhido. Apenas percebeu que Mariana lhe pareceu ser pouco parcimoniosa e econômica, pois, soltou um pufe tão volumoso e demorado, que ele poderia ter sido distribuído em pelo menos seis outros momentos especiais, e, ainda bem caprichados.

 

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PERNOITE NA CASA DO TIO

Dois irmãos se combinaram e negociaram com os pais para passear na casa do tio e pernoitar na casa dele. Tudo bonito e acolhedor. Foram dormir, e foi no tempo em que ainda não existia luz elétrica. Só um pequeno lampião iluminou o quarto a fim de se aprumarem para dormir. Um deles, apagou o lampião e numa altura da noite, o outro sentiu necessidade de sair da casa para fazer xixi. Tateou por todo lado, e não achou fósforo e nem sinal do lampião. Como tinha pressa, foi tateando pela parede, entrou na cozinha, abriu a porta que esperava ser a da saída para o pátio e, assim que a abriu, e não via nada naquela escuridão, fez o xixi e voltou tateando no escuro para achar de novo o quarto e dormir. Nesta hora, o outro irmão falou que também tinha que ir urinar e pediu se lá fora estava muito escuro.

Foi então que lhe falou:

- É uma escuridão total e ainda estranhei o cheiro azedo de requeijão. Na verdade, tinha errado a porta de saída da cozinha e entrou na despensa e urinou por cima do pão, da travessa de doce e de requeijão para passar no pão, que estavam na prateleira. Acabou estragando o café do dia seguinte.

 

 

 

 

PALAVRAS FINAIS

 

Com a satisfação de escutar muitos casos, mesmo outros além destes aqui apresentados, alguns foram relegados para esta coletânea, - não pela razão de não serem hilários, - mas, porque foram considerados demasiadamente chulos e com palavrões não muito apreciáveis no quadro geral de conversações de causos.

Por outro lado, certamente existem pessoas que gostam deste tipo de causos, chamados de “sujos”. Achou-se, entretanto, que o excesso de baixaria não acrescenta qualidade às boas motivações de interação, porque induz à perda do respeito.

 Quando o desrespeito desponta nos causos narrados, pode estar sumindo sua dinâmica terapêutica caseira antiga, e pode ativar-se, em seu lugar, o nível da animalidade violenta e bruta, e descambar em estímulo ao desregramento de valores culturais edificantes.

Para encerrar, mais um causo: Uma mulher, enorme e gordona para mais de metro, era a mais animada do salão. Dançava, ria, comia, bebia e ocupava um espaço razoável para dançar. Parecia que balançava o salão só com seus remelexos. Muita gente ficou de olho na gordona e apreciava sua euforia. Cada pouco ia ao balcão, comia salame, bebia cerveja, pedia pastel e assim ia. Já de madrugada e, em animada dança, começou a sentir-se repentinamente mal e acabou vomitando. Olhou para aquele volume de alimento ejetado, e nisso um cachorrinho estava cheirando aquele “trem”. Foi então que a gordona falou: lembro de ter comido bastante salame, pastel e cachorro-quente, mas, não lembro que tinha comido este cachorrinho! Enquanto outros fizeram a limpeza, ela voltou a dançar.

 

 

 

 

 

 

 

<center>CAUSOS DO FRITZ</center>

SINOPSE Segue mais uma coletânea de causos veiculados nas conversas de Cunhataí – SC. Trata-se de uma peculiaridade da cultura oral, ain...