quinta-feira, 4 de junho de 2026

CORPO DE CRISTO

 

 

Estímulo midiático a corpo consumido,

Faz dele o objeto de alcance aguerrido,

Para produzir fantasias com erotismos,

De isolados a fazer sexo ante nudismos.

 

Cresce espanto ante humana carência,

De alguém a tocar corpo com decência,

Para gestos singelos de interação vital,

A valorizar vida num corpo existencial.

 

Exploração de corpos para as fantasias,

O comércio lucrativo a roubar cortesias,

Coisifica o corpo e sua grandeza da vida,

E o reduz a objeto para a ação brandida.

 

Ação simbólica ante corpo denegrido,

Na abstração do pão sagrado digerido,

Levou, na Idade Média, a ato adorável,

De visualizar e adorar hóstia venerável.

 

Hóstia adorada sem memória da fonte,

Matou o simbólico e valioso vergonte,

Do quanto Jesus agiu e proporcionou,

Para bom jeito humano que valorizou.

 

Despedida dos discípulos com o sinal,

Do pão e do vinho para o novo natal,

Expressou, nesta mediação de festa,

Que desejava ser lembrado na gesta:

 

Associar corpo e sangue à recordação,

Simboliza uma radical e profunda ação,

Em favor de novo sentido para a vida,

Para as multidões sob vida espoliada.

 

Consagrar o pão e do vinho se reporta,

À lídima essência de Jesus que importa,

Para viver numa crescente comunhão,

Através dos sinais de comunitária ação.

 

Sem o memorial para hóstia adorada,

Virou vulgar magia teatral propagada,

Para olhar e contemplar o ostensório,

E haurir fartas graças sob um oratório.

 

Surgiu, então, a reação de bom-senso,

De integrar a arte, simbologia e senso,

A enaltecer os sinais da rica memória,

Que Jesus Cristo deixou para a história.

 

Já sem a antiga conotação triunfalista,

Caminhada com simbologia eucarística,

Lembra, num corpo de carne e sangue,

Atos contra os meios de morte exangue.

 

Alegria de festar pelo corpo de Cristo,

Lembra que corpo humano não é cisto,

A ser extirpado da profícua catolicidade,

Pois, como Jesus, valoriza corporeidade.

 

 

 

 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

TRADICIONALISMO E COSMOVISÃO

 

 

Modo de ver e interpretar o mundo,

É haurido de pensamento profundo,

De ambiente geográfico e cultural,

E que produz uma sensação natural.

 

Na seletividade da cultura humana,

Valores religiosos e da lida profana,

Reafirmados ou friamente negados,

Alteram projeções e novos legados.

 

As linguagens para o entendimento,

Requerem signos de conhecimento,

Para que emissão de som articulado,

Seja interpretada pelo seu significado.

 

Reza e fala que outro não entende,

Corta a interação que ele pretende,

E mesmo sendo fascinante e divina,

Não passa de comunicação sovina.

 

Aumentam guardiões da tradição,

Afoitos pelo rito romano de oração,

Que não encontra a inteligibilidade,

Na representação sem criatividade.

 

Enaltecer língua morta na sociedade,

Num saudosista ar de superioridade,

Pode negar proposição do Evangelho,

Para centralizar um rubricismo velho.

 

Uma tradição sem interação dialógica,

Nada definidor para ação pedagógica,

Tende a relegar possível ação católica,

Para enaltecer a repetição tipográfica:

 

Sob a anterioridade do rito romano,

Tradição evangélica do agir cotidiano,

Sucumbe diante do mero ritualismo,

O pressuposto do pérfido fanatismo.

 

A rígida apologia do modelo romano,

Parece recuperar o status doidivano,

Do antigo modelo de suposto poder,

Para diante dos outros se enaltecer.

 

Distante da compaixão e da empatia,

Configura-se em processo de entropia,

Para alguns grupos fechados e elitistas,

Viverem das formas bem proselitistas.

 

 

sábado, 30 de maio de 2026

TÍTULOS AUFERIDOS A DEUS

 


 

A partir dos tipos das crenças,

Emergem religiosas diferenças,

Que revelam mais os humanos,

Do que traços de divinos planos.

 

Sobretudo interesses precípuos,

Nem sempre muito perspícuos,

Deslocam desejos da sua mente,

Ao Deus poderoso e onipotente.

 

Para uns, ser abstrato e distante,

De ação desejada insignificante,

Já delegou sua obra a humanos,

Para reinarem todo soberanos.

 

Uns querem ser os seus arautos,

Outros se sentem todo incautos,

E acolhem pregações inflamadas,

Sobre mediações particularizadas.

 

Os interesses de poder e guerra,

Veem Deus, o general que berra,

Para destruir os seres humanos,

Resistentes a possessivos planos.

 

Outros dominadores de mentes,

Desejam séquito de fiéis crentes,

A ouvir as suas falas sobre Deus,

Para mandar pelos desejos seus.

 

Falar dos castigos e das ameaças,

Do ser divino a causar desgraças,

Legitima nas ações em seu nome,

O que denigre todo bom renome.

 

Tanto apelo ao deus melindroso,

Ativa no humano senso raivoso,

Toda sua virtualidade agressiva,

Para possuir qualquer força viva.

 

Discurso cruel associado a medo,

Produz um religionizante enredo,

Do controlador de falha pessoal,

Mas, que estimula pecado social.

 

Como amar um Deus desse jeito,

De caricatura para amplo rejeito?

Vingativo que quer matar inimigo,

Para promover só humano amigo?

 

Seria ele um capitalista malandro,

Que favorece traiçoeiro meandro?

Talvez seja óbvio constatar o amor,

Neste universo com seu esplendor:

 

 

Um Deus amável e misericordioso,

Num jeito de Jesus Cristo bondoso,

Para alargar interações respeitosas,

Partilha das ações boas e graciosas.

 

 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

PANE NA DIMENSÃO INFORMATIVA

 

 

Sob inteligência artificial na vida,

Altaneiro avanço da moderna lida,

Toda a informação se potencializa,

Faculta acesso a qualquer pesquisa.

 

Produção da capacidade humana,

Aponta a interação que promana,

Para novo sistema de organização,

Sem a democracia na política ação.

 


Seu progresso abre novos caminhos,

Para os efeitos bons e os daninhos,

E estabelece perigo de encruzilhada,

Para derrubar a democracia dilatada.

 

Na mão dos interesses particulares,

IA sem os democráticos patamares,

Potencializa obsessões ambiciosas,

Para lucro com vantagens fabulosas.

 

A IA usada para precípua finalidade,

De expandir o controle na sociedade,

Se estabelece acima das organizações,

E firma a ordem de pessoais intenções.

 

 

Quando estas regem a supremacia,

Acima do Estado e da democracia,

Poder do lucro enfraquece política,

E torna augusta a ambição fanática.

 

Ao invés de programas humanitários,

Pode estabelecer direitos temerários,

E viciar com os produtos impactantes,

Os já minguados traços humanizantes.

 

Permite a pessoas e grupos o controle,

De emoções e vida no roteiro da prole,

Sob conteúdos degradantes e violentos,

E alicia e chantageia para seus intentos.

 

Perfis com ferramentas manipuladoras,

Falsos para as espoliações enganadoras,

Encampam o lugar do senso respeitoso,

Para induzir a atraente vício pernicioso.

 

Acima da regra do Estado para interação,

Ostenta armas autônomas de destruição,

Guiados com algoritmos contra humanos,

Sob ordem pessoal de psicopatas insanos.

 

Já não valem as regras de limites políticos,

Mas as normativas movidos por acríticos,

Que denigrem todo ambiente informativo,

Para justificar o máximo de lucro abusivo.

 

 

A visível manipulação de imagens e fatos,

Sem um código ético para falsos relatos,

Hipersensualiza com a vasta pornografia,

E mapeia cotidiano para uma vida vazia.

 

Bombardeio de mensagem banalizante,

Fomenta o “bullyng” e vício degradante,

Que facilita domínio com o pensamento,

De que esperto vence sem cordial alento.

 

 

 

 

terça-feira, 26 de maio de 2026

ZIGURATES DE BABEL

 

 

A mais fértil região do mundo antigo,

A Mesopotâmia, virou inseguro jazigo,

Porquanto a disputa pelas boas terras,

Virou um alvo para sangrentas guerras.

 

Dominante cultura babilônica e assíria,

Expressava poder e agia como Valkíria,

Para matar em função de mais domínio,

E adorar os mecanismos de extermínio.

 

Sob a língua predominante da ambição,

Fracassou sua ambicionada construção,

De um zigurate que elevaria seu poder,

Para ratificar grandeza do engrandecer.

 

Na confusão da linguagem da ambição,

Desapareceu todo bom-senso da gestão,

E edificação do magnífico espaço político,

Religioso-administrativo, ficou impacífico.

 

Perdeu-se simplesmente o traço humano,

Para o vistoso espetáculo do ruído insano,

Do reino do poder ambicioso absolutizado,

Como o autônomo sobre o humano legado.

 

Como a síndrome da antiga torre de Babel,

Zigurates do poder, lucro e fama a granel,

Gestam linda narrativa que desvia pessoa,

Para mobilizar pela guerra que mata à toa.

 

Nada mais importa mundo justo e solidário,

E já sumiu do radar do progresso ordinário,

A apontar a educação para trato respeitoso,

Mas ampliar violência para um sádico gozo.

 

Humanos, meras caricaturas e estereótipos,

Sem história e identidade de bons protótipos,

Meros meios para aumentar a torre do poder,

Permitem esnobar opulência sem enternecer.

 

Incomunicação gerada pelo poder desejado,

Vale-se da inteligência artificial por todo lado,

Para justificar horrendo paradigma da guerra,

Torre do Deus soberano no zigurate na Terra.

 

 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

ESPÍRITO SANTO SEM DIREITOS AUTORAIS

 


Pentecostes, mais que Páscoa e Natal,

Virou grande festa de direito autoral,

Dos enlevados dum dialeto estranho,

Para certo autorreferencial patranho.

 

Privilégio de falar a língua inteligível,

Advinda dum fonte pouco acessível,

Do exoterismo carismático afônico,

Gera status no discurso radiofônico.

 

Sentir que o Espírito diz o que falar,

Para a própria orientação legitimar,

Vira poder para mapear o cotidiano,

De passivos ouvintes para seu plano:

 

Conquistar multidão de seguidores,

Airosos pelos mais divinos pendores,

Promove fama no pensamento único,

De afirmar lídimo recurso mediúnico.

 

Fala do ressuscitado e sua proposta,

Parece irrelevante na firme aposta,

De virar o eco da língua do espírito,

Para o caminho de acesso restrito.

 

Como esta língua pertence a dono,

E promove seguidores a um trono,

Percebe a ronda de espíritos maus,

Contra suas mui guarnecidas naus.

 

O sectarismo de instância superior,

Aufere um poder rígido e condutor,

Ao modo de rezar, cantar e louvar,

Para Espírito Santo de Deus captar.

 

Com tal motivação tão separadora,

Posterga-se a proposta salvadora,

De Jesus Cristo na língua do amor,

Para o humano processo redentor.

 

Discernir este espírito ante outros,

Requer acuidade de captar noutros,

Mais que falas inspiradas de poder,

E ambição de sobre eles ascender.

 

Se o Espírito não foi um separador,

Que não seja o meio desagregador,

De quem supõe estar impregnado,

Do seu poder superior propugnado.

 

 

 

 

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

DEVASTADORES INSACIÁVEIS

 

                             

Muito se apregoa sobre dinossauros,

Monstros antigos e sobre minotauros,

Famintos usurpadores da vida alheia,

A nem sossegar com a barriga cheia.

 

Tempos mais recentes culpam os lobos,

A fazer humanos laboriosos de bobos,

Pois roubam suas galinhas domésticas,

Como fantasmas de táticas pernósticas.

 

Lobos maus foram extintos do espaço,

Ante a desejada ampliação de terraço,

Que os humanos quiseram aquilatar,

Como fantasmas para tudo conquistar.

 

Se os lobos eram o símbolo do flagelo,

Enquanto que gato e cachorro singelo,

Associado ao horror da caça impávida,

Eram mimados na sua conquista ávida.

 

Humanos feitos os maiores predadores,

Devastam natureza e seus esplendores,

Invadindo espaços de animais e floras,

Desrespeitam as múltiplas microfloras.

 

Não deram o direito para lobos chorar,

Morte de seus entes queridos e seu lar,

Porque queriam seguro espaço para si,

Mas sentem o fantasma do próprio xixi.

 

Acharam que existia bicho em excesso,

Para avançar num obcecado progresso,

E veem que já existem pessoas demais,

Para ambições exterminadoras de rivais.

 

Do imagético terror pelo esperto lobo,

O fantasma da mortalidade de englobo,

Massacra a espécie humana invasora,

Sob suas histórias de guerra aterradora.

 

Mata-se gente como na Faixa de Gaza,

E nos escombros sem sequer cova rasa,

Permite que ratos, comedores vorazes,

Agridam seres vivos em perigos vivazes.

 

Não se intimidam e atacam as pessoas,

E como as pessoas humanas nada boas,

Exterminam para impor o seu domínio,

Impondo à condição humana o declínio.

 

O desejo da imortalidade acumuladora,

Sem animadora perspectiva redentora,

Continua a apostar em armas de morte,

E anula a espécie humana da sua sorte.

 

Fantasma raivoso e vingativo da ambição,

Persegue os mandantes na procrastinação,

De invadir os espaços alheios para matar,

Apenas para garantir meio de se aquilatar.

 

A cada dia mais perdem a outra invasão,

Dos micro-organismos em ordenada ação,

Que comem os seus cérebros deturpados,

E matam os pelos espaços ambicionados.

 

Mais que eliminar ratos a atacar crianças,

Os humanos com as guerreiras lambanças,

Constituem fantasma da morte no planeta,

Sob um toque triste e fúnebre da trombeta.

 

Se lobos devoravam galinhas no terreiro,

Porque humanos invadiram seu canteiro,

Hominídeos invadem, matam pelo desejo,

De mais posse e espaço para mórbido ejo.

 

 

 

 

 

 

<center>CORPO DE CRISTO</center>

    Estímulo midiático a corpo consumido, Faz dele o objeto de alcance aguerrido, Para produzir fantasias com erotismos, De isolados...