segunda-feira, 15 de junho de 2026

REBULIÇO NO TERREIRO

 


No mundo galináceo do terreiro,

Estabeleceu-se clima arruaceiro,

Pois o velho cacique galo Crispim,

Já perdeu o seu controle chinfrim.

 

Causou a turbulência no aviário,

Pela insubmissão ao seu ideário,

De vistosa política de espetáculo,

Visando aumentar seu tentáculo.

 

Sob conhecida política do medo,

Ameaça com o poderoso segredo,

Das sofisticadas armas de morte,

Para a coletiva paz do seu aporte.

 

Na “pax” de cacique do terreiro,

Aufere-se trono do galo altaneiro,

A dizer a última palavra de ordem,

Para contornar renhida desordem.

 

Outros galos velhos, com esporas,

Arrastam as asas pelas melhoras,

E contradizem velho galo Crispim,

Numa aposta do seu iminente fim.

 

Muitos competem com o cacique,

Franguinhos novos em jeito chique,

Também desejam muito ascender,

Neste idolatrado e atraente poder.

 

Velho Crispim, paranoico e no fim,

Faz a guerra fria por todo confim,

Para ameaçar com armas mortais,

Com os seus escudos excomunais.

 

Os franguinhos novos e espertos,

Com seus drones de tiros certos,

Confrontam potência de Crispim,

Sem se intimidar em seu confim.

 

A assimetria do poder de enredo,

Entre a sofisticação de torpedo,

E esperta astúcia dos frangotes,

Gera tombos e dor nos cangotes.

 

Aliados de Crispim, sem confiança,

Já não almejam a pacífica bonança,

Da “pax” em processo de declínio,

Que ameaça o humano extermínio.

 

O velho Crispim arranhado na briga,

Não perdeu e nem ganhou a intriga,

Mas, o outro galo grande e esperto,

Mira espora afiada para pulo certo.

 

 

 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

SENSIBILIDADE DEPURADORA

 


Traço peculiar da condição humana,

Sensibilidade apreende e promana,

Modo de relacionamento humano,

Para compaixão ou ao agir insano.

 

Manifestada ante dor e sofrimento,

Pode gestar indiferença ou o alento,

Sem dogmas sagrados ou culturais,

E produzir os distintos modos rivais.

 

Mais curativa que política e religião,

Quando eclode de empático coração,

Produz uma terapêutica integradora,

Que abre uma perspectiva inovadora.

 

Muitos veem e sentem a fragilidade,

Das inúmeras pessoas da sociedade,

E induzidos por postura indiferente,

Emitem juízo negativo e displicente.

 

Do precioso traço da sensibilidade,

Pode eclodir grandeza de bondade,

Capaz de mudar modo e convicção,

Para a mais humanitária comoção:

 

Sentir a compaixão das entranhas,

Com sentimentos sem patranhas,

Para reagir diante da dor e fome,

Que a tanto ser humano consome.

 

Os evangelhos plenos de narrativas,

Descrevem cristológicas iniciativas,

Da sensibilidade focada na direção,

De mudança diante da prostração.

 

Para não perpetuar desgraça alheia,

Diante da exterioridade que permeia,

Aparências de julgamento denegrido,

Jesus lidou no interagir compungido:

 

Demonstrou que toda a indiferença,

A causar muita dor e irônica ofensa,

Constituía pecado grave contra Deus,

Porque desvirtuava orgulhosos “eus”.

 

Amenizou dor, miséria e sofrimento,

De multidões relegadas sem alento,

De perturbados e de marginalizados,

Produzidos pelos domínios rotulados.

 

 

 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

NA SINA DO LUCRO

 


Sob a ordem central de produzir,

Economia se recria para seduzir,

Que o grande objetivo da vida,

Requer uma obsessão aguerrida:

 

O bom desempenho gera lucro,

Mediante relacionamento xucro,

Que entorpece toda consciência,

Para evitar uma boa convivência.

 

Belo ideal de unidade e pertença,

Fica para o pobre de cega crença,

Ineficaz ao culto da auto-imagem,

Com adoração da sua bombagem.

 

Quando a especulação é segredo,

De rota para ganancioso enredo,

Definha básico senso de respeito,

E some a outro o genuíno direito.

 

A endeusada economia de morte,

Delineia o rumo da humana sorte,

Pois ascende o esperto malandro,

E sucumbe o resto num meandro.

 

Uma crença de solitário astronauta,

Capaz de ser feliz com a sua pauta,

Afeta o psiquismo com a morbidez,

De relacionamento com insensatez.

 

Na imagem de império conquistado,

Enfeita-se o altar do ego idolatrado,

Para ser reverenciado e consumido,

Como divindade de imenso alarido.

 

Precisa reinventar-se todos os dias,

Para ser apreciado com as magias,

Da pura felicidade com esnobação,

Oferecida como ideal de realização.

 

Eventual sonho favorável à unidade,

Nem perpassa sua ruidosa vaidade,

Porque a sua possessividade egóica,

É assimilada como façanha heroica.

 

Tal projeto requer muita violência,

E larga insensibilidade à decência,

Pois, lídima guerra pela conquista,

É o horizonte único que se avista.

 

 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

HUMANOS MARRENTOS

 


Número de teimosos e auto-confiantes,

Encouraçados por poderes mandantes,

Desafiam qualquer bom-senso humano,

E impõem vasto tipo de projeto insano.

 

Ruidosa demência, adoradora da guerra,

Enche navios e porta-aviões pela Terra,

Com soldado feito para matar e morrer,

Sob as armas devastadoras de estarrecer.

 

Bem que poderiam andar cheios de alegria,

Para nobres interações humanas de euforia,

Com as mediações solidárias e respeitosas,

Mui distantes de guerras frias e ambiciosas.

 

Investida inaudita em academias militares,

Canaliza as potencialidades espetaculares,

Não para a medicina e para a terapêutica,

Mas, para a sinistra matança sistemática.

 

No falso pressuposto de imaginar a paz,

Fruto da estúpida guerra que lhes apraz:

Coagem dominados, declarados inimigos,

A aceitarem, calados, merecidos castigos.

 

Numa contradição da humana virtualidade,

De cooperar para o bem de toda sociedade,

Potencializam a presença do Satã na Terra,

Como criaturas nas quais violência impera.

 

Não seria melhor investir em cooperação,

Com o desvelo e cuidado para a boa ação,

Do elã favorável à sensata solidariedade,

Para matar pífia demência na sociedade?

 

Trilhões de dólares gastos para matanças,

Em nada ajudam as doentias ordenanças,

De sofisticar o armamentismo de morte,

Como sendo ascensão do humano aporte.

 

Os marrentos submetem e fazem sofrer,

Pelo simples delírio que põe a escafeder,

Toda a dimensão cooperadora e positiva,

Para sobrevivência humana, pouco ativa.

 

 

 

 

COMUNICAÇÃO DIGITAL

 

 

No fantástico avanço da técnica,

Criou-se a larga e precípua ética,

De ir além da fronteira do limite,

Para alargar o insaciável apetite.

 

Altamente eficaz com algoritmos,

Altera diários e regulares ritmos,

E torna-se a necessária mediação,

Para a humana intercomunicação.

 

Extraordinário poder de encanto,

Chega a todo ambiente e recanto,

Para ocupar a mente e informa-la,

Sobre tudo quanto possa agradá-la.

 

Preenche informações dos desejos,

Para saciar os mais inusitados ejos,

Mas não ajuda com discernimento,

A fornecer o bom e humano alento.

 

Informa tudo sobre quanto ocorre,

E sobre tudo do quanto transcorre,

E que povoa o psiquismo humano,

Para deixa-lo num cômodo abano.

 

Pensa pelo indivíduo e lhe sugere,

Largo pensamento que lhe aufere,

Onipotência para julgar o mundo,

E inserir-se no seu jeito iracundo.

 

Substitui família e a comunidade,

E ocupa subjetiva personalidade,

Para moldar as suas percepções,

E ser companheira de ocupações.

 

Condiciona modo de pensar e agir,

Com nova modalidade de interagir,

Em que polarização é centralizada,

Em uma agressiva ação desacatada.

 

Ataca-se sob uma mente formatada,

Num espírito de guerra disparatada,

Tudo quanto diverge o pensamento,

Gestado por um algorítmico alento.

 

Assim, cortesia, bondade e respeito,

Cedem para o estimulado despeito,

A companhia diária do vício virtual,

Que não viabiliza uma escuta frugal.

 

Poderia virtualidade não substituir,

Pertença a comunidade para fruir,

Mediação para valiosa auto-estima,

Decorrente de uma coletiva estima.

 

 

Sonho que consumo de informação,

Ajude a criar relacionamento e ação,

Para a vivência de mais cordialidade,

Numa satisfatória vida em sociedade.

 

sábado, 6 de junho de 2026

SACRIFÍCIOS DSEM OBRAS

 

 

Velha tentação de priorizar sacrifícios,

De ordinária reza para divinos ofícios,

Remete a risco de desvirtuar a religião,

No centralizar-se formalismo sem ação.

 

Fiéis profetas do primeiro testamento,

Denunciaram estranho comportamento,

De múltiplos sacrificialismos para Deus,

Para que Ele ajudasse aos planos seus.

 

Fito da viciada noção de fé maniqueísta,

Tornava-a uma mediação de conquista,

Para combater rivais da mesma religião,

Que invocavam ajuda de Deus para ação.

 

Entre tribos da judaica religião de Israel,

Confrontaram-se em guerra muito cruel,

Entre fervorosos do norte e o sul do país,

Sob um mesmo Deus, e de modo infeliz.

 

Iria Deus socorrer, nesta religião vulgar,

Tribos de sacrifícios iguais para derrotar,

Em fratricídio, sob auspícios da religião,

Que não produzia sinais de boa ação?

 

O profeta Oséias indignado com o ódio,

Cultivado sob o religioso e santo pódio,

De cada um predominar sobre os demais,

Não apoiava matança e combates brutais.

 

Metidos na absurda aventura da guerra,

Tribos em fratricida matança por terra,

Produziam no infortúnio geral ao povo,

A vida distante de Deus para o renovo.

 

Oséias anteviu que Deus não ajudaria,

Pois, o sacrifício vazio nada agregaria,

E, Ele aguardaria boas obras de amor,

Para evitar todo infortúnio do terror.

 

A fé sacrificial não passava de orvalho,

Que em poucas horas virava frangalho,

Porque sob múltiplas liturgias solenes,

Não se mudavam as maldades infrenes.

 

Tantos cultos contra seres humanos,

Conotam mimetismo de ledos enganos,

Para justificar, em nome do Deus bom,

Combate a similares como divino dom.

 

 

 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

CORPO DE CRISTO

 

 

Estímulo midiático a corpo consumido,

Faz dele o objeto de alcance aguerrido,

Para produzir fantasias com erotismos,

De isolados a fazer sexo ante nudismos.

 

Cresce espanto ante humana carência,

De alguém a tocar corpo com decência,

Para gestos singelos de interação vital,

A valorizar vida num corpo existencial.

 

Exploração de corpos para as fantasias,

O comércio lucrativo a roubar cortesias,

Coisifica o corpo e sua grandeza da vida,

E o reduz a objeto para a ação brandida.

 

Ação simbólica ante corpo denegrido,

Na abstração do pão sagrado digerido,

Levou, na Idade Média, a ato adorável,

De visualizar e adorar hóstia venerável.

 

Hóstia adorada sem memória da fonte,

Matou o simbólico e valioso vergonte,

Do quanto Jesus agiu e proporcionou,

Para bom jeito humano que valorizou.

 

Despedida dos discípulos com o sinal,

Do pão e do vinho para o novo natal,

Expressou, nesta mediação de festa,

Que desejava ser lembrado na gesta:

 

Associar corpo e sangue à recordação,

Simboliza uma radical e profunda ação,

Em favor de novo sentido para a vida,

Para as multidões sob vida espoliada.

 

Consagrar o pão e do vinho se reporta,

À lídima essência de Jesus que importa,

Para viver numa crescente comunhão,

Através dos sinais de comunitária ação.

 

Sem o memorial para hóstia adorada,

Virou vulgar magia teatral propagada,

Para olhar e contemplar o ostensório,

E haurir fartas graças sob um oratório.

 

Surgiu, então, a reação de bom-senso,

De integrar a arte, simbologia e senso,

A enaltecer os sinais da rica memória,

Que Jesus Cristo deixou para a história.

 

Já sem a antiga conotação triunfalista,

Caminhada com simbologia eucarística,

Lembra, num corpo de carne e sangue,

Atos contra os meios de morte exangue.

 

Alegria de festar pelo corpo de Cristo,

Lembra que corpo humano não é cisto,

A ser extirpado da profícua catolicidade,

Pois, como Jesus, valoriza corporeidade.

 

 

 

 

<center>REBULIÇO NO TERREIRO</center>

  No mundo galináceo do terreiro, Estabeleceu-se clima arruaceiro, Pois o velho cacique galo Crispim, Já perdeu o seu controle chinf...