Velho dualismo nostálgico,
Do bem contra todo álgido,
Das oposições adversárias,
Induz a violências primárias.
A nostalgia dilui a esperança,
E adora a passada lembrança,
Que paralisa as novas buscas,
Movidas por diárias matuscas.
Presa ao que foi bom e certo,
Cria couraça diante do incerto,
E prisioneira do que aconteceu,
Idealiza o seu mundo de museu.
Leva a memória ao ornamento,
De um passado de bom alento,
E o enfeita com suas narrativas,
Para as ferramentas defensivas.
Desejo da fidelidade ao legado,
De um passado bem fantasiado,
Bloqueia qualquer intuição nova,
E a falsa segurança, nada inova.
Na política humana este inibidor,
Cerceia qualquer desejo inovador,
E priva ação de toda discordância,
Para o consolo da sua abundância.
Herdeiros da concepção nostálgica,
Produzem ampla tensão nevrálgica,
Que afeta essencialmente a religião,
Que deseja outra humana condição.
Ao antever mundo melhor por vir,
A religião joga para o outro porvir,
O que impulsiona a conduta reta,
E aponta para a utopia como seta.
Religião quer evadir-se do terror,
Produzido pelo nostálgico fervor,
De salvar o suposto mundo feliz,
Que o passado tão bem contradiz.
Esperança ante um risco iminente,
De salvação por conduta decente,
Cai no perigo da visão proselitista,
Ao gerar a violência salvacionista.
O mandonismo de ordens e regras,
De muitas rezas e discursos bregas,
Cria os abundantes guetos sectários,
Com agressivos ditames arbitrários.
Sem abertura para mundo vindouro,
Estagnam esperança pelo duradouro,
E fitam seu mundo estreito e fechado,
Ignorando o seu entorno desprezado.
Esperança de mundo melhor implica,
Em revolução que na história implica,
Em nova violência contra nostálgicos,
Que produzem tantos tratos álgidos.
Frear desejos e ambição de poderes,
Da tecnologia para dominar os seres,
Talvez permita alargar a
inteligência,
Para mais cordial e boa convivência.
Quando a cultura induz a desespero,
E religião pouco alcança no esmero,
Ainda sobra tênue fio de esperança:
Mais amizade, e, menos segurança.