Tanto pretendente a poder soberano,
Consegue enlear para um desengano,
Como absoluto da ordem do Estado,
Que reprime para não ser molestado.
Passa a usar poder para a repressão,
Sem se ressentir com sua rígida ação,
E administra vida alheia de tal
forma,
Que todos se submetam à sua norma.
Desloca sua culpa para os
ressentidos,
Pois, leva-os a crer todo
persuadidos,
Que o salvador providente e dadivoso,
É ele, para a felicidade de pleno
gozo.
Ele expande toda sua riqueza pessoal,
E avança sobre territórios com o
ideal,
De ser o soberano sobre a vida
alheia,
Sem se meter numa enrascada peleia.
Joga a culpa nos espoliados sem
renda,
Que improdutivos não merecem prenda,
Pois, já se culpam com a sua
inutilidade,
Perante o bom governante da
sociedade.
Isso lhe permite uma crassa
biopolítica,
Em torno de uma produtiva
geopolítica,
Para deixar vivo só quem muito
produz,
E descartar o resto que a nada
conduz.
Seu dilatado complexo de providência,
Adianta-se à toda coletiva
precedência,
E lhe apresenta verdades de um saber,
Precípuas da referência para proceder.
Feitos dependentes para não revidar,
Ele introduz a violência para
esvaziar,
Qualquer tentativa de emancipação,
Dos roubados da ressentida condição.
Os injustiçados engolem toda culpa,
Diante daquele que não se desculpa,
E se recriminam na sua imobilização,
Porque o tirano antecipou sua inação.
Na lógica neoliberal de exploração,
Estimula-se a competitiva emulação,
Apregoada pelos gurus do sistema,
Que solidificam o seu estratagema.
Assim raiva coletiva de oprimidos,
Já diluída nos sujeitos preteridos,
Não mobiliza indignadas reações,
De bodes expiatórios de mandões.
Poderoso rei da ação benevolente,
Já desarticulou todo descontente,
Porque na imobilização antecipada,
Deixou vítima como única culpada.