Na pulsão da vida pela felicidade,
Age o obstáculo da contrariedade,
A boicotar anelos mais profundos,
Que gestam sentimentos iracundos.
Apontar o dedo contra a corrupção,
Ainda não representa êxito na ação,
Pois, implica num revide difamador,
Que prostra bom-senso de pundonor.
Orgias, com festanças escancaradas,
Com lucro e renda não escoimadas,
Dos que se enriquecem ilicitamente,
Clamam aos céus, por algo decente.
Proposta de convívio mais solidário,
Para o mundo menos desigualitário,
Implica no revide de cínico escárnio,
Que a associa a deboche de licórnio.
O pior é quando um senso religioso,
Justifica o formalismo como virtuoso,
Para insinuá-lo como exímio redentor,
De todo pobre ser humano e sofredor.
Dupla direção da alienação debochada,
Repete mentiras com feição deslavada,
Prometendo coisas vagas e imprecisas,
Para assegurar as suas elitistas
divisas.
O fracasso acaba se tornando bifurcado:
Coisa alguma avança no desejo
almejado,
Menos ainda, volta do prometido e
dito,
Pois, pouco se efetiva no rol do
interdito.
Sobra desconfortável sentimento
ferido,
Que até diante de Deus parece
preterido,
E, para que a lida não se torne ainda
pior,
Precisa assumir o estrago como o fiador.
Resta, então, catar o último alento
viável,
Para sobreviver num mundo
intolerável,
Que faz todos sonhar com muita
riqueza,
Mas, poucos a acumulam com safadeza.
Como não se tornar fatalista
desanimado,
E cultivar paciência contra cultural
legado,
Que aponta as mediações para felicidade,
Mas as protela com a sorrateira
maldade?
Resta admitir que remoção deste
legado,
Implica em dolorosa cruz ante falso
afago,
Que sabe seduzir e enganar as
multidões,
Para submetê-las às suas
procrastinações.