Nascido na estranha gestação
democrática,
Sob arquétipo cultural da tirania
dogmática,
Nero foi educado para ser rico e
poderoso,
Sem eiras ético-morais para ser
prodigioso.
Amadureceu em longo tirocínio da
vontade,
Para sentir-se poderoso na fraca
sociedade;
Deduzir que seu poder era forte e
supremo,
Para interagir e dissuadir no rigor
extremo.
Mandar fazer o que logicamente é
possível,
Dá a Nero direito amplo e o poder
indizível,
De se achar no direito de ser
reverenciado,
Similar a Cristo, para ser piamente
adorado.
Arma, guerra e morte aquecem a
alucinação,
De que é onipotente sobre humana
condição,
Que se encontra bem além do bem e do
mal,
Para soltar a sua genética de monstro
brutal.
Mesmo ante a expressiva perda de
crédito,
Não avalia vasto descontentamento
inédito,
E, com sua retórica de dissuasão de
guerra,
Dilacera e ameaça a tudo quanto o
emperra.
Sua noção democrática é submissão
tirânica,
Escorada nas paranoias duma ação
satânica,
De outros governantes similares que o
apoiam,
E que da mórbida obsessão em nada o
desviam.
Na voz objetiva do Papa contra
delírio doentio,
Revelou-se ao mundo o Nero de causar
arrepio,
Que de fato só admite a submissão
bajuladora,
Sem nenhuma voz moral crítica e
contestadora.
Incapaz de pensar paz desarmada,
contra guerra,
Nero se descontrola e com todo seu
ódio vocifera,
Contra quem ousa não aprovar a falsa
onipotência,
De se sentir acima de toda religião,
sem clemência.