Se
padre é formado para gostar mais da chave do cofre do que a do sacrário; e,
mais dos meios de administração do que do cultivo da fé em Jesus Cristo, produz
um anacrônico encargo de poder e autoridade, que, no entanto, passa distante do
serviço proposto por Jesus Cristo.
A
tentação de sentir-se dono do espaço administrado, produz o vício de muito
direito e privilégio, com ínfimos frutos de Evangelho.
Surge,
então, o argumento categórico do pensamento único, de normas e regras, que
sufocam qualquer emergência da Boa Notícia do Reino.
Índice
Apresentação
Preâmbulo
I – INSTITUÍDOS PARA A
SACRALIDADE
1.1 –
Sacralizados
1.2 – Em
espaço confortável
1.3 – Com
um Deus de coisas e loisas
1.4 –
Frente às disputas por deuses
1.5 –
Rodeados de adoradores de pano
1.6 – Ante
o fervor excessivo
1.7 – Sob
o amparo dos energúmenos
1.8 – No
pastiche sem pistache
1.9 –
Frente ao enlace esvaziado
II –
HOMENS DO SAGRADO
2.1- Com um hiper-sacramento
2.2 – Sob Religião do
mérito
2.3 – No consumo do
sagrado
2.4 - Sob fascínio por
penduricalhos da fé
2.5 – Em específica
forma pregadora
2.6 – Abuso do poder
espiritual
2.7 – Apreço à
moralização
2.8 – Ladeado de
fanáticos e fundamentalistas
III – PODER HIPERFECUNDADO
3.1 – Destaque do
convite superior
3.2 – Homem todo sacralizado
3.3 – Bajulações
desmesuradas
3.4 – O excepcional da
mídia
3.5 – Um santo temido
3.6 – Vaidoso ególatra
3.7 – Botõezinhos
vermelhos
3.8 – No fervor
excessivo
3.9 – Na pajelança
monárquica
3.10 - Dignidade de
cargos
3.11 – Sob
evangelização do aplauso
3.12 – Com o ego
inflado
EPÍLOGO
A – Simplesmente humano
B – Exemplaridade ética
e poder
C- Renúncia ao ego
pretensioso
Apresentação
Entre
os discípulos do senhor,
Vasto
legado de bom penhor,
Afeta-se
na crise complicada,
De uma
tradição estratificada.
Nestas
curtas linhas rimadas,
Com
impressões aquilatadas,
Em
meio à condição que vivo,
Está a
busca de bom lenitivo.
A
alusão à antiga convocação,
Renovada
com boa disposição,
Parece
requerer um novo perfil,
Com a feição
de inovado caril.
Modelo
medieval gestou crença,
De
especial e superior provença,
Auferida
ao padre como redentor,
De um
povo altamente sofredor.
Na
estratificação do clericalismo,
Elevou-se
a um extremo cinismo,
De
ampla organização poderosa,
Sem
testemunho de fé vigorosa.
Com
tantos seguidores de Cristo,
Torço
e rezo por padre bem-visto,
Sem o
imagético do ser superior,
Mas
humilde aprendiz do Senhor.
PREÂMBULO
Apelação
a chamamento divino,
Captado por um abençoado tino,
Eleva
pobre menino ao sagrado,
Para
um excelso e nobre legado.
Sob a
aparência piedosa e santa,
Veicula-se
imagem sacrossanta,
Da sua
atribuição muito especial,
Para
ser reverenciado e imparcial.
Mágico
salto para poder superior,
Aufere-lhe
ar de grandeza interior,
E o
induz a classificar-se diferente,
Por
estar além da pecadora gente.
Idealizado
num projeto fantasioso,
Cresce
num caminho pretensioso,
De
administrar, controlar e salvar,
Embora
somente queira passivar.
Longe
do legado da serviçalidade,
Quer
ser o discípulo de majestade,
Que o
eleve no visado carreirismo,
Para
meritório e vistoso heroísmo.
Disfarça
a contradição ético-moral,
E
oculta sob a batina nada moral,
Perversidades
com fartos abusos,
Iguais
aos deslizes tão abstrusos.
Os
simples, retos e bem honestos,
Rotulados
pelos irônicos doestos,
São
assimilados como perigosos,
Que
representam riscos danosos.
Assim
a crise para o novo aporte,
Que dê
ao presbitério outra sorte,
Terá
que tatear inusitada agenda,
Para
dar ao padre outra legenda.
I – INSTITUÍDOS PARA SACRALIDADE
Despertados
e selecionados,
Inúmeros
jovens aficciondos,
Forjados
sob dura depuração,
Viram
funcionários da religião.
Prestam-se,
então, ao avesso,
Para
exercer o papel travesso,
Proposto
por Jesus Nazareno,
Com
vistas ao conviver sereno.
Passam
a viver na contradição,
Do
convite para vigorosa ação,
De
construção do novo Reino,
Sem
pratica de rigoroso treino.
O
grande obstáculo da religião,
Estratificada
em seguro bastião,
Firmava
o seu poder no capital,
Para
engendrar segurança vital.
Um deus
da sua representação,
Favorecia
o controle da nação,
E
assegurava uma vida segura,
Para a
dependente conjuntura.
Jesus,
muito avesso da religião,
Moveu
um plano de libertação,
Para
desatrelar a vida do templo,
Porque
dali vinha mau exemplo.
Conflito
de Jesus com sacerdotes,
Sob a
alteza de visíveis holofotes,
Revelou
com seu novo Evangelho,
A
incompatibilidade do rito velho.
Ao
enfrentar homens da religião,
Jesus
apontou para nova direção:
O
sofrimento dos empobrecidos,
E muitos
doentes desassistidos.
Sob
título de discipulado a Jesus,
O
Evangelho que deveria ser luz,
Funde-se
na ratificação legalista,
De uma
controladoria integrista.
Pretensos
salvadores da tradição,
Asseguram
a sua procrastinação,
Para
centralizar o poder do pano,
Com
seu status airoso e chapano.
Sob
língua que ninguém entende,
E sob
imagético que subentende,
Ufanam-se
como bem superiores,
Aos
pobres e humanos estertores.
As
caudas coloridas e apavonadas,
Com
suas diatribes concatenadas,
Manipulam
com variados adornos,
Ocultação
de vaidosos transtornos.
1.1 – SACRALIZADOS
A
afirmação da rara alteza,
Não
cai do céu com certeza;
É
exaustivamente afirmada,
Sob a
catequese renovada.
Monopolização
da verdade,
Afirma
uma divina lealdade,
Auferida
à pessoa do padre,
Para
ser o santo compadre.
Com o
privilégio de acesso,
Ao
divino e santo processo,
Pode
exercer a autoridade,
Sobre
espalhada iniquidade.
Ele
dispensa bens salvíficos,
Aos
carentes não miríficos,
E sabe
treatralizar a liturgia,
Como
se fosse o divino guia.
Ao
rezar sacraliza seu poder,
E
afirma pureza do proceder,
Como
Alter Christus na ação,
Que
quer oferecer a salvação.
Com o
seu corpo sacralizado,
Justifica-se
como divinizado,
Para
exercer a pureza ritual,
Como
lídimo ser exponencial.
A
construção hierarquizada,
Vem da
praxe estigmatizada,
Com
apresentação simbólica,
Que
define elevação católica.
Pelo
tipo de veste e de cargo,
Mais o
poder de desembargo,
Assegura
o ar de sacralidade,
Uma
patologia de autoridade.
1.2 – EM ESPAÇO CONFORTÁVEL
A
fácil pressuposição,
Do
Deus da boa ação,
A
presentear amigos,
Leva a
fitar embigos.
Com
apelo vingativo,
Ele se
torna lenitivo,
Para
lesar o inimigo,
Como
arqui-inimigo.
Sob
Deus castigador,
Discurso
ameaçador,
Apregoa
a conversão,
Para
receber perdão.
Mas sem
a mudança,
A vida
de lambança,
Destroça
a natureza,
E a
humana inteireza.
Idolatria
do mercado,
Polui o
ar e o relvado,
Louco
pela produção,
Sem
humana afeição.
Religião
conformista,
Sugere
a fé integrista,
Enquadrada
de divino,
Do
passivismo cretino.
Assim,
não surpreende,
A
fácil certeza de Deus,
Sem
sombra e silêncio,
Nem profético
anúncio.
Sem
apelos superiores,
Os totalitários
pendores,
Cessam
de uniformizar,
E com
Deus equalizar.
Identificação
com Deus,
Que
legitima os corifeus,
Vive
dum poder fictício,
De
totalitário malefício.
1.3 – COM UM DEUS DE COISAS E LOISAS
Como
deus cananeu adorado,
Em
majestoso touro dourado,
Em
reino de prazer e vaidade,
Cultua-se
o corpo à saciedade.
O
poder superior da divindade,
Aponta
para toda a sociedade,
Que
altar do capital absorvido,
É auge
do herói bem-sucedido.
Sob a
prosperidade do dinheiro,
Todo
negócio ilícito aventureiro,
Na
graça do oligopólio da mídia,
Constitui
a abençoada perfídia.
Profetas
disputam e negociam,
Com
dinheiro que reverenciam,
A
felicidade plena do consumo,
E o
entretenimento sem rumo.
O
imagético do sagrado superior,
Não
requer a qualidade interior,
Mas a
astúcia para bom negócio,
Que
permita máximo lazer e ócio.
Indiferença
atinente à vida alheia,
Oferece
um segredo de divina teia:
Fazer
sonhar no incrível consumo,
E
levar todos no idolátrico aprumo.
A
santidade máxima do automóvel,
Se
alarga no contínuo sonho móvel,
De um
carro novo mais sofisticado,
Para
graduação no âmbito sagrado.
Por
isso o planeta morre entulhado,
De
carro novo e velho por todo lado,
Mas,
que prenuncia um fim fatídico,
Da
ilusão infeliz de sonho inverídico.
Restam
loisas sobre vidas alienadas,
Que
frias pedras deixam soterradas,
Que o
deus adorado e tão dourado,
Deixou
a sina da morte sem legado.
1.4 – FRENTE ÀS DISPUTAS POR DEUSES
O
avanço do fundamentalismo,
Revela
o inusitado mecanismo,
De
governo político e religioso,
Com
apelo de plano audacioso.
Importa
práxis de subordinação,
Do
neoliberalismo de obsessão,
Que
visa lucro com crescimento,
Sob um
religioso arrefecimento.
Pautado
em duro autoritarismo,
Faz-se
necropolítica do cinismo,
Vociferador
de ódio ao diferente,
Em
nome do excelso onipotente.
Apegados
ao antigo testamento,
Suporte
eficaz para o argumento,
Insistem
num imaginário de luta,
Que
envolve a Deus na disputa.
Deus
se curva ante o fiel vigoroso,
Que
não sossega no fito ardoroso,
De
alcançar tudo o quanto deseja,
Para
abarrotar-se pelo que almeja.
Uniformização
do ódio convergente,
Contra
qualquer postura divergente,
Nega o
basilar princípio cristológico,
Dum
ecumênico respeito dialógico.
Sob a
teologia do poder autoritário,
Encampa-se,
com modo arbitrário,
Um
controle sob a tutela do Divino,
Para
manter súditos no agir cretino.
Não
percebem as diferenças sociais,
Nem os
injustos parâmetros legais,
Porque
seu cego foco conquistador,
Não
questiona seu agir molestador.
1.5 – RODEADOS DE ADORADORES DE PANO
Uma
nudez ocultada sob panos,
Revela
muitos sinais chapanos,
De
obsessão teimosa e fluente,
Duma
postura nada congruente.
A
visão direitista conservadora,
Tão
pouco católica e inovadora,
Fixa a
eclesiologia pré-conciliar,
E vive
no apego cego e ingiliar.
A
postura próxima da cismática,
Engalana-se
para ser simpática,
Mas
apenas agrega saudosistas,
Propensos
a mundos narcisistas.
Ainda
que alcancem certo nicho,
Para
coçar seu próprio capricho,
Vivem
alheios ao despojamento,
Peculiar
dum cristológico intento.
Na
auto-proclamada sacralidade,
Exploram
numa larga saciedade,
O
rubricismo detalhista de atos,
Com múltiplos
rituais e artefatos.
No
latim veiculam a simbologia,
Da sua
função de divina magia,
Endeusando
vestimenta brega,
Que
pouco cristianismo agrega.
No
aparente limbo de santidade,
O seu
imagético de ambiguidade,
Valoriza
veste mais que missão,
Do
agir para mover a boa ação.
Como
figurinos de palco clerical,
Insensíveis
à moda comum geral,
Enchem-se
de velhas bricolagens,
Para
brilharem com as roupagens.
Nos
aparatos brilhantes e vistosos,
Afiguram-se
a papagaios fastosos,
Que
repetem algumas gracinhas,
E
distraem com suas garochinhas.
1.6 – ANTE O FERVOR EXCESSIVO
Quando
rumores assustam,
Os
paladinos que degustam,
Seus
únicos meneios éticos,
Repercutem
efeitos patéticos.
No
trato zeloso e veemente,
O
autoritarismo prevalente,
Exalta
extremismo acrítico,
Sem
assimilar ponto crítico.
Nas
verdades de um grupo,
O
resto não recebe apupo,
Porque
ignora sua verdade,
De
presumida superioridade.
Na fé
do fim justificar meios,
Fitam
presumidos permeios,
Para
perseguição a inimigos,
Sem
tréguas, nem chamigos.
Sem
lugar para o bom humor,
Vivem
o constante pundonor,
De
assegurar a plena verdade,
A
aplica-la na frágil sociedade.
A
doutrina da sua concepção,
Sequer
tolera a contraposição,
Porque
se pensa salvacionista,
Para a
redenção universalista.
Encanto
pela ambição e poder,
Apenas
admite apoio e aceder,
A
largo crescimento fanatizado,
Como
único rumo ao acoimado.
Onde
cura ao fervor exagerado,
Poderia
levar a jeito moderado,
Para
reduzir fortes opositores,
E
aproveitar os seus pendores?
Conhecer
o lado do adversário,
Não
apenas pelo rol temerário,
Oportunizaria
menos exaltação,
E
maior potencial de boa ação.
1.7 – SOB O AMPARO DOS ENERGÚMENOS
Surpreende a
irracionalidade,
Na atual e refinada
sociedade,
Sob os ditames do culto
saber,
Dum primarismo de
estarrecer.
Ódios superiores aos
das feras,
Pervagam as elevadas
esferas,
Dos que pretendem
conduzir,
Elevadas condições de
aduzir.
Com as táticas
escancaradas,
E as astúcias mais
escaradas,
Ditam na exaltação
mórbida,
A vantagem pessoal e
sórdida.
Exaltam-se na fala
abestada,
Sob emoção
desequilibrada,
E revelam estulta
arrogância,
Pela defesa da sua
instância.
No apelo a falas
desatinadas,
Apontam magias
encantadas,
Para justificar atos
simplistas,
Com vagas noções moralistas.
O avançado grau de
paranoia,
Com a presunção de
metanóia,
Leva-os à exaltação
onipotente,
De deixar todo o país
contente.
Ineptos diante dos
problemas,
Apelam a sutis
estratagemas,
Para salvaguardar a
ideologia,
Que autoriza sua
demagogia.
1.8 – NO PASTICHE SEM PISTACHE
Humanos
amoucos e paranoicos,
De
planos loucos, nada heroicos,
Atrelados
a pastiche de imitação,
Arrumam
sofrida procrastinação.
Fanatizados
por metidos doutos,
E
relegados a miseráveis coutos,
Agridem
e ameaçam opositores,
Não
favoráveis a seus pendores.
Arregimentam-se
para a guerra,
E com
o pior do que ela encerra,
Para
defender o seu imperador,
Sem
nenhum senso moderador.
Não
percebem que é pastiche,
De
outro interesseiro trapiche,
Que
lesa a vasta humanidade,
Com
sua mórbida insanidade.
No
lugar do enojado pastiche,
Prefiro
um saboroso pistache,
Oleaginosa
rica em proteínas,
E das
mais valiosas vitaminas.
Sob
uma casca dura e áspera,
Revela
virtualidade próspera,
Para
alargar a funcionalidade,
De benéfica
e ativa saciedade.
A
saúde social carece do pendor,
De
síntese política de pundonor,
Que
pense o bem comum geral,
Com o
básico respeito colateral.
Quando
alguém briga por ideia,
Sem
noção da condição plebeia,
Anula
sua própria auto-estima,
E torna-se
monstro que vitima.
1.9 – FRENTE AO ENLACE ESVAZIADO
Nem
amplexo,
Nem olhar
de nexo,
Ou algo
que seja convexo.
O olhar
não cruza,
Sequer
pela Medusa,
E acha
caminho pela abduza.
Sem um
assunto,
O
silêncio de defunto,
Cria
dispersivo conjunto.
A fala de
não-ditos,
Prenhe de
interditos,
Reforça
rígidos vereditos.
A
renitência da emoção,
Não solta
nada do coração,
Nem
libera qualquer atração.
Perdão
tão embargado,
Boicota
eventual postulado,
Para
aceitar o estado acoimado.
No
aguardo da calmaria,
Atrai a
bem distante romaria,
Para
reencontrar algo que inebria.
II – HOMENS DO SAGRADO
2.1 – COM UM HIPER-SACRAMENTO
Incomparavelmente
promovido,
Com
publicidade de muito ruído,
Fervilham
nos rituais da Ordem,
Espetacularizações
que aturdem.
Amplas
preparações ostensivas,
Com as
insinuações persuasivas,
Elevam
a Ordem acima da Terra,
Sob o
verdadeiro grito de guerra.
Exalta-se
o ordenando ao divino,
Mesmo
se é mesquinho e cretino,
Para
afirmar seu poder sacerdotal,
Colocado
numa fantasia angelical.
Em
cerimônias eivadas de teatro,
Com
muitos panos do solene atro,
Gera-se
delírio em torno do herói,
Metido
a vistoso e valente caubói.
Rituais
que necessitam de horas,
Impregnados
de fartas demoras,
Enaltecem
os papéis secundários,
De
ostensivos atos cerimoniários.
Detalhismo
de ritos bajulatórios,
Reafirma
nuances contraditórios,
De que
o sacramento da Ordem,
É o
antídoto de toda desordem.
Colocado
em parâmetro angelical,
O
ordenando se exibe excomunal,
E fala
como autoridade superior,
Para
promover o quadro inferior.
Mitizado
como um raro sucesso,
Sequer
percebe o pífio regresso,
Da
objetiva tarefa da sua função,
Para o
vistoso poder de injunção.
Exaltação
sacramental da Ordem,
Reafirma
que todos concordem,
Que
ato dos demais sacramentos,
É
menor no alcance dos intentos.
Apesar
do fictício papel superior,
O
sacerdócio não exala um valor,
A
encantar ao suposto ministério,
E
agregar-se a mundo deletério.
Vasta
ênfase ao rito de ordenação,
Diminui
significado e consideração,
Dos
demais sacramentos cristãos,
E de
suas funções de concidadãos.
2.2 – SOB RELIGIÃO DO MÉRITO
Solidificada
nas motivações,
Leva a
discursos com razões,
Para a
conquista da salvação,
Pelos
méritos de boas ações.
Embora
elas sejam indicadas,
Como mediações
destacadas,
Para
propagar atos indizíveis,
Não
auferem direitos factíveis.
Avaliação
de gestos efetuados,
Até os
edificantes e devotados,
Induzem
à suposição de direito,
Dum
merecido e especial preito.
Como
em articulações políticas,
Oradores
de falas apologéticas,
Indicam
os méritos que salvam,
Desde
que para eles se volvam.
Esquecidos
de que Deus é bom,
Enquadram
todo humano dom,
Como
servilidade ao mandante,
Mais
rigoroso que comandante.
Esperam
bênção de merecimento,
Para
receber o gratificante alento,
De
muito trabalho com dedicação,
Para
merecer honrada promoção.
Ao
pressupor Deus bem distante,
Do
servo ante o patrão diletante,
Que
remunera méritos próprios,
Associam-lhe
modos impróprios.
No
pressuposto da ação heroica,
A
observação de prática egoica,
Leva a
escrúpulo de obrigações,
Esperando
retorno pelas ações.
Some
toda fidelidade ao Senhor,
Porque
se espera muito penhor,
Como
bom salário promocional,
Merecedor
dum cargo especial.
2.3 – NO CONSUMO DO SAGRADO
Sagrado
consumido fora do templo,
Constitui
farto e relevante exemplo,
Da
vendagem moralista do sagrado,
Sob um
devocionismo consagrado.
Entre
as muitas estruturas profanas,
Desde
as nobres às mais doidivanas,
Veiculam-se
objetos como sagrados,
Para
os distintos e variados agrados.
Muitos
slogans e gritos identidários,
Aliam-se
aos interesses partidários,
Para
alcance de sectários privilégios,
Que
lhes auferem os foros egrégios.
Doentio
contexto armamentário,
Ignora
todo sofrimento proletário,
Mas
arrefece sagrado de ocasião,
Capaz
de elevar medos para ação.
Encantamento
pela tecnociência,
Justifica
a escusada procedência,
De
medos consagrados e ilibados,
Como
únicos para todos os lados.
A fé
indolor e sem compromisso,
Toma
conta de contágio maciço,
Favorável
à salvação egolátrica,
Da
propalada ação democrática.
Vinda
fora do ambiente religioso,
Concepção
de milagre prodigioso,
Sacraliza
camisetas de ideologia,
E as
diviniza sob densa apologia.
No
ritual sacralizador da direita,
O
complexo messiânico rejeita,
Como
símbolo endemoninhado,
Toda
dissidência ao seu legado.
2.4 – SOB FASCÍNIO POR PENDURICALHOS DA FÉ
A ação
evangelizadora,
Deveria
ser promissora,
Mas
refém desvirtuada,
Entrou
na porta errada.
Atrelada
a organizações,
Que
visam as multidões,
Vira
objeto de consumo,
De um
vistoso emplumo.
Sob os
favores da mídia,
Que
lhe armou a insídia,
A
evangelização encanta,
Somente
como percanta.
A
motivação do dinheiro,
É um
discurso altaneiro,
Com o
apelo ao aparato,
Para um
encanto cordato.
O
desejo de hegemonia,
E o
avanço de sintonia,
Gestam
pífia bajulação,
De
insinuante adulação.
A barganha
pelo topo,
Revela
o cego escopo,
Dum
grupo poderoso,
Pelo apanágio
vistoso.
Ação
evangelizadora,
Na
meta enganadora,
Vira
mercado de bens,
Que coopta
os reféns.
Com
oferta de objetos,
Apelos
nada discretos,
Insinuam
o fetichismo,
Do
cego consumismo.
Jóias
e muitas viagens,
Permeiam
as aragens,
Do
deslinde religioso,
Para a
bênção e gozo.
A
compra do sagrado,
Sob o
preço facilitado,
Escanteia
a Boa Nova,
E
obstrui o que inova.
Sem
urdiduras vitais,
Os
religiosos visuais,
Insinuam
imbróglios,
Atraentes
aos olhos.
Para o
reino de Deus,
Dá-se
um frio adeus,
Já que
penduricalhos,
São os
quebra-galhos.
2.5 - EM ESPECÍFICA FORMA PREGADORA
Sonho
com atmosfera religiosa,
Nada
empolgante e prodigiosa,
Que
abre e inova na confiança,
Qual
olhar de pequena criança.
Queria
tanto escutar pregação,
Advinda
de idônea motivação,
Não
sobre o que deve ser feito,
E sem
moralismo sobre defeito.
Tantos
pesos do sofrido coração,
Almejam
não ouvir condenação,
Ou
apelos a sentimento de culpa,
Mas
uma reatância que desculpa.
O outro
traço que muito aborrece,
Na
pregação que se ensoberbece,
Sustenta
os ditos fora de contexto,
Do que
Deus quer como pretexto.
Irritante
é o apelo à demonização,
Que
reduz a vida à total afetação,
Do
poderio sedutor do demônio,
E que
corrói humano patrimônio.
Outro
apelo aturdina a audição,
E
desvia o alcance da pregação,
Pelas
bajulantes generalidades,
E
reduzem Deus a banalidades.
Na
memória das táticas de Jesus,
Emerge
diante do limite uma luz,
Que
não avalia e sequer condena,
Pois,
a autocrítica já é uma pena.
2.6 - ABUSO DO PODER ESPIRITUAL
Filha
da capacidade manipuladora,
Está a
pretensão da fé promissora,
A
manipular a dimensão espiritual,
Para
perpetrar controle preceitual.
Instrumentalizando
as convicções,
Dobra-se
consciência para ações,
Que a
afastam da sua busca de fé,
Para
assumir conselhos de má-fé.
Desperta
a impotência da vítima,
Para
atrelar a sua fé tão legítima,
À
direção da prestimosa tutoria,
Na
tergiversação da sua fantasia.
Metido
a dono do conteúdo da fé,
O
abusador assegura ser o que é,
Como o
melhor interprete divino,
Para
aconselhar com lídimo atino.
Quando
o guia espiritual quer ser,
A
exclusiva fonte para arrefecer,
Com
soluções que ele interpreta,
Foge
da ética saudável e discreta.
O
caminho para Deus que aponta,
É
pífia manipulação que afronta,
A
sincera abertura para liberdade,
E fere
a vítima com arbitrariedade.
Na
autoproclamada ação salvadora,
Subjaz
a farsa da fé nada redentora,
A
induzir perverso abuso espiritual,
Espoliando
pessoas de modo banal.
Constitui
prelúdio do abuso sexual,
Que
avança pela noção consensual,
Com
direito de satisfazer carências,
Propensas
às suas benemerências.
2.7 - APREÇO À MORALIZAÇÃO
Autoridades
políticas e religiosas,
Afoitas
em sugestões prodigiosas,
Apontam
o quanto deve ser feito,
Para
corrigir todo humano defeito.
Longe
da informação do que fazem,
Adoram
o dinheiro e auto-refazem,
Os
planos de vasto poder ampliado,
Que
permite deixar honroso legado.
Nos
discursos moralistas de apelos,
Insinuam
mais a culpa que modelos,
Para
despertar sentimento devedor,
A
atrofiar toda a força do pundonor.
Longe
de levantar o ânimo para agir,
Inculcam
o mecanismo de retroagir,
E
frustram os clamores dos desejos,
Com
culpados que boicotam os ejos.
Apelos
moralizadores e prostrantes,
Eximem
os inúmeros atos frustrantes,
Para
justificar a inoperância do cargo,
E reafirmar
o duro e pesado embargo.
Apelo
a divinas instâncias superiores,
Banalizam
os tão humanos pendores,
Já
frouxos na crença de atendimento,
Porque
perderam o denodo do alento.
Sobra
uma fé fechada no subjetivismo,
Que só
acata raciocínios de iluminismo,
Delimitados
na imanência da sua razão,
Donde
já não brota dinamismo de ação.
2.8 – AO LADO DE FANÁTICOS E
FUNDAMENTALISTAS
Dois
extremos de arrebatadores,
Causam
os desconfortos e dores,
Advindos
de linguagem violenta,
Que
nem mesmo diabo aguenta.
Na
violência em nome de Deus,
E na
aparência de atos fariseus,
Arrogam-se,
no único caminho,
O
segredo do humor alegrinho.
O deus
do entusiasmo doente,
Os
eleva ao êxtase renitente,
Que
ignora a realidade alheia,
E os aciona
para a dura peleia.
Valem
os seus mandamentos,
De
projetados encantamentos,
Que
sequer cobram conversão,
Nem
mudanças na conspiração.
Os atos
violentos de dominação,
Feitos
em nome da divina ação,
Refletem
agressividade interior,
Arrebatada
à instância superior.
No apelo
ao fundamento divino,
Escancara-se
seu modo cretino,
Que
defende o seu argumento,
E o
remete ao superior intento.
Defendem
tradição interesseira,
Para a
sua reafirmação fagueira,
Que vê
inimigos em todo distinto,
E perseguem
no vigoroso absinto.
Farejam
diabo nas ações alheias,
Razões
das suas sombrias teias,
E
liberam-se para luta ferrenha,
Contra
o que do diabo provenha.
Escondem
a própria insegurança,
Projetada
na alheia desconfiança,
Porque
desprovidos da humildade,
Não
avaliam sua própria verdade.
III – PODER HIPERFECUNDADO
3.1 – DESTAQUE
DO CONVITE SUPERIOR
Os raros casos de superfetação,
De vários óvulos na fecundação,
Ocorrem na vocação sacerdotal,
Com aumento de poder colossal.
À pressuposta convocação divina,
Amplia-se no imagético da batina,
A largueza do seu dote já superior,
Para humano status nada inferior.
Com títulos e bajulação de méritos,
Privilégios se tornam beneméritos,
E as honrarias auferem veneração,
Como direito da especial condição.
Ao se identificar com o papel social,
Sua realeza é vista como manancial,
Diretamente condecorado por Deus,
Para gestar delírios de um semideus.
Longe da reta humildade do serviço,
Vive do vistoso badulaque postiço,
Para colar olhares de charmoso galã,
E ampliar o séquito de um mundo fã.
Não precisa dobrar os seus joelhos,
Mas dobra os alheios com conselhos,
Da visão essencialista do seminário,
Que o configurou como reacionário.
Herdou da mentalidade clericalista,
Que seu patamar está acima da lista,
Daqueles pobres carentes da graça,
Pois ele está isento como boa praça.
Não importa o lado da comunidade,
Já que ele lhe anuncia à saciedade,
O que necessita efetuar e obedecer,
Para algum mérito de Deus merecer.
Esqueceu que no chamado da Igreja,
Foi convocado para a valiosa peleja,
De serviço para reduzir na sociedade,
Efeito cruel da falta de solidariedade.
3.2- HOMEM TODO SACRALIZADO
Sem
referencial a Cristo,
É para
muitos malquisto,
Porque
não segue gosto,
De um
específico arrosto.
Bajula-se
quem justifica,
Modo
que nada edifica,
Mas
agrado a um grupo,
Que
deseja muito apupo.
Cooptado
por interesse,
É
fadado a desinteresse,
Caso
questiona denodos,
Dos
fanatizados apodos.
Feito
um ser separado,
Estranho
por todo lado,
Sem
pertença a gênero,
Pode apenas
ser vênero.
Deve
ser dessexualizado,
E
pregar todo acoimado,
O discurso
heteroafetivo,
Como
agradável lenitivo.
O
perfil bem delineado,
Vindo
de longo legado,
Esconde-o
no armário,
Do
gosto mui sectário.
Ao
camuflar-se na batina,
Aparenta
condição divina,
E
disfarça conduta sexual,
Como o
dote sobrenatural.
Ante
pedocriminalidade,
Equivale
a cumplicidade,
Que
escandaliza e oculta,
E
assimila atitude estulta.
Sem
inovada identidade,
A sua
suposta santidade,
Aufere
poderes e honra,
Sem
esconder a desonra.
Hipervalorizado
na posse,
Como o
sucesso precoce,
Sem a
discreta humildade,
Exibe-se
em rara vaidade.
Adoração
à personalidade,
Eleva
com fina publicidade,
A
apoteose do sacerdócio,
Como um
adorável negócio.
Na
falsa imagem poderosa,
Some serviçalidade
bondosa,
Idolatra-se
o patamar clerical,
Sem
anúncio profético radical.
3.3 – BAJULAÇÕES DESMESURADAS
No
silêncio da pandemia,
O gato
valente que mia,
Com
miados estridentes,
Forja
rezas fanatizantes.
No
bombardeio das lives,
Chatos
e irritantes clives,
Insistem
com a piedade,
De
inócua precariedade.
Dogmáticos
e perdulários,
Divinizam
com os rosários,
Os
poderes de insinuação,
Para
produzir iluminação.
Longe
de tudo que aflige,
Imputam
magia que exige,
Mera
idolatria materialista,
Da
poderosa espiritualista.
Já não
se referem a Maria,
Ou aos
lugares da romaria,
Mas só
à santíssima virgem,
A
divina deusa extravirgem.
Utilitarismo
fundamentalista,
Duma
recitação mecanicista,
É
apregoada como milagreira,
Que
supera qualquer barreira.
Distante
de Maria da origem,
Vivem
as ondas de vertigem,
Sobre
minúcias da recitação,
Sem
gerar elã para uma ação.
Transformam
uma devoção,
No
consumismo de emoção,
Para
ostentação bajuladora,
Da
divina deusa redentora.
Neste
fascínio tão perigoso,
De
aparente e sublime gozo,
Maria,
aquela mãe de Jesus,
Não
importa e sequer seduz.
Importa
apenas a produzida,
A rica
fantasia ensandecida,
Que
não remete à lealdade,
Para a
solícita cordialidade.
3.4 – O EXCEPCIONAL DA MÍDIA
Nem o
comum do cotidiano,
Mas a
notoriedade do ufano,
Tornam
célebre o espetáculo,
E o
divulgam como tentáculo.
Mundo
de troféus e medalhas,
De
ralas bajulações e bedalhas,
Auferem
títulos e as honrarias,
Com
sobejas e falsas cortesias.
Importam
modas e músculos,
Até
sob os valores minúsculos,
Desde
que produzam sucesso,
Para
amplo e devotado acesso.
Fato
avesso do mundo injusto,
Torna-se
argumento robusto,
Para
iludir senso justo e reto,
E
seduzir ao consumo abjeto.
Informes
de crimes e assaltos,
Enfatizam
fartos sobressaltos,
Que
comovem espectadores,
E
alargam seus fartos pavores.
O
anúncio do fato excepcional,
Protelado
sob tática passional,
Prende
sob espera frustrante,
O
possível fato emocionante.
Sobra
a dependência atrelada,
A uma
veiculação controlada,
Para
um conformismo passivo,
E um
largo processo imitativo.
3.5 – UM SANTO TEMIDO
Antiga
roupagem sacralizada,
Avivou
a noção disparatada,
Que
fez desandar a imagem,
Da bem
cultivada miragem.
Debaixo
da veste identidária,
A nobre
função missionária,
Envolvia
a figura sacerdotal,
Com a
sacralidade magistral.
Sob
excessiva sacralização,
Abriu-se
pérfida contradição,
A
revelar efeitos clericalistas,
De
pífias imagens integristas.
Movidos
na conduta agressiva,
A
conquista bem intempestiva,
Apontava
ascensão de carreira,
Sob
intelectualização guerreira.
Mais
que equilíbrio emocional,
Pesava
a conquista intelectual,
E a
imagem do bom celibatário,
Num
límpido e ilibado itinerário.
O
escancaramento dos abusos,
Revelou
ocultamentos escusos,
Duma
figura e imagem intocável,
Para a
fraqueza nada confiável.
O
“Alter Christus” da erudição,
Totalmente
aquém da condição,
Revela-se
um ser contraditório,
De
esmilingüido nível meritório.
Refratário
da condição comum,
A sua
peculiaridade incomum,
Associa-se
à queda do andaime,
Com
rosto escondido no açaime.
Sem o
poder da pregação moral,
Sua
vulnerabilidade tão normal,
Requer
outro perfil de proteção,
Para
parar com a estranha ação.
Abusos
sob batina de aparência,
Não
podem ocultar a indecência,
Da
doentia patologia clericalista,
Com o
simulacro sensacionalista.
3.6 - VAIDOSO EGOLATRA
Pautado
pela teologia do pano,
Vive
metido a viciado chapano,
Que
adora sua própria imagem,
E vive
desta delirante miragem.
Impecável
com os paramentos,
Dos
tresloucados ornamentos,
Ostenta-se
o delirante e airoso,
Para
enaltecer seu ar garboso.
Na sua
requintada eloquência,
Dilatada
na soberba eminência,
Desmancha-se
nas afirmações,
Para
as categóricas insinuações.
A
vaidade sobressai evidente,
Em
todo e distinto ambiente,
E
sempre se coloca no centro,
Para
aparecer como epicentro.
Com um
sorriso escancarado,
Remete
olhar para todo lado,
Almejando
granjear simpatia,
E
aparentar refinada empatia.
Muito
rubricista e minucioso,
Exibe-se
perfeccionista cioso;
Vive
cobrando falhas alheias,
Como
se as visse de açoteias.
Reclama
das pequenas gafes,
Que
atrapalham seus estafes,
E
diminuem a sua imagética,
Da
rara grandeza hipotética.
Carece,
todavia, de humildade,
E da
noção de sua faculdade,
Para
ser um discípulo servidor,
E não
um egolatra inquisidor.
3.7- BOTÕEZINHOS VERMELHOS
Abaixo
das vistosas mitras,
Similares
a famintas clitras,
Seguem
botões vermelhos,
Feitos
movediços artelhos.
Identificam
a precedência,
De
elevada benemerência,
Da
airosidade e admiração,
Decorrente
da sua função.
O
ornamento do seu visual,
De um
vetusto referencial,
Parece
insinuar a novidade,
De
inusitada religiosidade.
Como
os figurinos teatrais,
Dos
multicoloridos visuais,
Sob
seu aparato religioso,
Supõem
ser dom dadivoso.
A
lídima hipocrisia funcional,
Simula
um clima exponencial,
Do
ornamento dos adereços,
Para
os aguardados apreços.
Almejam
notícia e comentário,
Como
aparência de signatário,
E num
fashion na moda brega,
Para a
sua suposta palabrega.
Sob os
paramentos litúrgicos,
Revestidos
de ares telúrgicos,
E nos
vistosos panos e fumaça,
Enaltecem
sua própria chalaça.
Presumidos
exemplares em tudo,
Oferecem
o bom alento topetudo,
Ao
repetir nas velhas orientações,
Como preciosidades
a borbotões.
Na
volta aos botões vermelhos,
Falam
mais que bons conselhos,
A
obstinados jovens carreiristas,
Já
fixos nas insígnias integristas.
Sob a
fixidez na colorida roupa,
Enrijecem
a aguerrida choupa,
Deste
clericalismo decadente,
Que se
move pelo precedente.
Numa
falsa moral de obrigações,
Denigrem
as suas reais funções,
E na
pompa da veste glamorosa,
Ostentam
uma vida melindrosa.
3.8 – NO FERVOR EXCESSIVO
Quando
rumores assustam,
Os
paladinos que degustam,
Seus
únicos meneios éticos,
Emergem
efeitos patéticos.
No
trato zeloso e veemente,
O
autoritarismo prevalente,
Exalta
extremismo acrítico,
Sem
assimilar ponto crítico.
Nas
verdades de um grupo,
O
resto não recebe apupo,
Porque
ignora sua verdade,
De
presumida superioridade.
Na fé
do fim justificar meios,
Fitam
presumidos permeios,
Para
perseguição de inimigos,
Sem
tréguas e nem chamigos.
Sem
lugar para o bom humor,
Vivem
o constante pundonor,
De
assegurar a plena verdade,
E
aplica-la na frágil sociedade.
A
doutrina da sua concepção,
Sequer
tolera a contraposição,
Porque
se pensa salvacionista,
Para a
redenção universalista.
Encanto
pela ambição e poder,
Apenas
admite apoio e aceder,
A
largo crescimento fanatizado,
Como
único rumo ao acoimado.
Onde
cura ao fervor exagerado,
Poderia
levar a jeito moderado,
Para
reduzir fortes opositores,
E recuperar
os seus pendores?
Conhecer
o lado do adversário,
Não
apenas pelo rol temerário,
Oportunizaria
menos exaltação,
E
maior potencial de boa ação.
3.9 – NA PAJELANÇA MONÁRQUICA
A
ideologia do seu saber,
Requer
governar e afazer,
Para propugnar
um reino,
A
depender do seu treino.
Colocado
acima das culpas,
Efetua
no clero as escalpas,
Para
que assimile o projeto,
Do seu
parâmetro predileto.
Sem a
dimensão de parceiro,
Governa
com ar de pioneiro,
Na
apologia da sua plenitude,
Sempre
ativado na solicitude.
Na sua
majestade discursiva,
Com
argumentação incisiva,
Afirma-se
como um general,
Laureado
pelo saber genial.
Enfatiza
as alegrias da vida,
E está
onipresente na lida,
Sem
ver e ouvir os calados,
Pelos
sentimentos arfados.
Mostra
o esmerado serviço,
Para
resolver todo enguiço,
Com a exuberante
maestria,
Similar
a amorosa sinastria.
Na
ostentação principesca,
Duma
iminência pitoresca,
Reluz
no afã pela carreira,
Elevar
sua função cabreira.
3.10 - DIGNIDADE DE CARGOS
Vasta
adoração dos cargos,
E
reverência sem embargos,
A
mandatários feitos chefes,
Os
eleva com honra e blefes.
Peculiaridade
na esfera social,
Sobretudo
na política-cultural,
Atinge
área da Igreja católica,
Numa
injunção nada bucólica.
Se o
batismo equipara a todos,
E
deveria leva-los aos sínodos,
Vê-se
a delimitação da função,
Para
uns regerem a obrigação.
Mais
que dignidade da pessoa,
Importa
autoridade que ressoa,
Vinda
de cargos estabelecidos,
E com
seus poderes auferidos.
No
preconceito do mais digno,
Muito
ser é visto como indigno,
Porque
não desfruta da realeza,
Dignificada
por ampla grandeza.
Aceitas
e reverenciadas no cargo,
Autoridades
prescrevem embargo,
A
respeito dos que podem atuar,
Em
alguma tarefa para executar.
A
colegialidade fica restringida,
A
poucos encarregados da lida,
Que
movem a missionariedade,
Sob
gosto da sua arbitrariedade.
Se a
roupa cheirosa de incenso,
Simboliza
o poder do consenso,
A
dignidade dos outros fenece,
E a
missionariedade entorpece.
3.11- SOB EVANGELIZAÇÃO DO APLAUSO
Seguindo
programas midiáticos,
Para
recurso de atos didáticos,
Evangelizadores
relegam atos,
Para
propugnar atrativos fatos.
Não
importam atos edificantes,
Mas os
prestigiados rompantes,
Que
despertem surto de euforia,
E o entusiasmo
de larga disforia.
Prestígio
daqueles já afamados,
Requer
belos auditórios lotados,
Para
conferir o status a oradores,
Envaidecidos
com seus pendores.
Sem
ênfase no elã do evangelho,
Fazem
um papel de escaravelho,
Removendo
honra do seu legado,
Como
exemplo de modelo ilibado.
Numa
argumentação moralizante,
Ditam
normas de apelo constante,
Para
serem seguidos nos detalhes,
E para
não incidir em achincalhes.
Como
gurus, querem seguidores,
Que
enalteçam os seus pendores,
Com a religião
de efusiva alegria,
Esvaziada
duma lídima sabedoria.
Importam
as emoções vibrantes,
Que
desviem tensões frustrantes,
E
aquilatem objetivas pretensões,
No rol
de fantasiosas dimensões.
Dominação
sobre as consciências,
Corrompe
as legítimas sapiências,
Para o
consumo de informações,
Sem
subverter perversas decisões.
3.12 – COM O EGO INFLADO
Cada
dia mais evidentes,
Sob os
atritos estridentes,
Ascendem
egos movidos,
Por
interesses aturdidos.
Querem
a superioridade,
Para
estufar notoriedade,
Para
um Eu reconhecido,
E
largamente obedecido.
Caminho
que mais infla,
E o
que melhor arrufla,
É o de
esnobar o poder,
Para
as massas intender.
Importa
título e imagem,
E
aparência de coragem,
No
mecanismo de medo,
Sob o
submisso remedo.
Arma
do poder centraliza,
Grande
EU que se diviniza,
Em
torno da superioridade,
Ainda
que sem autoridade.
Autoridade
desloca o foco,
E faz
do outro um “in loco”,
Para
manifestar reputação,
E apreço
sem a ostentação.
Poder
defende regra caduca,
E
justifica a ambição maluca,
Para a
acumulação própria,
Com a
dominação imprópria.
Corrói
os relacionamentos,
Disfarça
com bons intentos,
Sem
produzir cordialidade,
Com o
respeito à alteridade.
EPÍLOGO
A - SIMPLESMENTE HUMANO
Ante a
gana de anseios infinitos,
Por
vitórias e domínios benditos,
Para
acumular bens aos montes,
Somem
os humanos horizontes.
Colocar-se
a serviço é desumano,
Pois
significa viver um desengano,
Que
não mergulha na ostentação,
Do
ideal duma larga capitalização.
Aparente
fracasso da compaixão,
E sua
desconsiderada aceitação,
Eleva
o ar que odeia clemência,
E
despreza básica complacência.
O humilhar-se
para poder servir,
Ultrapassaria
o desvio do porvir,
Porque
abriria um rumo possível,
Para
condição humana indizível.
Quando
tanta trela enganadora,
Desvia
a providência redentora,
Ainda
resta nesga esperançosa,
De dedicação mais prestimosa.
À vereda do Estado endeusado,
Cabe a ocasião de novo legado,
De confirmar-se como serviço,
E de redimir-se do seu
enguiço.
B –
EXEMPLARIDADE ÉTICA E PODER
Muitas
figuras destacadas,
Despertam
paixões iradas,
Ou
envolvimentos radicais,
Com
motivações especiais.
Uns
manipulam pelo poder,
Para
ampliar seu preceder,
Como
digníssimos senhores,
Comandantes
de penhores.
Outros,
pela exemplaridade,
Reverenciados
na sociedade,
Dispensam
solene honraria,
E
protocolos para confraria.
Despertam
grande entusiasmo,
Sem
polemizar com marasmo,
Perante
repúdio à sua posição,
Pois
admitem a contraposição.
Sensíveis
às vítimas espoliadas,
Bem
atenciosos às maltratadas,
Revelam
a coerência com Jesus,
Nas
ações que o levaram à cruz.
Seus
gestos e frutos solidários,
Acima
dos ataques temerários,
Constituem
boa exemplaridade,
Ante
um poder sem autoridade.
Seus
atos ensejam um desejo,
Dum
inusitado e bom lampejo,
De
vida sensível e democrática,
Sem a
aspereza psicossomática.
Baixa
credibilidade do acusador,
Todo
metido a tirano imperador,
Não
intimida com sua detração,
A quem
gesta profética correção.
C
- RENÚNCIA AO EGO PRETENSIOSO
Cultivo
do espírito guerreiro,
E luta
pelo poder derradeiro,
Absorvem
as energias vitais,
E
produzem inimizades rivais.
O alto
cultivo de pretensões,
Alarga
espaço de presunções,
Para
uma imagem irreal de si,
Com
agressiva postura frenesi.
Se o
ego tomar o lugar do eu,
Na
dupla conduta de fariseu,
Deixa
de produzir comunhão,
E
afasta com ares de canhão.
Leva
ao controle das pessoas,
E as
falsas elucubrações boas,
Apenas
dominam e expoliam,
E o
pior de tudo: discriminam.
Suas
maquinações escondem,
E as
suas ações desprendem,
Os
laços afetivos de pertença,
Para
alargar muita desavença.
Neste
ego livre e desandado,
Sem o
lugar para discipulado,
Sobram
apenas as ambições,
E
disparatadas contradições.
Assim
carregar a cruz da vida,
Significa
compromisso e lida,
Para
mobilização humanitária,
E uma
preocupação solidária.
Desfazer
o ego pretensioso,
Constitui
um projeto valioso,
Para
uma disposição interior,
Que
irradia apreciado fervor.