quinta-feira, 30 de julho de 2026

OUTRO MODO DE INSERIR-SE NO PLANETA

 


Os progressivos eventos climáticos,

Indicam humanos rumos erráticos,

Das políticas desenvolvimentistas,

Com as suas alucinações otimistas:

 

Apostou-se no domínio das forças,

Para aumentar as polpudas orças,

Controlar os fenômenos naturais,

E avançar ante domínios cruciais.

 

Fracasso nesta crença iluminista,

Revela o efeito desta fé otimista,

Porque natureza não controlada,

Supera toda inteligência dilatada.

 

Aposta cega na efetivação técnica,

Apontou o engano da pirotécnica,

E táticas de controle da natureza,

Não asseguram a segura inteireza.

 

Enchente, tsunami e terremotos,

Indomáveis a controles remotos,

Indicam ao agir humano cultural,

O erro da aposta suprarracional:

 

Na forma de ocupação do espaço,

Desrespeito ao natural compasso,

Do processo ecológico do planeta,

Engendrou o desequilíbrio careta.

 

Natureza focada só no econômico,

Criou o consumismo astronômico,

Que desregulou toda bio-essência,

Nesta ação humana de ingerência.

 

Trilhões de dólares para destruição,

De humanos em luta de obstinação,

Afeta o equilíbrio da biodiversidade,

E tudo mescla com insana maldade.

 

Algo para elevar a condição humana,

Será cuidar do que da Terra promana,

E adequar-se aos fenômenos naturais,

Sem interferir nos seus ritmos vitais.

 

Outra urgente forma de coexistência,

Requer do senso humano a decência,

De mudar sua ideologia de domínio,

Antes de provocar o seu extermínio.

 

Espoliam-se pessoas e tantos animais,

Para obtenção de lucros excepcionais,

Mas exaure-se toda viabilidade da vida,

Numa ambição doente e ensandecida.

 

Lixo amontoado, desertificação de solo,

Obsessão aguda por minerais do subsolo,

E poluição que mata toda vida dos ares,

Já não indicam futuros bons patamares.

 

Aprender a viver na evidente incerteza,

Do devolvido pela moribunda natureza,

Será a necessária condição de sobrevida,

Na agressiva e fulcral destruição da vida.

 

 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

SOB A DITADURA DO LUCRO

 


Mais perversa que a do domínio,

Indica ameaça para o extermínio,

Iminente, aos seres humanoides,

Por causa dos desejos debilóides.

 

Fere de morte toda frágil empatia,

Porque somente admite simpatia,

Por moeda, que garante negócio,

Para um ambicioso agronegócio.

 

Até solidariedade consanguínea,

Já se tornou mera questão vínea,

Que ameaça obsessão por lucro,

E vê parente como sujeito xucro.

 

Boa placa-mãe da compassividade,

Haurida numa longa ancestralidade,

Passou a conotar a visível fraqueza,

Ante dote humano para a esperteza.

 

Alguém impiedoso lucra bem mais,

Que evitar tantos conflitos bestiais,

Para alavancar crescimento sólido,

Pois lucra todo mecanismo sórdido.

 

Sem lugar para o termo cooperar,

Importa para a ditadura prosperar,

Pressupor o planeta como a arena,

Onde avareza nunca deve ter pena.

 

Noção darwiniana da vitória do forte,

Premiado para entrar na futura sorte,

Virou suprema lei sagrada e credível,

Que mata toda a cooperação sensível.

 

A nobre característica colaborativa,

Única de bípedes em bondade ativa,

Perde o espaço para egoísmo forte,

Que coisifica outro para seu aporte.

 

Empatia e compaixão, traços nobres,

Ante as tantas vítimas feitas pobres,

Ainda constituem recurso redentor,

Para alteridade de futuro promissor.

 

Mais que biologia forte e ambiciosa,

Importa para futuro a ação bondosa,

Que imbrica cultura e modo de ser,

Para humanidade poder sobreviver.

 

Requer-se a política que desacople,

Esta que se move no perigo sinople,

Dos economicismos deterministas,

De políticas exploradoras machistas.

  

Estas que geram processo entrópico,

Exaurem tudo para um lucro utópico,

Morrem deixando legado desastroso,

Deste planeta devorado para o gozo.

 

Compaixão e empatia com as vítimas,

Ainda indicam para chances legítimas,

De redenção do peculiar dos humanos,

Ante ditadura férrea de lucros insanos.

 

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

PERANTE CLEPTOMANIA LEGALIZADA

 


Diante da regra oficial do sistema,

Foi sobreposto o novo emblema:

Tudo que existe deve gerar lucro,

Mesmo que seja com duro mucro.

 

Desde corpo humano e sua morte,

Tudo se enquadra na mesma sorte,

De gerar dividendos e bom retorno,

Para venerar um capitalista adorno.

 

Nesta vertigem fatalista de consumo,

Deve-se transformar tudo em insumo,

No caminho da renda bem idolatrada,

E ser super-feliz em vistosa disparada.

 

Assim insinua-se venda de todo jeito,

Ludibria-se em tudo a torto e direito,

E os roubos se tornam escancarados,

Nos diversos níveis e seus mercados.

 

Dos que agem em nome do Estado,

Ouve-se todo dia informe propalado,

De “rachadinhas”, desvios e roubos,

Sob os mais escancarados arroubos.

 

Cada dia mais aumentam golpistas,

Apropriando Estado para conquistas,

Do interesse pessoal e de oligarquias,

Com falácias sobre boas democracias.

 

Poluem o ar, envenenam as lavouras,

Espalham venenos em falsas doçuras,

Para captar com lucros mirabolantes,

Maior barganha de forças mandantes.

 

Nesta configuração tão cleptomaníaca,

Induz-se larga submissão mitomaníaca,

Dos supostos heróis do povo explorado,

Que não se evade do sufoco humilhado.

 

Com a mídia a justificar os mandantes,

Investem-se fortunas para arrogantes,

Que sob brilho artificial da capacidade,

Ousam desejar boa vida na sociedade.

 

Mercadoria viciada da cultura a rolar,

Protagonismo de espertos a controlar,

Ignora literalmente situações sofridas,

Porque fita suas metas estabelecidas.

 

Quanto mais ampla a desinformação,

E quanto maior a social fragmentação,

Bastam só os milhões de conectados,

Porque seus vínculos são descartados.

 

Sobra-lhes alienado sonho na solidão,

Engordado com estímulos em profusão,

Sem mudar o rumo efetivo da vida real,

E, menos ainda, encontrar seguro aval.

 

No protagonismo da hiper-informação,

Não sobra espaço à lídima organização,

Que substitua o grande ídolo capitalista,

Para dar lugar a vida menos consumista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

TESOURO ESCONDIDO

 


Nesse mundão todo aturdido,

Encontrar tesouro escondido,

Move as ambições humanas,

Para muitas coisas doidivanas.

 

Saltar com o negócio da vida,

Para a opulência enriquecida,

Anseio que lateja em coração,

Da bem acalantada motivação.

 

Nascidos e inatos buscadores,

Induzidos aos focos exteriores,

Anelamos pelas coisas valiosas,

De algumas mágicas preciosas.

 

Por acaso ou por persistência,

Muitos encontram existência,

De tesouros mui fascinantes,

Para obter lucros alucinantes.

 

Pela praxe coletiva de buscar,

Fita-se algo valioso encontrar,

Sem reparar tesouro genuíno,

Reluzindo no mais íntimo sino:

 

É um tesouro do que já somos,

Precioso neste grande cosmos,

Essência peculiar do nosso eu,

Que no belo mundo apareceu.

 

Em rotas de busca já preterido,

Aponta-se só exterior querido,

Objeto do amor maior da vida,

O fascínio que exaure toda lida.

 

O entorno de tanta frustração,

Interpela para a outra direção:

Voltar à genuína interioridade,

Relativizar falsa exterioridade.

 

Amor maior que nos engendrou,

Revela o tesouro que se poupou,

Dos buscadores de acumulação,

Localizado no fundo do coração.

 

Ao ser encontrado este tesouro,

Relativiza todo metal, qual ouro,

Centraliza a pérola da existência,

E a coloca como nova referência.

 

O foco das referências anteriores,

Perde o brilho e os seus fulgores,

E passa a ser menos prestigiado,

Que a plenitude do novo achado.

 

Tantos anseios do eu profundo,

Não alcançam o desejo fecundo,

Do sentir alegria na existência,

Acima da busca de precedência.

 

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

REFÚGIOS AFETIVOS

 


Sentimento parceiro da humanidade,

Feito para o bem viver em sociedade,

Solidão impregna a genuína riqueza,

De alargar interioridade na inteireza.

 

Solidão favorece boa espiritualidade,

Que aciona o elã para a cordialidade,

Deixa mundo subjetivo bom e sereno,

Que irradia ambiente para ar ameno.

 

A solidão dos dias capitalistas de vida,

Produz os sobrantes solitários de lida,

Que sentem a experiência subjetiva,

Do seu mundo social, solto na deriva.

 

Uns se complementam com felinos,

Outros com cachorros pequeninos,

E criam linguagem meiga e intimista,

Para a estranha interação benquista:

 

Linguagem de forma onomatopaica,

Produz uma linguística toda arcaica,

Rica com gemidos, latidos e miados,

Peculiar de certos mundos isolados.

 

Específica da gatose ou cachorrice,

Escraviza e subjuga pets na burrice,

A depender integralmente do tutor,

Que lhes dedica seu precípuo amor.

 

Nesta simbiose de mundo paralelo,

Quebra-se o humano e histórico elo,

E se alarga novo nível de sofrimento,

Advindo da condição de isolamento.

 

Plataformas sociais entram na solidão,

E motivam uma inaudita acomodação,

Para preencher o vazio dos solitários,

Com muitos entretenimentos diários.

 

Sobra socialização com pets amados,

Que centralizam o colo dos alienados,

E exigem devotamento pio e integral,

Para o mundo sectário do novo social.

 

Pets já não aturam atenção a outros,

Pois, já ciumentos e feitos amoucos,

Somente bajulam os adorados donos,

E ocupam o centro dos seus tronos.

 

Os amados absorvem toda conversa,

E não admitem a comunhão adversa,

A seu círculo de linguagem específica,

Dos nhem-nhens, sem ação prolífica.

 

Ao se desintegrar o espaço público,

Gesta-se muito homogêneo abúlico,

Que pressiona para a forçada solidão,

Sem rota para a pública participação.

 

Os espaços digitais criam multidões,

Que só aceitam as mesmas opiniões,

E eliminam ainda mais, pouca chance,

De socializador processo ao alcance.

 

Sem boas mediações socializadoras,

Somem as inter-relações curadoras,

E a solidão produzida e estimulada,

Já não mais atura pessoa na alçada.

 

 

 

 

 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

SER PARA A COEXISTÊNCIA

 


Vida mais ampla que direito humano,

É grito veemente contra o agir insano,

Que quer possuir tudo para si mesmo,

E deixa maior parcela humana a esmo.

 

Ignora que o humano não vive sozinho,

E por isso, todo obcecado e mesquinho,

Esquece dimensão coletiva do planeta,

E desequilibra com a ambição mutreta.

 

Forjado por uma concepção neoliberal,

Afastado do seu “eu”, genuíno e real,

Ignora dimensão da ecologia cósmica,

Segue ação predatória anti-econômica.

 

Alheio à circularidade complementar,

Do movimento vital da Terra e do ar,

Move-se na política toda consumista,

De inexequivel consequência fatalista.

 

Acha que somente ele cresce e evolui,

Não percebe quanto se auto-diminui,

E, imagina exaurir todo planeta Terra,

Para migrar rumo a outra estratosfera.

 

Na sua visão distorcida de autoridade,

Acha que pode desfrutar à saciedade, 

Entende-se pelo seu poder de domínio,

E sequer percebe avançado extermínio.

 

Doentia fixação de dominar e explorar,

Produz autoridade mórbida a apavorar,

Os sujeitos e ecossistemas dependentes,

De seus audaciosos planos prepotentes.

 

Reproduz largo desequilíbrio sistêmico,

Do planeta já desrespeitado e anêmico,

Só porque deseja ser poderoso senhor,

Por meio de um processo barganhador.

 

Alarga submissão sob normas rígidas,

Com alienações altamente analgésicas,

Transforma vínculo em prisão psíquica,

Através da movimentação psicopática.

 

Atrai parceiros de interesses similares,

Que o bajulam com mentiras vulgares,

Com pretensão de controlar e espoliar,

A fim de novos domínios descortinar.

 

Longe de promover liberdade interior,

Quer controlar sujeitos com duro rigor,

E cria expectativas literalmente irreais,

No delírio das suas febres neoliberais.

 

Avançado e evidente estado doentio,

Ainda não o afasta do adoecente brio,

De continuar a matar sistemas de vida,

Que ampliam as inseguranças na lida.

 

 

MÃOS FECHADAS

 


Quando se abrem na oblatividade,

Enriquecem os gestos de caridade,

Transformam relações conflitivas,

E despertam esperanças lenitivas.

 

Podem ser mediadoras do afeto,

E constituir um caminho dileto,

De afeição, ternura acolhedora,

E benéfica ação transformadora.

 

Quando abertas para não ajuntar,

E visam bom provento assegurar,

Tornam-se mediadoras sagradas,

Para as realizações acalantadas.

 

Quando dão forma a ambientes,

Ante humores pouco aderentes,

Recriam nas motivações de vida,

Ações inovadas na cotidiana lida.

 

Meios que repassam as emoções,

Da força diante das prostrações,

Ativam os doentes desconfiados,

E os remetem aos novos legados.

 

Quando se cruzam para a oração,

Elevam a Deus a objetiva situação,

Para renovar os melhores anseios,

Diante dos já pessimistas receios.

 

Toque sensível na ferida exposta,

Manifesta na empatia da aposta,

Que, sob a terapêutica indicada,

Retorna almejada saúde desejada.

 

Mão sem dedo indicador em riste,

Permite mudar tanto rosto triste,

E apontar-lhe uma esperança real,

No sentido da transcendência vital.

 

Mãos fechadas para os privilégios,

Que justificam seletivos egrégios,

Viram instrumentos de espoliação,

E criam um mundo de destruição.

 

Mãos fecham para a acumulação,

Desequilibram ordem da relação,

E coisificam pessoas para servir,

A ganancioso plano do seu devir.

 

Mãos fechadas e arrebatadoras,

Sob as narrativas conservadoras,

Privilegiam violências de gênero,

E oficializam feminicídeo vênero.

 

Adulteram as leis da hierarquia,

E sob a defesa da “boa família”,

Subordinação passiva da mulher,

Considera-a um objeto qualquer.

 

Mãos dominadoras da segurança,

Subjugam mulheres na reinança,

De que homem macho conquista,

Com mão fechada e possessivista.

 

Mãos fechadas contra a igualdade,

Submetem mulheres na sociedade,

E não lhes permite paridade efetiva,

Porque significaria regra alternativa.

 

 

 

 

 

 

 

<center>OUTRO MODO DE INSERIR-SE NO PLANETA</center>

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