Sonhar com mais humanidade,
Respeito e cordial afabilidade,
É apostar no que é improvável,
Sob um capitalismo execrável.
Se a grande bandidagem reina,
E para saquear muito se treina,
O absurdo papel dos exércitos,
Aufere os militarescos méritos.
Condecora-se o exímio matador,
Insensível a afeto e humana dor,
E, toda justificativa para guerra,
Ignora defesa da vida que berra.
Neste agir perverso no planeta,
Não escapa sequer a borboleta,
Nem se calcula toxidade do ar,
Ou o prejuízo ao solo e ao mar.
Para os mui exímios matadores,
Contam farto alimento e vigores;
Sem perceber fome em famintos,
E comemoram os mortos extintos.
Não desejam moderar alimentos,
Nem alargar os humanos alentos;
E educados para matar e destruir,
Adoram guerra para tudo deglutir.
Efeitos da bandidagem no poder,
Ignorados pela ordem do querer,
Justificam a quebra de fronteiras,
E invasão livre em todas as eiras:
Destroça-se ambiente geográfico,
Justifica-se todo perverso tráfico,
Desde que facilite a acumulação,
Honra e poder de transformação.
Não importa todo nível de terror,
E rosto sisudo em doentio fervor,
Desde que libere ordens de matar,
Eleva toda paranoia de se exaltar.
Lucros bilionários com a produção,
Das armas para vasta a destruição,
Indica gosto mórbido por ecocídio,
Que dizima por estúpido etnocídio.
As bombas com projéteis de urânio,
Valem mais do que juízo no crânio,
E muito mais simpático que rostos,
Causam tantos humanos desgostos.
Nada se diz de efeitos imprevisíveis,
Das fumaças tóxicas e irrespiráveis,
E do veneno de bombas explosivas,
Para as pessoas que seguem vivas.
Os milhões de toneladas de gases,
Respiradas em químicas mordazes,
Sequer desviam a desejada guerra,
Que, cada dia mais, destrói a Terra.