sábado, 8 de agosto de 2026

FANTASMAS DA MADRUGADA

 


Sem os meandros da fantasmagoria,

Ou das almas a atrapalhar a euforia,

Em imagens tênues de vultos visíveis,

Aparecem aqueles dos ares terríveis.

 

Na crença popular, almas e espíritos,

Retornam com seus jeitos explícitos,

Para solicitar rezas de intercessões,

A fim de alcançarem suas redenções.

 

Bruxos e mágicos apreciam o tema,

E despertam culpa com o problema,

De que necessitam dos mediadores,

Para libertá-los dos seus devedores.

 

Falar sobre fantasmas impressiona,

Assusta e muitos medos direciona,

Para o pânico do que pode ocorrer,

Se o dito falecido voltar a aparecer.

 

A narrativa evangélica de Mateus,

Destaca o medo de discípulos seus,

Navegando na noite escura do mar,

Vendo Jesus sobre águas caminhar.

 

No primeiro envio para o outro lado,

Sem Jesus ir na frente do discipulado,

Eles apavorados com as dificuldades,

Logo sucumbem ante adversidades.

 

Simbologia do navegar no mar agitado,

Constituía imagem de seguir o legado,

Do jeito de Cristo que os encarregou,

A testemunharem o que fez e falou.

 

Adversidade religiosa e imperialista,

Como mar com seus perigos à vista,

Ativava velhos pavores do seu agir,

Com ondas de fazer tudo submergir.

 

Nas ondas e nos ventos contrários,

Expressavam-se ações de corsários,

Ativas contra incautos navegantes,

Inexperientes nas lidas itinerantes.

 

A memória de Jesus sobre as ondas,

Ativou suas seguranças de rondas,

Para não fugirem das adversidades,

E, das provocações com maldades.

 

Pedro como Jesus quis andar seguro,

Mas, afundou no caminho inseguro,

Careceu da mão estendida de Jesus,

Para andar sobre as ondas com a luz.

                                                                                 

Mesmo pescador exímio e experiente,

Nesta madrugada lúcida do consciente,

Pedro viu que não tinha a serenidade,

Para conduzir a Igreja na idoneidade.

 

Primeira viagem sem Jesus no barco,

Faltou a Pedro, o necessário marco,

Que Cristo, vivo nesta adversidade,

Não era um fantasma na dificuldade.

 

Perturbações e perseguição externa,

Abalavam a fé e a segurança interna,

Da comunidade em seu discipulado,

Sem a dianteira do Cristo crucificado.

 

Ele seguia a animá-los contra o mal,

De tantos medos de pavor infernal,

Porque prossegue vivo no seu lado,

E aponta para reino de novo legado.

 

A imagem do domínio sobre o mar,

Lembra o amor de Deus a erradicar,

Medos que engolem ondas da vida,

E atrapalham a boa e ordinária lida.

 

 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

COLONIZAÇÃO DE CÉREBROS

 

 

Ao lado dos colonialismos territoriais,

Ousadias, agressivas e mais radicais,

Dominam cérebros para dependência,

Com a invasão de descabida violência.

 

Espolia-se todo direito e a liberdade,

Abre-se caminho liberado à maldade,

Para alargar muitos cérebros podres,

E submeter, calmamente, os pobres.

 

Nas melhores táticas dominadoras,

A de alargar mediações alienadoras,

Está a de impor religião imperialista,

Como única viabilidade salvacionista.

 

Viola-se com milagre sensacionalista,

A lídima história cultural e benquista,

Memória forjada de grupos humanos,

Obrigados a engolir os novos enganos.

 

Obriga-se uma crença de ignorância,

Na agressiva invasão com ingerência,

Que anula duramente valores locais,

Impõe aqueles de regimes imperiais.

 

Que feição de Deus ainda revelam?

Somente aquela que eles modelam,

Para assegurar a ação colonizadora,

Sem deixar perspectiva libertadora.

 

Nenhuma proximidade com o amor,

De Deus que lhes apontou o penhor,

 De viverem com boa interatividade,

E a grata pertença à sua sociedade.

 

Visão reencarnacionista é oportuna,

Para justificar produção de fortuna,

Porque pode voltar ao estágio rico,

E poder livrar-se de ser um burrico.

 

Só que, dia com chance não aparece,

Fome e doença cada dia mais adoece,

Sem que os acumuladores partilhem,

Ou que, parte dos roubos, devolvem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

ALIMENTAÇÃO ABUNDANTE

 


Uma vetusta intuição bíblica,

Diante duma situação cínica,

Do povo de Israel destroçado,

Aponta para o jeito inusitado:

 

Cancelar todo armamentismo,

E optar por modo de pacifismo,

Para produção em abundância,

Sem acumuladores da ganância.

 

Um banquete acessível a todos,

E não só para elite de engodos,

Permitiria festas de gratuidade,

E lídima ação de solidariedade.

 

Sem ódio e ranço de vingança,

O centro da guerra e matança,

Viraria o lugar de convivência,

Para festas de boa existência.

 

O banquete gratuito de iguaria,

Fruto da mãe Terra, na alegria,

Ensejaria fartura sem dinheiro,

Para todos em todo ano inteiro.

 

Muito mais do que sede e fome,

Ser humano, mais do que come,

Anela por justiça, respeito e paz,

Bens que a guerra nunca satisfaz.

 

Com tanta escravidão moderna,

Agradável para elite de baderna,

Incontáveis anseios não saciados,

Expressam rostos desorientados.

 

Grandes ansiedades não saciadas,

Revelam as injustiças praticadas,

Da velha patranha colonizadora,

A boicotar toda ação libertadora.

 

Com iguarias ricas e propaladas,

Dos super-ricos em suas baladas,

Produzem-se sonhos para pobres,

Para que pensem como os nobres.

 

Na vasta distância que os separa,

Não existe acesso que os ampara,

Para chegarem aos dominadores,

E viverem com os seus pendores.

 

Se uns morrem com boas iguarias,

E embriagados com as suas orgias,

Outros relegados na sede e fome,

Morrem desiludidos e sem nome.

 

Tanta ocorrência triste de morte,

É ocultada para mostrar a sorte,

Da elite mandante e dominadora,

Causando destruição devastadora.

 

 

 

 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

OUTRO MODO DE INSERIR-SE NO PLANETA

 


Os progressivos eventos climáticos,

Indicam humanos rumos erráticos,

Das políticas desenvolvimentistas,

Com as suas alucinações otimistas:

 

Apostou-se no domínio das forças,

Para aumentar as polpudas orças,

Controlar os fenômenos naturais,

E avançar ante domínios cruciais.

 

Fracasso nesta crença iluminista,

Revela o efeito desta fé otimista,

Porque natureza não controlada,

Supera toda inteligência dilatada.

 

Aposta cega na efetivação técnica,

Apontou o engano da pirotécnica,

E táticas de controle da natureza,

Não asseguram a segura inteireza.

 

Enchente, tsunami e terremotos,

Indomáveis a controles remotos,

Indicam ao agir humano cultural,

O erro da aposta suprarracional:

 

Na forma de ocupação do espaço,

Desrespeito ao natural compasso,

Do processo ecológico do planeta,

Engendrou o desequilíbrio careta.

 

Natureza focada só no econômico,

Criou o consumismo astronômico,

Que desregulou toda bio-essência,

Nesta ação humana de ingerência.

 

Trilhões de dólares para destruição,

De humanos em luta de obstinação,

Afeta o equilíbrio da biodiversidade,

E tudo mescla com insana maldade.

 

Algo para elevar a condição humana,

Será cuidar do que da Terra promana,

E adequar-se aos fenômenos naturais,

Sem interferir nos seus ritmos vitais.

 

Outra urgente forma de coexistência,

Requer do senso humano a decência,

De mudar sua ideologia de domínio,

Antes de provocar o seu extermínio.

 

Espoliam-se pessoas e tantos animais,

Para obtenção de lucros excepcionais,

Mas exaure-se toda viabilidade da vida,

Numa ambição doente e ensandecida.

 

Lixo amontoado, desertificação de solo,

Obsessão aguda por minerais do subsolo,

E poluição que mata toda vida dos ares,

Já não indicam futuros bons patamares.

 

Aprender a viver na evidente incerteza,

Do devolvido pela moribunda natureza,

Será a necessária condição de sobrevida,

Na agressiva e fulcral destruição da vida.

 

 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

SOB A DITADURA DO LUCRO

 


Mais perversa que a do domínio,

Indica ameaça para o extermínio,

Iminente, aos seres humanoides,

Por causa dos desejos debilóides.

 

Fere de morte toda frágil empatia,

Porque somente admite simpatia,

Por moeda, que garante negócio,

Para um ambicioso agronegócio.

 

Até solidariedade consanguínea,

Já se tornou mera questão vínea,

Que ameaça obsessão por lucro,

E vê parente como sujeito xucro.

 

Boa placa-mãe da compassividade,

Haurida numa longa ancestralidade,

Passou a conotar a visível fraqueza,

Ante dote humano para a esperteza.

 

Alguém impiedoso lucra bem mais,

Que evitar tantos conflitos bestiais,

Para alavancar crescimento sólido,

Pois lucra todo mecanismo sórdido.

 

Sem lugar para o termo cooperar,

Importa para a ditadura prosperar,

Pressupor o planeta como a arena,

Onde avareza nunca deve ter pena.

 

Noção darwiniana da vitória do forte,

Premiado para entrar na futura sorte,

Virou suprema lei sagrada e credível,

Que mata toda a cooperação sensível.

 

A nobre característica colaborativa,

Única de bípedes em bondade ativa,

Perde o espaço para egoísmo forte,

Que coisifica outro para seu aporte.

 

Empatia e compaixão, traços nobres,

Ante as tantas vítimas feitas pobres,

Ainda constituem recurso redentor,

Para alteridade de futuro promissor.

 

Mais que biologia forte e ambiciosa,

Importa para futuro a ação bondosa,

Que imbrica cultura e modo de ser,

Para humanidade poder sobreviver.

 

Requer-se a política que desacople,

Esta que se move no perigo sinople,

Dos economicismos deterministas,

De políticas exploradoras machistas.

  

Estas que geram processo entrópico,

Exaurem tudo para um lucro utópico,

Morrem deixando legado desastroso,

Deste planeta devorado para o gozo.

 

Compaixão e empatia com as vítimas,

Ainda indicam para chances legítimas,

De redenção do peculiar dos humanos,

Ante ditadura férrea de lucros insanos.

 

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

PERANTE CLEPTOMANIA LEGALIZADA

 


Diante da regra oficial do sistema,

Foi sobreposto o novo emblema:

Tudo que existe deve gerar lucro,

Mesmo que seja com duro mucro.

 

Desde corpo humano e sua morte,

Tudo se enquadra na mesma sorte,

De gerar dividendos e bom retorno,

Para venerar um capitalista adorno.

 

Nesta vertigem fatalista de consumo,

Deve-se transformar tudo em insumo,

No caminho da renda bem idolatrada,

E ser super-feliz em vistosa disparada.

 

Assim insinua-se venda de todo jeito,

Ludibria-se em tudo a torto e direito,

E os roubos se tornam escancarados,

Nos diversos níveis e seus mercados.

 

Dos que agem em nome do Estado,

Ouve-se todo dia informe propalado,

De “rachadinhas”, desvios e roubos,

Sob os mais escancarados arroubos.

 

Cada dia mais aumentam golpistas,

Apropriando Estado para conquistas,

Do interesse pessoal e de oligarquias,

Com falácias sobre boas democracias.

 

Poluem o ar, envenenam as lavouras,

Espalham venenos em falsas doçuras,

Para captar com lucros mirabolantes,

Maior barganha de forças mandantes.

 

Nesta configuração tão cleptomaníaca,

Induz-se larga submissão mitomaníaca,

Dos supostos heróis do povo explorado,

Que não se evade do sufoco humilhado.

 

Com a mídia a justificar os mandantes,

Investem-se fortunas para arrogantes,

Que sob brilho artificial da capacidade,

Ousam desejar boa vida na sociedade.

 

Mercadoria viciada da cultura a rolar,

Protagonismo de espertos a controlar,

Ignora literalmente situações sofridas,

Porque fita suas metas estabelecidas.

 

Quanto mais ampla a desinformação,

E quanto maior a social fragmentação,

Bastam só os milhões de conectados,

Porque seus vínculos são descartados.

 

Sobra-lhes alienado sonho na solidão,

Engordado com estímulos em profusão,

Sem mudar o rumo efetivo da vida real,

E, menos ainda, encontrar seguro aval.

 

No protagonismo da hiper-informação,

Não sobra espaço à lídima organização,

Que substitua o grande ídolo capitalista,

Para dar lugar a vida menos consumista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

TESOURO ESCONDIDO

 


Nesse mundão todo aturdido,

Encontrar tesouro escondido,

Move as ambições humanas,

Para muitas coisas doidivanas.

 

Saltar com o negócio da vida,

Para a opulência enriquecida,

Anseio que lateja em coração,

Da bem acalantada motivação.

 

Nascidos e inatos buscadores,

Induzidos aos focos exteriores,

Anelamos pelas coisas valiosas,

De algumas mágicas preciosas.

 

Por acaso ou por persistência,

Muitos encontram existência,

De tesouros mui fascinantes,

Para obter lucros alucinantes.

 

Pela praxe coletiva de buscar,

Fita-se algo valioso encontrar,

Sem reparar tesouro genuíno,

Reluzindo no mais íntimo sino:

 

É um tesouro do que já somos,

Precioso neste grande cosmos,

Essência peculiar do nosso eu,

Que no belo mundo apareceu.

 

Em rotas de busca já preterido,

Aponta-se só exterior querido,

Objeto do amor maior da vida,

O fascínio que exaure toda lida.

 

O entorno de tanta frustração,

Interpela para a outra direção:

Voltar à genuína interioridade,

Relativizar falsa exterioridade.

 

Amor maior que nos engendrou,

Revela o tesouro que se poupou,

Dos buscadores de acumulação,

Localizado no fundo do coração.

 

Ao ser encontrado este tesouro,

Relativiza todo metal, qual ouro,

Centraliza a pérola da existência,

E a coloca como nova referência.

 

O foco das referências anteriores,

Perde o brilho e os seus fulgores,

E passa a ser menos prestigiado,

Que a plenitude do novo achado.

 

Tantos anseios do eu profundo,

Não alcançam o desejo fecundo,

Do sentir alegria na existência,

Acima da busca de precedência.

 

 

<center>FANTASMAS DA MADRUGADA</center>

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