sexta-feira, 16 de outubro de 2026

ENGANO SOB BAJULAÇÃO

 



No auge duma tensa e conflitiva situação,

Fariseus e herodianos com má intenção,

Bajularam Jesus Cristo como verdadeiro,

Para enganá-lo através de golpe certeiro.

 

Sob nobre e aparente valor reconhecido,

Sem expressar o sentimento enternecido,

Resposta que viesse a dar, daria a razão,

Para condená-lo de gravíssima acusação:

 

Se sugerisse não pagar imposto a Roma,

Seria insubmisso ao imperador de doma;

E se falasse em pagar o exigido imposto,

Seria contra os judeus de desejo oposto.

 

Aquela intenção desonesta de prejudicar,

Dissimulada nos mecanismos de falsificar,

Longe de desejar o genuíno e verdadeiro,

Queria só a firmeza no poder derradeiro.

 

Ao se sacrificar a verdade para enganar,

Implanta-se falsidade para mais angariar,

E ratifica-se um poder despótico e tirano,

Como se fosse o supremo e divino plano.

 

Jesus desmascarou a disfarçada hipocrisia,

E mais que pagar, ou não, imposto em dia,

Vínculo com Deus requeria menos injustiça,

E, reino de Deus só se alcançaria na justiça.

 

Se o verdadeiro é deturpado pelo interesse,

Não se ouve convocação a favor da messe,

Vítima da categoria do poder de manipular,

E carente de gesto humanitário a privilegiar.

 

Deus certamente não tem nada de César,

E Césares, nada de augustos para imperar,

Mas a verdade ou o verdadeiro que clama,

Aponta para o outro jeito que não difama.

 

O verdadeiro situa-se além das bajulações,

E das “fake-news” veiculadas aos montões,

Para se insinuar um merecedor de amparo,

De voto eletivo para um interesseiro avaro.

 

Os elogios falaciosos e literalmente falsos,

Repetidos e renovados sem os cadafalsos,

Permitem que as mentiras mais repetidas,

Assegurem as manipulações pretendidas.

 

Para Deus não basta o minguado dízimo,

Pois requer solidariedade com o próximo,

Respeito venerado no jardim da sua obra,

E o louvor de gratuidade que nada cobra.

 

 

 

 

 

 

FARIZAÍSMO HODIERNO

 


O grupo mais adverso a Jesus Cristo,

O boicotador do seu modo benquisto,

Foi quem, com a aparência exemplar,

Era o que mais e melhor sabia roubar.

 

Paralelo à sua vasta hipocrisia peculiar,

Exigia dos demais como se comportar,

Mas vivia numa diametral enganação,

Ao imputar rígidas regras à população.

 

Dizia uma coisa mas agia pelo contrário,

Sob a aparente fé, regia pelo temerário,

E, no detalhismo rubricista de orações,

Escondia as interesseiras maquinações.

 

Muito poderoso, mandante e influente,

Aparentava a imagem de grupo decente,

Mas bem falso e altamente manipulador,

Tudo ajustava para convergir a seu favor.

 

Sob sua aparência, na mera formalidade,

Furtava sob a mais crassa arbitrariedade,

Em nome do privilégio recebido de Deus,

Porquanto era bom grupo dos amigos seus.

 

Por se interpretar o superior aos demais,

Isolado no gueto, de lídimos e retos pais,

Formava a elite insensível e exploradora,

Da política religiosa da ação espoliadora.

 

Algo tão similar se repete nos dias atuais,

Com explicações tão sugestivas e banais,

De que é inviável pagar um melhor salário,

Porquanto diminuiria o acúmulo ordinário.

 

Tanto católico, todo detalhista e sistemático,

Enriquecido por mecanismo nada simpático,

Coloca-se, à parte, dos interesses populares,

Para locupletar-se com lucros espetaculares.

 

Nada melhor que a visão fundamentalista,

Para justificar a precípua segurança elitista,

E alegar o privilégio como bênção haurida,

Para a excelsa riqueza, por Deus concedida.

 

Vê uma ameaça em tudo que não combina,

Com a sua estreita visão religiosa cretina,

Imutável e absolutizada como a suprema,

Única solução para todo alheio problema.

 

Entreguistas ao poder imperial espoliador,

Asseguram seu privilégio seleto e superior,

Nada se importando com a solidariedade,

Nem com benefício para toda a sociedade.

 

Egóicos e altamente idolátricos na sua fé,

Não percebem que suas prescrições de ré,

Apenas favorecem sua separação elitizada,

Sugadora de sangue na imagem idolatrada.

Sugadora de sangue na imagem idolatrada.

O NARCIZO EUSTÁQUIO

 

 

Como no tempo de Hitler, o hediondo,

Sem a memória, volta o letal estrondo,

Das armas brutais a matar os humanos,

Sob as ordens dos governantes insanos.

 

Quando estilo de vida centraliza astúcia,

E alarga métodos guerreiros com argúcia,

Ascensão da cultura misógina e machista,

Preconiza uma evidente guerra fatalista.

 

ÍNDICE

Apresentação...

1 – Rei da megalomania...

2 – Movido pelo espírito beligerante...

3 – No poder de onipotência...

4 – Metido a deus demente...

5 – O augusto acima dos deuses...

6 – Sua estratégia para superioridade...

7 – Guerra por poder...

8 – Hostilidades gratuitas...

9 – Homem da força bruta...

10 – Na tática conspiradora...

11 – O bandalheiro valente...

12 – Reino em tempo de déspotas...

13 – Do trono à sepultura...

14 – Morte lacônica das regras...

15 – Eustáquio contra o resto...

16 – Eustáquio religioso...

17 – Eustáquio e sua guerra justa...

18 – O Eustáquio da ameaça...

19 – Eustáquio e seus asseclas...

20 – O fã-clube do Narciso Eustáquio...

21 – Narciso Eustáquio do petróleo...

22 – Narciso Eustáquio – o mirífico...

23 – Narciso Eustáquio e suas ameaças...

Palavras finais: Enfim, alguma esperança?

 

APRESENTAÇÃO

 

Nascido e criado em família tradicional,

Boa e abençoada pela irradiação divinal,

Eustáquio aprendeu na vida privilegiada,

A não ter regra para uma vida recatada.

 

Auferido por um ambiente psicopático,

Cultivou no lídimo projeto aristocrático,

Auto-consciência superior para mandar,

E a ausência de limites para o delimitar.

 

Na arte dramatúrgica do encenar fatos,

Soube valer-se da ampliação de boatos,

Para aumentar sua tendência paranoica,

E transformar-se na idealização heroica.

 

Já bem absolutizado o seu venerado Ego,

Consegue relativizar qualquer super-ego,

Para afirmar-se como divindade superior,

A um eventual e humanitário pundonor.

 

 

1

REI DA MEGALOMANIA

 

Estabelecido como autoridade relevante,

Não esconde o vazio interior estonteante,

E compensa-o na fachada de arrogância,

Com uma inflada e suposta importância.

 

Ao se sentir o único potente do mundo,

Expande o autoritarismo todo iracundo,

E seu largo egocentrismo manipulador,

Leva-o a supor que é excelso salvador.

 

Sua notável incapacidade de empatia,

Torna a personalidade arrogante e fria,

Pois se pensa superior a tudo e a todos,

E esmera-se com os mórbidos denodos.

 

É o carente que quer muita admiração,

E faz tudo para chamar alheia atenção;

Deseja auto-engrandecer a sua imagem,

Como o único sinal de força e coragem.

 

Por viver delírio da sua grandiosidade,

Precisa sempre mostrar superioridade,

Que põe ordem na desordem mundial,

Embora seja gestor de destruição fatal.

 

Move-se nas narrativas de onipotência,

E perlustra sua inconfundível arrogância,

Com autoritarismo ultrajante e ofensivo,

Explicitado no histórico itinerário lascivo.

 

Já incapaz de admitir alguma autoridade,

Seja de ética-religiosa ou de moralidade,

Vocifera o ódio cego contra insubmissos,

E quer que prestem devotados serviços.

 

Imagem salvadora que faz de si mesmo,

Leva-o a relativizar a desordem ao esmo,

Que produz sob o complexo messiânico,

Com o terror do procedimento vulcânico.

 

Já irremovível no seu instinto onipotente,

Conta com um séquito todo dependente,

Que o sustenta no desvario da grandeza,

E, por isso, só procura trato de aspereza.

 

Ao se pressupor o magnífico Eustáquio,

Não carece de algum mínimo obséquio,

Pois, o seu poder não requer afabilidade,

Mas, humilde subserviência à saciedade.

 

 

 

2

MOVIDO PELO ESPÍRITO BELIGERANTE

 

Altamente sórdido e discrepante,

O anelo do guerreiro beligerante,

Incutido e socado teimosamente,

Ocupa centro da humana mente.

 

Contra tese da teoria evolucionista,

Da ascensão da humana conquista,

O cérebro ampliado em capacidade,

Centraliza só guerra de barbaridade.

 

A pífia evolução na convivialidade,

Segue a forçar para marginalidade,

Tanto o diferente, e o insubmisso,

E o persegue ao indesejado sumiço.

 

Tanta inteligência e diuturna ação,

Para produzir arma de destruição,

E a indômita lida de tramar morte,

Indica triste tara na humana sorte.

 

Distante de qualquer justiça social,

Sob cultivo da cobiça exponencial,

O apelo a Deus e à religião católica,

Justifica a espúria guerra diabólica.

 

Se os sinais catastróficos da Terra,

Apontam tanta vida que se encerra,

Não poderia o bom-senso humano,

Elevar-se acima do proceder insano?

 

Cruel tragédia do pensamento único,

Que governa como mandante cínico,

Faz os psicopatas não respeitar leis,

E nem ouvir a voz de pacíficas greis.

 

Nesta condição da política favorável,

A líder dominante que é deplorável,

Inúmeras levas humanas excluídas,

São ignoradas, sequer reconhecidas.

 

Afinal, a quem cabe decretar guerra,

E desviar sofrida renda que se gera,

Para produzir o horror de destruição,

Sem elevar grau da nossa condição?

 

Com a suposição do Deus da guerra,

Sofrimento e morte apenas emperra,

Possibilidade de novos céus e terras,

Quando fito central é o de quimeras.

 

3

NO PODER DE ONIPOTÊNCIA

 

Nascido na estranha gestação democrática,

Sob arquétipo cultural da tirania dogmática,

Narciso, educado para ser rico e poderoso,

Vive sem eira ético-moral para ser ardoroso.

 

Amadureceu em longo tirocínio da vontade,

Para sentir-se poderoso na fraca sociedade;

Deduzir que seu poder era forte e supremo,

Para interagir e dissuadir no rigor extremo.

 

Mandar fazer o que logicamente é possível,

Dá a Narciso status único e poder indizível,

De se achar no direito de ser reverenciado,

Similar a Cristo, para ser piamente adorado.

 

Arma, guerra e morte aquecem a alucinação,

De que é onipotente sobre humana condição,

Que se encontra bem além do bem e do mal,

Para soltar a sua genética de monstro brutal.

 

Mesmo ante a expressiva perda de crédito,

Não avalia vasto descontentamento inédito,

E, com sua retórica de dissuasão de guerra,

Dilacera e ameaça a tudo quanto o emperra.

 

Sua noção democrática é submissão tirânica,

Escorada nas paranoias duma ação satânica,

Dos outros súditos similares que o apoiam,

E da mórbida obsessão em nada o desviam.

 

Voz objetiva do Papa contra delírio doentio,

Revelou o doente Narciso de causar arrepio,

Pois, somente admite submissão bajuladora,

Sem alguma voz moral crítica e contestadora.

 

Incapaz de pensar a paz amada contra guerra,

Narciso no descontrole, com seu ódio vocifera,

Aos que ousam não aprovar falsa onipotência,

De ser superior a toda religião, sem clemência.

 

4

METIDO A DEUS DEMENTE

 

Mistério insondável de um povo,

Que elege um líder sem corcovo,

Para controlar a compulsividade,

Quer ser um dono da sociedade.

 

Visível queda da função mental,

Alucinado com a obsessão letal,

De matar para ser o super-herói,

Reina como se fosse um caubói.

 

Em sinais de irresponsabilidade,

Encontra, escorado por lealdade,

Um séquito de outros dementes,

Satisfeito pelos atos indecentes.

 

O largo suporte das alucinações,

Dá ao mandante as pífias razões,

De vivenciar o delírio e a loucura,

Que firmam sua excelsa diabrura.

 

Seus bajuladores sabem difundir,

E por toda mídia, muito espargir,

Variações obsessivo-compulsivas,

De suas esbravejantes invectivas.

 

Pensa-se num rol sobre-humano,

Em seu delírio mórbido e insano,

Sem respeito e sem sentimentos,

Para alcançar estúpidos intentos.

 

Faz alianças e acordos unilaterais,

Para forçar nas submissões leais,

Raças, povos e culturas originais,

A engolir suas loucuras pessoais.

 

Somente vê o que pode ajuntar,

E domínios que pode deslindar,

Para delirar na obsessão de fruir,

Mania de grandeza por destruir.

 

No pensamento e juízo alterado,

Vomita muito ódio por todo lado,

E, com a demência da sua ordem,

Alarga muito caos e a desordem.

 

Mais que suposto deus demente,

Inquieta o humano contingente,

O largo suporte servil e corsário,

Que o adora como um arbitrário.

 

5

O AUGUSTO ACIMA DE DEUSES

 

Em seu nome, muito pronome,

Sem reconhecer valor do nome,

Impõe desejo e ambição pessoal,

Como sendo uma ordem divinal.

 

Irônico é sentir a efusão de ódio,

Em arrogância de triste episódio,

No apelo a bom Deus para matar,

Sem elementar direito respeitar.

 

Sob poderosos mandantes cegos,

O terror vira a lei dos não meigos,

Para exercer pela tirania genocida,

Afirmação dum triste poder suicida.

 

Na blasfêmia da auto-justificação,

Alega-se cristológica comparação,

De vencer violência na compaixão,

Como Jesus na salvadora redenção.

 

Pai Nosso rezado para muito matar,

Numa razão estúpida de desacatar,

Produz clima de aprovação do ódio,

Difundido para gloriar egóico pódio.

 

Se uma força de arma é mais eficaz,

Do que todo almejado senso de paz,

Esta dor dos milhões de deslocados,

É estúpida perante os já silenciados.

 

Ódio propenso ao poder das armas,

Sequer supõe as relaxantes karmas,

Ou o nível elevado de sensibilização,

Mas, som triste do tiro de destruição.

 

Guerra feita na justificação religiosa,

Como a ação preventiva e bondosa,

Contra inimigo que ameaçava a paz,

Mostra um absurdo de ação ineficaz.

 

Seria do gosto de Deus, porventura,

Sobrepor-se a ética em tanta agrura,

E seguir doentio humor momentâneo,

Para eliminar ser humano coetâneo?

 

Existiria ainda coletiva voz e consenso,

Para eleger mandantes de bom-senso,

Sem a ascensão de doente paranoico,

Que vê na matança o poder heroico?

 

 

6

SUA ESTRATÉGIA PARA SUPERIORIDADE

 

Sonho de integrar a elite superior,

Ajuda esquecer a pobreza inferior,

E a fome de acumulação fantástica,

Alarga força de atuação na política.

 

Tentação de intervir na lida política,

Faz bancar o político na geopolítica,

Para sempre beneficiar o interesse,

Do sujeito rico no status de finesse.

 

Do efeito da comunicação midiática,

Mentaliza a aceitação de sua tática,

E amplia seu poder sobre as mídias,

Para a defesa e elogio das perfídias.

 

Nada importa o disparo do abismo,

Das multidões pobres, no cinismo,

Mas, riqueza ascendente e vistosa,

Assegura a força política poderosa.

 

Desconsidera ordem internacional,

E sobre ela faz cocô do seu tribunal,

Porque a sua ação intervencionista,

Não permite uma reação pessimista.

 

Seu poder delimitado à moralidade,

Fornece-lhe a subjetiva autoridade,

Para ser, a cada dia, mais coercitivo,

Sob a diplomacia mafiosa de lenitivo.

 

A prática de extorsões e chantagens,

E de acordos pessoais para miragens,

Faz dele genocida perverso e abusivo,

O neofascista estratégico e corrosivo.

 

Nada lhe importa desastre econômico,

Mas prega no intervencionismo cômico,

Tudo o que representa ouro e petróleo,

Para seu processo acumulador miróleo.

 

Consegue o efeito de transnacionalizar,

A rede criminosa de tudo comercializar,

Na inusitada megacorrupção do Estado,

Para sentir-se onipotente por todo lado.

 

Distorce fatos, e, manipula seus dados,

Facilita a ampliação dos vastos legados,

Na força bruta e destruidora do exército,

Com ações ilícitas de julgamento tácito.

 

Impede a rebeldia contra sua corrupção,

E tal recurso legitima e garante a gestão,

Para ser, todo dia, apreciado e lembrado,

Como o magnata do globalizado reinado.

 

7

GUERRA POR PODER

 

Desejo de exercer influência,

Sobre uma vasta congruência,

Transforma relações afetivas,

Em odiosa luta de invectivas.

 

Não existe leal companheiro,

Mas, só um jogo interesseiro,

Em que alguém vale pelo útil,

E depois passa a ser lixo fútil.

 

Aliança e pacto de fidelidade,

Vive da frágil provisoriedade,

Enquanto favorece ascensão,

Para assegurar nobre posição.

 

O aparente amor das alianças,

Revela logo, as desconfianças,

Em que prevalece a acusação,

Contra quem mudou a posição.

 

Na guerra contra o adversário,

A mentira rege todo itinerário,

Para denegrir imagem do rival,

E obter um largo êxito triunfal.

 

A tentação de manter o cargo,

E adequar regras de embargo,

Ajudam a prosperar no poder,

E impedir outros de ascender.

 

Na guerra, além da ideologia,

Vale todo tipo de demagogia,

Para produzir o perfil heroico,

Malabarista versátil e egoico.

 

Velha história bíblica de Israel,

Revela preço de teimosia cruel,

Do seu primeiro rei constituído,

Jovem guerrilheiro destemido.

 

Davi, um rei absolutista do povo,

Mesmo velho e sem espírito novo,

Enfrentou guerrilha de seus filhos,

Que lhe apresentavam empecilhos.

 

Em guerra do seu exército armado,

Contra Absalão, o seu filho amado,

Venceu a batalha mas matou o filho,

Efeito e preço pelo reinado caudilho.

 

Depressão e dor pela morte do filho,

Não o moveram no jeito afogadilho,

De se sentir o rei absoluto no cargo,

Supondo que fosse o divino encargo.

 

Humano, no lugar de Deus colocado,

Produz demônio solto por todo lado,

Mesmo na máscara de líder religioso,

Causa espoliação e o conflito danoso.

 

Poder desatrelado de humilde serviço,

Arruma diuturnamente novo enguiço,

E guerras, mesmo aquelas de palavras,

Matam vida com crueldades macabras.

 

 

8

HOSTILIDADES GRATUITAS

 

Ofensas divulgadas em noticiários,

Oferecem os estimulantes ideários,

Para reagir de forma bem ofensiva,

Ante qualquer suspeita de invectiva.

 

Mesmo pessoas que, ditas piedosas,

Emitem repentinas ofensas raivosas,

E nos seus desproporcionais revides,

Caluniam pelos mais ínfimos envides.

 

Hostilizam com a facilidade inaudita,

E até por alguma razão bem gratuita,

Acusam e interpretam erroneamente,

Pelo tribunal supremo da sua mente.

 

Se a hostilidade envolve pouca pedra,

Em contrapartida, até ânsias de medra,

Enseja as esbravejantes falas agressivas,

E reação de agressivas formas vingativas.

 

Como abrandar as palavras de aspereza,

De quem só pensa em muita malvadeza,

Cuja mente apenas produz mau espírito,

Sem os básicos gestos para ser solícito?

 

O crescente número de seres alienados,

Aumenta cada dia mais os tratos irados,

E faz a leva humana sentir-se orgulhosa,

Com a exteriorização de ofensa raivosa.

 

A reação primária diante do diferente,

Sem nenhuma reação compadecente,

Reflete socialização bem atormentada,

Do ambiente de reciprocidade esvaída.

 

Reagir a tais bandos de espíritos maus,

Requer boa ação sem queimar as naus,

Para que a brabeza nefasta e explosiva,

Não se sobreponha na educação diretiva.

 

 

9

HOMEM DA FORÇA BRUTA

 

Delírios paranoicos viram desejos,

E se tornam insinuantes cortejos,

Do chefão que se pensa ser dono,

Para agir no despeito e abandono.

 

Interpreta tudo à luz das ambições,

E sente-se muito acima das nações,

Para ignorar as regras estabelecidas,

E, abocanhar benesses imerecidas.

 

Mortal tanto quanto outros mortais,

Age sobre pessoas de formas brutais,

E antecipa hora natural de suas vidas,

Para sumirem da Terra com suas lidas.

 

Torna-os iguais pelo silêncio imposto,

Porque mortos não causam desgosto,

E só tolera súditos para imortalizar-se,

Acreditando, com armas, perpetuar-se.

 

Adora e endeusa sua própria coragem,

E pressupõe que a liberdade selvagem,

Das suas leis férreas de força e poder,

Assegurem seu governo de superpoder.

 

Explicita possessivo e mórbido desejo,

Afetando os humanos em seu bom ejo,

E, ameaça, domina, destrói e aterroriza,

Tudo o que em sua tagarelice demoniza.

 

Deixa no ar a séria questão desafiadora:

Poderia uma força de amar ser redentora,

Perante a lei de ato bruto e destruidor,

Dum governante que se acha superior?

 

 

10

NA TÁTICA CONSPIRADORA

 

Acima da arte de negociação política,

Firma-se apreciada ordem impolítica,

Na qual o largo caminho conspirador,

Deixa andar, livre e solto, o impostor.

 

Poder, Estado, nação e bem-comum,

Só para legitimar êxito super-comum,

Da elevação pessoal de conservação,

De um poder livre para a intimidação.

 

O poder carismático acima das leis,

Faz a política do desejo sobre greis,

Na qual a família e suas vantagens,

Fica acima das políticas bandagens.

 

Desejo do mandante todo soberano,

Requer só exército forte e suserano,

Para autoridade da vivência mafiosa,

Que expanda sua pujança ambiciosa.

 

Amparo de autoridade pública eleita,

Aufere-lhe o privilégio para desfeita,

Para desfazer o declarado numa hora,

E mandar mui estimado amigo embora.

 

Sabe que o seu vasto rol conspirador,

Para arrecadar lucros ao ego salvador,

Permite pressionar uma aparente paz,

Mas, com submissão do que lhe apraz.

 

Para ratificar os interessados negócios,

Não se satisfaz com minguados rócios,

E requer a vigência da regra particular,

Para seu domínio direto mais alargar.

 

Sob o Estado de exceção no controle,

Subjaz toda a ação da conversa mole;

Pratica airoso caudilhismo excêntrico,

Como Maga do reino antropocêntrico.

 

Com as contumazes praticas extorsivas,

Arbitra e tutela com ameaças explosivas,

Sobre rivais e chantageia os seus aliados,

Para que sempre se mostrem devotados.

 

Deixa o central da sua função à anarquia,

E, como o gangster, decide tudo à revelia,

Para outros, depois, justificarem o feito,

Mesmo que tenha gerido perverso efeito.

 

Com o seu poder, situado acima de tudo,

Reforça com armas o exército topetudo,

Para espionar e futricar o mundo inteiro,

E conservar-se como um chefe altaneiro.

 

Terrorismo do seu exército sem piedade,

Mata com pérfido requinte de crueldade,

Insensível a todo tipo de vulnerabilidade,

Sabe que nada decorre da arbitrariedade.

 

 

11

O BANDALHEIRO VALENTE

 

Afamado por ser prepotente,

Fica a cada dia mais contente,

Eufórico no sucesso absoluto,

Como o bandalheiro impoluto.

 

Sem restrição séria ao seu agir,

Valida o seu jeito de interferir,

E se homenageia pelo sucesso,

Do seu amplo poder expresso.

 

Sente suporte do seu partido,

E adora o resto todo dividido,

Pois, saquear recursos alheios,

Depende só dos seus meneios.

 

Laureado por afoitos similares,

Venera espertos atos militares,

Para justificar êxito da sua sina,

Mesmo sob a invasão assassina.

 

Como o velho império romano,

Exerce incólume o poder tirano,

De estabelecer a paz pela força,

Que o seu ávido poder remoça.

 

 

Sente-se um augusto na Terra,

Quer possuir tudo até finisterra,

Como um excelso rei mandante,

Sem eventual desafiador gigante.

 

Proclama-se o MAGA do planeta,

Só não vê, e nem sente a muleta,

Do seu suporte elevado e vistoso,

A ceifá-lo em tombo estrondoso.

 

Humanos declarados augustos,

Longe dos sentimentos justos,

Não duram tempo prolongado,

E, fracos assumem seu legado.

 

Como tanto outro bandalheiro,

No seu ar superior e altaneiro,

Elimina humanos na frivolidade,

Mas, vai morrer sem majestade.

 

 

12

REINO EM TEMPO DOS DÉSPOTAS

 

Se 70% da humanidade vive sob déspotas,

As falas democráticas passam por idiotas,

Pois, aprovam-se candidatos autoritários,

Das formas arcaicas e modos totalitários.

 

Velha e simbólica imagem de um bom pai,

Que amplia a identidade como nosso-pai,

Já foi substituída pela imagem agressiva,

Do chefão da horda, altamente ofensiva.

 

Impulso integrista dos tempos de antanho,

Encanta como bela novidade de arreganho,

E permite a ascendência do autoritarismo,

Que se efetiva todo absolutista de cinismo.

 

Os antigos anseios de um pai de segurança,

Cederam aos figurões de rara insegurança,

Que aparecem como fantasmas de hordas,

Escorados por fortes e violentas calhordas.

 

Ao invés de indignação e reação popular,

Recebem o simpático apoio espetacular,

E se configuram no parâmetro da ordem,

Para assegurar combate a toda desordem.

 

Não contam denodadas conquistas sociais,

Mas, uma ampliação das milícias radicais,

Que se interpõem sobre lacunas políticas,

E fortalecem as arenas de brigas acríticas.

 

Ao invés dos projetos públicos e sociais,

Cativam bem mais as arenas sensacionais,

De ataques e verberações aos adversários,

Com deliberações destrutivas de corsários.

 

A ainda propalada e simpática democracia,

Exausta e sem avançar para doce melodia,

Vê seus músculos corroídos pelos tiranos,

Com abundantes cristãos feitos suseranos.

 

Conciliam cruz e espada para luta armada,

Para que a ação adversa seja desbaratada,

E autoritários protejam seu farto acúmulo,

E que qualquer discordante, vá ao túmulo.

 

 

13

DO TRONO À SEPULTURA

 

Exercício do poder de domínio,

Junto com o ambicioso fascínio,

Faz passar pelos altares a oferta,

A implicar em muita morte certa.

 

Inúmeras notícias de feminicídio,

Ao lado das rotinas do fratricídio,

Parecem constituir um rito diário,

Dum cultural e humano itinerário.

 

Quando altares da justa oferenda,

Afirmam e ratificam a reprimenda,

De que elementar anseio humano,

É da primazia de macho soberano.

 

O reforço da hierarquia masculina,

Escolha precípua da justiça divina,

Não admite ascensão de mulheres,

Destituídas de divinos esplendores.

 

Tidas como submissas e atreladas,

Criam-se narrativas esfarrapadas,

De obscurecidas praxes religiosas,

Que as veem frágeis e perigosas.

 

Se os documentos eclesiásticos,

Citam com termos entusiásticos,

Igualdade de mulheres e homens,

Sucumbem perante super-homens.

 

Velha e caduca estrutura patriarcal,

Presa a fundamentalismo ancestral,

Segue negando igualdade de direito,

Ao gênero feminino de inato defeito.

 

O discurso religioso molda opiniões,

E as narrativas esbarram em jargões,

Da sua inépcia para tarefa específica,

E de sua presença apenas honorífica.

 

A quebra de instituições masculinas,

Significa romper as suas disciplinas,

Para que o senso feminino se eleve,

E engendre vida coletiva mais leve.

 

Intuição feminina e a cordialidade,

A riqueza reprimida na sociedade,

Poderia ensejar menos homicídio,

De trono e altar para o feminicídio.

 

 

14

MORTE LACÔNICA DAS REGRAS

 

Tidas pelo conteúdo de verdade,

Regras da elevação de civilidade,

Primavam pela boa convivência,

Na ordem da rígida observância.

 

Como crianças extrapolam ordens,

Jovens se firmam em contraordens,

Adultos ignoram leis estabelecidas,

E focam precedências envaidecidas.

 

No desejo de perpetuar seu poder,

Forçam adversário a se escafeder,

Desrespeitam o seu dote genuíno,

Para prosperar no egoico desatino.

 

Fato elucidativo ocorre com guerras,

Proibidas, cortam como motosserras,

Ignoram natureza, vidas e pertences,

Para procrastinar em funestos lances.

 

Opção por matar e eliminar inimigos,

Sem tolerar culpa, limites e castigos,

E sem respeito a instância superior,

Leva à livre ação do suposto terror.

 

Parece que tudo quanto é proibido,

Torna-se mais atraente e preferido,

Para ser efetuado com pleno direito,

E desprovido de culpa pelo mal feito.

 

Ante possível e eventual condenação,

Existe recurso de defesa e protelação,

Para que nenhuma sanção se efetive,

E nada se cumpra para o seu declive.

 

Como o niilismo come as leis vigentes,

Comandantes de guerra são exigentes,

Para eliminar friamente os adversários,

E reduzi-los ao nada por serem otários.

 

15

EUSTÁQUIO CONTRA O RESTO

 

Interage como o único onisciente,

Para equilibrar o tempo presente,

E na aguda sensibilidade vingativa,

Culpa todo o resto na justificativa.

 

Adora narrar seus procedimentos,

Para repassar os benéficos alentos,

Que a sua ação perspicaz propicia,

No esmero por ampliada cortesia.

 

A aguda paranoia megalomaníaca,

Aufere-lhe a vingativa cleptomania,

Para lucrar com tudo quanto decide,

Sem consciência do jeito que agride.

 

Move-se pela vetusta talassocracia,

De ser dono dos mares na pirataria,

Na crença da absoluta superioridade,

Da força naval em contínua atividade.

 

Venera seu exército forte e superior,

Todo arrogante de efeito apavorador,

Para demonstrar eficiência e astúcia,

E esnobar com sua admirável argúcia.

 

Reverencia jogo de todos contra todos,

Para vanglória salvadora dos denodos,

Que apreciam a paz sob as suas armas,

Insensível a todas as sofridas lágrimas.

 

Tão parecido com o perverso Nero,

Só não toca cítara do canto sincero;

Espalha a sina opressora e assassina,

Como radioso enfeite de brilhantina.

 

Distorce imagem de Deus e religião,

Para o interesse na procrastinação,

De ser o poderoso augusto na terra,

Que mais ameaça, intimida e berra.

 

Exulta com o contingente vulnerável,

Obrigado a submeter-se ao adorável,

Duma excelsa superioridade guerreira,

Para governar na soberania derradeira.

 

 

 

16

EUSTÁQUIO RELIGIOSO

 

Com auto-atribuição de prodigioso,

Eustáquio, aparentemente religioso,

Não deseja ler no Novo Testamento,

Mas texto de Salomão lhe dá alento.

 

Acostumado a valer-se duma religião,

Quando confirma sua procrastinação,

De atos que impliquem em matanças,

Para ampliar suas raivosas vinganças.

 

Insulta a liderança religiosa coerente,

Que lhe cobra uma atitude pertinente,

Às regras internacionais estabelecidas,

E, mínimas posturas éticas consabidas.

 

Sua governança populista arrogante,

Deseja profeta visionário abundante,

Para justificar tudo que está fazendo,

Sem contrapor um corretivo adendo.

 

Que a Religião seja toda despolitizada,

Ou devotamente favorável e moldada,

Ao que Eustáquio deseja para política,

Sob aquela subserviência toda acrítica.

 

Sobre o deus que presume orienta-lo,

Fere mundo humano sem respeita-lo,

Sustenta a doentia ambição facínora,

Para interagir numa agressiva anáfora.

 

Mais do que estimular posturas éticas,

Ou, respaldar sensibilizações poéticas,

Prefere, com controvérsias insultuosas,

Denegrir imagem de pessoas dadivosas.

 

Eventual invocação divina visa seu ego,

Para realizar tudo o que seu superego,

Aponta como alcançável nas ambições,

Que auferem ser excelso sobre nações.

 

Adora os facínoras parecidos com ele,

E se gaba de defensores do que expele,

Que alardeiam a concepção de ordem,

Procedente da sua subjetiva desordem.

 

Acha-se no pleno direito de colonizar,

E do quanto lhe interessa, se apossar,

Sem discordâncias ou as insatisfações,

De quem espera dignas considerações.

 

 

17

EUSTÁQUIO E SUA GUERRA JUSTA

 

Quando fins justificam meios,

Para agressivos bombardeios,

Até alegação de guerra santa,

Eclode da agressiva garganta.

 

Noção de guerra santa e justa,

Abre revide e polêmica robusta,

Contra o Papa da não violência,

Por sugerir suposta ingerência.

 

Se catecúmeno pouco iniciado,

Quer enquadrar fala do papado,

Ou, intui interesses eleitoreiros,

Ou se move em fins flibusteiros.

 

Um incauto na Teologia católica,

Na censura da forma melancólica,

Revela a sua frágil iniciação cristã,

Para agir em prol da vida cidadã.

 

A serviço do augusto Eustáquio,

E no alto coachar de batráquio,

Não entra- bom-senso no apelo,

Porque só vê guerra no desvelo.

 

O ditame religioso de Eustáquio,

Move-se no evangelho pistáchio,

Com o sal sabor do deus pessoal,

Para ser famoso guerreiro triunfal.

 

Nobre Narcizo Eustáquio doente,

O ícone da divindade decadente,

Apenas vislumbra o poder do eu,

Pois, a sua falácia já se escafedeu.

 

Por não admitir opinião perspicaz,

Segue apenas o desejo que apraz,

Para alargar o poder da grandeza,

E enaltecer a sua força de defesa.

 

18

O EUSTÁQUIO DA AMEAÇA

 

Sem parâmetros de direitos humanos,

E sem eira para os audaciosos planos,

Eustáquio, ícone visível da indolência,

Reina sem o pífio sinal de condolência.

 

Calculista, frívolo, vaidoso e orgulhoso,

Não tolera erro, ou adversário vistoso,

Nem percebe sua desnuda fragilidade,

No espelho fictício da efetiva realidade.

 

O mesmo espelho reflete à saciedade,

Ampla cultura patriarcal na sociedade,

Toda misógina, machista, sem defeito,

Que humilha e abusa, para seu preito.

 

Ao explicitar traços racistas e fascistas,

Permite entrever nas estranhas pistas,

Como multidões humanas o elegeram,

Para governo ineficaz, e o reelegeram.

 

A decadência do chamativo rompante,

Revela hodierna sociedade decadente,

Que retornou a tempos pré-históricos,

Onde o matar gerava delírios eufóricos.

 

Piedosa adoração de armas sofisticadas,

Para intimidar as pobres nações acuadas,

Leva à velha tática de fenícios guerreiros,

Oferendando a Molloch, seus prisioneiros.

 

Gosto por invadir e manter dominados,

Firmou estilo arrogante de apaixonados,

A usar a metodologia brutal e arrogante,

Para impor-se como supremo mandante.

 

Ratificou-se um ideal humano guerreiro,

A ignorar trato respeitoso e hospitaleiro,

Para apavorar, com os métodos brutais,

Todos os seus inimigos, tidos como rivais.

 

No sucesso desta vida de larga espoliação,

Nasce um êxito empresarial de ascensão,

De quem manda sob a elevada letalidade,

Colocado acima das leis e da cordialidade.

 

Olham o mundo pelo poder de barganha,

Quanto mais ousados forem na patranha,

Mais venerados ascendem na supremacia,

E enterram a já cambaleante democracia.

 

 

19

EUSTÁQUIO E SEUS ASSECLAS

Se todo o seu modo sádico,

No suposto poder mágico,

É hiper perverso e devasso,

Atrai asseclas no compasso.

 

Guerra anterior à matança,

Cria narrativas de pujança,

Para a aprovação coletiva,

E uma larga ação invasiva.

 

Quando é declarada santa,

Dilui sadismo que espanta,

E justifica a festa e alegria,

Sem sofrimento e empatia.

 

Alegrar-se com sofrimento,

Revela desatino sem alento,

Que se evade da compaixão,

Sem dó e sem comiseração.

 

Se dor alheia não entristece,

Todo agressor se embrutece,

E agradece a bênção divina,

Favorável à patranha sovina.

 

Eustáquio se sente na missão,

De deus nacionalista cristão,

E recebe o envio de pastores,

Para praticar vastos terrores.

 

No tripé Deus, pátria e poder,

Põe quase tudo a se escafeder,

Para matança sem escrúpulos,

E ampliar os seus petúsculos.

 

Ao sentir respaldo de asseclas,

Alarga as suas possíveis aveclas,

Para irradiar nobre onipotência,

Sobre quem segue sua sapiência.

 

Assim Eustáquio e seus séquitos,

Alargam guerra, todo intrépidos,

E pensam agir em nome de Deus,

Sob o fundamentalismo de “Eus”.

 

 

20

O FÃ-CLUBE DO NARCISO EUSTÁQUIO

 

Estava acima da metade da nação,

O fã-clube da venerada adoração,

Do poderio mirífico do rei Narciso,

Para o momento histórico preciso.

 

A tônica peculiar bem articulada,

Da violência política tão dilatada,

Auferiu-lhe a fixa noção bi-polar,

Do bem na tarefa de paz instalar.

 

O outro polo, aquele dos inimigos,

Precisa ser eivado pelos castigos,

Para nunca se tornar hegemônico,

E deve subsumir sob trato irônico.

 

Vasta retórica da violência política,

Aprimorou tática não democrática,

Para afrontar regras e instituições,

E firmar imagem visível às nações.

 

Polarização favorável ao lado certo,

Expandiu lealdade no meio incerto,

Como única via segura contra erro,

De um antagonismo para desterro.

 

Nesta doença endêmica espalhada,

Que vê em outros, ação demonizada,

Ratifica-se razão violenta e agressiva,

Que desrespeita opinião não adesiva.

 

Assim, retórica política espalha terror,

Desinforma sobre seu bom pundonor,

E avança nos resultados da reputação,

Mas, fenece no caos da sua irradiação.

 

Espalhado até em recantos do mundo,

Fã-clube do Narciso Eustáquio iracundo,

Pensa e age como seu modelo explícito,

E, em nome da paz, pratica todo ilícito.

 

 

21

NARCISO EUSTÁQUIO DO PETRÓLEO

 

Narciso Eustáquio alimentou-se do ar,

Do império anglo-americano de voar,

E, andar em carro potente e vistoso,

Para ascender no alto e sublime gozo.

 

Sua cultura relacionada ao petróleo,

Obcecou o seu olhar para o portfólio,

Da cega apropriação da energia fóssil,

Das mãos de todo proprietário indócil.

 

Com os seus superpotentes motores,

Que fascinam imaginários superiores,

Sabe bem que os fluxos do petróleo,

Engrandecem o troféu do seu espólio.

 

Como novo e astuto pirata flibusteiro,

Quer direito de agir no mundo inteiro,

Para consolidar sua base imperialista,

E assegurar a sua perversa conquista.

 

Vive dum direito de vender narrativa,

Da ascensão e velocidade automotiva,

Como mediação que amplia qualidade,

Dum sujeito que se eleva na sociedade.

 

Consumismo amplamente divulgado,

Depende, essencialmente, do legado,

Proveniente de combustíveis fósseis,

Dos fornecedores atrelados e dóceis.

 

Mais potência e mais consumo diário,

Propiciam o seguro e vigoroso ideário,

Para auto-imagem elevada e superior,

De quem come petróleo no seu ardor.

 

O mundo feito refém do combustível,

Resiste à opção de energia renovável,

Pois o petróleo garante a hegemonia,

De quem abastece sedenta freguesia.

 

Nada importam largas desigualdades,

Decorrentes de piratarias e maldades,

Para centralizar comércio do petróleo,

E apossar-se do planeta para o espólio.

 

Com olhar preto do adorado petróleo,

Narciso Eustáquio delira com o gasóleo,

Insensível ao que degrada na natureza,

Pois o deixa poderoso sobre a pobreza.

 

Agenciador de conflitos humanos atuais,

Age todo truculento contra os seus rivais,

E boicota energia não vinda do petróleo,

Porquanto constitui seu deus do espólio.

 

 

22

NARCISO EUSTÁQUIO – O MIRÍFICO

 

Focado numa consciência salvífica,

Narciso percebeu rota magnífica,

Para sobrepor o poder majestoso,

E vender a imagem de portentoso.

 

Ao substituir regras das instituições,

Para validar apenas suas prescrições,

Descobriu um novo mito esplêndido,

De ser reinante forte, nada cândido.

 

A imensa exposição da sua imagem,

Exposta e veiculada como miragem,

Permite que se sinta líder poderoso,

Capaz de criar o mundo maravilhoso.

 

No poder da sua típica incoerência,

Faz o resto monitorar a clemência,

Porque mudança de palavra e ação,

Facultam sua tática para submissão.

 

Sente-se no direito de tutorar países,

Apesar de lhes criar constantes crises,

E intervém sobre tudo o que interessa,

Para alavancar o gênio da sua cabeça.

 

Presumido direito de espoliar petróleo,

No seu intervencionismo para espólio,

Quer que o resto dependa apenas dele,

E se submeta ao que seu delírio impele.

 

Desconsidera tarifas e regras comerciais,

Para imputar suas cobranças excomunais,

E para se apreciar no espelho esplêndido,

A imagem veiculada do lídimo excêntrico.

 

O espelho da sua visualização imagética,

Não requer nenhuma boa postura ética,

Mas estampar em prédios e passaportes,

A figura a simbolizar mirabolantes sortes.

 

No ruidoso tratoraço sobre a democracia,

Eustáquio revela o que de fato reverencia:

Poder para se empanturrar de acumulação,

E deixar o resto do mundo na pífia inanição.

 

 

23

NARCISO EUSTÁQUIO E SUAS AMEAÇAS

 

Sob a alegação de armas superiores,

E espalhadas por todos os arredores,

Narciso Eustáquio, causador de crises,

Revela ao mundo os doentios deslizes.

 

É um entusiasta dos crimes de guerra,

E quer ação de vomitá-la sobre a terra,

Para enfim adonar-se de todo petróleo,

E exercer único e soberano monopólio.

 

Descobriu que a instabilidade mundial,

É momento propício para devassa geral,

Que enseja uma boa chantagem nuclear,

Para avanço de todo petróleo controlar.

 

Ao poder vende-lo a elevados preços,

Poderia, enfim, ampliar seus adereços,

Da sua clara superioridade escatológica,

Para coroar a sua morbidez psicológica.

 

Seus testes para arregimentar aliados,

Já lhe auferem alianças dos atrelados,

Que recebem suas armas sofisticadas,

Para ajudá-lo nas pretensões alçadas.

 

Descobriu que todo o petróleo alheio,

Pode ser seu e firmar-se como esteio,

Abastecer mundo carente do planeta,

E estabelecer o preço da própria meta.

 

Como semideus que aciona as bombas,

Sente nas mãos o poder de marombas,

De sentir-se mais poderoso do planeta,

Que em tudo mete seu nariz de xereta.

 

Porquanto já desrespeita direito alheio,

E mede força do seu poder de bloqueio,

Narciso Eustáquio ignora as soberanias,

Trata insubmissos com nefastas tiranias.

 

Sua diplomacia é a da aceitação passiva,

Do que surge da sua mente toda evasiva,

Para exterminar nações da face da Terra,

E constituir-se o único augusto que berra.

 

Na lógica da acumulação de poder e bens,

Está criando multidões de pobres reféns,

E, na honra de desencadear a 3ª guerra,

Brilha como Hitler e Nero, e a todos ferra.

 

 

 

PALAVRAS FINAIS:

 

ENFIM, ALGUMA ESPERANÇA?

 

Velho dualismo nostálgico,

 Do bem contra todo álgido,

Das oposições adversárias,

Induz a violências primárias.

 

A nostalgia dilui a esperança,

E adora a passada lembrança,

Que paralisa as novas buscas,

Movidas por diárias matuscas.

 

Presa ao que foi bom e certo,

Cria couraça diante do incerto,

E prisioneira do que aconteceu,

Idealiza o seu mundo de museu.

 

Leva a memória ao ornamento,

De um passado de bom alento,

E o enfeita com suas narrativas,

Para as ferramentas defensivas.

 

Desejo da fidelidade ao legado,

De um passado bem fantasiado,

Bloqueia qualquer intuição nova,

E a falsa segurança, nada inova.

 

Na política humana este inibidor,

Cerceia qualquer desejo inovador,

E priva ação de toda discordância,

Para o consolo da sua abundância.

 

Herdeiros da concepção nostálgica,

Produzem ampla tensão nevrálgica,

Que afeta essencialmente a religião,

Que deseja outra humana condição.

 

Ao antever mundo melhor por vir,

A religião joga para o outro porvir,

O que impulsiona a conduta reta,

E aponta para a utopia como seta.

 

Religião quer evadir-se do terror,

Produzido pelo nostálgico fervor,

De salvar o suposto mundo feliz,

Que o passado tão bem contradiz.

 

Esperança ante um risco iminente,

De salvação por conduta decente,

Cai no perigo da visão proselitista,

Ao gerar a violência salvacionista.

 

O mandonismo de ordens e regras,

De muitas rezas e discursos bregas,

Cria os abundantes guetos sectários,

Com agressivos ditames arbitrários.

 

Sem abertura para mundo vindouro,

Estagnam esperança pelo duradouro,

E fitam seu mundo estreito e fechado,

Ignorando o seu entorno desprezado.

 

Esperança de mundo melhor implica,

Em revolução que na história implica,

Em nova violência contra nostálgicos,

Que produzem tantos tratos álgidos.

 

Frear desejos e ambição de poderes,

Da tecnologia para dominar os seres,

Talvez permita alargar a inteligência,

Para mais cordial e boa convivência.

 

Quando a cultura induz a desespero,

E religião pouco alcança no esmero,

Ainda sobra tênue fio de esperança:

Mais amizade, e, menos segurança.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

<center>ENGANO SOB BAJULAÇÃO</center>

  No auge duma tensa e conflitiva situação, Fariseus e herodianos com má intenção, Bajularam Jesus Cristo como verdadeiro, Para en...