Da lei antiga da vingança absoluta,
De Abimalec na posição imploluta,
De vingar toda e qualquer ofensa,
Evoluiu-se à regra da recompensa:
Reação contra toda agressividade,
A retribuir na mesma intensidade,
Engendrou regra do olho por olho,
Para tirar do agressor seu antolho.
Na época já havia uma consciência,
A fazer valiosa e lúcida advertência:
Evitar toda a compulsiva vingança,
E amar o adversário na temperança.
O Livro do Levítico insistia na
regra,
De evitar raiva e uma contrarregra,
Mas, amar outro como a si mesmo,
Para um exitoso e manifesto esmo.
Vazão livre ao instinto de vingança,
Ante uma eventual boa esperança,
Alarga nos sentimentos de rancor,
E da ira sem limites que gera dor.
A simples divergência de opiniões,
Que visam dominar alheias noções,
Produz tanta defesa conservadora,
Insubmissa à tentativa controladora.
Como então diminuir prevaricações,
E as regras sem justas ponderações,
Para solucionar os impasses cruciais,
E ponderar ante dissenções sociais?
Velho senso comum indicava revide,
Perante alguns atos de quem agride,
Mas Jesus surpreendeu os discípulos,
Para que perdoassem os obstáculos.
Se Deus perdoa o coração humano,
Movido por fraqueza e agir insano,
Não deve este teimar na malvadeza,
De se vingar ante a alheia fraqueza.
Proposta do perdão como virtude,
Não serve para alguém que se ilude,
De que vingança constitui ação boa,
Para correção de quem ofende à toa.
A quem quer ser discípulo de Cristo,
Perdoar constitui um ato benquisto,
Que rompe todo o ciclo da violência,
Para reatar a ruptura da convivência.