quarta-feira, 2 de setembro de 2026

RENHIDAS DISPUTAS RELIGIOSAS

 

 

Não são guerras de exércitos religiosos,

Porque tradicionais confrontos raivosos,

Tornaram-se fragmentados por interesse,

De ambição genuína de alguma benesse:

 

Quer-se ampliar poder e muito dinheiro,

Para a conquista de um status altaneiro,

Ou reserva de recursos para acumulação,

Que assegure uma privilegiada situação.

 

Como anteparo para violentos combates,

Criam-se medos para alinhar os embates,

E pânicos sobre os avanços dos inimigos,

Plenos de táticas de mui elevados perigos.

 

Cria-se, então clima e estado de guerra,

Que mobiliza canhão de voz que berra,

E os guerreiros fortes são os pregoeiros,

Que sequer necessitam ser cavalheiros:

 

Em nome de Deus, tudo contra inimigo,

E a política, como melhor aliado amigo,

É constituída na ação missionária ativa,

Para uma vitoriosa e fulcral invectiva.

 

Nem menção sobre questões urgentes,

Ou o descalabro nos meio-ambientes,

Atrai tanto quanto o discurso sagrado,

Para candidaturas a um cargo elevado.

 

Ajuda largamente todo apelo moralista,

Fundamentado no viés sensacionalista,

Fora de básica contextualização bíblica,

Mas, aberto à milícia para ação acrítica.

 

Doações dos influenciadores e Igrejas,

Obras solidárias de até causar invejas,

São enaltecidas por eminentes gurus,

De cabeças encolerizadas como perus.

 

Deus, como a mera estratégia de voto,

Anda solto na falácia de tanto devoto,

A rotular pessoas a serem perseguidas,

Pelas condutas diabólicas e denegridas.

 

Assim as bancadas, na sua diversidade,

Estão unidas numa mesma ansiedade:

Imputar a teologia cristã conservadora,

Como o meio de política restauradora.

 

Ampliam-se os bons cristãos do bem,

Os guerreiros armados que convêm,

Como lobistas do bom reino de Deus,

E violentos pelo alcance de himineus.

 

Mais que Deus, importa a persuasão,

Para salvar elite que perde ascensão,

E garantir suas vantagens conquistadas,

Sem gestar tessituras sociais sagradas.

 

 

 

 

 

FRONTEIRAS DOS MEDOS

 

 

Enquanto valentes cruzam fronteiras,

Medrosos erguem muralhas de eiras,

Para estabelecer os limites às insídias,

E evitar perdas em humanas tragédias.

 

Tantos casos com manifestas invídias,

A revelarem, nas traiçoeiras perfídias,

Ativam as vulnerabilidades humanas,

Pelas defesas ante ações doidivanas.

 

Identificar algo ou alguém como hostil,

Neste tão disputado mundo mercantil,

Perturba o sensível campo emocional,

E leva a estabelecer proteção racional.

 

Contingência humana ante fronteiras,

Nem sempre as considera altaneiras,

E ao se demonstrar o medo na defesa,

Estimula-se o invasor na sua afoiteza.

 

Na exacerbação desta ambiguidade,

Cresce a auto-defesa e agressividade,

Que produz fantasmas ameaçadores,

Para os seguros e desejados fulgores.

 

Proteger demais delineadas fronteiras,

Inviabiliza as aprendizagens fagueiras,

Viáveis na ousadia de romper limites,

Perante quadros dos seguros palpites.

 

Erguer barricadas e fechar fronteiras,

Contra as outras exteriores barreiras,

Quebra o natural dote da socialização,

E ativa um medo contra outra nação.

 

Evidência clara do medo alimentado,

Vira recurso para desejo ambicionado,

E ativa coragem do romper a muralha,

Para invadir e explorar a lídima falha.

 

Ações demasiadamente protecionistas,

Atiçam as alternativas de novas pistas,

E levam à invasão do espaço protegido,

Para, nele, fixar-se de modo aguerrido.

 

Entre os medos e impulsos agressivos,

Que produzem os fanatismos abusivos,

Circula um ar de liberdade e segurança,

Que não carece de arma para vingança.

 

É contraditória a rejeição de pertença,

Para escudar-se na interesseira crença,

De que o protecionismo salva na cerca,

Contra caótica ronda de eventual perca.

 

Quando globalidade requer sítio único,

Soa como mórbido o sectarismo irônico,

De proteger-se contra supostos inimigos,

Que não integram interesseiros amigos.

 

Se os medos fazem parte da contingência,

Moderar a desleal e agressiva ingerência,

Será menos odiosa do que protecionismo,

Que se enclausura no falso isolacionismo.

 

Absurdo senso de formar uma raça pura,

Na história da miscigenação sem candura,

Nega as múltiplas genéticas disseminadas,

Que constituem as ancestralidades dadas.

 

Já não é na guerra que se elimina o medo,

Nem se consagra a valentia como segredo,

Porque, lados envolvidos sempre perdem,

E nada elevam entre os vivos, sua ordem.

 

 

 

 

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

RAZÃO ÚLTIMA

 


O atual sistema dado e implantado,

Arraigou nas consciências um dado:

Vivenciar fé única no lucro sagrado,

Requer uma ação forte por todo lado.

 

Como o deus fenício e babilônico,

O do sistema, é belo deus icônico,

Que sugere a guerra e o genocídio,

Como a arma secreta do subsídio:

 

O ponto vital desta espiritualidade,

O da relação desigual na sociedade,

Como o sistema de religião política,

Facilita a bem controlada geopolítica.

 

Adora a santa propriedade privada,

Com a máxima acumulação somada,

Como milagres oriundos da riqueza,

Bênção auferida à astuta esperteza.

 

Existe somente um campo sagrado,

Outro, o diabólico comunista errado,

Deve ser acuado a inferno do capeta,

E não ultrapassar a rigorosa carapeta.

 

Adora-se lucro, razão última da vida,

O poder excelso nesta humana lida,

Que já não requer uma democracia,

Para proteger a sua bela supremacia.

 

Estado, já associado a arma do capeta,

O que mais atrapalha o céu capitalista,

Deve ser roubado, e, na condecoração,

Receber ainda mais, para acumulação.

 

Inimigo, o que ainda quer Estado forte,

Deve ser abafado na autoritária morte,

Por não adorar o único deus contente,

Com totalitarismo autoritário reinante.

 

A virtude que este deus mais aprecia,

É aquela mentira sedutora que alicia,

E que dissemina o ódio por todo lado,

Para justificar o autoritário mandado.

 

O serviço da mídia vira missionário,

Deste admirável fascismo totalitário,

Que apresenta os profetas modelares,

Para os encargos políticos populares.

 

O deus da pátria, família e mentira,

Ecoa suave como a atraente catira,

Para dançar, na melodia do embalo,

Expectativa dum abençoado regalo.

 

Simpática espiritualidade da riqueza,

Embala prognósticos da pura leveza,

Que o deus das vantagens oferece,

Já que, sangue, guerra e espoliação,

Soam bem num ambicioso coração.

 

 

sábado, 29 de agosto de 2026

SÍMBOLO DA CRUZ E VIOLÊNCIA

 


Tempos tão difíceis e conturbados,

Gestam incontáveis desanimados,

E tantos relegados e perseguidos,

A povoar submundos denegridos.

 

Clássico e visível poder dominante,

Para manter-se vistoso e elegante,

Promove a egolatria dos seus atos,

Distante dos reais e objetivos fatos.

 

Falácia do agir em favor dos sofridos,

Vinda dos raciocínios empedernidos,

Centraliza sob o poder de comandar,

Ações pífias sem aos pobres ajudar.

 

Seu modo de sentir mundo humano,

Leva-os a focar um poder doidivano,

Para implantar um reino onipotente,

No qual se sinta poderoso e contente.

 

Sob o antigo símbolo de cruxificação,

Dispõe de armas de rara sofisticação,

Para eliminar os insubmissos e rivais,

Que ameaçarem os poderes oficiais.

 

Pedro e colegas que seguiam Jesus,

Não gostaram da referência à cruz,

Quando já sonhavam com o triunfo,

Do poder político, sob novo trunfo.

 

Jesus, o messias poderia promover,

Virada de mesa no obcecado poder,

E, como o rei Davi, entrar vitorioso,

Para assumir o comando vigoroso.

 

Um arquétipo de outro messianismo,

A implicar, distante do charlatanismo,

No serviço difícil ante poder corrupto,

Causou-lhes um desencanto abrupto.

 

Ainda mais, porque Jesus intuiu o fim,

Que teria diante do poder oficial ruim,

Com risco de ser pregado numa cruz:

Seria um descalabro de estranho truz.

 

No terrível instrumento da maldade,

 Explicitou-se o amor à humanidade,

Que assumiu últimas consequências,

Para uma lógica de outras vivências.

 

Nos valores por Jesus demonstrados,

A cruz aglutinou estes ricos legados,

Passou a conotar seu modo de vida,

Como a referência para ser seguida.

 

Assim, sem cega adoração da cruz,

Reporta-se a aquele que nela reluz,

E os milhões de sofridos e excluídos,

Desçam da cruz sem serem relegados.

 

O sugestivo convite de tomar a cruz,

Não foi para restaurar a sonhada luz,

Desta reinança, hegemônica e forte,

Sem construir relação de outra sorte.

 

Na imagem do velho servo sofredor,

Abria-se um novo caminho redentor,

Sem guerras, armas ou dominações,

Mas, o de muitos solidários corações.

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

FRACASSO E SOFRIMENTO

 


Na pulsão da vida pela felicidade,

Age o obstáculo da contrariedade,

A boicotar anelos mais profundos,

Que gestam sentimentos iracundos.

 

Apontar o dedo contra a corrupção,

Ainda não representa êxito na ação,

Pois, implica num revide difamador,

Que prostra bom-senso de pundonor.

 

Orgias, com festanças escancaradas,

Com lucro e renda não escoimadas,

Dos que se enriquecem ilicitamente,

Clamam aos céus, por algo decente.

 

Proposta de convívio mais solidário,

Para o mundo menos desigualitário,

Implica no revide de cínico escárnio,

Que a associa a deboche de licórnio.

 

O pior é quando um senso religioso,

Justifica o formalismo como virtuoso,

Para insinuá-lo como exímio redentor,

De todo pobre ser humano e sofredor.

 

Dupla direção da alienação debochada,

Repete mentiras com feição deslavada,

Prometendo coisas vagas e imprecisas,

Para assegurar as suas elitistas divisas.

 

O fracasso acaba se tornando bifurcado:

Coisa alguma avança no desejo almejado,

Menos ainda, volta do prometido e dito,

Pois, pouco se efetiva no rol do interdito.

 

Sobra desconfortável sentimento ferido,

Que até diante de Deus parece preterido,

E, para que a lida não se torne ainda pior,

Precisa assumir o estrago como o fiador.

 

Resta, então, catar o último alento viável,

Para sobreviver num mundo intolerável,

Que faz todos sonhar com muita riqueza,

Mas, poucos a acumulam com safadeza.

 

Como não se tornar fatalista desanimado,

E cultivar paciência contra cultural legado,

Que aponta as mediações para felicidade,

Mas as protela com a sorrateira maldade?

 

Resta admitir que remoção deste legado,

Implica em dolorosa cruz ante falso afago,

Que sabe seduzir e enganar as multidões,

Para submetê-las às suas procrastinações.

 

 

 

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

RELIGIÃO SUBSERVIENTE

 


 

De contraproposta a tipos de governo,

Ao elã libertador da tirania de inferno,

Religião foi cooptada como argumento,

Para o ambicioso e politiqueiro intento.

 

Visível acrimônia do discurso político,

De aspereza azeda sem poder crítico,

Tornou-se arma de franca hostilidade,

Contra o discordante da sua vontade.

 

Basta reparar o nível da animosidade,

Que a política engendra na sociedade,

Escorada em texto bíblico justificador,

Como a poderosa arma, ao seu favor.

 

Religião, tão pouco ajuda a desarmar,

Mas fornece o arcabouço para armar,

À retórica política para autoritarismo,

De governança forte sob raro cinismo.

 

Na boa utilidade da religião à política,

Está a de fornecer identidade acrítica,

Da agremiação religiosa ao candidato,

Oferecido como sujeito bom e cordato.

 

A entidade religiosa aufere cidadania,

Como o sinônimo da máxima alegria,

De garantir a qualquer preço a vitória,

Do seu candidato, para a divina glória.

 

Cria-se a religião atrelada a corruptos,

Sem discernir os seus jogos abruptos,

Que instrumentalizam a fala religiosa,

Ao serviço do poder de ação raivosa.

 

A religião inverte, então, o seu poder,

Legitima postura política como dever,

De sempre combater o inimigo ruim,

A merecer guerra até derradeiro fim.

 

Um mero meio identitário da política,

Esta religião a serviço de uma noética,

Vira o moralismo sem a Cruz de Cristo,

E ética pautada sem serviço benquisto.

 

O papel relevante que sobra à religião,

Celebrar o enlace duma oportuna ação,

Que une belos discursos nacionalistas,

Com as belas técnicas tecnofeudalistas.

 

Frases bíblicas muito bem selecionadas,

Fazem de funções religiosas fanatizadas,

Similares a partidos sem clara ideologia,

Esta versátil mediação para demagogia.

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

SOB A RACIONALIDADE DA GUERRA

 


Assimilada como fato excepcional,

Com uma perduração proporcional,

À ação do mais forte sobre o fraco,

Denotava apropriar-se de um naco:

 

Ao invés de ser decorrência política,

Elevada muito acima da geopolítica,

A guerra impõe o jeito de governar,

E um modus vivendi de administrar.

 

Na sua multiplicidade de produções,

Ela fabrica o perfil político de ações,

Para incorporar adeptos da legenda,

E tornar inimigos, os fora da agenda.

 

Numa política sutil do tecnofascimo,

Para combater o velho totalitarismo,

Promulgou-se supremacia da guerra,

Como instância superior nesta Terra.

 

Ao centralizar fechamento identitário,

Num aparente nacionalismo unitário,

Apela a velho colonialismo espoliador,

Etnocista, sob imagem de ser cuidador.

 

Cria nacionalismo servil e dependente,

No suposto elã para ser independente,

Mas controla as economias e riquezas,

 Para as guerreiras e balísticas certezas.

 

Fabrica inimigos e os persegue na raiva,

Com as armas sofisticadas para saraiva,

E procura proteger os bem agregados,

Para que combatam inimigos odiados.

 

Coopta religião, instrumento de poder,

Para inseminar mentes a corresponder,

Como a imagem e semelhança de Deus,

Para sempre perseguir os inimigos seus.

 

Guerra se implanta e provoca fugitivos,

Vistos apenas como animais impulsivos,

Nada a ver com nobreza da identidade,

Da guerreira e aguerrida racionalidade.

 

Os não submissos aos bons do grupo,

Ou se submetam a humilhante apupo,

Ou que migrem para rumo ignorado,

Sem deixar sinais do seu bom legado.

 

Assim, a guerra ativa indústria militar,

E com sua infra-estrutura de crepitar,

Impõe uma força sobre os indivíduos,

E enaltece seus parceiros contíguos.

 

A guerra, já presente na cosmovisão,

Governa toda cotidiana organização,

Vigilante contra aquele que discorda,

Pois representa ameaça duma horda.

 

Até democracia vira um frágil refém,

Pois todo aquele não ligado ao bem,

É visto como inimigo, o do maligno,

E não merece ser considerado digno.

 

 

 

 

<center>RENHIDAS DISPUTAS RELIGIOSAS</center>

    Não são guerras de exércitos religiosos, Porque tradicionais confrontos raivosos, Tornaram-se fragmentados por interesse, De amb...