sábado, 20 de junho de 2026

MEDO PARALIZANTE

 


Traço peculiar da humanidade,

Permeia indivíduo na sociedade,

Afeta todo sentir afetivo básico,

E acompanha todo ciclo fásico.

 

Age contra ameaças e perigos,

De doenças graves a castigos,

E contra o declínio das forças,

Sob atitudes adversas e boças.

 

Reativa-se com interpretação,

De fato, ideia ou imaginação,

Como o mecanismo protetor,

Para procedimento cuidador.

 

Leva à introjeção de bloqueios,

Sob ameaça e simples meneios,

Que sugerem perigos evidentes,

Para variados riscos candentes.

 

Pode transtornar boas mentes,

Para os riscos reais inexistentes,

E aumentar as suas ansiedades,

Com as angustiadas veleidades.

 

Arma poderosa para submeter,

Ameaça com possível acontecer,

Mediante autoridade ambiciosa,

Para obter uma submissão ditosa.

 

Como efeito natural que paralisa,

O vasto estímulo ao medo precisa,

Atingir âmago do mundo interior,

E ali produzir o estado de torpor.

 

Diluído o medo do compromisso,

Cria-se o vasto mundo submisso,

Do analgésico da fé sob político,

De civil e religioso senso acrítico.

 

Acuadas pela difusão dos medos,

De supostos e suspeitos segredos,

Tantas comunidades estagnadas,

Poderiam ser mais dinamizadas.

 

Faltam pessoas de fé e confiança,

Para o amor agir na desconfiança,

Abrir bom caminho na fragilidade,

E visar elevar segurança e bondade.

 

Libertar a comunidade do medo,

Na frágil teia do falso arremedo,

Requer coragem ante a ameaça,

De ação para possível desgraça.

 

Se medo é mecanismo protetor,

Não pode inibir ação ante terror,

Dos que ameaçam para intimidar,

Afoitos para mais poder alastrar.

 

 

 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

ENGENHARIAS MANIPULADORAS

 

 

Com tanta máquina processadora,

De produção altamente inovadora,

Atinge-se a algorítmica da conduta,

Para conduzir toda humana labuta.

 

Entraram até nas políticas sociais,

E capturam as boas forças vitais,

Para desviar o elementar direito,

Da relação amigável e bom jeito.

 

Estabelecem política do privilégio,

De poucos no precípuo sortilégio,

De manipular toda a informação,

Propensa para subjetiva aspiração.

 

Longe de convergência e consenso,

Importa produzir um largo dissenso,

Favorável ao individualismo egóico,

De um cargo político nada heroico.

 

Distantes de visar vida comunitária,

Agem para sua ambição voluntária,

Sem um desvelo pelo bem-comum,

Só propenso ao oligárquico bondum.

                                                          

Produzem a falsa imagem do amigo,

Que mobiliza ação contra o inimigo,

E engendram política da inimizade,

Para os interesses de arbitrariedade.

 

Fito na apropriação e lucro ilimitado,

Leva à captura dum vasto eleitorado,

Que assegure interesse corporativo,

Sobre qualquer comunitário objetivo.

 

As posturas adversas e discordantes,

Tão pouco submissas e concordantes,

Precisam concordar com a persuasão,

De eleger o bom candidato da retidão.

 

Insinuado como merecedor de adesão,

Ele representa interesseira concepção,

Que manipula todo afeto para repulsa,

Contra todo o distinto da elitista mulsa.

 

Envolvem a pessoa no agir induzido,

Para ser mero e submisso conduzido,

Que já não se vende com o seu voto,

Mas é capturado pelo pensar devoto:

 

Fraudado no elã do saber cognitivo,

Ali se mapeia todo seu voto decisivo,

Para o poder, não emanado do povo,

Mas de sutil e algorítmico jogo novo.

 

A mente afoita por ideia manipulada,

Não questiona a indicação insinuada,

Legitima uma categoria manipuladora,

Como a única de mediação salvadora.

 

Congresso dos amigos contra inimigos,

Esquece anseios para imputar castigos,

Aos que reivindicam ações favoráveis,

Para coletivas necessidades inevitáveis.

 

Se razão da política é ação para o povo,

Do qual emana um poder para renovo,

Cabe ainda escolher quem foi sensível,

Antes de aspirar político poder indizível.

 

 

 

 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

REBULIÇO NO TERREIRO

 


No mundo galináceo do terreiro,

Estabeleceu-se clima arruaceiro,

Pois o velho cacique galo Crispim,

Já perdeu o seu controle chinfrim.

 

Causou a turbulência no aviário,

Pela insubmissão ao seu ideário,

De vistosa política de espetáculo,

Visando aumentar seu tentáculo.

 

Sob conhecida política do medo,

Ameaça com o poderoso segredo,

Das sofisticadas armas de morte,

Para a coletiva paz do seu aporte.

 

Na “pax” de cacique do terreiro,

Aufere-se trono do galo altaneiro,

A dizer a última palavra de ordem,

Para contornar renhida desordem.

 

Outros galos velhos, com esporas,

Arrastam as asas pelas melhoras,

E contradizem velho galo Crispim,

Numa aposta do seu iminente fim.

 

Muitos competem com o cacique,

Franguinhos novos em jeito chique,

Também desejam muito ascender,

Neste idolatrado e atraente poder.

 

Velho Crispim, paranoico e no fim,

Faz a guerra fria por todo confim,

Para ameaçar com armas mortais,

Com os seus escudos excomunais.

 

Os franguinhos novos e espertos,

Com seus drones de tiros certos,

Confrontam potência de Crispim,

Sem se intimidar em seu confim.

 

A assimetria do poder de enredo,

Entre a sofisticação de torpedo,

E esperta astúcia dos frangotes,

Gera tombos e dor nos cangotes.

 

Aliados de Crispim, sem confiança,

Já não almejam a pacífica bonança,

Da “pax” em processo de declínio,

Que ameaça o humano extermínio.

 

O velho Crispim arranhado na briga,

Não perdeu e nem ganhou a intriga,

Mas, o outro galo grande e esperto,

Mira espora afiada para pulo certo.

 

 

 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

SENSIBILIDADE DEPURADORA

 


Traço peculiar da condição humana,

Sensibilidade apreende e promana,

Modo de relacionamento humano,

Para compaixão ou ao agir insano.

 

Manifestada ante dor e sofrimento,

Pode gestar indiferença ou o alento,

Sem dogmas sagrados ou culturais,

E produzir os distintos modos rivais.

 

Mais curativa que política e religião,

Quando eclode de empático coração,

Produz uma terapêutica integradora,

Que abre uma perspectiva inovadora.

 

Muitos veem e sentem a fragilidade,

Das inúmeras pessoas da sociedade,

E induzidos por postura indiferente,

Emitem juízo negativo e displicente.

 

Do precioso traço da sensibilidade,

Pode eclodir grandeza de bondade,

Capaz de mudar modo e convicção,

Para a mais humanitária comoção:

 

Sentir a compaixão das entranhas,

Com sentimentos sem patranhas,

Para reagir diante da dor e fome,

Que a tanto ser humano consome.

 

Os evangelhos plenos de narrativas,

Descrevem cristológicas iniciativas,

Da sensibilidade focada na direção,

De mudança diante da prostração.

 

Para não perpetuar desgraça alheia,

Diante da exterioridade que permeia,

Aparências de julgamento denegrido,

Jesus lidou no interagir compungido:

 

Demonstrou que toda a indiferença,

A causar muita dor e irônica ofensa,

Constituía pecado grave contra Deus,

Porque desvirtuava orgulhosos “eus”.

 

Amenizou dor, miséria e sofrimento,

De multidões relegadas sem alento,

De perturbados e de marginalizados,

Produzidos pelos domínios rotulados.

 

 

 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

NA SINA DO LUCRO

 


Sob a ordem central de produzir,

Economia se recria para seduzir,

Que o grande objetivo da vida,

Requer uma obsessão aguerrida:

 

O bom desempenho gera lucro,

Mediante relacionamento xucro,

Que entorpece toda consciência,

Para evitar uma boa convivência.

 

Belo ideal de unidade e pertença,

Fica para o pobre de cega crença,

Ineficaz ao culto da auto-imagem,

Com adoração da sua bombagem.

 

Quando a especulação é segredo,

De rota para ganancioso enredo,

Definha básico senso de respeito,

E some a outro o genuíno direito.

 

A endeusada economia de morte,

Delineia o rumo da humana sorte,

Pois ascende o esperto malandro,

E sucumbe o resto num meandro.

 

Uma crença de solitário astronauta,

Capaz de ser feliz com a sua pauta,

Afeta o psiquismo com a morbidez,

De relacionamento com insensatez.

 

Na imagem de império conquistado,

Enfeita-se o altar do ego idolatrado,

Para ser reverenciado e consumido,

Como divindade de imenso alarido.

 

Precisa reinventar-se todos os dias,

Para ser apreciado com as magias,

Da pura felicidade com esnobação,

Oferecida como ideal de realização.

 

Eventual sonho favorável à unidade,

Nem perpassa sua ruidosa vaidade,

Porque a sua possessividade egóica,

É assimilada como façanha heroica.

 

Tal projeto requer muita violência,

E larga insensibilidade à decência,

Pois, lídima guerra pela conquista,

É o horizonte único que se avista.

 

 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

HUMANOS MARRENTOS

 


Número de teimosos e auto-confiantes,

Encouraçados por poderes mandantes,

Desafiam qualquer bom-senso humano,

E impõem vasto tipo de projeto insano.

 

Ruidosa demência, adoradora da guerra,

Enche navios e porta-aviões pela Terra,

Com soldado feito para matar e morrer,

Sob as armas devastadoras de estarrecer.

 

Bem que poderiam andar cheios de alegria,

Para nobres interações humanas de euforia,

Com as mediações solidárias e respeitosas,

Mui distantes de guerras frias e ambiciosas.

 

Investida inaudita em academias militares,

Canaliza as potencialidades espetaculares,

Não para a medicina e para a terapêutica,

Mas, para a sinistra matança sistemática.

 

No falso pressuposto de imaginar a paz,

Fruto da estúpida guerra que lhes apraz:

Coagem dominados, declarados inimigos,

A aceitarem, calados, merecidos castigos.

 

Numa contradição da humana virtualidade,

De cooperar para o bem de toda sociedade,

Potencializam a presença do Satã na Terra,

Como criaturas nas quais violência impera.

 

Não seria melhor investir em cooperação,

Com o desvelo e cuidado para a boa ação,

Do elã favorável à sensata solidariedade,

Para matar pífia demência na sociedade?

 

Trilhões de dólares gastos para matanças,

Em nada ajudam as doentias ordenanças,

De sofisticar o armamentismo de morte,

Como sendo ascensão do humano aporte.

 

Os marrentos submetem e fazem sofrer,

Pelo simples delírio que põe a escafeder,

Toda a dimensão cooperadora e positiva,

Para sobrevivência humana, pouco ativa.

 

 

 

 

COMUNICAÇÃO DIGITAL

 

 

No fantástico avanço da técnica,

Criou-se a larga e precípua ética,

De ir além da fronteira do limite,

Para alargar o insaciável apetite.

 

Altamente eficaz com algoritmos,

Altera diários e regulares ritmos,

E torna-se a necessária mediação,

Para a humana intercomunicação.

 

Extraordinário poder de encanto,

Chega a todo ambiente e recanto,

Para ocupar a mente e informa-la,

Sobre tudo quanto possa agradá-la.

 

Preenche informações dos desejos,

Para saciar os mais inusitados ejos,

Mas não ajuda com discernimento,

A fornecer o bom e humano alento.

 

Informa tudo sobre quanto ocorre,

E sobre tudo do quanto transcorre,

E que povoa o psiquismo humano,

Para deixa-lo num cômodo abano.

 

Pensa pelo indivíduo e lhe sugere,

Largo pensamento que lhe aufere,

Onipotência para julgar o mundo,

E inserir-se no seu jeito iracundo.

 

Substitui família e a comunidade,

E ocupa subjetiva personalidade,

Para moldar as suas percepções,

E ser companheira de ocupações.

 

Condiciona modo de pensar e agir,

Com nova modalidade de interagir,

Em que polarização é centralizada,

Em uma agressiva ação desacatada.

 

Ataca-se sob uma mente formatada,

Num espírito de guerra disparatada,

Tudo quanto diverge o pensamento,

Gestado por um algorítmico alento.

 

Assim, cortesia, bondade e respeito,

Cedem para o estimulado despeito,

A companhia diária do vício virtual,

Que não viabiliza uma escuta frugal.

 

Poderia virtualidade não substituir,

Pertença a comunidade para fruir,

Mediação para valiosa auto-estima,

Decorrente de uma coletiva estima.

 

 

Sonho que consumo de informação,

Ajude a criar relacionamento e ação,

Para a vivência de mais cordialidade,

Numa satisfatória vida em sociedade.

 

<center>MEDO PARALIZANTE</center>

  Traço peculiar da humanidade, Permeia indivíduo na sociedade, Afeta todo sentir afetivo básico, E acompanha todo ciclo fásico.  ...