sexta-feira, 13 de março de 2026

ENFIM, ALGUMA ESPERANÇA?

 


Velho dualismo nostálgico,

 Do bem contra todo álgido,

Das oposições adversárias,

Induz a violências primárias.

 

A nostalgia dilui a esperança,

E adora a passada lembrança,

Que paralisa as novas buscas,

Movidas por diárias matuscas.

 

Presa ao que foi bom e certo,

Cria couraça diante do incerto,

E prisioneira do que aconteceu,

Idealiza o seu mundo de museu.

 

Leva a memória ao ornamento,

De um passado de bom alento,

E o enfeita com suas narrativas,

Para as ferramentas defensivas.

 

Desejo da fidelidade ao legado,

De um passado bem fantasiado,

Bloqueia qualquer intuição nova,

E a falsa segurança, nada inova.

 

Na política humana este inibidor,

Cerceia qualquer desejo inovador,

E priva ação de toda discordância,

Para o consolo da sua abundância.

 

Herdeiros da concepção nostálgica,

Produzem ampla tensão nevrálgica,

Que afeta essencialmente a religião,

Que deseja outra humana condição.

 

Ao antever mundo melhor por vir,

A religião joga para o outro porvir,

O que impulsiona a conduta reta,

E aponta para a utopia como seta.

 

Religião quer evadir-se do terror,

Produzido pelo nostálgico fervor,

De salvar o suposto mundo feliz,

Que o passado tão bem contradiz.

 

Esperança ante um risco iminente,

De salvação por conduta decente,

Cai no perigo da visão proselitista,

Ao gerar a violência salvacionista.

 

O mandonismo de ordens e regras,

De muitas rezas e discursos bregas,

Cria os abundantes guetos sectários,

Com agressivos ditames arbitrários.

 

 

Sem abertura para mundo vindouro,

Estagnam esperança pelo duradouro,

E fitam seu mundo estreito e fechado,

Ignorando o seu entorno desprezado.

 

Esperança de mundo melhor implica,

Em revolução que na história implica,

Em nova violência contra nostálgicos,

Que produzem tantos tratos álgidos.

 

Frear desejos e ambição de poderes,

Da tecnologia para dominar os seres,

Talvez permita alargar a inteligência,

Para mais cordial e boa convivência.

 

Quando a cultura induz a desespero,

E religião pouco alcança no esmero,

Ainda sobra tênue fio de esperança:

Mais amizade, e, menos segurança.

 

 

 

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