domingo, 15 de março de 2026

ENTRE EVA E PANDORA

 


Herdou-se da cultura helênica,

A estranha noção patogênica,

De Eva primeira mulher frágil,

A cair na astúcia da cobra ágil.

 

Pandora, primeira mãe grega,

Recebeu uma bela caixa brega,

Como presente de casamento,

Sem poder ver o seu portento.

 

Curiosa abriu a caixa; dela saiu,

A imensa maldade que existiu:

Ganâncias, doenças e discórdias,

A estragar humanas concórdias.

 

Fechou imediatamente a caixa,

Só ficou a esperança cabisbaixa,

Para o consolo frente à maldade,

Que denigre toda a humanidade.

 

Na fragilidade atribuída às mães,

Eva, Pandora e demais mamães,

A noção indo-européia machista,

Espalha elã do ódio monopolista.

 

A pior promiscuidade masculina,

Atenta com perversa ação felina,

Pela destruição da vida na Terra,

Ao centralizar o poder da guerra.

 

Nasce duma promiscuidade suja,

Cresce nas mentiras de garatuja,

Desagrega, destrói, na demência,

Para alargar suposta onipotência.

 

Alimenta esperança de muita paz,

Com a guerra feroz que lhe apraz,

E estabelece a ordem do ódio pífio,

Sem sinal de amor no falso colífio.

 

As maldades evaporadas da mente,

Do lastro hominídeo improcedente,

Que coloca a guerra no auge da fé,

Move âmago de religiões na má-fé.

 

Altamente intolerantes e dementes,

Priorizam ações armadas indecentes,

Na lógica de paz silenciada por medo,

Diante de alguém poderoso e temido.

 

Além da ineficácia como desarmante,

Ante a guerra pelo poder mandante,

Na lida religiosa, desviada a mansidão,

Centraliza-se mais o ódio que correção.

 

Ódio carcome a esperança encaixada,

Na mente guerreira, tão mal ajustada,

Que predomina sobre amor e paz,

E deixa sair a maldade que desfaz.

 

Árvore do bem e do mal no paraíso,

Dos atuais dias de tão pouco juízo,

Apelo à não pretensão de ser dono,

Mas fruição do paraíso de bom tono.

 

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<center>ENTRE NOSTÁLGICO PASSADO E FUTURO ESPERANÇOSO</center>

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