Herdou-se da cultura helênica,
A estranha noção patogênica,
De Eva primeira mulher frágil,
A cair na astúcia da cobra ágil.
Pandora, primeira mãe grega,
Recebeu uma bela caixa brega,
Como presente de casamento,
Sem poder ver o seu portento.
Curiosa abriu a caixa; dela saiu,
A imensa maldade que existiu:
Ganâncias, doenças e discórdias,
A estragar humanas concórdias.
Fechou imediatamente a caixa,
Só ficou a esperança cabisbaixa,
Para o consolo frente à maldade,
Que denigre toda a humanidade.
Na fragilidade atribuída às mães,
Eva, Pandora e demais mamães,
A noção indo-européia machista,
Espalha elã do ódio monopolista.
A pior promiscuidade masculina,
Atenta com perversa ação felina,
Pela destruição da vida na Terra,
Ao centralizar o poder da guerra.
Nasce duma promiscuidade suja,
Cresce nas mentiras de garatuja,
Desagrega, destrói, na demência,
Para alargar suposta onipotência.
Alimenta esperança de muita paz,
Com a guerra feroz que lhe apraz,
E estabelece a ordem do ódio pífio,
Sem sinal de amor no falso colífio.
As maldades evaporadas da mente,
Do lastro hominídeo improcedente,
Que coloca a guerra no auge da fé,
Move âmago de religiões na má-fé.
Altamente intolerantes e dementes,
Priorizam ações armadas indecentes,
Na lógica de paz silenciada por medo,
Diante de alguém poderoso e temido.
Além da ineficácia como desarmante,
Ante a guerra pelo poder mandante,
Na lida religiosa, desviada a
mansidão,
Centraliza-se mais o ódio que
correção.
Ódio carcome a esperança encaixada,
Na mente guerreira, tão mal ajustada,
Que predomina sobre amor e paz,
E deixa sair a maldade que desfaz.
Árvore do bem e do mal no paraíso,
Dos atuais dias de tão pouco juízo,
Apelo à não pretensão de ser dono,
Mas fruição do paraíso de bom tono.
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