sexta-feira, 22 de maio de 2026

ESPÍRITO SANTO SEM DIREITOS AUTORAIS

 


Pentecostes, mais que Páscoa e Natal,

Virou grande festa de direito autoral,

Dos enlevados dum dialeto estranho,

Para certo autorreferencial patranho.

 

Privilégio de falar a língua inteligível,

Advinda dum fonte pouco acessível,

Do exoterismo carismático afônico,

Gera status no discurso radiofônico.

 

Sentir que o Espírito diz o que falar,

Para a própria orientação legitimar,

Vira poder para mapear o cotidiano,

De passivos ouvintes para seu plano:

 

Conquistar multidão de seguidores,

Airosos pelos mais divinos pendores,

Promove fama no pensamento único,

De afirmar lídimo recurso mediúnico.

 

Fala do ressuscitado e sua proposta,

Parece irrelevante na firme aposta,

De virar o eco da língua do espírito,

Para o caminho de acesso restrito.

 

Como esta língua pertence a dono,

E promove seguidores a um trono,

Percebe a ronda de espíritos maus,

Contra suas mui guarnecidas naus.

 

O sectarismo de instância superior,

Aufere um poder rígido e condutor,

Ao modo de rezar, cantar e louvar,

Para Espírito Santo de Deus captar.

 

Com tal motivação tão separadora,

Posterga-se a proposta salvadora,

De Jesus Cristo na língua do amor,

Para o humano processo redentor.

 

Discernir este espírito ante outros,

Requer acuidade de captar noutros,

Mais que falas inspiradas de poder,

E ambição de sobre eles ascender.

 

Se o Espírito não foi um separador,

Que não seja o meio desagregador,

De quem supõe estar impregnado,

Do seu poder superior propugnado.

 

 

 

 

 

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