terça-feira, 31 de março de 2026

CADÊ O JUDAS?

 

 

O que trocou Cristo por trocado,

Terminou a sua vida, enforcado;

Os traidores da fidelidade atuais,

Trocam carinho e amizades leais.

 

Por coisas e por desfrutes banais.

Jogam-se fora os cultivados ideais,

E sob a economia da acumulação,

Inúmeros Judas ludibriam a nação.

 

Tanta amizade virada em decepção,

Indica desfrute sem amor e atenção,

A coisificar toda grandeza humana,

Num produto para egolatria insana.

 

Já sem o enforcamento pela traição,

Os protótipos da antiga banalização,

Trocam qualquer coisa pelo poder,

E deixam a fidelidade se escafeder.

 

Como Judas fez Jesus sofrer muito,

Os traidores, no aparente fortuito,

Destroem mais que a bela aliança,

Porque enganam efetiva confiança.

 

Quanto mais intensa a fidelidade,

Tanto mais dói ruptura de lealdade,

E engendra sensação de abandono,

No largo sofrimento de tirar o sono.

 

Traição fere o círculo de amizade,

Bloqueia largamente a afetividade,

A ponto de produzir ódio profundo,

E proporcionar o entorno iracundo.

 

Por pouca coisa, estraga-se mundo,

De longa história de amor fecundo,

Para decepcionar a confiança dada,

E ficar numa falsidade desandada.

 

Auto-engano na hora de persuadir,

Amplia lento processo do denegrir,

Na conquista de afirmação de poder,

Sem abrir caminho para outro porvir.

 

Solução de tudo através do dinheiro,

Leva a perder noção de companheiro,

E peste humana da cultura de morte,

Segue descarte do desumano aporte.

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