segunda-feira, 6 de abril de 2026

PASTO PARA OS OLHOS

 

 

O momento religioso pascal,

Revelou saudosismo triunfal,

De muita veste e detalhismo,

Do imagético de romantismo.

 

Retorno do traço triunfalista,

Do ornamento espiritualista,

Com encenação impactante,

Moveu muito olhar diletante.

 

A estética indica novo lugar,

Patamar da escuta, ao olhar,

E sem o memorial da fonte,

Adora-se o outro horizonte:

 

Estetização hipermidiatizada,

A ser visualizada e aquilatada,

Bem consumida na tela digital,

Com performática sensacional.

 

Com pouco apelo comunitário,

Importa um majestoso cenário,

Onde ego ecoa para consumo,

De suposta felicidade no rumo.

 

Rito dá lugar a entretenimento,

E droga química do bom alento,

Dilui memória e ato de síntese,

De comunitária núcleo-síntese.

 

Muito selfie para hiperconsumo,

Banaliza o rito para um resumo,

Sem filtrar uma imagem teatral,

Para decidir ante mundo virtual.

 

A farta manipulação de desejos,

Sem contemplação de lampejos,

Faz do memorial o mero teatro,

E a dimensão da fé fica no atro.

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