Foi bem longe no ideal apontado,
Num tirocínio para ser recatado,
E mesmo vivendo bem discreto,
Sente duros ataques de desafeto.
Chateia os ultraconservadores,
Que revivem vetustos fervores,
E querem animação de piedade,
Para fruir calma na sua vontade.
Nada de questionamento de algo,
Mas gesto todo discreto e fidalgo,
Que justifique um modo de vida,
Mesmo numa decadência esvaída.
Outros reclamam por desejar show,
Pois memória do passado já passou,
E querem novidade com a inovação,
De uma liturgia que eleve a emoção.
Ninguém quer saber da sua história,
Se foi íntegra, reta, de boa memória,
Mas deve agradar ao gosto subjetivo,
E lhe apresentar confortante
lenitivo.
Se não se encaixa no gosto esperado,
Ouve crítica denegrida por todo lado,
E junto ao bispo recebe devido
alerta,
Para adequar-se na condição incerta.
Vivendo acuado na solidão taciturna,
O padre sente na dura lida diuturna,
Uma farta cobrança para a eficiência,
Sem reconhecimento pela proficiência.
Precisa, todo dia, escutar muita
gente,
E todos querem vê-lo muito contente,
Sem querer saber de vulnerabilidade,
Que possa revelar na avançada idade.
Vale tão somente pela sua utilidade,
E em tanta voz de pouca afabilidade,
Precisa integrar o silêncio
estridente,
Para aparentar feição toda contente.
Para aumentar a sua silenciosa
agrura,
Defronta-se com corocas sem ternura,
Que mandam e criticam com agressão,
A fim de que se submeta à sua
posição.
Como sujeito pastoral vale na função,
Sem transparecer causticante solidão,
Precisa agradar aos gregos e
troianos:
Divinizar ejos de acalantos
profanos.
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