sexta-feira, 24 de abril de 2026

O PADRE CONSTRANGIDO

 


Foi bem longe no ideal apontado,

Num tirocínio para ser recatado,

E mesmo vivendo bem discreto,

Sente duros ataques de desafeto.

 

Chateia os ultraconservadores,

Que revivem vetustos fervores,

E querem animação de piedade,

Para fruir calma na sua vontade.

 

Nada de questionamento de algo,

Mas gesto todo discreto e fidalgo,

Que justifique um modo de vida,

Mesmo numa decadência esvaída.

 

Outros reclamam por desejar show,

Pois memória do passado já passou,

E querem novidade com a inovação,

De uma liturgia que eleve a emoção.

 

Ninguém quer saber da sua história,

Se foi íntegra, reta, de boa memória,

Mas deve agradar ao gosto subjetivo,

E lhe apresentar confortante lenitivo.

 

Se não se encaixa no gosto esperado,

Ouve crítica denegrida por todo lado,

E junto ao bispo recebe devido alerta,

Para adequar-se na condição incerta.

 

Vivendo acuado na solidão taciturna,

O padre sente na dura lida diuturna,

Uma farta cobrança para a eficiência,

Sem reconhecimento pela proficiência.

 

Precisa, todo dia, escutar muita gente,

E todos querem vê-lo muito contente,

Sem querer saber de vulnerabilidade,

Que possa revelar na avançada idade.

 

Vale tão somente pela sua utilidade,

E em tanta voz de pouca afabilidade,

Precisa integrar o silêncio estridente,

Para aparentar feição toda contente.

 

Para aumentar a sua silenciosa agrura,

Defronta-se com corocas sem ternura,

Que mandam e criticam com agressão,

A fim de que se submeta à sua posição.

 

Como sujeito pastoral vale na função,

Sem transparecer causticante solidão,

Precisa agradar aos gregos e troianos:

Divinizar ejos de acalantos profanos.

 

 

 

 

 

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