Apesar do descrédito sacramental,
Ocorre a busca toda monumental,
Do curandeirismo feito hiper-real,
Fácil, mágico, barato, sensacional.
Diluição da consciência de pecado,
Mera questão subjetiva sem legado,
Aponta as mil terapias bem eficazes,
Com catarses sugestivas e loquazes.
Dentre os de consciência de pecado,
Ocorre um inusitado jeito estilizado,
Confessam lista de pecado possível,
Para comprar afeto de modo visível.
Celular é o instrumento necessário,
Para um rito penitencial ordinário,
E o confessor dos pecados graves,
Se aciona com eletronizadas claves.
Demora para achar lista exaustiva,
De possíveis pecados em descritiva,
E lê a ladainha de diversas páginas,
Supondo perdão de divinas dádivas.
Assim como acessa lista do celular,
Supõe o imediato perdão singular,
Que zera toda transgressão a Deus,
E o tranquiliza sob bênção-de-Deus.
Na semana depois, volta à confissão,
E clica a lista de pecado em
profusão,
Para pedir absolvição de todo pecado,
Sem nada mudar o hábito desafinado.
Seguem dúzias de outras confissões,
Todas idênticas e de similares razões,
E despertam a paradoxal inquietação:
Inteligência artificial ou guru
doidão?
Parece que escrupuloso guia
espiritual,
Sob um suposto informe sobrenatural,
Domina e controla mentes à servidão,
A fim de alargar poder da dominação.
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