sábado, 7 de março de 2026

MURMÚRIO POR ÁGUA VITAL

 

 

Como o povo hebreu no deserto,

Achou que Deus não estava perto,

Traiu-o na esperança propugnada,

Murmurou pela ação insustentada.

 

Na pedra removida, água cristalina,

Mudou proceder ante ação divina,

Mas, não sua volátil perseverança,

Para o pleno alcance da esperança.

 

Nas terras ilhadas por tanta água,

Beber da água vital que deságua,

É o privilégio de tão pouca gente,

Já insensível à água de nascente.

 

Com tanto solo virando deserto,

Por um regime de lei do esperto,

A pouca água não contaminada,

É para parcela humana limitada.

 

A aridez dos desertos subjetivos,

Com ermos de areiais negativos,

Revela pedras a obstruir acesso,

Ante inquieta sede em excesso.

 

Aguda falta de desvelo com água,

Reflete descaso e ação mortágua,

Por uma ambição descontrolada,

Que só quer comida acumulada.

 

Tanta água imprópria a consumo,

Mostra pérfido e doentio aprumo,

Do sistema altamente espoliador,

Desrespeitoso, em nada cuidador.

 

Enquanto uns murmuram de sede,

Outros bebem em ostensiva rede,

E se apropriam do que é de todos,

Para enriquecer de muitos modos.

 

Se a água escassa gera murmúrio,

A ausência de respeito, tão espúrio,

Amplia os desertos de sentimentos,

Dos humanizados relacionamentos.

 

Quando a água do batismo enseja,

Solidariedade, que respeito viceja,

Cristãos murmuram, contra Deus,

Sem foco voltado a similares seus.

 

Desejam muitas provas para crer,

Insensíveis ao humano proceder,

Que não remove grandes pedras,

Das interações de quebra-pedras.

 

Garganta seca de espalhar ódios,

Resseca nascente de bons pódios,

Elimina a vida mais que desertos,

Porque secou todo o sentido vital,

Para conviver sem a arma mortal.

 

 

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