Como o povo hebreu no deserto,
Achou que Deus não estava perto,
Traiu-o na esperança propugnada,
Murmurou pela ação insustentada.
Na pedra removida, água cristalina,
Mudou proceder ante ação divina,
Mas, não sua volátil perseverança,
Para o pleno alcance da esperança.
Nas terras ilhadas por tanta água,
Beber da água vital que deságua,
É o privilégio de tão pouca gente,
Já insensível à água de nascente.
Com tanto solo virando deserto,
Por um regime de lei do esperto,
A pouca água não contaminada,
É para parcela humana limitada.
A aridez dos desertos subjetivos,
Com ermos de areiais negativos,
Revela pedras a obstruir acesso,
Ante inquieta sede em excesso.
Aguda falta de desvelo com água,
Reflete descaso e ação mortágua,
Por uma ambição descontrolada,
Que só quer comida acumulada.
Tanta água imprópria a consumo,
Mostra pérfido e doentio aprumo,
Do sistema altamente espoliador,
Desrespeitoso, em nada cuidador.
Enquanto uns murmuram de sede,
Outros bebem em ostensiva rede,
E se apropriam do que é de todos,
Para enriquecer de muitos modos.
Se a água escassa gera murmúrio,
A ausência de respeito, tão espúrio,
Amplia os desertos de sentimentos,
Dos humanizados relacionamentos.
Quando a água do batismo enseja,
Solidariedade, que respeito viceja,
Cristãos murmuram, contra Deus,
Sem foco voltado a similares seus.
Desejam muitas provas para crer,
Insensíveis ao humano proceder,
Que não remove grandes pedras,
Das interações de quebra-pedras.
Garganta seca de espalhar ódios,
Resseca nascente de bons pódios,
Elimina a vida mais que desertos,
Porque secou todo o sentido vital,
Para conviver sem a arma mortal.
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