segunda-feira, 13 de julho de 2026

PALAVRAS A MULTIDÕES

 


Tantos discursos insinuantes,

Para as multidões anelantes,

Com gestos bem autoritários,

Emitem os juízos temerários.

 

Como na velha sofística grega,

Intenção de domínio escorrega,

Rumo à passividade dependente,

Que facilita comando arrogante.

 

Os gritos e palavras de ordem,

Supõem eliminar a desordem,

Para deixar todos muito felizes,

Sob seus governos e diretrizes.

 

Por isso apraz lembrar discurso,

De Jesus Cristo em seu percurso,

Que recorria a lídimas parábolas,

E, às enriquecedoras metáforas.

 

Diante de multidão empobrecida,

Já refém da espoliação aguerrida,

Jesus, sem a ofender, nem lograr,

Incitava a novo rumo programar:

 

Sair da passividade dependente,

Acomodada sem novo horizonte,

E dinamizar sua vida manipulada,

Para uma solidariedade dilatada.

 

Falou de um estranho semeador,

Que jogou semente no seu redor,

Sobre os espaços ermos e áridos,

Os fecundos, pedregosos e cálidos.

 

Alguém semearia desta maneira,

Desperdiçando semente fagueira,

Para colher os abundantes frutos,

Com a precária chance de lucros?

 

Dava a entender que o semeador,

Era Deus, no seu profundo amor,

Que apostava semente preciosa,

Em toda a interioridade raivosa.

 

Se alguns corações de espinhos,

Sufocam de modos mesquinhos,

Ante as boas palavras semeadas,

Outros frutificam em disparadas.

 

Terra pisada dos corações duros,

Criam fortes couraças e escudos,

Que não deixam Palavra de Deus,

Produzir efeitos nos seus “eus”.

 

Os muitos corações inconstantes,

Aceitam e esquecem em instantes,

Para retornarem à sua velha rotina,

Conformando-se na habituada sina.

 

Há corações inquietos e agitados,

Para bons êxitos e lucros dilatados,

Mas são espinheiras que sufocam,

Os bons sentimentos que os tocam.

 

Entretanto, alguns corações bons,

Como terra boa de múltiplos dons,

Produzem gestos de humanidade,

A render interação com bondade.

 

Os diferentes estados de coração,

Como os momentos de disposição,

Se alternam no cotidiano comum,

Do agir que não leva a lugar algum.

 

Se existem terrenos improdutivos,

Em momentos áridos e agressivos,

Outros se disponibilizam fecundos,

E desmobilizam modos iracundos.

 

Outra acepção da parábola de Cristo,

No testemunho dum jeito benquisto,

Encontra secura, espinho e a aridez,

Mas, poucos abrem brecha na avidez.

 

Na síntese das resistências efetivas,

Intuem-se boas e novas alternativas,

Para, como Jesus, que muito semeia,

Colher poucos resultados na plateia.

 

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