terça-feira, 7 de julho de 2026

GLADIADORES DE ENTRETENIMENTO

 


Um estranho gosto humano,

Aparentemente todo insano,

De apreciar o embate brutal,

Proporciona fantasia triunfal.

 

Já sem ludicidade interativa,

Conta toda força destrutiva,

Vale dominar e vencer rival,

E fruir a glória excepcional.

 

Mais do que personalidade,

Pesa músculo e sagacidade,

Para dominar o adversário,

E deixa-lo sem comentário.

 

O respeito e a cordialidade,

São ineptos para atrocidade,

Porque somente vira herói,

Um musculoso que destrói.

 

Quando um gladiador vence,

Publicidade a todos convence,

De que é mito reverenciável,

Que propicia euforia inefável.

 

Como os coliseus nos impérios,

Erguem-se os estádios etéreos,

Para as pias emoções coletivas,

Com fortes fanatizações reativas.

 

Sob o ânimo do herói vencedor,

Reproduz-se preito a pundonor,

De quem derrota o adversário,

Feito um pobre amouco sicário.

 

Briga-se tenazmente pelo herói,

Que sob a mídia, se reconstrói,

E as rivalidades com inimizades,

Minam as pacíficas sociedades.

 

Similitude ao Espártaco romano,

Ativa a rebeldia de trato insano,

Move até os exércitos rebeldes,

Com as agitações nada humildes.

 

Quando interesse do espetáculo,

Vira sutil e subliminar tentáculo,

De inaudito acúmulo e consumo,

Pouco sobra ao humano aprumo.

 

Como antigo gladiador Flamma,

Muito mito produzido inflama,

Aversão crescente à liberdade,

Para fruir adoração da vaidade.

 

Toda força bruta do gladiador,

Reativa as multidões no ardor,

De ascender ao poder triunfal,

Sob a heroica fantasia colossal.

 

Dura internalização do fracasso,

Vomita mágoa do frustrado laço,

Porque o mito do herói gladiador,

É pobre escravo de manipulador.

 

 

 

 

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