quinta-feira, 9 de julho de 2026

PROPOSTAS DE ORDEM

 


Esperta proposta de campanha,

Com uma sutil ação de patranha,

Aponta a desordem implantada,

E propõe nova ordem inusitada.

 

Apresentar ordem como a saída,

É um atraente ponto de partida:

Cai no agrado do valioso eleitor,

Para votar num eficiente gestor.

 

No entanto, proposta de ordem,

Não se exime de nova desordem,

Perante a condição estabelecida,

E produz conflitividade renhida.

 

Como na vetusta contraposição,

De caos-cosmos na organização,

Almeja-se um cosmos de ordem,

Que gere a inovada contraordem.

 

Quando se supõe que o mundo,

Iniciado pelo equilíbrio fecundo,

Da idônea ordem com harmonia,

Então somos frutos duma ironia:

 

A queda irrecuperável do paraíso,

Nos relega neste diabólico guizo,

De sempre produzir a desordem,

Ante os bons fautores da ordem.

 

Pressupõe-se a ordem absoluta,

Recuperável na forma impoluta,

Na separação do que degenera,

Sob oposição, feita a quimera.

 

Como a finitude é inescapável,

Toda a ordem radical é inviável,

Porque é inerente à desordem,

E a ordem cai na contraordem.

 

Presunção totalitária de ordem,

Que quer que todos concordem,

É crassa ambição pelo domínio,

Para estabelecer o predomínio.

 

É imaginário poder de controlar,

Todo mal a agir de modo vulgar,

E unificar o ambiente desunido,

Para erradicar mal estabelecido.

 

Esquece-se a fronteira dialética,

Que não separa desejada ética,

Na busca implacável de política,

Sem uma necessária auto-crítica.

 

Ordem e desordem se mesclam,

E em todo indivíduo se afalcoam,

Porque a ordem agrega desordem,

E desordem também é uma ordem.

 

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