quarta-feira, 8 de julho de 2026

FALSOS CÃES PEDIGREE

 


Bem aqui, no reino do Morocó,

Lugar encarado como cafundó,

Mundo dos cães, estratificado,

Produz o estranho maranhado:

 

Tem lobete e cachorro do mato,

Tem pedigree que parece gato,

Mas, o que mais tem é vira-lata,

A fazer da rua a área aristocrata.

 

Ali, festa e folia ocupa todo dia,

E o que prevalece, é galhardia,

Vida agitada e amizade coletiva,

Sob interação ruidosa e efusiva.

 

As raízes sem pedigree europeu,

Ou dum norte-americano liceu,

Revelam sua genética derivada,

Como mistura pouco valorizada.

 

Nos cercados super-protegidos,

Latem os cães de fortes rugidos;

O som ecoa como ordem dada,

Para subserviência equivocada.

 

Eles mandam e são superiores,

Ditam regras, como ditadores,

E promovem poucos vira-latas,

 Para serem as suas gentis tatas.

 

Elitizadas sob um pedigree falso,

Movem-se no elitizado impulso,

De serem raça de lugar superior,

Ante mundo de vira-lata inferior.

 

Já descontextualizadas da rua,

E indiferentes à realidade crua,

Correm em superiores estádios,

Mandaletes de pífios presságios.

 

Transfiguradas em reais mitos,

E sob os constrangedores ritos,

Induzem os vira-latas ao delírio,

De adorá-las qual sábio Porfírio.

 

Tais genuínos parasitas sociais,

Desprezam cachorradas banais,

E seguros no poder dominante,

Pintam-se como ideal alienante.

 

O seu modo de ser como molde,

Não esconde um real desmolde,

Do falso pedigree da cachorrada,

Movido pela cultura disparatada.

 

Desapropriam o mundo popular,

Porque só sabem muito explorar,

E apenas deixam as parcas sobras,

Com as suas alienantes manobras.

 

Nada acrescentam aos vira-latas,

Tiram cor e sabor a ruas pacatas,

Como falsos pedigrees exteriores,

A facilitar processos espoliadores.

 

 

 

 

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