Bem aqui, no reino do Morocó,
Lugar encarado como cafundó,
Mundo dos cães, estratificado,
Produz o estranho maranhado:
Tem lobete e cachorro do mato,
Tem pedigree que parece gato,
Mas, o que mais tem é vira-lata,
A fazer da rua a área aristocrata.
Ali, festa e folia ocupa todo dia,
E o que prevalece, é galhardia,
Vida agitada e amizade coletiva,
Sob interação ruidosa e efusiva.
As raízes sem pedigree europeu,
Ou dum norte-americano liceu,
Revelam sua genética derivada,
Como mistura pouco valorizada.
Nos cercados super-protegidos,
Latem os cães de fortes rugidos;
O som ecoa como ordem dada,
Para subserviência equivocada.
Eles mandam e são superiores,
Ditam regras, como ditadores,
E promovem poucos vira-latas,
Para serem as suas gentis tatas.
Elitizadas sob um pedigree falso,
Movem-se no elitizado impulso,
De serem raça de lugar superior,
Ante mundo de vira-lata inferior.
Já descontextualizadas da rua,
E indiferentes à realidade crua,
Correm em superiores estádios,
Mandaletes de pífios presságios.
Transfiguradas em reais mitos,
E sob os constrangedores ritos,
Induzem os vira-latas ao delírio,
De adorá-las qual sábio Porfírio.
Tais genuínos parasitas sociais,
Desprezam cachorradas banais,
E seguros no poder dominante,
Pintam-se como ideal alienante.
O seu modo de ser como molde,
Não esconde um real desmolde,
Do falso pedigree da cachorrada,
Movido pela cultura disparatada.
Desapropriam o mundo popular,
Porque só sabem muito explorar,
E apenas deixam as parcas sobras,
Com as suas alienantes manobras.
Nada acrescentam aos vira-latas,
Tiram cor e sabor a ruas pacatas,
Como falsos pedigrees exteriores,
A facilitar processos espoliadores.
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