Espalhados por todos os meandros,
Seres humanos tidos por malandros,
Por outros, que se pensam os bons,
Produzem os discriminatórios tons.
Defensores da boa retidão cultivada,
Querem deixar os errantes na alçada,
Para serem erradicados de imediato,
Para causarem o prejuízo ao cordato.
Na marca humana da visão sectária,
Sociedade fica dividida e partidária,
Entre os que se pensam como bons,
Para erradicar os dissonantes sons.
Quem discorda é visto como inimigo,
Que não cabe no seleto clube amigo,
E assim se legitima fim do
adversário,
Para que não prejudique bom erário.
Zelo por integridade do grupo seleto,
Bisbilhota no proceder nada discreto,
Para caçar os não atrelados ao grupo,
E evitar que formem algum subgrupo.
Deus certamente não faz tal
distinção,
E tampouco autoriza para intervenção,
Da pureza especial de grupos seletos,
Que querem erradicar seus desafetos.
Não nos cabe esta tarefa depuradora,
Ante a perspectiva de ação redentora,
Porque ser bom e maldoso é inerente,
A todo e qualquer humano ambiente.
Importa agir para coisas boas
fruírem,
Sem as rotulações que tanto denigrem,
Pois, dos pequenos sinais de bondade,
Decorre mais do que força da maldade.
Arrancar toda cizânia do meio do
trigo,
Imagem que agrega o inevitável perigo,
De tornar infrutíferos os valiosos
grãos,
Nos aponta inexistência de guetos
bons.
A presumida separação de bem e mal,
É produzida na interioridade
paradoxal,
E ali, o céu e a Terra estão
misturados:
Sugerem calma, sem atos precipitados.
Sem resolver o oposto enfado
interior,
Não adianta eliminar âmbito exterior,
Porque continuará a persistir o ódio,
Ante outra cizânia no topo do pódio.
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