Diante da regra oficial do sistema,
Foi sobreposto o novo emblema:
Tudo que existe deve gerar lucro,
Mesmo que seja com duro mucro.
Desde corpo humano e sua morte,
Tudo se enquadra na mesma sorte,
De gerar dividendos e bom retorno,
Para venerar um capitalista adorno.
Nesta vertigem fatalista de consumo,
Deve-se transformar tudo em insumo,
No caminho da renda bem idolatrada,
E ser super-feliz em vistosa
disparada.
Assim insinua-se venda de todo jeito,
Ludibria-se em tudo a torto e
direito,
E os roubos se tornam escancarados,
Nos diversos níveis e seus mercados.
Dos que agem em nome do Estado,
Ouve-se todo dia informe propalado,
De “rachadinhas”, desvios e roubos,
Sob os mais escancarados arroubos.
Cada dia mais aumentam golpistas,
Apropriando Estado para conquistas,
Do interesse pessoal e de
oligarquias,
Com falácias sobre boas democracias.
Poluem o ar, envenenam as lavouras,
Espalham venenos em falsas doçuras,
Para captar com lucros mirabolantes,
Maior barganha de forças mandantes.
Nesta configuração tão cleptomaníaca,
Induz-se larga submissão mitomaníaca,
Dos supostos heróis do povo
explorado,
Que não se evade do sufoco humilhado.
Com a mídia a justificar os
mandantes,
Investem-se fortunas para arrogantes,
Que sob brilho artificial da
capacidade,
Ousam desejar boa vida na sociedade.
Mercadoria viciada da cultura a
rolar,
Protagonismo de espertos a controlar,
Ignora literalmente situações
sofridas,
Porque fita suas metas estabelecidas.
Quanto mais ampla a desinformação,
E quanto maior a social fragmentação,
Bastam só os milhões de conectados,
Porque seus vínculos são descartados.
Sobra-lhes alienado sonho na solidão,
Engordado com estímulos em profusão,
Sem mudar o rumo efetivo da vida
real,
E, menos ainda, encontrar seguro
aval.
No protagonismo da hiper-informação,
Não sobra espaço à lídima
organização,
Que substitua o grande ídolo
capitalista,
Para dar lugar a vida menos
consumista.
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