terça-feira, 28 de julho de 2026

PERANTE CLEPTOMANIA LEGALIZADA

 


Diante da regra oficial do sistema,

Foi sobreposto o novo emblema:

Tudo que existe deve gerar lucro,

Mesmo que seja com duro mucro.

 

Desde corpo humano e sua morte,

Tudo se enquadra na mesma sorte,

De gerar dividendos e bom retorno,

Para venerar um capitalista adorno.

 

Nesta vertigem fatalista de consumo,

Deve-se transformar tudo em insumo,

No caminho da renda bem idolatrada,

E ser super-feliz em vistosa disparada.

 

Assim insinua-se venda de todo jeito,

Ludibria-se em tudo a torto e direito,

E os roubos se tornam escancarados,

Nos diversos níveis e seus mercados.

 

Dos que agem em nome do Estado,

Ouve-se todo dia informe propalado,

De “rachadinhas”, desvios e roubos,

Sob os mais escancarados arroubos.

 

Cada dia mais aumentam golpistas,

Apropriando Estado para conquistas,

Do interesse pessoal e de oligarquias,

Com falácias sobre boas democracias.

 

Poluem o ar, envenenam as lavouras,

Espalham venenos em falsas doçuras,

Para captar com lucros mirabolantes,

Maior barganha de forças mandantes.

 

Nesta configuração tão cleptomaníaca,

Induz-se larga submissão mitomaníaca,

Dos supostos heróis do povo explorado,

Que não se evade do sufoco humilhado.

 

Com a mídia a justificar os mandantes,

Investem-se fortunas para arrogantes,

Que sob brilho artificial da capacidade,

Ousam desejar boa vida na sociedade.

 

Mercadoria viciada da cultura a rolar,

Protagonismo de espertos a controlar,

Ignora literalmente situações sofridas,

Porque fita suas metas estabelecidas.

 

Quanto mais ampla a desinformação,

E quanto maior a social fragmentação,

Bastam só os milhões de conectados,

Porque seus vínculos são descartados.

 

Sobra-lhes alienado sonho na solidão,

Engordado com estímulos em profusão,

Sem mudar o rumo efetivo da vida real,

E, menos ainda, encontrar seguro aval.

 

No protagonismo da hiper-informação,

Não sobra espaço à lídima organização,

Que substitua o grande ídolo capitalista,

Para dar lugar a vida menos consumista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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