sábado, 3 de janeiro de 2026

FESTA DE REIS MAGOS

 


 

Estes Reis, sem países e governanças,

Presumidos astrólogos em andanças,

Fustigavam novas luzes na escuridão,

Para ampliar outros dados à missão.

 

Um deles teria sido negro africano,

Outro, um asiático amarelo, gitano,

E mais um esbranquiçado europeu:

Aglutinaram rico consenso plebeu.

 

Os parcos dados sobre sua parceria,

Levam à suspeita duma simbologia,

De quem reconheceu rosto divino,

No estábulo daquele pobre menino.

 

Também a simbólica luz da estrela,

Naqueles hermeneutas da mazela,

Juntava a adivinhação auspiciosa,

Com presságios de ação milagrosa.

 

Reconheceram uma ação de Deus,

Em fenômeno de estrelas nos céus,

E no nascimento daquele menino,

Viram missão para humano divino.

 

Brilharia como uma estrela no céu,

Qual radiosa luz de cometa ao léu,

O nascituro desta estirpe esperada,

Apontaria uma razão de vida ilibada.

 

Se Isaías, há seis séculos anteriores,

Antevia tropéis asiáticos portadores,

De dromedários para boa interação,

Opunha-se às guerras da maldição.

 

Sob luz radiosa desta festa popular,

Somos interpelados para vislumbrar,

A luz que brilha pela vida humana,

Quando se mata com guerra insana.

 

Mateus, perante judeus convertidos,

Sabia de seus sonhos muito antigos,

Que aguardavam o messias judaico,

Mas que não viesse de lugar prosaico.

 

Esperava-se um nobre todo poderoso,

Muito rico, forte com estilo pomposo,

E Deus valeu-se de inusitada inversão,

Para revelar amor na frágil condição.

 

O foco da autoridade governamental,

Aguardava um messias todo triunfal,

E não viu o menino daquele estábulo,

Manifestação de um divino vocábulo:

 

Os magos perante poder estabelecido,

Intuíram que o menino seria destruído,

E para salvá-lo optaram por outro rumo,

Que assegurava o humanitário aprumo.

 

Se clarões em cidades indicam mortes,

A estrela da fé aponta outros aportes,

No jeito de Cristo que brilha no escuro,

Nas noites de ódio com rumo obscuro.

 

Que o brilho da estrela da pobre Belém,

Conduza por outro caminho que contém,

Um clarão propício a bom entendimento,

Para reluzir como um esperançoso alento.

 

 

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