Estes Reis, sem países e governanças,
Presumidos astrólogos em andanças,
Fustigavam novas luzes na escuridão,
Para ampliar outros dados à missão.
Um deles teria sido negro africano,
Outro, um asiático amarelo, gitano,
E mais um esbranquiçado europeu:
Aglutinaram rico consenso plebeu.
Os parcos dados sobre sua parceria,
Levam à suspeita duma simbologia,
De quem reconheceu rosto divino,
No estábulo daquele pobre menino.
Também a simbólica luz da estrela,
Naqueles hermeneutas da mazela,
Juntava a adivinhação auspiciosa,
Com presságios de ação milagrosa.
Reconheceram uma ação de Deus,
Em fenômeno de estrelas nos céus,
E no nascimento daquele menino,
Viram missão para humano divino.
Brilharia como uma estrela no céu,
Qual radiosa luz de cometa ao léu,
O nascituro desta estirpe esperada,
Apontaria uma razão de vida ilibada.
Se Isaías, há seis séculos
anteriores,
Antevia tropéis asiáticos portadores,
De dromedários para boa interação,
Opunha-se às guerras da maldição.
Sob luz radiosa desta festa popular,
Somos interpelados para vislumbrar,
A luz que brilha pela vida humana,
Quando se mata com guerra insana.
Mateus, perante judeus convertidos,
Sabia de seus sonhos muito antigos,
Que aguardavam o messias judaico,
Mas que não viesse de lugar prosaico.
Esperava-se um nobre todo poderoso,
Muito rico, forte com estilo pomposo,
E Deus valeu-se de inusitada
inversão,
Para revelar amor na frágil condição.
O foco da autoridade governamental,
Aguardava um messias todo triunfal,
E não viu o menino daquele estábulo,
Manifestação de um divino vocábulo:
Os magos perante poder estabelecido,
Intuíram que o menino seria
destruído,
E para salvá-lo optaram por outro
rumo,
Que assegurava o humanitário aprumo.
Se clarões em cidades indicam mortes,
A estrela da fé aponta outros
aportes,
No jeito de Cristo que brilha no
escuro,
Nas noites de ódio com rumo obscuro.
Que o brilho da estrela da pobre
Belém,
Conduza por outro caminho que contém,
Um clarão propício a bom
entendimento,
Para reluzir como um esperançoso
alento.
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