segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

ABSURDO HUMANO

 



Extraordinário na capacidade,

E profícuo na generatividade,

O humano torna-se ambíguo,

E age mostrando juízo exíguo.

 

Sob vontade não temperada,

Para convivência respeitada,

Age com o ambicioso desejo,

E move-se para muito pelejo.

 

Sentir-se forte sobre o rival,

Faz engolir lei institucional:

Sem freio a travar agressão,

Age sob a obsessiva paixão.

 

Leis só para os dominados,

Alargam povos subjugados,

Para a mórbida convicção,

De culpa por sua condição.

 

Na acusação de terroristas,

Com os planos comunistas,

Mereceram morte violenta,

Ante poder que a fomenta.

 

Cínica culpa de resistência,

Justifica toda a indecência,

Que alega sagrado direito,

De impetrar o desrespeito.

 

Se o morto nada importa,

Seu sumiço pouco conforta,

Porque elogio ao matador,

Bajula o heroico pundonor.

 

Todo morto desqualificado,

Fica rapidamente relegado,

Sem luto e sem a memória,

Da reta e lídima trajetória.

 

Morte gerada sem lamento,

No luto sem nenhum alento,

Desloca adoração ao poder,

E deixa outros se escafeder.

 

Ao não se cultivar antígeno,

Ante imperialista morbígeno,

Falta voz de que enfim basta,

Matança que, tanto devasta.

 

O império normalizou a guerra,

Bem explica o que ela encerra,

Mas, sem a básica compaixão,

Para amenizar doida confusão.

 

Ao normalizar pífia matança,

Fruto duma doentia reinança,

Desumaniza convívio humano:

Morte, só o espetáculo insano.

 

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