Extraordinário na capacidade,
E profícuo na generatividade,
O humano torna-se ambíguo,
E age mostrando juízo exíguo.
Sob vontade não temperada,
Para convivência respeitada,
Age com o ambicioso desejo,
E move-se para muito pelejo.
Sentir-se forte sobre o rival,
Faz engolir lei institucional:
Sem freio a travar agressão,
Age sob a obsessiva paixão.
Leis só para os dominados,
Alargam povos subjugados,
Para a mórbida convicção,
De culpa por sua condição.
Na acusação de terroristas,
Com os planos comunistas,
Mereceram morte violenta,
Ante poder que a fomenta.
Cínica culpa de resistência,
Justifica toda a indecência,
Que alega sagrado direito,
De impetrar o desrespeito.
Se o morto nada importa,
Seu sumiço pouco conforta,
Porque elogio ao matador,
Bajula o heroico pundonor.
Todo morto desqualificado,
Fica rapidamente relegado,
Sem luto e sem a memória,
Da reta e lídima trajetória.
Morte gerada sem lamento,
No luto sem nenhum alento,
Desloca adoração ao poder,
E deixa outros se escafeder.
Ao não se cultivar antígeno,
Ante imperialista morbígeno,
Falta voz de que enfim basta,
Matança que, tanto devasta.
O império normalizou a guerra,
Bem explica o que ela encerra,
Mas, sem a básica compaixão,
Para amenizar doida confusão.
Ao normalizar pífia matança,
Fruto duma doentia reinança,
Desumaniza convívio humano:
Morte, só o espetáculo insano.
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