José
Malaquias, desde sua infância, foi um grande sonhador. Quis inventar e fabricar
coisas contra as mortes e maldades humanas. Quando se meteu a fazer um carrinho,
faltaram peças e ferramentas. Mais tarde, resolveu fabricar um “estoura-som”
dos aparelhos de som com volume exagerado e faltou tecnologia.
Chateado com
as notícias diárias sobre políticos corruptos, pensou em inventar um
“corrupticida”. Sem êxito, quis inventar um inversor de ódios para haver menos
briga e ódio entre as pessoas. Por fim, virou um curandeiro a indicar o consumo
de chá de Alfafa.
ÍNDICE
Apresentação...
1 – Um “Estoura-Som”...
2 – Um “corrupticida”...
3 – Inversor de ódio...
4 – Chá de alfafa...
Palavras finais...
APRESENTAÇÃO
José
Malaquias estava dormindo. Acordou, sem saber como e porquê, mas, constatou que
estava exultando de alegria. A memória lhe permitiu lembrar, apenas e somente,
que estava escutando seu amigo Osvaldo a lhe contar uma anedota sobre a
insignificância do ser humano poderoso. Empenhou-se para voltar ao sonho, no
insistente desejo de recuperar o fio da meada daquela alegria espontânea, e, simplesmente
não conseguiu localizar o devido acesso.
Andou insistindo para reatar a
conversa gestora da alegria, no trilho do mato escuro da fantasia, porém, nem
ali encontrou a chave da reatância à alegria do sonho. Acordado, e ainda
extasiado com a gratuidade daquela alegria, deduziu que interações humanas, plausíveis
de causar exultações de alegria, poderiam ser incomparavelmente mais benéficas
à vida do que ideais dominantes que levam ao investimento de trilhões de
dólares na trágica sofisticação de armas letais para destruir pessoas.
Na estupidez que costuma anteceder as
guerras, revela-se o sumiço da cordialidade, esta que não carece de
investimentos astronômicos em armas para ameaçar, intimidar, subjugar e matar.
No entanto, muito acima do poder das armas, a cordialidade aviva o sonho, real
e consciente, capaz de apontar para uma convivência de seres humanos, com menos
ódio, menos sisudez, e com muito maior capacidade de fruir, e, sem nenhuma investidura
honorífica para pessoas militarizadas, com equipamentos e armas de destruição.
José Malaquias, não nasceu com dotes
geniais, mas, no ambiente da sua infância, sonhou com muitas obras e
edificações do mundo fantasioso sem nenhum gosto por inventar equipamentos de
morte. Viu, no entanto, que a maior parte dos sonhos não se viabilizou por
falta de equipamentos necessários para utilitários benéficos às pessoas
humanas, especialmente, os precípuos para fazer rodas, eixos, volantes, freios
e estofamentos para um pequeno carrinho de madeira, ou, fabricar uma bola menos
quadrada que as bolas feitas com barbante e pano, únicas ao seu alcance
empreendedor.
Um dia José viu, numa revista, a imagem
de um automóvel encantador, com espaço interno para uma criança motorista.
Resolveu fabricar um auto similar, mas, faltou literalmente tudo o que se fazia
necessário. Teve que conformar-se em andar no seu cavalo, feito com cabo de
vassoura, mas, que na imaginação, corria, empinava, troteava e deslizava em
marchas suaves e ainda relinchava.
José cresceu com múltiplas tentativas
malogradas de inventar algo útil e prático. A certa altura dos estudos,
suspeitou que era possuidor de poderes paranormais para captar quais questões
cairiam nas provas do dia seguinte, através da movimentação de um pêndulo. Não
acertou nenhuma questão sequer. Assim
fez muitas outras tentativas pelo mundo das fantasias, mas, todas acabaram
definhando antes de se tornarem uma utilidade para facilitar algo do senso
prático e objetivo das lidas de cada dia.
1
UM “ESTOURA-SOM”
Um dia, conversando com um técnico da
Siemens, da Alemanha, que veio instalar um aparelho de Raio-X em Januária,
Minas Gerais, José se encantou profundamente com uma narrativa deste técnico. Desejou
gravar e comer as explicações sobre o como ele resolveu um problema de abuso de
som do seu vizinho, mas, não assimilou os necessários passos, porque não
entendia nada de eletrônica. Tal assunto fascinante, viria, contudo, ao
encontro de uma solução para o que José mais se implicava: o abuso de sons, a elevadíssimos
decibéis.
O alemão lhe contou minuciosamente como
agiu para silenciar o som abusivo, produzido na casa do seu vizinho, exibido e
desaforado. Explicou que inventou um aparelhinho simples, portátil, quase
similar ao do controle eletrônico de portões, porém, capaz de potencializar o
volume do som de um aparelho à capacidade máxima possível, de supetão, e que,
com isso, estourava, instantaneamente, os alto-falantes daquela caixa de som.
O alemão comentou o desconforto que
sentia toda vez que era obrigado a suportar um som irritante pelo volume
excessivo. Seu vizinho, metido a doido varrido, chegava do serviço, colocava o
aparelho de som na varanda e soltava uma música, além de chata, em volume
astronômico.
Num belo dia, quando este vizinho se
sentou ao lado da caixa de som, e, enquanto tomava sua cerveja, o técnico
apertou o controle do seu aparelhinho e pode ouvir, no mesmo instante, o
estouro da caixa de som do dito vizinho.
O vivente esbravejeou e deu um soco
na mesa, mas, não saiu mais som daquela caixa. No dia seguinte, na mesma hora,
iniciou-se o mesmo ritual de música exaltada com caixa de som nova, maior e
diferente. O simples aperto no aparelhinho, queimou a caixa de som, da mesma
forma, como no dia anterior. Como o vizinho irritador era persistente na sua
teimosia, no terceiro dia, estava ele, outra vez, sentado na varanda, com as
pernas para o ar, tomando cerveja e vagando no som alucinado, com outro enorme
equipamento amplificador de música. Bastou mais um aperto no aparelhinho e já
começou a irradiar-se um silêncio daqueles bons e agradáveis. A partir daquele
dia, nunca mais se ouviu som na casa deste vizinho.
José Malaquias ficou fascinado pelo
assunto do técnico alemão em aparelhos de Raio-X, e já pensou em conseguir
silenciar os grandes abusadores acústicos de festinhas, nas altas horas da
noite, e o som daquela bateção maluca de tambores irradiados em sons
automotivos dos carros da rapaziada que queria exibir-se como “filhos de papai
rico” e, ainda, daquelas chatíssimas e irritantes propagandas de publicidade
comercial nas ruas. A possibilidade de poder amenizar esta poluição acústica, invasiva
e desrespeitosa, seria um préstimo inaudito, capaz de proporcionar ajuda e
benefício enorme à qualidade da vida humana.
Como José não entendia nada de
eletrônica, nem adiantaria fazer alguma tentativa para fabricar tal
aparelhinho. No entanto, ficou com a ideia. Logo pensou em encontrar um técnico
eletrônico para lhe pedir a fabricação de tal aparelhinho com a idealizada
ideia, no desejo de patenteá-la e ficar rico com a venda do seu “Estoura-Som”.
Até imaginou que para patentear este invento, de suma preciosidade para viver
em ambientes menos abusados por sons absurdos, este somente acionaria seu poder
destrutivo, a partir do limite dos decibéis permitidos pela legislação em
vigor, mas, não observada.
Buscas de lojas de reparos eletrônicos
e explicação do que desejava, frustraram José Malaquias, pois, eles consertavam
e adaptavam peças de todo jeito, mas, não sabiam como produzir e acionar um
disparo do volume de uma caixa de som ao máximo, à distância, a ponto de
estourá-la. Um dia, animou-se com uma nova possibilidade: encontrou um rapaz de
família conhecida, que acabara de passar no vestibular de Robótica.
Foi lá e fez uma exigência categórica
ao rapaz: você tem que descobrir, do jeito quer for possível, - ao longo dos
anos da Faculdade, - a técnica de fazer um pequeno dispositivo para estourar
caixas de som. Peça para os professores, e, depois, nós vamos criar uma empresa,
que, com certeza, vai alcançar prosperidade fora do comum.
Toda vez que José Malaquias
encontrava o rapaz, este sempre voltava com a informação de que nem sequer os
professores sabiam apontar um modo de como fazer tal aparelho. O rapaz se
formou em Robótica, virou técnico exímio em controles remotos, mas, nada que
acrescentasse algo à esperança de um “Estoura-Som”.
O pior para José Malaquias era
lembrar que poderia ter solicitado o endereço ou telefone do perito alemão. Sob
este lapso de atenção, perdeu a possibilidade de escrever-lhe, e este poderia
fornecer-lhe os passos para o utilitário de poder fantástico. O grande desejo
se esbugalhou e virou em nada. Mais um possível empreendimento malogrado.
2
UM CORRUPTICIDA
Passado mais um tempo, diante do
quadro de noticiários enchendo a cabeça com informações relativas a atos
escancarados de corrupção, José Malaquias projetou, na área da saúde, a invenção
de um comprimido barato, bom e eficaz, contra político corrupto.
Seria o valioso “Corrupticida”. Teria
que ser uma ingestão forçada como aquelas de antigos medicamentos contra vermes,
quando ele era criança. Ainda que o político não gostasse, teria que ingerir,
na marra, o comprimido, e limpar a imundície da sua atrevida presunção daquela
acumulação doentia, advinda das suas entranhas. Foi bem naquele período em que
pseudocientistas indicavam Ivermectina contra a terrível pandemia da Covid, sem
nenhuma eficácia. Teria que ser uma medicação em pílulas, capaz de eliminar as
megalomaníacas parolas de autoridades constituídas; mas, os laboratórios sequer
se entendiam sobre o como combater a pandemia da Covid e elaborar remédio
eficaz contra sua infestação.
José Malaquias percebeu que, neste
campo, ocorre muito colonialismo de grandes donos de fármacos, verdadeiros
imperialistas a controlar e insinuar o consumo medicamentoso. Afinal, ali o
fracasso seria evidente mais uma vez. Começou, então, a indignar-se com a
manipulação grosseira e massiva da dominação das mentes humanas para fins
eleitoreiros e de oportunismo selvagem no campo da política.
As interferências transnacionais, os
manipulados cultivos de ódio contra adversários, a determinação pelo pensamento
único, a fim de perseguir e eliminar os discordantes, constituíam uma poluição
sonora das piores possíveis. José
Malaquias anteviu a urgente necessidade de baixar o nível de animosidade, presente
no clima geral na sociedade, e, propensa ao quadro de guerra, com militarismo
acima do bem e do mal. Em nada
visualizava indício favorável ao desvelo pelo bem-estar dos cidadãos, mas, tão
somente, o exercício da força bruta sobre indefesos. Seu Zé divagou sobre a
possibilidade de criar-se um comprimido contra esta monstruosidade humana.
Ao lado da morbidez dos mais poderosos deste
planeta por matar similares, e da sua pretensão doentia pela acumulação,
deveria este mecanismo anormal ser amainado, sem delongas, através de alguma
pílula, com efeito similar ao da recomendada a psicóticos, paranoicos, fóbicos,
esquizofrênicos e supermachos, a fim de frear suas compulsões hiper-ativadas.
Na sua inquietude por indicar, pelo
menos, alguma coisa que pudesse diminuir ódios vociferantes, e alargados pelas
fake-news, como terror a invadir as mentes humanas pobres, infensas e ordeiras,
via que esta ação estava produzindo seres humanos monstruosos. Estes se moviam
precipuamente para dominar através do bombardeio de informações falsas, com notícias
canalizadas nos parâmetros da diabólica obsessão do pensamento único. Na intuição do Zé, teria que se produzir um
calmante capaz de amenizar este desvario pelo poder de mandar.
Algo humano, mas, totalmente
irracional estava sendo esta briga de certos indivíduos pela conquista de um posto,
ou de um cargo no poder instituído, com a pressuposição de somente trabalhar
pelo bem do povo ou de setores da sociedade, mas que, - depois - não admitiria jamais largar o osso do
carguinho, tornando-se, gradualmente, mais mentiroso que antes, passando a mão
nos lugares indevidos, e fazendo de tudo para não mais deferir este poder a
outros.
3
UM INVERSOR DE ÓDIO
José Malaquias intuiu que se fazia
necessário inventar um aparelhinho eletrônico a ser instalado, ao lado das
cordas vocais, com a dupla função: a primeira, inverter falas agressivas e
odiosas, por palavras meigas e acolhedoras; a segunda, instalar, paralelamente,
uma extensão sem fio com um micro-chip na ponta do nariz, capaz de piscar em
pequeno ponto de luz vermelha, toda vez que o político vociferasse contra
supostos adversários, apenas para afirmar-se como melhor, superior e mais
ambicioso.
Assim como já existe largo uso de
tradutores de línguas, o salto para um inversor de ódios, seria a mais exuberante
boa notícia.
Essa teatralidade insuportável da
maior parte dos estabelecidos no poder, - que encena lisuras e bondades, nos
ditames do velho vício paternalista, - estaria
gerando uma sociedade submissa, e a deixava refém dos espoliadores, já
desprovidos dos genuínos bons sentimentos humanos.
Além daqueles aparelhinhos da
micro-engenharia, seria plausível produzir outro remédio auxiliar de um
receituário mais homeopático: todo serviço exercido em cargos públicos, deveria
ser pago. Ao contrário dos super-salários, que eles estabelecem para suas
vantagens e privilégios, quanto mais elevado o cargo do poder, mais eles teriam
que pagar, todo mês, para o exercício da sua função, e, este dinheiro teria que
ser destinado, integralmente, à coletividade. Seria, por conseguinte, uma
sociedade mais democrática do que a vigente.
O fracasso deste delírio se
evidenciou antes mesmo de vir a constituir-se em eventual projeto, pois, sem a
bênção das grandes mídias, ele nem se viabilizaria e, nem, tampouco, entre os
frangos do galinheiro do José Malaquias. Restaria ainda uma última chance de
colaborar para a diminuição drástica dos ódios humanos, ampliados pela
fantasia, justificados como necessários, e, exercidos para legitimada
destruição de pessoas insubmissas.
4
CHÁ DE ALFAFA
Como os grandes mecanismos de ordem
para manter paz entre similares humanos, quer religiosos, políticos, ou os da
guerra, se delineiam como insuficientes e, literalmente ineficientes, José
Malaquias intuiu algo mais discreto, haurido do mundo do curandeirismo. Um chá
caseiro, fácil de ser cultivado e sem grandes custos, poderia evidenciar-se, alastrar-se,
e, qual virose invasiva, chegar aos mais abscônditos confins do planeta.
Como tanta propriedade terapêutica é
extraída de plantas, José Malaquias se enfurnou em torno das propriedades e dos
múltiplos poderes da alfafa, específicos contra a sintomatologia das piores
mazelas humanas da atualidade.
O chá de alfafa permitiria o “pulo do
gato” para uma grande guinada na humanidade, porquanto devolveria o juízo da
cabeça – há tempo deslocado para as tripas, - a regressar ao seu nobre espaço, no oco da
cabeça vazia.
A má digestão das discordâncias e das
sugestões edificantes para uma convivência, cordial e serena, ante aumento do
machismo exacerbado, o azedume de um fígado mal orientado pela bílis dos
incontáveis raivosos de nossos dias, tudo isso, - que vem lá de baixo, - teria
que encontrar ação de antídoto, para permitir que o juízo volte ao seu
específico lugar do cérebro, sob a boa assessoria do coração, capaz de
propulsionar bons sentimentos humanos.
Todas estas mazelas doentias, que se
estabeleceram no submundo das entranhas, poderiam ser radicalmente acalmadas
com um simples chá de alfafa.
Alfafa seria a estrela a orientar o
caminho na escuridão do deserto humano. Suas múltiplas funções terapêuticas,
tão pouco conhecidas, poderiam conter o segredo, ainda não desvendado, para um
convívio pacífico entre seres humanos. Seu primeiro e mais importante efeito,
atingiria os metidos a supermachos, pois, o chá de alfafa é, certamente, o
melhor “brochante”, embora poucos o conheçam por tão valiosa propriedade.
O segundo efeito miraculoso do chá de
alfafa está na sua ação calmante, tão sumida das interações humanas. Acalmar os
ânimos mal-humorados, raivosos e vingativos, seria uma mediação capaz de mudar
substancialmente as falas e os discursos políticos.
O terceiro efeito, imprescindível
para o desarmamento da bílis negra que joga azedume no fígado e não deixa que o
estômago, com todos os seus exércitos de micro-organismos, consiga digerir os desrecomendados
alimentos super-processados, regados com a saliva das maldades humanas de
inventar e ruminar fofocas, sob o excelente poder digestivo, permitiria que o
chá de alfafa poderia propiciar benefício incalculável ao gênero humano.
Uma quarta propriedade do chá de
alfafa está no seu espantoso poder de fazer mulheres aumentarem a produção de
leite. Com tanta criança subnutrida com a ingestão de leites da química dos
interesseiros lucros, o abundante leite materno, criaria crianças saudáveis,
com os necessários anti-corpos, para conviver com a imensurável presença de
micro-organismos, a ponto de crescerem fortes, sadias e predispostas, mais para
a ludicidade e lazer, do que para o induzido mapeamento diário do pensamento
único de viver para matar, tão exaltado na venda dos brinquedos de armas de
guerra. Se o principal brinquedo é o de super-heróis que apenas matam, poderia,
este precioso tempo de uma amamentação, combater a aparente e inocente ocupação
em celulares com joguinhos que fazem seus cérebros se deslocarem para algum
lugar, do estômago para baixo, e, aprender algo precípuo e fundamental do ser
humano.
O leite materno, com o equilíbrio dos
anti-corpos, poderia repassar, no colo das mães, as profundas intuições femininas
pela vida, e, não pela morte. Com o leite, os bebês poderiam ser iniciados no
mundo da simbiose do bem-querer.
Sem mencionar as demais propriedades
terapêuticas do chá de alfafa, estaria nele o genuíno remédio, nada atrelado
aos grandes e poderosos grupos farmacêuticos.
O chá de alfafa entraria, como a
brisa suave dentro das casas, e, através do “corpo-a-corpo” das boas conversas,
poderia disseminar-se até chegar a toda a humanidade, para, enfim, após tanto
neurônio queimado em favor do saber humano, possa este chá de alfafa, na
gratuidade de um dos grandes dons da natureza, elevar a dignidade e o respeito entre
seres humanos.
Os trilhões de dólares investidos por
pessoas, que se dizem ajuizadas e de bom senso, para sofisticar cada dia as
armas de destruição, poderiam, em suma, a partir do chá de alfafa, serem
revertidos para pensar em construir lares, praças, hospitais e jardins, a fim
de que o bem-estar de todos os seres vivos, neste grande jardim, possa enaltecer
a Terra.
PALAVRAS FINAIS
Das fantasias infantis, aos outros
sonhos de elevação dos pendores do quanto os humanos poderiam ser mais refratários
diante do poder da publicidade midiática, sobretudo, da manipulação de
poderosos e grupos hegemônicos, para lhes apontar rumos menos truculentos.
Neste itinerário, que a cada dia mais
apavora, com riscos reais e efetivos da iminência de uma grande destruição
humana, acaba falando, ainda mais alto do que os sons automotivos, o som de
paranoicos desvairados e deslumbrados pelo seu super-poder.
Quando o foco central das apostas
está na mira das armas mais potentes e sofisticadas para matar pessoas, já não
reina humanidade, mas, a doentia obsessão por dominar outros seres. Diante deste
obscuro horizonte, que se desvenda aos olhos, sonhar e debochar de forma
simples e irônica da estupidez humana, na iminência da tragédia da vida no
planeta Terra, permite uma catarse intuitiva, para além de invenções práticas e
objetivas, a fim de que sonhos similares de muitas pessoas, possam configurar algo
similar à mediação atribuída ao chá de alfafa.
Alfafa constituía o trato nobre aos
milhares de cavalos nos quartéis de formação de soldados para a guerra. Feno de
alfafa deixava os cavalos, fortes, saudáveis, bonitos e dóceis às ordens dos
bravos montadores.
Quem sabe, na alegoria da alfafa,
homens tratados diariamente com quantia razoável desta fonte de proteínas e
outros benefícios à saúde, poderiam situar o juízo no seu devido lugar e se
tornarem sujeitos sadios, elegantes, corteses, respeitosos, saudáveis, para lidas
e andanças, que não sejam as de perseguir e matar. Então, ainda sobrará, chance
para exultação nas gratuitas alegrias, a partir da partilha de sonhos.
Crer no malogro da capacidade humana
de se transcender para níveis de maior capacidade de convivência e respeito,
seria uma tragédia e um fatalismo cruel. Por isso, sonhar, ainda pode
evidenciar algo que possa contribuir para uma saída do marasmo de pensar mais
com as entranhas do que com a síntese entre cérebro e coração.
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