Quando a maioria dos seres humanos,
Sobrevive dominada e sob desenganos,
Dos mandantes autoritários em
otários,
Submetem-se a poderosos signatários.
Violento caciquismo mundial em alta,
Invade, ameaça, sequestra e assalta,
E adoração da personalidade violenta,
Cria a aliança para guerra
peçonhenta.
Índice:
Apresentação...
1 – Metido a Xerife...
2 – Dragão simbólico...
3 – Espetacularização da piromania...
4 – Guerra e a suposição de paz...
5 – Paranoico sádico...
6 – Relação tirânica...
7 – Heroísmo...
8 – Levas histriônicas...
9 – O mito indômito...
10 – Poder do desejo insano...
11 – Poder da calúnia...
12 – Utopia da fartura...
1
METIDO A XERETA
Anda de olho inchado por ser xereta,
Sem largar sua megalomaníaca treta,
Intromete-se na organização alheia,
Como sendo da sua particular aldeia.
As veias de suas mãos, bem dilatadas,
De tanto catar as fontes afortunadas,
Já não conseguem fazer algum afago,
E menos ainda, reparar algum estrago.
Vive da paixão furiosa e descontrolada,
Que solta ódio duma emoção malcriada,
E estimula todo dia, potencial
agressivo,
Doutrinado para largo poder
destrutivo.
Entende que sua violência é
necessária,
Pois precisa dormir na cama
pecuniária,
Antevendo que vai servir como
augusta,
Para a sua paranoia honorífica e
vetusta.
Como o velho e conhecido
bisbilhoteiro,
Anda metido em suruba, feito
flibusteiro,
E todo dia soma encrenca por ser
xereta,
E o deixa carrancudo com a feição
careta.
Enxerido em tudo que é feito no
entorno,
Fita os olhos inchados, por mais
suborno,
Do quanto que não pertence à sua
conta,
Com a arrogante e intempestiva
afronta.
Em tudo quanto lhe renda larga
vantagem,
Da sua interesseira e desleal
traquinagem,
Vê que poderia ter sido largamente
maior,
Mas que evitou que viesse a ocorrer o
pior.
Assim o mequetrefe se pensa acima de
Zeus,
E quer ter todos os humanos submissos
seus,
Para aquilatar o seu poder infinito e
eterno,
Mesmo que já viva o mais legítimo
inferno.
2
DRAGÃO SIMBÓLICO
Ante império romano decadente,
Um analista atento e consciente,
Apontou para horizonte inusitado,
Na frente do império acanalhado.
O dragão, feito império da morte,
Com o seu rabo comprido e forte,
Derrubava as estrelas reluzentes,
Que iluminavam atos indecentes.
O redator do livro do Apocalipse,
Em animada mensagem de elipse,
Vê o declínio iminente do dragão,
E olha o adiante da complicação.
Na potência hegemônica teimosa,
Nem se admitia queda desastrosa;
Disputava-se o controle comercial,
E subjugava-se por domínio global.
Enquanto matava supostos inimigos,
Outro império, os deixou mendigos,
E olhar de fé apocalíptica apontou,
Para nova interação que despontou.
O dragão derrubou valiosas estrelas,
Dois terços, abriam suas chancelas,
Para modo bom e genuíno de Cristo,
Visando um conviver mais benquisto.
Olho focado com a outra consciência,
Deixava romano terror e maledicência,
E irradiava ação convincente e
cordial,
Jeito de Jesus, para respeito
mundial.
A ruidosa queda do império decadente,
Secundário ante um mundo ascendente,
Na perspicácia aguda de homem comum,
Apontava alegria da esperança
incomum.
O rabo de outro império, vitupera o
ódio,
No desespero por manter decaído
pódio,
E discurso violento na batalha
financeira,
Já deglutiu o rabo no fogo da nova
lareira.
Ameaça com bomba, bloqueio e ataque,
Já não acode argumentação de achaque,
Pois cada país deseja maestria
soberana,
Com a interação que mais países
irmana.
3
ESPETACULARIZAÇÃO
DA PIROMANIA
O imperador Nero mandou incendiar
Roma,
Para fazer um poema sob delirado
sintoma,
Surdo e mudo aos efeitos de
repercussões,
Mas, cioso para reafirmar suas
alucinações.
Na iminência da queda de outro
império,
A piromania sobre mandante deletério,
Incendeia o mundo de medos e pavores,
Em torno do poderoso fogo dos
terrores.
Escorado por marionetistas oportunos,
Alimenta larga rapinagem dos gatunos,
Para espoliar de outros o que
interessa,
E acumular com a malvadeza confessa.
Marionetagem de exuberantes alegrias,
Esconde fome e sede sob belas magias,
E avança sobre as terras e os
minérios,
Com duros argumentos e apelos sérios.
Pratica-se o racismo contra
imigrantes,
Deportados como sujos e repugnantes,
Sob o mito que justifica a
desigualdade,
E libera para prática da crassa
maldade.
Se uma antiga tradição cobrava
respeito,
No devotado amor, livre de
preconceito,
Relativiza-se este valoroso
mandamento,
A âmbito fechado de grupos para
alento.
Na seleção das pessoas para a
sociedade,
Deporta-se em massa em literal
maldade,
Tudo quanto não se enquadra num
perfil,
Da ambição despótica da lida
mercantil.
Interesse voraz de poucos
privilegiados,
Justifica desprezo a mundos
relegados,
Transforma sua opulência e sonho
lindo,
Marietado para distrair pobrerio
infindo.
Na perversa negação da igualdade
social,
Sequestrou-se mandamento exponencial,
Dum amor ao próximo como a si mesmo,
E deixa inumeráveis humanoides a
esmo.
4
GUERRA E
SUPOSIÇÃO DE PAZ
Como na antiga educação espartana,
Motivação de guerra a todos irmana,
Desde narrativas sobre chefes fortes,
A treino para os militarescos
aportes.
Na vasta literatura sobre
super-heróis,
E apologética de seus luminosos
faróis,
Induz-se à escolha pelo lado
vitorioso,
Para esperar a ação do seu elã
brioso.
Volumoso repicar de cascos de
cavalos,
Indicava o régio domínio sobre
vassalos,
Do rei afoito pela tirania
conquistadora,
A obrigar jovens por guerra
exploradora.
Hoje, a exaltação dos drones e
foquetes,
Substitui os jovens humanos
mandaletes,
Mas, forja-os para o ódio aos
inimigos,
E educa para os militarescos
fustigos.
A exaltação da superioridade de
armas,
Endeusa heróis de destruidoras
carmas,
E os condecora com seu nome em ruas,
Praças e prédios, como luminosas
luas.
Neste mundo de solitários
anti-sociais,
Jovens para romperem as lidas banais,
Encontram a educação para a matança,
Razão de heroísmo para autoconfiança.
Nesta violência universal que se
alarga,
Estimulada por insinuação tão amarga,
Espalha-se, na pífia estupidez
humana,
Insanidade para produzir guerra
insana.
Quando máquinas de erradicar humanos,
Enlevam os países prepotentes e
tiranos,
Então as narrativas sobre poderes
bélicos,
Já apontam fracasso dos atos
antibélicos.
Se as cavalarias espartanas ágeis e
fortes,
Contavam com narração para tais
aportes,
Nosso mundo, movido por ódios
mortais,
Somente inova com narrativas nada
letais.
Pensar em guerra pela obtenção de
paz,
É a argumentação balofa que não
apraz,
E que, até apela ao deus que
concorda,
Com a apelação de que ele não
discorda.
Pensar rol do pensamento hegemônico,
Significa continuar no viver
anacrônico,
De que matar muitos supostos
inimigos,
Gera humanidade entrelaçada de
amigos.
5
PARANÓICO SÁDICO
Como não engolir bombardeio de mídia,
Que enaltece paranoia sádica de
insídia,
A exaltar o ódio como plena
liberdade,
Ferindo a consciência e toda
sociedade?
Morbidez humana a enaltecer o sádico,
Deixa o mundo inteiro em clima
fadigo,
Que precisa apreciar a orgia
paranoica,
Como se fosse uma governança heroica.
O explícito desprezo à moralidade
social,
E sua crassa insensibilidade ao
racional,
Fazem dele monstro comedor de
cultura,
Para exaltar poder autoritário da
ventura.
Desrespeito da lei e códigos
estabelecidos,
Leva-o a descartar os humanos
preteridos,
Pois nada acrescentam à sua
megalomania,
Para uma pretendida e crescente
capitania.
Olhares expansionistas legislam como
leis,
E imputam insegurança e migração às
greis,
Simplesmente para afirmação do seu
poder,
De aterrorizar para fruir sob seu
bel-prazer.
O descarte das levas humanas
dependentes,
Espoliadas no colonialismo sem
precedentes,
Revela a submissão forçada à ordem
tirânica,
Da ambição paranoica, já perversa e
satânica.
Sabedor que as declarações
contundentes,
Deixam o séquito dos amoucos
contentes,
Para esnobação cruel à política adversária,
Confirma a sua reinança pirata e
corsária.
No aparato dos que o sustentam no
poder,
Estão outros afoitos que não visam
perder,
Os privilégios obtidos com lucros
abusivos,
E já insensíveis com os vitimados
aflitivos.
6
RELAÇÃO TIRÂNICA
Midiática guerra messiânica,
Veicula uma tirania ufânica,
De quem já não quer servir,
E age como deus do porvir.
Na sua doentia onipotência,
Insensível a toda clemência,
Alimenta vontade de poder,
Para continuamente crescer.
Sem ver chance de bondade,
Fala e age com cega maldade,
Pois sabe que o poder cresce,
Quando submisso o enaltece.
O instinto de domínio absoluto,
Torna-o um fascínora impoluto,
Por aquilatar o seu ego doente,
A deixa-lo eufórico e contente.
Demonstração do excelso poder,
Ajunta os bilionários para aceder,
Na larga aspiração dominadora,
Sem mínima ação humanizadora.
As ordens e gestos contundentes,
Ilustram os seus ares onipotentes,
A banalizar a sua pérfida maldade,
Para impor um desejo à sociedade.
Neste espírito primitivo de domínio,
Transparece o seu mórbido fascínio,
Sem memória do absurdo hitleriano,
Para repetir o mesmo modo insano.
Nada importam os anelos humanos,
Ante gana de patamares doidivanos,
Que ignoram as relações respeitosas,
E nem valorizam afeições amistosas.
Na iminência de novos holocaustos,
Preconizam-se os tempos infaustos,
No lugar do projetado paraíso feliz,
Dum neoliberalismo de falsa motriz.
7
HEROÍSMO
DOS PSICOPATAS
A novidade dos hodiernos dias,
Cheia de boas mentes baldias,
Enseja em cérebros psicóticos,
Mover as massas de neuróticos.
Os seus transtornos cerebrais,
Gestam as guerras excomunais,
E animam os cérebros coletivos,
Em combates férreos e efetivos.
Seu fascínio perverso por armas,
De supostas liberdades enfermas,
Enaltecem os delírios genocidas,
Midiáticas guerras ensandecidas.
Os seus complexos de onipotência,
Expandem seus ares de onisciência,
Para povoar filmes, escolas e mídias,
Com insinuantes e agressivas
insídias.
A irreversível tendência destruidora,
Com aguda midiatização demolidora,
Anela pelas armas mais sofisticadas,
Para intimidar por razões futricadas.
Falsa segurança da posse de armas,
Postura funesta de sinistras alarmas,
Encoraja foco fanático combatente,
A produzir o oprimido descontente.
No sintoma do fracasso capitalista,
Falso heroísmo de fundo idealista,
Vive-se horrível onda de matança,
Como se fosse a razão de festança.
Constantes tiroteios contra massas,
Acostumam nas sofrências crassas,
Duma fruição de revide ao eliminar,
Com o sadismo de ver outros penar.
8
LEVAS HISTRIÔNICAS
Como antigos palhaços romanos,
No encenar farsas e desenganos,
Procedimentos bem exagerados,
Compram os afetos dissimulados.
A dramaticidade dos seus gestos,
Ultrapassa os limiares modestos,
E os atos exagerados e inflexíveis,
Revelam suas ambições passíveis.
Airosos pelo centro das atenções,
Maquinam inusitadas conjunções,
A revelar uma conduta inflexível,
Pelos holofotes dum lugar visível.
Fala teatral para chamar atenção,
Oculta sentimento de frustração,
E fragilidade do sentimento feliz,
Na alegre convivência o contradiz.
A carência de ser foco dos olhares,
Não firma os pés e os calcanhares,
Sobre serena e pacífica convivência,
Mas, na sedução para dependência.
Estratégia pela notável visibilidade,
Abafa a evidência da interioridade,
Para almejar a centralidade do olhar,
Sem as reais frustrações descortinar.
Na insuportabilidade do ficar de
lado,
Ficam todo dia de humor incomodado,
Por não tolerarem indício de
frustração,
Nem a evidente e manifesta prostração.
A necessidade de ostentar aparências,
E de impressionar com as
displicências,
Faz com que se tornem exibicionistas,
E conquistadores hiper oportunistas.
Superficialidade no avanço intimista,
Fruto da aparência furtiva e
simplista,
Leva-os a fugir de compromissos
leais,
Para viverem relacionalidades banais.
9
O MITO INDÔMITO
Criado para assegurar interesses,
Sinônimo para alheios estresses,
Aparece ele na altiva arrogância,
Com largo direito de petulância.
Soube delapidar a cruz de Cristo,
Para brilhar como arma de aristo,
Que é comparada com a riqueza,
Da psicótica e mórbida fraqueza.
Inverteu religioso mandamento,
Sem qualquer bom aditamento,
E no “amai-vos uns aos outros”,
Prega “armai-vos contra outros”.
Longe da postura não violenta,
Esnoba vida mítica e opulenta,
E afronta miséria constrangida,
Na sua suposta eleição ungida.
Quer armamento contra ladrões,
Mas isenta os piores esquadrões,
E assegura-lhes proteção e defesa,
Com afronta de perversa ardileza.
Já não trabalha pelo bem comum,
Mas se exibe de forma incomum,
Para ser admirado no agir exótico,
Como um super-herói carismático.
Na oratória de audiência apática,
Flui eloquência de raiva fanática,
Da pulsão doentia de onipotência,
Mas de irresponsável displicência.
Sabe que qualquer besteira dita,
Vira manchete de vazão inaudita,
E desfoca todo o agir necessário,
Por boicote de inimigo sumário.
10
PODER DO
DESEJO INSANO
Como o colonialismo tradicional,
De traço desumano e irracional,
Dizimou multidões de humanos,
Rege ambição doente de insanos.
Pilhagem por energia de transição,
Segue invadindo áreas de atração,
Sem respeito aos povos indígenas,
Vorazes nas fomes draconígenas.
Avançam sobre os povos indefesos,
E espoliam com argumentos ilesos,
Mesmo causando miséria e morte,
Para possessão de sonhado aporte.
Fome chinesa por grafite e cobalto,
Ao lado do lítio para grande assalto,
Ignora povos indígenas e seu legado,
Sem os direitos ao seu lugar sagrado.
A luta insana de desejo acumulador,
Colocada acima do humano pendor,
Relega-o como um lixo descartável,
Para sua ação hipócrita detestável.
Os idílios acalantados por minerais,
Driblam leis para atalhos colaterais,
Para polpuda vantagem econômica,
De prejuízo à população endêmica.
Sequer importa um céu encharcado,
Por fumaça tóxica de qualquer lado,
Mas, adora-se a consciência colonial,
Com histórica gana por posse
triunfal.
11
PODER DA CALÚNIA
Vicejante na condição humana,
Para qualquer lado se promana,
Na arte mesclada com maldade,
Para ferir na perversa frialdade.
Detona-se culpado por fracasso,
E cria-se consternado embaraço,
Para denegrir ascendentes rivais,
Com desmerecimentos especiais.
Acusação injusta de ato obscuro,
Enseja argumento do mais seguro,
Para destruir uma imagem alheia,
E irradiar uma auto-imagem cheia.
Solta a demonização do adversário,
Admite-se qualquer juízo temerário,
Desde que seja favorável à ambição,
E sem algum obstáculo de proibição.
Assim, aponta-se para possível paz,
E se faz guerra cruel pelo que apraz,
Com jogo sujo para alcançar poder,
E criminalizar quem quer ascender.
Sob argumentação para liberdade,
A prática da ampla arbitrariedade,
Vira direito para uma luta injuriosa,
Com vistas à consagração gloriosa.
Dissolve-se a regra e lei para
reinar,
E fechada a porta para não aglutinar,
Discrimina-se concorrente perdedor,
Sem valorizar o seu genuíno pendor.
12
UTOPIA DA FARTURA
O tempo de produção fantástica,
Veicula tanta notícia bombástica,
Relativa à produção de alimentos,
Para a mesa farta de provimentos.
Montanhas de alimento humano,
Em nada muda fanatismo insano,
Para obtenção de grande fartura,
E expansão do plantio na bravura.
Verdadeiro fetiche por alimentos,
Cultivado como oferta de alentos,
Destroça mato e brejo por plantio,
Mas deixa mesas com prato vazio.
A inaudita riqueza tirada da Terra,
Esconde dado que tudo emperra,
Pois na mercantilização despótica,
Confirma-se uma tese apoteótica:
Tudo para os que muito acumulam,
Nada para famintos que tremulam,
Pois o perverso dogma da riqueza,
Joga a Deus escandalosa pobreza.
Orgulhosos de alimentar o mundo,
Agressivos, criam clima infecundo,
Para possível solidariedade humana,
E que diminua vasta pobreza insana.
A cama de tanta gente é a calçada,
E o cobertor, a papelada estucada,
Enquanto outros, na rica mansão,
Planejam esnobar sua pretensão.
Espetáculo consumidor sem limites,
No desperdício jogado sem apetites,
Força outros a procurar nas lixeiras,
As sobras descartadas com poeiras.
O mito da honra para ser apreciada,
Na riqueza de aparência esnobada,
Já não vê o horizonte da dignidade,
E nem da compassiva hombridade.
PALAVRAS FINAIS
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