sexta-feira, 2 de outubro de 2026

NA ESTRANHA DEMOCRACIA

 

 

Palavra tão difundida e propalada,

Comentada, largamente insinuada,

Anunciada e vista como a melhor,

Para a coletiva organização maior:

 

Democracia do comando de todos,

Soa simpático para os bons modos,

De uma organização coletiva eficaz,

Muito do agrado que a todos apraz.

 

Palavra central do discurso político,

Mel doce para ouvido não analítico,

Penetra suave no rumo do cérebro,

E se achega para fresco ensombro.

 

Ali manifesta a sua sutil contradição,

De propiciar privilégios de tradição,

Para certas poucas pessoas espertas,

Que implantam hegemonias incertas.

 

Cultivam sua arte de explorar os medos,

E a de produzir insatisfatórios enredos,

Ante o risco de candidatos adversários,

Vistos como cruéis e nefastos corsários.

 

Desvelo contra a adversidade possível,

Para evitar eventual situação horrível,

Produz ilusão com uma sutil artimanha,

Da defesa do povo ante pérfida façanha.

 

Na produção dos terrores na imaginação,

Contra aqueles que roubam com traição,

Faculta-os de explorar boa imagem idônea,

Para fazer do povo sua proveitosa colônia.

 

Fala-se de vingar o sofrimento imputado,

E redimi-lo com um democrático legado,

Mas, ralam-se democráticas instituições,

E promulgam-se autoritárias orientações.

 

Suposto e democrático desfrute de bens,

Fica para alguns que iludem seus reféns,

E os manipulam com expectativas criadas,

Para suas seletivas vantagens disfarçadas.

 

As esquerdas quanto direitas proclamadas,

Gestam espetáculos de ações mimetizadas,

Engolem a política e implantam a barbárie,

E com os simulacros produzem intempérie.

 

Escolhem candidatos para seus interesses,

Sob a justa medida para todos as benesses,

De seus grupos avantajados e autoritários,

Sob a democracia de espertos salafrários.

 

Espetacularizar um candidato idealizado,

Arma a normalizar violência por todo lado,

Faz com que uma imagem seja sobreposta,

À vida real do candidato no qual se aposta.

 

Assim a política feita espetáculo divertido,

Nada afeta o mundo violento já denegrido,

E a mídia burguesa promove e o sustenta,

Porque faz barganha, e dela se realimenta.

 

Simulacro da imagem bela mais que o real,

Leva democracia ao mandonismo nada leal,

Que espolia, cada dia mais, os sonhadores,

Sem contemplá-los com os ínfimos favores.

 

 

  

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

O PODER DO FOGO

 


Seu domínio empoderou os humanos,

Que adquiriram largos poderes tiranos,

Perante animais predadores noturnos,

  E os deixava eliminados ou taciturnos.

 

A superioridade ante o mundo animal,

Encontrou no fogo a melhor arma letal,

Para eliminar os humanos indesejados,

Ou aqueles com bens muito almejados.

 

Proliferou-se a partir do fogo satânico,

A mediação contra o mundo botânico,

Terrível arma mortal contra humanos,

E suas culturas pelos motivos insanos.

 

Na sofisticação das armas com pólvora,

Fogo controlado como preciosa âncora,

Prestou-se para matar com a crueldade,

Tudo quanto afigurasse contrariedade.

 

O auge dos drones, mísseis e bombas,

Ampliam no fogo, modernas arrombas,

Na degradação da rica biodiversidade,

Da imperialista e decadente morbidade.

 

O imperador Nero remete ao eu quero,

E espalha o fogo por um motivo sincero,

Para reconstruir a cidade, no seu gosto,

Sob uma estética que elevasse seu posto.

 

Mandava construir palácios suntuosos,

Para festas, orgias, e sujeitos famosos,

Os aproveitadores das jovens mulheres,

Para seus crassos e depravados afazeres.

 

Nero adorava as noites de devassidão,

De sadismo, para oferecer circo e pão,

E jogava os cristãos na cova dos leões,

Para servirem de teatro às multidões.

 

Perante impopularidade generalizada,

Culpava os cristãos pela sua derrocada,

E apresentava as promessas faraônicas,

Inviáveis em suas alucinações irônicas.

 

Exigiu a esfinge nas moedas romanas,

Para retratar o seu poder doidivanas;

Matou a própria mãe, que discordou,

E no louco fim, ele mesmo se suicidou.

 

Alguém de traços parecidos e similares,

No imperialismo dos militarescos ares,

Espalha o fogo destruidor pelo planeta,

Sob alegação de matar adversária treta.

 

Adorador do fogo da destruição fulcral,

Devasta natureza no processo sepulcral,

Para produzir armas com fogo de morte,

Só para enaltecer a sua própria coorte.

 

Tudo precisa necessariamente queimar,

Para que no doentio poder de escoimar,

Como um augusto genocida do planeta,

Ele faça política de um maluco cagueta.

 

 

 

 

 

 

 

<center>NA ESTRANHA DEMOCRACIA</center>

    Palavra tão difundida e propalada, Comentada, largamente insinuada, Anunciada e vista como a melhor, Para a coletiva organização...