Palavra tão difundida e propalada,
Comentada, largamente insinuada,
Anunciada e vista como a melhor,
Para a coletiva organização maior:
Democracia do comando de todos,
Soa simpático para os bons modos,
De uma organização coletiva eficaz,
Muito do agrado que a todos apraz.
Palavra central do discurso político,
Mel doce para ouvido não analítico,
Penetra suave no rumo do cérebro,
E se achega para fresco ensombro.
Ali manifesta a sua sutil
contradição,
De propiciar privilégios de tradição,
Para certas poucas pessoas espertas,
Que implantam hegemonias incertas.
Cultivam sua arte de explorar os
medos,
E a de produzir insatisfatórios
enredos,
Ante o risco de candidatos
adversários,
Vistos como cruéis e nefastos
corsários.
Desvelo contra a adversidade
possível,
Para evitar eventual situação
horrível,
Produz ilusão com uma sutil
artimanha,
Da defesa do povo ante pérfida façanha.
Na produção dos terrores na
imaginação,
Contra aqueles que roubam com
traição,
Faculta-os de explorar boa imagem
idônea,
Para fazer do povo sua proveitosa
colônia.
Fala-se de vingar o sofrimento
imputado,
E redimi-lo com um democrático
legado,
Mas, ralam-se democráticas
instituições,
E promulgam-se autoritárias
orientações.
Suposto e democrático desfrute de
bens,
Fica para alguns que iludem seus
reféns,
E os manipulam com expectativas
criadas,
Para suas seletivas vantagens
disfarçadas.
As esquerdas quanto direitas
proclamadas,
Gestam espetáculos de ações
mimetizadas,
Engolem a política e implantam a
barbárie,
E com os simulacros produzem
intempérie.
Escolhem candidatos para seus
interesses,
Sob a justa medida para todos as
benesses,
De seus grupos avantajados e
autoritários,
Sob a democracia de espertos
salafrários.
Espetacularizar um candidato
idealizado,
Arma a normalizar violência por todo
lado,
Faz com que uma imagem seja
sobreposta,
À vida real do candidato no qual se
aposta.
Assim a política feita espetáculo
divertido,
Nada afeta o mundo violento já
denegrido,
E a mídia burguesa promove e o
sustenta,
Porque faz barganha, e dela se
realimenta.
Simulacro da imagem bela mais que o
real,
Leva democracia ao mandonismo nada
leal,
Que espolia, cada dia mais, os
sonhadores,
Sem contemplá-los com os ínfimos
favores.
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