APRESENTAÇÃO
Raios intensos de luz na escuridão,
Prefiguram estampidos no coração,
Luminosos feixes de luz na emoção,
E os inovadores clarões na intuição.
A antevisão de situações inusitadas,
Perante as constantes encruzilhadas,
Produzem as esperanças fortalecidas,
Para empreender-se nas novas lidas.
Imagem figurada de coração sensível,
Que perlustra toda a bondade visível,
Aponta sempre para futuro previsível,
Com novidade e de grandeza indizível.
1 - ALVORES
Como a fraca luz da madrugada,
Emergem no meio da derrocada,
Sinais de claridade no horizonte,
Antes mesmo que um sol aponte.
Na antecipação do efeito da luz,
Algo inovado no psiquismo reluz,
Que ajuda a reordenar os alentos,
Acuados na eira dos sentimentos.
A tênue claridade acorda energias,
E desperta as magnéticas sinergias,
No rumo da inteireza da bondade,
Que eleva o cultivo da frugalidade.
Se a vontade de
acordar a aurora,
Anda tão lerda com a sua demora,
A intuição pelos fatos inovadores,
É veloz para ajustar os dissabores.
Mais ágil do que ruidosos ventos,
A intuição se reporta para eventos,
Que devolvem gosto e a satisfação,
De captar do cotidiano a elevação.
Na grandeza das pequenas coisas,
Os alvores das pequeninas loisas,
Contagiam o indizível da caridade,
E antecipam energias à saciedade.
2 - ALEGRIA DA VIDA
Muitos fatos imprevistos e casuais,
Podem despertar leveza altaneira,
E, com sentimentos bem colossais,
Produzir lumes de intuição fagueira.
Quando a alegria vem da esperança,
Transcende o desconforto e as dores,
E impregnada de renovada pujança,
Abre clarões de intensos pendores.
Como a alegria dos primeiros cristãos,
Que os fez transcender adversidades,
Advindas dos imperialistas malsãos,
Recriam-se, hoje, discretas bondades.
O olhar para frente dos problemas,
Que borbulham em vastas monções,
Abre novos e alvissareiros emblemas,
Para reavivar os vacilantes corações.
Quando a vida é tão curta e passageira,
Priorizar a precípua alegria de bem viver,
Permite torná-la mensagem alvissareira,
A propiciar mui ricas formas de conviver.
3 - ALEGRIA DE VIVER
Sonho tão amplo e aberto como a vida,
Emerge lá do âmago, mobiliza o desejo,
De sair da sofrida condição combalida,
E recuperar o encanto de novo ensejo.
Quando tantas pessoas bem enroladas,
Em amarras de tristeza e do isolamento,
Ou do vazio sob os outros emaranhados,
Tão pouca coisa aponta contentamento.
Poderia o fulgor cristão traçar caminho,
Para além do atraente consumo intimista,
E, suplantar os grilhões do estar sozinho,
Neste mesquinho processo comodista?
Se vida interior gira só no próprio foro,
Bons serviços fraternos e humanitários,
Direcionados a tantos outros sem decoro,
Deixam apenas ressentimentos solitários.
Encontro pessoal com o projeto de Jesus,
Carrega potência da alegria por Ele trazida,
Sem a desilusão que neste mundo seduz,
Resgata amparo e gratuidade enternecida.
Ternura, capaz de engendrar a alegria santa,
Incrementa luzes para redimensionar a vida,
Antevê o que na força defraudadora encanta,
Para optar pelo que vem da humanitária lida.
4 - ALEGRIA CONFORTANTE
Quando um estado de alma expressa,
Mais que novidade e beleza impressa,
Cativa um vasto espaço e nele irradia,
Uma sensibilidade fulgurante e sadia.
No bem do outro se contagia a vida,
Que expande e vitaliza forças da lida,
E numa magia que espanta o amasso,
Sequer permite sucumbir no fracasso.
Na jovialidade da alegria vitalizadora,
Aparece sempre a solução inovadora,
Que impregna de bom ar o ambiente,
E muda o mau-humor do descontente.
A alegria também perpassa o passado,
E dele extrai o melhor do seu legado,
Para apontar que num futuro iminente,
Pode ocorrer bem-estar com a gente.
Quando a memória se torna agradecida,
Diante dos fatos de grandeza esmaecida,
As expectativas absorvem certezas vitais,
Para tantas experiências de belos editais.
Com iminência de outra vez recomeçar,
O desejo de boa pertença volta a coçar,
Na sensibilidade de novas proposições,
Para desabrochar brilhantes condições.
5 - BOA ÍNDOLE
Rara como espécie em extinção,
Boa índole na humana condição,
Ainda sustenta anelos profundos,
Para dominar os traços iracundos.
Quando tantos olhares perversos,
Rondam pelos caminhos adversos,
Bom é constatar sinais de ternura,
Que emergem de uma alma pura.
Na postura respeitosa e acolhedora,
Eclode fartura de força renovadora,
Que difunde amplo bem-estar e paz,
E a sensação que edifica e compraz.
Este valioso perfil comportamental,
Mais que a ostentação ornamental,
É diploma de um histórico cultivado,
Para o procedimento reto e honrado.
A história da convivência respeitosa,
Que sensibilizou esta dádiva valiosa,
Coroa um longo processo depurador,
Em quem se aprimorou no pundonor.
Sua presença serena e revitalizam-te,
Pervaga com bons tônus inebriante,
A inteireza da vida em sua essência,
E sedimenta uma preciosa sapiência.
6 - BONDADE
Na ausência de bons referenciais éticos,
Quando já nem atraem versos poéticos,
Aponta-se o ideal sufocante da riqueza,
Como único a expandir atraente beleza.
Na obsessão de posse que engole o vital,
Morre todo egrégio campo sentimental,
E o bom, sem o procedimento virtuoso,
Anula a potencialidade de ser generoso.
Da linguagem do coração acima da lei,
Ficou só uma saudade da humana grei,
Capaz de superar os perfis mesquinhos,
Dos obstinados em ser felizes sozinhos.
Como é bom ainda saudar perseverantes,
Que revelam firmeza diante dos errantes,
E não sucumbem nas provações adversas,
Porque solidez lhes aponta luzes diversas.
Quando o bom ainda enseja no virtuoso,
O segredo que o deixa mais harmonioso,
Continuamos a sonhar com tal referente,
Capaz de perscrutar rumo mais decente.
7 - CAPACIDADE
DE ESCOLHER
É tão bom tomar consciência,
Da boa e variada beneficência,
Da escolha, na multiplicidade,
Do que gratifica à saciedade.
Dos olhos abertos ao encanto,
Corre veloz com todo espanto,
Ao cérebro, desejo de agrado,
Pela absorção do fito mimado.
O difícil e vago discernimento,
Não delineia o bom provento,
Para escolher tudo que é bom,
E mais gostoso que bom-bom.
O mal oculto na boa escolha,
Fascina os olhos e os antolha,
Para não perceberem traição,
No lindo objeto de estimação.
O vasto desejo de onipotência,
Cega os olhos da boa decência,
E leva a agir longe da bondade,
Valor peculiar da humanidade.
Na aparência do bem almejado,
Emerge a maldade e seu legado,
E desequilibra o anseio visceral,
Para uma boa convivência geral.
Assim uma escolha na liberdade,
Confere-nos a responsabilidade,
De antever os efeitos das opções,
Para evitar os frustrantes senões.
8 - CONSCIÊNCIA DE LIMITES
A obsessão pelo consumo,
Tira o necessário aprumo,
De rever ações efetuadas,
E limitações perpetradas.
Como supor novas lidas,
E com forças aguerridas,
Encetar uma conversão,
Que mude a motivação?
Sem a auto-consciência,
Da memorial referência,
Dos atos já perpetrados,
Não se intuem pecados.
Na psicopatia alargada,
Da ambição endeusada,
Não há erros a corrigir,
E nem limites a redimir.
Tão somente humildade,
Reinterpreta a realidade,
Com a consciência crítica,
Para a coesa ação política.
A cegueira de horizontes,
Seca a riqueza das fontes,
Capazes de fundamentar,
Novas visões a acalantar.
9 - CORTEJOS DE ALEGRIA
Razões muito diversificadas,
Motivam festas tão variadas,
Para extravasar exuberância,
Que se irradia com elegância.
A partilha de razões festivas,
Alarga as memórias furtivas,
Que enlevaram a existência,
E ergueram sua precedência.
Boas memórias do passado,
Ativam uma força de legado,
Que clareiam as esperanças,
De viver similares bonanças.
Assim uma alegria presente,
Amplia na emoção contente,
A rica antecipação do tempo,
Para superar o contratempo.
A partilha dos participantes,
Eleva as razões extasiantes,
Que permitem antecipação,
De bom tônus para a ação.
No sentimento amparado,
Do sentir-se bem agregado,
Renova-se a razão da vida,
Que enche de prazer a lida.
10 - CORUSCO DO OLHAR
Como é bom sentir-se afetado,
Por olhar reluzente e recatado,
Que na translúcida paz interior,
Reflete uma grandeza superior.
Nesta vitalidade tão fulgurante,
Rutila uma energia vitalizante,
A traçar caminhos para o amor,
Que curam feridas do desamor.
Qual a criança bem afeiçoada,
Em clima de atenção dobrada,
A segurança básica abre rumos,
Para ricos e prósperos aprumos.
O cultivo das boas virtualidades,
Transforma as tristes realidades,
Pela empatia do olhar atencioso,
Que antecipa frutuoso antegozo.
Se a afeição consegue coruscar,
Mais do que ações de conspurcar,
Caberia promover a sua dignidade,
À boa organizadora da sociedade.
Os tantos desencontros arvoados,
Que ofuscam os ideais elevados,
Somente aumentam sofrimentos,
E encouraçam quaisquer alentos.
No olhar que transluz bondade,
Sempre aparece a boa claridade,
Que fulgura para límpido sentido,
E evade o sentimento deprimido.
11 - CRESCER
Mais
que imperativo da natureza,
E
mais eficaz que o verbo na ação,
É
a imagem eloquente da riqueza,
Dos
desejos de precípua satisfação.
Na
virtualidade dos grãos semeados,
Renascem
as esperanças redobradas,
De que em nada sejam vilipendiados,
E que ambição não dê as coordenadas.
Na espera dos mui esperados frutos,
A atenção mobiliza especial desvelo,
Para efeitos amplos, bons e argutos,
E livres dos transtornos e pesadelos.
Na semeadura do gesto de respeito,
Demora o aparecimento dos efeitos,
E, quando emerge a inveja no peito,
Os humanos sonhos ficam rarefeitos.
No desejo de afastar o que é adverso,
E na incapacidade efetiva de afastá-lo,
Culpa-se o Criador por fazer o reverso,
E tenta-se, de todo jeito, conspurcá-lo.
Nas múltiplas formas de envolvimento,
De incontáveis sinais de vida a fenecer,
Está o altivo grito do desenvolvimento,
Sem os humanos gestos a enternecer.
No semear dos mui pequeninos sinais,
Está a virtualidade de gestos angelicais,
Capazes de engrandecer a humana lida,
Para elevá-la à convivência pretendida.
12 - CUIDADO SOLÍCITO
Quando os sinais de morte,
Revelam a sua cínica sorte,
A reação do clima alterado,
Dá aporte a ar envenenado.
A economia cega por lucro,
De olho fito no sobrelucro,
Gera esta enorme pobreza,
E a migração com tristeza.
Embora sinais de caridade,
Feitos com solidariedade,
Revelem exitoso cuidado,
Sobra um mundo olvidado.
Líderes lacaios escolhidos,
Indiferentes aos preteridos,
Esnobam a insensibilidade,
Ante a relegada sociedade.
Conluios de líderes cristãos,
Trocam os pés pelas mãos,
E se enrodilham na proeza,
De furtar com fina destreza.
Aduladores do sentimento,
E crenças para o detrimento,
Da real cordialidade humana,
Geram ódio e ação desumana.
Sem cuidadoso olhar solícito,
O afrontoso descaso explícito,
Da degeneração da natureza,
Denigre sua magnífica beleza.
Ademais delegar urgente zelo,
Aos interesseiros sem desvelo,
Significa trair sustentabilidade,
E acelerar a morte da lealdade.
13 - DESCOMPLICAÇÃO DA VIDA
Na dura tarefa cotidiana,
A lida pela base mediana,
De um coração satisfeito,
Exige pulso forte no peito.
Tanta obsessão neurótica,
Da concorrência osmótica,
Complexifica a existência,
E eleva danosa renitência.
Os múltiplos riscos de vida,
Esquecem a riqueza vivida,
E tornam o coração pesado,
Para definir o suave legado.
O desejo de muito domínio,
Amplia risco de extermínio,
E desenraiza a convivência,
E alarga muita divergência.
Numa opção por singeleza,
A simplicidade vira riqueza,
Da lídima condição humana,
Tão legal e que não engana.
Humildade é outra condição,
Para a vida sem complicação,
Porque evita toda precedência,
Que causa tanta aborrecência.
Quando se descomplica na vida,
A alma irradia toda enternecida,
A capacidade de larga tolerância,
Que dispensa toda redundância.
14 - DESEJO DE ESTAR JUNTOS
O isolamento preventivo,
Contra um vírus invasivo,
Imperceptível no avanço,
Não move bom descanso.
Amplas e fartas polêmicas,
Sobre sequelas endêmicas,
Com apelos demagógicos,
Elevam surtos ideológicos.
Sensível campo emocional,
Rouba bom-senso racional,
Para almejar ótima solução,
Longe da prescrita reclusão.
Reacende-se o desejo forte,
Do social e precioso aporte,
Para desfrute da companhia,
Que no isolamento se tolhia.
O anseio pelo “estar juntos”,
Delineia que outros assuntos,
Não enchem anelo profundo,
Na rota do pavor moribundo.
A expectativa de aproximação,
Já não fita obras e muita ação,
Nem projetos sociais vistosos,
Mas só afeto e gestos ditosos.
O anelo deste espírito afetivo,
Relega o útil e vetusto lenitivo,
De mera peça de engrenagem,
Para fruir a boa camaradagem.
Mas ali ronda o agente mortal,
No faro da boca e duto nasal,
Para devorar vida e os sonhos,
E intimidar amigos tristonhos.
Na difícil permanência isolada,
Fermenta a sensação desolada,
Do desabamento da identidade,
Dependente de grupal lealdade.
15 - DISCERNIMENTO
Se até dos agentes da justiça,
Se espera que sejam sensatos,
O que dizer da enorme preguiça,
Para julgar os próprios atos?
Com os olhares, os mais perspicazes,
Perlustram-se sociais acontecimentos,
Mas revelam-se altamente ineficazes,
Para integrar ínfimos aborrecimentos.
Quando a aparência toma o lugar do real,
E a conversa andeja quais murmulhos,
Longe da subjetividade nada frugal,
Eclodem os mais estranhos borbulhos.
Discernir sensatamente,
Sem dobrar o peso da cacunda,
Permite antever sutilmente,
Que nada nos afunda.
Por que não valorizar a faculdade,
Da apreciação objetiva da vida,
Sem remelexo da lealdade,
E com a mágoa enternecida?
Pode-se então amealhar,
Das riquezas humanas,
Algo mais que gargalhar,
Das coisas doidivanas.
16 - DISPONIBILIDADE ENCANTADORA
Na manifesta disponibilidade,
Para bons gestos à saciedade,
Somos enlevados nos sonhos,
De tempos felizes e risonhos.
Impressiona a generosidade,
Nas promessas à sociedade,
Para uma lídima governança,
Que vai instaurar a bonança.
Promessas bem fantasiosas,
Com as realidades graciosas,
Do belo imaginário coletivo,
Oferecem pílulas de lenitivo.
Na decisiva ocasião de agir,
Tudo é protelado ao porvir,
Com as desculpas aleatórias,
Das heranças persecutórias.
As evasivas argumentações,
Explicam as procrastinações,
Deixadas pelos antecessores,
Relapsos nos seus pendores.
Vetustas e singelas desculpas,
Desviam as causas e as culpas,
Sobre aquela herança maldita,
Logradora da bondade bendita.
As léguas da meta assegurada,
Distanciadas da ação recatada,
Permitem à egolatria do cargo,
Manipular tudo sem embargo.
17 - ESTABILIDADE
EMOCIONAL
Amargo efeito da pandemia,
Trouxe o que não se queria:
Trapalhadas de governantes,
E tantas ordens discrepantes.
Além das perdas tão amigas,
Medos, incertezas e fadigas,
Gestaram vasto desconforto,
E pouco sinal de reconforto.
O entristecimento dilatado,
Ficou visível por todo lado,
Alimentou horríveis medos,
Dos axiomáticos arremedos.
O isolamento quebrou elos,
E trouxe psíquicos flagelos,
Para a normalidade da vida,
Que ficou toda ensandecida.
Com as perdas de trabalho,
A segurança virou frangalho,
E bons projetos acalantados,
Acabaram bem descordados.
A sobrecarga com enfermos,
Propiciou sob duros termos,
A condução tão indesejada,
Para depressão desandada.
Perda de amigos e familiares,
Feriu ambientes domiciliares,
Com solidão tão dissimulada,
De perturbação encabulada.
Hábitos sedentários agravados,
Produziram inegáveis legados,
Nas visualizações das telinhas,
Com depressivas entrelinhas.
Com informações exaustivas,
Reataram-se obsessões ativas,
De pânicos e medo da morte,
Como único e evidente aporte.
Neste abalo da saúde psíquica,
A reservada vida intrapsíquica,
Virou área de ação tumultuada,
Para ansiedade descontrolada.
A solidária presença empática,
Tornou-se força emblemática,
Para ressurgimento da cinza,
Na superação do ar ranzinza.
18 - ESTILO DE VIDA
Os novos ditames da ciência,
Ignoram a regra da clemência,
Cobram do estilo de antanho,
Jeito bem radical e estranho.
O novo estilo de ser e consumir,
Atrela a humanidade a presumir,
Que hábitos e variados costumes,
Somem como inalados perfumes.
No ditame da técnica científica,
Importa não a cultura específica,
Mas, a da dispersa humanidade,
Ante sua colossal funcionalidade.
Na subjugação do mundo, o centro,
Requer que seja focado o epicentro,
De controlar a misteriosa natureza,
Para assegurar a humana grandeza.
Na intervenção do controle lógico,
Importa conhecimento tecnológico,
Que ao saber humano dá a função:
Instrumental para a transformação.
19 - FAGULHAS DE ESPERANÇA
Sob o idealismo de elevados planos,
Emergiram estupefatos desenganos,
Pois, mesmo com os nobres desejos,
Vieram frutos de amargos remelejos.
No outro jeito de pensar a bondade,
Pode ela ver na humana fragilidade,
Um lastro de disfarçado mimetismo,
Distante do fantasiado romantismo.
Com tantas humilhações e desacatos,
Presentes sem gestos bons e pacatos,
Torna-se evidente que o mundo real,
É bem mais contundente que o ideal.
Preceito religioso pouco prestigiado,
Aponta o perdão como valor sagrado,
Para não repetir círculo da vingança,
Porque arruína toda a boa esperança.
Mais fácil é integrar uma humilhação,
Do que ser o fautor de agressiva ação,
Pois, o desrespeito do ato impetrado,
Gesta um círculo vicioso desregrado.
Nos sinais gratuitos de boa acolhida,
Renascem forças da energia tolhida,
Que realizam na pequenez da alma,
Milagres para propiciar vida calma.
20 - FIRMEZA NA RETIDÃO
Como é grato rememorar,
Condutas retas a orientar,
O caminho diário dos atos,
A favor de rumos pacatos.
Fruto de interação honesta,
Seu agir a ninguém molesta,
Pois, inspirado em exemplo,
Configura-se sagrado templo.
Anima seu amigo deprimido,
E lhe aponta a luz de sentido,
Para lidar com o seu conflito,
Sem engendrar muito atrito.
Aviva no lume da esperança,
O horizonte da temperança,
Para agir com toda firmeza,
Sob os ditames da inteireza.
Torce pelo êxito dos outros,
Para superar desencontros,
E os anima para constância,
Integradora da dissonância.
Sofrendo mais que os amigos,
Não lamenta gestos inimigos,
Porque lida com causa maior,
De condição humana melhor.
Ricas indicações de sabedoria,
Revelam a síntese sem aporia,
Da fé orientada para bondade,
Que visa elevar a fraternidade.
21 - FRUGALIDADE
Casada com a simplicidade,
Desfruta da boa sororidade,
E leva a moderar o apetite,
Para nunca sofrer de retite.
Gesta prazer na moderação,
E inebria doce consternação,
Na gratidão com anfitriões,
Pelas suas singelas fruições.
Aguça toda a sensibilidade,
Para respeitosa afabilidade,
E capta o limite do respeito,
Para não exceder no preito.
Leva a perceber o momento,
De encerrar o festivo evento,
E retirar-se sem os disfarces,
Para não denegrir as catarses.
Sabe dosar a efusão da alegria,
Para evitar a excessiva euforia,
Que desconforta no ambiente,
E causa reação constrangente.
Controla o nível da satisfação,
Para evitar toda malversação,
E contentar-se com o pouco,
Sem produzir ouvido mouco.
Move afabilidade enternecida,
Na vasta gentileza esmaecida,
Que se irradia pelas amizades,
E amplia a ação de alteridades.
22 - FRUIÇÕES
É tão prazeroso fruir,
Sem precisar denegrir,
Uma beleza cultivada,
Com postura recatada.
Estar no meio da beleza,
De contagiosa inteireza,
Prospecta o sentimento,
Para silenciar o lamento.
Sob a maldade humana,
Uma nova luz promana,
A apontar para grandeza,
Da bondade com sutileza.
Emerge como flor na eira,
E desabrocha tão fagueira,
Para atrair a mágoa sofrida,
E deixa-la bem esmaecida.
Das amizades partilhadas,
Com furtivas gargalhadas,
Aumentam os ares do céu,
Para enterrar a dor ao léu.
Até o contágio do universo,
Enseja integrar o perverso,
Para inseri-lo num suporte,
Que firme inusitado aporte.
23 - HONESTIDADE
Muitos com certeza revelam-se honestos,
Nas cotidianas lidas com seus sentimentos,
Mas mostram procedimentos com doestos,
Quando lidam com as fontes dos proventos.
Na grave enfermidade da convivência social,
Transparece a falta da mais elementar lisura,
Enquanto o avantajar-se é motivo essencial,
Some necessária e fundamental compostura.
Difícil é encontrar pessoas retas e honestas,
Na lida monetária para um sumo bem social,
Sem amealhar algumas importantes arestas,
De espúrias finalidades da ambição pessoal?
Quando em todos os níveis da sociedade,
Evidencia-se como meritória a esganação,
Não resta valorização para a honestidade,
E, muito menos, para posturas de retidão.
Oh! Quem dera se pelo menos os cristãos,
Se caracterizassem pela básica decência,
De não se nortear pelos intentos malsãos,
E alargar postura de reta benemerência!
24 - JARDINS
Saudades dos tempos de casas ladeadas,
Por jardins de flores e de cores variadas,
Com alvissareiros encontros das visitas,
E conversas animadas, nada esquisitas.
Da sabedoria do senso prático eclodiam,
Com os vergéis a inspirar no que diziam,
Coisas bem simples do que observavam,
Em torno da beleza que ali desfrutavam.
A compreensão fenomênica do entorno,
Sempre remetia a algum novo contorno,
Para rir de coisas pequenas e bem banais,
E fazer a vida fluir no jeito de mananciais.
Na observação do quanto corrompia a vida,
Partilhavam-se os temores da cotidiana lida,
E a atenção terapêutica evadia falsos juízos,
Para evitar possíveis efeitos e seus prejuízos.
Ação solidária curava mais do que o médico,
E múltiplas plantas, desde efeito ortopédico,
A calmante de nervos e disfunções hepáticas,
Produziam a comunhão das forças empáticas.
Se hoje os jardins, já tão restritos e esmilingüidos,
Abrigam tantas contravenções e tantos bandidos,
Abre-se o desejo da lida bem distante da urbana,
Até sem dinheiro e longe da política que se ufana.
Estar de bem com a vida e com entorno humano,
Sobretudo no jardim da vida distante do engano,
Ali se afugenta o medo de dor, da agonia e pavor,
E aflito encontra gratuito e belo amparo no amor.
25 - LAMPEJOS DE ESPERANÇA
Quando
pouca coisa alenta,
Nesta
lida árida e sedenta,
Ecoam
clamores vigorosos,
Pelos
serviçais prestimosos.
As
ponderadas regras justas,
Às
duras e demoradas custas,
Apontam
lampejos de juízo,
Aos
pobres do triste prejuízo.
Iludidos
pelos fautores da lei,
Passivos
no meio da sua grei,
Já
cansados de esperar justiça,
Continuam
vítimas da cobiça.
Alguns
já transcendem a sina,
Do
que a oficialidade ensina,
E
clamam pelos seus direitos,
Perante
institucionais defeitos.
Mesmo
assim, a velha mania,
Os
atrela à cruel cleptomania,
Do
silencio pelo voto vendido,
Ao
esperto não comprometido.
O
dia em que uma palavra dada,
Não
requer pagamento de nada,
Um
voto de confiança auferido,
Poderá
elidir corrupto atrevido.
26 - LEMBRANÇAS VALIOSAS
Magnífico dia de fruir lembranças,
De pessoas amáveis nas andanças,
Que, após duras rupturas sofridas,
Persistem em marcas tão queridas.
Muito além das dores da saudade,
Aviva-se a bela e tão rica amizade,
Que forneceu sentido à existência,
E a engrandeceu de benemerência.
Os incontáveis gestos edificantes,
Com momentos muito marcantes,
Transbordam do baú da memória,
E animam a exuberância da glória.
Os inumeráveis momentos felizes,
Sequer ofuscam pequenos deslizes,
E povoam as esperanças agradáveis,
Para outras investidas memoráveis.
Na certeza de que honesta bondade,
Gestou boa edificação na sociedade,
Aumenta o sentimento responsável,
De não apagar sua memória amável.
Na comunhão feliz de muitos santos,
Brilha seu olhar de muitos encantos,
Qual luz irradiante numa escuridão,
A indicar o caminho de justa retidão.
As bem-aventuradas recordações,
Não cabem nos voláteis corações,
E precisam ecoar num alto clamor,
O alcance irradiante do seu amor.
27 - MEMÓRIA RECRIADORA
As recordações passadas,
Ainda não ultrapassadas,
Carregam a virtualidade,
De repensar a realidade.
Rejeitada pela ambição,
A memória da boa ação,
Tem o potencial criador,
De aprumar novo fervor.
Tida como bem superada,
A memória já perpassada,
Clareia os rumos do juízo,
Para o bom-senso preciso.
Modera todo cego desejo,
E lhe interpõe o remelejo,
Que decanta as obsessões,
E abranda as objetivações.
Na moderação dos relatos,
A memória dos idos fatos,
Equilibra o agir cotidiano,
Para amenizar desengano.
No voo do desejo volúvel,
A memória do pó solúvel,
Solidifica atos cotidianos,
Contra os fatos levianos.
28 - MEMÓRIAS DE GRATIDÃO
Diante dos fugazes desejos ilimitados,
Apraz memorizar belos atos passados,
Em que ajuda desinteressada e singela,
Tornou a vida mais significativa e bela.
Quando a gratuidade parece estranha,
De tanto serviço de pretensão tacanha,
Perde-se a constatação do sentimento,
Que permite expressar agradecimento.
Bem raras são as pessoas agradecidas,
E repletas de
satisfações enternecidas,
Para exprimir com linguagem da alma,
O que propiciou a energia que acalma.
Quando tudo necessita ser bem pago,
Desde um pequeno favor até o afago,
Anula-se a gratuidade do sentimento,
E exime-se a grandeza do momento.
Também do mistério maior da vida,
Onde tanta coisa é bem denegrida,
Some o olhar grato e retrospectivo,
Para vigorar somente o prospectivo.
Ao acalantar coisas boas do passado,
Recria-se o olhar novo e perpassado,
Pela antecipação duma exuberância,
Bem mais valiosa que a intolerância.
29 - NA ROTA DO AMOR
O caminho tão sinuoso,
Geralmente pedregoso,
Para o rumo do interior,
Reclama força superior.
Disciplina e dedicação,
Implantam no coração,
A virtude da gentileza,
Que espalha a beleza.
Paciência e tolerância,
Derrotam a arrogância,
Ativam espiritualidade,
Para vida em saciedade.
No mundo tão
interior,
Está a morada do amor,
Que apruma e inebria,
Na grandeza da alegria.
Ali somem as razões,
De proferir palavrões,
E com atos agressivos,
Que se tornam nocivos.
Lá desejos obsessivos,
E planos compulsivos,
Acabam em modéstia,
De consistente réstia.
A meiga simplicidade,
Cria muita facilidade,
Para valorizar o amor,
Com vasto destemor.
30 - NO AR DA GALHARDIA
Indizível e grata experiência,
Da boa e gentil convivência,
Eleva toda magnanimidade,
No clima alegre da amizade.
Se o garbo da boa acolhida,
Na distinção não merecida,
Já enaltece a generosidade,
Causa simpatia à saciedade.
No peculiar e bom ambiente,
O elã da vida solta contente,
O interceptado de grandioso,
Para o ambiente harmonioso.
Nas gargalhadas espontâneas,
Por coisas bem consentâneas,
As mágoas voam tão diluídas,
E levam as dores ressentidas.
Na constatação do bem-estar,
Não aflora algo a se contestar,
Porque a empatia do ambiente,
Enseja um clima bem contente.
A galhardia fabrica os sonhos,
E caminhos nada enfadonhos,
Que antecipam ações singelas,
E mais tempo para boas trelas.
31 - OLHAR DE LIBERDADE
Plasmado para a grandeza da existência,
Mas, deformada com tanta indecência,
Perambula inseguro o pobre andarilho,
Sem delinear caminho sob tanto trilho.
Na imensidão dos
conselhos ofuscados,
Mui autoritários para obter subjugados,
Voam soltos tantos olhares cerceadores,
Que de Deus visam ser bons aliciadores.
Ao desfocarem o olhar amoroso de Deus,
Apostam para o êxito dos interesses seus,
E longe de revelarem o amor às criaturas,
Espalham terror de satanizadas diabruras.
Sem persuasão de um bom procedimento,
Em nada levam a visualizar o que dá alento,
Pois querem dependentes cegos e passivos,
Que facultem os olhares nada compassivos.
A livre obediência, sem moderar o desejo,
Transforma em servilismo frágil o ensejo,
De encontrar o humano embebido de dor,
E apontar-lhe um rumo mais acalentador.
No ousado olhar da liberdade se espera,
A condição de agir no limite que impera,
Sobre a virtualidade da força inovadora,
E com ela, elevar-se na ação redentora.
32 - OLHO DA ESPERANÇA
Maior do que o alcance visual,
Tão abrangente quanto o mar,
Sua intuição aguda e sem igual,
Capta o que mais pode animar.
Este olhar para além do pânico,
Consegue amenizar a ansiedade,
E, igual a momento hierofânico,
Divaga toda oclusa austeridade.
Capaz de captar o bom da vida,
Para além da frouxa motivação,
Envolve a mente já combalida,
Para apontar outra prospecção.
A pré-cognição do que melhora,
Leva a aceitar fatos deprimentes,
Sem nenhuma fiança ou penhora,
Para augúrios dos mais contentes.
Leva a lidar com a dor do passado,
Para brincar com perdas e fiascos,
E, transformar o doloroso legado,
Em lindos e atraentes penhascos.
33 - PACIÊNCIA
Lerda como o gato dorminhoco,
Ou o uirapuru sentado no toco,
Disfarça no tempo fugaz e veloz,
A pesada dúvida de efeito atroz:
Ter que esperar um vasto tempo,
Para internalizar o contratempo,
Da pressa que esquece os fatos,
E engole a memória dos relatos.
Para que suportar a protelação,
De quem promete a boa ação,
E a joga aos ventos disparados,
A roubar sonhos acalantados?
Para que esperar o outro trem,
Se este ali, está num vai-e-vem,
Que não assegura as promessas,
E nem freia obstinadas pressas?
Quando o enleio da ação eficaz,
Irrompe para o gesto que apraz,
Já passou a sua vez para reagir,
E acelerar o ensejo de interagir.
No acalanto das boas projeções,
Mesmo com as ótimas intenções,
Não desce no gargalo do alento,
A demora que adia o momento.
34 - PRURIDO DE ESPERANÇA
Como coceira causticante,
Vai e volta com rompante,
Para manifestar seu prurido,
Tão carente e ensandecido.
Enfeitiçada por atenção,
Persuade até o coração,
Para captar seus enleios,
Com sedutores meneios.
Manifesta a todo instante,
Encantamento incessante,
Para que só nela eu pense,
E todo o entorno dispense.
Gera desatenção no serviço,
Sem a percepção do enguiço,
Porque entra no meu espaço,
Para envolver-me no regaço.
Ali aponta mundos e fundos,
E absorve os fatos iracundos,
Para alargar a vasta grandeza,
Dum mundo pleno de beleza.
No ar renovador que ostenta,
Leva a aceitar o que desalenta,
E antecipa ricas possibilidades,
Da instauração de virtualidades.
35 - RAZÃO DA EXISTÊNCIA
Tanta
inquietação com o porquê,
E
tanta dúvida sobre o para quê,
Causa
medo e a vasta incerteza,
Sobre
alguma razão da inteireza.
Aparece,
então, uma segurança,
Mesmo
eivada de desconfiança,
Que
desvia toda a preocupação,
Para
não afrontar tal motivação.
Na boa superficialidade da vida,
Alguém nos dá a atenção devida,
E nos aponta a vida da facilidade,
Como o rumo da plena felicidade.
Mas impõe a ideologia mandante,
Que deseja o consumo abundante,
E, através de astúcia convincente,
Aponta belo mundo, todo contente.
Assim, impõe as maneiras de agir,
Nada preocupada com o denegrir,
Da condição já feita sub-humana,
Sem que algo bom dela promana.
Se os alienados, já não perguntam,
E com motivações da vida ajuntam,
Ausência de elementares respostas,
Deixa devendo eventuais propostas.
36 - RECOMEÇAR
Começar e recomeçar,
Arte tão esmilingüida,
Que interpela a vida,
A outra vez começar.
Como não está no remédio,
Nem nos encantos do tédio,
Requer muitas motivações,
Para aprumar as projeções.
O sonho de avançar na vida,
Rumo a uma ditosa velhice,
Impõe dura e árdua medida,
Para sair da ardida mesmice.
Ideia fixa de derrota e fracasso,
Bloqueia toda rica sensibilidade,
Independente de toda maldade,
Acoberta o diuturno compasso.
Na aceitação de fatos ocorridos
Por mais que eles entristeceram,
Nem mudam os que morreram,
E nem os que ficam deprimidos.
Importa tirar luzes das derrotas,
E olhar para frente mirando rotas,
Que levem a recomeçar nova lida,
E substituir a
motivação combalida.
37 - RECORDAÇÕES DE ALEGRIA
Na memória de entes queridos,
Bons sentimentos enternecidos,
Reativam suas fartas bondades,
E alegram nas meigas saudades.
Oportunizam preciosa avaliação,
Sobre seu humanitário coração,
E motivam a virtual capacidade,
De elevar singeleza e bondade.
No ciclo vital tão curto e frágil,
Nada ofusca uma lealdade ágil,
Para muitos sinais grandiosos,
De gestos dos mais prodigiosos.
Sua memória não deixa triste,
Nem fere culpa que persiste;
Só lembra o fito de qualidade,
Com larga elevação na idade.
No seu desejo de vida intensa,
Floriu a solidariedade imensa,
Que produziu gestos perenes,
E atos para memórias solenes.
Coisas boas que se eternizaram,
Em gestos que tanto irmanaram,
Só podem merecer vida repleta,
Que felicidade divina completa.
Na expectativa dum reencontro,
Em definitivo lugar de encontro,
Poderá a felicidade eternizar-se,
Num gracioso confraternizar-se.
Sem saber da hora derradeira,
Sobre o fim da vida nesta eira,
Recordar o seu mundo vivido,
Ativa sentimento agradecido.
38 - RESPEITO ECOLÓGICO
Como tantas paixões por algum esporte,
Poderia o coração engendrar igual sorte,
De atenção ao que a natureza produziu,
Sem desflorar tudo quanto ela seduziu.
Ao lado de tantas áreas vilipendiadas,
Encontram-se outras tão desprezadas,
A clamar por algum gesto de atenção,
Para evitar a morte por pura inanição.
Postura passiva pelo que nos rodeia,
Exime-nos da ação que em nada freia,
A cruel agressão à natureza tão bela,
Tão afável e meiga no que se revela.
Com toda ternura esperada dos gestos,
Não merece a mãe terra atos molestos,
Que a deixam em dor tão contagiante,
E neste estado do mais decepcionante.
Que nos dramas cruciais da existência,
Ainda dignos de alguma benemerência,
Não se relegue o desajuste ambiental,
Capaz de sucumbir num colapso fatal.
39 - RESPEITO PROFUNDO
Quando a acolhida sem preconceitos,
Capta belo mundo além dos defeitos,
Revela-se a grandeza de gestos bons,
Advinda do cultivo de humanos dons.
Se compaixão permite alargar gestos,
Que ultrapassam o nível de protestos,
O amor solidário da riqueza humana,
Atinge até o entorno da lida profana.
Se os gestos compassivos já edificam,
O estado frágil da vida e a dignificam,
Um trato bom e não preconceituoso,
Gera as memórias de um ser virtuoso.
O clima da consciência então se renova,
E na reinterpretação do gesto que inova,
Sensível ao cantar do galo da consciência,
Acorda para alargar o gesto de coerência.
Neste caminho com tombos evidentes,
A auto-crítica de vacilos improcedentes,
Permite expandir o amor mais exigente,
Que é perdoar para viver mais contente.
Na gratuidade da sintonia com o bioma,
Detecta-se tanta vida entrando em coma,
Que desgastado amor da possessividade,
Indica urgente conversão da humanidade.
40 - SABEDORIA
Próxima
do rigor da ciência,
Mas
além desta presciência,
Encontra-se
o modo de ser,
Bem
genuíno do enternecer.
Mais
do que o fundamentar,
Ou
convincente argumentar,
A
sabedoria consegue sentir,
O
quanto convém pressentir.
Na
confiança do pleno agrado,
Supre
tudo que causa enfado,
E, bem mais que a formosura,
Propicia
ambiente de ternura.
Distingue
do que é transitório,
O
quanto é digno e meritório,
E,
para boa qualidade da vida,
Desbanca
a obsessão renhida.
Leva
a agir com toda prudência,
Para
não entrar na minudência,
Dos
desencontros emocionais,
Avessos
aos momentos frugais.
Sabe
delimitar afã do ativismo,
E
estabelece regras de civismo,
Para
conter atração solispsista,
Que,
ardorosamente, despista.
Na
sensibilidade da carência alheia,
Está
sua plena função que permeia,
O
milagre que detona a fragilidade,
E
aponta caminho de prosperidade.
41 - SANTIDADE
De conceituação vaga, imprecisa e sem referência,
Pouco ligada à qualidade profunda da existência,
Parece tratar-se de caminho exotérico de poucos,
Desambientados, relegados e metidos a amoucos.
Pouco lembram que é processo de construção,
A implicar em diálogo e em cotidiana produção,
Que ultrapassa o nível lógico e biológico da lida,
Para alargar capacidade psíquica tão combalida.
Se intensas buscas para além da cultura moderna,
Frágeis na satisfação com a autonomia hodierna,
Não captam na tecnociência a felicidade buscada,
Tateiam por novas intuições da sapiência sagrada.
Mais do que captar segredos divinos e espirituais,
Anseiam pelo todo que subjaz nas coisas materiais,
E no amparo holístico, para além do fragmentado,
Encontrar entendimento de um cosmos integrado.
O anseio que mais lateja é o de encontrar a fonte,
Que impulsiona motivações, e que ainda aponte,
Rumos de comunhão com outros e com o mundo,
Para harmonia do sentir afetivo básico profundo.
Peregrinos na busca híbrida de leveza e de alegria,
Não desejam a austeridade e nem mesmo correria,
Mas, também não apraz a forma solipsista de crer,
Que presume, tudo alcançar no cultivo do querer.
42 - SORRISO
Ao lado dos sorrisos artificiais,
Encantam alguns bem especiais,
De crianças na lídima inteireza,
Escancarando a vasta grandeza.
Mais que a vitalidade vicejante,
Transmitem grandeza brilhante,
Que vai direto aos sentimentos,
E lhes aponta fúlvidos alentos.
Na magia de amarrar a atenção,
Tiram de imediato a prostração,
E oferecem ao estado de humor,
Vigoroso alento do elã de amor.
Sem os vícios da vasta falsidade,
Chegam a expressar à saciedade,
O transbordamento do bem-estar,
E exuberância sem nada molestar.
A expressão facial que tanto seduz,
Apresenta esperançoso foco de luz,
De que a vida pode ser mais amena,
Quando convivência é mais serena.
Nos resíduos que deixa na memória,
Reativa a fantasia de vigorosa glória,
Sobre as mazelas dos fatos tristonhos,
E aponta viabilidades para os sonhos.
43 - TRABALHO LÚDICO
Do
antigo anseio paradisíaco,
Sobrou
só efeito afrodisíaco,
De
laboração humanizadora,
Com
a fascinação alentadora.
No
afã da fome tecnológica,
Que
suga a força psicológica,
Exaure-se
na força muscular,
O
sonho da vida espetacular.
Na
nova sedução da serpente,
De
que o trabalho consistente,
Gera
mais felicidade no jardim,
Acaba
em sonho vago sem fim.
A
vigilância direta sobre a ação,
Consegue
revelar a esganação,
Tanto
dos patrões e dos chefes,
Que
intimidam com seus blefes.
Eliminada
a força da liberdade,
Já
não sobra nem solidariedade,
Mas,
pessoas sobre si fechadas,
A
evitar que sejam despachadas.
Oprimidas
em seu duro trabalho,
E
reduzidas a um mero frangalho,
Tornam-se
vis e, humano objeto,
De
ambiente brutal e bem abjeto.
Muito
pouco se pensa em amizade,
E,
menos ainda, em digna lealdade,
Pois
o tempo lúdico dos bons ideais,
Esvai-se
sem parâmetros angelicais.
44 - UM OLHAR DE TERNURA
Quando o judaísmo sob controle romano,
No início da era cristã, no religioso abano,
Credenciava pertença à Roma imperialista,
Engendrou uma ala conservadora integrista.
Fariseus e doutores da lei, os privilegiados,
Com o seu rigorismo de jeitos acanalhados,
Tornavam-se infensos ao interesse romano,
Mas duros punidores do proceder de dano.
Amparo na vetusta lei de morte a adultério,
Dava-lhes um direito de caçar por vitupério,
E controlar a vida alheia nas noites escuras,
Para ostentar as suas edificantes bravuras.
Se tal serviço interessava a romanos ávidos,
Discriminava de modos cruéis e impávidos,
As mulheres, sem similar castigo a homens,
E os tornava precípuos e pífios lobisomens.
Jesus, sem endossar o erro revelou ternura,
Respeito profundo sem ostensiva cara dura,
E apenas sugeriu mudança comportamental,
Enquanto questionou o puritanismo brutal.
Julgar outros com coração prenhe de pecado,
Revela uma justiça fingida de teor desafinado,
Que não abre caminho a quem errou na vida,
E imobiliza a sociedade para ser compadecida.
Deus certamente passa longe da mesquinhez,
Que persegue e que não perdoa a insensatez,
De viver e conviver com situação de pecado,
E sentir-se, por Ele, salvo e todo privilegiado.
Estruturas de pecado pautadas como santas,
Justificam os fanatismos de leis sacrossantas,
Para matar sob o falso atributo do bom Deus,
E produzir caos religioso em ambientes seus.
45 - VER PARA ESCUTAR
Quando as imagens sobrepostas,
Numa alta velocidade de apostas,
Atrelam a enxergar e ouvir ordens,
O psiquismo só fornece desordens.
Anula capacidade contemplativa,
E vê tudo pela comilança passiva,
Atordoado de ofertas e previsões,
Sem capacidade de ativas reações.
Vasto controle para um olhar fixo,
Obcecado, cego por imagético lixo,
Só deseja ouvir som altissonante,
Duma indução para vida alienante.
Olho que só vê imagem de tornado,
Temporal e as brigas por todo lado,
Apenas chega a antever a fatalidade,
E sequer visualiza sinais de bondade.
Incapaz de perceber coisas novas,
Não vê emergir de plantas novas,
Nem ouve clamores da natureza,
E não ausculta as vozes da leveza.
Com a visão e audição desfocadas,
Suas sensibilidades já petrificadas,
Apenas anelam por imagem e som,
Para evadir-se do sentimento bom.
Já não sente a dor e nem a injustiça,
Pois a mente viciada apenas cobiça,
Hiper-imagem, com estômago cheio,
Como um bom mandalete do enleio.
Já não se enxerga parte do mistério,
Que impregna a vida sem vitupério,
E que na sabedoria dum bom senso,
Encontra intuição para um ascenso:
Não o da violência da acumulação,
Nem da farta terapia da alienação,
Ou do refúgio em caduca tradição,
Mas, para superar injusta condição.
Ascenso sem oferta sensacionalista,
Mas, o da pequena ação benquista,
Que alarga caminho da compaixão,
E que escuta os sinais de libertação.
Sonha, então para além das ruínas,
De tantas ações humanas cretinas,
E passa a indignar-se com excluídos,
E os tantos sentimentos destruídos.
Já não desejará religião dominante,
Veiculada por uma elite mandante,
De vestimenta pomposa e ostensiva,
Para ritualização mágica e dispersiva.
Escutará na voz advinda das vítimas,
Uma causa as para ações legítimas,
A favor dos relegados pela cegueira,
Dos surdos que não escutam a eira.
No lugar de antigos mandamentos,
Aproxima-se dos humanos alentos,
Advindos da proximidade de alguém,
A romper as teias que captam refém.
46 - VITALIDADE
Nesta idade,
A idoneidade,
Abre projetos,
Bem discretos.
A aparência,
E precedência,
Cedem espaços,
A outros traços.
Rica ambição,
Da conquista,
Volatiza no ar,
Sem aprumar.
A vingança,
Sem fiança,
Vê derrota,
E a chacota.
Doce leveza,
Da presteza,
Já se apruma,
E se arruma.
A esperança,
Abre e lança,
Sentido vital,
Ao devir real.
47 - VIVER BEM
Com as tantas teorias já caducas,
Explicações fanáticas e malucas,
Arvoram-se no poder de mandar,
O que todos precisam demandar.
Nos detalhes para o caminho feliz,
O tapete macio dos segredos sutis,
Alardeia a prosperidade financeira,
Dádiva divina da bênção altaneira.
Não lembra aquela arte tão rara,
Tida como cega estupidez ignara,
De captar os frutos da experiência,
Ante uma tão absurda evidência.
No vasto sofrimento denunciado,
Nada sensibiliza humano legado,
Para um humanismo sem guerra,
E duma interação que não ferra.
Na astúcia do variado “jeitinho”
Sempre pinta inusitado caminho,
Para os desejos mais audaciosos,
Com roubos mais inescrupulosos.
Muitas retribuições asseguradas,
Já não focam famílias agregadas,
Mas apontam um indivíduo feliz,
Empanturrado em bens que quis.
Somem emocionadas memórias,
Com histórias de lutas inglórias,
Ante pestes tão vorazes e letais,
E guerras doidas e hiper-mortais.
Raros sinais e gestos de empatia,
Ainda reavivam força da simpatia,
Para acreditar que senso humano,
Pode efetuar mais que desengano.
48 - PALAVRAS FINAIS GENTILEZA
Anos de cultivada brabeza,
Reprimiram toda gentileza,
E a relegam tão minguada,
Com sua energia atenuada.
Moída e engolida pelo ódio,
Deixou o seu elevado pódio,
E subsumida no anonimato,
Sobrevive no modo caricato.
As alardeadas notícias falsas,
Movidas por maliciosas alças,
Feriram vivência reconciliada,
E a deixaram toda atribulada.
Sumiu belo estilo respeitoso,
E impôs-se um perfil raivoso,
Para convencer e submeter,
E sob ameaça se intrometer.
Renasce um modo benfazejo,
Que o sonho gentil de bafejo,
Indica no rumo da amizade,
Para a cultivada fraternidade.
A gentileza reata bom diálogo,
Para viabilizar velho decálogo,
De tratamento amável e cívico,
Para um bom clima patriótico.
Edifica retorno dos encontros,
Num aguardo de reencontros,
Que ampliem o senso fraterno,
E firmem o especial trato terno.
Este bom e desejado remédio,
Livra toda crueldade do tédio,
E debela tanta patologia social,
Que ameaça respeito mundial.
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