A marca de muitos arquétipos sociais,
Estabelecia divisa de limites
pessoais,
Em que a vergonha graduava divisória,
Para não desrespeitar alheia memória.
Tanta convenção social colocava
freio,
À excessiva auto-exposição ante
alheio,
E a vergonha constituía o termômetro,
Para um necessário respeito
altímetro.
Educava-se o EU pessoal ante
alteridade,
Para ser livre com a
corresponsabilidade,
De não romper a convivência
necessária,
Com a emissão de condenação
temerária.
Sem a divisa perceptível do direito
alheio,
Um EU solto e, delirante de muito
floreio,
Está autorizado a desqualificar e
humilhar,
Ofender e agredir sem sua conduta
revisar.
Ao se perder valiosa noção de
vergonha,
Combate-se o alheio com raiva
medonha,
E a veiculação do ódio nas mídias
sociais,
Aumenta torcidas pelos valentes
policiais.
Importa derrotar adversário e
silenciá-lo,
E sua ameaça já é motivo para
eliminá-lo,
Sem a menor reverência pois é
adversário,
A ser difamado e, sumir como um
solitário.
Na grande escola cultural do espaço
público,
Identifica-se expressão do tratamento
rústico,
Como superioridade simpática a ser
festejada,
Merecedora do comando da pátria
idolatrada.
Nesta psicologia do contágio animoso
coletivo,
Denegrir a imagem alheia é o melhor lenitivo,
E mostrar tudo o quanto se consegue
apontar,
Constitui natural itinerário para
outro afrontar.
Sem divisa da vergonha para outros
destratar,
Some a referência ética para alguém
respeitar,
E admitir que possa ensejar uma
auto-crítica,
Da mínima decência ética na proposta
política.
Quando não existem mais limites de
respeito,
Expor a vida alheia e denegri-la com
despeito,
Torna-se a virtude excelsa do
convívio social,
E nada requer revisão de incoerência
pessoal.
Quadro da instituição pública anti-patriótica,
Vira uma insinuante escola de ação
despótica,
E a maior grandeza para mandar, é
atribuída,
A quem consegue destroçar outro com
ferida.
O mais esperto acusador do candidato
rival,
Frui simpatia hilária e recebe um
vasto aval,
Para seguir feroz derrotador da
adversidade,
E reinar numa hegemonia de
arbitrariedade.
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