terça-feira, 13 de outubro de 2026

LIMITES DE AGRESSÃO

 


A marca de muitos arquétipos sociais,

Estabelecia divisa de limites pessoais,

Em que a vergonha graduava divisória,

Para não desrespeitar alheia memória.

 

Tanta convenção social colocava freio,

À excessiva auto-exposição ante alheio,

E a vergonha constituía o termômetro,

Para um necessário respeito altímetro.

 

Educava-se o EU pessoal ante alteridade,

Para ser livre com a corresponsabilidade,

De não romper a convivência necessária,

Com a emissão de condenação temerária.

 

Sem a divisa perceptível do direito alheio,

Um EU solto e, delirante de muito floreio,

Está autorizado a desqualificar e humilhar,

Ofender e agredir sem sua conduta revisar.

 

Ao se perder valiosa noção de vergonha,

Combate-se o alheio com raiva medonha,

E a veiculação do ódio nas mídias sociais,

Aumenta torcidas pelos valentes policiais.

 

Importa derrotar adversário e silenciá-lo,

E sua ameaça já é motivo para eliminá-lo,

Sem a menor reverência pois é adversário,

A ser difamado e, sumir como um solitário.

 

Na grande escola cultural do espaço público,

Identifica-se expressão do tratamento rústico,

Como superioridade simpática a ser festejada,

Merecedora do comando da pátria idolatrada.

 

Nesta psicologia do contágio animoso coletivo,

Denegrir a imagem alheia é o melhor lenitivo,

E mostrar tudo o quanto se consegue apontar,

Constitui natural itinerário para outro afrontar.

 

Sem divisa da vergonha para outros destratar,

Some a referência ética para alguém respeitar,

E admitir que possa ensejar uma auto-crítica,

Da mínima decência ética na proposta política.

 

Quando não existem mais limites de respeito,

Expor a vida alheia e denegri-la com despeito,

Torna-se a virtude excelsa do convívio social,

E nada requer revisão de incoerência pessoal.

 

Quadro da instituição pública anti-patriótica,

Vira uma insinuante escola de ação despótica,

E a maior grandeza para mandar, é atribuída,

A quem consegue destroçar outro com ferida.

 

O mais esperto acusador do candidato rival,

Frui simpatia hilária e recebe um vasto aval,

Para seguir feroz derrotador da adversidade,

E reinar numa hegemonia de arbitrariedade.

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

<center>ENTRE O COTIDIANO E O PENSAMENTO</center>

    SINOPSE   Muitas pessoas orientam sua vida pelo seu cotidiano, ao lado de outras que se orientam pelo pensamento. Nesta disputa, nem...