quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O PECADO VENERADO

 


Na minguada consciência de pecado,

Atribuída ao psiquismo desregulado,

Relega-se o sacramento da confissão,

E valoriza-se a psicológica orientação.

 

Sem reconhecer alguma culpa grave,

Tudo se resolve com a terapia suave,

Para catarse diante das dissonâncias,

E continuar sem honestas reatâncias.

 

No mundo sem pecado grave ou leve,

Perdão já não conferido a quem deve,

Configura uma fraqueza do ego forte,

Que deve revelar seu poderoso aporte.

 

Ausência de fronteira na conduta ética,

E quando a moral é questão de estética,

Nem se admite uma eventual correção,

Menos ainda, culpa pela procrastinação.

 

Matar e roubar, na lei do senso comum,

No cotidiano da rotina sem efeito algum,

Dilui toda consciência de pecado e culpa,

E por isso, para coisa alguma se desculpa.

 

Apela-se muito à ação do diabo na vida,

Em torno dos casuísmos da sua medida,

Para que as culpas puritanas e subjetivas,

Recebam na confissão as noções lenitivas.

 

Enquanto tal modo de lida com pecado,

Separado do contexto social degradado,

Se delimita ao âmbito da subjetividade,

Nada se afeta ecologia na agressividade.

 

Rol diabólico da visão antropocêntrica,

Oculta-se sob a adoração egocêntrica,

O verdadeiro agir perverso e satânico,

Que mata a natureza de modo irônico.

 

O pecado ecológico, piamente tolerado,

Sem dura penitência ao míope alienado,

Requer a ação que repercute na mente,

Para moldar o coração que nada sente:

 

Não bastará aquela penitência de reza,

No alienado foco que muito despreza,

O pecado mortal contra ecossistemas,

Sem absolvição para atuais emblemas.

 

A penitência precípua para este pecado,

É reconstruir vasto ambiente degradado,

Já destroçado pelos humanos diabólicos,

Na doente ambição de fins melancólicos.

 

Estranha sanção a atos contra pessoas,

Vê morte da ecologia pelas ações boas,

Das desorientada ambição destruidora,

Enaltecida como a inovação promissora.

 

Tolerar morte sistêmica é pecado grave,

Que deve mobilizar a importante chave:

Ingerir um alimento saudável e nutritivo,

Sem destruir meio ecológico inofensivo.

 

Matar a natureza é um pecado tão cruel,

Como matar pessoas por mero azedo fel,

Pelo simples remelejo de possessividade,

Que inviabiliza vida e humana sociedade.

 

 

 

 

 

 

 

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