Na minguada consciência de pecado,
Atribuída ao psiquismo desregulado,
Relega-se o sacramento da confissão,
E valoriza-se a psicológica
orientação.
Sem reconhecer alguma culpa grave,
Tudo se resolve com a terapia suave,
Para catarse diante das dissonâncias,
E continuar sem honestas reatâncias.
No mundo sem pecado grave ou leve,
Perdão já não conferido a quem deve,
Configura uma fraqueza do ego forte,
Que deve revelar seu poderoso aporte.
Ausência de fronteira na conduta
ética,
E quando a moral é questão de
estética,
Nem se admite uma eventual correção,
Menos ainda, culpa pela
procrastinação.
Matar e roubar, na lei do senso
comum,
No cotidiano da rotina sem efeito algum,
Dilui toda consciência de pecado e
culpa,
E por isso, para coisa alguma se
desculpa.
Apela-se muito à ação do diabo na
vida,
Em torno dos casuísmos da sua medida,
Para que as culpas puritanas e
subjetivas,
Recebam na confissão as noções
lenitivas.
Enquanto tal modo de lida com pecado,
Separado do contexto social degradado,
Se delimita ao âmbito da
subjetividade,
Nada se afeta ecologia na
agressividade.
Rol diabólico da visão
antropocêntrica,
Oculta-se sob a adoração egocêntrica,
O verdadeiro agir perverso e
satânico,
Que mata a natureza de modo irônico.
O pecado ecológico, piamente
tolerado,
Sem dura penitência ao míope
alienado,
Requer a ação que repercute na mente,
Para moldar o coração que nada sente:
Não bastará aquela penitência de
reza,
No alienado foco que muito despreza,
O pecado mortal contra ecossistemas,
Sem absolvição para atuais emblemas.
A penitência precípua para este
pecado,
É reconstruir vasto ambiente
degradado,
Já destroçado pelos humanos
diabólicos,
Na doente ambição de fins
melancólicos.
Estranha sanção a atos contra
pessoas,
Vê morte da ecologia pelas ações boas,
Das desorientada ambição destruidora,
Enaltecida como a inovação
promissora.
Tolerar morte sistêmica é pecado
grave,
Que deve mobilizar a importante
chave:
Ingerir um alimento saudável e
nutritivo,
Sem destruir meio ecológico inofensivo.
Matar a natureza é um pecado tão
cruel,
Como matar pessoas por mero azedo
fel,
Pelo simples remelejo de
possessividade,
Que inviabiliza vida e humana
sociedade.
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