quarta-feira, 2 de setembro de 2026

FRONTEIRAS DOS MEDOS

 

 

Enquanto valentes cruzam fronteiras,

Medrosos erguem muralhas de eiras,

Para estabelecer os limites às insídias,

E evitar perdas em humanas tragédias.

 

Tantos casos com manifestas invídias,

A revelarem, nas traiçoeiras perfídias,

Ativam as vulnerabilidades humanas,

Pelas defesas ante ações doidivanas.

 

Identificar algo ou alguém como hostil,

Neste tão disputado mundo mercantil,

Perturba o sensível campo emocional,

E leva a estabelecer proteção racional.

 

Contingência humana ante fronteiras,

Nem sempre as considera altaneiras,

E ao se demonstrar o medo na defesa,

Estimula-se o invasor na sua afoiteza.

 

Na exacerbação desta ambiguidade,

Cresce a auto-defesa e agressividade,

Que produz fantasmas ameaçadores,

Para os seguros e desejados fulgores.

 

Proteger demais delineadas fronteiras,

Inviabiliza as aprendizagens fagueiras,

Viáveis na ousadia de romper limites,

Perante quadros dos seguros palpites.

 

Erguer barricadas e fechar fronteiras,

Contra as outras exteriores barreiras,

Quebra o natural dote da socialização,

E ativa um medo contra outra nação.

 

Evidência clara do medo alimentado,

Vira recurso para desejo ambicionado,

E ativa coragem do romper a muralha,

Para invadir e explorar a lídima falha.

 

Ações demasiadamente protecionistas,

Atiçam as alternativas de novas pistas,

E levam à invasão do espaço protegido,

Para, nele, fixar-se de modo aguerrido.

 

Entre os medos e impulsos agressivos,

Que produzem os fanatismos abusivos,

Circula um ar de liberdade e segurança,

Que não carece de arma para vingança.

 

É contraditória a rejeição de pertença,

Para escudar-se na interesseira crença,

De que o protecionismo salva na cerca,

Contra caótica ronda de eventual perca.

 

Quando globalidade requer sítio único,

Soa como mórbido o sectarismo irônico,

De proteger-se contra supostos inimigos,

Que não integram interesseiros amigos.

 

Se os medos fazem parte da contingência,

Moderar a desleal e agressiva ingerência,

Será menos odiosa do que protecionismo,

Que se enclausura no falso isolacionismo.

 

Absurdo senso de formar uma raça pura,

Na história da miscigenação sem candura,

Nega as múltiplas genéticas disseminadas,

Que constituem as ancestralidades dadas.

 

Já não é na guerra que se elimina o medo,

Nem se consagra a valentia como segredo,

Porque, lados envolvidos sempre perdem,

E nada elevam entre os vivos, sua ordem.

 

 

 

 

 

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