Enquanto valentes cruzam fronteiras,
Medrosos erguem muralhas de eiras,
Para estabelecer os limites às
insídias,
E evitar perdas em humanas tragédias.
Tantos casos com manifestas invídias,
A revelarem, nas traiçoeiras
perfídias,
Ativam as vulnerabilidades humanas,
Pelas defesas ante ações doidivanas.
Identificar algo ou alguém como
hostil,
Neste tão disputado mundo mercantil,
Perturba o sensível campo emocional,
E leva a estabelecer proteção
racional.
Contingência humana ante fronteiras,
Nem sempre as considera altaneiras,
E ao se demonstrar o medo na defesa,
Estimula-se o invasor na sua
afoiteza.
Na exacerbação desta ambiguidade,
Cresce a auto-defesa e agressividade,
Que produz fantasmas ameaçadores,
Para os seguros e desejados fulgores.
Proteger demais delineadas
fronteiras,
Inviabiliza as aprendizagens
fagueiras,
Viáveis na ousadia de romper limites,
Perante quadros dos seguros palpites.
Erguer barricadas e fechar
fronteiras,
Contra as outras exteriores
barreiras,
Quebra o natural dote da
socialização,
E ativa um medo contra outra nação.
Evidência clara do medo alimentado,
Vira recurso para desejo ambicionado,
E ativa coragem do romper a muralha,
Para invadir e explorar a lídima
falha.
Ações demasiadamente protecionistas,
Atiçam as alternativas de novas
pistas,
E levam à invasão do espaço
protegido,
Para, nele, fixar-se de modo
aguerrido.
Entre os medos e impulsos agressivos,
Que produzem os fanatismos abusivos,
Circula um ar de liberdade e
segurança,
Que não carece de arma para vingança.
É contraditória a rejeição de
pertença,
Para escudar-se na interesseira
crença,
De que o protecionismo salva na cerca,
Contra caótica ronda de eventual
perca.
Quando globalidade requer sítio
único,
Soa como mórbido o sectarismo
irônico,
De proteger-se contra supostos
inimigos,
Que não integram interesseiros
amigos.
Se os medos fazem parte da
contingência,
Moderar a desleal e agressiva
ingerência,
Será menos odiosa do que
protecionismo,
Que se enclausura no falso
isolacionismo.
Absurdo senso de formar uma raça
pura,
Na história da miscigenação sem
candura,
Nega as múltiplas genéticas
disseminadas,
Que constituem as ancestralidades
dadas.
Já não é na guerra que se elimina o
medo,
Nem se consagra a valentia como
segredo,
Porque, lados envolvidos sempre
perdem,
E nada elevam entre os vivos, sua
ordem.
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