sexta-feira, 11 de setembro de 2026

PERDÃO - TEM LUGAR NA SOCIEDADE?

 


Da lei antiga da vingança absoluta,

De Abimalec na posição imploluta,

De vingar toda e qualquer ofensa,

Evoluiu-se à regra da recompensa:

 

Reação contra toda agressividade,

A retribuir na mesma intensidade,

Engendrou regra do olho por olho,

Para tirar do agressor seu antolho.

 

Na época já havia uma consciência,

A fazer valiosa e lúcida advertência:

Evitar toda a compulsiva vingança,

E amar o adversário na temperança.

 

O Livro do Levítico insistia na regra,

De evitar raiva e uma contrarregra,

Mas, amar outro como a si mesmo,

 Para um exitoso e manifesto esmo.

 

Vazão livre ao instinto de vingança,

Ante uma eventual boa esperança,

Alarga nos sentimentos de rancor,

E da ira sem limites que gera dor.

 

A simples divergência de opiniões,

Que visam dominar alheias noções,

Produz tanta defesa conservadora,

Insubmissa à tentativa controladora.

 

Como então diminuir prevaricações,

E as regras sem justas ponderações,

Para solucionar os impasses cruciais,

E ponderar ante dissenções sociais?

 

Velho senso comum indicava revide,

Perante alguns atos de quem agride,

Mas Jesus surpreendeu os discípulos,

Para que perdoassem os obstáculos.

 

Se Deus perdoa o coração humano,

Movido por fraqueza e agir insano,

Não deve este teimar na malvadeza,

De se vingar ante a alheia fraqueza.

 

Proposta do perdão como virtude,

Não serve para alguém que se ilude,

De que vingança constitui ação boa,

Para correção de quem ofende à toa.

 

A quem quer ser discípulo de Cristo,

Perdoar constitui um ato benquisto,

Que rompe todo o ciclo da violência,

Para reatar a ruptura da convivência.

 

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