Impressionante interação humana,
Com Pets na convivência cotidiana,
Produz, na imitação do senso filial,
A reprodução de um amor fulcral.
Conversa de horas com queridos,
Naquela fala repleta de pruridos,
Do intimismo do signo amoroso,
Produz o novo linguajar dengoso.
Os ditos Pets compram atenção,
E repetem todo dia à exaustão,
Os latidos e miados de carência,
Esperando exclusiva preferência.
Querem colo, atenção precípua,
Na dedicação integral conspícua:
Serem agraciados com os gestos,
Sem expressar sinais de doestos.
Escutam cinquenta vezes ao dia,
Uma mesma dissonante melodia:
Se já fizeram o cocozinho e xixi,
Naquele “tapetinho” que fica ali.
Eles, tanto para receber atenção,
Ou teimar na sua procrastinação,
Urinam e defecam por todo lado,
No aguardo de receber o agrado.
Aguardam pelos sinais renitentes,
Dos miados ou latidos insistentes,
Que sejam agraciados na atenção:
Como centro do humano coração.
Mesmo que não assimilem a fala,
Captam com a sua sensitiva trela,
Que na dependência do desfrute,
Carecem dum “tu” que os escute.
Acostumados no topo do centro,
Preenchem o humano epicentro,
E substituem o espaço dos filhos,
Exigentes, irrequietos, andarilhos.
Com os Pets se firma o simulacro,
Lugar hegemônico do filho sacro,
E trato como entes das entranhas,
Os ocupam em cotidianas manhas.
Sobra o paradoxo de Pets cuidados,
E tantos filhos humanos relegados,
A sentirem ciúmes das preferências,
De Pets nas meigas benemerências.
O simulacro do amor com bichinhos,
Desvia pelos humanos descaminhos,
Tanta frustração com o imprevisível,
Do carente humano, tão desprezível.
Como é inconstante e tanto muda,
A preferência por animal desnuda,
Toda conflitiva interação humana,
Frustrante e que tanto desengana.
A adoção de Pet é mais atraente,
Que criatura humana feita gente,
E indica humano amor deslocado,
Como sinal de mundo derrocado.
Resta saber se inusitada simbiose,
Vai se tornar ascendente meiose,
Da auto-transcendência humana,
Para inovada filiação que irmana.
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