Como um instrumento prodigioso,
Reativa-se odiado campo religioso,
Para assegurar conquistas políticas:
Recorrer a Deus para ações táticas.
Tantas lutas de motivação religiosa,
Geraram séculos de guerra raivosa,
Dos proclamados amigos de Deus,
Contra o diabo e dos inimigos seus.
Justificava-se que Deus convocava,
Para luta armada ao que discordava,
Visto como um adorador de ídolos,
Movido apenas por valores frívolos.
A religião do rei impingida ao povo,
Implacável a causar muito corcovo,
Combatia insubmissos e revoltados,
E exigia procedimentos devotados.
Vista como um retrocesso humano,
Guerra religiosa de motivo insano,
Apontou para inusitada motivação:
Vida civil regida pela secularização.
Separação entre Religião e Estado,
Sinônimo para progresso ilimitado,
Seria superação da religião arcaica,
Para uma sociedade menos prosaica.
A religião insinuada como atraso,
Símbolo do retrocesso e do ocaso,
Freava belo progresso civilizatório,
Para um mundo mais satisfatório.
Secularização justificava boicote,
A todo e qualquer religioso dote,
Símbolo de um conservadorismo,
Que freava possível progressismo.
A contradição dos fatos históricos,
Leva política aos dados categóricos,
Com sua sutil finalidade eleitoreira,
Para utilizar Deus na sua bandeira.
Já não se trata de Deus libertador,
Mas, tradicionalismo conservador,
Pré-moderno, e muito combatido,
Inusitado neste tempo combalido.
Novo casamento que nada separa,
Une religião com a ideologia clara,
Em cooptação de pessoas religiosas,
Para ações sorrateiras e enganosas.
O apelo ao velho Deus dos exércitos,
A pedir combate a inimigos
explícitos,
Estabelece toda e qualquer oposição,
Foco de merecida e fulcral
destruição.
Sob ideologia do avanço
civilizatório,
Regride-se a tempo arcaico notório,
Da perseguição, em nome de Deus,
Para locupletar egos de afoitos eus.
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