sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

NO ALTO DA MONTANHA

 


 

Linguagem impregnada de símbolos,

Para abordar a fé com os seus apelos,

Remete às figuras para interpelações,

Que vão além do nível de informações.

 

O evangelista Mateus no seu contexto,

Aborda imagem da montanha no texto,

Para contrapor à caduca lei de Moisés,

O que Jesus apresentou como novo viés.

 

Montanhas e a nuvens das hierofanias,

De experiências de Deus com epifanias,

Expressavam o diálogo humano-divino,

Que repercutia para o rumo cristalino.

 

Mateus viu que todas as coisas valiosas,

Emitidas por Jesus às pessoas sequiosas,

Ocorriam no simbólico alto da montanha,

Para envolve-las em inusitada campanha:

 

Jesus, a nova imagem do Moisés antigo,

Revelava, mais do que uma lei e o perigo,

Amor de Deus em revelação a discípulos,

Acima de Moisés, profetas e condiscípulos.

 

Voz do céu, muito digna de ser escutada,

Em Jesus, distinta da tradição aquilatada,

Adquire pleno sentido redentor de Cristo,

Pois, mais que o legislador, era benquisto.

 

Corrige noção de Pedro para novo foco,

Pois, só ele aufere o interagir recíproco,

Mais do que a antiga lei e o profetismo,

 Já que ilumina a vida, sem o fanatismo.

 

O alto da tenda da própria interioridade,

Revela como em Pedro sedutora piedade,

Feita de regra ritualística rígida e estéril,

De tendas a Moisés e a profetas antigos,

Sem gestar o jeito de Cristo em postigos.

 

Nada então transfigura rotineiro cotidiano,

E nada amplia rol do crescimento humano,

Do que representa o bom agir na planície,

Como irradiação luminosa contra sordície.

 

Perspectiva amorosa de Deus na lei arcaica,

 Tão visualizada na transfiguração mosaica,

Não contempla um prolongamento cristão,

Para oportunizar a benéfica transfiguração.

 

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