quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

DO TRONO À SEPULTURA

 


Exercício do poder de domínio,

Junto com o ambicioso fascínio,

Faz passar pelos altares a oferta,

A implicar em muita morte certa.

 

Inúmeras notícias de feminicídio,

Ao lado das rotinas do fratricídio,

Parecem constituir um rito diário,

Dum cultural e humano itinerário.

 

Quando altares da justa oferenda,

Afirmam e ratificam a reprimenda,

De que elementar anseio humano,

É da primazia de macho soberano.

 

O reforço da hierarquia masculina,

Escolha precípua da justiça divina,

Não admite ascensão de mulheres,

Destituídas de divinos esplendores.

 

Tidas como submissas e atreladas,

Criam-se narrativas esfarrapadas,

De obscurecidas praxes religiosas,

Que as rotulam frágeis e perigosas.

 

 

Se os documentos eclesiásticos,

Citam com termos entusiásticos,

Igualdade de mulheres e homens,

Sucumbem ante os super-homens.

 

Velha e caduca estrutura patriarcal,

Presa a fundamentalismo ancestral,

Segue negando igualdade de direito,

Ao gênero feminino de inato defeito.

 

O discurso religioso molda opiniões,

E as narrativas esbarram em jargões,

Da sua inépcia para tarefa específica,

E de sua presença apenas honorífica.

 

A quebra de instituições masculinas,

Significa romper as suas disciplinas,

Para que o senso feminino se eleve,

E engendre vida coletiva mais leve.

 

Intuição feminina e a cordialidade,

A riqueza reprimida na sociedade,

Poderia ensejar menos homicídio,

De trono e altar para o feminicídio.

 

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