sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

JEJUM POR JEJUM

 


Israel antigo seguiu praxe social,

E propugnava a lei obrigacional,

Perante catástrofes e fatalidades,

Para mortificação com piedades.

 

Tragédia, vista como ira de Deus,

Movia os jejuns de ricos a plebeus,

Para aplacar o vistoso furor divino,

Sem sumir sob um trágico destino.

 

A aparente negociação insinuava,

Que sofrimento coletivo atenuava,

A ira de Deus perante o seu povo,

E reatava seu bom auxílio de novo.

 

Persistência nos pecados coletivos,

Nada modificava hábitos injustos;

Apesar das amplas mortificações,

Tudo continuava nas velhas ações.

 

Teria Deus prazer em ver humanos,

Na penúria de sofrimentos insanos,

Para mover seu sentimento sádico,

A humilhar um povo todo errático?

 

Deus, bem longe desta mesquinhez,

Deve alegrar-se, não com a altivez,

Mas, com a mudança do jejuador,

Benéfico para processo libertador.

 

Um jejum eficaz como conversão,

Não atrelado à mera mortificação,

Fita para algo a ser transformado,

Num interagir tão desencontrado.

 

Mais que luto por perda e ausência,

Jejum deverá ajuizar com decência,

O procedimento desonesto e injusto,

Para revelar um coração reto e justo.

 

 

 

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