sábado, 14 de fevereiro de 2026

JUSTIÇA CONDESCENDENTE

 


Imensa tolerância para justificar atos,

Na moralidade religiosa ante os fatos,

Produz uma justiça sempre tolerante,

Para alguém justificar seu ato errante.

 

Apelos como “o pecado é inevitável”,

“A carne é fraca” diante do inegável,

E que Deus não liga para tais coisas,

Veneram uma lei apagável de loisas.

 

Assim, o preceito religioso vira falaz,

Sem abrir caminho ante o que apraz,

E a lei serve apenas para a barganha,

Para justificar a sua própria façanha.

 

A Lei, bom instrumento para dominar,

Mesmo religiosa, e longe de orientar,

Vira legalismo farisaico de aparência,

Como simulacro de íntegra decência.

 

Assim tem gente que não é assassina,

Mas mata de forma perversa e sovina,

Com sufocamento psíquico e agressivo,

E boicota, aos outros, qualquer lenitivo.

 

Outros caçam novos amantes afetivos,

E justificam repúdios a amores antigos,

Para denegrir a sua objetiva identidade,

E fazem juramentos falsos à saciedade.

 

Na casuística de leis, cria-se a couraça,

De uma auto-defesa que tudo rechaça,

E afirmar que nada acusa a consciência,

Evita a necessidade dum amor radical.

 

Bifurcação abre dois caminhos na vida:

O do legalismo, sem ação compadecida,

E o de apontar escolhas para novo agir,

A fim de reconciliar-se para se redimir.

 

Ante as muitas leis, é tão fácil mentir,

E julgar outros, para se auto-imiscuir,

Sob juramentos duma idônea retidão,

Enquanto a maldade age no coração.

 

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