Os escrúpulos em torno do jejuar,
Tendem a prolongar noção vulgar,
De velha e adaptada noção bíblica,
Para uma contrita prática pública.
Suposição de que Deus está irado,
Com desencontro humano eivado,
Conclama uma população inteira,
Para jejum de perdão por besteira.
Vestes de estopa como sinal coletivo,
Com cinzas na cabeça para o lenitivo,
Desejavam aplacar toda a fúria
divina,
Contra a convivência humana sovina.
Após o retorno do exílio babilônico,
Sem a paz serena, o oposto irônico,
Ostentava fome, miséria, exploração,
Mortes, brigas sem pública proteção.
Os mais espertos exploravam pobres,
Sob omissão das autoridades nobres;
Desconfiava-se da intervenção divina,
Sem ação ante desorganização cretina.
Esperava-se, entretanto, complacência,
Da divindade misericordiosa a
anuência,
Para diminuir sofrimento e
insegurança,
De vida social sem regras na
lambança.
Foi então que Isaías soltou dura
crítica,
Contra o jejum sem mínima
autocrítica,
Enfatizou que não era Deus o
problema,
Mas, este jejum, sem um justo
sistema.
Um jejum que Deus poderia valorizar,
Envolveria uma outra forma de jejuar:
Seria este de repartir o pão a
famintos,
E acolher pobres dos amargos
absintos.
Vestir os tantos que careciam de
roupa,
Permitiria ao povo recuperar a
choupa,
Da imagem de luz a brilhar entre
povos,
No código ético-moral de bons
corcovos.
Os israelitas se pensavam luz do
mundo,
Mas a vida real do seu universo
iracundo,
Não iluminava nem ambiente doméstico,
E menos ainda seu consciente
intrínseco.
Tantas calamidades, pestes e doenças,
Interpelam ainda hoje, nossas
crenças,
E mais difícil do que não comer
carne,
É agir para que a solicitude se
encarne.
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