sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

JEJUM PARA QUÊ?

 


Os escrúpulos em torno do jejuar,

Tendem a prolongar noção vulgar,

De velha e adaptada noção bíblica,

Para uma contrita prática pública.

 

Suposição de que Deus está irado,

Com desencontro humano eivado,

Conclama uma população inteira,

Para jejum de perdão por besteira.

 

Vestes de estopa como sinal coletivo,

Com cinzas na cabeça para o lenitivo,

Desejavam aplacar toda a fúria divina,

Contra a convivência humana sovina.

 

Após o retorno do exílio babilônico,

Sem a paz serena, o oposto irônico,

Ostentava fome, miséria, exploração,

Mortes, brigas sem pública proteção.

 

Os mais espertos exploravam pobres,

Sob omissão das autoridades nobres;

Desconfiava-se da intervenção divina,

Sem ação ante desorganização cretina.

 

Esperava-se, entretanto, complacência,

Da divindade misericordiosa a anuência,

Para diminuir sofrimento e insegurança,

De vida social sem regras na lambança.

 

Foi então que Isaías soltou dura crítica,

Contra o jejum sem mínima autocrítica,

Enfatizou que não era Deus o problema,

Mas, este jejum, sem um justo sistema.

 

Um jejum que Deus poderia valorizar,

Envolveria uma outra forma de jejuar:

Seria este de repartir o pão a famintos,

E acolher pobres dos amargos absintos.

 

Vestir os tantos que careciam de roupa,

Permitiria ao povo recuperar a choupa,

Da imagem de luz a brilhar entre povos,

No código ético-moral de bons corcovos.

 

Os israelitas se pensavam luz do mundo,

Mas a vida real do seu universo iracundo,

Não iluminava nem ambiente doméstico,

E menos ainda seu consciente intrínseco.

 

Tantas calamidades, pestes e doenças,

Interpelam ainda hoje, nossas crenças,

E mais difícil do que não comer carne,

É agir para que a solicitude se encarne.

 

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