quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

CINZAS CAUSTICANTES

 

 

A cada ano que transcorre,

Tempo da quaresma recorre,

A um símbolo muito valioso,

Para reduzir o ar orgulhoso.

 

Sem nenhum poder mágico,

Sequer contra fato trágico,

A cinza lembra pó da terra,

E corpo frágil que emperra.

 

Advindos no meio de húmus,

Humanos sem bons aprumos,

Cheios de orgulho e vaidade,

Ficam distantes da caridade.

 

Cinza aponta modo humilde,

Ante tanta interação rebelde,

Recheada pela mesquinharia,

Na efêmera força da valentia.

 

Raros sinais de misericórdia,

Básicos à humana concórdia,

Podem alargar na grandeza,

Respeito e humana inteireza.

 

Mais do que cinza causticante,

Fitos de mudar o jeito errante,

Convertem para dias melhores,

Com bons e edificantes valores.

 

Jejum, emola, orações normais,

Interpelam para os atos sociais,

Com conversão para o respeito,

E interação de menos despeito.

 

Conversão sem mudar caridade,

Gesta a farisaica arbitrariedade,

De mover-se no mero interesse,

Sem a sintonia de ação benesse.

 

Tentação de privar-se de carne,

Sem que a caridade se encarne,

Revela a efetiva falta de amor,

Para um inusitado esplendor.

 

Oração que foca interioridade,

Um feixe de muita fragilidade,

Muda coração do agir afetivo,

Para o tempo de fruto positivo.

 

Mais que rezar na rua e praça,

Sob máscara da superior graça,

Poderá ser agradável ao criador,

A conversão do mundo interior.

 

 

O reconciliar-se com a memória,

Do percurso da própria história,

Ajuda a avivar a transitoriedade,

Da vida humana em sociedade.

 

Longe da condição de ser eterno,

E portador de poder sempiterno,

Curta e frágil existência humana,

Depende da relação que irmana.

 

 

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