A cada ano que transcorre,
Tempo da quaresma recorre,
A um símbolo muito valioso,
Para reduzir o ar orgulhoso.
Sem nenhum poder mágico,
Sequer contra fato trágico,
A cinza lembra pó da terra,
E corpo frágil que emperra.
Advindos no meio de húmus,
Humanos sem bons aprumos,
Cheios de orgulho e vaidade,
Ficam distantes da caridade.
Cinza aponta modo humilde,
Ante tanta interação rebelde,
Recheada pela mesquinharia,
Na efêmera força da valentia.
Raros sinais de misericórdia,
Básicos à humana concórdia,
Podem alargar na grandeza,
Respeito e humana inteireza.
Mais do que cinza causticante,
Fitos de mudar o jeito errante,
Convertem para dias melhores,
Com bons e edificantes valores.
Jejum, emola, orações normais,
Interpelam para os atos sociais,
Com conversão para o respeito,
E interação de menos despeito.
Conversão sem mudar caridade,
Gesta a farisaica arbitrariedade,
De mover-se no mero interesse,
Sem a sintonia de ação benesse.
Tentação de privar-se de carne,
Sem que a caridade se encarne,
Revela a efetiva falta de amor,
Para um inusitado esplendor.
Oração que foca interioridade,
Um feixe de muita fragilidade,
Muda coração do agir afetivo,
Para o tempo de fruto positivo.
Mais que rezar na rua e praça,
Sob máscara da superior graça,
Poderá ser agradável ao criador,
A conversão do mundo interior.
O reconciliar-se com a memória,
Do percurso da própria história,
Ajuda a avivar a transitoriedade,
Da vida humana em sociedade.
Longe da condição de ser eterno,
E portador de poder sempiterno,
Curta e frágil existência humana,
Depende da relação que irmana.
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