sábado, 27 de dezembro de 2025

O MANECO PROPÍCIO

 


Homem afeiçoado a bulício,

Sinaliza sintomático indício,

Dum declínio da sua função,

Por favorecer sua interseção.

 

Símbolo do homem público,

Desempenha papel cômico,

Na lida moral da sua razão,

Mas, feito o dono da função.

 

Manda e vota na noite escura,

Na hora avançada da diabrura,

Para anistiar colegas infratores,

E agradar grupos exploradores.

 

Fruto da intimidade solipsista,

Longe da consciência altruísta,

Situa-se entre seus similares,

A desfrutar dos mesmos ares.

 

Empreendedorismo autoritário,

Preenche o seu gosto salafrário,

Pois, a democracia estabelecida,

Não enseja a vantajosa guarida.

 

Propício para a ampla corrupção,

Não liga para honesta reputação,

Porque atual queda ético-moral,

Oferece larga liberdade cultural.

 

Sabe justificar os males públicos,

Fenômenos impessoais abúlicos,

Para focar desejo de condomínio,

Alinhado ao seu mórbido fascínio.

 

Mesmo representando o Estado,

Fita seus olhos para o outro lado:

Salvar o investimento particular,

E com ele, muito dinheiro lucrar.

 

Homem de fé no seu condomínio,

Domestica apelo ao seu raciocínio,

De não dar espaço para estranhos,

E nem ver seus visados arreganhos.

 

Pouco lhe importa a fraternidade,

Muito agrada fratricídio à vontade,

No cultivo da aversão à aporofobia,

Da sua rígida e neoliberal filosofia.

 

Muito mais que ampliar cidadania,

Protege seu grupo com a maestria,

Para que os muros de condomínios,

Protejam os ricos e seus domínios.

 

Fascinado com o poder autoritário,

Do compadrio do serviço ordinário,

Importa-se essencialmente consigo,

Para ficar muito distante de inimigo.

 

Manipula os fatos para a persuasão,

De que seu serviço constitui solução,

Com um reacionarismo de ditadura,

Contra hodierno estado de amargura.

 

Aprendeu a dissimular sua covardia,

E vê violência armada com nostalgia,

Para estabelecer progresso e ordem,

Num pressuposto caos da desordem.

 

Alegre com cadáveres amontoados,

Justifica violência de bons soldados,

Como ato de proteção a indefesos,

Para deixá-los bem seguros e ilesos.

 

O empreendedorismo do particular,

Para acumulação egóica e singular,

Sem nada para o Estado e o pobre,

Porém, tudo quer para elite nobre.

 

Uma identidade comum e coletiva,

Abriria risco para a dura invectiva,

De socialização dos lucros obtidos,

Para incontáveis vadios e excluídos.

 

Os meios, para bulimia de poucos,

Requerem anorexia de amoucos,

Que oferendem votos preciosos,

Para ficarem distantes e ociosos.

 

Almeja apenas grandes negócios,

E proeminência dos agronegócios,

Neste limbo sem arbitrariedades,

Das protegidas e ricas sociedades.

 

Longe de favorecer a diversidade,

Deseja só monocrática sociedade,

Norteada por avanço tecnológico,

E aquele jeitinho todo fisiológico.

 

Toda barbárie no meio do povão,

Difundida e propalada à exaustão,

Justifica utilização de arma bélica,

Ante comunista ação psicodélica.

 

Adora usar a palavra “terrorista”,

Como o pior inimigo anarquista,

A ser perseguido e, destroçado,

Sem deixar rastro do seu legado.

 

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

<center>GUERRA POR PODER</center>

    Desejo de exercer influência, Sobre uma vasta congruência, Transforma relações afetivas, Em odiosa luta de invectivas.   N...