No coração de bela cidade,
Escuto vozes na saciedade,
Língua, de outro ambiente,
Sob tolerância indiferente.
Deslocados de sua cultura,
Vivem em teimosa agrura,
Para sobreviver adaptados,
Nos espaços aglomerados.
Deixaram história para trás,
Solução dum contexto fugaz,
Sem dia prevista de retorno,
Ante a violência do entorno.
Sem o espaço humanizador,
Da origem do seu pundonor,
Tentam captar luz e direção,
A apontar efetiva redenção.
Enquanto natal de ricos reis,
Força deslocamento de greis,
Insensível a morto e fugitivo,
Deixa esperança sem lenitivo.
Facilidade de negar direitos,
Para acumular ricos preitos,
Faz do Natal a contradição,
Da lei da humana condição.
Se nem Herodes e Jerusalém,
Acolheram o pobre de Belém,
A sua mensagem hospitaleira,
Continua a ser jogada na eira.
Prefere-se a violência diária,
Pautada na ação temerária,
Para muitos bens acumular,
Sem obrigação de partilhar.
Com tanto solo no planeta,
Sob tanto cano de baioneta,
O deslocado fica amontoado,
Em espaço bem inadequado.
Resiste com a fala da origem,
Sem ampliar a sua vantagem,
Para o ambiente hospitaleiro,
Neste lugar apenas passageiro.
Como a velha história violenta,
A sua genuína espera sedenta,
Faz dele fugitivo perambulante,
Neste rico centro mirabolante.
Acantonado na pobre margem,
Vai ao centro da contramargem,
Para manifestar a sua existência,
De pobre no meio da opulência.
É deste lugar que brota clamor,
Por condição humana de fervor,
Onde a vida é bem mais valiosa,
Que etiqueta da riqueza gloriosa.
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