Tanto sonho consumista de natal,
Desperta uma insaciedade abissal,
Para limpeza, fartura e aparência,
Longe de ternura e benemerência.
Muita mesa farta com pouco afeto,
Belo celular novo, bom e predileto,
E fartura de brinquedos e de doces,
Não despertam reza de Pai Nossos.
O alardeado Papai-Noel sem Jesus,
O da pouca bênção que tanto reluz,
Atrela a um obstinado consumismo,
Na festa perigosa de muito cinismo.
Estimula mais a guerra que ternura,
E esnobação da superioridade pura;
Valoriza boa aparência e bajulação,
Sem uma sensibilidade no coração.
Muito pinheiro colorido e piscante,
Sem a histórica memória andante,
Já não move a sentir Deus conosco,
Na lida deste mundo escuro e tosco.
Agitação e pouco alimento saudável,
Ostentação rica e pouca ação afável,
Endeusa uma ambição sem partilha,
E enseja o Natal, festa que humilha.
Como Isaías, perante fracasso geral,
Sugeriu a Acaz, aquele rei
irracional,
Obstinado pela guerra e destruição,
Que acolhesse Deus em seu coração.
Boa vizinhança e negociação por paz,
Melhor que aliança traiçoeira e
voraz,
Pautaria um direito à vida dos pobres,
Já espoliados por uma elite de
nobres.
Isaías sonhou com gravidez da esposa,
Do teimoso Acaz, velha e astuta
raposa,
Para que o seu filho viesse a
governar,
Com a sensatez e bom-senso a brilhar.
Virgindade desprezada como castigo,
Gerou Sedecias sem ver tanto inimigo,
Mas, frustrou reais anseios
populares,
Nada favorecidos em seus clamores.
Séculos mais tarde, a virgem pobre,
Uma vitimada pela condição nobre,
Diminuída por não ter muitos filhos,
Engravidou longe de nobres castilhos.
Sem os destaques oficiais e
narrativos,
Nem a segurança de recursos
lenitivos,
José e Maria, entre dúvidas e
pavores,
Encontraram rumo de outros valores.
Nas crises da noite escura e sombria,
José encontrou o anjo de sabedoria,
Que ajudou a esvaziá-lo de si mesmo,
Para não procurar um rumo no esmo.
O anjo que ajudou no discernimento,
Longe do desconfortável sentimento,
Fez José intuir, para além da dúvida,
Que melhor seria respeitosa
investida.
José configura tipo ideal do
discípulo,
Que, acusado por seguir o nazareno,
E culpado pela oficialidade mandante,
Da queda de religiosa tradição
reinante.
Tanto deslocado, anônimo e silenciado,
Sonha tudo abandonar, bem atordoado,
Mas, quando chega a ouvir voz de
anjo,
Renova a sua vida para um novo
arranjo.
Mais do que viver para matar e
morrer,
Deus ativa no pobre uma razão de
viver,
Favorável à partilha solidária de
sentido,
Ante noites escuras dum ódio
embutido.
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