quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

VELAS POUCO ILUMINADORAS

 


Na arte das coloridas velas,

Com apreciações tagarelas,

Diante da parafina talhada,

Sobressai o pavio de nada.

 

A chama frágil e subsumida,

Naquela parafina derretida,

Não impacta nos sentidos,

Frente aos piscas coloridos.

 

Mais frágil que a esperança,

Já não acalanta lembrança,

Duma memória redentora,

Para uma inusitada aurora.

 

Não remete sentidos à fé,

Nem à origem de santa-fé,

Mas lembra agenda cheia,

Para festa que se alardeia.

 

Tudo necessita ser lavado,

Desde cortinas a telhado,

Para a alvura fascinante,

E a comilança abundante.

  

É tempo todo estressante,

Sem perspectiva reverente,

E compromisso agendado,

Necessita ser executado.

 

As festinhas para todo lado,

Avivam consumista legado,

De roupas novas e vistosas,

Para festividades graciosas.

 

Tarefas sobrepostas a fazer,

Já não permitem reescrever,

                                                               Projeto para uma trajetória,

A partir duma rica memória.

 

Estrela do oriente não brilha,

Mas, apenas a da maravilha,

Das luzes coloridas piscantes,

Para festivos sons alienantes.

 

Novidade para comer e beber,

Deixa o interior a se escafeder,

E nada ilumina as suas trevas,

A não ser as gordurosas sevas.

 

Restaurante para empanturrar,

Brilha bem mais do que o luar,

E a simbologia natalina cristã,

Tampouco move no crístico afã.

 

 

Natal sem memória de Jesus,

Fascina com os jogos de luz,

E fé cristã não move sentidos,

Pois estes já estão preteridos.

 

Nada valioso a contemplar,

Para mundo subjetivo inovar,

Formata o afeto para posse,

Com esnobada comida doce.

 

A culpa diante do sobrepeso,

Extrapolado do rotineiro peso,

Fica distante do jeito de Jesus,

E oculta a simbologia da cruz.

 

Com sensibilidade intoxicada,

Na audição de sons assaltada,

E imagem saturada nas telas,

Sobra decepção de bagatelas.

 

Da rica mensagem de Jesus,

Sobra o berço que não reluz,

Ante as estrelas consumistas,

Brilhantes para as conquistas.

 

Na chama da cera derretida,

Prossegue uma fé escurecida,

Sem uma razão de esperança,

No tarefismo sem a bonança.

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

ADVENTO DO QUÊ?


Uma antiga tradição cristã,

Preparava, com largo afã,

A memória de um evento,

Histórico como um alento.

 

O Natal de Jesus de Nazaré,

Alimentava benéfica maré,

Para estar bem no retorno,

De bom humano contorno.

 

Nazismo impôs o costume,

Para um manipulado lume:

A festa da árvore natalina,

Com uma profana cantina:

 

No lugar do jeito de Cristo,

Indução a militar bem-visto,

                                                  Com muita força na guerra,

Virou um modelo de acerra.

 

Nem conversão e mudança,

Mas festa de nazista fiança:

Uma noite estrelada, alegre,

De muita festa super-alegre.

 

A estrela na noite sombria,

Cedeu à neve da noite fria,

Para exaltar estrelas claras,

Dos fogos e das luzes caras.

 

Ideologia sem noite sombria,

Substituiu a religiosa cortesia,

Da preparação para mudança,

Aos valorosos dias de bonança.

 

O natal desprovido de Cristo,

Irradiado no advento previsto,

Passou a focar o valor nazista,

Do militar de força absolutista.

 

O advento passou a pré-natal,

Uma mera preparação triunfal,

Para esplendorosa esnobação,

Das comilanças sem a tradição.

 

Destituída a memória antiga,

Festa natalina sequer intriga,

Para aprimorar a convivência,

E a paz na humana existência.

 

Um eventual desejoso da paz,

Tido por covarde que não apraz,

Nada estimula adorar a guerra,

Pois seria declínio do que ferra.

 

Sob deus coragem da ousadia,

Festa na morte com maestria,

Enaltece todo poderio militar,

Ação da supremacia a reinar.

 

O encanto de homem macho,

Que deixa o mundo escracho,

Não requer prévia motivação,

Para o natal de religiosa ação:

 

Basta toda a larga publicidade,

Para consumir até a saciedade,

Sob muitas estrelas alienantes,

Em rotas consumistas vibrantes.

 

Advento sem apelo à vigilância,

Permitiu foco numa elegância,

Não a da atenção ao inusitado,

Mas, o de um poderoso legado.

 

 Nele, impulso orientado à raiva,

Age liberado para muita saraiva,

De arma que destrói humanos,

Para salvar desejos doidivanos.

 

 

 

 


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

VER PARA ESCUTAR

 


Quando as imagens sobrepostas,

Numa alta velocidade de apostas,

Prende no enxergar e ouvir ordens,

O psiquismo só fornece desordens.

 

Anula capacidade contemplativa,

E vê tudo pela comilança passiva,

Atordoado de ofertas e previsões,

Sem capacidade de ativas reações.

 

Vasto controle para um olhar fixo,

Obcecado, cego por imagético lixo,

Só deseja ouvir som altissonante,

Duma indução para vida alienante.

 

Olho que só vê imagem de tornado,

Temporal e as brigas por todo lado,

Só consegue antever a fatalidade,

Sem visualizar sinais de bondade.

 

Incapaz de perceber coisas novas,

Não vê emergir de plantas novas,

Nem ouve clamores da natureza,

E não ausculta as vozes da leveza.

 

Com a visão e audição desfocadas,

Suas sensibilidades já petrificadas,

Apenas anelam por imagens e sons,

Para evadir-se de sentimentos bons.

 

Já não sente a dor e nem a injustiça,

Pois a mente viciada apenas cobiça,

Hiper-imagem, com estômago cheio,

Como um bom mandalete do enleio.

 

Já não se enxerga parte do mistério,

Que impregna a vida sem vitupério,

E que na sabedoria dum bom senso,

Encontra intuição para um ascenso:

 

Não o da violência da acumulação,

Nem da farta terapia da alienação,

Ou do refúgio em caduca tradição,

Mas, para superar injusta condição.

 

Ascenso sem oferta sensacionalista,

Mas, o da pequena ação benquista,

Que alarga caminho da compaixão,

E que escuta os sinais de libertação.

 

Sonha, então para além das ruínas,

De tantas ações humanas cretinas,

E passa a indignar-se com excluídos,

E os tantos sentimentos destruídos.

 

Já não desejará religião dominante,

Veiculada por uma elite mandante,

De vestimenta pomposa e ostensiva,

Para ritualização mágica e dispersiva.

 

Escutará na voz advinda das vítimas,

Uma causa as para ações legítimas,

A favor dos relegados pela cegueira,

Dos surdos que não escutam a eira.

 

No lugar de antigos mandamentos,

Aproxima-se dos humanos alentos,

Advindos da poximidade de alguém,

A romper teias que captam refém.

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

DEMOCRACIA E CRIME ORGANIZADO

 


Celebraram um festivo enlace,

Com a ação subliminar rapace;

Circulam entre Estado e crime,

Na rota de aparência sublime.

 

Sob a ênfase do crime visível,

Transita um mundo invisível,

De cartel em nível horizontal,

Com uma organização vertical.

 

Muita trela sobre narcotráfico,

Do nefasto terrorismo clássico,

Deixa passar a subliminaridade,

De outros cartéis na sociedade:

 

Agem cartéis do tráfico sexual,

Espoliam no trabalho manual;

Ladrões de produtos primários,

E dos ricos ramos imobiliários.

 

É silenciada extorsão na terra,

A fábrica absurda para guerra;

Um bandidismo nos contratos,

E ação disfarçada de sindicatos.

 

Mais do que droga na periferia,

E em negócios de maquinaria,

A superfaturação em negócios,

Produz muitos crimes néscios.

 

A lavagem de dinheiro ilegal,

Com renda polpuda e triunfal,

Gesta oligarquias de interesse,

A locupletar próprio benesse.

 

A virose do crime organizado,

Circula, suave, por todo lado,

Mesclada com a lei do Estado,

E astúcia no brique disfarçado.

 

Nas fendas da vasta legislação,

Captam evasiva de justificação,

Para ato ilícito, tido por normal,

E praticam a corrupção oficial.

 

Nos meandros das fragilidades,

Vivem as suas arbitrariedades,

Em que a política legal e ilegal,

Aufere um rendimento colossal.

 

Toleram os ritos de corrupção,

E se aproveitam da informação,

Para super-salário bombástico,

Longe do elogio encomiástico.

 

Atores criminais multifacetados,

Encontráveis por todos os lados,

Incorporam a sua ação política,

Na ação da polícia, sem crítica.

 

Exploram o populismo punitivo,

Para matar todo ladrão fugitivo,

E exercer comando de mão dura,

Para necessária e justa ditadura.

 

O próprio discurso democrático,

Bem eivado de interesse errático,

Enseja aporte a crime organizado,

No mimetismo do bem propalado.

 

Quando narco é só um dos crimes,

Outros, ocultos parecem sublimes,

Na legitimação de ação benfazeja,

Que a mídia tanto elogia e corteja.

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O TOCO VELHO

 


Fruto de um tronco decepado,

Está ali na eira, todo esfalfado,

Sem a memória da mutilação,

E, mudo na grandiosa função.

 

Impregnou corpo majestoso,

Elegante, forte e todo vistoso,

Solidário com o seu contorno,

Auferia sombra e belo adorno.

 

Longa história de vida efusiva,

Na virtualidade comunicativa,

Soltava sentido e razão de vida,

E captava boa lida enternecida.

 

Esfalfou sua casca com tombos,

De outros troncos com rombos,

Que caíram em estrondos fortes,

Sem amparo de firmes suportes.

 

Vitimadas pela ambição humana,

Em sua agressividade doidivana,

Árvores da tão pródiga natureza,

Esmorecem golpeadas na dureza.

 

Da exploração da madeira nobre,

Permaneceu apenas o toco pobre,

Eivado pelas cinzas causticantes,

Das cruéis queimadas rasantes.

 

O toco velho está ali silenciado,

E seu coração bem dilacerado,

Ainda suga do subsolo dadivoso,

A seiva para recomeço exitoso:

 

Pequeno broto emerge da raiz,

E teimosamente fecha a cicatriz,

Para sobreviver mesmo solitário,

E anelar por sonho comunitário.

 

Vitimado pela serra e machado,

Sente-se todo dia importunado,

Pelos xixis uréicos de cachorros,

E o desdém de larápios gatorros.

 

Já não atrai atenções afetuosas,

Nem o amor de lidas carinhosas,

E, sem a memória da fase vivida,

Não encontra interação querida.

 

Já não é mais árvore imponente,

Com seu histórico proeminente,

Da seiva tirada do solo profundo,

E elevada ao ornamento fecundo.

 

 

Já não acolhe pássaros e insetos,

Nem enseja olhares circunspetos,

Pois foi precocemente silenciada,

E teima para não ser postergada.

 

Distante de receber bons abraços,

E seu corpo sem oferecer regaços,

Resta-lhe só a solitária resistência,

No desprezo da sua benemerência.

 

Seu coração, outrora tão sensível,

Agora na apatia de feição sofrível,

Reflete a dureza do agir humano,

A produzir seu próprio desengano.

 

Derradeiro clamor do velho toco,

Contra doentio e obcecado foco,

Grita pela interação de mais vida,

Cegamente pisoteada e esquecida.

 

Crescera amparado e escorado,

Num solidário espaço acostado,

Da floresta cheia de vitalidade,

Com nutrientes para saciedade.

 

Agora, já isolado e desamparado,

Sem voz a falar do exitoso legado,

Fala, apenas, sob o silêncio triste,

Que integra vida que ainda existe.

 

 

 

JOÃO - UM PROFETA DA EIRA

 

 

Advindo de uma beira social,

Da realeza, apenas marginal,

Interpretou sofrido contexto,

Vítima do religioso pretexto.

 

Sua marca original e genuína,

Criticou mazela da triste sina,

Dos fiéis auto-atribuídos bons,

Estabelecidos em ilusórios tons.

 

Interpretavam-se os superiores,

Privilegiados de divinos favores,

Pelo seu código ético-religioso,

Orgulho dum povo prodigioso.

 

Pelos seus frutos de vida real,

Revelavam contradição fulcral,

Pois viviam da baixeza humana,

Da espoliação e guerra insana.

 

Crença religiosa, apenas formal,

Articulava estrutura institucional,

Que em nome do mero legalismo,

Organizava a fé em cruel cinismo:

 

 

A riqueza da injusta acumulação,

Atribuída a uma divina atribuição,

Justificava uma elite privilegiada,

E garantia sua posição aquilatada.

 

Pobres espoliados, na eira da voz,

Ficavam passivos ante ação algoz,

Do poder político-religioso devasso,

De fruto social pifiamente escasso.

 

João Batista, sujeito simples e reto,

Pobre, mas de um espírito inquieto,

Não desejava riqueza com honraria,

Mas, na vida humana uma melhoria.

 

A sociedade injusta e empedernida,

Sustentada na imagem construída,

Orgulhava-se de ter Deus presente,

Como o parceiro de ação eficiente.

 

Mesmo suposta morada no templo,

Deus não constituía bom exemplo,

Porque estimulava o ódio da guerra,

E toda perversidade que ela encerra.

 

Era o Deus dos privilégios de ricos,

A justificar a pobreza dos nanicos,

E culpa-los por degradada situação,

Bem merecida pela sua ingratidão.

 

Na diagnose do disparate social,

 João Batista intuiu a ação de ira,

De Deus ante tamanha mentira:

 

Estaria na eira para uma limpeza,

Desta legalista e aparente pureza,

Da religião dum controle austero,

Nesta vida sob um regime severo.

 

Nesta ótica a fala de João Batista,

Pressupunha uma necessária vista:

Conversão para outra convivência,

Sem aquela Lei e religiosa vigência.

 

Batismo como sinal de conversão,

Seria carimbo para apontar reação,

À injusta realidade de vida vigente,

Que deixava pequena elite contente.

 

Desagradou tanto os pobres passivos,

Quanto os ricos, em fitos defensivos,

Embora, sem visar poder e conquista,

Representava uma subversão malvista.

 

Silenciado pela vingativa decapitação,

Sua voz causou a estupenda irritação,

Mas, tornou-se novo caminho aberto,

Para acolher Jesus em projeto liberto.

 

Não confirmou nenhum Deus vingativo,

Mas, o Deus bom de auspicioso lenitivo,

Para fazer irromper Reino diferenciado,

Sem o pobre explorado e rico dourado.

 

 

 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

ANELOS DE SONHOS

 


Dentre os sonhos mais aquilatados,

O de viver dias menos atribulados,

Com certeza, joga as expectativas,

Rumo das inusitadas alternativas:

 

A começar, pelas insensibilidades,

Que gestam na vida as inimizades,

E que levam aos ódios cultivados,

Para gestar mortes e deportados.

 

Harmonia na humana convivência,

Plena de injustiça e de indecência,

Requer a interrupção da maldade,

Para amor gestar a reciprocidade.

 

Lugar daqueles ódios que matam,

Forças de paz que não maltratam,

Poderiam fundir arma destruidora,

Em meio eficaz de ação redentora.

 

Se bela árvore da boa convivência,

Há milênios cortada pela violência,

Ainda conserva um ínfimo de vida,

Poderá ostentar broto de nova lida.

 

Intuição virtual para a docilidade,

Poderia impregnar na autoridade,

A promulgação de legislação justa,

Para menos opressão de lei injusta.

 

Nesta esperança, direitos negados,

Já, publicamente reinterpretados,

Proscrita a discórdia e preconceito,

Daria vazão livre à paz e ao respeito.

 

Eliminaria a divisão de pobre e rico,

E o assunto para o cotidiano fuxico,

Na religião meramente prescritiva,

Sem apresentar agregação positiva.

 

Caridade como central na educação,

 Agiria no lugar nobre do alto escalão,

Para menos ambição e mais partilha,

Sem o armamentismo e a guerrilha.

 

Com a noção de povo e de pertença,

Não existiria uma elite de diferença,

Mas, consenso sinodal de bom-senso,

Para privilegiar convívio mais intenso.

 

 

 

 

 

 

<center>FENÔMENOS CLIMÁTICOS</center>

  Cada vez mais seguidos e intensos, Causam mortes e pavores imensos, E tudo leva a crer que os culpados, São os humanos com atos er...