sábado, 29 de agosto de 2026

SÍMBOLO DA CRUZ E VIOLÊNCIA

 


Tempos tão difíceis e conturbados,

Gestam incontáveis desanimados,

E tantos relegados e perseguidos,

A povoar submundos denegridos.

 

Clássico e visível poder dominante,

Para manter-se vistoso e elegante,

Promove a egolatria dos seus atos,

Distante dos reais e objetivos fatos.

 

Falácia do agir em favor dos sofridos,

Vinda dos raciocínios empedernidos,

Centraliza sob o poder de comandar,

Ações pífias sem aos pobres ajudar.

 

Seu modo de sentir mundo humano,

Leva-os a focar um poder doidivano,

Para implantar um reino onipotente,

No qual se sinta poderoso e contente.

 

Sob o antigo símbolo de cruxificação,

Dispõe de armas de rara sofisticação,

Para eliminar os insubmissos e rivais,

Que ameaçarem os poderes oficiais.

 

Pedro e colegas que seguiam Jesus,

Não gostaram da referência à cruz,

Quando já sonhavam com o triunfo,

Do poder político, sob novo trunfo.

 

Jesus, o messias poderia promover,

Virada de mesa no obcecado poder,

E, como o rei Davi, entrar vitorioso,

Para assumir o comando vigoroso.

 

Um arquétipo de outro messianismo,

A implicar, distante do charlatanismo,

No serviço difícil ante poder corrupto,

Causou-lhes um desencanto abrupto.

 

Ainda mais, porque Jesus intuiu o fim,

Que teria diante do poder oficial ruim,

Com risco de ser pregado numa cruz:

Seria um descalabro de estranho truz.

 

No terrível instrumento da maldade,

 Explicitou-se o amor à humanidade,

Que assumiu últimas consequências,

Para uma lógica de outras vivências.

 

Nos valores por Jesus demonstrados,

A cruz aglutinou estes ricos legados,

Passou a conotar seu modo de vida,

Como a referência para ser seguida.

 

Assim, sem cega adoração da cruz,

Reporta-se a aquele que nela reluz,

E os milhões de sofridos e excluídos,

Desçam da cruz sem serem relegados.

 

O sugestivo convite de tomar a cruz,

Não foi para restaurar a sonhada luz,

Desta reinança, hegemônica e forte,

Sem construir relação de outra sorte.

 

Na imagem do velho servo sofredor,

Abria-se um novo caminho redentor,

Sem guerras, armas ou dominações,

Mas, o de muitos solidários corações.

 

 

 

 

 

 

 

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  Tempos tão difíceis e conturbados, Gestam incontáveis desanimados, E tantos relegados e perseguidos, A povoar submundos denegridos...