De contraproposta a tipos de governo,
Ao elã libertador da tirania de
inferno,
Religião foi cooptada como argumento,
Para o ambicioso e politiqueiro
intento.
Visível acrimônia do discurso
político,
De aspereza azeda sem poder crítico,
Tornou-se arma de franca hostilidade,
Contra o discordante da sua vontade.
Basta reparar o nível da animosidade,
Que a política engendra na sociedade,
Escorada em texto bíblico
justificador,
Como a poderosa arma, ao seu favor.
Religião, tão pouco ajuda a desarmar,
Mas fornece o arcabouço para armar,
À retórica política para
autoritarismo,
De governança forte sob raro cinismo.
Na boa utilidade da religião à
política,
Está a de fornecer identidade
acrítica,
Da agremiação religiosa ao candidato,
Oferecido como sujeito bom e cordato.
A entidade religiosa aufere cidadania,
Como o sinônimo da máxima alegria,
De garantir a qualquer preço a
vitória,
Do seu candidato, para a divina
glória.
Cria-se a religião atrelada a
corruptos,
Sem discernir os seus jogos abruptos,
Que instrumentalizam a fala
religiosa,
Ao serviço do poder de ação raivosa.
A religião inverte, então, o seu
poder,
Legitima postura política como dever,
De sempre combater o inimigo ruim,
A merecer guerra até derradeiro fim.
Um mero meio identitário da política,
Esta religião a serviço de uma
noética,
Vira o moralismo sem a Cruz de
Cristo,
E ética pautada sem serviço
benquisto.
O papel relevante que sobra à
religião,
Celebrar o enlace duma oportuna ação,
Que une belos discursos nacionalistas,
Com as belas técnicas
tecnofeudalistas.
Frases bíblicas muito bem
selecionadas,
Fazem de funções religiosas
fanatizadas,
Similares a partidos sem clara
ideologia,
Esta versátil mediação para
demagogia.
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