Em duas antigas famílias rivais,
De posturas distintas e radicais,
Sob um velho jogo de interesse,
Cada uma queria mais benesse.
Ranços, ódios e desencontros,
Cederam aos bons reencontros,
E agregaram a família religiosa,
À entidade política toda ansiosa.
Despertou-se himeneu do amor,
Da paixão para além do rancor,
Para enlace de casamento feliz,
E cada um encontrou o que quis.
Bela e simpática noiva religiosa,
Instrumentalizou ação vigorosa,
Para atrair político exuberante;
E com ele gerar reino mandante.
Interesseiros em levar vantagem,
Cada lado valeu-se de chantagem,
Para assegurar casamento perene,
A durar por um momento solene.
Rebanhos religiosos bem espertos,
Visualizaram vastos canais abertos,
Para promover seus bons pastores,
E herdar alguns políticos penhores.
Os bem aliados políticos do noivo,
Na corrida simpática do belo loivo,
Mimetizaram-se, como religiosos,
A serem vistos, em atos piedosos.
Assim, currais políticos e
religiosos,
Movidos pelos intentos ambiciosos,
Instrumentalizam todo seu passado,
Para alcançar um poderoso legado.
Sob religião a direcionar fim
político,
Político a imitar modo de ser mítico,
Eles asseguram casamento de lucro,
E alçam boa riqueza no poder xucro.
Evangelho não pede discernimento,
Nem Constituição oferece o alento,
Mas, para obter votos tudo importa,
Como produto que aliena e conforta.
Dois lados ambiciosos por mais bens,
Seduzem cativas multidões de reféns,
Fora da Constituição, e do Evangelho,
Para amealhar segundo o jeito velho:
Enganar muito, iludir e entusiasmar,
Para largas faixas humanas encantar,
Justificam ativos interesses
pessoais,
De olho fixo em acumular ainda mais.
Alguém partilharia alguns dos
milhões,
Dos capitais com cheiro de pobretões,
Para uma política genuinamente
social,
Do valor evangélico coerente e
radical?
Se a virtude religiosa é vencer
disputa,
Do forte a mover derrota em sua luta,
E que não leva desaforo de
adversário,
Deve não seguir evangélico
itinerário.
Discurso bonito: Deus-pátria-família,
Reduz Deus como objeto de quezília,
Para uma retórica falsa e arrogante,
De quem quer ser da elite mandante.
O Evangelho de Jesus não dá suporte,
Para conquistas de Estado rico e
forte,
Que atiça contra os inimigos
culturais,
E só reafirma as acumulações
pessoais.
Assim, eleição vai e outra eleição
vem,
E os rituais miméticos aparentam bem,
Um casamento arranjado de aparência,
Sem uma devida e necessária decência.
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