sexta-feira, 28 de agosto de 2026

FRACASSO E SOFRIMENTO

 


Na pulsão da vida pela felicidade,

Age o obstáculo da contrariedade,

A boicotar anelos mais profundos,

Que gestam sentimentos iracundos.

 

Apontar o dedo contra a corrupção,

Ainda não representa êxito na ação,

Pois, implica num revide difamador,

Que prostra bom-senso de pundonor.

 

Orgias, com festanças escancaradas,

Com lucro e renda não escoimadas,

Dos que se enriquecem ilicitamente,

Clamam aos céus, por algo decente.

 

Proposta de convívio mais solidário,

Para o mundo menos desigualitário,

Implica no revide de cínico escárnio,

Que a associa a deboche de licórnio.

 

O pior é quando um senso religioso,

Justifica o formalismo como virtuoso,

Para insinuá-lo como exímio redentor,

De todo pobre ser humano e sofredor.

 

Dupla direção da alienação debochada,

Repete mentiras com feição deslavada,

Prometendo coisas vagas e imprecisas,

Para assegurar as suas elitistas divisas.

 

O fracasso acaba se tornando bifurcado:

Coisa alguma avança no desejo almejado,

Menos ainda, volta do prometido e dito,

Pois, pouco se efetiva no rol do interdito.

 

Sobra desconfortável sentimento ferido,

Que até diante de Deus parece preterido,

E, para que a lida não se torne ainda pior,

Precisa assumir o estrago como o fiador.

 

Resta, então, catar o último alento viável,

Para sobreviver num mundo intolerável,

Que faz todos sonhar com muita riqueza,

Mas, poucos a acumulam com safadeza.

 

Como não se tornar fatalista desanimado,

E cultivar paciência contra cultural legado,

Que aponta as mediações para felicidade,

Mas as protela com a sorrateira maldade?

 

Resta admitir que remoção deste legado,

Implica em dolorosa cruz ante falso afago,

Que sabe seduzir e enganar as multidões,

Para submetê-las às suas procrastinações.

 

 

 

 

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<center>SÍMBOLO DA CRUZ E VIOLÊNCIA</center>

  Tempos tão difíceis e conturbados, Gestam incontáveis desanimados, E tantos relegados e perseguidos, A povoar submundos denegridos...