quarta-feira, 26 de agosto de 2026

SOB A RACIONALIDADE DA GUERRA

 


Assimilada como fato excepcional,

Com uma perduração proporcional,

À ação do mais forte sobre o fraco,

Denotava apropriar-se de um naco:

 

Ao invés de ser decorrência política,

Elevada muito acima da geopolítica,

A guerra impõe o jeito de governar,

E um modus vivendi de administrar.

 

Na sua multiplicidade de produções,

Ela fabrica o perfil político de ações,

Para incorporar adeptos da legenda,

E tornar inimigos, os fora da agenda.

 

Numa política sutil do tecnofascimo,

Para combater o velho totalitarismo,

Promulgou-se supremacia da guerra,

Como instância superior nesta Terra.

 

Ao centralizar fechamento identitário,

Num aparente nacionalismo unitário,

Apela a velho colonialismo espoliador,

Etnocista, sob imagem de ser cuidador.

 

Cria nacionalismo servil e dependente,

No suposto elã para ser independente,

Mas controla as economias e riquezas,

 Para as guerreiras e balísticas certezas.

 

Fabrica inimigos e os persegue na raiva,

Com as armas sofisticadas para saraiva,

E procura proteger os bem agregados,

Para que combatam inimigos odiados.

 

Coopta religião, instrumento de poder,

Para inseminar mentes a corresponder,

Como a imagem e semelhança de Deus,

Para sempre perseguir os inimigos seus.

 

Guerra se implanta e provoca fugitivos,

Vistos apenas como animais impulsivos,

Nada a ver com nobreza da identidade,

Da guerreira e aguerrida racionalidade.

 

Os não submissos aos bons do grupo,

Ou se submetam a humilhante apupo,

Ou que migrem para rumo ignorado,

Sem deixar sinais do seu bom legado.

 

Assim, a guerra ativa indústria militar,

E com sua infra-estrutura de crepitar,

Impõe uma força sobre os indivíduos,

E enaltece seus parceiros contíguos.

 

A guerra, já presente na cosmovisão,

Governa toda cotidiana organização,

Vigilante contra aquele que discorda,

Pois representa ameaça duma horda.

 

Até democracia vira um frágil refém,

Pois todo aquele não ligado ao bem,

É visto como inimigo, o do maligno,

E não merece ser considerado digno.

 

 

 

 

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