terça-feira, 8 de julho de 2025

MARAVILHOSO CELULAR

 


Objeto de primeira necessidade,

Por obra da inaudita publicidade,

Rompeu a distância e o assunto,

E mudou o modo de estar junto.

 

Segredo de gerar dependência,

Eleva-o a altares da eminência,

Como um alimento necessário,

Para nutrir um sujeito solitário.

 

Requer na exclusiva fidelidade,

Dose máxima de conectividade,

E rompe o programa saudável,

Para sagrar-se como admirável.

 

Afeta a autonomia emocional,

E fragiliza o processo racional,

Que engorda numa ansiedade,

Saturando na tóxica lealdade.

 

Rompe crescimento saudável,

Sem viver a idealização afável,

Anula necessária auto-estima,

E o mundo real nada se anima.

 

Produz cansaço pela distração,

E substitui a edificante relação,

Por interação digital superficial,

Longe da interação presencial.

 

Sua identidade é a consumista,

A viver do jogo sensacionalista,

Produzido para a dependência,

Sem criar gosto por convivência.

 

Enquanto emoji rouba empatia,

Fenece a dimensão da simpatia,

E dependente incapaz de escuta,

Não se insere na humana labuta.

 

Vive prisão invisível de emoções,

Que afetam as normais relações,

Porque fica em alerta constante,

E numa exaustão nada edificante.

 

Precisa ver notificações e curtidas,

A qualquer instante das suas lidas,

Para a aparência hiper-conectada,

Numa fuga da ânsia desconectada.

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 4 de julho de 2025

APATIA SOCIAL

 

 

Palavra “páthos” da língua grega,

Em nossa língua muito se achega,

À carga emotiva de paixão forte,

Com emoção boa, de toda sorte.

 

Já a palavra “apátheia”, aponta,

Para a postura que nada conta,

De insensibilidade sem a paixão,

Da ausência reativa de emoção.

 

Representa bloqueio das pontes,

Que ligam a essenciais vergontes,

Do bom relacionamento humano,

Para sentir o bem-estar cotidiano.

 

Pensada como atitude passageira,

Que corta bom humor na bobeira,

Depende só de fatores subjetivos,

E passa com os remédios lenitivos.

 

Fala-se que álcool e drogas variadas,

A bipolaridade e razões estressadas,

Além de traumas e das depressões,

Propiciam estas estranhas reações.

 

Em nossos dias assusta nova apatia,

Que não apenas rouba toda alegria,

Que é forma doentia da sociedade,

Na ação estúpida de mediocridade.

 

Grandes xerifes matam pelo prazer,

Sem sequer em algo se compadecer,

Com as organizações sociais atônitas,

Ante as ameaças pérfidas e atômicas.

 

Já não vigoram sonhadas democracias,

Com o presidencialismo de ações pias,

Mas, um humor apático generalizado,

Atinge um histórico processo passado.

 

Sem emoção agradável ante políticos,

Regendo para interesses antipolíticos,

Nada moldam para os sonhos sociais,

E muito escancaram as classes sociais.

 

Os privilégios para os já privilegiados,

Asseguram os patamares afortunados,

Dos que mandam e legislam em favor,

Da acumulação para seu próprio alvor.

 

 

 

 

 

quinta-feira, 3 de julho de 2025

SOB A ESPIRITUALIDADE DO "EU"


 

Como a espiritualidade do espelho,

Salienta o comparativo nada velho,

De sentir-se para a invocação divina,

E cobrar remédio rápido de medicina.

 

Quer-se a ajuda terapêutica eficaz,

Precipuamente potente e pertinaz,

Para erradicar mal-estar subjetivo,

Do sentir-se sem preclaro lenitivo.

 

Tradicional pertença a uma religião,

Cedeu sua primazia para a emoção,

De negociar com Deus num pedido,

Para sanar o humor íntimo aturdido.

 

Um eu espiritual sem agir religioso,

Espera resultado rápido e fabuloso,

Como bom efeito político desejado,

Para subjetivo sentimento elevado.

 

Nem espiritualidade transformadora,

Mas, rápida intervenção facilitadora,

Esperada sem os cânones teológicos,

Deve seguir critérios mercadológicos.

 

Sequer importa envolver-se em atos,

Para os gestos solidários e cordatos,

Porém, sentir afetivo de um vivente,

Que quer sentir um humor diferente.

 

Algo que possa animar e esperançar,

E nas dificuldades humanas alcançar,

Síntese de regras para novo patamar,

Nem mesmo entra no subjetivo radar.

 

Decepção diante da crença na razão,

Que quis substituir qualquer religião,

Acaba em relação pobre e intimista,

Espiritualidade do eu em conquista.

sábado, 28 de junho de 2025

SÃO PEDRO E SÃO PAULO

 

 

Mais que alegria da festa popular,

Sem sua rica memória prolongar,

Lembram os seguidores de Jesus,

Riqueza humana que ainda reluz.

 

Chamados do passado incoerente,

Da rigidez duma dureza renitente,

Insensíveis à fragilidade humana,

Agiam na compulsividade insana.

 

Atraídos a compromisso generoso,

Cogitaram raro ascenso grandioso,

E perceberam do Mestre a razão,

Para agir numa inovadora função.

 

Chamados a serviço do Evangelho,

Deixaram ao léu o costume velho,

Na aproximação do jeito de Cristo,

Para um interagir mais benquisto.

 

A lida nas adversidades múltiplas,

Com largas perseguições públicas,

Não esmoreceram a fé inabalável,

Ante fraqueza humana miserável.

 

Governantes a cegos praticantes,

Agiram pelas convicções errantes,

E os levaram ao caminho da cruz,

De forma similar ao mestre Jesus.

 

Deixaram legado todo desafiador,

De messianismo bom e redentor,

Advindo de serviço aos humanos,

Sem submeter a jugos doidivanos.

 

As muito distintas personalidades,

Dos dois fundamentais patamares,

Apontam rica complementariedade,

Para a convivência na solidariedade.

 

Na fé de cada discípulo de Cristo,

Não pode faltar o elã benquisto,

Que incorpora ação missionária,

Na organização da vida ordinária.

 

Não bastam idas a belos templos,

Pois, Reino requer reais exemplos,

Para elevar razão humana decaída,

A fim de viver a liberdade querida.

 

 

 

 

terça-feira, 24 de junho de 2025

GUERRA E SUPOSIÇÃO DE PAZ

 

 

Como na antiga educação espartana,

Motivação de guerra a todos irmana,

Desde narrativas sobre chefes fortes,

A treino para os militarescos aportes.

 

Na vasta literatura sobre super-heróis,

E apologética de seus luminosos faróis,

Induz-se à escolha pelo lado vitorioso,

Para esperar a ação do seu elã brioso.

 

Volumoso repicar de cascos de cavalos,

Indicava o régio domínio sobre vassalos,

Do rei afoito pela tirania conquistadora,

A obrigar jovens por guerra exploradora.

 

Hoje, a exaltação de drones e foquetes,

Substitui jovens humanos mandaletes,

Mas, forja-os para o ódio aos inimigos,

E os educa para os militarescos fustigos.

 

A exaltação da superioridade de armas,

Endeusa heróis de destruidoras carmas,

E os condecora com seu nome em ruas,

Praças e prédios, como luminosas luas.

 

Neste mundo de solitários anti-sociais,

Jovens para romperem as lidas banais,

Encontram na educação para a matança,

Razão de heroísmo para autoconfiança.

 

Nesta violência universal que se alarga,

Estimulada por insinuação tão amarga,

Espalha-se uma pífia estupidez humana,

Incapaz de viver sem uma guerra insana.

 

Quando máquinas de erradicar humanos,

Enlevam os países prepotentes e tiranos,

Então as narrativas sobre poderes bélicos,

Já apontam fracasso dos atos antibélicos.

 

Se as cavalarias espartanas ágeis e fortes,

Contavam com narração para tais aportes,

Nosso mundo, movido por ódios mortais,

Somente inova com narrativas nada letais.

 

Pensar em guerra pela obtenção de paz,

É a argumentação balofa que não apraz,

E que até apela a um deus que concorda,

Com a apelação de que ele não discorda.

 

Pensar rol do pensamento hegemônico,

Significa continuar no viver anacrônico,

De que matar muitos supostos inimigos,

Gera humanidade entrelaçada de amigos.

 

 

sexta-feira, 20 de junho de 2025

COLONIALIDADE

 


Este traço humano precípuo,

Lídimo manifesto conspícuo,

Revela na obsessão humana,

Algo que choca e desengana.

 

Abrange modo de ser e saber,

Ornado por ambição de poder,

Tanto em relações subjetivadas,

Como em ações incrementadas.

 

Parece que a ontologia humana,

Só permite tal noção doidivana,

Da fé e da política para mandar,

E dos congêneres se aproveitar.

 

Assim, um vetusto colonialismo,

Perpassa a história com cinismo,

Sem desleixo em ser explorador,

Do humano e natural esplendor.

 

Antiga procura de terras férteis,

Para obter os lucros interférteis,

Gestou o fito olhar expansionista,

Para ampliar e alargar conquista.

 

Mudam as formas colonizadoras,

Mas, não as ações exploradoras,

De países que mais acumularam,

Sobre outros que abocanharam.

 

Segue o colonialismo espoliador,

Que extrai com severo impudor,

Impõe a venda de seus produtos,

E os onera com pesados tributos.

 

Ambição invade distintos povos,

Elimina-os com os projetos novos,

Que suprimem toda a cultura local,

E impõem sua prescrição doutrinal.

 

Para obtenção do produto desejado,

Arruma-se argumento esfarrapado,

De que a cultura invadida é inferior,

E carece da sabedoria do dominador.

 

Povos são declarados infra-humanos,

E nada valem para superiores planos,

Porque qualquer colono insubmisso,

É eliminado como um ignóbil remisso.

 

 

quinta-feira, 19 de junho de 2025

ENSEJO DE PASSEAR

 

 

Traço de antiga ancestralidade,

Alarga tão desejada dignidade,

Acolhendo presença de pessoas,

Para conversas animadas e boas.

 

O belo tempo do vínculo familiar,

Socializador num modo de amar,

Criava nas visitas de parentesco,

Rico modo de interagir burlesco.

 

No lúdico em meio à sobriedade,

Alargava-se translúcida amizade,

E se voltava contente para casa,

Enriquecido na motivação rasa.

 

A cordialidade fruída e recebida,

Deixava vida leve e enternecida,

E motivada para nova visitação,

Para conviver com boa emoção.

 

Rumo da colonização capitalista,

Encampou a visitação benquista,

Para privilegiada fonte de lucro,

Com deleite em ambiente pulcro.

 

Deslocou o velho entretenimento,

Com a viagem longa de fomento,

Para turismo planejado e rentável,

Em lugar mui aprazível e agradável.

 

Ao invés de passear, vai-se turistar,

Sob o comando para um turistificar,

Para os tão poucos lugares do Terra,

E, os polui numa verdadeira guerra.

 

No impacto sobre o meio-ambiente,

O turismo, meio altamente poluente,

Impulsiona renda de poucos países,

E não produz resultados tão felizes.

 

Maioria dos humanos sem recursos,

Sequer frui dos turísticos percursos,

Mas, é vitimada pelos gases tóxicos,

Produzidos por poucos seres lúdicos.

<center>O ANIMAL DO ÓDIO CRUEL</center>

  Altamente racional, ágil, e dominador, Na luta renhida do ativismo usurpador, Está o ser humano como hegemônico, Em seu estranho p...