quinta-feira, 1 de maio de 2025

GATOSE VIII - o rabo do gato

 

 

Além da dimensão ornamental de um rabo mais liso ou mais peludo, um gato deve despertar uma libidinose intensa nos seres humanos. E pelo quanto os humanos gostam de levar uma esfregada de rabo, os gatos já devem ter assimilado que seu rabo constitui um elemento simbólico valiosíssimo e um signo de comunicação para estabelecer interatividade com os humanos.

Passando pelas pessoas amadas, naquela dengosa esfregação do rabo, nas pernas de seus tutores amados, os gatos deve querer explicitar: eu te amo! E, toda vez que um gato se apruma neste ritual, sabe que ocorrerá um retorno impreterível de afago, com aquela conversinha cheia de bilu-bilu.

Deste modo, mesmo destituído da sua atividade funcional da sexualidade, sua glândula pituitária ainda deve jogar algum hormônio no sangue e remetê-lo às saudosas características dos tempos em que não coabitava com os seres humanos de forma tão próxima, intimista e aconchegante.

Do lado humano, a perda do rabo, segundo a paleontologia, e algumas hipóteses da evolução da vida no planeta, teria sido causada pela falta de uso. Ao se adaptarem à vida sedentária, os humanos, tinham o rabo somente para atrapalhar certas atividades funcionais.

Se ainda restam duas vértebras remanescentes de rabo no cóccix humano, ser afagado pelo rabo do gato deve ativar antigo arquétipo cultural dos tempos em que os seres humanos saltavam de galho em galho e seu rabo supria mais e melhor, do que braços e pernas, a capacidade de se impulsionar de um galho para outro, sem ter que levar tombo das alturas.

Ainda não foi estudado este campo humano relacionado ao rabo; mas, nas suas falas, os humanóides mandam, seguidamente, que outros tomem no rabo, dizem que tomaram no rabo e até aparecem alguns propondo um adentramento do rabo. Por conseguinte, o rabo do gato merece ser estudado para averiguar sua pertinência com as inter-relações humanas que ainda envolvem sua afinidade precípua com o rabo.

 

quarta-feira, 30 de abril de 2025

GATOSE VII - o pulo do gato

  

            Depois do olho, como foco principal da efusão sedutora da parte dos gatos, um segundo componente possível de ter facilitado a interação humana com os gatos, deve ter sido, por parte dos humanos, o inaudito encantamento pelos pulos dos felinos.

A leveza, a propulsão, a maleabilidade do corpo e este magnífico poder de saltos, não apenas ornamentais, mas, também os da caça e os pulos da capacidade de fuga dos predadores naturais, fazem do gato um herói que os humanos gostam de venerar e apreciar.

O corpo delgado, insinua o sonho humano de um corpo atlético, flexível, aparentemente, feito só de elastina, para torna-lo capaz de mil acrobacias, faz com que os humanos sintam inveja dos gatos.

A leveza com que um gato se joga sobre uma presa e a facilidade de subir e descer muros e evadir-se através de telhados, é algo espetacular. Os humanos por exemplo, também se encantam com as aranhas e criam personagens como o “Homem Aranha”, para a fantasia do mundo juvenil. No entanto, os gatos, pelas suas acrobacias e pelos seus exercícios aeróbicos, airosos e imponentes, charmosos e elegantes, tornam-se o modelo de sedução para sonhadores humanos.

Quando humanos querem salientar e enfatizar a beleza extraordinária de um homem ou de uma mulher, valem-se simplesmente da comparação: é um gato!; ou, é uma gata!

Este pulo da antropomorfização do gato indica o quanto ele é apreciado, e, possivelmente, o quanto ocupa a mente dos sonhadores de um corpo perfeito que atrai para a complementariedade. Imagine-se um goleiro com a capacidade de pular similar ao do gato!

Consegue-se, pois, pressupor, com plausíveis evidências, que os humanos isolados, carentes de afeto, devem sentir um prazer incomum ao perceberem que o gato, num pulo gracioso, saltando sobre o colo e fazer dele o lugar do aconchego para receber afagos carinhosos, com dedos cheios de amor para dar.

Nesta similitude do que os humanos gostam, os gatos também se rendem ao mimo humano e devem acha-lo muito mais gratificante de que certas proximidades com gatas a mostrar dentes felinos e unhas que rasgam.

Mesmo perdendo gradualmente sua natural instintividade de amor entre gatos, descobrem eles que, o pulo para o lado humano, é muito mais afetivo e dengoso do que namoro entre gatos.

 Por isto, os gatos devem sofrer de um dilema profundo na hora de se adaptar aos humanos: vou continuar gato, com os pulos de gato, ou vou saltar no colo dos mimos arfantes, que bloqueiam as atividades precípuas do mundo amoroso dos gatos. Nesta situação dramática, embora sem liberdade suficiente para escolha, porque foram cooptados, restar-lhes-ia ainda uma alternativa de fuga, uma vez que são exímios no pulo.

 No entanto, o prato feito, colorido e crocante, atrai mais do que a caçada imprevisível e leva os gatos a resignar-se, perdendo a destreza dos pulos e a alta captação dos atrativos para vivenciar amores intensos nas noites escuras.

 Os machos aceitam ser castrados e as fêmeas, resignadas ao domínio superior e autoritário de interesses humanos, se submetem às pílulas anticoncepcionais ou à extirpação do que mais as identifica como gatas.

 Sobra-lhes o preço amargo das doenças humanas, do alto índice de câncer e dos muitos efeitos colaterais decorrentes da não procriação de gatos.

Pelo menos uma sintomatologia resultante do boicote generativo é o da histeria de muitas gatas e a compensação que as move a adotar pintinhos, cachorrinhos ou ursinhos de pelúcia, como supostos gatinhos.

 

 

 

 

terça-feira, 29 de abril de 2025

GATOSE VI - o olho do gato

  

            Se o cérebro felino é minúsculo, seus olhos proeminentes, no entanto, são maiúsculos, que não apenas enxergam mais do que os humanos, mas, também revelam um céu luminoso, brilhante e atraente com estrelas de linhas irdológicas a serem interpretados pela mente humana e donde promanam as luzes iluminadoras para preencher uma vida solitária.

            Felídeos não impressionam humanos pelas suas coxas, nem pelos seus mamilos e, menos ainda, pelos órgãos de evacuação e reprodução.

            A magia hipnótica do olhar do gato é, certamente, reveladora de um mundo de encantamentos subjetivos, capazes de submeter o ser humano com o fundo encantador do infinito, para nele projetar o vasto céu azul de esperanças capazes de preencher as carências humanas.

            Olhar para o olho do felino e perceber seu mundo cordato, na paisagem deslumbrante da candura, seduz de forma arrasadora para abrir a porta das amarguras humanas e permitir que aquele novo céu ofereça um percurso de ócio edificante.

Os olhos dos gatos, já parcialmente adaptados e dependentes do ser humano, além do fascínio, constituem um mundo translúcido que atinge o âmago do sentimento humano e prende sua atenção, porque estão desprovidos de falsidade, de traição, de infidelidade, de arrogância, de mágoa, tudo isso, tão presente no olhar humano.

No diagnóstico da labilidade humana de se encantar profunda e intensamente pelo gato, situa-se o desbravamento de um outro mundo, que desperta, de novo, a capacidade de reatância para sonhar com algo melhor do que o olhar humano. Este, tão inconstante, revela e desperta tanta insegurança e inquietação, e, ao mesmo tempo, mostra-se tão frágil, provisório e propenso ao ocultamento do que se passa nos sentimentos.

Neste modo de se constituir num campo nebuloso, o olhar humano desvia a atenção para não se comprometer.

No olhar dos gatos localiza-se, com razoáveis evidências de probabilidade, o magnetismo que atrai os corações humanos feridos. Neste olho mágico e contagiante do poder sedutor, revela-se um mundo maravilhoso de sonhos: que não condena, não censura, nem insinua algum abuso, pois, nele, está o indicativo redentor da pobre criatura humana, carente, frágil, contingente e que se resume num feixe de tensões desgastantes oriundas dos desencontros humanos.

Mais do que o gato, importa seu olho, um céu que se abre para quem se sente condenado ao inferno diante da sua convivência com similares que irritam, que chateiam, que aborrecem, e que mudam constantemente de humor.

A simbiose “humano-gatóide” traria vantagem fantástica à capacidade dos olhares humanos, mas, nas sutilezas da comunhão fechada para a fruição dos encantos precípuos dos gatos, não se supre a limitação da degeneração humana e, possivelmente, vai deixar seu lugar no mundo aos micro-organismos, sequer perceptíveis ao olho humano e nem mesmo, ao do gato.

 

 

 

segunda-feira, 28 de abril de 2025

GATOSE V

 

 

            Em nova sondagem para convencer a respeito da Gatose, como doença nova entre hospedeiros humanos e hospedados gatos, observou-se que afirmações sobre simbioses de parasitas antigos no corpo humano, se tornaram essencialmente fundamentais à vida dos humanos. Assim, o cocô das mitocôndrias e cloropastos, tornam-se enzimas que alimentam o corpo humano, isto é, pagam com seu cocô a hospedagem; e, os donos, acham que está bom desse jeito.

            No longo processo de adaptação para a convivência de múltiplos sistemas independentes de vida, que se adaptaram à convivência de complementariedade benfazeja, a Gatose, como é fenômeno recente, ainda se encontra em processo de ajuste, mas, já aponta indícios de que características típicas de seres humanos, em áreas urbanas, já não sobrevivam sem a hospedagem de gatos.

 Os gatos tornaram-se fundamentais para a afetuosidade humana e, também, para o passatempo das horas monótonas encafurnadas em pequenos cubículos de moradia. Ademais, a dispersão de deslocamentos de membros da família para serviços em lugares os mais variados, leva, aos que ficam em casa, a necessitarem de gatos como energia vital para sua existência a fim de passar as horas monótonas no isolamento humano.

            A compensação dos desencontros humanos devido aos deslocamentos para lugares de trabalho, encontra nos gatos o lenitivo que acalma os nervos, que atenua a libido, e que fornece a sensação de companhia agradável. Por outro lado, ainda que os gatos se lamentem em torno de mais comida, e refuguem a substituição de trato ao qual estão acostumados, são diferentes dos humanos que sempre querem algo diferente, um docinho, um chocolate, um trago, uma cervejinha, um prato que inove na aparência e no gosto.

            Em breve, casas e apartamentos humanos terão que contar com uma segunda despensa: uma para os humanos e outra para os felinos hospedados. Possivelmente, um longo processo permitirá que, tanto uns como outros, comam no mesmo prato, para sujar menos louça e dispensar a mente humana com muitas preocupações, toda vez que humanos vão aos supermercados e às farmácias.

            Algo que já indica algumas evidências da Gatose, é a dispensa de cestinhas, de pequenos cobertores e de outras fofuras para servirem de cama para os gatos. Estes passarão a dormir, necessariamente, ao lado de seus hospedeiros.

            Ainda se fará necessário um processo adaptativo para que o nariz humano não fique entulhado de pelos de gato e tranque a respiração humana, por enquanto, tão elementar para um bom sono humano. A convivência com mais gatos em ambientes muito reduzidos, também implicará em adaptação do corpo humano para não mais sentir as rinites alérgicas decorrentes da inalação de partículas de pelos dos gatos.

            Pelos de gatos, que em nossos tempos contingentes ainda são uma promiscuidade da interação humana-felina, poderão em futuro não muito distantes tornar-se remédio contra asma, rinites e gripes, pois, irão limpar os canais respiratórios e ainda enriquecê-los com vitaminas, proteínas, aminoácidos, sais e minerais.

            O processo interativo destes dois sistemas de vida, o dos humanos e o dos felinos, através da Gatose, irá trazer evidentemente alguns desafios aos atuais modos de vida dos humanos. Para que os mimados gatos não sujem seus pés, o carregamento braçal destes amados felinos, cada vez maiores e mais obesos, implicará em lordoses e desvios de coluna que também terão que ser ajustados à musculatura braçal para a adequada funcionalidade simbiótica.

            O afeto humano deslocado para os amorosos gatos, poderá, evidentemente, trazer uma nova doença: o desaparecimento do afeto entre seres humanos, uma vez que o afeto se desloca progressivamente para felinos e diminui na relação com criaturas humanas. Estas, assim que nascerem, terão que ser parecidas com as perdizes: assim que saem da casca, terão que ajeitar-se por conta para sobreviver. E terão que ser também como as serpentes peçonhentas: ao saírem da casca, saber soltar veneno mortal para assegurar sua auto-defesa e a sobrevivência na seleção das espécies.

 

domingo, 27 de abril de 2025

GATOSE IV


 

Em mais um pequeno tateio inquiridor sobre a Gatose, reparamos que a interação de felinos adaptados às carências humanas, leva-os a absorver características esquizofrênicas, que eram exclusivamente humanas.

 Assim, na captação de mais um traço humano, os felinos vivem uma inquietação contínua em torno da segurança assegurada pelos seus tutores. Na simples desconfiança de que estes se atrasam ao saírem, sem os levar juntos, já desencadeiam miados chatos e irritantes, certamente, pela possível pressuposição de que foram relegados e desvalorizados como focos únicos e exclusivos de amor humano.

Deste modo, os gatinhos super-mimados desenvolvem uma desconfiança doentia de pressupor que outros gatos possam estar sendo mais agraciados do que eles. Igualmente desenvolvem a desconfiança básica de poderem estar sendo preteridos e substituídos por outros, mediante constatação de que outros gatos possam ofertar e insinuar encantamento mais gratificante e profundo a seus tutores. Afinal, o que eles devem ter que eu não tenho? Mesmo extirpada a fluência da libido no sangue, será que isto faz tanta diferença?

 Esta obsessão de estarem sendo traídos, vira fator de depressão e estresse. Também leva a alergias. Na insistência de um pensamento compulsivo de que estejam sobrando, lambem parte do corpo, com aquela grosa áspera da sua língua, a tal ponto que o lugar começa a doer e sangrar. É um modo de expressar que sentem dor, que querem ser acudidos, bajulados pelo dói-dói, e receber, junto com muita atenção, aplicação de pomadinhas cheirosas e medicamentosas.

Neste campo da doença, os queridinhos, merecedores do amor intenso, para assegurar a exclusividade de muito gesto atencioso, também se tornam hipocondríacos, isto é, de tanto ouvirem falar em doença, absorvem a doença. Deste modo, ao apresentarem, continuamente, algum sintoma de algo errado nas funções orgânicas, tal diagnose lhes assegura e lhes garante, impreterivelmente, o desvelo especial pela sua saúde.

Nas consultas regulares aos veterinários, nos múltiplos exames e nos manuseios para as infindáveis observações, estes gatinhos metamorfoseados ampliam sua ninfomania. Que os veterinários mexam no corpo, que apalpem, que façam afagos, que emitam sussurros amorosos e que compensem a esterilidade através de mais colo.

Enfunados em espaços pequenos e limitados, doentinhos e mimados, já perderam a memória para as longas caminhadas, a fim de estabelecer encontros amorosos e procriadores com similares.

Dessexuados, e, sem libido a percorrer em seu sangue, os gatos afetados por Gatose, satisfazem seu mundo relacional com os mimos, e, muitos mimos durante o dia e em alguns momentos da noite.

Ver aqueles outros gatos, naquelas folias de lua cheia, brigando pela possibilidade de fechar um himeneu amoroso, subindo paredes, árvores e forçando a barra para intimidades, devem, enfim, produzir um sentimento doentio de banzo, saudade do tempo em que não foram cooptados por pessoas humanas para intimidades que fogem da sua natureza.

 

sexta-feira, 25 de abril de 2025

FERIDA

 


De procedência infecciosa,

Ou duma agressão raivosa,

Requer o agir terapêutico,

Com recurso farmacêutico.

 

Higienizar e limpar a ferida,

Tarefa geralmente aturdida,

Dá a chance à recuperação,

Para exitosa transformação.

 

Nas inúmeras feridas sociais,

Aplicam-se sentenças banais,

Sem a terapêutica favorável,

Para restauração admirável.

 

Sobram incontáveis feridas,

Em posturas empedernidas,

Indispostos para agir na dor,

Sem um solidário pundonor.

 

O sinal das feridas de Cristo,

Lembra o seu agir benquisto,

Com real dificuldade de crer,

No seu distinto modo de ser.

 

Tomé lembra tal fragilidade,

De crer em Jesus divindade,

Sem humanidade redimida,

Nem atividade enternecida.

 

Sem atuar na comunidade,

Tomé viu sua parcialidade,

E não experimentou Cristo,

Porque sequer o tinha visto.

 

Tomé havia se negado crer,

E os testemunhos absorver,

Mas, junto na comunidade,

Sentiu um Jesus de bondade.

 

Ao captar bom clima de fé,

Declara-se ao filho de José,

Como seu Senhor de Deus,

A querer bem a filhos seus.

 

Clima da comunidade de fé,

Faz olhar para ferida como é,

E leva a alegrar-se no Senhor,

Para além da ação do terror.

 

 

 

GATOSE III

 


            Um olhar perfunctório sobre a Gatose, doença degenerativa que afeta tanto humanos, quanto felinos na sua simbiose doentia, permitiu observar, pelo lado dos gatos, que vivem a desgraça de terem que suprir demandas humanas, e assim, numa metamorfose obrigatória, acabam perdendo um traço de higiene básica, tão peculiar dos gatos, que é o do seu ritual de fazer cocô e xixi.

            Processos históricos longos levaram os felinos a terem muito cuidado com a evacuação. Possuem ainda o privilégio de não precisarem utilizar papel higiênico, e mesmo assim, quando andam livremente por jardins, hortas e pátios, cavam um pequeno buraco no chão, fazem suas necessidades fisiológicas, e, depois, puxam com as patas dianteiras a terra solta decorrente da escavação, por cima do produto despachado, até que a evacuação não emite mais cheiro desagradável.

            Para este ritual de evacuação, os gatos revelam, ou esperteza ou preguiça. Ainda falta apurar esta característica, porque gostam de escolher o espaço da horta, no meio das hortaliças, pois, já devem ter aprendido por experiência, que ali a terra é solta e fácil de ser removida para uma cavidade, a fim de proceder o movimento peristáltico na maciez da fofura do solo.

            Já os gatos que caíram nas mãos humanas doentias, são bloqueados para este solene ritual de defecação. Forçados a fazer xixi e cocô, nos banheiros humanos, ali produzem algo que é contra a sua natureza: deixam que seu cocô e seu xixi emitam mau cheiro, não apenas no banheiro, mas, também pela casa ou no apartamento. De tanto que se acostumam ao cheiro fétido, nem desejam mais outra coisa do que este ambiente de odores graveolentes. Trata-se de uma espécie de “Brain Rot” (Cérebro podre) que os acomete, e, de tanto que se acostumam com ares fétidos, nem desejam mais ar puro da natureza e do meio-ambiente.

            Reféns da morbidez humana, os gatos da compensação afetiva destas criaturas carentes e extraordinariamente intelectivas, tornam-se literalmente relaxados. Nem reagem mais ao cocô que espalham no banheiro ou nos outros ambientes da casa; e passam a viver num ambiente de m (*).

            Como fazem xixi no chão do banheiro e pisam sobre o dito xixi, espalham seu odor pelo colo dos que os afagam e também sobre cadeiras, poltronas, camas e tapetes. Esta promiscuidade, gera um ambiente muito desconfortável nas pessoas não contaminadas pela Gatose, que as visitam. Além do mais, quando os felinos adoentados se tornam o assunto principal das conversas, a digestão da conversação não sobe ao cérebro humano e nem desce ao estômago humanóide. Resulta, então, aquele refluxo causticante a produzir ardência na garganta, isto, sem mencionar os gases indecisos que não sabem se sobem no rumo do cérebro podre ou se descem ao “forébis” para um despacho volátil pelos ares.

            Entre os prejuízos que a Gatose provoca nos gatos domesticados, também está a perda da destreza, da acuidade e da paciência para esperar uma caça. Acostumados aos granulados, viram obsessivos por comida. Com excesso de peso e perda progressiva da rapidez para se locomover, estes gatos tornam-se incapazes de caçar para assegurar alimento que lhes seria saudável. Por isso, acomodam-se à rotina de esperar os granulados coloridos e crocantes e, para preencher seu tempo ocioso, voltam, a cada poucos instantes, para comer até exaurir o que está na travessa servida, a única fonte de satisfação, tanto libidinosa, quanto de preenchimento do tempo monótono.

            Mais outro efeito da simbiose felina com humanos doentes, é o da estranheza diante dos próprios congêneres. Assustam-se ao verem gatos saudáveis, magros, ágeis, espertos e atentos, capazes de saltos ornamentais e de proezas fantásticas em seus jogos lúdicos, pois, acostumados a uma rotina enfadonha, de um dia como outro, já não sabem mais o que fazer junto aos seus familiares e parentes próximos.

 

<center>O ANIMAL DO ÓDIO CRUEL</center>

  Altamente racional, ágil, e dominador, Na luta renhida do ativismo usurpador, Está o ser humano como hegemônico, Em seu estranho p...